segunda-feira, 23 de outubro de 2017

RETIRANTES CEARENSES EM LEOPOLDINA NO SÉCULO XIX


A substituição da mão de obra escrava tornou-se pauta frequente de debates no Brasil, principalmente após a Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico de escravos africanos. A partir de então, encontrar alternativas para o trabalho escravo passou a ser uma das preocupações de muitos fazendeiros, principalmente das regiões produtoras de café do sudeste, onde a concentração e, também, a demanda por trabalhadores era maior. Ainda na década de 1850 foram realizadas as primeiras iniciativas de implantação da mão de obra imigrante no Brasil, que nos anos de 1870 ganharam novo impulso, com a aprovação da Lei do Ventre livre, que acenava para a abolição da escravidão.

Nos livros didáticos de história tanto a questão da substituição da mão de obra escrava e da adoção do trabalho do imigrante europeu recebem uma atenção especial. Mas o que não se fala nestes livros é sobre a emigração nordestina para as áreas produtoras de café. Já no século XIX os nordestinos dirigiam-se para o sudeste em busca de empregos e fugindo da seca que naquela época assolava o nordeste.  Muitos deles vieram de estados como o Ceará e podem ser classificados como os “refugiados da seca”.

O Nordeste, em conjunto, perdeu quase 350.000 habitantes, sendo que 80% da sua região central, principalmente do Ceará. Foi o resultado de uma seca que assolou a região, fazendo que somente o Ceará perdesse quase 30% de sua população. Os estados que tiveram os maiores saldos migratórios positivos foram os estados de Minas Gerais e São Paulo e o município da Corte, no conjunto um saldo de 235.000 migrantes[1]. 

Retirantes concentrados na praça da Estação em Fortaleza, em fins do século XIX. Imagem disponível em: http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/11/a-seca-de-1877-79-em-fortaleza.html, acesso em 23 out. 2017.

O ano de 1878 foi um dos piores para o população cearense, que amargou uma grande seca entre 1877 e 1890, de que deixou milhares de mortos. A tragédia da seca foi narrada por José do Patrocínio, correspondente do Gazeta de Notícias, que visitou o Ceará entre maio e setembro de 1878. Ele transformou esta experiência em um romance, “Os Retirantes”, publicado inicialmente na forma de folhetim e finalizado em 1879.

Patrocínio tinha a missão de narrar essa seca para o público leitor da Corte e o fez de modo completo: enviou matérias para o Gazeta de Notícias, mandou fotografias para O Besouro e escreveu um romance! Buscou estar presente em situações relevantes naquele momento dramático e avaliou criticamente as ações do governo, seguro que estava da inadequação das leis e do costume para a resolução de calamidades dessa natureza[2].

Capa do livro "Os Retirantes", de José do Patrocínio.
Imagem disponível em: http://www.bibliologista.com/2014/03/os-retirantes-de-jose-do-patrocinio.html, acesso em 23 out. 2017.

A pesquisadora Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi aponta a década de 1870 como período de intensificação do fluxo migratório interno. Seu estudo se concentra na Província de São Paulo e aponta Minas Gerais e o “núcleo exportador de pessoas para a Província de São Paulo (38,3%)”[3]. O avanço da cafeicultura em São Paulo e o crescente aumento da necessidade de trabalhadores para a lavoura fazia com que o fluxo migratória para aquele estado fosse crescente.

Já na Primeira República, fazendeiros denunciavam a ação de aliciadores que levavam para São Paulo trabalhadores do município de Leopoldina, por época da colheita do café.  De fato, Minas Gerais era uma das províncias mais povoadas do Brasil, como pode confirmado pela tabela abaixo,  e uma boa parte da sua mão de obra livre buscou em terras paulistas melhores salários, principalmente na colheita do café.

Fonte: BRITTO, Fausto. As Migrações e a Transição para o Trabalho Assalariado no Brasil. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/view/1113, acesso em 23 out. 2017.

A mesma Minas Gerais que perdia seus braços da lavoura para São Paulo, trazia do nordeste trabalhadores que aceitavam os salários menores oferecidos aqui pelos fazendeiros. Se nossa história local fala da presença maciça do negro e da importância do imigrante italiano na formação da nossa sociedade, ela omitiu, de certa forma, a presença do nordestino. 

