quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

BALANÇO DE 2015: MAIS UM ANO CHEGANDO AO FIM!

Pois é, mais um ano terminando, uma nova jornada prestes a começar, porque 2016 está batendo na porta e, com certeza vai nos trazer muitas surpresas. Se vamos gosta, bem daí já é outro assunto. O ano de 2015 foi um ano difícil de definir. Veja bem, profissionalmente foi um ano bom para mim. Publiquei muito, recebi ótimos convites, terminei meu mestrado e participei de vários eventos importantes. Estou apostando em novas oportunidades profissionais, e tenho até algumas em vista.  

Na escola as coisas foram meio que equilibradas. Peguei turmas com um bom nível de aprendizagem, onde pude fazer um trabalho razoável, mas a carga horária apertada deste ano não me deixou tempo para desenvolver projetos com os alunos e isso me deixou um pouco frustrada. 

Por outro lado, também peguei turmas muitos fracas, com casos berrantes de analfabetismo funcional. Fiquei um pouco perdida porque confesso a vocês que nunca chegaram tantos alunos assim para mim. Já estou revendo minha estratégia de ensino para 2016. Penso em fazer um material à parte, menos denso, que permita uma aprendizagem significativa porque o livro didático que o governo oferece está muito além do que os alunos que estão chegando ao fundamental II conseguem acompanhar.

No geral, 2015 foi um ano tenso, creio que para todos os brasileiros. Confesso que assistir os telejornais já estava me deixando deprimida. Local ou nacional, a situação política do país foi uma das coisas que mais me aborreceu em 2015 e não tenho boas perspectiva para 2016. Também foi um ano de intolerância. Nunca vi tanto ódio direcionado a gays, mulheres e religiões. Foi assustador. Isso me preocupa muito. As pessoas estão mais violentas em suas palavras e, também, nas suas ações.

Voltando às coisas boas, agora para o lado pessoal, foram muitas novas amizades e reencontros com amigos muito queridos. Conheci pessoalmente Trina Robbins e, por intermédio dela, muitas outras cartunistas maravilhosas, com quem tenho mantido contato. Pude passar alguns dias com amigos queridos em Florianópolis, Rio de Janeiro e em São Paulo. Neste ponto, 2015 foi muito bom e espero repetir a dose em 2016.

Mas foi também o ano em que eu perdi minha avó Carmelinda. Acho que é a primeira vez que menciono isso. Ela está fazendo falta. Às vezes até esqueço que ela não está mais entre nós. Mas só temos duas certezas na vida: que nascemos e que vamos morrer, então, lamentar não adianta. Mas ficam as boas lembranças e estas são imensamente reconfortantes.

FELIZ ANO NOVO para todos! Quem 2016 venha com tudo e que a gente possa passar em cima dos obstáculos e fazer do ano novo um ano de grandes alegrias.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

HISTÓRIA: O PRAZER EM ENSINO E PESQUISA

Acabei de ler um livro que ganhei da estimada professora Marly Viana. O título, o mesmo da postagem, é "História: o prazer em ensino e pesquisa". O autor é o professor Marcos Antônio da Silva, Titular em Metodologia da História, Doutor e Mestre em História Social pela FFLCH/USP, São Paulo, SP, com Pós-Doutorado na Université de Paris III. O livro em questão foi originalmente publicado em 1995, e reeditado em 2003, pela Brasiliense. Tenho a 2º edição.

De imediato posso dizer que é um dos melhores e mais prazerosos livros que eu já li sobre o assunto. Ele trata não apenas da questão da pesquisa em história mas, também, da questão do patrimônio e da memória. Tudo didaticamente explicado em 102 páginas. Leitura fácil, rápida e muito frutífera. 

Gostei muito do capítulo que fala sobre patrimônio histórico e a forma como o autor aborda o papel da escola na produção dos saberes históricos. Um livro que me fez refletir sobre várias práticas e que, certamente, será uma das bases para futuros textos que pretendo escrever sobre patrimônio, memória e história local.

Recomendo a leitura, principalmente para alunos da graduação e para professores de História, que muitas vezes acabam ficando ilhados da produção acadêmica (longas jornadas, pouco tempo para ler, menos tempo ainda para se aperfeiçoar).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

PROJETOS DE LEITURA FAZEM A DIFERENÇA

A formação de leitores deve ser encarada como uma prioridade nas escolas. Não sou professora de língua portuguesa, como os leitores do blog sabem, mas tenho meus projetos de leitura e reverencio os projetos de outros colegas. Acho, no entanto, que a escola, de uma forma geral, ainda não está priorizando a formação do leitor. 

Desde pequenas as crianças devem ser estimuladas na escola e em casa. Muitas vezes, ocorrida a alfabetização básica, tanto professores quando pais relaxam neste sentido. Se o aluno aprende a ler e escrever já é suficiente. Mas não é. A formação do leitor é um processo que envolve praticamente toda a vida escolar, da educação infantil à universidade.

As habilidades de leitura não são tão fáceis assim de serem dominadas. É preciso que se leia bem e que se escreva bem. Para isso é necessário um bom vocabulário, que vai se formando ao passar dos anos. Ler é entender não apenas o significado das palavras, mas a articulação entre elas. Palavras são usadas para traduzir a realidade e precisam ser decifradas. E é justamente aí que que está o problema: ler ajuda a pensar, se crianças e jovens leem pouco acabam não desenvolvendo sua capacidade de raciocínio.

Não raramente eu ouço jovens dizendo que quando começaram a gostar de ler passaram a ter mais facilidade no aprendizado escolar. Isto acontece porque eles começaram a ter um maior domínio da linguagem e a pensar sobre aquilo que leem.

E falando em projetos de leitura, gostaria de destacar um que eu gosto muito. O projeto é desenvolvido pela professora Ana Cristina Miranda Fajardo, que leciona Língua Portuguesa, na Escola Estadual Justiniano Fonseca, localizada em Tebas, pequeno distrito do município de Leopoldina (MG).

Incomodada com o  clichê “jovem não lê”, a professora deu início a um projeto de "Leitura na Biblioteca", que não demorou a dar frutos.  A cada quinzena as aulas de língua portuguesa acontecem na biblioteca. Durante duas horas os alunos tomam contato com os diversos livros que fazem parte do acervo. São apresentados a eles romances, livros de contos, crônicas, poemas, além de HQ’s e revistas diversas. Também recebem informações sobre onde fica cada livro ou revista. Podem manusear o que desejarem. Podem começar a ler e, caso não agradem da leitura, podem substituir. Nada é imposto; tudo é sugerido.

