quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

AS LUZES DE BRUXELAS

A Grand Place é a praça central da cidade de Bruxelas, conhecida pela beleza arquitetônica, que durante a noite é realçada pelas luzes que iluminam a faxada  dos edifícios. Nela está localizada a Câmara Municipal e a Casa do Rei. Foi reconhecida como patrimônio mundial pela UNESCO em 1998.
Em 2017, eu havia planejado passar uns dias em Bruxelas, capital da Bélgica e da União Europeia. Mas durante a viagem tive um contratempo e mudei meus planos. Este ano eu  não poderia deixar Bruxelas de fora do meu roteiro. Só me arrependo de uma coisa: não ter ficado mais dias. Cinco dias foram pouco. Uns dois dias a mais seriam bem vindos.

TGV - Gare du Nord, Paris (França).
Como estávamos em Paris, optamos por viajar de trem para Bruxelas. E foi ótimo. Fomos de Trem de Grande Velocidade (TGV), saindo da Gare du Nord. O TGV é um dos trens mais velozes do mundo, podendo chegar a 320 km/h. Em duas horas nós estávamos na Gare Midi, 15 minutos depois no hotel.

A localização do hotel era excelente. Perto de restaurantes agradáveis e relativamente baratos e bem próximo dos principais pontos turísticos. A Grand Place foi o primeiro lugar que visitamos e que me deixou uma ótima impressão da cidade. Suas luzes e sua arquitetura fizeram esse primeiro momento parecer mágico. E justamente foram as luzes de Bruxelas, naquele início de noite de inverno, que me conquistaram. 

Eu já disse que a Bélgica é famosa pelos chocolates? Na verdade, os belgas produzem o melhor chocolate do mundo  e eles são os inventores do bombom. O chocolate é bom mesmo! Eu comprei, claro, mas confesso que comi muito chocolate de graça, todos os dias, porque cada loja que eu visitava me oferecia uma porção de  chocolates para degustação.


Não tem como olhar as vitrines e não entrar para conferir as delícias.
Lá nós encontramos, além do melhor chocolate do mundo, a melhor batata frita do mundo. A batata que os belgas usam é a bintje. Ela fica crocante por fora e macia por dentro. Ela é cortada em palitos, mas frita de uma forma diferente: primeiro, em banha derretida; e, depois, em óleo vegetal. Em seguida, é servida em cones de papelão com vários tipos de molho, a maioria à base de maionese.

Eu experimentei essa delícia num dos lugares mais badalados: o Fritkot Bompa, onde a batata é servida com molho tártaro caseiro, e há ainda muitas outras opções de molhos. Tem até um molho Brasil, que é doce. A batata é servida em um cone, em grande quantidade, e sobre ela grossas porções de molho. 
Posando ao lado do cone de batatas fritas
com Ana Cristina Fajardo.

A batata pode vir acompanhada de pratos gordos e saborosos como sanduíches, frango frito ou croquete. Eu optei pelo simples: o cone com molho tártaro. Confesso que quase não dei conta de comer tudo, era muita coisa. Mas encarei o desafio. 

A Bélgica tem também algumas da melhores cervejas do mundo. Eu experimentei, já no primeiro dia, a famosa Delirium Tremens, a cerveja do elefante cor de rosa, considerada uma das melhores cervejas do mundo. Paramos em um bar, todo ambientado como um daqueles saloons de Faroeste. Muito aconchegante por sinal. Mas só consegui tomar uma cerveja porque eu não consigo beber muito e as cervejas europeias são muito mais fortes do que as brasileiras. 
Cerveja Delirium Tremens.

O lugar ideal, e mais barato, para tomar cerveja é no Delirium Café, um dos bares mais populares da cidade (e que pode ser encontrado em várias outras cidades europeias). Lá eu experimentei uma cerveja diferente, da qual agora não me lembro o nome. Não gostei, achei muito azeda. Mas a cerveja de pêssego, essa me conquistou. Uma delícia!


Delirium Café Bruxelas - toda noite lotado!

O Delirium Café é um dos mais famosos de Bruxelas e tem a classificação de ser o nº 02 da vida noturna da cidade. Para chegar lá a melhor referência é a Jeanneke Pis, uma estátua de bronze que é a versão feminina do Manekin, um dos símbolos de Bruxelas. Ela fica localizada praticamente na frente do bar.


