quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

DOCUMENTÁRIO COMEMORA OS 60 ANOS DA SUPERGIRL


Neste ano de 2019 tivemos dois aniversariantes ilustres completando mais uma década de existência: Batman, que fez seus tenros 80 anos e a Supergirl, que completou 60 anos. Dos dois, o mais festejado foi sem dúvida o Homem Morcego, que além de várias matérias em sites especializados e jornais ganhou exposições espetaculares como a exposição "Batman 80 anos" inaugurada em janeiro durante o Festival Internacional de Bande Dessinée  de Angoulême, na França, com a presença de Frank Miller.

Mas e a Supergirl? O que se fez ou se falou sobre ela durante o ano de 2019?

Sobre seus 60 anos ocorreram nos diversas manifestações nos Estados Unidos, como a programação especial da Supergirl Radio, criada há cinco anos e que, durante ao ano de 2019 se dedicou a comemorar o "Supergirl's 60th Anniversar",  cuja última transmissão, antes desta postagem, foi dia 20 de dezembro (clique aqui para conferir).

A super heroína também esteve presente, no Atlanta Comic Con, em julho, com um painel apresentado por Rebecca Johnson (clique aqui para conferir o conteúdo em PDF). Além disso, seus 60 anos foram registrados em diversos textos, artigos, artes e vídeos feitos por fãs publicadas ao longo do ano.


As comemorações foram, em grande parte, resultado da popularidade recente da personagem com a série Supergirl, que colocou Kara Zor-El em cena, não mais como uma coadjuvante das aventuras do Superman, mas como estrela de seu próprio show.



Aqui no blog, publiquei uma postagem especial com a história da personagem (clique aqui para conferir). Mas, se comparada às comemorações do dos 80 anos do Batman o aniversário da prima do Superman não teve grande impacto na mídia especializada, resumindo-se a alguns poucos artigos ao longo do ano.

No entanto, neste dezembro festivo tivemos o prazer de poder fechar 2019 com uma surpresa para fãs: um documentário produzido pelo canal Cult de Cultura, do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Arte Sequencial Mídia e Cultura Pop, sob coordenação de Iuri Andréas Reblin.

Dividido em duas partes, "A garota de Aço" e a "Garota do Amanhã", ele conta com a participação de diversos pesquisadores de cultura pop, como Iuri Andréas Reblin, Vanessa Camargo, Christian Gonzatti, Guilherme Miorando, Ruben Marcelino e esta que vos fala. O documentário faz uma análise histórica, sociológica e cultural da personagem e sua evolução, nos quadrinhos e nas telinhas ao longo dos seus 60 anos de existência. 


Confira os dois vídeos, logo a baixo, e conheça um pouco mais sobre esta personagem que, nos últimos anos, se tornou um dos símbolos de empoderamento feminino e de diversidade, no âmbito da Arte Sequencial. Se puder, deixe seus comentários aqui no blog ou diretamente no canal do Cult de Cultura, no youtube.


sábado, 14 de dezembro de 2019

O DEVER DE MEMÓRIA E O COMPROMISSO DA ESCOLA

Imagem capturada em: <https://jornalggn.com.br/opiniao/a-memoria-a-historia-e-o-esquecimento/>. Acesso em 14 dez. 2019.

Algumas das melhores reflexões que eu já fiz ocorreram em sala de aula, quando eu introduzia um tema ou respondia a um (a) aluno (a) sobre determinado assunto. Eis que durante a minha última aula do ano antes das provas finais, acabei debatendo com os alunos sobre o "dever de memória”.

O "dever de memória" é um fenômeno contemporâneo, que surgiu na França na década de 1980. Ele estava ligado originalmente aos debates relacionados à memória do holocausto judeu e tinha uma característica reivindicatória: era preciso punir aqueles que cometeram tais crimes contra a humanidade.

Simplificando, o "dever de memória", a busca pela justiça, mesmo que tardia. Foi incentivada a criação de arquivos, datas comemorativas, debates públicos, etc. Era preciso lembrar para não repetir o erro. Era preciso lembrar para que os algozes não ficassem impunes. Era preciso lembrar para que a justiça fosse feita, notadamente dentro da esfera do uso ético e político da memória e da própria história. 

O "dever de memória" bate de frente com o esquecimento. Memória e esquecimento caminham juntos, uma vez que toda comunidade escolhe aquilo que deseja recordar e, muitas vezes, trata-se de uma memória romantizada que nem sempre condiz com o fato ocorrido.

Muitos dos eventos que marcaram a vida de nações inteiras foram violentos e traumáticos. Por exemplo, o mito da fundação de Roma, contado de forma romantizada, nada mais é do que uma história marcada pelo fratricídio. Guerras, revoluções, golpes são eventos potencialmente violentos. Mas a memória coletiva festeja os vencedores, lamenta pelos seus mortos e busca esquecer o trauma. Para que pensar no que já passou, não é mesmo?

