terça-feira, 4 de novembro de 2008

Mais sobre o nosso cemitério

Alguns familiares e amigos acham que eu estou em uma fase macabra, falando sobre múmias e cemitério. Gosto de falar que estou na minha fase arqueológica. Ainda sobre o cemitério de Leopoldina, eu fui acompanhar familiares no dia de finados e aproveitei para olhar outras partes da "necrópole" que eu ainda não conhecia (o cemitério é bem grande e eu ainda não fui a todos os lugares).
Deparei-me com o túmulo da professora Judith Lintz Guedes Machado (a direita), a quem minha escola homenageia com o nome e com o lugar de descanso de um dos homens mais influentes do nosso município Dr. Custódio Junqueira (à esquerada) Andando um pouco mais, me chamou a atenção uma laje quebrada, no que seria um sepulcro simples. Ao me aproximar deparei-me com algo que achei que nunca veria em nosso cemitério: um túmulo aparentemente violado. Era possível ver pedaços do esqueleto destroçados e restos de tecido.
O túmulo não tinha numeração e, com a queima dos livros de registros anteriores a 1960, durante o incêndio da prefeitura, talvez seja impossível descobrir a quem pertence o sepulcro. Tirei algumas fotos, conde aparecem o crânio e o fêmur do esqueleto. Outras fotos não ficaram nítidas, por causa da luz. Acho uma pena encontrar um túmulo em tal estado, mas isto supõe ausência de família, que provavelmente deixou de visitar o túmulo já há alguns anos.

domingo, 2 de novembro de 2008

Curiosidades sobre múmias


Inspirada pelo dia de finados, resolvi colocar no blog algumas informações sobre múmias que coletei em alguns textos na Internet. Elas podem servir para montar algumas atividades – pelo menos eu tenho cá algumas idéias a respeito – e mesmo para ilustrar algumas aulas de história antiga ou história da América.

As múmias são cadáveres que são embalsamados por algumas sociedades que acreditam no retorno ao corpo de uma entidade entendida analogamente a um espírito. Tal processo, chamado de mumificação, tem como fim de preservar o corpo para a recepção do "espírito".

Mumificação é o nome do processo aprimorado pelos egípcios em que retiram-se os principais órgãos, além do cérebro do cadáver, dificultando assim a sua decomposição. Geralmente, os corpos são colocados em sarcófagos de pedra e envoltos por faixas de algodão ou linho. Após o processo ser concluído são chamadas de múmias. O processo de mumificação durava cerca de 70 dias.

A mumificação era um processo bastante complexo e demorado. O sacerdote (embalsamador) começava por retirar o cérebro do morto, com um gancho, por meio das narinas. Depois, faziam um corte no lado esquerdo do corpo, retirando os orgãos, que eram colocados em vasos próprios e guardados no túmulo, há exceção do coração, que, por ser necessário na outra vida, era recolocado no seu lugar.

O processo era realizado por especialistas em mumificação e seguia as seguintes etapas:

1º - O cadáver era aberto na região do abdômen e retirava-se as vísceras (fígado, coração, rins, intestinos, estômago, etc. O coração e outros órgãos eram colocados em recipientes a parte. O cérebro também era extraído. Para tanto, aplicava-se uma espécie de ácido pelas narinas, esperando o cérebro derreter. Após o derretimento, retirava-se pelos mesmos orifícios os pedaços de cérebro com uma espátula de metal.

2º - O corpo era colocado em um recipiente com natrão (espécie de sal) para desidratar e também matar bactérias.
3º - Após desidratado, enchia-se o corpo com serragem. Aplicava-se também alguns “perfumes” e outras substâncias para conservar o corpo. Textos sagrados eram colocados dentro do corpo.
4º - O corpo era envolvido em faixas de linho branco, sendo que amuletos eram colocados entre estas faixas.

Após a múmia estar finalizada, era colocada dentro de um sarcófago, que seria levado à pirâmide para ser protegido e conservado. O processo era tão eficiente que, muitas múmias, ficaram bem preservadas até os dias de hoje. Elas servem como importantes fontes de estudos para egiptólogos. Com o avanço dos testes químicos, hoje é possível identificar a causa da morte de faraós, doenças contraídas e, em muitos casos, até o que eles comiam.

Graças ao processo de mumificação, os egípcios avançaram muito em algumas áreas científicas. Ao abrir os corpos, aprenderam muito sobre a anatomia humana. Em busca de substâncias para conservar os corpos, descobriram a ação de vários elementos químicos.

Para transformar um corpo em múmia era muito caro naquela época. Portanto, apenas os faraós e sacerdotes eram mumificados. Alguns animais como, por exemplo, cães e gatos também foram mumificados no Egito Antigo.

Ritos especiais e embalsamamento preparavam os heróis para a vida após a morte, transformando-os em múmias. Uma das obrigações da vida futura era defender lugares sagrados. Caso ladrões ou outros pecadores perturbassem seu descanso, as múmias levantariam e destruiriam os inimigos.