No periódico O Pharol, de Juiz de Fora, foi reproduzida em 1878 uma notícia publicada no Jornal do Commercio que fala sobre a vinda de cearenses para Leopoldina, a fim de trabalhar na lavoura. Tratava-se de um movimento de colonização nacional apoiado pelo governo imperial com a finalidade de suprir a crescente demanda por trabalhadores nas regiões produtoras de café do sudeste. Além disso, para o governo imperial ocupar esta população era uma forma de atenuar os efeitos negativos da seca que afetava o nordeste e que havia de transformado numa calamidade nacional.  Segundo O Pharol

Diversos fazendeiros do município de Leopoldina têm encomendado retirantes cearenses  para seus trabalhos agrícolas. O Sr. José da Silva Figueira, empreiteiro da estrada de ferro do Rio Doce, já recebeu duas partidas de emigrantes, que montam a perto de cem pessoas, e consta-nos que vai solicitar maior número desses braços. O senhor Coronel José Vieira de Rezende Silva, ilustrado e importante fazendeiro de Cataguases, encomendou para si e fazendeiros de sua família, 130 imigrantes, e prepara-se para ensaiar a lavoura em terreno preparado com braços livres[4].

Repare a forma como se trata o trabalhador livre. Os cearenses são “encomendados”. A imagem do trabalho braçal permanece vinculada ao trabalho escravo mesmo em se tratando do trabalhador livre. Durante os primeiras décadas do século XIX, os jornais como a Gazeta de Leopoldina anunciavam a chegada de imigrantes italianos em Leopoldina quase que na mesma forma que se anunciava a chegada de gado.

No que diz respeito ao tráfico interno de escravos também foram enviados para a região da Zona da Mata negros escravos cearenses. São vários os anúncios de fuga de escravos, tanto em o Pharol quanto em O Leopoldinense, de escravos oriundos daquele estado.

Ontem e hoje a mentalidade escravagista ainda está enraizada na nossa cultura, onde o trabalho braçal ainda não recebe o devido valor, onde o trabalhador assalariado é vítima constante de abusos por parte de patrões e onde, infelizmente,  trabalho escravo existe e seu combate está sendo negligenciado pelo atual governo.





[1] BRITTO, Fausto. As Migrações e a Transição para o Trabalho Assalariado no Brasil. Disponível em: file:///C:/Users/user/Documents/HIST%C3%93RIA/1113-3223-1-PB.pdf, acesso em 23 out. 2017.
[2] NEVES, Frederico de Castro  A miséria na literatura: José do Patrocínio e a seca de 1878 no Ceará. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tem/v11n22/v11n22a05.pdf, acesso em 23 out. 2017.
[3] BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo Migrantes no Brasil da segunda metade do século XIX. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/viewFile/1048/1013, acesso em 23 out. 2017.
[4] O Pharol, Juiz de Fora, 12 de maio 1978, n. 37, p. 02.

sábado, 21 de outubro de 2017

ANNELI FURMARCK: DA PINTURA AOS QUADRINHOS

Este ano eu pude conhecer o trabalho de várias autoras suecas, com os mais variados estilos. Com algumas delas eu tive o privilégio de conversar pessoalmente, com outras eu troquei mensagens pelo facebook e e-mails. 

Tentei postar, sempre que possível, alguma coisa sobre a obra dessas mulheres. Através delas eu procurei entender como funciona a indústria dos quadrinhos suecos que, acredito, é a única que atualmente é quase dominada pelas mulheres. De fato, alguns especialistas com os quais conversei afirmaram que, atualmente, são elas que movimentam o mercado dos quadrinhos suecos.

Anneli Furmarck
Uma das autoras com as quais eu tive um contanto foi Anneli Furmark, que é considerada atualmente uma das mais importantes quadrinistas da Suécia. Seu trabalho já foi publicado no Canadá, Finlândia, Países Baixos além de  em vários jornais suecos.  Sua formação é em Belas Artes. Trabalhar com Histórias em quadrinhos não estava em seus planos, embora ela já desenhasse e escrevesse quadrinhos desde pequena. Foi para a pintura que Anneli voltou sua atenção quando ingressou na faculdade. Apenas na década de 1990 que ela começou a produzir seus primeiros quadrinhos. Anneli fez o caminho inverso de muitas autoras, que deixaram os quadrinhos para se dedicar à pintura e à ilustração.

“Eu sempre me interessei por desenho e por quadrinhos, mas de certa forma eu comecei tarde. Foi apenas quando eu terminei meus estudos de arte (MFA, Umeå University, 1997) que comecei a trabalhar com histórias em quadrinhos curtas e com romances gráficos e a publicá-los.” [1]

Labyrinterna och andra serier
(2002)
Seu primeio romance gráfico veio em 2002, com o álbum Skapar Labyrinterna och andra serier (Labirintos e outros quadrinhos), pela Optimal Imprensa, uma coleção composta por histórias curtas, inspiradas na sua infância em Norrbotten. Assim como muitos outros autores suecos ela encontrou nos quadrinhos autobiográficos uma gênero atraente em seus primeiros trabalhos. 