Esquecer é mais fácil do que reparar, até porque isso demandaria um esforço de reconhecimento do fato e, junto com isso, a tomada de consciência, normalmente dolorosa. Reconhecer o erro gera a necessidade de se responsabilizar por ele, e isso é assustador. Por isso se recorre ao esquecimento.

A negação do passado  no presente é uma forma de esquecimento. E foi sobre isso que nós discutimos em sala de aula. O Brasil nunca precisou tanto reivindicar o dever de memória. Vivemos um momento de negação, de ameaça revisionista da nossa memória e da nossa história. 

A escravidão, acreditem, há quem negue veementemente que ela tenha realmente existido no Brasil. O racismo, realidade no nosso país há séculos, é dado como inexistente. Os direitos dos povos indígenas, que passam por um novo genocídio, vêm sendo arrancados à força de armas e do sacrifício de muitos que se levantam para defendê-los. O Brasil se tornou o país da negação. Nega-se a pobreza, nega-se a violência, nega-se o bom senso.

É preciso apropriarmo-nos do dever de memória para tentar salvar a memória coletiva e a história de uma violação completa dos seus sentidos. É preciso exigir justiça aos que foram escravizados, mutilados, torturados, mortos ao longo da nossa história por simplesmente defenderem seu direito à liberdade, à felicidade e a uma vida digna, o que deveria ser dever do Estado.

Pouco mais de 20 minutos de uma aula, numa turma da educação básica, e eu aprendi tanto, refleti sobre tanta coisa que nem me sentia a professora, mas uma aluna que estava ali com meus mestres, ainda adolescentes. Isso talvez seja o que nos motiva, aos professores, em tempos tão sombrios: o potencial da juventude de poder enxergar com os próprios olhos e falar com sua própria boca. 

Acredito que seja um dos compromissos da escola garantir que os jovens questionem. Que eles possam debater com professores  e entre si. Que eles entendam que são cidadãos ativos e que o "dever de memória" é o que lhes pode garantir o direito de encarar o futuro com responsabilidade. Essa responsabilidade que tanto tem faltado aos adultos, parece florescer em jovens como Greta Thunberg e tantos outros, anônimos, que não têm medo de se expressar e que sonham com um futuro melhor não apenas para si mesmos, mas para todo o planeta.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

CHEESE IN THE TRAP (치즈인더트): DE WEBTOON A DORAMA

Cartaz com os personagens da série - protagonistas e coadjuvantes. 

Ontem uma pessoa postou um comentário na resenha que eu fiz de "Nosso lugar secreto" pedindo outras resenhas de doramas que saíram no Netflix.  Entre as séries sugeridas estava uma que eu pretendo utilizar no futuro, em um artigo que quero escrever sobre adaptações de quadrinhos para doramas. Assim, não vejo porque não começar desde já. Não pretendo fazer uma descrição minuciosa nem dar spoilers, para não atrapalhar quem ainda não viu. Mas se isso acontecer, mesmo eu tendo todo o cuidado, peço antecipadamente desculpas.

O k-drama em questão chama-se Cheese in the Trap  (치즈인더트), "Queijo na ratoeira", lançado em  2016, estreado por  Park Hae-jin (como Yoo Jung), Kim Go-eun (como Hong Seol), Seo Kang-joon (como Baek In-ho). 
 
Personagens da webtoon e suas contrapartes na série de 2016.

Ele foi adaptado de uma webtoon (história em quadrinhos) de mesmo nome, produzida pela mangaká sul-coreana Soon kki e publicada online entre 2010 e 2016, com versões impressas a partir de 2012. Para quem tiver curiosidade, a webtoon está disponível para leitura (traduzida para o português, aqui!). Este k-drama se apropria da linguagem dos quadrinhos por meio de efeitos de imagem que valorizam a narrativa em seu todo.

Resumidamente, a trama envolve um triangulo amoroso do tipo clássico: João gosta de Maria que gosta de José. Clichê, né? Fórmula que vende fácil, com uma dose de tensão e conflito entre casais. Mas, veja bem, a série gira em torno das relações desses três personagens, mas ela se diferencia por explorar o lado sombrio deles. E essa é a sacada genial de Cheese in the Trap, que transita entre o romance e o suspense. 

Cheese in the Trap mostra o que há de pior e de melhor no se humano e como as relações entre as pessoas podem ser problemáticas, beirando quase à loucura. Mas também fala sobre redenção, aceitação, de tolerância e de como pode ser difícil perdoar e abandonar maus hábitos. É um k-drama intenso que deve ser assistido aos poucos, um episódio ou dois por dia.
 
Webtoon - em estilo mangá.


Como eu disse, a série expõe o que há de obscuro na alma humana. O protagonista e figura chave é Yoo Jung, uma pessoa que esconde uma personalidade tóxica. Durante a série a gente se pergunta: Yoo Jung é um psicopata? Olha, até agora estou na dúvida se ele é ou não. Rico e sofisticado, Yoo Jung entra na vida da simples e esforçada estudante Hong Seol que não é fácil.  De uma família humilde, a moça luta todos os dias para se manter na faculdade, trabalha e se dedica ao máximo aos estudos. 