Manekin Pis
O Manekin Pis é a estátua de um menino urinando. Algumas pessoas não conseguem entender que graça tem uma estátua de 61 cm de uma criança fazendo xixi. Mas em torno do Manekin há toda uma história que remonta ao século XVII. Difícil para alguém de fora entender, mas ele representa uma forte referência à memória e à identidade da cidade, valorizada pelos seus habitantes. 

Outro símbolo de Bruxelas é o Atomiun que foi construído para a exposição mundial de 1958. Ele possui o formato de um cristal de ferro, ampliado 165 bilhões de vezes. O Atomiun é, ao mesmo, tempo um edifício e uma escultura. Era um dos monumentos de Bruxelas que eu mais queria conhecer. 

Atomiun
São 9 esferas (cada uma com 18 metros de diâmetro) conectadas por 20 tubos. Nem todas estão liberadas para visitação, por questão de segurança. Lá há exposições permanentes, voltadas para os anos de 1950 e para a construção do edifício, e exposições temporárias. Em janeiro estava havendo uma muito interessante sobre surrealismo, que super combina com o local. Na esfera central pode-se ter uma visão panorâmica da cidade. Lá também há um restaurante onde os visitantes podem lanchar ou mesmo fazer uma refeição completa. 

Foi uma experiência diferente de todas que eu tinha tido até então. Eu me senti dentro da Enterprise! Sério, eu lembrei dos episódios antigos de Jornada nas Estrelas, que eu assistia quando era criança. É como você estar em um lugar que é, ao mesmo tempo, antigo e futurístico. Na verdade o Atomiun  representava uma visão do futuro da sociedade europeia do anos de 1950.

Painel homenageando Thorgal
Bruxelas, para quem não sabe é a capital mundial das Bandes Dessinées (Histórias em Quadrinhos). Andando pela cidade podemos encontrar painéis gigantes, pintados em edifícios, que homenageiam personagens populares das Histórias em Quadrinhos franco-belgas. Lá também pode ser encontradas dezenas de lojas especializadas em quadrinhos. Anualmente, ocorre em Bruxelas um dos maiores festivais de quadrinhos do mundo, La Fête de la BD (A festa das Histórias em Quadrinhos). 

Eu estava sempre atenta procurando alguns dos famosos painéis. E sei que não achei nem 10% deles. Os quadrinhos estavam em todo o canto. Até nas muretas que protegiam as obras de reforma das calçadas. No Palácio do Governo, por exemplo, havia uma exposição de cartuns, charges e quadrinhos sobre política. Lá também podemos encontrar museus dedicados às Histórias em Quadrinhos. Eu fui no Musée de la Bande Dessinée, que fica no Centre Belge de La Bande Dessinée.
Um pedacinho de uma das exposições do Musée de la BD, Bruxelas.
O espaço é lindo e as exposições são muito bonitas, também. Uma, que acredito ser permanente, explica de forma didática o que são as Histórias em Quadrinhos, sua história e seus diversos gêneros. As outras mostravam diversas obras de autores franco-belgas, entre homens e mulheres. Tudo isso mesclado com um material audiovisual muito rico. 


No Musée de la BD com Joana e Nuno!
E olhe como são as coisas! Eu lá, em Bruxelas, entrando no Museu das Histórias em Quadrinhos dei de cara com um amigo meu, de Portugal, o Nuno. Ele é cartunista. Ano passado estávamos com um grupo de portugueses que foram para o Festival de Angoulême,  na França. Ele estava a passeio com a namorada, Joana, que por sinal é muito simpática. Foi uma grande surpresa! Eita, mundinho pequeno.

Chamou-me atenção a quantidade de brasileiros que eu encontrei por lá. De todos os países que eu visitei, tirando Portugal, a Bélgica foi onde esbarrei com mais brasileiros. Fiquei surpresa com a quantidade. Trabalhando em lojas, restaurantes, hotéis ou mesmo passeando pela cidade. 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

CANTOS E RECANTOS DE PARIS

Início da noite em Paris - foto tirada do Jardin des Tuileries.

Este ano fiz minha terceira visita para Paris. A minha primeira passagem pela "Cidade Luz" foi bem rápida, apenas uma escala de 21 horas, em 2016. Mas foi proveitosa, pois chegamos a ir visitar a Torre Eiffel e até encontramos com um amigo brasileiro. Na segunda vez, ano passado, eu fiquei quatro dias, visitei alguns pontos turísticos importantes como, por exemplo, o Museu do Louvre e a Catedral de Notre Dame.