As múmias naturais são muito raras, pois é necessário condições específicas para a sua formação, no entanto este processo produziu as múmias mais antigas conhecidas. A múmia mais conhecida é Ötzi the Iceman, congelado em uma glaciação, nos alpes Ötztal, em torno de 3300 a.C. e foi encontrada em 1991. Uma outra múmia mais antiga, no entanto menos preservada, foi encontrada em Nevada, EUA em 1940, e foi datada com carbono-14 em torno de 7400 a.C.

Em 1972 foram descobertas oito múmias extraordinariamente bem conservadas em uma comunidade Inuit, chamada Qilakitsoq, na Groelândia. As “Múmias da Groelândia” é um grupo formado por um bebê de seis meses, um garoto de quatro anos e seis mulheres de várias idades, que morreram há aproximadamente 500 anos. Os corpos foram mumificados por causa das temperaturas abaixo de zero e os ventos secos que cercam a caverna onde foram encontrados.

Algumas das mais bem preservadas múmias datam do período Inca no Peru, há 500 anos atrás, quando crianças sacrificadas em ritos eram colocadas nos picos das montanhas da Cordilheira dos Andes. O clima frio e seco age na preservação dos corpos.


Algumas curiosidades:
- As múmias egípicias, apesar de serem as mais famosas, não são as mais antigas. Cerca de 2500 anos antes do processo ser adotado pelos egípicios, a mumificação já era práticada entre os chichorros, povo que vivia entre o atual norte do Chile e o sul do Peru. As múmias mais antigas (7,8 mil anos) eram de crianças que, quando mortas, tinham a carne substituída por junco, gravetos e barro pintado. O resultado elmbra uma estátua, mantida em casa pelos chichorros, para matar a saudade do filho perdido.

- Monges do século 18 tentavam mumificar-se ainda vivos, com ajuda de uma dieta à base de resinas de árvores. Se deu certo, ou se os corpos foram preservados depois, não se sabe.

- Na Renascença recomendava-se múmia para cura de quase tudo. Uma pequena dose, dizia-se, acabava com enxaquecas, incontinência urinária, paralisia e vertigens. Entre os consumidores fiéis estavam o rei francês Francisco I, um dos mecenas de Leonardo da Vinci, e sua nora, Catarina de Medici, sobrinha do papa Clemente VII.
- No tempo de Napoleão Bonaparte, a admiração por múmias e pela cultura egípcia persistiu. Em 1799, ele voltou da campanha no Egito com duas cabeças mumificadas na bagagem. Ficou com uma e deu a outra de presente a sua mulher, Josefina.
- A múmia mais famosa do mundo moderno está guardada em um mausoléu na Praça Vermelha, em Moscou. O corpo do líder comunista Vladimir Lênin, morto em 1924, foi preservado por uma equipe de embalsamadores que trabalharam durante cinco meses para criar a ilusão de que ele estava apenas dormindo. Seu rosto e mãos ainda estão à mostra, mas o resto do corpo está coberto por uma roupa preta, que impede a visão da decomposição. Ocasionalmente, o corpo mumificado é lavado com um líquido especial para manter a aparência impressionante.
- No século 19, a análise dos corpos preservados do Egito Antigo visavam muitas vezes provar a suposta superioridade dos brancos e justificar a escravidão dos negros. Teorias racistas também inspiraram os dirigentes nazistas, que mandaram uma expedição a Xinjiang, na China, atrás das múmias de origem caucasiana, de 4 mil anos. A intenção era provar que Gengis Khan (1162-1227), o líder mongol admirado por Adolf Hitler (1889-1945), tinha a mesma origem que os alemães. Voltaram de mãos vazias.
- Arqueólogos no Peru encontraram partes da múmia de uma mulher grávida que foi sacrificada, em uma tumba pré-Inca na província de Lambayeque, no norte do país. Apesar de sacrifícios humanos não serem raros nas civilizações pré-hispânicas no Peru, o sacrifício de uma mulher grávida não era comum porque existia uma grande admiração pela fertilidade. No mesmo local, também foram encontrados os corpos de outras nove mulheres.

- Em 2002 um cemitério com mais de 2000 mil múmias foi encontrado em uma favela, na periferia de Lima, no Peru. As múmias eram protegidas por rolas de algodão e muitas vezes uma família inteira estava mumificada junta. O cemitério data do período entre 1480 e 1535.

- No Brasil também temos múmias. Este ano foram encontradas no Mosteiro da Luz, em São Paulo, múmias de freiras, conservadas naturalmente, com cerca de 200 anos.

Fontes:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2002/020417_mumiasae.shtml
http://pedrodoria.com.br/2008/02/29/as-mumias-paulistanas-e-as-mocas-do-brasil-colonial/

sábado, 1 de novembro de 2008

Defesa de Tese

Minha querida amiga Valéria Fernandes defendeu sua tese de doutorado ontem, na UNB. O título da tese é A Construção da Verdadeira Religiosa no Século XIII: o Caso de Clara de Assis. Agora ela é uma DOUTORA em História Medieval.

