quarta-feira, 6 de junho de 2018

INSCRIÇÕES PARA O V CONCURSO LITERÁRIO DA ALLA


Já estão abertas as inscrições para o V Concurso Literário da ALLA. O evento é promovido pela Academia Leopoldinense de Letras e artes e está aberto a todas as escolas do município e ao público geral. A temática é livre. As categorias são:
1. Poesia
2. Cartum/charge
3. Resenha
4. Conto
5. Crônica
6. Relato de experiência pedagógica

As inscrições para o Concurso Literário deverão ser realizadas entre 8 horas do dia 01 de junho de 2018 e 18 horas do dia 15 de junho de 2018, exclusivamente on line. Para mais informações, consulte o edital do concurso no site da ALLA, clicando aqui!

terça-feira, 5 de junho de 2018

ARTIGO PUBLICADO NA PAPIERS NICKELÉS SOBRE MALIN BILLER

Na edição # 55 da revista Papiers Nickelés, de dezembro de 2017, saiu um artigo meu sobre Malin Biller, quadrinista muito popular na Suécia. Eu sou uma admiradora do trabalho dela, que inclusive, foi exposto aqui no Brasil, em Leopoldina (MG), em uma exposição sobre quadrinhos, em maio de 2017.

O artigo é sobre a obra e a trajetória da autora, que me deu uma entrevista via e-mail, ano passado, que eu publiquei aqui no blog (clique aqui para conferir), e com quem eu me encontrei pessoalmente este ano, em Gotemburgo (clique aqui para conferir). 

Segue o meu texto, Malin Biller, bédessinatrice suédoisesobre a autora:
Clique na Imagem para ampliar!
O texto fez parte de um dossiê especial  sobre ilustradores e contou com vários artigos:

1914-18, une guerre féminisée ? Les dessinatrices en guerre I par Antonin Erwan

Enki Bilal, disque disque rage... par Dean Corso

L’histoire d’une image par Patrick Cohen

Vip flingue l’Amérique par Théophraste Epistolier

Le secret de l’énigme du piège diabolique de la Fondation Jacobs par Yves Frémion et Claude Haber

Le prix Papiers Nickelés-SoBD

Cahier central : spécial illustrateurs par Yves Frémion
Suzanne Ballivet froufroute
Caprioli chasse la baleine
En l’an 3000 avec Henriot
’’L’île au trésor’’ de Van Rompaey
Les ’’Tribunaux comiques’’ de Xaudaro
Les cartes de voeux de la ’’Série Kaempfer’’



sexta-feira, 27 de abril de 2018

ARTIGO SOBRE HUMOR E RESISTÊNCIA DURANTE A DITADURA MILITAR


Semana curta, mas produtiva. Tive um artigo aceito para publicação na revista Pesquisa & Educação a Distância, da Universidade Salgado de Oliveira. O artigo é sobre O Pasquim e a resistência através do humor, durante a Ditadura Militar no Brasil. Eu cheguei a apresentar meu trabalho durante um congresso, mas ele não havia sido publicado. Agora apareceu a oportunidade. 

Veja o resumo e, se interessar, clique aqui para ler o texto completo, em pdf

O Pasquim e o papel do humor na resistência contra a Ditadura Militar
O presente trabalho busca analisar o humor gráfico como instrumento de resistência durante a ditadura militar no Brasil a partir de O Pasquim, periódico que circulou durante duas décadas e que nasceu sob a égide do AI-5, no ano de 1969. A partir do humor irreverente, O Pasquim conquistou público e driblou a censura imposta pela ditadura a todos os meios de comunicação. Esse periódico acabou se transformando em um modelo de jornalismo alternativo que iria ser imitado por outros periódicos. O humor como forma de resistência o nosso objeto de estudo no presente texto. Entendemos como resistência um como um processo sociocultural, conforme,definiu Pierre Laborie, uma tomada de consciência acerca de determinada situação que pode levar a ações subversivas contra o elemento opressor. A partir da análise de charges e cartuns publicados no Pasquim, desejamos demonstrar a importância dos cartunistas e da impressa alternativa em combater as imposições do regime militar. Ao mesmo tempo, o Pasquim buscava levar informações ao grande público, chamando a atenção para os abusos do regime e, desta forma, tentar promover a conscientização política que, de outra maneira, não seria possível. O humor foi apropriado e transformado, portanto, num instrumento de resistência que não pôde ser calado durante os anos da ditadura militar no Brasil.