Em 2009, Anneli Furmarck passou a escrever quadrinhos de ficção científica, com Skapar August & jag, uma história que envolve viajantes do tempo e narra a história de um escritor que fora tirado do seu século.  Para suas obras de ficção ela tira inspiração em autores como Júlio Verne.
 
Jordens medelpunkt (2012)
Seus personagens estão constantemente esbarrando em novas experiências que fazem suas vidas tomarem rumos inesperados. Quando questionado sobre qual de seus quadrinhos ela gosta mais, Annelli aponta  o albúm Jordens medelpunkt (O Centro da Terra), que segundo ela “tem um lugar especial no meu coração”[2]. É uma história em quadrinhos sobre “o medo, o amor e a natureza incrível da Islândia.” Criada no norte da Suécia, próxima da Finlândia, Anneli usa as paisagens naturais daquela região como pano de fundo de muitos dos seus quadrinhos.

Fiskarna i havet (2010)

Quando falamos sobre a participação feminina na produção de quadrinhos na Suécia, Furmark relacionou o maior interesse e destaque dos quadrinhos naquele país com a maior participação das mulheres. Segundo ela isso vem atraindo mais leitores e, também, mais artistas. Para Anneli nos últimos dez anos o sexismo diminuiu na Suécia e isso foi muito bom para as mulheres. A diferença é tanta com relação a outros países.

”Eu fico bastante chocada quando eu vou para a França por exemplo, e vejo quanto sexismo ainda existe na indústria dos quadrinhos de lá. Aqui não é perfeito, mas é muito melhor”[3].

De fato, o espaço conquistado pelas mulheres na indústria cultural sueca nos últimos anos é exemplar. Tudo possível graças ao fortalecimento do movimento feminista naquele país e do compromisso assumido pelo governo em diminuir as desigualdades de gênero usando para isso a educação e a cultura. A Suécia, no entanto, está longe de ser perfeita, como bem destacou Anneli mas, entre os países do ocidente talvez seja o que mais avançou no combate ao sexismo e à misoginia.

Conheça um pouco do trabalho de Anneli Furmack clicando aqui!

Fontes consultadas:
Anneli Furmark. Disponível em: http://www.kartago.se/forfattare/anneli-furmark/, acesso em 18 de mai. 2017.
Anneli Furmark. Disponível em: https://www.bibblo.se/111841/sv/articles/anneli-furmark, acesso em 18 de mai. 2017.



[1] Anneli Furmark, entrevista concedida via e-mail em 22 mai. 2017.
[2] Idem.
[3] Idem.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ROSA VERMELHA: UMA BIOGRAFIA EM QUADRINHOS DE ROSA LUXEMBURGO


Kate Evans é uma quadrinista britânica, nascida no Canadá, que cresceu e estudou na Inglaterra, onde se formou em Literatura inglesa pela Universidade Sussexem Brighton, e que está no Brasil neste fim de semana, no Rio de Janeiro, lançando um álbum em quadrinhos pela Ed. WMF Martins Fontes: Rosa Vermelha: uma biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo.

O álbum foi publicado originalmente em 2015 e narra a vida e obra da socialista e revolucionária, filósofa e economista polaco-alemã Rosa Luxemburgo, uma das figuras mais emblemáticas do marxismo que atuou no final do século XIX e início do século XX. 

Evans especializou-se na produção de quadrinhos de não-ficção abordando temas políticos e/ou sociais, como  The Food of Love: your formula for successful breastfeeding  (O alimento do amor: sua fórmula para o amamentação bem-sucedida).  Criou e ilustrou, também, o  manual de gravidez e nascimento Bump: how to make, grow and birth a baby. (Bump: como fazer, crescer e nascer um bebê) e muitos outros títulos. 



sábado, 14 de outubro de 2017

NO DIA DO PROFESSOR, SÓ RESTA AGRADECER

Não tem como eu encontrar uma imagem onde eu possa representar todos os meus alunos e ex-alunos, então eu escolhi uma imagem que representa a educação para mim. Ela tem cara de menina sapeca, ela está repleta de diversidade, ela é o casamento perfeito entre a ciência e o lúdico, ela é a simplicidade de viver cada dia como se ele fosse o último das nossas vidas.

O dia do professor deste ano será o dia em que farei apenas agradecimentos. O que eu preciso agradecer? Acredito que quase tudo. Depois de 25 anos de magistério eu cheguei à conclusão que ser professora e ser humana é contar sempre com a presença do outro na nossa vida. Nossos alunos, nossos colegas de trabalho, os amigos que fazemos durante a vida, dentro e fora da escola e, até, os nossos desafetos.