Como este ano fui com amigos, eu revi alguns dos lugares que eu já conhecia, como Louvre, onde descobri que não havia visto tudo! Pois é, passei horas percorrendo salas pelas quais não havia passado na primeira vez. Passei mais dias, seis, e tive tempo de conhecer outros lugares. E olhem que ainda há muitos lugares em Paris que eu não pude ir. Ou seja, não descarto uma quarta visita à cidade.
 
Vista de Paris do alto da colina de Montmatre - o dia nublado não favoreceu muito, mas não deixa de ser uma vista muito bonita.
Mas vamos às novidades deste ano, começando com o bairro em que eu fiquei hospedada: Montmartre. Nós estávamos em quatro pessoas e reservamos um estúdio no Hotel Sofia. Mas como não conhecíamos a região levamos um susto no primeiro dia. Resolvermos visitar a Torre Eiffel e, claro, usamos o metrô. Optamos pela estação de Rochechouart, próxima ao hotel. 

O metrô em Paris geralmente é um lugar onde é preciso ter atenção redobrada por causa dos furtos. Mas não chega a ser algo intimidador. Mas aquela estação, em especial foi tomada por gangues. Imagine o susto que levamos. Retornamos ao hotel assustados e fomos orientados a usar a estação de Anvers, que era bem pertinho, também. Olha, a diferença era berrante: de uma quadra para outra parecia que tínhamos mudado de cidade. 

Não se pode dar bobeira no metrô de Paris, em nenhuma estação. Sempre há batedores de carteira, pessoas que se aproveitam da sua distração para abrir sua bolsa e tirar seu celular. Por isso as pessoas normalmente estão com os celulares nas mãos, pois os ladrões evitam abordagens diretas. Raramente há crimes violentos, mas os furtos são muito comuns. Brasileiros acabam se tornando alvos porque relaxam, afinal, não estão no Brasil. Um amigo meu chama isso de "mito do primeiro mundo", achar que na Europa não existem problemas de segurança como no Brasil e em outros países do Sul.

Montmartre nos assustou um pouco no início, mas depois fomos descobrindo seus recantos e se tornou um dos lugares mais agradáveis que conhecemos durante nossa estadia em Paris. E vou começar falando dele até para tirar a má impressão que eu possa ter deixado com minha péssima experiência no metrô.
Place do Tertre, onde ficam concentrados os artistas.

Montmartre fica em uma colina, de onde se pode ter uma privilegiada vista panorâmica de Paris. É um bairro boêmio famoso pelas suas casas de shows, sendo a mais famosa o Molin Rouge. O bairro só passou a fazer parte da cidade de Paris em 1860 e se tornou ponto de encontro de artistas e intelectuais como DegasCézanneMonetVan Gogh, Renoir e Toulouse-Lautrec por exemplo.

Tiramos um dia para andar por Montmartre. A primeira parada foi na Basílica do Sacré-Cœur (Sagrado Coração). Para quem estiver em Paris, ou planeja visitas a cidade, e quiser conhecer o local é bem fácil chegar. Basta pegar a linha 02 do metrô até Anvers (veja o mapa do metrô de Paris clicando aqui). Em três minutos chega-se à Basílica. Não tem erro. O Sacré-Cœur  fica na parte mais elevada da colina e é um dos símbolos mais famosos do bairro. 
Há muitas galerias em Montmartre. É possível passar o dia só por conta de visitá-las!
A basílica começou a ser construída em 1875 e foi terminada em 1914. É uma igreja muito bonita e as visitas são gratuitas. Vale a pena conhecer o local antes de partir para uma caminhada pelas ruas de Montmartre. Uma curiosidade sobre Montmartre é que, em tempos antigos a colina era considerada um lugar sagrado pelos gauleses, que lá realizavam cerimônias religiosas.


Em Montmartre o sagrado e o profano se misturam. O bairro é famoso pela boemia e desde a abertura dos primeiros cabarés passou a ser frequentado por pessoas consideradas marginais e de vida desregrada, como bailarinas, prostitutas, modelos, pintores e escritores. Por outro lado, acabou se tornando uma referência religiosa, a partir da construção da Basílica do Sacré-Cœur.

Vai um macarron aí?
Depois de visitar a Basílica, nos emprenhamos pelas ruas da parte alta do bairro, estreitas e charmosas, com muitas lojas, galerias e restaurantes. Tudo muito bem cuidado e muito atrativo para turistas. Uma Paris do século XIX, com todo o charme que um conjunto arquitetônico bem preservado pode oferecer.  E não podemos esquecer os pintores. Eles estão por todos os lados, mas se concentram especialmente na Place de Tertre, onde expõem seus trabalhos e fazem retratos de turistas.