No final do período, escolhem um livro para levar para casa e permanecem com ele por duas semanas. As revistas não são levadas para casa, já que a leitura de seus textos é mais rápida, podendo acontecer na própria biblioteca. Também há inúmeros dicionários no ambiente de leitura, para que sejam consultados sempre que se fizer necessário.

Também é apresentado aos alunos o Diário de Leitura, que consiste na anotação, em casa, daquilo que leram. Nesse diário, eles anotam o título do livro, seu autor e a editora que publicou o livro. Quando se trata de livros de contos, crônicas ou poemas, além do título do livro, eles anotam o título do texto escolhido para análise; já quando escolhem uma coletânea, em vez de autor, eles usam a expressão “vários autores” e colocam o nome do autor junto ao título escolhido. É sugerido que leiam as coletâneas na íntegra e escolham aquele texto que mais chamou a atenção para que façam a análise.

Na análise, eles fazem um pequeno resumo sobre obra lida e, em seguida, dão a opinião sobre a leitura realizada. A entrega do Diário de Leitura é realizada ao final de cada bimestre, mas o aluno tem a liberdade de apresentá-lo ao professor sempre que sentir necessidade.

Como o objetivo do projeto é formar leitores autônomos, o professor também lê durante o período em que permanece na biblioteca, só interrompendo para auxiliar algum aluno ou esclarecer alguma dúvida.

Os resultados desta experiência não demoram a surgir e vieram não apenas no aumento do rendimento dos alunos na escola como, também, nas avaliações externas, como o  PROEB.  Resultado de um bom trabalho, da motivação dos alunos e do interesse da professora e do apoio da escola. Segundo relato da professora Ana Cristina, a biblioteca escolar oferece aos alunos os mais diversos título, inclusive obras lançadas recentemente. A escola adquire as obras a partir das sugestões dos próprios alunos e dos professores. 

Professora Ana Cristina Fajardo

* Alguns trechos do texto foram copilados do projeto original da autora, com sua devida autorização.

AS 10 POSTAGENS MAIS LIDAS DE 2015


Como tenho feito nos últimos anos, segue um balanço das publicações mais acessadas do blog BRASIL: HISTÓRIA e ensino. Em parte, uma brincadeira, em parte uma forma de saber o que as pessoas mais procuram no meu blog. Segue a relação, com alguns comentários:
  1. A postagem que teve o maior registro de acessos (409), foi sobre a abertura das inscrições par ao II Entre ASPAS (clique aqui para visitar a postagem), encontro de pesquisadores de arte sequencial que acontece em Leopoldina a cada dois anos. Ao que parece, o encontro chamou a atenção de um número relativamente grande de pessoas que se interessam pela pesquisa, principalmente sobre Histórias em Quadrinhos.
  2. Em segundo lugar veio a chamada para o encontro com a cartunista Trina Robbins, em São Paulo, que reuniu várias quadrinistas brasileiras, ávidas por conhecer esta pioneira na produção e pesquisa sobre quadrinhos nos Estados Unidos. Foram 305 visualizações (clique aqui para conferir a postagem).
  3. Em terceiro lugar, está a postagem que disponibiliza o texto da minha pesquisa inicial sobre a revista Ah Nana! (clique aqui para conferir), publicada na França, na década de 1970. Na postagem eu disponibilizo o texto que apresentei no encontro Nacional da ANPUH, ocorrido em Florianópolis (SC), com exatas 200 visualizações.
  4. Em quanto lugar está o balanço do encontro realizado na Gibiteca Henfil, com Trina Robbins (clique aqui para conferir a postagem), com um total de 172 visualizações.
  5. A quinta postagem mais visitada (167 visualizações) também é sobre Trina Robbins, uma entrevista que eu fiz com a autora, parte da minha dissertação de mestrado (confira aqui).
  6. Em sexto ficaram minhas impressões do XXVIII Simpósio Nacional de História, realizado na UFSC, em Florianópolis. A ANPUH, pra quem não conhece é a Associação de História, Sou associada desde 1994, se não me engano, mas frequento os encontros dede 1990. Foram 141 visualizações (clique aqui).
  7. Em sétimo lugar esta a chamada para o V Colóquio Nacional História Cultural e Sensibilidades, com 129 visualizações (confira aqui).
  8. Em oitavo lugar está minha nota sobre o falecimento da professora Maria Carolina Galzerani Bovério. Acho que foi a primeira vez que publiquei algo do tipo, como foi a primeira vez que tive que lamentar pela perda de uma professora e pesquisadora com quem infelizmente convivi pouco, mas  que teve uma grande importância em alguns momentos da minha vida (clique aqui para ler a postagem). Foram 117 visualizações.
  9. Em nono lugar ficou o balanço final do II Entre ASPAS, com 115 visualizações (clique aqui para conferir).
  10. Por fim, está o relato com as minhas impressões sobre a3ª Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP/ECA, que aconteceram em agosto. Foi minha primeira participação (clique aqui para conferir). Foram 104 visualizações.
2015 não foi um ano em que eu em tenha feito muitas postagens. Na verdade, até escrevi bastante, mas dividi minha produção com mais dois blogs, o que acadou diminuindo a frequência das minha publicações. Elas, também, foram mais direcionadas para meu trabalho com quadrinhos. Publiquei relativamente pouco sobre educação e História de Leopoldina.

domingo, 29 de novembro de 2015

O MACHISMO E OPRESSÃO

Propaganda das calças "Dragon", veiculada nos anos de 1960.

Eu fui convidada por um colega a participar de um programa de rádio sobre "Igualdade de Gêneros e a não Violencia contra as Mulheres". Havia outros convidados, como advogado e professor de Direito João Fernando (Doctum/ Leopoldina). Aprendi muito, por sinal, com ele. Já eu não acho que contribuí com muita coisa, mas me disseram que é normal a gente pensar que não foi bem. 

De toda forma, a experiência foi muito boa no sentido de me fazer refletir sobre alguns assuntos.  Num determinado momento eu, não sei de onde, desenterrei e comentei rapidamente uma memória. Um episódio que aconteceu na sala de aula já algum tempo. De tudo que eu falei durante o programa, este episódio ficou se repetindo na minha mente. E com ele vieram muitas outras lembranças. Abri minha "caixa de Pandora" particular.

Era como se eu estive agora, depois de tanto tempo, finalmente conseguindo entender o real significado daquele episódio. O ocorrido foi o seguinte: um certo dia estava na sala de aula, com alunos do fundamental, contando a história de Anita Garibaldi, de como ela rompeu com o controle que a sociedade tinha sobre as mulheres, abandonou o marido e foi viver uma vida de aventuras ao lado de Garibaldi. Um aluno prontamente deu sua opinião sobre a heroína: ela chamou de "vagabunda" (ou um termo semelhante, minha memória não é tão boa assim). 