Uma grande vitória e merecida, para quem fez doutorado trabalhando no Colégio Militar, dando aulas em faculdade e ainda tendo que dar conta de 4 gatos, um cachorro, uma casa e um marido! Eu não poderia deixar de postar este breve comentário.

PARABÉNS, DOUTORA VALÉRIA!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Semana Acadêmica da FIC

Eu me formei em 1992 na FAFIC - Cataguases. Atualmente, a FAFIC chama-se FIC (Faculdades Integradas). Estive lá, recentemente, oferecendo uma pequena oficina de quadrinhos para alunas do curso de pedagogia. Agora, dia 03 de novembro, estarei retornando para aplicar um mini-curso sobre quadrinhos e ensino.

O curso vai ter duas partes. Na primeira eu contextualizo as Histórias em Quadrinhos, do seu surgimento até os dias atuais e na outra eu dou sugestões de como usar quadrinhos, indico bibliografias e espero poder responder perguntas e trocar experiências com os participantes. Estou ansiosa pela experiência.

A programação de mini-cursos está multo boa. A Semana Acadêmica da FIC começa dia 03 e vai até dia 06. Na imagem ao lado está a programação, é só clicar e conferir.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

História e arte no cemitério de Leopoldina

Há cerca de 10 anos atrás eu fiz um curso de extensão em arqueologia. Uma das matérias que estudei foi justamente sobre o valor histórico-arqueológico dos cemitérios. Sempre tive muita curiosidade acerca deste espaço sagrado, que a muitos desperta tristeza e desolação, em outro temor e repulsa. Da minha parte, os cemitério são um espaço do sagrado, uma espaço de homenagem aos que já não estão mais conosco. Em seu aspecto estético, me arrisco a ser mal entenda ao dizer que acho cemitérios - aqueles tradicionais, com jazidos, capelas, túmulos decorados, etc -, muito bonitos.

Em algumas partes do mundo, os cemitério - muitos deles verdadeiras necrópoles - , são espaços de visitação turística disputadíssimos. Já tive oportunidade de visitar alguns fora do Brasil e lamento o fato de muitas pessoas, ainda hoje, discriminarem este espaço (visite virtualmente o famoso Cemitério de Père Lachaise, na França, e confira o que eu estou dizendo, clicando aqui. É uma excelente dica do amigo Antônio Dutra).

Em Leopoldina, por exemplo, causei um grande espanto quando, na sexta-feira, dia 17 de Outubro, resolvi caminhar pela manhã, com minha máquina fotográfica e passear pelo Cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo.

Apesar do nosso cemitério não ser um dos mais bonitos da região, há nele belas esculturas, túmulos feitos com mármores nobres e uma grande gama de informações sobre as famílias da cidade. Observar túmulos antigos pode ser um exercício interessante. As estátuas de anjos e santos se destacam e dão um ar sereno ao ambiente. Eu particularmente gostaria de poder levar meus alunos ao cemitério. Mostrar a eles onde estão descansando as pessoas que ajudaram a construir a nossa cidade, mostrar os túmulos de nossos personagens ilustres, com Augusto dos Anjos e Ribeiro Junqueira. Aliás, um exercício legal seria encontrar os túmulos das pessoas que hoje tem seus nomes em ruas.

Enfim, quem sabe eu não consigo, um dia uma oportunidade de fazer este passeio "histórico" como meus alunos no cemitério da cidade? Afinal, a história dos ritos fúnebres faz parte da nossa história social. Uma dica que recebi outro dia foi o livro “A morte é uma festa”, de João José Reis, é uma publicação da editora Companhia das Letras. O autor, um dos historiadores brasileiros mais prestigiados, e estuda como o homem percebe a morte e suas atitudes em relação ao término da vida, a partir de um episódio ocorrido na Bahia, no século: revolta da Cemiterada.

Até o século XIX, em muitas partes do Brasil, os velórios aconteciam nas residências dos mortos, e havia a convivência do vivo com o morto no ambiente religioso. Mas na cidade de Salvador, uma lei garantiu a uma empresa privada o monopólio dos sepultamentos por um período de 30 anos. A população reagiu destruindo o cemitério porque os enterros não seriam mais realizados nas igrejas.

Fico imaginando as histórias que envolvem os cemitérios da minha região, marcada pela escravidão, pela religiosidade e pelo apego aos ritos. Seguem algumas fotos que fiz no cemitério.

sábado, 4 de outubro de 2008

Mais uma participação em artigo

Bom, notícia boa a gente tem que passar. Pois é, eu me lembrei que participei como tradutora de um artigo para o Prof. Dr. Abdeljalil Akkari e para o Prof. Doutor Maurice Tardif que estava para ser publicado em um livro da Editora Junqueira & Marin. Fui conferir e, para minha grata surpresa o livro já está anunciado entre os lançamentos.O texto está no livro Gestão Educacional: questões contemporâneas, organizado por Célia Maria Guimarães e Arilda Inês Miranda Ribeiro. O texto que eu traduzi chama-se Alternância, formação prática e organização curricular: por uma visão coletiva da formação de professores. O lançamento oficial do livro irá ocorrer durante o encontro da ANPED, no dia 21 de outubro.