Por incontáveis vezes, nestes 25 anos de docência, uma frase dita em sala de aula por um aluno me inspirou a montar uma aula, a criar uma atividade, a escrever um artigo ou mesmo organizar um livro. Palavras são poderosas, saber usá-las faz diferença na hora de se comunicar com o outro. 

Então, neste dia do professor vou começar a agradecer pelas palavras que me foram ditas e que me motivaram a ser melhor e mais criativa. Agradeço aos "musos" e "musas" que , mesmo sem querer e sem saber, me inspiraram e fizeram de mim uma profissional melhor.

Ao poder das palavras, acrescento o poder dos gestos silenciosos. Aquele sorriso caloroso e aquele abraço carinhoso quando eu entro numa sala de aula ou no corredor da escola. Aquele gesto de carinho que um aluno ou um colega faz ao perceber que eu preciso de conforto. O levantar da cadeira para pegar uma caneta que rola no chão, o auxilio espontâneo que recebo quando estou carregada de material e mal posso ver por onde estou andando. 

Agradeço por aquela vez em que eu caí no meio da rua e meus alunos correram para me levantar (depois eles riram, mas eu ri também). Agradeço por notarem os pequenos detalhes na minha conduta, como o fato de eu fechar os olhos quando começo a contar uma história, tirar os óculos  e esquecerem onde os coloquei, por me avisarem quando eu esqueço a minha ficha escolar ou se oferecerem para me pegar um café ou uma água quando percebem que estou cansada. Por fim, por encontrar comigo na rua depois de muitos anos e dizer que eu fui a melhor professora que já teve.

Se ser professora hoje, ainda mais de história,  é muito difícil. Mas eu acredito que vale a pena por causa de todas essas pequenas coisas que eu listei acima e muita mais. Num mundo tão carente de amor, que presente maior uma professora pode ter, todos os dias e não apenas no dia dos professores, do que o carinhos dos seus alunos?

Então, feliz dia do Professor, para todos os professores cujos corações se aquecem quando percebem como seus alunos fazem a diferença na sua vida e você na vida deles.

sábado, 30 de setembro de 2017

A QUADRINISTA MARY GAGNIN NA FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE GOTEMBURGO

Mary Gagnin (Fonte: Mary Gagnin Art o Facebook)
A ilustradora e quadrinista Mary Cagnin participou no sábado dia 30 de setembro de um encontro com a mangaká sueca e professora da Escola de Quadrinhos de Malmö Natália Batista, durante a da Feira Internacional do Livro de Gotemburgo, na Suécia. Mary foi convidada para representar o Brasil no evento com seu álbum "Black Silence". Em 2016 a quadrinista Bianca Pinheiro também foi convidada para representar o Brasil na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo. 

Mariana (Mary) Cagnin é formada em Artes Visuais pela Unesp. Ela é também autora do quadrinho Vidas Imperfeitas, publicado pela editora HQM e está atualmente com um novo projeto no Catarse,  LoversBlack Silence lhe rendeu  o Trofeu Angelo Agostini de 2017, de melhor desenhista. Mary Cagnin foi a primeira mulher a ganhar nesta categoria.

Mary com Natalia Batista (Fonte: Mary Gagnin Art o Facebook)
Em uma conversa rápida com Natalia Batista ela me contou um pouco de como foi o encontro. Elas falaram sobre a indústria dos quadrinhos em seus respectivos países. Uma troca de experiências e impressões entre duas autoras que vivem em contextos culturais diferentes. 

Entre as diferenças está o tamanho do Brasil e do mercado potencial que nós temos para quadrinhos. Na Suécia, uma HQ que vende 1000 exemplares é um sucesso, no Brasil, as tiragens são muito menores.

Entre as semelhanças está a popularidade dos fanzines, tanto aqui no Brasil quando lá na Suécia e de como eles são importantes como ponto de partida para muitos artistas em início de carreira. Outro ponto seria a má vontade por parte de alguns setores da indústria dos quadrinhos em investir no mangá.

E é claro, as impressões foram para lá de positivas. Natalia Batista achou Mary Cagnin super talentosa, além de muito simpática.

Mary Cagnin disponibilizou alguns trechos da conversa na sua página no Facebook - Mary Gagnin Art - onde ela fala da experiência de ensinar arte em seus workshops.

Na Suécia os quadrinhos possuem um status cultural elevado, se comparado ao Brasil. Os quadrinistas, enquanto produtores de cultura são muito valorizados. Existem, inclusive, programas de rádio e TV que dedicam alguns de seus quadros para falar sobre lançamentos de quadrinhos e entrevistar autores. É um mercado pequeno, mas que tem reunido muitos talentos, notadamente femininos.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PAGU: POLÍTICA E PIONEIRISMO NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NOS ANOS DE 1930


O texto completo da minha apresentação sobre os quadrinhos de Pagu  já está disponível nos anais eletrônicos do XXIX Simpósio Nacional de História, realizado em Brasília, de 24 a 28 de julho de 2017. Para desenvolver esta pesquisa eu usei as tiras e charges publicadas no jornal "O Homem do Povo", além de biografias e dissertações produzidas sobre a autora nas últimas décadas.