Eu fiquei chocada, a turma ficou chocada e ele levou um tempo para perceber o que tinha feito. O fato é que o menino não era um menino mau, nem vinha de uma família preconceituosa. 

Mas, então, por que ele reagiu daquela forma?

Refletindo sobre isso eu cheguei à conclusão de que ele foi uma vítima do machismo que se impõe sobre homens e mulheres. Ele reproduziu um discurso que ele achava que era senso comum, mas não era. Durante meus mais de 20 anos de magistério eu vi isso acontecendo inúmeras vezes. Bons meninos e meninas apresentando um comportamento machista.

E não se apressem para culpar a família. Nem sempre ela tem controle sobre este tipo de comportamento. Quando as crianças são inseridas no convívio social passam a ter outras influências e, também, a assumirem outro tipo de comportamento para se sentirem aceitas em determinados grupos. Já tive experiência com famílias que se assustaram com o comportamento que seus filhos tinham fora de casa. Some-se a isso a influência e os exemplos nem sempre edificantes que temos nas mídias, que reforçam o machismo, o sexismo e ainda a discriminação contra gays e negros, por exemplo.

O machismo imposto há séculos pela sociedade é uma violência tanto ao homem quanto à mulher. Ele cria homens inseguros, que precisam se sentir superiores ao agredirem com gestos ou palavras as mulheres. Ele cria homens presos a modelos que não lhes permitem viver e agir de acordo com sua natureza. O homem oprimido acaba oprimindo a mulher e o ciclo de violência se perpetua.

Acho que episódios como o que eu descrevi têm algo positivo. Quando ocorre na escola o comportamento machista sinaliza para a necessidade de se esquecer todo o resto e se abrir para o debate. Dizer que algo é certo ou errado não basta. É preciso aproveitar a oportunidade para trabalhar o conceito de preconceito junto aos alunos e, a partir daí, argumentar, trocar opiniões e construir um conhecimento conjunto. 

No contexto atual, vejo jovens bombardeados de informações, mas presos a antigos preconceitos. Eu vejo muito potencial na nossa juventude, mas vejo também muita carência, dúvida e incerteza. Não que isso não estivesse presente na minha adolescência, assim como na de tantas outras pessoas. Vejo uma juventude conservadora que precisa aprender a falar e a ouvir.  

Debater o machismo não é apenas falar sobre mulheres que têm dificuldade em se sobressair no mercado de trabalho, ou falar sobre violência física e moral que elas sofrem. É, sobretudo, falar dos homens que precisam provar sua masculinidade reproduzindo um discurso que, na realidade, nada mais é do que uma construção social que vai contra a natureza humana. 

É buscar uma sociedade conciliadora, que saiba lidar com a diversidade e com a diferença. Pois, por mais que muita gente não queira aceitar, as diferenças estão por toda a parte. Temos diferenças de gênero, diferenças étnicas e religiosas. Aceitar o outro, seja ele homem, mulher ou transgênero, pertença ele à religião X ou Y, é possivelmente o único caminho para se extirpar uma boa dose de ódio e violência que vêm perpassando o mundo já há um bom tempo. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Lendo uma nova autora de ficção: Jennifer L. Armentrout

Existe aquela velha história de que o professor influencia os alunos, o professor ensina, o professor guia etc. Comigo, curiosamente, acontece o inverso, pelo menos no que diz respeito à minha leitura de lazer. Há uns três anos atrás uma aluna (Barbara Pontes) me indicou um livro para ler. Eu acabei comprando o livro e lendo. Não é que gostei? 

Era um romance da autora Cassandra Clare. Comecei com um livro e hoje acho que já li e comprei todos que ela publicou no Brasil, cheguei até a resenhá-los aqui no blog. Eu já lia livros de fantasia. Comecei com Richelle Mead e depois li Rick Riordan. Este último também foi indicação de um aluno. 

Desde então, eu  passei a prestar mais atenção aos títulos que iam aparecendo nas livrarias. São romances para adolescentes, mas são escritos por adultos e, em geral, eles possuem uma linguagem fluída, um vocabulário legal e, por exemplo, no caso da Cassandra Clare, principalmente na série Peças Infernais, certa dose de erudição.

Já recebi algumas alfinetadas por conta disso. 

- Natania! Você tem dar exemplo, lendo os clássicos.

Mas aí que tá: eu já li os clássicos. Sou leitora ávida desde a infância. Era uma rata de biblioteca. Muito antes de termos acesso a lançamentos de livros pela internet eu lia o que era indicado nos livros de literatura. Já li Machado de Assis, José de Alencar, Aluísio de Azevedo, e muitos outros autores, nacionais e estrangeiros. Agora, estou lendo o que meus alunos leem, trocando informações com eles e até lendo outros clássicos por conta de citações em livros. Por exemplo, para minha lista de leituras de férias (e vão ser muitas) está "Um Conto de Duas Cidades”, de  Charles Dickens.

Esta semana eu comecei a ler, acidentalmente, uma nova série. Estou viciada em séries.  Quando gosto de um personagem quero vê-lo em outras aventuras, em outras situações. Séries satisfazem esta necessidade, embora eu deva reconhecer que, depois de um tempo, as histórias ficam um tanto previsíveis.

Mas enfim, vamos ao ponto. Minha autora do momento é Jennifer L. Armentrout, autora da "Saga Lux", cujo primeiro livro foi lançado no Brasil este ano "Obsidiana".

É o primeiro de cinco livros, mas há outro, um prelúdio, chamado Shadown. Minhas impressões do livro foram boas ,de forma geral. Final de ano uma leitura leve e divertida sempre é bem-vinda. O roteiro tem uns furos, verdade, mas nada que atrapalhe e, de repente, pode ha ver explicação para algumas dúvidas que eu tive no próximo livro. 

Não é um romance sobrenatural, mas com aliens. Lembra um pouco Os legados de Lorien, por causa da temática, mas as semelhanças não são tantas assim. O primeiro livro me agradou. Imagino que a editora vá publicar mais uns dois anos que vem. É uma boa leitura para as férias. Livro para se ler no final do dia, depois de pegar uma praia ou uma piscina.

Depois que li o primeiro livro, procurei resenhas e comentários sobre os demais. Não achei nada negativo, o que me deixou mais incentivada a ler os outros cinco. A autora tem outras séries, mas não verifiquei ainda se foram publicados no Brasil. A editora Valentina eu não conhecia, mas estou interessada em outros livros do catálogo. Fica a dica para as férias.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

COLEÇÃO DE MEMÓRIAS

Coleção de Memórias foi a primeira HQ que eu li, das muitas que comprei no FIQ. Li ali mesmo, sentada no chão, com as bolsas cheias de revistas ao meu lado. Simples mas muito bem acabada, de autoria de Theodore Guilherme (arte/roteiro) e publicada pelo Velociraptor Pirata, coletivo de ilustradores e quadrinista de Ponta Grossa/PR. 