O terceiro elemento introduzido na história é Baek In-ho, um desafeto de Yoo Jung, ex-membro de uma gangue, órfão e revoltada com uma série e acontecimentos do passado que mudaram sua vida e o levaram a se envolver com a marginalidade.  Baek In-ho tem uma irmã completamente pirada que vai lhe causar muitos problemas ao longo da história.

As séries sul-coreanas, via de regra, não possuem segundas temporadas. Mas no caso de Cheese in the Trap, bem que merecia, uma vez que o final deixa uma grande interrogação. Eu, particularmente, entendi que o diretor jogou para o público o conclusão final da trama. É irritante? Muito! Mas por outro lado é instigante porque quebra justamente aqueles tais clichês dos quais a gente reclama.

Eu particularmente gosto de filmes e séries que deixam uma pulga atrás da orelha quando terminam. Ela fazem a gente largar de lado aquela preguiça mental característica que de quem assiste filmes, séries e novelas. Faz o receptor pensar e dialogar com a narrativa. É claro que para isso a narrativa tem que ser bem amarrada, não pode ser apenas interrompida.
 
Adaptação para o cinema - 2018
Qual o final de Cheese in the Trap? É este mesmo que você pensou. Se outra pessoa chegou a uma conclusão diferente não significa que ela esteja errada. Que tal sentar e discutir sobre isso?

Por fim, Cheese in the Trap também foi adaptado para filme, lançado em 2018, com algumas mudanças no elenco original. Ainda não assisti, mas as avaliações foram boas. Webtoon, série e filme. Se você têm dúvidas sobre se deve assistir ou não Cheese in the Trap, pense bem: se a série não tivesse algum mérito não teria tido tantas adaptações.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O PACOTE ( 더 패키지): CONHECENDO A FRANÇA E ENTENDENDO A SOCIEDADE SUL COREANA


O Pacote (Deo Paekiji // 더 패키지), é um dorama coreano (K-drama), de 2017, dirigido por  Jeon Chang-geun e Kim Jin-won e cujo roteiro é de Chun Sung-il (que inclusive faz um ponta na série, como o dono de uma agência de viagem), com doze capítulos.

É uma serie que explora o microcosmos de relações familiares e afetivas de um grupo de turistas que partem para uma viagem de 10 dias à França. A narrativa se constrói a partir da história de  Yoon So So (interpretada pela Lee Yeon Hee), que é uma guia turística coreana que vive sozinha na França, longe da família e que se apaixona por um dos turistas do grupo que está guiando, San Ma Roo (interpretado pelo cantor e ator Jung Yong Hwa). 

É uma história de amor? Sim! Mas que tipo de amor? Do amor entre pai e filha, entre namorados que estão juntos há muitos anos, entre marido e esposa já idosos que enfrentam a possibilidade de embarcar numa vida de solidão. Mas é, acima de tudo, uma série que foge de muitos clichês que caracterizam as comédias românticas sul coreanas. É uma história sensível que explora os dramas do dia a dia de um pequeno grupo de oito pessoas, cada um enfrentando seus próprios desafios. Divertida e, ao mesmo tempo, tocante.

A série é superior a muitas outras do gênero, em muitos aspectos. Uma das coisas que me chamou a atenção foi o cuidado com a fotografia. As locações foram muito bem escolhidas e a edição ficou perfeita (pelo menos eu não encontrei nada que me desagradasse ou chamasse atenção de forma negativa). E a lista de pontos positivos não para aqui. Vamos por partes.

Os atores são muito bons, destaque para os veteranos  Lee Ji Hyun  (como Han Book Ja) e Jeong Gyu Su (como Oh Gab Soo) que dão um show de interpretação. Se na maior parte dos dramas a gente se foca no casal romântico, eu fiquei encantada com o casal de anciãos que dá, ao mesmo tempo, um toque de humor e desperta a empatia.
Lee Ji Hyun e Jeong Gyu Su em uma cena em Paris.

O roteiro é o ponto alto. Sério, durante todos os doze capítulos eu me indagava: que roteiro fantástico! Tanto que a primeira coisa que fiz foi pesquisar justamente o roteirista Chun Sung-il, que descobri é praticamente um veterano da industria cinematográfica coreana, atuando como ator, diretor e roteirista. Até quis saber mais sobre ele, mas não encontrei um site oficial, apenas uma lista dos filmes nos quais atuou, dirigiu e escreveu o roteiro. Tipo da pessoa que eu admiro, que se destaca pelo talento e não (apenas) pela aparência (pelo menos essa é minha impressão, como consumidora do trabalho dele). 

Eu sempre leio resenhas de séries famosas coreanas antes de assistir ou depois que eu assisto, se gostar muito, para comparar impressões. Eles sempre se focam na beleza dos protonistas ou na química entre eles. Mas no caso de "O Pacote", mais do que isso está a beleza da história, em si. 