A PRINCESA LEOPOLDINA ESTEVE REALMENTE EM LEOPOLDINA (MG)?

Princesa Dona Leopoldina (1864)
Fonte. Wikepédia
Esta semana eu fui convidada para fazer uma  pequena apresentação para os alunos do 2º ano do ensino fundamental sobre a História de Leopoldina (MG), afinal, estamos comemorando os 164 anos de emancipação do nosso município. 

Uma das perguntas que as crianças sempre fazem é se a Princesa  Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (1847-1871), filha caçula do Imperador D. Pedro II (neta da Imperatriz Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, no Brasil Maria Leopoldina, a primeira esposa do imperador D. Pedro I e mãe de D. Pedro II), esteve em Leopoldina. 

A resposta para essa pergunta é não. 

Após a apresentação, uma mãe questionou isso novamente com uma das professoras, afirmando que a princesa veio sim, acompanhada de D. Pedro II, e que há fontes que comprovam isso. Chegou até a citar um memorialista famoso, que escreveu sobre a nossa cidade, para reforçar seus argumentos. Como eu tenho o livro, fui conferir e não encontrei nada. Assim como nunca esbarrei com nenhuma fonte bibliográfica ou documental que faça alusão a isso. 

Este tipo de situação acontece com frequência comigo e acredito que com professores do Ensino Fundamental, nos primeiros anos, mais anida. Resolvi apresentar, então, alguns fatos que vão ajudar os professores e professoras a responder a esta pergunta com facilidade e segurança.

No ano de 1854, por época da emancipação de Leopoldina (MG) e da elevação do arraial a vila, o novo município foi nomeado de Leopoldina para homenagear a princesinha, que naquela época tinha apenas sete anos de idade. Existe um história folclórica (passada de boca em boca) de que a princesa esteve aqui por época da emancipação e por isso o município levava seu nome.

Algo bem improvável, a começar por conta do acesso.  A ferrovia só começou a operar na nossa região em 1874. Até então a viagem da Corte (Rio de Janeiro) para Leopoldina (MG), era realizada de forma precária, por estrada. Além disso, qual seria a motivação para que Dom Pedro II submetesse sua filha caçula a uma longa viagem para uma localidade pouco conhecida e de povoamento recente? Eu não consigo encontrar nenhuma.

Por que da homenagem, então? A escolha do nome do município teve, provavelmente, motivações políticas. Nomear um recém criado município, no interior de Minas Gerais, com o nome da filha do Imperador dava à localidade  visibilidade na Corte, isso muito antes do município começar a se destacar com a produção de café. 

E aqui temos uma informação que talvez seja mais preciosa para os professores de Leopoldina. A Princesa Leopoldina, dez anos depois,  casou-se no dia 15 de dezembro de 1864 com Luís Augusto Maria Eudes de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe e Coburgo, tendo partido do Brasil para  viver com o marido na Áustria, onde veio a falecer ainda muito jovem, em 1871. 