Comecei gostando da revista pela contracapa, onde uma resenha começa com a seguinte frase "Poucas coisas possuem o valor de uma boa memória". Só esta frase já meu deixou empolgada e comecei a ter um monte de ideias. Pra quem não sabe, eu gosto de trabalhar com educação patrimonial e memória. 

A HQ é uma autobiografia, que reúne lembranças do autor na sua infância. Seus medos, sua inocência, seu apego à família. Ele conta estas memórias de forma quase poética. Elas têm forma e se apoiam na imagem saudosa da sua avó.

Simples e bonito. Um quadrinho que eu pretendo usar em breve nas minhas aulas de História e que, espero, possa resultar em outros quadrinhos, em outras "Coleções de Memórias".


PARTICIPANDO DO 9º FESTIVAL INTERNACIONAL DE QUADRINHOS DE BELO HORIZONTE


Finalmente eu consegui participar do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), que aconteceu em Belo Horizonte, semana passada. Vejam bem, é a nona edição! Uma vergonha ter demorado tanto para ir, eu sei. Mas sempre tinha algo que me impedia: trabalho falta dinheiro ou compromisso familiar. 

E teve gente que reclamou que estava vazio!
Vamos começar com as impressões sobre o local.

De cara eu já me vi dentro da exposição da Turma do Xaxado, organizada por Lucas Pimenta, em homenagem ao saudoso Antônio Cedraz, criador da Turma do Xaxado. Muito linda e de muito bom gosto. O curador está de parabéns. Gosto muito da Turma do Xaxado. São quadrinhos divertidos e com um grande potencial pedagógico. Ao lado, havia uma exposição de super-heróis e outra com croquis e roupas de personagens de quadrinhos.

Trechinho da exposição em homenagem a Antônio Cedraz com ilustrações feitas por vários artistas.
Achei tudo muito bem organizado e as pessoas muito receptivas. Lá estavam desde quadrinistas conhecidos, consolidados na profissão, até iniciantes, jovens que estavam ali para mostrar seus fanzines ou suas primeiras publicações independentes. Havia desde livrarias e editoras conhecidas até aquelas mais simples, com material alternativo.

Trechinho da exposição de Super-heróis.
Eu me lembrei de uma passagem na biografia de Will Eisner, quando ele visita um festival de quadrinhos e conhece a produção underground nos Estados Unidos. Eu me senti quase que como ele, estando no meio de novos talentos. Ao lado deles autores como André Diniz, quadrinista consagrado, vendia seus quadrinhos, na maior descontração. Ali eram todos iguais e todos queriam mostrar o que haviam produzido.

Com Sabrina Paixão e o sempre simpático André Diniz.
Eu fui com o objetivo de comprar apenas material para meu uso profissional, mas, claro, não resisti em adquirir obras de autores desconhecidos. E havia muitas meninas lá! Não vou dizer que foi uma surpresa. Eu sei que o mercado tem acolhido as jovens quadrinistas e elas têm se destacado tanto pela qualidade da sua produção quanto pela quantidade. A cada ano temos mais mulheres perdendo a timidez e se aventurando no mercado de quadrinhos. Algumas estão recebendo ofertas de editoras e crescendo na profissão. Outras estão usando quadrinhos como uma forma de expressão e até de militância.
Com Ana Luíza e Germana
Quadrinhos já são há algum tempo vêm sendo um espaço para as mais diversas manifestações, afinal é ao mesmo tempo uma forma de arte e um meio de comunicação. Nada mais natural que se tornassem um espaço para expressão. Quadrinhos, para muitas pessoas são quase que uma forma de terapia, de autoconhecimento. E eu vi muito disso por ali, tanto por parte das meninas, quanto por parte dos rapazes. Havia de tudo e para todos os gostos.

Com Marguerite e meu exemplar autografado de Aya.
O ponto alto foi poder conhecer e falar (engasgar com meu pobre francês, que um dia já foi bom, hoje é uma vergonha), com a autora Marguerite Abouet, natural da Costa do Marfim. Ela é autora de Aya de Youpogon, que teve dois volumes publicados no Brasil. Ela estava lá, sozinha, dando sopa na mesa de autógrafos. Eu imediatamente usei minha famosa "cara de pau", me apresentei, peguei autógrafo, tirei foto e até dei a ela meu cartão (nem eu acredito que fiz isso, que vergonha).

Achei que não ia conseguir, mas passei o sábado inteiro lá, com uma pausa de cerca de uma hora para ir tomar banho no hotel, que ficava a 5 minutos de caminhada do local do evento. Na volta, encontrei com a colega aspiana (como chamamos carinhosamente os membros da ASPAS - Associação de Arte Sequencial) Ana Luíza Koeher, que me apresentou para a galera super simpática dos "Renegados". Fui até entrevistada, olha que legal! 

Com os amigos aspianos, prestigiando o sessão de autógrafos de Edgar Franco.
É claro, não posso deixar de registrar a satisfação de reencontrar com amigos e conhecidos e de fazer novas amizades. Saí de lá eram quase 22 horas, e tudo já estava sendo guardado. Enfim, tudo muito bom, eu não tenho reclamações (fora o calor, claro). Em outra postagem quero comentar sobre as revistas que comprei. Para agora, seria muito cansativo tanto para mim quanto para quem arriscar ler esta postagem.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

XX ENCONTRO REGIONAL DA ANPUH - MG

 Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
A data já está confirmada! Vamos participar?
Tema: História em Tempos de Crise
Data: 25 a 28 de Julho de 2016
Local: Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – Uberaba-MG
A programação e o Cronograma serão lanços  no dia 14 de dezembro de 2015 com a abertura das submissões de propostas de Simpósios Temáticos e Minicursos.

domingo, 1 de novembro de 2015

QUANDO OS NOSSOS ALUNOS SE TORNAM NOSSOS PROFESSORES

Ser professor (a) pode ser gratificante. Há momentos em que os aluno(a)s podem nos surpreender e, principalmente, nos dar lições. 

Aprendo com eles todos dos dias. Eles apontam minhas falhas e me mostram onde preciso melhorar. Às vezes isso pode ser doloroso, mas optei por ver o lado positivo de muitas coisas que acontecem numa sala de aula. Não considero, por exemplo, debater com um aluno uma coisa ruim. Pelo contrário, isso me instiga a pesquisar e a tentar encontrar mais argumentos sobre um tema. Aprendi a dar mais atenção aos alunos que não pedem a minha atenção, ou pelos menos não o fazem por palavras. 