E foi lá que pudemos saborear a deliciosa culinária francesa, num restaurante muito charmoso, que oferecia um daqueles menus especiais, com opções de entrada, prato principal e sobremesa. Pagamos €16,00 e comemos muito bem. Detalhe: água e cesta de  pães eram cortesia. 

Eu matei a vontade de comer uma das coisas que mais gosto e que não é fácil encontrar aqui no Brasil: sopa de cebola gratinada. E olhem que eu nem gosto de cebola! Mas a sopa de cebola francesa é fantástica. Como prato principal pedi uma carne cozida acompanhada com purê de batata e de cenoura. Como sobremesa eu escolhi crêpe Suzette
Eu ia colocar uma foto das comidinhas, mas preferi uma foro minha no restaurante. Adorei o local, simples e aconchegante.
Depois do almoço fomos ao Museu de Montmartre. Um museu dedicado ao bairro, aos artistas que lá viveram e à arte, de forma geral, especialmente a pintura, o teatro e o cinema. Não é um museu glamouroso, mas um espaço de memória destinado a manter viva a história de Montmartre. O prédio, um dos mais antigos da região, foi residência de diversos artistas como Renoir, Suzanne Valadon e Émile Bernard.

Um dos destaques do museu são seus jardins, que foram recriados a partir das pinturas de Renoir. Infelizmente, no inverno, eles não têm a mesma vivacidade do verão, mas ainda assim são muito bonitos. Na exposição permanente do museu há muitas referências ao Le Chat Noir, um cabaré francês no final do século XIX, situado em Montmartre, inaugurado em 18 de novembro de 1881 funcionou até 20 de março de 1897. Era considerado um dos mais modernos da sua época e se tornou ponto de encontro de poetas, escritores, pensadores, pintores e políticos.

 
Jardins do Museu de Montmartre, com vista dos fundos do edifício que abriga o acervo do museu. 


Pegamos, ainda, uma exposição sobre cinema em Montmartre, chamada de Matre Decór de Cinéma. Tudo muito bem organizado com um sistema de audioguia em vários idiomas. Não tinha em português, mas é possível entender perfeitamente em espanhol. O audioguia permite percorrer todos os recantos, dos jardins ao interior do museu, e ter informação sobre cada item e cada detalhe. Vale a pena visitar!

Nos dias que se seguiram eu fiz vários passeios, encontrei amigos, fui à entrega do Prêmio Artemísia (clique aqui para conferir) e, claro, aproveitei a liquidação de inverno para fazer compras. Um dos passeios que eu mais gostei foi ao Museu d'Orsay. Por sinal super-recomendado pela amiga Luciana Azevedo.
 
Museu d"Orsey, parte central, vista do terceiro pavimento.
O museu é maravilhoso, um dos mais interessantes que eu já visitei. Ele fica às margens do rio Sena, no prédio de uma antiga estação ferroviária construída em 1900.  Só isso já me agradou. Pegar uma estação antiga transformá-la em um museu magnífico, respeitando a arquitetura original, é um exemplo de como o patrimônio poder ser preservado e revertido para uso da comunidade. No Brasil o normal, no caso das estações, é destruí-las para construir prédios comerciais. Como aconteceu aqui em Leopoldina (MG), por exemplo.
 
Olha ele aí! O auto-retrato de Van Gogh! Lindo!
Museu d’ Orsay reúne obras de arte produzidas no período entre 1848 e 1914. Lá podemos encontrar pinturas, esculturas e fotografias feitas por mestres do impressionismo, pós-impressionismo e realismo, tais como de Monet e Manet, Vincent van Gogh, Matisse, Cézanne, entre outros mestres. 

Todos eles artistas que eu adoro, com destaque para Monet e Van Gogh. Eu fiquei literalmente sem ar quando de deparei com o autorretrato de Van Gogh. Uma jovem, que chegou um pouco depois de mim, até deu um gritinho de felicidade. Além das exposições permanentes havia uma exposição temporária, dedicada a Degas. Curiosamente, em dezembro, fui a uma apresentação de balé inspirada justamente nos quadros de Degas. 

