sexta-feira, 7 de junho de 2019

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE LEOPOLDINA: IGREJA DE PROVIDÊNCIA - 1898

Igreja de Santo Antônio, em Providência (não tenho certeza se é a mesma que recebeu a benção em 1898, preciso verificar).

Lendo a Gazeta de Leopoldina, de 12 de junho 1898, deparei-me com um pequeno trecho que falava de uma festa em Providência, distrito de Leopoldina (MG), para a benção da nova Igreja. As festividades ocorreram entre 12 e 13 de junho. Segundo a Gazeta, do dia 19 de junho, trata-se da primeira Igreja do povoado. O jornal dese dia dedicou uma longa descrição das festividades, em primeira página. Leia um trecho:

(...) Conquanto de pequenas dimensões, todavia já preenche um fim sobremaneira elevado.

Acha-se colocada em um ponto belíssimo e fora construída por meio de auxilio dos fieis, tendo concorrido com o maior óbulo, afinal, o dr. Antônio Pedro, que assumira a direção dos seus trabalhos, para  o que não poupou esforços.

É S. Antônio seu padroeiro. Ele - que é um santo milagroso por excelência, mede um metro e é uma imagem perfeitíssima. 

A igreja o obtivera-o, por meio de um ato de devoção, da virtuosa esposa do dr. Antônio Pedro (...).
(Gazeta de Leopoldina, 19 de junho de 1898, p. 01)

Festas religiosas eram eventos concorridos e que reuniam pessoas de todos os estratos sociais, dando destaque, claro, aos membros da elite local. Muitas vezes eles doavam dinheiro para as obras das igrejas, compravam vitrais, encomendavam e doavam estátuas de santos, como foi o caso da doação feita pela esposa do dr. Antônio Pedro, cujo o nome não foi citado. 

As mulheres tinha sua identidade sobreposta pela do homem. Ela era simplesmente a filha do fulano, a esposa do beltrano. Mesmo quando seu nome é citado, ela ainda fica atrelada à sua condição de esposa ou filha de alguém. Note que isso ocorre ainda nos dias de hoje.

A missa do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, foi celebrada pelo vigário Júlio Fiorentini, que, segundo Nilza Cantoni e José Luiz Machado[1],  mudou-se para Leopoldina no ano de 1896 e aqui viveu até sua morte, em 1924. o Padre Julio Fiorentini foi nomeado o vigário da Comarca de Leopoldina, criada em março daquele ano, pelo Bispo de Mariana, D. Silvério Gomes Pimenta. (Gazeta de  Leopoldina, 27 de fevereiro de 1898, p. 02).

O distrito de Providência foi criado pelo Decreto estadual nº 61, de 09 de maio de 1890 e ratificado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891,  e anexado ao município de Leopoldina. Segundo Nilza Catoni, o nome do distrito é o de uma das fazendas que surgiram ali por volta dos anos de 1830, a partir de terras que foram doadas para a família Monteiro de Barros. A elas estavam incluídas, na época da sua criação, as terras do distrito de Santa Izabel, atual Abaíba[2].

Uma curiosidade é que a Paróquia Santo Antônio, de Providência, só foi criada em 1914 e época estava subordinada ao bispado de Juiz de Fora de Juiz de Fora. Com a criação da Diocese de Leopoldina, em 28 de março de 1942, Leopoldina, que estava submetida à Arquidiocese de Mariana, ganha as paróquias de Argirita e Providência. A elas, posteriormente, uniram-se outras. Outra curiosidade é que a construção da Catedral de Leopoldina foi uma forma da diocese, que foi criada durante a II Guerra Mundial, agradecer pelo armistício, daí o monumento em homenagem à Nossa da Paz, que fica ao lado da Catedral[3].



[1] CANTONI, Nilza. MACHADO, José Luiz. Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/89281432/Nossas-Ruas-Nossa-Gente-Logradouros-Publicos-de-Leopoldina>. Acesso em: 07 jun. 2019.

[2] CANTONi, Nilza. Providência. Disponível em: <http://cantoni.pro.br/blog/2014/05/providencia/>. Acesso em: 08 jun. 2019.

[3] Diocese de Leopoldina. Disponível em: <http://dioceseleopoldina.com/diocese-de-leopoldina/>. Acesso em: 08 jun. 2019.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

ASHES OF LOVE - 香 蜜 沉沉 烬 如霜


Quem acompanha o blog percebeu que também tenho trocado resenhas de livros por resenhas de filmes. O fato é que eu tenho lido pouca ficção e muito texto e livro teórico (em breve postarei alguma coisa relacionado a isso). Escrever sobre o que eu gostei é a forma que eu concontrei de relaxar relaxar um pouco e dar ma pausa na rotina de estudo e trabalho.