Pessoas são difíceis de decifrar, e um professor pode passar 20 anos de sua vida profissional sem ainda conseguir entender o comportamento dos seus alunos. Isso porque cada pessoa é única e diferenciada. Então, cada ano que entra, encontramos novos desafios, com antigos ou novos alunos. Certamente, novas lições serão aprendidas.

Mas vamos para a lição da semana. 

Esta semana algumas alunas da escola, juntamente com as funcionárias da biblioteca, organizaram um chá literário. Alunas leituras que gostariam de conhecer outros alunos (as) leitores (as), compartilhar experiências e desenvolver uma atividade lúdica na escola. Não são minhas alunas, mas já foram ( e ainda continuo aprendo com elas).

Elas me deram uma lição de organização. Elas mostraram uma sensibilidade ímpar. Reuniram não apenas outros alunos, mas membros a comunidade escolar, de todas as idades, além de professores de outras escolas.

Foi lindo! Simples e inspirador. 

Meus parabéns a essas jovens leitoras, que estão chamando para junto de si outros leitores, de todas as idades. Elas têm a nos ensinar que a escola é um espaço plural, onde se aprende e se ensina o tempo todo e não apenas numa sala de aula, mas nos corredores, na biblioteca ou mesmo no pátio, nos intervalos entre as aulas.

Nossos alunos podem nos ensinar a sonhar com uma educação de qualidade. 

EDUCAÇÃO BÁSICA REVISTA LANÇA CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS

A Educação Básica Revista publica artigos de pesquisadores e professores da Educação Básica cujos trabalhos sejam resultados de pesquisas de especialização, mestrado ou doutorado, relatos de experiências e reflexões sobre saberes e práticas docentes nas distintas áreas do conhecimento que compõem a Educação Básica no Brasil.

Visite o site, clicando aqui!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA LEOPOLDINENSE: ANÚNCIOS NA GAZETA - CONSULTÓRIO DO DR CUSTÓDIO JUNQUEIRA

A Gazeta de Leopoldina foi um dos jornais de maior circulação na cidade, principalmente na primeira metade do século XX. Era muito comum nestes jornais o anúncio de serviços prestados por profissionais da cidade, propagandas de escolas, de remédios milagrosos além, claro, de acontecimentos cotidianos e feitos políticos. 

Por sinal, a Gazeta de Leopoldina foi um jornal criado para ser um instrumento político, defendendo os interesses da oligarquia local, representada pelos Ribeiro Junqueira.  Definitivamente um instrumento midiático formador de opiniões, como todo meio de comunicação seja daquela época ou da atualidade. 

Mas independentemente do conteúdo veiculado é interessante se ater justamente sobre os núncios que nele são publicados. Neles encontramos nomes familiares e até algumas situações que são, no mínimo, engraçadas.  Vou postar alguns desses anúncios esporadicamente no blog, a título de curiosidade e como uma exercício de memória. Postagens curtas, com pequenos comentários que, espero, possam ser complementados por leitores, se for o caso.

Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, 02 de maio de 1909.

Muitas pessoas não sabem, mas a Chácara do Desengano, uma das construções mais antigas preservadas em Leopoldina, fica na Rua do Moinho. Era a residência de um dos chefes políticos locais, durante a Primeira República, o Dr. Custódio Junqueira. Na chácara ele possuía um consultório (tive a oportunidade de conhecer) onde atendia seus pacientes. O que muios não sabem é que ele nem sempre cobrava pelas consultas. Mais do que filantropia esta era uma estratégia política: muitas vezes favores eram trocados por votos na época de eleições. Médico que não se recusava a se embrenhar no meio da mata para chegar à casa dos seus pacientes, Custódio Junqueira foi dos homens mais poderosos de Leopoldina e um dos alicerces do poder que os Ribeiro Junqueira mantiveram no município durantes décadas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SEMANA ANJOSIANA


SEMANA ANJOSIANA
09 a 13 de novembro de 2015
LOCAL: MUSEU ESPAÇO DOS ANJOS
Rua Barão de Cotegipe, 386 – Centro – Leopoldina/MG
ENTRADA FRANCA EM TODAS AS ATIVIDADES

sábado, 17 de outubro de 2015

CONVITE DA ACADEMIA LAVRENSE DE LETRAS


Esta é uma postagem de agradecimento. 

Gostaria de agradecer aos membros da  Academia Lavrense de Letras, na pessoa de seu presidente, José Passos de Carvalho, pelo convite que me foi feito para participar daquela organização, na qual devo ocupar a cadeira Patronal X, cujo patrono é Francisco Antônio Salles, jurista e político mineiro que se notabilizou durante a Primeira República, tendo sido governador de Minas Gerais.

A posse será realizada no dia 30 de janeiro de 2016. 
Agradeço pelo reconhecimento e pelo voto de confiança.




terça-feira, 15 de setembro de 2015

AH! NANA! AS MULHERES E OS QUADRINHOS NA FRANÇA

Saíram os anais eletrônicos do XXVIII Encontro Nacional da ANPUH. Não gosto muito do formato dos anais, embora imagine que seja mais eficiente um índice nominal, dado o grande número de participantes. Mas gosto de ler o título dos trabalhos para saber se algo me atrai. Apenas com o índice nominal fica complicado e dá menos visibilidade às pesquisas.


Anais não são necessariamente muito acessados. Isso é fato. Muitas vezes uma boa pesquisa deixa de ser conhecida porque, caso o autor não divulgue, poucas pessoas terão acesso. Então, para não ficar completamente no esquecimento, estou postando aqui meu texto completo.

Minha pesquisa foi sobre Ah! Nana! uma revista  que foi publicada na França, nos anos de 1970, apenas por mulheres. Jovens cartunistas que, na época, enfrentaram muitos desafios para se firmar na profissão. Contribuíram para a revista cartunistas de vários países, como França, EUA e Itália. Vale a pena conhecer Ah! Nana!

Para acessar o texto completo, clique aqui!

domingo, 13 de setembro de 2015

V COLÓQUIO NACIONAL HISTÓRIA CULTURAL E SENSIBILIDADES

UFRN - CERES - Caicó - RN

16 a 20 de novembro de 2015

O V Colóquio Nacional História Cultural e Sensibilidades, que ocorre anualmente na UFRN, campus de Caicó, tem por objetivo Envolver alunos da graduação, pós-graduação, professores que discutam as temáticas da História Cultural e das Sensibilidades na UFRN e em outras universidades brasileiras e professores da educação básica. O apoio a este evento se justifica porque o Colóquio Nacional História Cultural e Sensibilidades pretende dar mais visibilidade às novas possibilidades de estudos históricos e com eles os novos objetos que nos possibilitam olhar o mundo de lugares anteriormente inacessíveis aos profissionais de História e, a partir disto, estas temáticas poderão ser desenvolvidas na educação básica de forma mais eficiente. Para termos cada vez mais a presença de professores da rede básica, o evento não cobra a inscrição destes profissionais e incentiva a participação dos mesmos não somente como ouvintes, mas como apresentadores em simpósios temáticos.