Saiba mais sobre os autores:
Abdeljalil Akkari
Docente da universidade de Genebra. Dirigiu o setor de pesquisas da Haute Ecole Pédagogique Berne-Jura-Neuchâtel (Suisse). Seus principais trabalhos de pesquisa enfocam a educação das minorias culturais, a análise das desigualdades educativas e a internacionalização das políticas educativas.

Maurice Tardif
Atualmente é Reitor da Haute Ecole Pédagogique Berne-Jura-Neuchâtel (Suisse). Foi professor da Universidade de Montreal onde dirigiu o CRIFPE – Centro de Pesquisa Interuniversitária sobre a Formação e a Profissão Docente. Seus trabalhos de pesquisa enfocam o trabalho docente, sua evolução e análise das reformas da formação docente.

A Junqueira & Marin é uma editora que iniciou suas atividades em 1995, com a proposta de publicar obras que pudessem colaborar com a educação no país, voltadas para os que pensam e fazem educação.Publicou livros na área de educação e formação de professores e lançou uma coleção, a Coleção Escola, dedicada aos desafios das escolas brasileiras. A Editora mantém sua atuação na área da educação e, em 2006, ampliou sua atividade no mercado editorial, iniciando a edição de obras em outras áreas.

Bom lembrar que esta editora foi uma das patrocinadoras do nosso II Seminário sobre quadrinhos, leitura e ensino, tendo enviado diversos livros que foram distribuídos entre os participantes.

Artigo na Revista Praxis Educacional

Não posso reclamar do ano de 2008. Ele está sendo muito produtivo. Eu diria que o ano mais produtivo da minha vida. Publiquei vários textos em revistas e anais de encontros, isto sem contar com o livrinho que fiz junto com Lucilene Nunes. E ainda há prespectiva de novas publicações, se não para este ano para o nício de 2009.


Agora em outubro, um texto do qual participei como co-autora com o Dr. Prof. Abdeljalil Akkari está saindo pela revista Praxis Edicacional. A Revista Práxis Educacional é um periódico semestral do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas, Gestão e Práxis Educacionais, do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas (DFCH), Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Segue o resumo do texto e a citação completa:

O ensino público e a formação de professores no Brasil: na direção de novas reformas curriculares

Este artigo examina a história da formação de professores no Brasil e aponta que o atual estado do processo de formação de docentes no país é produzido por meio de políticas públicas específicas. A baixa qualidade da educação pública expressa a falta de apoio aos profissionais de educação. Este artigo apresenta também um novo programa de formação de quadros de professores, na Suíça, baseado na estreita relação com as escolas locais.

AKKARI, Abdeljalil; NOGUEIRA, Natania A. S. . Práxis Educacional, Vitória da Conquista, v.4, n.1, p. 11-48, jan./jun. 2008. ISBN 1809-0249.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Fazendo algumas ressalvas


Amigos, acho que quem está acostumado a escrever sabe como é. Por mais que a gente leia e releia o texto, que outras outras pessoas revisarem, sempre sai alguma coisa errada. Pois bem. Eu encontrei dois erros no livrinho sobre Leopoldina. O primeiro, já no início, foi de digitação, na página 03. Nela está que eu fiz minha especialização na UFF. Está errado. Minha especialização foi na UFJF. Pois é, uma letra foi "comida" e acabou fazendo uma diferença enorme. Para os livros que já foram impressos, o que posso fazer é avisar sobre o erro, mas já estou providenciando na gráfica que seja feita a correção. Na página 71, duas escolas tiveram os nomes trocados. Também será corrigido e espero que os diretores, professores, supervisores e alunos destas escolas sejam compreensivos perante estas falhas que são realmente constrangedoras. Aliás, contamos com a ajuda de professores e alunos das escolas para nos apontares outros erros e sugestões/críticas quanto ao conteúdo do livro, para que ele possa ser melhorado e resivisado antes da próxima impressão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Nominato José de Souza Lima

Fazendo algumas releituras de textos sobre a História Regional a fim de encontrar dados sobre Leopoldina que tenham me escapado em leituras anteriores – quando meu objetivo de análise era outro, deparei-me com o nome de Nominato José de Souza Lima, que, ao que parece, foi uma figura influente politicamente em Leopoldina e na Zona da Mata.