Para ler o texto completo basta clicar aqui!

terça-feira, 22 de agosto de 2017

PASSADO E PRESENTE NOS QUADRINHOS DE CHANTAL MONTELLIER

Capa da edição de 1980.
Assisti hoje a uma entrevista de Chantal Montellier sobre a reedição  de um de seus álbuns "Shelter Market", publicado originalmente em 1980, pela  Les Humanoides Associés.  O que esta história em quadrinhos de 37 anos tem de tão interessante para render uma entrevista na televisão?

Sua atualidade!

Shelter Market  conta a história de um casal que fica confinado em um grande centro comercial subterrâneo adaptado para se tornar um abrigo antinuclear, após o ataque a duas usinas nucleares. Todos deverão permanecer confinados até que o desastre seja contido, o que pode levar meses, talvez anos. 

Trata-se de uma distopia que gira em torno da paranoia e do medo gerados por uma ataque nuclear em um grupo de pessoas, agora obrigadas a convier em um abrigo por tempo indeterminado e submetidas a um regime autoritário.

Quando foi originalmente lançada, na década de 1980,  a HQ refletia o medo contínuo de uma guerra nuclear, que marcou os anos da Guerra Fria. Hoje ela permanece atual, principalmente na França, se levarmos em conta a paranoia gerada pelos ataques ocorridos nos últimos anos. Esse clima de medo e incerteza e tem favorecido a emergência de lideranças conservadoras que ameaçam constantemente as liberdades conquistadas no último século.

Chantal Montellier em sua obra não apenas coloca nos quadrinhos a angústia dos anos de 1980 como, também, profetiza os tempos sombrios que tomaram conta do século século XXI, marcado por crises sociais, ideológicas e politicas.

Shelter Market nos transporta para um microcosmos social onde se desenrolam disputas, abuso de poder, violência física e simbólica, censura, etc. O álbum ainda faz uma forte crítica ao consumismo da nossa sociedade, uma ameaça ao planeta talvez tão grande quanto o terrorismo e a guerra. 

Durante sua estadia no Brasil, em maio, Chantal expressou sua angústia pelos tempos sombrios pelos quais o mundo, em especial a França, tem passado. Sua preocupação com a expansão de ideias fascistas e com o aumento das desigualdades. Talvez por isso a reedição de Shelte Market seja uma forma de alertar para os perigos do avanço da paranoia social, que nos leva a atos de intolerância e reforça discursos autoritários.

Encerrando, eu disponibilizei a entrevista da autora sobre o álbum (em francês), para quem quiser conhecer melhor os posicionamentos da autora.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

EDUCAÇÃO E QUADRINHOS: 2º ENCONTRO NACIONAL DOS QUADRINHOS

A capital francesa dos quadrinhos não para. Nos dias 5 e 6 de outubro vai acontecer o 2e Rencontres Nationales de la bande dessinée (2º Encontro Nacional dos Quadrinhos),  na cidade de Angoulême. O tema central será "Educação e quadrinhos." 

Na França, o assunto não é novidade. Nos anos de 1960 surgiram periódicos especializados nos quadrinhos. Um dos mais importantes foi o jornal Pilote (1959-1989), direcionado ao público adulto. Vai ser também neste período que a perspectiva de professores em relação às HQs vai começar a mudar. Na década seguinte os quadrinhos começaram a ser reconhecidos como um meio educacional, e nos anos de 1980 e 1990, fizeram parte de campanhas de incentivo à leitura.
 
Na década de 1970 que as HQs conquistaram um espaço até então inédito. Em 1970, Antoine Roux publica um livro que coloca o tema em debate: La Bande Dessinée Peut Être Éducative (A História em Quadrinhos pode ser Educativa). Em 1976, a Larousse publicou a História da França em Quadrinhos, com fins puramente educacionais. Além disso, as HQs passaram a ser utilizadas, por exemplo, no ensino de latim e de filosofia nas universidades e até no ensino regular.


Em 1977 foi realizada em Roque d'Anthéron a primeira conferência internacional "Quadrinhos e Educação", cuja segunda edição ocorreria dois anos depois. Ambos os eventos deram origem a duas publicações importantes:  Lecture et bande dessinée (Leitura e História em Quadrinhos)  e Histoire et bande dessinée (História e História em Quadrinhos).