O evento já possui quatro edições, em 2011, 2012, 2013 e 2014 (I, II, III e IV Colóquio Nacional História Cultural e Sensibilidades) e, da avaliação constante dos mesmos pelos docentes e discentes participantes dos evento, sentimos cada vez mais a necessidade de ampliar os seus módulos e de convidar mais professores de universidades brasileiras para debater seus trabalhos e dialogar com profissionais de diversos núcleos de pesquisa de todo o país e com professores da educação básica. Nos anos anteriores, tivemos a participação de professores/pesquisadores e acadêmicos de vários estados brasileiros (RN, CE, PI, SP, GO, PB, PE, SC, RS, PR, DF, ES, BA e RJ), e de Portugal e México. Já passaram pelo evento, nas 4 edições, mais de 2.000 participantes do Brasil, América Latina e Europa. É o segundo maior evento com esta temática no Brasil e o maior evento de História do Rio Grande do Norte.

Para mais informações acesse o site www.cnhcs.com.br, ou escreva para rafaelsco@hotmail.com



domingo, 30 de agosto de 2015

A evolução da doença de Alzheimer

Por Luisa Arantes Bahia

No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas sofrem do Mal de Alzheimer, doença incurável acompanhada de graves transtornos às vítimas. Como eu sei disso? Acabei de ler e daqui a 5 minutos não vou ter lembrança alguma de que lhe contei isso. Prazer, meu nome é Leopoldina e eu tenho 161 anos. Pode-se notar que estou dentre as mais de 15 milhões de pessoas maiores de 60 anos que sofrem de Alzheimer. Saiba também que a doença não tem cura! Então, só me resta compartilhar com vocês memórias passadas que, com certeza, estão intactas.

Tenho dois filhos, o primeiro amava as histórias de nossos antepassados. Os primeiros habitantes dessa minha terra foram os índios Purís, “os filhos da terra”, que possuíam uma vasta cultura, mas foram ‘extintos’. A força de trabalho passou a ser feita pelos negros, pode ser inacreditável, mas em 1876 obtivemos a maior população de escravos da província, fato de que não me orgulho. Lembro-me de alguns nomes: Davi, Américo, Vicente, Joaquim, Antônio, Miguel... e um comerciante que vendia escravos, Michel Jackson, que foi morto por seus escravos em uma rebelião... Sim, Michael Jackson, não o rei do pop, mas essa já é outra história.

No início do século XX, ele chegou, meu segundo filho, parecia um astro de cinema, com ideias inovadoras vindas da Inglaterra e, em pouco tempo, fez muito sucesso. Sua presença abriu caminho para a chegada dos automóveis, televisão, estrada de ferro e as modernas construções. O primeiro arranha céu foi o Bazar René, com elevador e tudo; esse foi o marco de transição do “povo da roça” para a “cidade grande”. Meu filho fez parecer que era um enorme presente, poderia até ter considerado como meu aniversário!

O primeiro carro a chegar foi saudado por toda a população com uma garrafa de champanhe, a primeira escada rolante desfilou pelas ruas em uma carreata eufórica...O tempo foi passando e, cada vez mais, fui ficando “moderna”, meus sobrados, que antigamente eram ornados com lindos detalhes arquitetônicos, como beirais, afrescos, sacadas, jardineiras, tão admirados pelo meu primogênito, já não faziam tanto sucesso entre os adeptos das ideias revolucionárias do meu segundo filho.

Mas vocês não devem mais saber o que são essas belezas, já que foram sendo substituídas por caixotes cinzentos de muito mau gosto! Perdoem minha língua ferina, mas a idade me deixa amargurada e a disputa entre os meus dois filhos pioram minha condição de saúde.

Já é perceptível que tenho uma vida como a de Natividade, mãe de Pedro e Paulo, na obra de Machado de Assis. A cada ano, mais eles se distanciam, pois um valoriza a memória e o outro acredita que a natureza e o “velho” atrapalham o desenvolvimento da cidade.

Não posso defender nenhum deles, pois posso acabar causando um briga maior ainda! Às vezes concordo quando meu filho diz que estamos nos desfazendo de nossa história e de nossa memória, e que mais uma vez a história se repete: trocamos as “penas” pelos “espelhos” dos portugueses. Porém, a modernidade tem suas vantagens, trouxe avanços na medicina, tecnologia e meios de comunicação, que tornam nossa vida muito mais fácil. 

Meu segundo filho está cada vez mais popular, é visto como modelo a ser seguido, todos querem tirar uma selfie com ele!

Mas será que é sonhar demais pensar que eles podem conviver juntos?

Com essa minha memória falha, acabei me esquecendo de contar o mais importante! Vocês conhecem os meus filhos! Um, coitado, está em depressão, isolado da sociedade; seu nome é Patrimônio e o outro, nem preciso citar o nome, pois vocês já o conhecem muito bem. Ele está em todas as redes sociais e é notícia em todos os canais de televisão, ele é o tão idolatrado Progresso.

Então, uma grande parcela da população brasileira sofre do Mal de Alzheimer...Será que eu já falei isso?...

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE AS 3ª JORNADAS INTERNACIONAIS DE HISTÓRIA EM QUADRINHOS DA USP

Primeira foto em grupo, tirada na terça-feira, dia 18 de agosto.
As 3ª Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP/ECA ocorrem a cada dois anos e são, atualmente, o maior evento acadêmico sobre quadrinhos da América Latina. Eu conheço os organizadores já há alguns anos (Waldomiro Vergueiro, Nobu Chinen e Paulo Ramos) e já sabia do evento. No entanto, nunca me inscrevi porque sempre achei difícil viajar em agosto (sou professora da educação básica em duas escolas e me ausentar durante a semana geralmente é meio complicado).

Mas este ano uma conjunção de fatores colaboraram para que eu participasse. Primeiramente, muitos dos meus amigos da ASPAS iriam participar e me incentivaram a fazer o mesmo. Em segundo lugar, Trina Robbins foi convidada e eu não poderia deixar de estar presente na conferência dela. Em terceiro, a presença da Trina e dos amigos da ASPAS tiveram como resultado um evento paralelo, que eu acabei ficando responsável por organizar. Assim, foi economizar, pedir dispensa na escola e partir rumo ao meu primeiro encontro internacional sobre quadrinhos.