Deng Lun, Xu Feng, deus do Fogo
Desta vez eu vou comentar sobre uma série que assisti recentemente. Ela se chama A Ashes of Love (2018), em chinês :香 蜜 沉沉 烬 如霜. Sim, é uma série chinesa, a primeira que eu assisto e possivelmente não será a última. Não me lembro de já ter feito resenha de séries aqui no blog. Se for o caso, será a primeira vez. Tentarei não dar spoilers, na medida do possível.

Eu tenho uma história com filmes chineses, que remonta meus tenros oito anos de idade, quando ia ao cinema com meu irmão nos fins de semana. Na minha cidade só havia um cinema e, nos anos de 1970, as opções eram ou filmes chineses ou filmes nacionais. Então, é natural que assistir Ashes of Love sido uma experiência nostálgica.

Yang Zi, como a fada Jin Mi. 
A série foi baseada no romance Heavy Sweetness, Ash-like Frost, de Dian Xian (procurei e não encontrei nada sobre o(a) autor(a), pelo menos não em inglês ou outro idioma).  Os principais protagonistas são os atores  Yang Zi  (Jin Mi), atriz que tem feito sucesso entre as da sua geração, e Deng Lun (Xu Feng), que ganhou notoriedade com seu papel na série.  Ashes of Love estreou na TV Jiangsu em de 2 de agosto de 2018 e atingiu a marca de 15 bilhões visualizações até janeiro de 2019. 

Run Yu, Deus da Noite
Ashes of Love se passa num tempo muito antigo, quando o mundo era dividido em seis reinos, sob a supremacia do Reino Celestial, morada dos Imortais. Não entendo de mitologia chinesa, mas creio que a narrativa se baseia nela. Uma coisa com a qual se tem que acostumar na série é a questão da contagem do tempo. Três anos para deuses, fadas e demônios são como três dias para nós. Então fala-se em um século como se não fosse nada e a maioria dos personagens possuí muito mais de 4 mil anos. 

A história começa com o nascimento de  Jin Mi, filha da Deusa Floral, Zifen, que assim que a criança nasce toma uma medida drástica. Dá a ela uma pilula enfeitiçada que vai impedir que a menina conheça o amor romântico. Ou seja, ela nunca vai se apaixonar. A deusa tem um visão na qual prevê o futuro de Jin Mi, que irá sofrer uma grande provação de amor. A Deusa, cujo coração havia sido quebrado, não desejava o mesmo destino para a filha. Em seguida a Deusa Floral morre, deixando as filha sob os cuidados das fadas do Reino Floral, que deviam criá-la em segredo. 

Deusa Floral, Zifen, preparando a pílula mágica para a filha.
Ao longo da série vamos descobrindo as razões que levaram a deusa Floral a agir dessa forma e acabamos compreendendo o desespero da mãe após o nascimento da filha. Ela realmente quer poupá-la do sofrimento. Ela ordena ainda que a filha fique confinada durante 10.000 anos no reino Floral, protegida por uma barreira de água mágica, para impedir que ela se envolvesse com pessoas estranhas. O isolamento fez com que Jin Mi, com seus 4.000 fosse uma moça ingênua, sem maldade ou qualquer traquejo social, como uma criança. 

Jin Mi e sua mãe adotiva, a Fada Floral.
Mas Jin Mi não é completamente desprovida de sentimentos, ela nute afeto por seus amigos e pelas fadas que a criaram. Ela é bondosa e generosa, só não conhece o amor romântico. Daí, dá para para perceber que a série gira em torno de Ji Mi, que vai descobrindo aos poucos sua origem e aprendendo a amar. 

Tudo muda quando o filho caçula do Imperador Celestial, Xu Feng, o Deus do Fogo, sofre um atentado e vai parar no Reino Floral, sendo socorrido por Jin Mi, que o confunde com um corvo. O príncipe, na verdade era uma Fênix. Mais tarde, outros personagens de envolvem na trama, como o irmão mais velho do deus do fogo, o Deus da Noite, Run Yu.