Um ponto do roteiro que me chamou a atenção á a forma como ele introduz a histórias de cada personagem ao longo da narrativa, com flashs do passado e situações do presente. É interessante como, a partir de certo ponto, o romance dos protagonistas vai dividindo espaço com os dramas pessoais de cada personagem sem que isso oferece o ritmo da narrativa. E não tire conclusões precipitadas: muita coisa não é o que parece. 

Além disso, há ainda uma boa quantidade de referências diretas a clássicos do cinema francês e a muitos pintores, como Van Gogh e alguns impressionistas, dando um tom de erudição ao texto. Do início ao fim, "O Pacote" convida o expectador a conhecer mais sobre a história, a cultura e o patrimônio da França.

 Você já foi à França? Eu já fui, quatro vezes, e juro que tive a sensação de que eu nunca tinha ido. O filme deixa dicas fabulosas de turismo. É uma mistura perfeita de k-drama com documentário. Difícil descrever. Eu poderia montar um roteiro de viagem a partir desta série, sem risco de me arrepender.
Uma das locações da série - Mont Saint Michel (França).
Outra coisa que gostei muito foi do fato da série questionar o tempo todo os tabus sociais da Coréia do Sul, desde a questão à repressão sexual às formas de tratamento entre coreanos. A protagonista, num determinado momento diz que o que mais a assunta na Coréia do Sul são os coreanos, pela sua visão limitada de mundo e sua falta de empatia. 

O irmão de So So, que a reencontra depois de muitos anos, diz aos seus pais que ela se "tornou uma francesa". Uma referência ao fato de que ela não possuí mais a formalidade característica dos orientais.  Em fala-se isso abertamente. Em muitos momentos, critica-se o machismo, como na hora que o senhor idoso diz que viveu como um tolo pois apenas reproduzia os comportamentos que achava que eram corretos e reprimia seus sentimento.

Afinal, é uma comédia romântica? Sim! E há cenas em que o expectador vai rolar de rir. O romance está na dose certa não sendo açucarado demais e, o desfecho, tem tudo a ver com a personalidade da protagonista. 

E aí, quando eu achei que nada mais poderia me impressionar, So So, a guia turística, fala sobre o "dever de memória", um conceito que surgiu na França. Aos pés do arco do triunfo ela explica como os franceses valorizam a memória. Eles não querem se esquecer e por isso valorizam a história. Perfeito, não?

Eu poderia gastar páginas falando dos pormenores da série e de cada um dos personagens, mas não vem ao caso. Até porque isso já foi feito em outras postagens. Mas não posso deixar de elogiar o roteiro, a fotografia e, claro, a direção que, para mim, foram os grandes protagonistas deste K-drama.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

I ENCONTRO HISTÓRIA, IMPRENSA, CULTURA E FAMÍLIA



No dia 09 de novembro, das 9 horas da manhã, até as 17 horas, estará ocorrendo no Centro Cultural Mauro Almeida Pereira o  "I Encontro História, Imprensa, Cultura e Família", no Centro Cultural Mauro de Almeida, em Leopoldina (MG). O evento é uma iniciativa do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), Niterói (RJ) em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina. Participarão do encontro alunos e professores do mestrado e doutorado e convidados. 

Serão realizadas apresentações de pesquisas cujos temas estão relacionados à História da Imprensa (jornais e revistas) e à História Cultural e Regional. O encontro é aberto à comunidade e os participantes receberão certificado emitido pela UNIVERSO. Não há necessidade de inscrição prévia. O evento é gratuito.

Confira a programação.

Apresentações – 09h às 12h
Mesa I – Imprensa e Cultura
  • João Filipe Domingues Brasil - "Os índios "Chanás" na obra "El Paraguay Católico" de Sanchez Labrador"
  • Arthur da Costa Orlando – “Informações acerca das dinâmicas espaciais de São Paulo do Muriahé entre os anos de 1888 a 1910 a partir da utilização da imprensa muriaeense”
  • Nicolas Theodoridis - "O Espiritismo na Imprensa entre 1870 a 1889" 
  • Natania Nogueira –“A Guerra Fria em charges,  Gazeta de Leopoldina (1951)”
  • Bárbara Schettini - "A contracultura entrelinhas: as fanzines como representação do punk juizforano"
  • Juliana Moura Martins da Fonseca - "O jornalista José Saramago: os editoriais do Diário de Notícias (1974-1975)”
Apresentações – 14h às 17h