Esta segunda edição do Encontro Nacional dos Quadrinhos em Angoulême pretende fazer um balanço acerca das realizações do potencial dos quadrinhos na educação. Ela vai reunir autores, professores, intelectuais e especialistas. O encontro está recebendo o apoio do Ministério da Cultura e Comunicação, do Ministério da Educação e dos États Généraux de la Bande Dessinée. (Estados Gerais dos Quadrinhos). 

A coordenação do encontro está a cargo de Jean-Philippe Martin, Conselheiro Científico da Cidade Internacional dos Quadrinhos e da Imagem. A participação é gratuita, mas é necessário se inscrever.

Para mais informações, entre em contato com Virginie Berger (em inglês ou francês)  pelo e-mail  vberger@citebd.org


CORA CORALINA E O PODER DAS PALAVRAS

Imagem disponível em: https://www.blahcultural.com/biografia-de-autor-cora-coralina/,acesso em 20 ago. 2017.

No dia 20 de agosto comemorou-se o 128º centenário do nascimento de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome da poetisa Cora Coralina. Nome que ela tomou emprestado de uma mulher que conheceu. Achava-o melodioso ao ser pronunciado. 

Ela nasceu em Goiás, em meio a crise do império, no ano em que seria proclamada a república no Brasil, 1889. Cora não nasceu em um Brasil escravocrata mas foi prisioneira de uma sociedade androgênica e patriarcal, assim como tantas outros mulheres. 

Cora Coralina encontrou sua libertação na poesia. Poesia onde o eu feminino está sempre sente. Uma poesia que buscou aproximar todas as mulheres, mesmo aquelas que a sociedade estigmatizou. 

Mulher da vida

Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.

Cora era uma transgressora em vários sentidos. Fugiu para viver com um homem mais velho e divorciado, contrariando a família e a moral da sua época. Vendeu livros, trabalhou em jornais, fez doces e criou seis filhos após a viuvez. Ela tinha apenas o ensino primário e se tornou um dos maiores nomes da literatura do Brasil. 

Não era propriamente uma desconhecida do mundo literário. Chegou a ser convidada para participar da semana da  Arte Moderna, em 1922, mas seu marido não permitiu. Já idosa, sua obra foi apresentada ao grande público por ninguém menos do que Carlos Drummond Andrade, que sobre sua poesia disse:

"É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia."

O mesmo Carlos Drummond, mineiro de Itabira, que reconheceu o talento daquela senhora e que este ano foi homenageado pela FLIMINAS - Festa Literária de Minas Gerais -, que ocorreu entre os dias 17 e 20 de agosto,  na cidade de Rio Novo (MG), encerranda justamente no dia do nascimento de Cora Coralina.

E como não se encantar por aquilo eu nos faz sentir prazer, que nos faz descobri novos mundo e aflorar novas paixões? O mundo seria mais triste sem a poesia, sem a literatura, sem os quadrinhos. Tudo que nos faz sonhar e nos leva pra longe da realidade é o que, na verdade, nos fortalece para que possamos enfrentar os obstáculos do dia a dia. 

O poder da palavra é inegável. Dela se constroem os discursos, dela se edificam nações. Ela abre o mundo para as muitas "Coras", que se expressam através das letras. 

Ana Lins morreu em 10 de abril de 1985, mas Cora Coralina vai viver para sempre na memória da literatura brasileira.


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

BIOGRAFIAS EM QUADRINHOS - ANÁLIA FRANCO

Já há algum tempo eu estou para ler a analisar uma publicação em quadrinhos sobre a obra e vida de Anália Franco. É um quadrinho biográfico que fala de dois episódios da vida desta mulher, nascida na cidade de Resende no dia 19 de fevereiro de 1856 e falecida em 20 de Janeiro de 1919.

Anália foi professora, jornalista, poetisa, romancista e filantropa, tendo fundado mais de sessenta escolas e pelo menos vinte asilos para abrigar meninas órfãs. Dedicou sua vida a ajudar outras mulheres, através de uma instituição que criou em 1901, em São Paulo, quando para lá se mudou, a “Associação Feminina Beneficente e Instrutiva”, que presidiu até sua morte, em 1919.

É uma rara obra em quadrinhos sobre uma mulher que dedicou-se a ajudar outras mulheres. Pelo menos em termos de biografias, os quadrinhos nacionais se dedicaram a falar da vida de santos ou de figuras históricas como a Princesa Isabel, por exemplo. Um quadrinho contando a vida de uma mulher comum, uma professora, é uma novidade para mim.

Mas Anália não foi bem uma mulher comum, foi uma mulher notável, mas que só ganhou visibilidade por estar ligada ao espiritismo. Ela seguia a doutrina espírita kardecista, Foi basicamente uma missionária que dedicou sua vida a servir ao outro. 