Passei seis dias em Paris, se fosse falar de cada momento, acho que seria cansativo demais para quem desejar ler este post. Mas reafirmo: vale a pena ir a Paris quantas vezes forem possíveis. Sempre vai haver algo novo a ser visto. Dos grandes monumentos e museus às ruas estreitas e nostálgicas dos bairros da cidade. Paris oferece opções para todos os gostos. Não por acaso que a capital da França é uma das cidades mais visitadas do mundo.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

ROMA: LUZES, SABORES E HISTÓRIA

Palazzo di Giustizia ou Palácio de Justiça é a sede da Corte Suprema di Cassazione.
Este ano eu resolvi me aventurar um pouco mais e montei um roteiro de viagem passando por seis países durante o mês de janeiro e pegando os dois primeiros dias de fevereiro. A minha primeira parada foi Portugal, de lá fui para a Itália, mais especificamente para  a cidade de Roma. Permaneci lá por cinco dias.

Roma é uma cidade que mexe com as sensações. E com o meus dois pontos fracos: história e massas! E eu acho que abusei das duas coisas.
 
O macarrão na Itália é tão bom, que dá vontade de só comer todos os dias (e eu comi!).
Imaginem o que é para mim estar numa cidade que pode ser considerada o berço da civilização ocidental?

Ver ruínas romanas de perto não é necessariamente uma novidade. Em Portugal existem muitas. Mas ver as ruínas da cidade de Roma, onde tudo começou, a capital de um dos maiores impérios do mundo, lugar por onde passaram tantos personagens célebres, de imperadores a poetas, é algo de tirar o fôlego.
 
O Castelo de Santo Ângelo, também conhecido como Mausoléu de Adriano.
Lembrar de Roma, por si só, já é emocionante. Se eu resolvesse colocar em palavras todas as minhas experiências naquela cidade eu não escreveria uma postagem, mas um livro. Então, eu selecionei algumas passagens que eu considero significativas.

No primeiro dia fui com os amigos a um charmoso restaurante e pedimos o menu promocional. Aliás, eu faço isso sempre. Dependendo da cidade ou país o menu do dia costuma trazer uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Há casos em que o restaurante oferece uma cesta de pães e água como cortesia. 
Basílica de São Pedro, a noite.
Na Europa eu nunca pedi um menu com valor superior a 16,00 e sempre comi muito bem. Mas é aquela coisa, eu não como muito. Para aqueles que gostam de ser fartar é um pouco mais difícil e mais caro achar um restaurante que lhe satisfaça. Mas há jeito para tudo.

Destaco este restaurante não por ele ter sido o melhor, mas por ter sido o primeiro em Roma. No geral, lá tudo delicioso: as massas, os pães, os gelatos e os vinhos. Tudo é muito saboroso e é difícil você não encontrar uma coisa que realmente goste em Roma. Há comida para todos os gostos.
 
As fontes em Roma são maravilhosas. Esta foi uma das que eu mais gostei: Fontana di Nettuno (Piazza Navona).

Daí vamos para meu segundo momento. Chegamos à praça São Pedro, à noite, achando que encontraríamos tudo vazio e fechado. Mas, ao contrário, encontramos muito movimento e a decoração de Natal ainda lá, nos proporcionando um show de luzes inesquecível.

Um amigo certa vez me disse que Roma era uma cidade solar. Mas pra mim Roma vai ficar na memória como uma cidade noturna, onde a iluminação oferece um encantamento sem igual. Faz toda diferença, por exemplo, visitar a Fontana di Trevi durante o dia e durante a noite. A noite eu achei muito mais romântica, e olhe que não me considero uma pessoa romântica. 
O Panteão é um dos prédios
da antiguidade romana mais bem
conservados. Pena que a luz
não favoreceu a foto.
No dia seguinte fizemos um longo passeio, que se estendeu até a noite, e pude ter meu primeiro encontro com os monumentos antigos de Roma.  E são eles que eu quero destacar nesta postagem.

O primeiro foi o Panteão. Criado para abrigar as divindades romanas, o prédio de aproximadamente 2000 anos atravessou o tempo e hoje é um templo católico, onde estão sepultadas figuras ilustres como o pintor renascentista Rafael e o rei Victor Emanuel II, um dos líderes da unificação italiana. Estar no Panteão é presenciar 2000 anos de história italiana. E não é qualquer história: é aquela que meus alunos aprendem na sala de aula. 