Ele seria neto de Euzebia Joaquina de São José, origem do nome do município Dona Euzébia. O avô teria sido Domingos de Souza Lima. Em Leopoldina temos uma Euzebia Joaquina de São José falecida a 4 de outubro de 1890. Foi mãe de Henriqueta de Oliveira, nascida em Dona Euzébia no ano de 1879. É provável que tenha sido mãe, também, de Antonio Gomes de Oliveira, pai de Nominato José de Souza Lima.[2]

Está sendo difícil encontrar informações sobre sua trajetória pessoal e política. Muitas das informações sobre este político não possuem comprovação documental, estando presentes apenas em literatura. Pude verificar, através de informações repassadas pela pesquisadora Nilza Cantoni, que Nominato era advogado. Tomou posse como vereador em Leopoldina em 1865, no dia sete de janeiro, havendo registros de sua atuação no cargo até dezembro de 1868. Em 1872 foi 3º Juiz de Paz de Leopoldina, presidente da Mesa da Assembléia Paroquial. Em 1897 era Secretário do Interventor em Questão de Limites Minas-Rio.


Segundo o Alistamento Eleitoral, mudou-se de Leopoldina por volta de 1900. Segundo o antigo site da Prefeitura de Muriaé, nesta época foi nomeado Juiz Municipal naquela cidade (informação ainda não comprovada). Consta também que chegou a ir à Europa em 1887 como representante do Império para contratar imigrantes e foi Fiscal do Distrito de Imigração sediado em Leopoldina na década de 1890.


Como deputado provincial e representante de Leopoldina, pertenceu à 19ª Legislatura, entre os anos de 1872-1873, tendo defendido os interesses da C.E.F. Leopoldina , da qual era detentor do direito de concessão e um dos mais importantes acionistas, juntamente como Antônio Santa Cecília e Cesário Alvim. Ao que parece a C.E.F Leopoldina teve um papel importante em sua vida pois em seu obituário citou o seu serviço à companhia como a sua maior contribuição para o desenvolvimento de Minas.


Antônio Santa Cecília, também foi representante de Leopoldina na Assembléia em 1882. Segundo a pesquisadora Nilza Cantoni, o fazendeiro foi 1º tabelião em Leopoldina, no ano de 1875, de acordo com o Almanaque da Província de Minas Gerais, (Ouro Preto: s.n., 1864-1875), 1875 fls 450. Teve três filhos batizados em Leopoldina:. Maria (1870), Antonio (1880) e Luiza Amelia Delfim Gama (1881). A mãe destas crianças foi Maria Sofia da Conceição.


José Cesário de Faria Alvim Filho, apenas para ilustrar, esclarecer, foi um dos políticos mais ativos de Minas. Fazendeiro, advogado, jornalista, político, durante o Império fez parte do Partido Liberal, tendo mais tarde se tornado Republicano. Em 1884, foi nomeado presidente da província do Rio de Janeiro, deputado para a 20ª legislatura (1886-1889), a última do Império. Participante do processo que culminou na Proclamação da República e foi nomeado por Deodoro da Fonseca governador provisório do estado de Minas Gerais, tendo governado de 25 de novembro de 1889 a 10 de fevereiro de 1890. Durante várias legislaturas foi deputado e senador.

Pelas relações políticas que possuía e pelos cargos que ocupou chega a ser estranho não encontrar mais informações sobre este personagem da nossa história. Na Assembléia Legislativa de Minas há apenas o período da sua legislatura. Estou em busca de dados e documentação que possa, quem sabe, fornecer mais dados sobre Nominato e, consequentemente, sobre a Leopoldina do tempo do Império.

1 - O povoadao que deu origem à cidade começou a se formar a partir de 1920. Uma fazendeira da região chamada de Euzébia de Souza Lima doou terras para a cosntrução da estação ferroviária e da Igreja de Nossa Senhara das Dores. Informação disponível emhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Dona_Eus%C3%A9bia, acesso em 09/09/2008.
2 - Informação fornecida por Nilza Cantoni, oriunda de fontes orais.
3 -
BLASENHEIN, Peter. Uma história regional: a Zona da Mata mineira (1870-1906). In.: Seminário de Estudos Mineiros: a República Velha em Minas. Belo Horizonte: UFMG/PROED 1982, p. 73-90; e As ferrovias de Minas no século XIX. In.: Locus: Revista de História. Núcleo de História Regional/UDUFJF, v. 2, n. 2, p.98
4 - Estou particularmente interessada neste personagem, uma vez que minha família, por parte paterna, tem sobre nome Delfim.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Leopoldina, povoamento, café e atualidade

Pessoal, depois de ficar fora mais de uma semana, retornei com uma boa notícia: o livro que eu e Lucilene Nunes fizemos sobre a história da cidade, para o ensino fundamental, está pronto. E ficou lindo!!! Capa dura, papel cartonado e colorido. A tiragem foi de 1000 exemplares. Eu tenho um cá comigo, mas espero poder receber mais alguns. Seguem algumas imagens do livro (mal scaneadas), com partes do texto, atividades e ilustrações. Ah, as ilustrações são de Igor Bastos!





sábado, 30 de agosto de 2008

Quarto dia de Seminário

No último dia de seminário eu fui assistir à mesa redonda sobre os 120 anos da abolição. Confesso que eu tinha me esquecido completamente da data. Aliás, foi o que chamou a atenção de todos a palestrante e ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, que iniciou a mesa falando sobre as políticas de igualdade social e racial no Brasil. Senti falta de inserção do gênero nos tópicos apresentados por ela, mas os 120 anos da abolição foram bem explorados.