Xu Feng, Deus do Fogo, com sua armadura de guerra.
Não há como contar mais sem dar alguns, na verdade, muitos spoilers. Mas posso adiantar que a série tem alguns elementos que prendem o expectador e é quase impossível assistir apenas a um episódio. Ela começa leve e muito divertida, depois fica mais intensa, principalmente à partir do episódio 35. Para os mais sensíveis ela vai tirar risos e muitas lágrimas. É impossível não torcer pelos protagonistas nem ficar ansioso para saber o que vem depois. 

Palácio Real, no reino Celestial. Adorei a cenografia e os figurinos.

É uma série de fantasia, que usa de muitos recursos visuais, mas não achei que houve exagero, pelo menos dentro do que a temática sugere. A atuação dos atores também é muito boa, tanto dos mais jovens quanto dos veteranos. Os figurinos são lindos e a trilha sonora é maravilhosa. Além disso, podemos encontrar na série elementos tradicionais da cultura chinesa, assim como muitas pérolas da filosofia oriental.

Ótima pedida para o fim de um dia de trabalho ou um final de semana em família. Ashes of Love está disponível no  Netflix, com 63 episódios.

Ouça a trilha sonora!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

VI CONCURSO LITERÁRIO DA ALLA


Terão início no dia  1º e junho e seguirão até dia 15 de junho de 2019 as inscrições para o VI Concurso Literário da ALLA, evento promovido anualmente pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

O Concurso Literário  da ALLA receberá inscrições de poesias, cartuns, charges, contos, crônicas, resenhas e relato de experiências educativas, sendo essa última categoria exclusiva para docentes. O tema do concurso é livre. As inscrições devem ser feitas exclusivamente online no blog da ALLA (clique aqui)

Poderão se inscrever alunos matriculados em instituições de ensino públicas ou privadas, o público em geral e professores.  Para saber mais acesse o regulamento clicando aqui! Para outras informações, envie sua dúvidas para o e-mail: concursoliterario.alla@gmail.com

A ALLA é uma instituição literária e artística da cidade de Leopoldina (MG). Foi fundada em 13 de fevereiro de 2008 e tem como patrono o poeta Augusto dos Anjos. A ALLA é formada por um grupo de 30 acadêmicos, nascidos ou ligados à cidade de Leopoldina. Ao número de membros corresponde igual número de cadeiras, cujos patronos foram representantes das artes de Minas Gerais e de Leopoldina. 

O Concurso Literário da ALLA  é o principal evento anual promovido pela instituição, que também organiza mensalmente um sarau poesia e música, no Museu Espaços dos Anjos, aberto para membros da comunidade e visitantes. 

A divulgação dos finalistas será feita no dia 15 de agosto de 2019 e a cerimônia de premiação acontecerá no dia 23 de agosto de 2019. Estudantes inscritos nas categorias destinas às educação básica, classificados em primeiro ligar receberão convite para integrar a Academia Jovem da ALLA, que reúne jovens amantes das letras e das artes e desenvolve diversas atividades culturais.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

A FICÇÃO, O ESQUECIMENTO E A REESCRITA DA HISTÓRIA

Imagem capturada em: https://www.aficionados.com.br/thanos-melhor-vilao-marvel/
Um dos grandes acontecimentos midiáticos do ano de 2019 foi o lançamento do filme "Vingadores, Ultimato", que arrastou multidões para os cinemas. Ao assisti-lo pela segunda vez, chamou-me a atenção uma parte bem no final na qual o vilão Thanos afirma que pretende refazer o universo e apagar a memória de todas as criaturas vivas, pois segundo ele, enquanto houver quem se lembre de como era, haverá aqueles que não aceitarão a perda e resistirão.

De todas as cenas apoteóticas mostradas durante a mega produção cinematográfica, esta ficou gravada na minha mente e arrisco dizer que ela vale por todo o filme. Thanos está certo, pois enquanto houver a memória, haverá a resistência. Por isso o tirano desejava apagá-la definitivamente.  

Mas não é isso que os tiranos fazem? 

Para um tirano a história e a memória são suas inimigas. A memória por dar suporte à experiência coletiva, ao vivido, já que memória é vida. A história por ser não apenas o registro dos fatos mas, acima de tudo, promover o debate e a reflexão acerca deles. Os tiranos vão sempre atacar a memória e a história e vão impor o esquecimento. Mas esquecer não é suficiente, é preciso reescrever a história, uma história baseada em "achismos" e não no conhecimento legítimo. 

A reescritura da história se baseia na negação do fato, no ocultamento do papel da coletividade, na marginalização de grupos inteiros e da minimização do papel de atores sociais importantes pelo seu engajamento em lutas. O apagamento das lutas e o sentido das conquistas realizadas ao longo dos anos pelo povo, pois o cidadão comum, é ele que os tiranos temem, pois é dele que tiram seu poder.