Mesa II – Imprensa e Família
  • Gisele Nascimento - “A família estava nos anúncios do Leopoldinense”
  • Natalia Ferreira –“Folhas Malditas: práticas de violência contra mulher na imprensa mineira”
  • Silvana Santos – “Impressões do silêncio: o dito e o não dito nos periódicos capixabas sobre as meninas escravizadas (1869-1891)”
  • Randolpho Radsack Correa – “Justiça, Conflitos Sociais e o papel da Imprensa em Santa Luzia do Carangola (1873-1892)”
  • Igor Nogueira Lacerda – “Da suspeição à liberação: o perfil dos impedimentos de consanguinidade no enlance matrimonial de São João Baptista do Presídio (1839 - 1845)”
  • Beatriz Simão Gontijo Silva – “Batismos, casamentos e a dinâmica social entre escravizados e livres em São Paulo do Muriaé 1852-1888”.
Atualização:
Veja algumas fotos do encontro








domingo, 3 de novembro de 2019

OS QUADRINHOS COMO ESPAÇO DE MEMÓRIA DAS MULHERES


Semana passada eu participei do 2º Encontro Internacional História & Parcerias, na Universidade Veiga de Almeida, Rio de Janeiro(RJ), organizado pela ANPUH/RJ. O evento reuniu profissionais de diferentes áreas do conhecimento, cujas pesquisas dialogam com o conhecimento histórico.

Os trabalhos que foram apresentados durante o encontro já estão disponíveis nos anais do encontro (clique aqui para ter acesso a todos). Eu apresentei uma comunicação no Simpósio Temático "Mulheres, Artes Visuais e Cultura de Massa", coordenado pela professora  Maria da Conceição Francisca Pires (UNIRIO),   com o título "Os quadrinhos como espaço de memória das mulheres"

Segue o resumo: 
A história das mulheres encontra na escrita um lugar de memória. Não apenas em diários, cartas, livros, relatos memorialísticos e autobiografias, mas, também, nas Histórias em Quadrinhos. Notadamente nas últimas cinco décadas as História em Quadrinhos tornaram-se porta-vozes de mulheres que encontraram na Nona Arte um meio de expressão por meio do qual não apenas contam histórias, mas registram fragmentos de memórias que possibilitam compor um quadro mais amplo e complexo da participação das mulheres na sociedade no último século. Quadrinhos que possuem discursos e que trazem representações que muitas vezes se opõem aos paradigmas que foram sendo e disseminados ao longo dos anos, mas que, nem sempre, condizem com o papel desempenhado pelas mulheres na sociedade. No presente trabalho iremos contextualizar essa História das Mulheres, contada por meio dos quadrinhos, que serão aqui tratados como tecnologias de gênero, de acordo com a teoria de Teresa de Lauretis (1994), para quem uma tecnologia social, que tem por função definir o lugar e o papel destinado a cada indivíduo na ordem social. Para tanto, utilizaremos algumas Histórias em Quadrinhos, produzidas por mulheres, cujo conteúdo seja autobiográfico ou biográfico nos quais possamos identificar tanto os papeis sociais das personagens quanto o os usos desses espaços pela memória.

O texto completo poder ser acessado clicando aqui!

sábado, 2 de novembro de 2019

QUANDO A MELHOR RECOMPENSA É UM SORRISO NO FINAL DO DIA

Turma do 3º Ano (capricharam no visual).

Todo ano eu tenho o costume de postar um texto no dia do professor. Às vezes um desabafo, às vezes uma reflexão. Este ano eu não escrevi nada e, sinceramente, não me repreendi. Não  tenho obrigatoriamente que falar sobre minha profissão e minhas experiências APENAS no dia dos professores ou necessariamente todo ano naquele dia. 

O dia do professor(a) pode ser qualquer um ao longo do ano. Ontem, por exemplo, foi meu dia do professor. O dia que eu me senti tão bem com o que eu faço que me fez ter vontade de escrever sobre isso. Por que ontem, em especial? Não sei explicar exatamente. Acho que foi um conjunto de microeventos que aqueceram meu coração.

Eu acordei cedo e muito cansada. Eu me preparei como uma robô para ir à escola.  Naquele dia os alunos do ensino médio se fantasiariam para comemorar o dia das bruxas, uma forma que a escola encontrou para que eles relaxassem e se  descontraíssem  antes do ENEM. Eu resolvi me juntar à brincadeira e improvisei uma fantasia, apesar de estar um pouco desanimada.

Comecei meu dia com o oitavo ano. Mesmo estando fantasiada, o que acadou deixando os alunos um pouco mais agitados, a aula correu tranquilamente e, acreditem, rendeu bastante. Tanto que ainda sobrou um tempinho para tirarmos algumas fotos. O mesmo aconteceu com o terceiro ano, que às vésperas do ENEM não é exatamente um paraíso para nenhum professor.

Apensar de cansada e de ter dado aulas com salto alto, coisa que eu detesto, eu saí da escola mais leve. Sabe aqueles microeventos dos quais eu falei? Eles foram mais eficientes do que qualquer vitamina para meu estresse. 

Uma aluna que me ajudou com a fantasia; muitos alunos quiseram tirar fotos comigo; um aluno sapeca tentou tirar meu chapéu (eu estava fantasiada de bruxa) e eu saí correndo atrás dele, rindo, pelo pátio da escola; uma aluna me deu um abraço apertado (a mesma que escreveu uma carta para mim, em francês no dia dos professores e me deixou com lágrimas nos olhos). E, principalmente, a aluna que disse que aprendeu a gostar de história aquele ano, comigo. 