Em seguida veio a fala de Giselda Melo, da UEL, que atua na área de literatura e teoria literária. A pesquisadora está trabalhando com antologias de escritoras afro-brasileiras e com confecção de material didático sobre estudos africanos, voltado para escolas de ensino regular.

A terceira, e confesso que a que mais me agradou, foi de Jurema Werneck, que trabalha mulheres negras na cultura brasileira. No caso, ela estuda a trajetória de mulheres sambistas. Apresentou três casos: Alcione, Leci Brandão e Jovelina Perola Negra. Ela as considera Ialodês (representante das mulheres, algumas mulheres emblemáticas, lideranças políticas femininas. aquela fala por todas as mulheres e participa das instâncias do poder.

Adorei uma frase que ele disse, com um tom de humor: "Na neutralidade científica, a gente pesquisa o que gosta".

A tarde eu fui para meu simpósio - consequi entrar desta vez - onde o tema do dia foi a violência e o mundo infanto -juvenil. Todas as falas foram ótimas, com destaque para uma pesquisadora (cujo nome me falha agora) que tratou da questão da violência física no início do século XX. No geral, foi um dia muito produtivo pena que foi o último.


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fazendo Gênero: terceiro dia

Dia 27 de agosto de 2008.

Assisti à mesa redonda Corpo Violência e Discurso. Foi, no mínimo, inusitada. Desde 1995, quando fui à ANPUH Nacional de Recife, quando assisti a uma mesa com Luis Mott, não tinha tido oportunidade de ouvir conferências sobre homossexualismo e história. Chamou-se a atenção a palestra do prof. Durval Muniz de Alburqueque Jr, sobre escritor, poeta e dramaturgo Reinaldo Arenas, perseguido pela ditadura cubana, tanto pelas suas idéias quanto pela sua opção sexual.

Reinaldo Arenas era assumidamente homossexual e passou grande parte da sua vida combatendo o regime comunista e a política de Fidel Castro. Apesar de ter apoiado a revolução cubana nos seus primeiros anos, devido à extrema miséria em que vivia com a sua família nos anos de Fulgêncio Batista, acabou por ser vítima de censura e de repressão, tendo sido várias vezes perseguido, preso e torturado e forçado a abandonar mesmo diversos trabalhos (como conta na obra autobiográfica Antes que anoiteça), mostrando que o governo de Fidel Castro não havia trazido mais democracia à ilha.

Durante a década de 1970, tentou, por vário meios, abandonar a ilha, mas não obteve sucesso. Mais tarde, devido a uma autorização de saída de todos os homossexuais e de outras persona non grata e depois de ter mudado de nome, Arenas pôde deixar o país e passou a se estabelecer em New York, onde diagnosticaram o vírus da Aids. Nessa época, escreveu "Antes que anoiteça" (no original "Antes que anochezca"). Em 1990, terminada a obra, Arenas suicidou com uma dose excessiva de álcool e droga.

Na mesma mesa, estava a pesquisadora argentina Adriana Maria Valobra, que tratou da questão do corpo e da sexualidade nas escolas. Adorei. As experiências dela quanto pesquisadora e suas aflições em relação ao tema me vez refletir sobre minha própria realidade, como professora. Aceitar e entender as diferenças é um processo muito difícil, mas necessário para se construir uma escola e uma sociedade mais justa.

Por fim, houve a fala do sociólogo Richard Miskolci (UFSCa), que coordena o grupo de pesquisa Corpo, Identidade Social e Estética da Existência e orienta estudos que exploram intersecções dos marcadores sociais das diferenças (classe, gênero, raça e sexualidade) por meio de produtos culturais. Seu tema também foi a questão do homossexualismo. Leia um texto de Miskolci sobre o tema, clicando aqui.

Para minha tristeza, tive um probleminha de estômago na hora do almoço e me atrasei para o simpósio temático do qual estava participando e acabei ficando fora. Aliás, esta é minha única reclamação: uma professora da pedagogia levou todos os alunos para assistir o simpósio (sem terem feito/pago inscrição) e pessoas que estavam participando não puderam entrar, porque a sala estava cheia. Foi o meu caso e de outras pessoas.

Para não perder a minha tarde por completo, visitei as exposições de fotos e de porters, que estavam espalhadas pelo campus. Aliás, encontrei posters muito bons e que irão gerar ótimos trabalhos, futuramente.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Minha apresentação no Seminário Fazendo Gênero 8

Fiz minha apresentação ontem, no simpósio temático O UNIVERSO INFANTO JUVENIL: GÊNERO, PODER E VIOLÊNCIA. Segue a introdução do meu trabalho, cuja versão integral está disponível nos anais do evento.