E tem ainda o Coliseu! Pois é, ele mesmo. Em toda a sua grandeza, ali na minha frente. Minha vontade era correr em volta dele, como uma criança. Infelizmente, chegamos lá tarde e não foi possível fazer a visita, mas retornamos no dia seguinte. Foi majestoso. 

Compramos um pacote que dava acesso ao Coliseu, ao Paladino e ao Fórum Romano. E o melhor de tudo é que tínhamos um guia. Com ele aprendemos toda a história do Coliseu, o que o tornou ainda mais impressionante. Eu cheguei a gravar uma pequena parte da visita guiada. Cinco minutos que valem a pena ser assistidos.


Do Coliseu fomos para o Palatino e para o Fórum Romano. Lá também tínhamos uma guia, muito simpática, que foi contando a história do lugar e apontando as construções mais importantes. Eu gastei pelo menos três horas e meia no passeio. Foi o tempo e o dinheiro mais bem gasto em toda a minha viagem.

Mas o que tem de importante no Palatino?

A cidade de Roma é formada por sete colinas e foi justamente na colina do Palatino que a cidade teve sua origem. Segundo a lenda, foi lá que os gêmeos Rômulo e Remo foram amamentados pela loba. Por essa razão, muitos imperadores escolheram o locam para construírem suas casas. Ali também ficavam as casas de famílias patrícias importantes, que queriam viver à sobra dos imperadores.
 
Vista do Fórum Romando do alto do Palatino.
Bem ao lado (e é até difícil dizer onde começa um e termina o outro) fica o Fórum Romano, o centro político e comercial da cidade. Naquela região concentrava-se a maior parte da população, que foi se espalhando e ocupando outros espaços à medida que a cidade foi crescendo. 

Vou contar para vocês, eu andava pelas ruínas, parava, respirava fundo e tentava imaginar como era a vida ali há mais de 2000 anos. Doideira, né? Mas foi mais ou menos assim. Eu nem percebia as pessoas ao meu redor, e certamente elas não me percebiam, também.
Foto do interior da Basílica de São Pedro.

Para encerrar, vou retornar onde comecei: no Vaticano. No domingo, dia 08 de janeiro de 2018 fomos visitar a Basílica de São Pedro. Quando eu entrei na Basílica eu pensei comigo: nunca mais vou conseguir achar outra igreja tão bonita. A Basílica é indescritível. São obras de arte maravilhosas unidas a uma arquitetura de tirar o fôlego. 

E quando eu achei que nada mais iria me impressionar eu me deparei com a Pietà de Michelangelo. Para quem não sabe, a Pietà é um tipo de arte cristã que representa o sofrimento de Nossa Senhora com o corpo morto de Jesus nos braços. A Pietà de Michelangelo é uma escultura em mármore maravilhosa. E olhe que nesta viagem eu vi muitas esculturas e nenhuma, na minha opinião se iguala a ela. Foi devastador, até porque confesso que não sabia que ela estava lá.
A foto não ficou muito boa, mas quem se importa? Eu vi a Pietà de Michelagelo, uma das obras de arte que eu mais amo.
E pra fechar a viagem tivemos o Angelus, a benção do Papa. Pois é, vi o Papa Francisco! De longe, mas vi! Aos domingos o Papa dá uma benção para quem estiver na praça São Pedro (que estava lotada, claro). Ela dura 10 minutos. Há um telão que permite ver de perto o Papa (que fica na janela da biblioteca do Vaticano) e um equipamento de som muito potente. Tudo muito organizado, devo dizer.

Sobre Roma eu poderia ainda escrever muita coisa. Só sobre o Panteão e o Coliseu seriam várias páginas. Eu poderia falar de muitos outros lugares que eu visitei, como os subterrâneos da Basílica de São Clemente, uma verdadeira capsula do tempo, as fontes e os museus. Mas, como eu disse, uma postagem não seria suficiente. 
 
Multidão reunida na Praça São Pedro para a benção do Papa.
Pra quem quer ir um dia ir a Roma eu posso dizer algumas coisas, da minha recente experiência: dá pra passear muito e gastar pouco. Dá pra para se divertir, tirar fotos, ir a lugares fantásticos. Basta planejar. A comida é ótima, a cidade é linda e o clima é sensacional. Não importa se no verão ou no inverno, Roma é uma ótima pedida em qualquer estação.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PORTUGAL É SEMPRE PARADA OBRIGATÓRIA

Vila de Óbidos (Portugal).
Uma das coisas que eu ouvi nos dois últimos anos é: mas você foi a Portugal de novo? As pessoas acham que visitar um país é bater o carimbo na imigração e conhecer uma ou duas cidades. Não é bem assim.  Já fui três vezes a Lisboa e a cada vez que vou encontro alguma coisa que ainda não vi. Ademais, Portugal é um país culturalmente muito rico e com belíssimas paisagens. Mesmo que eu fosse todos os anos passar minhas férias lá, haveria muito ainda a ser visto.