HQs religiosas não são minha especialidade mas, como leitora, eu até então não tinha visto nada relacionado à doutrina espírita em quadrinhos, salvo a biografia de Chico Xavier. Por isso eu pesquisei e encontrei outros quadrinhos espíritas, como o Espiritismo Kids, o blog Quadrinhos do Invisível, que tem webcomics espíritas, O personagem infantil "O Espiririnha" e até uma edição da Turma da Mônica!

Voltando à HQ dedicada a Anália Franco, a obra é assinada por Roque Jacintho, jornalista, contabilista e radialista, autor de vários livros nas áreas  jurídica, tributária, economia, administrativa, infantil e espírita. O quadrinho foi publicado pela editora espírita, FEB e pode, inclusive, ser adquirido pelo site da editora. O ano original da publicação não foi possível determinar, pelo menos não numa busca inicial e nem a autoria das ilustrações. O único autor creditado é Roque Jacintho.


As duas passagem narradas nos quadrinhos falam sobre dois temas que marcaram a vida desta mulher. Primeiro sua relação com a Igreja Católica, que muitas vezes atacou sua obra por ser ela baseada na doutrina espírita. Na primeira passagem a HQ mostra o preconceito contra a religião e, ao mesmo tempo, uma lição de tolerância religiosa. 

A segunda narra um episódio ligado à epidemia de febre espanhola, em 1918, que ameaçou as meninas de um abrigo gerenciado por Analia Franco. Mostra a luta da benfeitora para tentar salvar as meninas. Ironicamente, Anália morre no ano seguinte, vítima da febre espanhola, uma vez que se arriscou para cuidar das crianças e não foi forte o suficiente para sobreviver à doença.


Não entrando no mérito religioso, vale destacar que se trata de um quadrinho que pode ser considerado alinhado ao feminismo, uma vez que a protagonista é uma mulher e uma mulher dedicada a ajudar outras mulheres. Mas não é uma quadrinho feminista.

É um quadrinho histórico, pois narra fatos que ocorreram no início do século XX. Um quadrinho educativo, por assim dizer, e que pode ser usado para tratar de questões sociais e mesmo para discutir sobre a questão das doenças e da medicina no Brasil da Primeira República.

Fica como dica a leitura de uma dissertação de mestrado defendida recentemente sobre esta curiosa personagem feminina da nossa história.

CHAGAS , Floriza Garcia. Álbum das meninas, Revista Literária e Educativa dedicada às jovens brasileiras: estudo de um impresso de anália franco (1898-1901). Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de São Paulo, na linha de pesquisa: sujeitos, saberes e processos educativos, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação, Guarulhos, 2016. Disponível em: http://ppg.unifesp.br/educacao/defesas-1/formularios/dissertacoes/2016/floriza-garcia-chagas, acesso em 03 ago. 2017.

domingo, 30 de julho de 2017

MINHAS (QUASE) FÉRIAS DE JULHO

Nas minhas pequenas férias de julho eu tentei me organizar o máximo possível depois da enxurrada de compromissos e eventos que marcaram o primeiro semestre. E eu ainda me sinto cansada.

Uma amiga comentou que isso acontece porque o tempo é implacável, ou seja: estou ficando velha. No entanto, acho que não é bem a idade, mas o excesso de responsabilidades. Escola, família, pesquisas,  relações afetivas e profissionais, tudo isso acaba se de tornando desgastante. 

Para fugir um pouco disso tudo, e em busca de maior motivação para encarar este segundo semestre, eu uni trabalho e lazer e fui para Brasília (DF). Local improvável para se passar as férias, eu sei. Mas este ano tivemos lá o XXIX Simpósio Nacional de História, organizado pela ANPUH (Associação de História), sediado na UnB.


Sou associada da ANPUH há mais de 20 anos. Meu primeiro encontro regional foi em 1991, na UFOP, em Mariana (MG), quando ainda era estudante, e o nacional em 1995, na UFPE, em Recife (PE). Desde então raramente falto a um evento, seja ele nacional ou regional. Tenho lá meus prós e contras com relação à ANPUH, me dou esse direito pelo tempo que sou associada. 

Acho que a ANPUH é um excelente espaço para debates e para se fazer novos contatos. Os encontros, também, são muito bons para se conhecer o que vem sendo pesquisado no Brasil e dar uma reciclada na pratica docente. Os simpósios e encontros regionais oferecem ainda a oportunidade de novas leituras (sempre há feitas de livros e muitos lançamentos) e reencontrar amigos. Aliás, aproveitei para lançar meu livro lá. Foi uma experiência gratificante.
Lançamento do meu livro, no ICC Norte, dia 25 de julho, ao lado dos amigos Afonso, Luciana e André.
No entanto, a ANPUH ainda peca em uma coisa: ela não atrai o professor da educação básica. Veja, por exemplo, o caso de Minas Gerais. Se um professor de História de cada município mineiro fosse participar da ANPUH, seriam mais de 800 participantes apenas de um Estado Brasileiro. E um ainda é pouco, levando em consideração o número de escolas que temos no nosso em Minas Gerais. 