Preparativos para a conferência do Paul Gravett (auditório lotado, gente em pé e sentada no chão e foi assim todos os dias).
Não vou ficar descrevendo cada dia do encontro, mas vou fazer um balanço geral e espero ser justa nas minhas considerações. Pra começar, gostei muito de ter recebido logo de cara TRÊS livros, juntamente com o material que geralmente a gente ganha em eventos assim (caneta, bloco de anotação e bolsa). A ANPUH, no máximo, já me deu uma revista, destas que a gente encontra nas bancas, sobre História.

Achei legal terem aproveitado o espaço de forma que todos se concentraram em apenas um andar. Desta forma, antes das sessões de comunicação, nos intervalos e antes das conferências, todo mundo se encontrava. Montar uma revistaria também foi uma sacada legal. Material de primeira, entre quadrinhos e livros teóricos. Tudo muito fácil de se achar. Não comprei muito, mas comprei coisas de qualidade.

Conferência de Paul Gravett, no dia 18 de agosto de 2015. Ao seu lado Érico Assis, intérprete oficial das Jornadas.
As conferências, todas das quais participei, foram ótimas. A primeira,com Paul Gravett foi excelente. Infelizmente, não pude ficar para a conferência do Ian Gordon (estava exausta), o que me arrependo muito! Só ouvi elogios. A conferência de encerramento com a Trina Robbins foi também muito boa. Ela foi aplaudida de pé. Tivemos até a presença de cartunistas brasileiros, que foram lá pra prestigiá-la. Laerte, por exemplo, deu uma passadinha rápida, para tietar a cartunista.

Aliás, todos os convidados estrangeiros foram muito simpáticos e interagiram com os demais pesquisadores durante todos os dias do evento. Eles conversavam, trocavam ideias e até assistiram nossas apresentações nas mesas de comunicação.

Laerte tietando Trina Robbins - dia 19 de agosto de 2015.
Eu fiquei responsável por coordenar uma mesa, e apresentei uma comunicação também. E quem estava lá assistindo? Trina Robbins. No último dia, depois da conferência de encerramento, eu me vi trocando algumas palavras com Paul Gravett, que se interessou em conhecer minha pesquisa. 

Esse tipo de coisa torna eventos como este muito significativos. A oportunidade de fazer novas amizades, de estabelecer contatos profissionais e conhecer pesquisas inéditas. O legal é ver que pessoas que você não conhece pessoalmente te conhecem pelo que você faz, pelo seu trabalho. Isso é muito bacana, um incentivo que faz a diferença.

Turma da ASPAS, em uma das muitas fotos tiradas durante os 4 dias de Jornadas,
E falando em incentivo, um comentário que Paulo Ramos fez ficou na minha mente. Durante o encontro foram lançados 24 livros teóricos sobre quadrinhos. Gente, é muita coisa, e o ano ainda nem acabou. Se pensarmos bem, foram lançados mais livros em 8 meses do ano de 2015 do que nos últimos oito anos. Para mim isso sinaliza para duas coisas: 1) Estão aumentando as pesquisas sobre quadrinhos; 2) Estamos criando um público leitor que quer saber mais sobre quadrinhos e não apenas ler quadrinhos.

O ambiente, de forma geral, foi harmonioso. Parecia muito mais uma reunião de colegas e amigos do que um encontro acadêmico. Todo mundo sempre rindo e tirando fotos. Sério, acho que não teve uma vez que eu cheguei no corredor e alguém não me puxou para tirar uma foto. 

Enfim, eu gostei muito. Foi cansativo, claro, mas valeu a pena. Se as outras Jornadas foram como esta, eu reconheço que perdi duas ótimas oportunidades de crescimento profissional. Por outro lado, não pretendo mais repetir o erro. Aguardem-me nas 4ª Jornadas Internacionais de Quadrinhos, de 2017.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

ENCONTRO COM TRINA ROBBINS NA GIBITECA HENFIL

Gibiteca Henfil - CCSP
Na manhã do dia 19 de agosto de 2015, a ASPAS recebeu a quadrinista Trina Robbins na Gibiteca Henfil (SP). Isso só foi possível porque a quadrinista e pesquisadora foi convidada para participar das 3ª Jornadas Internacionais de Quadrinhos promovidas pela USP.  

De lá pra cá eu pude acompanhar textos sobre o encontro e até ler entrevistas com feitas com ela, publicados em vários sites (ao final da postagem eu vou indicar os links para quem tiver interesse em ler). De tanto ler o que outras pessoas já escreveram, tenho medo de ser repetitiva, então, vou tentar ser o mais objetiva possível e fazer um balanço geral do evento.

Pra começar, o público que recebemos foi o da melhor qualidade. Atento, interessado e que, ao que parece, ficou satisfeito com o encontro entre a veterana estadunidense com as nossas jovens cartunistas brasileiras. Estas, segundo Trina Robbins, maravilhosas. Palavras dela "Nunca vi tanto talento reunido em um só lugar!"
Trina Robbins, ao centro, cercada de quadrinistas, pesquisadoras e fãs.
O encontro foi, acima de tudo, uma troca de experiências. As convidadas, oito no total, falaram e mostraram seu trabalho para Trina Robbins. Trina Robbins falou sobre sua carreira como quadrinista. Em muitos momentos podíamos perceber várias similaridades entre as histórias de vida narradas. O que todas tinha em comum? A garra, a vontade de vencer os preconceitos e as barreiras impostas às mulheres pelo mercado de trabalho na indústria dos quadrinhos.

A quadrinista e pesquisadora Ana Koehler disse, na ocasião, que nós fizemos História. Eu completei que nós estamos fazendo história, afinal os quadrinhos tem se tornado um espaço de expressão para as mulheres em todo o mundo. E não sou que estou afirmando. Estas foram as palavras de Paul Gravett durante a abertura das 3ª Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP. Há um número cada vez maior de mulheres talentosas conquistando espaço no mercado mundial de HQs. É a História acontecendo e nós, mulheres, deixando nossa marca nela.

A ASPAS sempre teve em mente que quem pesquisa quadrinhos deve estar próximo e quem produz. Isto se mostrou verdade várias vezes. Em 2013 nós, em parceria com o MAC, fizemos uma sessão especial como documentário Malditos Cartunistas, seguida de um bate-papo com alguns dos cartunistas que participaram da produção. Agora, na Gibiteca Henfil, nós tivemos a oportunidade de poder ouvir nove cartunistas falarem não apenas do seu trabalho mas do que significa ser mulher e numa área predominantemente masculina. E foi muito produtivo. 

Acredito que todos aprendemos muito, que muitos de nós saímos de lá cheios de ideias. Esta interlocução, este encontro entre quem produz e quem pesquisa, é um diferencial que nos permite construir pontes e explorar novas perspectivas com relação aos quadrinhos não apenas como objeto de estudo mas como meio de expressão acadêmica.