Neste processo, todos aqueles capazes de questionar, todos aqueles que são portadores de conhecimento, se tornam inimigos do Estado autoritário. Professores, filósofos e cientistas são comparados a terroristas. São acusados de doutrinação, de ensinar inverdades, de serem tendenciosos. A verdade é monopólio dos tiranos, que a tomam como sua e absoluta. Uma verdade que se impõe pela força, pela violência moral e física, pela vulgarização, banalização e abandono das ciências e de seus templos, escolas e universidades.

A ficção nos oferece uma representação do mundo que estamos vivendo, no qual grupos radicais têm  como um projeto global reescrever a história e apagar a memória. Essa reescritura se faz necessária para que não haja  a tão temida crítica, o questionamento da sociedade com relação aos rumos que estão tomados na direção da construção de uma sociedade que privilegia a poucos e segrega a muitos. Se não há memória e história não há resistência e os tiranos triunfam e deixamos de ser cidadãos para nos tornarmos súditos cuja própria existência é desejo (ou não) do Estado.  

sábado, 4 de maio de 2019

FAZER PESQUISA E VIRAR NOITES ESTUDANDO É FARRA?


Eu fiquei pensando se escreveria ou não escreveria algo sobre os cortes no orçamento das universidades públicas. Estou cansada e desanimada com tanta demonstração de ódio e ignorância. Mas uma das primeiras coisas que eu li hoje pela manhã foi uma mensagem justamente fazendo isso: disseminando ódio.  Aí não aguentei, tive que escrever.

Para começar, independente da sua orientação política, é inconcebível que uma pessoa defenda e comemore o fim da universidade pública. É essa universidade que forma há décadas os profissionais que fazem esse país funcionar. É dela que saem médicos, engenheiros, professores, cientistas que trabalham na descoberta da cura de doenças quem matam milhões em todo o mundo. E não acredite em tudo que lê nas redes sociais ou ouve em programas de rádio e televisão. Trabalha-se muito nas universidades e muitas vezes de forma precária. 

É completamente falsa a afirmação de que as faculdades públicas não produzem pesquisas, e sim as privadas. Das 100 universidades brasileiras que publicaram artigos científicos, entre 2014-2018, apenas 17 são particulares e a com melhor colocação é a PUC/Paraná. em 37º lugar (clique aqui para conferir). Em 2017 o Brasil era o 23º país no ranking global de qualidade científica. São falsas, também, muitas notícias de orgias em universidades que estão circulando nas redes sociais. Aliás, algo deplorável. Fico imaginando o que passa na cabeça de quem cria esse tipo de notícia e de quem acredita nela.

Muitos governos negligenciaram o ensino e a pesquisa, mas nenhum colocou ambos em risco. O Brasil hoje é um país no qual a pesquisa praticamente está sendo extinta. Com os cortes nas verbas das universidades públicas o que ainda resistia está com os dias contados. Milhões de estudantes em todo o país certamente serão prejudicados se a situação não se reverter. Então, não me peça para ser paciente com quem comemora tal coisa, sob a desculpa de que "é hora de acabar com a farras nas universidades". Que farra?

Eu me lembro, quando fiz especialização na UFJF, é das noites sem dormir, estudando. Dos fins de semana sem sair. Frequento o ambiente universitário há 30 anos, conheço vários universidades, tenho diversos amigos que são professores, em várias áreas. Alguns deles até com pesquisas citadas e premiadas no exterior. A carga horária dos professores não é pequena e eles não recebem reajuste salarial há cerca de dois anos. Queria que alguém me explicasse onde está a farra nisso tudo!

Ah, mas que o reitor X desviou verba da universidade. Ora, então isso justifica acabar com tudo? Punir quem age mal? Justo! Acabar com todo os sistema de educação pública superior por conta da má gestão de alguns? Tenha paciência!

domingo, 28 de abril de 2019

ALICE: UMA HISTÓRIA DAS MULHERES QUE LUTAM CONTRA O CÂNCER



Já há algum tempo estou para resenhar a HQ "Alice num mundo real", mas devido aos compromissos de trabalho e do doutorado eu acabei protelando e cabei sendo engolida pela rotina. Mas vamos lá!

O quadrinho é uma produção espanhola publicada em Portugal não estando, portanto, disponível para compra no Brasil. Uma pena, porque ele trata de um tema de interesse de todas as mulheres, penso eu: o câncer de mama, ou como é chamado por lá, cancro da mama.