Sabe aquele cansaço e aquele desânimo que são típicos do final do ano? Pois é desapareceram. Meu dia do professor foi 01 de novembro, eu estava vestida bruxa, mas eu me senti uma daquelas princesas de contos de fadas, com um sorriso radiante que me acompanhou até o final do dia. 

Feliz(es) dia(s) do professor, para todos aqueles e aquelas que no final deste ano estão com a mesma sensação que a minha, a sensação de  ter feito algo bom, algo cuja recompensa é um sorriso no rosto, numa sexta-feira de novembro.


sábado, 26 de outubro de 2019

ALLA LANÇA LIVRO COM OBRAS PREMIADAS EM SEU CONCURSO LITERÁRIO

Foto da capa: jardim do Colégio Imaculada Conceição e, ao fundo, a Catedral de São Sebastião.
A Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) publicou as obras finalistas de seu VI Concurso Literário. A ALLA convida a todos a conhecerem, adquirirem, comentarem e compartilharem esta obra. Ela é resultado de um trabalho de incentivo à cultura que vem sendo realizado nas escolas e na comunidade de Leopoldina (MG) anualmente e que, para nossa alegria, tem dado atraído cada vez mais o interesse de jovens pela leitura e, principalmente, pela escrita.

O livro está disponível para compra na Amazon.
Para ver a versão E-book, clique aqui.
Para ver a versão impressa: clique aqui.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS PELOS DORAMAS: W - ENTRE DOIS MUNDOS (더블유)

Imagem promocional
Recentemente eu me converti a uma fã de doramas (séries dramáticas orientais), dos mais variados tipos. Sim, porque há muitos deles, em gêneros narrativos diversos. Eu tinha, a princípio, algum preconceito, que foi rapidamente superado quando assisti à primeira série, no Netflix. Posteriormente, percebi que os doramas iam muito além de romances e dramas. Há ótimas produções de fantasia, ficção científica, comédias, suspense e aventura. Também me surpreendi com a qualidade dos atores, dos mais jovens aos veteranos.

Além disso, tem sido uma experiência enriquecedora conhecer aspectos de outra cultura que é ao mesmo tempo distante e familiar. Do ponto de vista intelectual, também me sinto estimulada. Tenho notado a forma como os doramas se apropriam da linguagem dos quadrinhos e, em muitos casos, os trazem diretamente para dentro das tramas. Muitos são baseados em webtoons ou manhwa, forma como são chamadas as histórias em quadrinhos sul coreanas, que diferente dos mangás são lidos da forma ocidental (à esquerda para a direita).

É perceptível a influência dos quadrinhos nos k-dramas (doramas sul-coreanos). Creio, inclusive, que seja relativamente maior que a estadunidense, que tem investido proporcionalmente mais no cinema do que em séries, que em muitos casos pegam carona em filmes de sucesso. Nos últimos 10 anos, por exemplo, no caso da Marvel, as séries vieram como subproduto do sucesso dos filmes. Além disso, em sua grande maioria, são séries baseadas em quadrinhos de superaventura e ação, não variando muito para além destes dois gêneros. 

Doramas de aventura, romance e comédia regularmente utilizam da metalinguagem e/ou de códigos próprios do quadrinhos. Balões, requadros, metáforas visuais, onomatopeias etc. Um exemplo destes recursos, explorados ao máximo, talvez seja o K-Drama "W" (2016), em hangul "더블유", traduzido no Brasil como "W:Entre dois mundos". Mas já adianto, não é uma resenha, longe disso.

Imagem promocional
A série se passa em "dois mundos" (como o título em português), o dito "real" e dos manhwa. Ao fazer isso ela não apenas vai trazer os quadrinhos para dentro da televisão, sem recorrer para aminação, como vai dialogar com eles. Daí entra a metalinguagem. Ao decorrer da série os próprios personagens vão analisando a lógica pela qual a narrativa dos quadrinhos de desenrola. São os quadrinhos (ou seus personagens) falando sobre sim mesmos.

O resultado é uma narrativa dinâmica que consegue se manter até o final de 16 episódios, que duram cerca de uma hora cada. Tanto a forma como os quadrinhos são inseridos como objeto e a forma com se cria todo um discurso narrativo em torno assumem uma forma de hibridismo cultural, conceito explorado por Peter Burke. No caso de "W", temos duas formas de narrativa sequencial que se unem em uma só, gerando um produto completamente novo.

Embora a linguagem televisiva  prevaleça ela fica atrelada à linguagem dos quadrinhos, o que é reforçado pelo uso da metalinguagem, do início ao fim da série. Claro, esta é uma análise bem superficial que pretendo desenvolver melhor no futuro. 