CONHEÇA ALGUMAS DAS NOSSAS TALENTOSAS QUADRINISTAS


Camila Torrano é quadrinista e ilustradora, apaixonada por Terror/Horror e graduada em Artes Visuais na USP. Trabalhou para diversas publicações impressas, ilustrou livros, lançou alguns quadrinhos em revistas de publicação independente, e trabalhou por um período para a indústria de games. Lançou em 2012 seu primeiro trabalho solo, a história em quadrinhos “A Travessia” (Escrita Fina Edições). Atualmente trabalha como freelance e continua sua produção de quadrinhos e ilustrações autorais dentro do grupo Fictícia.

Cristiane D. Peter tem 31 anos, natural de Porto Alegre, formada em Publicidade e Propaganda. Como colorista de quadrinhos, já trabalhou para grandes editoras como Marvel e DC Comics, entre outros. Foi indicada ao prêmio Eisner em 2012 por seu trabalho no título Casanova. Também participou das Graphic MSP publicadas pela Maurício de Souza Produções Astronauta – Magnetar e Singularidade com arte e roteiro de Danilo Beyruth, editada por Sidney Gusman.

Ana Luiza Goulart Koehler Natural de Porto Alegre (RS), formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFRGS. Trabalha desde os 16 anos como ilustradora para o mercado editorial impresso e digital. Atualmente dedica-se à produção de histórias em quadrinhos e também à ilustração científica no campo da arqueologia. Entre seus trabalhos destacam-se o ilustrações arqueológicas para exposições no Brasil (“12.000 anos: História e Arqueologia do Rio Grande do Sul”) e Alemanha (“Römermuseum Osterburken”, “Wikinger Museum Haithabu”); os volumes 1 e 2 da BD “Awrah” para as Éditions Daniel Maghen (França) e o tomo 2 da BD “Carthage” para a editora Soleil (França). Atualmente, trabalha na história em quadrinhos autoral “Beco do Rosário”.

Chantal Herskovic começou a publicar quadrinhos e ilustrações no jornal Diário da Tarde e, atualmente, publica a série Juventude no jornal Estado de Minas. Trabalha com ilustrações para revistas e jornais e design gráfico, tendo já publicado revistas com coletâneas de tiras em quadrinhos da série Juventude, além dos livros infanto-juvenis Blog da Cacau e Ai, amigas! Ninguém merece! Já publicou desenhos na Suíça e nos Estados Unidos e participou da exposição Consequências Historieta Brasilenã em Madri e Barcelona. Chantal também foi convidada do Festival de Lille de 2006, na França, e fez parte da exposição Internacional de Cartuns pela liberdade de expressão em Ploiesti, na Romênia. Em 2011 recebeu uma menção honrosa também na Romênia. É doutoranda em Artes Visuais (Escola de Belas Artes - UFMG), Mestre em Artes Visuais (Escola de Belas Artes - UFMG); especialista em Comunicação - novas tecnologias e hipermídia (lato sensu), pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) e bacharel em Design Gráfico na Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Atualmente leciona no curso de Design e de Design Gráfico no Centro Universitário de Belo Horizonte - UNI-BH, e no curso de Pós-graduação lato sensu Projetos Editoriais Impressos e Multimídia na UNA.

Germana Viana trabalha com letreiramento e design de páginas para editoras como a Panini, a Mythos, a Jambô. Já atuou com o agenciamento de artistas para o mercado norte-americano, auxiliando o Joe Prado na Art&Comics. Entre ao anos de 2005 até 2007 foi colunista e coordenadora do site/blog Azul Calcinha - Cultura Pop para Moças. Em 2013, convidada a participar do  coletivo a Crau da Ilha, só com mulheres. Desta parceria resultou a revista As Periquitas (2014). Em  2014  começou a publicar online as HQs Lizzie Bordello e As Piratas do Espaço, como roteirista e desenhista e  Oceano de Brumas (arte). Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço ganhou uma versão impressa, pela editora Jambô, que foi lançada na CCXP de 2014, sendo indicada como finalista do  troféu HQMIX por Publicação de Humor Gráfico e Novo Talento Desenhista. 

Carolina Ito nasceu em Presidente Prudente, em 1992, e atualmente vive em Bauru, onde cursou Jornalismo na Unesp. Em maio de 2014 criou o blog Salsicha em Conserva (salsichaemconserva.wordpress.com) para publicar tirinhas, cartuns e histórias curtas, baseados em reflexões sobre o cotidiano. Após desenvolver pesquisa na área de semiótica das histórias em quadrinhos, durante a graduação, decidiu que podia dar um passo maior, elaborando sua primeira grande reportagem em quadrinhos. "Estilhaço: uma jornada pelo Vale do Jequitinhonha" foi seu trabalho de conclusão de curso e a primeira história extensa. São 60 páginas em que a repórter-narradora-personagem assume suas impressões e reflexões sobre a situação do Jequitinhonha, região ainda tão afetada pela seca, pelo desemprego e falta de vontade política em um dos três Estados mais ricos do Brasil.

Beatriz Lopes é feminista, carioca, 21 anos, estudante de Gravura na Escola de Belas Artes da UFRJ. Começou a publicar suas primeiras tiras virtuais em 2012, teve seus trabalhos impressos pela primeira vez em 2013, numa revista coletiva (´´Libre!´´) e no mesmo ano imprimiu seu primeiro zine (´´Mofo´´). Nesse mesmo ano criou um grupo chamado ´´Zine XXX´´ que tinha objetivo unir, estimular e lançar trabalhos de quadrinistas mulheres brasileiras. Com a ajuda de financiamento coletivo o projeto foi impresso em 2014. Desde então, já participou de diversas mesas, encontros sobre mulheres em quadrinhos e continua publicando zines.

Gabi Masson é estudante de artes plásticas da Universidade de Brasília (UnB) é a autora dos volumes 1 e 2 de A ética do tesão na pós-modernidade, de tiras no Batata frita murcha e da história em quadrinhos Garota siririca. Os projetos, publicados como zines na internet, tocam um universo ainda desconfortável para boa parte dos leitores, sejam homens, sejam mulheres: nudez, sexismo e erotismo femininos.

Assista o vídeo com a fala de Trina Robbins:

Links com reportagens e entrevistas feitas com Trina Robbins:

* Meus agradecimentos especiais às nossas convidadas, que vieram de outros Estados e toparam participar deste encontro; a Trina Robbins, que com certeza deixou parte do seu legado conosco;  à Gibiteca Henfil e a direção do CCSP por ter nos cedido espaço e nos acolhido de forma tão generosa. Agradeço também a todos que ajudaram na organização, especialmente para Dani Marno e Denise Margonari.