Então, sim, fui a Portugal de novo e conheci coisas novas. E pretendo voltar sempre, que fique claro, porque ainda há muitos lugares onde eu quero ir. Desta vez fiquei poucos dias em Lisboa. Eu cheguei, permaneci três dias, viajei, retornei, me reorganizei, viajei novamente e, por fim, passei meus  últimos quatro dias de férias lá antes de retornar para o Brasil.


Um dos charmosos becos
de Óbidos!
Eu escolhi Portugal como minha base na Europa. Não porque lá se fala português, embora isso seja importante, mas porque sair de Portugal para outros países é muito fácil. Além disso, fiz muitas amizades lá e quem me conhece sabe que eu valorizo muito meus amigos e gosto de estar com eles. Viajar sozinha é muito bom, mas estar com pessoas queridas, também é. Se eu puder ter as duas coisas, melhor ainda.

Mas além de reencontrar os amigos queridos, fazer compras (porque em Portugal tudo sai muito mais barato do que em outros países) eu ainda fiz alguns passeios. E o melhor deles foi a Óbidos.

Óbidos é uma encantadora vila medieval que fica a cerca de 90 km de Lisboa. Óbidos pertence ao distrito de Leiria e que  possui cerca de 12.000 habitantes. A cidade se localiza dentro de uma grande muralha erguida durante o período da ocupação romana na península Ibérica. Daí a origem do seu nome "Óbidos", que  de ópido que significa cidade fortificada. 

E é muito fácil chegar até lá. Da estação de Campo Grande, em Lisboa (ao lado do Estádio da Luz ou Estádio do Sport) saem ônibus (autocarros) de hora em hora. A passagem é barata, cerca de €7,50. Então, com mais ou menos €15,00 você faz um passeio excelente e com todo o conforto.
 
Detalhe das antigas muralhas
romanas de Óbidos.
A viagem em si é muito agradável, com lindas paisagens rurais. Você ainda tem a oportunidade de ver de perto os parques eólicos, formados por grandes torres equipadas com pás (hélices) - os aerogeradores - que ao rodarem com a força do vento, movimentam o gerador elétrico e produzem eletricidade. Eu particularmente acho fascinante esta mistura de tecnologia com a paisagem rural. 

Mas vamos voltar a Óbidos. 

Em 1148, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, durante a Guerra da Reconquista, tomou a cidade dos mulçumanos e a ofereceu de presente de casamento para a futura esposa D. Isabel. Posteriormente a vila tornou-se propriedade de muitas outras rainhas, dando à localidade certos privilégios, sem falar que a vila recebeu cuidados especiais que podem ser percebidos no grau de preservação de seus edifícios.
Detalhe: a decoração com azulejos na entrada da vila.

E as surpresas começam já na entrada principal da vila, decorada com azulejos tradicionais portugueses, representando a Paixão de Cristo. Eu me demorei observando e fotografando o local, sob o som maravilhoso de um violino, tocado por um artista de rua. Andar pela cidade em si já é uma experiência fantástica. É como voltar no tempo. Suas lojas, as barraquinhas que vedem ginja, licor tradicional português, a base de frutas silvestres e característico daquela região, além dos tradicionais doces portugueses. E é claro, havia também as castanhas assadas.

Uma das coisas que mais me impressionou foi uma pequena igreja que fica ao lado da entrada do Castelo de Óbidos, a principal atração da cidade e onde se realizam durante o ano importante festival como o Festival Literário e o Festival do Chocolate. O castelo, assim como a muralha, não mantém todas as suas características originais porque foi muito abalado pelo terremoto de 1755. No século XX sofreu varias reformas e tornou-se a primeira pousada do Estado.
 
Igreja São Tiago que se tornou a livraria Santiago.
Mas voltando à igreja, ela me impressionou porque foi transformada em uma livraria. É a Igreja de São Tiago, que também sofreu os efeitos do terremoto de 1755 e que mesmo depois da reconstrução ficou durante muito tempo abandonada. Em 2013, o dono da livraria lisboeta Ler Devagar decidiu transformá-la em um espaço voltado à leitura: a Livraria Santiago. Desse projeto nasceu o festival literário que ocorre em Óbidos todos os anos.