No que diz respeito à produção em si, temos um trabalho de boa qualidade, com uso de bons efeitos especiais e que aproveitou muito bem seus atores, dos protagonistas os atores Lee Jong-Suk (Kang Cheol) e Han Hyo-joo ( Oh Yeon-joo) aos coadjuvantes. Para quem ficou curioso, esta série está disponível no Rakuten Viki, gratuitamente (se você tiver paciência para os intervalos comerciais). 

sábado, 28 de setembro de 2019

HOMO ETERNUS - LANÇAMENTO


O professor pesquisador dr. Gazy Andraus, está lançando o álbum  “Homo Eternus”, vol. 2, pela Editora Criativo, dando sequência à sua quadrilogia derivada do projeto de fanzine homônimo, coeditado originalmente entre 1993 e 1994 com Edgard Guimarães (pelo seu zine “QI”).  O álbum, cuja capa foi colorizada por Jorge Del Bianco, reproduz o fanzine original Homo Eternus n.º 2, e traz, além das HQs curtas do fanzine original de nº 2, outros quadrinhos inéditos produzidos na mesma época, sendo todos na linha fantástico-filosófica. 

Sobre o autor
Gazy Andraus possui Doutorado em Ciências da Comunicação pela ECA - Escola de Comunicações e Artes da USP - Universidade de São Paulo (2006), mestrado em Artes pela UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999) e graduação em Licenciatura Plena Em Educação Artística pela FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado (1992). Atualmente realiza pós-doutoramento no Programa de pós-Graduação em arte e Cultura Visual (Ppgacv). Foi professor designado da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), Unidade de Campanha/MG no curso de Pedagogia de 2017 a 2018, professor do Curso de Artes da FIG-UNIMESP, de 2005 a 2016 (onde também coordenou e lecionou pós-graduação bem como Tecnólogo em Design). É pesquisador do Observatório de História em Quadrinhos da ECA (USP); membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS); do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação - INTERESPE (PUC) e do grupo Criação e Ciberarte (UFG). 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

MULHERES & QUADRINHOS


Mulheres e Quadrinhos atingiu a meta de 100% de seu financiamento logo nas primeiras semanas de campanha, encerrando com 157% de apoio. Publicado pela editora Skript (a mesma que lançou a HQ sobre Bill Finger) e organizado pelas aspianas Dani Marino e Laluña Machado, o livro poderá ser adquirido na pré-venda da Amazon a partir de setembro. 

Com cerca de 500 páginas e a participação de 120 mulheres, a publicação traz uma grande variedade de traços e temas na perspectiva de quadrinistas, roteiristas, editoras, tradutoras, letristas, jornalistas, coloristas e pesquisadoras que atuam no mercado nacional de HQ.

Uma publicação que conta com artistas que terão suas HQ impressas pela primeira vez e outras já consagradas como Lu Cafaggi, Marina Sousa, Rebeca Prado, Mariana Cagnin, Carol Andrade, Cris Eiko, Lilian Mitsunaga e Fefê Torquato, passando por tantos grandes nomes como Carol Pimentel, Beth Kodama e Dandara Palankof. O livro também conta com entrevistas, depoimentos e textos acadêmicos das associadas Sabrina Paixão, Natania Nogueira, Valéria Fernandes e Cátia Ana compondo uma produção inédita no país, tanto pela diversidade de gêneros, origens e etnias que apresenta, como pelo seu tamanho.

Sobre as organizadoras:

Dani Marino é pesquisadora de Histórias em Quadrinhos e mestre em Comunicação pela USP. Além de ser editora do site MinasNerds, também integra grupos de pesquisa como o Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, a ASPAS – Associação de pesquisadores em Arte Sequencial e o Grupo de pesquisas e estudos Sonia Luyten. Grande parte de sua atuação está ligada às questões de representatividade feminina e questões de gênero na cultura pop.

Laluña Machado é Historiadora especialista em Batman. É uma das editoras das Minas Nerds, além de ser associada da ASPAS, integrante do Observatório de Histórias em Quadrinhos e coordenadora do grupo de pesquisas Sonia Luyten. Apesar de ser mais conhecida por seus estudos sobre o Homem-Morcego, suas produções abordam os aspectos históricos e filosóficos encontrados nas HQ com bastante profundidade.


terça-feira, 20 de agosto de 2019

SUPERGIRL: SESSENTA ANOS DE SUPERAVENTURA

Supergirl #26 - janeiro de 2019.
Imagem disponível em: https://unknowncomicbooks.com/products/supergirl-26vared

Este ano a Supergirl completou 60 anos. Criada em 1959, a heroína nasceu para ser a parceira adolescente do Superman, de quem é a prima. O parentesco, no entanto, não impediu que o kryptoniano mais famoso dos quadrinhos a tratasse, por décadas, como uma menina desamparada e, por vezes, alienada. Para quem não conhece a origem desta super-heroína, que atualmente é protagonista de uma série de sucesso da DC, farei um pequeno resumo.