REPRESENTAÇÕES FEMININAS NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS:
DA FICÇÃO À REALIDADE
Natania A. S. Nogueira[i]

Introdução

Um meio de comunicação em massa que está presente entre nós há mais de um século, as histórias em quadrinhos têm uma proposta democrática e se propõe a tingir públicos diferenciados, econômica e socialmente. Ao trabalhar com texto e imagem, os quadrinhos (ou HQs), podem ser entendidas por todos os tipos de leitores, independentemente de sua faixa etária, grupo sócio-econômico ou origem étnica. Esta virtude torna este tipo de leitura um espaço privilegiado de representações sociais. Dos cenários aos enredos, passando pelos personagens, tudo nas histórias em quadrinhos pode ser visto como uma apropriação imaginativa de conceitos, valores e elementos que foram, são ou podem vir a ser aceitos como reais.[ii]

Nas linhas que se seguem iremos analisar os quadrinhos norte-americanos, produzidos nas décadas de 1950-1960 e publicados no Brasil na década de 1960, pela Editora Brasil América (EBAL), uma das mais importantes editoras de quadrinhos do Brasil. Nestes quadrinhos iremos tentar entender como se construíam os papéis e gênero, cujo conceito para Scott significa,

(...) saber a respeito das diferenças sexuais. Uso saber, seguindo Michel Foucault, com o significado de compreensão produzida pelas culturas e sociedades sobre as relações humanas, no caso, relações entre homens e mulheres. Tal saber não é absoluto ou verdadeiro, mas sempre relativo. (...) O saber não se relaciona apenas a idéias, mas a instituições e estruturas, práticas cotidianas e rituais específicos, já que todos constituem relações sociais. O saber é um modo de ordenar o mundo e, como tal, não antecede a organização social, mas é inseparável dela.[iii]

Desde que surgiram, as histórias em quadrinhos se adaptaram e se integraram ao contexto histórico no qual estavam inseridas, sendo que os personagens e os enredos se tornam expressões dos anseios, valores, preconceito e mesmo das frustrações de seus criadores, eles mesmo produtos de sua época. Nos quadrinhos estão as representações do real, ou daquilo em que se deseja transformar a realidade.

“Protegidos pela tinta e pelo papel, os personagens das histórias em quadrinhos materializam representações que são constantemente retomadas, reatualizadas e normatizadas sob a forma de um simples exercício de leitura; do jogo lúdico entre palavra e imagem, que aparentemente desvinculado do mundo real, retoma, recria e fundamenta modelos e saberes.” (23)[iv]

O mundo das histórias em quadrinhos (HQs) norte-americanas é um mundo de supremacia masculina. Mesmo as personagens femininas sofreram nos quadrinhos de super-heróis. Por anos, elas foram quase que sempre retratadas ora como mocinhas indefesas que precisavam de heróis para salvá-las, ora como vilãs sem moral, que provocam os heróis virtuosos. Nos dois casos, elas sempre saem perdendo, seja pela dependência que desenvolvem em relação ao homem, seja por suas ações imorais, suas roupas decotadas, sua falta de pudor ao desfilar sua feminilidade – ou pelo menos aquilo que os autores transformaram em feminilidade.

Mas, mesmo precisando dos homens, as mulheres dos quadrinhos foram aos poucos ganhando sua autonomia, conquistando seu espaço. Dois exemplos são Diana Palmer, esposa do Fantasma, e Lois Lane, eterna namorada do Superman. Elas são mulheres decididas e arrojadas, que quando surgiram (entre as décadas de 30 e 40) apresentavam uma independência e determinação incomuns para a época. Diana era uma voluntária da ONU, quase uma diplomata, que viajava o mundo tentando corrigir injustiças. Já Lois Lane era uma repórter que se metia em diversas encrencas para que os seus leitores pudessem saber a verdade.[v]

Heroínas sem super-poderes, sempre dispostas a encarar o perigo, mas sempre esperando serem salvas pelos verdadeiros heróis, as mulheres dos quadrinhos assumiram modelos diversos, que foram se modificando à medida em que as mulheres reais iam conquistando seu espaço na sociedade. De simples heroínas românticas, elas ganharam poderes. No entanto, o poder maior, de se igualar aos homens nos quadrinhos, ainda está para ser conquistado.