Alice é uma jornalista com um ritmo de vida agitado e frenético, que um belo dia se dá conta de que está com câncer de mama e sua vida vira de pernas para o ar. Tanto o trabalho, que ocupava boa parte do seu tempo, e sua vida pessoal tiveram que ser adaptados a uma nova realidade. Nessa realidade, Alice fica durante um tempo perdida, sufocada pela atenção muitas vezes opressora dos amigos e passa a se sentir vulnerabilizada por conta da doença.

Alice num mundo real é um quadrinho que faz refletir sobre a fragilidade do corpo humano e de como o estado psicológico de uma pessoa reflete essa fragilidade. A HQ fala da superação não com o objetivo de trazer uma grande lição moral sobre a perseverança e a força da mulher que luta contra o câncer. 



Ela mostra o dia a dia dessa luta, que não é glamorosa, nem se pode traduzir a partir de frases de efeito. Por vezes é tão trágica que chega a ser cômica. Isabel Franc usa muito do recurso humorístico em toda a narrativa, mas sem que ela perca a seriedade devida.


Esta HQ de Isabel Franc poderia ser considerada autobiográfica, embora a autora esclareça desde o início que, apesar dela de basear na sua própria experiência, é uma história de muitas pessoas, que vivenciaram fisicamente ou acompanharam amigos, parentes e parceiros (e a autora faz questão de frisar que isso envolve homens e mulheres) no drama que é a batalha contra a doença, da descoberta à recuperação.

Alice poderia ser qualquer pessoa, homem ou mulher, que passa por uma experiência que muda sua percepção acerca de várias coisas, que a joga no fundo de um poço do qual ela precisa sair para recuperar o controle da sua vida, que não será jamais a mesma, claro, mas que pode ser uma boa vida, a depender do direcionamento que ela lhe der.

A autora, Isabel Franc, é espanhola, nascida em Barcelona, assim como a ilustradora, Susanna Matín. Alice num mundo real foi publica em Portugal pela editora Levoir, em 2011.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

THANOS, MEU VILÃO FAVORITO (SEM SPOILERS)!


Eu não pretendo escrever uma resenha, longe disso. Hoje o texto será de uma fã em estado de êxtase absoluto! 

Pretendia assistir Ultimato, o último filme dos Vingadores, no domingo, mas não resisti. Pouco antes de almoçar eu me decidi, joguei uns livros na minha bolsa e fui para Cataguases (cidade vizinha, porque aqui em Leopoldina lamentavelmente não tem cinema) disposta a encarar fila e ficar sentada no corredor estudando até conseguir um ingresso.

Não cheguei a tanto. De cara eu peguei a primeira sessão, das 14h20min. Foram três horas que eu gostaria de reviver várias vezes. Sério, quando eu levantei minha perna estava dolorida porque eu não consegui mover um músculo. Sem falar que estou com um sorriso bobo congelado no meu rosto já há quase duas horas.

Foi um fechamento maravilhoso. Não chorei, mas vibrei muito, ri muito e fiquei até emocionada em alguns momentos. A Marvel se superou. Sinto muito DCnautas, vocês não vão jamais conseguir atingir a perfeição que foi Ultimato. Porque, na verdade, não foi apenas um filme, mas a culminância de 22 filmes! Acho que nunca houve um projeto cinematográfico tão ambicioso. E se a Capitã Marvel rendeu uma fortuna, aposto que Ultimato vai ultrapassar todas as expectativas. 

E Thanos? Melhor vilão de todos os tempos! Não haveria Vingadores sem ele, isso é fato. Ele correspondeu a todas as minhas expectativas. Eu amo Thanos, porque ele fez com que a Marvel levasse para as telas um grupo de personagens que, certamente, vai marcar gerações. O filme valeu cada minuto das três horas de duração. Valeu eu me deslocar de ônibus pra outra cidade, valeu cada tostão que gastei, e eu gastaria mais.

Talvez possa parecer até risível ler este relato feito por uma mulher de 48 anos, que lê quadrinhos desde os seis anos e é fã da Marvel desde os nove. Mais uma a alimentar uma indústria bilionário e a contribuir com os salário milionários de atores que nem sabem que eu existo. Pois essa empresa capitalista que lucra às minhas custas me deu, na infância, o alento de poder me refugiar nos quadrinhos. Eu não tinha amigos, mas tinha meus super-heróis. E os amigos vieram depois, muitos deles justamente por conta dos quadrinhos, pessoas lindas que fazem parte da minha vida. Foram os quadrinhos, também, que me deram o prêmio de melhor professora do Brasil, em 2008. Foram eles que abriram as portas para mim na universidade, no mestrado e agora no doutorado.

