quinta-feira, 23 de outubro de 2008

História e arte no cemitério de Leopoldina

Há cerca de 10 anos atrás eu fiz um curso de extensão em arqueologia. Uma das matérias que estudei foi justamente sobre o valor histórico-arqueológico dos cemitérios. Sempre tive muita curiosidade acerca deste espaço sagrado, que a muitos desperta tristeza e desolação, em outro temor e repulsa. Da minha parte, os cemitério são um espaço do sagrado, uma espaço de homenagem aos que já não estão mais conosco. Em seu aspecto estético, me arrisco a ser mal entenda ao dizer que acho cemitérios - aqueles tradicionais, com jazidos, capelas, túmulos decorados, etc -, muito bonitos.

Em algumas partes do mundo, os cemitério - muitos deles verdadeiras necrópoles - , são espaços de visitação turística disputadíssimos. Já tive oportunidade de visitar alguns fora do Brasil e lamento o fato de muitas pessoas, ainda hoje, discriminarem este espaço (visite virtualmente o famoso Cemitério de Père Lachaise, na França, e confira o que eu estou dizendo, clicando aqui. É uma excelente dica do amigo Antônio Dutra).

Em Leopoldina, por exemplo, causei um grande espanto quando, na sexta-feira, dia 17 de Outubro, resolvi caminhar pela manhã, com minha máquina fotográfica e passear pelo Cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo.

Apesar do nosso cemitério não ser um dos mais bonitos da região, há nele belas esculturas, túmulos feitos com mármores nobres e uma grande gama de informações sobre as famílias da cidade. Observar túmulos antigos pode ser um exercício interessante. As estátuas de anjos e santos se destacam e dão um ar sereno ao ambiente. Eu particularmente gostaria de poder levar meus alunos ao cemitério. Mostrar a eles onde estão descansando as pessoas que ajudaram a construir a nossa cidade, mostrar os túmulos de nossos personagens ilustres, com Augusto dos Anjos e Ribeiro Junqueira. Aliás, um exercício legal seria encontrar os túmulos das pessoas que hoje tem seus nomes em ruas.

Enfim, quem sabe eu não consigo, um dia uma oportunidade de fazer este passeio "histórico" como meus alunos no cemitério da cidade? Afinal, a história dos ritos fúnebres faz parte da nossa história social. Uma dica que recebi outro dia foi o livro “A morte é uma festa”, de João José Reis, é uma publicação da editora Companhia das Letras. O autor, um dos historiadores brasileiros mais prestigiados, e estuda como o homem percebe a morte e suas atitudes em relação ao término da vida, a partir de um episódio ocorrido na Bahia, no século: revolta da Cemiterada.

Até o século XIX, em muitas partes do Brasil, os velórios aconteciam nas residências dos mortos, e havia a convivência do vivo com o morto no ambiente religioso. Mas na cidade de Salvador, uma lei garantiu a uma empresa privada o monopólio dos sepultamentos por um período de 30 anos. A população reagiu destruindo o cemitério porque os enterros não seriam mais realizados nas igrejas.

Fico imaginando as histórias que envolvem os cemitérios da minha região, marcada pela escravidão, pela religiosidade e pelo apego aos ritos. Seguem algumas fotos que fiz no cemitério.

7 comentários:

arraialnovo disse...

Muito bom, Natania. Seu texto complementa maravilhosamente uma folha do meu site: http://www.cantoni.pro.br/MemoriaLeopoldina/cemiterio.htm
Posso colocar um link por lá?

Natania Nogueira disse...

Obrigada, Nilza! Pode colocar sim, aliás, eu pretendo visitar seu site.
Beijão!

Conceição EJA disse...

Oi Natânia

Eu tinha uma professora de Desenho Artístico que recomendava visitas demoradas a cemitérios para apreciar os seus belos monumentos... Concordo com você em seu texto.

Anônimo disse...

Ola...estava com saudade de meu avô e que morou e faleceu em Leopoldina: Antonio Jose Machado Neto. Resolvi olhar as fotos do slide que vc fez, apesar do medo rs! E consegui identificar uma que creio eu ser do tumulo dele: é um anjo branco apontando com o dedo indicador para o céu. Fiquei arrepiada quando vi! Muito lindo seu trabalho! beijos

Natania Nogueira disse...

Pois é, tenho que voltar ao cemitério e atualizar minhas fotos. Quero ver se identifico alguns túmulos.

Joana Alice disse...

Gostaria de ver o túmulo de minha avó Lair (1970) . Quanta saudade! Mas sei que um dia eu a verei novamente. Bom trabalho.

Natania Nogueira disse...

Obrigada!! :-)