Incentivar o professor/pesquisador deveria ser um dos nortes da ANPUH. Ao invés disso estamos criando uma "República de Doutores", onde um professor da educação básica acaba sentindo-se marginalizado. Eu sou cara de pau demais para me sentir assim, mas não vejo outros colegas motivados a investir na participação em eventos acadêmicos. Uma das frases que eu mais ouço é "Você ainda está na escola?" Eu me pergunto: por que acham que eu deveria estar em outro lugar?

Mesa redonda: Democracia política e tradições golpistas na história republicana brasileira, com  Eloisa Barroso (UnB), Rodrigo Pato Sá Mota (UFMG), Marcos Francisco Napolitano De Eugenio (USP) e Marcelo Siqueira Ridenti (UNICAMP). A melhor mesa que eu assisti e que me fez perceber que não estou tão por fora do assunto o quanto eu imaginava.

Eu apresentei um trabalho sobre Pagu, cuja versão simplificada eu já disponibilizei aqui no blog (clique aqui) e estou dando os retoques finais no artigo completo, que será enviado para os anais do evento. Minha amiga e companheira de pesquisa, Valéria Fernandes da Silva, também apresentou um trabalho muito interessante sobre a adaptação do romance de Machado de Assis, "Helena", para mangá. Infelizmente, desta vez não tivemos um ST (simpósio temático) sobre Quadrinhos e História, mas quem sabe no próximo simpósio?

Brasília acabou se tornando meu roteiro de férias. Devo confessar que foi uma grata surpresa. A capital federal tem seus encantos. A arquitetura é grandiosa, difícil não apreciar. A construção que eu mais gostei foi a Catedral. E olhe que eu tenho uma queda por igrejas antigas e rústicas, mas a catedral de Brasília me cativou. 


A cidade é um exemplo de como paisagismo e arquitetura combinados podem transformar uma região quase inóspita em um centro urbano exuberante. Sua arquitetura monumental é uma referência à grandiosidade do próprio Brasil. Dos prédios públicos aos espaços destinados ao lazer, como os parques e os clubes e restaurantes construídos ao longo do lago Paranoá, tudo passa a impressão de amplitude.

Para quem não sabe (eu não sabia), o Lago Paranoá é um lago artificial de 38 quilômetros quadrados, cuja ideia da criação faz parte do relatória da Missão Cruls, ocorrida em 1894, sob o governo do Marechal Floriano Peixoto. Esta missão tinha por objetivo estudar e explorar a região do Planalto Central, em obediência à Emenda Lauto Müller (1890) que determinava a mudança da capital federal do Rio de Janeiro para o centro do país. Juscelino Kubitschek, portanto, tirou sua inspiração para a construção de Brasília da Constituição de 1891.

Foto tirada às margens do Lago Paranoá.
Brasília é uma cidade moderna e bonita, que carrega um pouco de cada região. A culinária local é maravilhosa. Eu adorei dos "dadinhos de tapioca", por exemplo, uma iguaria que eu nunca havia experimentado. Diga-se de passagem, eu comi muito bem Brasília, dos bares mais simples aos restaurantes mais badalados. A culinária brasiliense é muito diversificada. 

Como em toda capital podemos encontrar em Brasília de tudo um pouco. Por exemplo, eu almocei dois dias em um restaurante chinês próximo à UnB. Mas o que, me parece, predomina mais na região é a culinária nordestina. 

Eu fui a um restaurante nordestino fantástico, o Mangai. O estabelecimento em si é muito bonito, às margens do lago, próximo à ponte Juscelino Kubitschek, também conhecida como "Terceira Ponte". O local tem uma vista linda do lago e da ponte e os clientes do restaurante aproveitam para tirarem fotos. Menos eu, que esqueci meu celular no carro e não tirei foto alguma. Acontece.

Restaurante Mangai, que fica próximo ao lago de Brasília.
Em resumo, minhas quase férias foram muito acima da expectativa. Eu participei de um evento acadêmico, reencontrei amigos, conheci outras pessoas e ainda tive tempo de me divertir um pouco e "turistar". A próxima ANPUH Nacional será em Recife, em 2019, cidade que eu adoro e espero poder estar lá. Chega a ser até nostálgico: meu primeiro simpósio Nacional foi justamente lá, há 22 anos atrás.