Amo os quadrinhos, amo os filmes de superaventura e se hoje estou emocionada e exultante só por ter ido ao cinema assistir a um dos filmes que mais vai marcar a minha vida, só tenho a agradecer. Afinal, neste mundo cada vez mais tomado pela intolerância, pelo desamor, o egoísmo, o egocentrismo e a animosidade entre as pessoas, Ultimato aqueceu meu coração com cenas onde o melhor que a humanidade pode oferecer estava presente.

domingo, 21 de abril de 2019

MENSAGEM (QUASE) DE PÁSCOA


Nessa Páscoa eu decidi que não quero ficar postando mensagens de "Boa Páscoa", mas compartilhar meus sentimentos com quem possa se interessar. Eu quero falar sobre a renovação constante que tem sido a minha vida e, acredito a vida de muitas pessoas. 

Não postando tanto no blog quanto eu gostaria. Mas para não perder o hábito tenho feito resenhas de quadrinhos e de filmes. Só que não é a mesma coisa. Tenho sentido falta de produzir conhecimento, falar sobre a história de Leopoldina, sobre a história de forma geral. Imagino que isso seja uma fase, uma daquelas pelas quais a  gente sempre passa e que servem para reorganizar a nossa vida, pessoal e profissional. 

Sendo assim, acredito que tudo que tenho feito ou deixado de fazer nos últimos meses seja parte de mais um período crescimento pessoal do qual eu devo tirar alguma lição valiosa que irá me equipar para enfrentar os novos desafios que a vida certamente deve me apresentar em breve. Imagino que o fato de eu estar tirando alguns minutos para escrever sobre isso seja um indicativo de que esta fase  esteja terminando.

Não acredito em nada que seja permanente, as coisas estão sempre mudando, pois faz parte da vida ser dinâmica. Sei que existem pessoas que escolhem permanecer em ciclos viciosos e estão sempre arrumando uma desculpa para não seguir em frente. A psicologia explica isso, eu não tenho bagagem para tanto, portanto, falo apenas por mim.

Penso que passamos por momentos ruins, fases pouco produtivas e relacionamentos tóxicos por conta das nossas escolhas e pela necessidade de experimentar, de arriscar. Há algum tempo atrás eu tinha muito medo disso, mas hoje eu tento encarar como uma forma de crescimento. Descobri que cada experiência ruim, cada decepção que tenho no meu relacionamento com outras pessoas muito mais agrega do que tira.

Deixe-me explicar melhor: aquelas situações que fizeram, no passado, eu me sentir angustiada e até duvidar de mim mesma ao mesmo tempo me ensinaram a enfrentar melhor situações semelhantes. Elas também me mostraram como devo valorizar o que eu tenho e a ver a felicidade em coisas muito simples, como um sorriso caloroso, um abraço apertado, um olhar afetuoso ou um gesto de generosidade. 

Além disso, percebi que tenho tido maturidade para encarar situações que antes me levavam a uma tristeza profunda. A tristeza ainda vem, mas ela passa tão rápido, que quase não a noto. E isso é muito bom. Não que eu tenha me tornado uma pessoa insensível, mas eu estou aprendendo a pesar e medir o impacto que algumas coisas precisam ou não ter na minha vida. 

Não choro nem sofro mais do que o necessário e, embora eu ainda não saiba exatamente o que quero para o meu futuro, uma vez que a vida é cheia de incertezas e tudo é tão mutável, eu pelo menos já sei o que eu não quero.

Por fim, eu sinto uma necessidade muito grande hoje de agradecer tanto aquilo que me foi dado quanto o que me foi tirado, pois na minha matemática de professora de história, até o que eu perdi de certa forma eu ganhei. Agradeço os momentos felizes, os sustos, as angústias que, ao invés de afastar, me aproximaram mais das pessoas. 