[i] E-mail: nogueira.natania@gmail.com
[ii] BARCELLOS, Janice Primo O feminino nas histórias em quadrinhos. Parte I: A mulher pelos olhos dos homens. Disponível em http://www.eca.usp.br/agaque/agaque/ano2/numero4/artigosn4_1v2.htm, acesso em 18/05/2008
[iii] SCOTT, Joan Wallach. Prefácio a Gender and Politics of History. Cadernos Pagu (3) 1994, p. 12.
[iv] OLIVEIRA, Selma Regina Nunes. Mulher ao Quadrado - as representações femininas nos quadrinhos norte-americanos: permanências e ressonâncias (1895-1990). – Brasília: Editora Universidade de Brasília: Finatec, 2007, 23
[v] DOMINGUES, Guilherme Kroll. Mulheres nos Quadrinhos. Disponível em: http://www.homemnerd.com/coluna.php?sessao=COM&id=0, acesso em 23/03/2008

Fazendo Gênero: segundo dia

No Seminário Internacional Fazendo Gênero estão sendo apresentados mais de 2400 trabalhos. Tentar assistir a todos é impossível. Resta, então, tentar selecionar algumas mesas e simpósios e aproveitar o máximo possível.

Dia 26 de agosto de 2008

Mesa redonda: Gênero e educação
Muito boa. Nesta mesa eu assisti a duas apresentações, pois tinha interesse, também, em outra mesa redonda que estava acontecendo em outro prédio (como eu disse são muitas apresentações). Voltado à mesa, nela foi focada a questão das relações de gênero na escola.

A primeira apresentação que assisti foi da pesquisadora da UNCAMP, Ana Lúcia Goulart de Faria. Para ela a escola comete uma violência contra a criança ao reproduzir o modelo de família nuclear (pai, mãe, filhos), como se fosse o único, o ideal para a sociedade. Ela afirma que há muitos tipos de família e todos são legítimos, sendo, portanto, uma questão de respeito saber reconhecer todas as formas privadas de organização familiar.

Relata uma experiência realizada em uma escola italiana, com alunos entre 5 e 6 anos de idade. Estes alunos fizeram uma “pedinovela”, uma espécie de fotonovela onde os protagonistas são os pés das crianças. Na pedinovela, as crianças falam sobre o início e o fim de uma família, descrevendo uma crise conjugal, sob seu olhar infantil e atento. A novela termina com a conclusão de que é melhor separar do que viver junto sempre brigando. Experiência muito interessante, pois dá voz às crianças.

A segunda apresentação foi feita pela pesquisadora da FURG, Paula Regina Costa Ribeiro. Ela trabalha dentro da linha de Estudos Culturais. Ela faz uma análise sobre o estudo da sexualidade nas escolas e assinala que este estudo sempre foca os órgãos reprodutores, que nunca são caracterizados como órgãos de prazer, mas apenas como uma parte qualquer do corpo. Faz um balanço das pesquisas que estão em andamento no seu núcleo:
- mulheres nas ciências
- blogs, orkut e sites (tecnologias da informação), focando questões referentes à sexualidade.

Afirma que os artefatos e pedagogias sociais usam as mídias para veicular idéias equivocadas sobre a relação entre gêneros. Acha que o debate sobre a sexualidade deve estar presente nas escolas e na legislação que a ampara.

A segunda mesa que assisti foi a mesa Memórias do Feminino. Nela eu tive o prazer que assistir a apresentação a Dra. Heleieth Saffiot (PUC/SP), que fez um resumo da sua trajetória acadêmica, iniciada no ano de 1962. Feminista e marxista, a professora afirma que sobreviveu à ditadura graças às contradições. Começou sua vida acadêmica estudando mulheres que trabalhavam fora de casa, notadamente professoras e operárias da industria têxtil.

Sua pesquisa foi inovadora, pois envolveu, também, os maridos destas mulheres. Trabalhou com Florestan Fernandes, que foi seu orientador. Venceu as barreiras sociais impostas às mulheres no meio acadêmico. Tem pavor à frase: “Gênero é socialmente construído”, ela considera esta frase um pleonasmo. Também não gosta de ações protecinistas/assistencialistas do Estado em relação às mulheres, pois “quem protege sempre pede algo em troca”

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fazendo Gênero 8

Estou participando, esta semana, do Fazendo Gênero 8, um Seminário Internacional, que vai até o dia 28 de Agosto. A cada dia tentarei fazer no Blog um resumo sobre minha participação no evento. Hoje foi a abertura, que contou com a participação da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. A fala da ministra foi muito interessante e motivadora, pois ela anunciou a abertura de um edital de pesquisa para ainda esta semana, cujo orçamento alcançou o teto de 5 milhões. Uma oportunidade para pesquisadoras e estudantes de pós-graduação que se dedicam ao tema.


Houve, também, uma homenagem especial a uma educadora de Santa Catarina, prof. Êgle Malheiros, que foi muito emocionante. O evento começou oficialmente com a conferência da pesquisadora argentina Dr. Maria Luísa Femenías, com o tema Corpo, poder e Violênia - o tema geral do seminário deste ano. Em seguida houve um lançamento coletivo de mais de 40 obras, ligadas aos estudos de gênero. Amanhã eu farei a apresentação da minha comunicação e darei mais detalhes sobre o Seminário.