Tudo começou um ano antes da estreia oficial da personagem. Em 1958, na revista na revista Superman #123, Otto Binder e Curt Swan criaram uma personagem que era a versão feminina do Superman.  Ela nasceu, segundo a história, do desejo de Jimmy Olsen, que de posse de um artefato mágico criou a Super-Girl. Adulta e tão poderosa quanto o Superman, a personagem ganhou uma história especial. Ela era a parceira perfeita, tão perfeita que teve que ser sacrificada ao final da aventura, para garantir a sobrevivência do próprio Superman. Ela se sacrifica no lugar do Homem de Aço, protegendo-o de um meteoro de kryptonita. 
 
Capa da revista Superman #123, 1958.
A história agradou ao público e, um ano depois, seus criadores reformularam a personagem que resurgiu como a Supergirl, a parceira adolescente do Superman. Sua história de origem foi publicada na Action Comics #252, em maio de 1959.  Ao contrário da sua primeira versão ela é insegura, submissa e psicologicamente dependente do Superman, bem ao gosto do machismo dos anos de 1950/1960.  Kara, a última sobrevivente de um grupo de kryptonianos que ainda resistia após o fim trágico do planeta. Ela foi enviada à  Terra, assim como seu primo, para garantir a sobrevivência do legado da família.

Mas ela vai ter um destino diferente do Superman, que quando chegou a Terra não possuía nenhum parente e foi adotado por um casal que não tinha filhos. Igualmente órfã, kara recorre a seu único parente vivo que, pasmem, a envia para um orfanato negando-lhe aquilo que ela tencionava encontrar na Terra: uma família. O Superman das décadas de 1950 e 1960 estava longe de ser um primo carinhoso. Pelo contrário, ele vê a prima com desconfiança e teme que ela coloque em risco sua vida cuidadosamente organizada.

A moça, por sua vez, procura se encaixar no mundo do primo, obedecendo cegamente e colocando as prioridades do Superman à frente das suas.  A Supergirl, criada no final dos anos ed 1950, representa o ideal de mulher que a sociedade dirigida pelos homens espera ver representada: obediente e devotada.
Na revista Action Comics # 252, p. 06 (meu acervo) o Superman recepciona a prima e a encaminha para um orfanato.
Ao contrário da Mulher Maravilha, criada para ser um modelo feminista para as mulheres da década de 1940, a Supergirl apresenta o modelo da adolescente ideal, sem qualquer traço de rebeldia e pronta a fazer qualquer coisa pela sua família, no caso pelo seu primo, tendo, inclusive, rejeitado durante muitos anos propostas de adoção com medo de que isso pudesse de qualquer forma colocar em risco a identidade secreta do Superman.

Por outro lado, ela se preocupa, também, em conter seus poderes para não ameaçar o status de pessoa mais poderosa de Terra, que o Superman ostentava. Ou seja, ela se acomodava a um papel secundário e se contentava com as sobras de atenção que recebia.

Esta Supergirl marcou a década de 1960, tanto em quadrinhos publicados nos Estados Unidos quanto em outros países, como o Brasil. Essa representação estereotipada da mulher perfeita, ou seja, aquela que aceita ser uma sombra do homem, contendo seu brilho e reforçando o discurso de superioridade física masculina, foi sofrendo transformações ao decorrer dessas seis décadas.

Atualmente, a personagem assumiu uma postura diferente, empoderada, não mais uma mera sombra do Supeman e bem mais do que a adolescente recatada e comportada. A Kara-El do século XXI superou sua dependência do Superman, conquistou sua autonomia e, tanto nos quadrinhos quando na série de TV, que está já na sua quinta temporada, mostrou que a igualdade de gêneros é o caminho que deve ser seguindo, também, pelas personagens femininas de superaventura.
 
Supergirl, interpretada por Melissa Marie Benoist , na sua quinta temporada, que estreia em outubro de 2019.
Imagem capturada em: https://pipocamoderna.com.br/2019/07/supergirl-video-e-foto-destacam-novo-uniforme-e-franja-da-heroina/
Inteligente, versátil, justa e poderosa, ela têm ganhado uma legião de fãs que, até pouco tempo, nem a conheciam. No universo da DC ela divide espaço com veteranas como a Mulher Maravilha e tem colocado na mesa uma nova tendência: a do protagonismo crescente das mulheres na cultura pop. 

Comemorar os sessenta anos da Supergirl é também repensar as relações de gênero nos quadrinhos e na própria sociedade. Nas últimas décadas a personagem foi amadurecendo e ganhando segurança, tornando-se muito mais do que uma simples ajudante, conquistando espaço nos quadrinhos da mesma forma como as mulheres, notadamente a partir dos anos de 1970, vêm cada vez mais se destacando em vários setores da sociedade, apesar de todo todo o patriarcalismo que ainda insiste em marcar as relações entre homens e mulheres.

Que a Supergirl seja um modelo para as nossas adolescentes, não mais pela sua obediência cega, mas pela capacidade de superar tabus e preconceitos que ainda impedem muitas mulheres de terem seu potencial humano reconhecido.