Agradeço os muitos e leais amigos que eu tenho, aos alunos afetuosos e até aqueles que me olham atravessado; aos colegas de trabalho, parceiros do dia a dia nessa luta que é ser professor no Brasil. Agradeço minha família, que como todas as famílias têm seus altos e baixos, mas continua seguindo em frente. Agradeço às oportunidades que tenho e à confiança de quem as me ofertam. Enfim, agradeço à vida, que é mãe mas também é madrasta, que é a grande escola na qual até o fracasso pode ser uma vitória.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O MENINO QUE DESCOBRIU O VENTO NOS AJUDA A ENCONTRAR VALOR NAS PEQUENAS COISAS


Alguns filmes trazem grandes lições em pequenas coisas. Acho que essa frase resume o que eu senti ao assistir à produção britânica "O menino que descobriu o vento" (2019), dirigida por Chiwetel Ejiofor, ator de origem nigeriana, que também é uma das estrelas do filme. 

"O menino de encontrou o vento" é a história do jovem William Kamkwamba, que descobriu um método para criar energia eólica no meio das terras secas do Malawi, conseguindo dessa forma irrigar as plantações e salvar sua aldeia da fome. É um filme que mostra como a engenhosidade e a determinação podem ser ajudar a superar situações adversas com o mérito de nos apresentar uma África multifacetada: aquela que mantém as tradições, mas que deseja abraçar a modernidade.

A República do Malawi, lugar que serve de cenário para o filme, é um país da África Oriental, que faz fronteira com a Tanzânia, Moçambique e  Zâmbia. Sua capital é Lilongwe. É um dos países mais densamente povoados do mundo, e um dos menos desenvolvidos. Os idiomas oficiais são o chichewa e inglês. O país sofreu colonização inglesa, no século XIX. Tornou-se independente em fevereiro de 1963.

"O menino que descobriu o vento" enaltece o valor da escola em tempos em que estamos enfrentando uma onda conservadora que tende a diminuir a importância da educação na vida do indivíduo. O filme ainda ressalta a importância da preservação do meio ambiente, fala de direitos humanos, de política, e da sabedoria e cultura africanas.

Trata-se de uma produção midiática com potencial para ser utilizada em diversas disciplinas, como história, sociologia, geografia, ciências, língua portuguesa e ensino religioso. Um material como grande potencial multi e interdisciplinar. As possibilidades de uso são enormes e o resultado, acredito, tende a ser um aproveitamento do conteúdo muito acima da média esperada com o uso de materiais didáticos tradicionais, como livro didático, por exemplo. 

O filme, exibido no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2019, é baseado no livro de memórias The Boy Who Harnessed The Wind, de William Kamkwamba e Bryan Mealer e está disponível na Netflix. Aliás, não custa repetir que a Netflix tem oferecido ao publico brasileiro a oportunidade de ter contato com belas produções, de vários países,  abrindo a possibilidade de acesso a um universo cinematográfico muito mais amplo. Eu, particularmente, já assisti filmes indianos, noruegueses, tchecos e franceses que provavelmente eu jamais teria conhecido por meio da TV aberta ou mesmo por assinatura que privilegia produções estadunidenses.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

DOCUMENTÁRIO SOBRE A CATEDRAL DE SÃO SEBASTIÃO


O jornal Leopoldinenses tem tido excelentes inciativas ao produzir pequenos documentários sobre a história de Leopoldina (MG). Este, lançando em janeiro de 2018, fala sobre a Catedral de São Sebastião, um dos monumentos mais conhecidos da cidade. Ótimo material para ser trabalhadonas aulas de história, principalmente com alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, fase em que o sentimento de pertencimento precisa e deve ser estimulado para que possa ser melhor desenvolvido nos anos finais.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA


Baseado no livro da americana Mary Ann Shafer, o filme "A Sociedade Literária e a torta de casca de batata" (2018) está disponível no programação da Netflix.  
Ambientado no ano de 1946, o filme conta a história da jovem escritora  Juliet Ashton, interpretada pela atriz Lily James, que está refazendo sua vida após a trágica perda da sua família, durante os bombardeios a Londres. 

O filme chama a atenção justamente por focar na reconstrução, no recomeço após a o fim do conflito. Não apenas da reconstrução urbana em si, mas no fortalecimento dos espíritos, do desejo de um novo recomeço para aqueles que sobreviveram e tiveram seus traumas e perdas durante o conflito. E este, a meu ver, é seu maior mérito. 

Escritora de sucesso, Juliet vive um momento importante da sua vida, vendo-se prestes a fazer grandes escolhas com relação ao seu futuro profissional e pessoal.  Após receber a carta de um fazendeiro, decide visitar Guernsey, uma ilha no Canal da Mancha, na costa da Normandia que faz parte da Grã-Bretanha, invadida pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Juliet vai à Guernsey para conhecer a "Sociedade Literária e a torta de casca de batata", grupo de leitores formado durante a ocupação.