Eu recomendo muito um passeio à vila. Eu já conheci muitos lugares na Europa e as vilas e cidades menores sempre me marcaram muito. Gosto da beleza da simplicidade das casas, dos pequenos restaurantes rústicos, das ruínas e do verde que se mistura à paisagem urbana. Além disso, é um passeio barato. 
Parada para tomar um vinho e fazer um lanchinho!
Viajar pela Europa (ou mesmo pelo Brasil) não precisa ser caro. Há como se divertir, descansar e aprender muito indo a localidades como Óbidos, onde observar, sentir os aromas e tomar uma taça de vinho sob a sombra de uma muralha romana pode deixar marcas muito mais profundas do que uma visita ao Louvre.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MINHAS FÉRIAS DE 2018: COMEÇANDO MEU DIÁRIO DE VIAGEM

Curtindo um friozinho
em Estocolmo
Ano passado eu fiz uma longa viagem que durou cerca de 22 dias. Passei por 3 países: Portugal, França e Suécia, visitei Paris, Estocolmo, Lisboa e Angoulême. O objetivo principal da viagem era participar do Festival de Angoulême, os outros passeios que fiz foram bônus. 

Este ano eu resolvi ampliar minha estadia e ir a outros lugares, retornar a cidades que me marcaram e lá buscar por novas experiências. Eu pretendia fazer um diário detalhado da viagem, em tempo real, mas faltou tempo. Sério, eu me ocupei tanto nos 33 dias em que estive viajando que não sobrou tempo para escrever.  

Assim farei apenas um relato resumido, com direito a fotos e vídeos. Não vai ser tão detalhado como eu desejava, mas vou tentar passar o máximo de informações. Mas adianto que foi uma viagem repleta de emoções e de muita alegria. 

Serão cerca de seis postagens, durante esta semana e a próxima, cada uma falando de uma cidade que eu visitei, do que eu mais gostei e do que eu recomendo para quem deseja planejar suas férias fora do Brasil. Porque, gente, na boa, não precisa ser rico para conhecer Paris e nem para ir a Roma. É preciso ter uma meta e tomar coragem para se aventurar.

Não digo que todo mundo um dia vai poder fazer o que eu ando fazendo nas minhas férias de janeiro, mas dá para viajar e se divertir com muito menos do que a maioria das pessoas imagina. E a cada viagem a gente aprende o que "não se deve fazer" e o que é necessário para se divertir sem precisar ficar contando o dinheiro do almoço.
Ricardo e Roman - que me receberam em Mulhyttan (Suécia)
O importante é o planejamento. Coisas básicas como comprar passagem com muita antecedência, pesquisar preços de hotel e ter paciência para procurar por restaurantes que ofereçam um menu mais barato. 

Antônio Marcos, Hanna e Ana Cristina
Além disso, muitos passeios e atrações podem sair em conta. Por exemplo, Estocolmo tem cerca de 80 museus e a maioria deles é de graça. Em Paris pode-se visitar lugares e monumentos sem precisar pagar ingresso. Em Roma, caminhar pela cidade pode te levar a lugares lindos, onde não se paga para apreciar a bela arquitetura. Enfim, vamos ver cada caso. 
Fátima, Mário e Pedro - em Lisboa (Portugal)
Mas uma coisa eu posso adiantar, já na primeira postagem: o mais importante de uma viagem são as pessoas. As pessoas que te acompanham, as novas amizades e os amigos que você reencontra. Até os "maus momentos" são bons. Então, eu vou começar com aquilo que deveria estar no final do meu relato: os agradecimentos.
Laís e Lívia, em Casablanca (Marrocos)
Agradeço a Ana Cristina, Antônio Marcos e Hanna pela companhia e pela paciência durante 17 dias. Agradeço a Pedro, Roman e Ricardo por me acolherem em suas casas; a Marcela, André, Mário e Fátima pelos momentos agradáveis regados a vinho; a Thomas Karlsson, Malin Biller, Sérgio, Yves Frémion, Ola Hammarlund e Ola Hellsten por terem reservado tempo para mim e por terem me acompanhado; a Chantal Montellier e Cecília Capuana pelo carinho e acolhida; Karin, Stefan, Dalva, Marcelo, Lívia e Laís pela sua amizade.