A viagem acaba se transformado não apenas numa jornada de autoconhecimento como também revela histórias de amor e coragem, protagonizadas por pessoas simples, que usaram os livros como forma de se unir e resistir à ocupação nazista. A trama gira em torno dos participantes do clube de leitura mas tem seu foco especialmente nas mulheres, sua força, sua capacidade de lutar e de resistir.

É um filme sensível, com belas paisagens e uma atuação dos autores, tanto os mais jovens quanto os veteranos. Eu particularmente tenho gostado muito da atuação de Lily James, que conheci há alguns anos na série britânica Downton Abbey. Como professora eu certamente o utilizaria na sala de aula para trabalhar o pós-guerra, para tratar de temas como o nazismo, empoderamento feminino e principalmente, trabalhar a leitura como forma de resistência e libertação.

Assista ao trailler!

sexta-feira, 29 de março de 2019

HQ: MULHERES & QUADRINHOS


A editora Skript está com um projeto muito legal, do qual eu estou fazendo parte. Trata-se do livro "HQ: MULHERES & QUADRINHOS", organizado pelas pesquisadores Dani Marino e Laluña Machado. Trata-se de uma obra inédita no Brasil, reunindo trabalhos de 100 mulheres, entre elas escritoras, desenhistas, editoras, revisoras, letristas, pesquisadoras, que vai contar com mais de de 500 páginas.

Uma obra que mistura quadrinhos, ensaios e entrevistas, feitas por mulheres mas, nas palavras das organizadoras, não apenas para elas. É uma obra importante tanto em termos de representatividade mas, também, como contributo para aqueles que leem e pesquisam quadrinhos no Brasil.

O projeto foi lançado no Catarse e estão sendo oferecidas recompensas exclusivas para os primeiros apoiadores (não perca tempo!). Para saber mais, é só clicar aqui  e visitar a página do projeto no Catarse.

quarta-feira, 13 de março de 2019

MULHERES NA LUTA: QUADRINHO NORUEGUÊS PUBLICADO NO BRASIL

Livro: Mulheres Na Luta -  150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. De  Jenny Jordahl e Marta Breen
Páginas: 128 -  Editora: Seguinte.

A Seguinte, selo jovem da Companhia da Letras, tem sido uma agradável surpresa. Em 2018 publicou o prestigiado quadrinho "A origem do mundo: uma história da vagina ou a vulva vs. o patriarcado", da autora sueca Liv Strömquist. Agora, em 2019, lançou "Mulheres na Luta - 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade", das autoras norueguesas Marta Breen e Jebby Jordahl.
Fragmento da HQ que representa o
patriarcalismo de séculos anteriores
.
Marta Breen é jornalista e autora de não-ficção com várias publicações, dentre elas  os livros "Born Feminist" e o bestseller "60 Women You Should Know About", criado também em colaboração com a ilustradora Jenny Jordahl, designer formada pela Academia de Artes de Oslo, Noruega.

O álbum, que por sinal está com um excelente acabamento, faz uma apanhado sobre os 150 anos do movimento feminista, destacando mulheres que lutaram pelos direitos das mulheres em diversos lugares do mundo, do século XIX ao século XXI.
Fragmento da HQ que fala sobre
as reivindicações inciais do
movimento feminista.

Não consegue reunir, claro, toda a história do feminismo ou do movimento feminista, mas aborda temas como a luta pelo direito ao voto e questões ligadas à contracepção, aborto, religião e política que causaram e ainda causam grande polêmica. Um material muito rico, que pode inclusive ser usado, em sua totalidade ou em fragmentos, nas aulas de história.

Fragmento da HQ que conta a
história de Malala.
A autora fez uma minuciosa pesquisa e conseguiu colocar nos quadrinhos, de forma simples e didática, a história de mulheres, das mais variadas origens que lutaram e ainda lutam por igualdade, pelo direito sob seu corpo e pela liberdade de expressão.

Uma leitura indica da meninas e mulheres, em geral privadas do conhecimento acerca da história das mulheres, que tanto pode ajudar na formação de um pensamento mais claro sobre a sociedade que desejamos construir. O Livro ainda livro nos brinda com um posfácio escrito pela socióloga e professora Bárbara Castro, sobre a luta das mulheres brasileira por direitos civis e políticos ao longo da nossa história.

Assista uma entrevista feita com a autora Marta Breen, pela Seguinte, para divulgação da HQ.