Muitos leopoldinenses afirmam categoricamente que a Princesa Leopoldina teria visitado o nosso município em 1881, juntamente com seu pai, Dom Pedro II, algo improvável pois, como vimos, a princesa já havia falecido há mais de uma década. Quem acompanhou o Imperador na viagem que fez durante 36 dias pelo interior de Minas Gerais foi a Imperatriz Dona Tereza Cristina. Citanto o memorialista Barroso Junior:

"(...) no dia 30 de abril, Leopoldina marcava nos seus faustos a visita altamente desvanecedora das Suas Majestades Imperiais D. Pedro II e D. Cristina que em sua pequena comitiva, concluíram naquela cidade, sua longa peregrinação pela província de Minas."
JUNIOR, Barroso. Leopoldina e seus primórdios. Leopoldina, 1943, p. 51.

Situações assim, acredito eu, reforçam a necessidade de se ensinar e estudar História Local nas escolas. Os professores precisam estar informados e instruídos sobre o tema para que possam ter mais segurança ao discorrerem sobre ele. E quando digo isso não estou de forma alguma desqualificando o trabalho docente, mas chamando a atenção para o fato de que há necessidade de investir na formação, na produção de material didático e na atualização dos nossos profissionais. 

Afinal, não se pode exigir dos nossos professores e professoras  um conhecimento ao qual eles e elas não se têm o devido acesso.

*****
Para saber mais sobre a Princesa Leopoldina, clique aqui.

sábado, 7 de abril de 2018

AVENTURAS EM CASABLANCA

Mesquita Hassan II.
Encerro minhas postagens sobre minhas férias com Casablanca, Marrocos. Mas o que eu fui fazer em Casablanca, no noroeste da África? Acontece que, em busca de passagens mais baratas, eu experimentei viajar este ano pela Royal Air Maroc, com escala em Casablanca. No voo de ida a escala durou cerca de duas horas e meia, mas no retorno foram vinte e uma horas, o que permitiu que eu conhecesse um pouquinho de Casablanca. 

Vou começar falando da Royal Air Maroc. O preço das passagens foi bem mais baixo, comparado à outras companhias. A companhia foi pontual, não posso reclamar. O atendimento em terra foi o melhor possível. Por exemplo, em Casablanca, na volta, eu cheguei e fui conduzida para um hotel, onde fiquei muito bem instalada, com direito a jantar de café da manhã por conta da companhia. 

Já a aeronave, deixou um pouco a desejar em dois sentido: os banheiros não são bons e meus sapatos pareciam estar grudando no chão. A tripulação, por outro lado, foi atenciosa. Não foi a melhor aeronave na qual voei, em termos de limpeza, mas foi um voo tranquilo e relativamente confortável. 

Mininécessaire de plástico com máscara para os olhos e meias que a empresa oferece aos passageiros da classe econômica.
Na classe econômica recebi um um cobertor, um travesseiro e uma mininécessaire de plástico com máscara para os olhos e meias. Gostei da mininécessaire, nunca tinha ganhado nada mais do que fones de ouvido e cobertores durante a viagem. Aliás, ganhamos fones, também, por sinal de ótima qualidade. As  refeições estavam muito boas, também, e havia bebidas a vontade, como vinho, café, chá e refrigerantes. Achei interessante que a sobremesa sempre vinha acompanhada de uma barra de chocolate. Eu guardei as minhas e ainda ganhei as dos meus colegas de viagem. 

Eu confesso que meu maior medo era em relação à minha bagagem. Casablanca não tem uma fama muito boa, sendo famosa pelos extravios. Mas correu tudo bem. E ainda posso dizer que foi a empresa que melhor cuidou da minha bagagem: minhas malas foram embaladas e chegaram sem um arranhão e com o conteúdo intacto, o que não posso falar de outras empresas aéreas: todo ano eu tenho uma mala quebrada ou rasgada quando viajo para a Europa. 

Com as amigas Ana Cristina e Hanna (ao fundo) numa loja que vende artigos típicos marroquinos no aeroporto de Casablanca, durante a primeira escala, indo para Portugal. 

Se me perguntarem se eu viajaria de novo pela Royal Air Maroc, eu diria que sim. Somando prós e contras, é uma companhia confiável. Mas deixo um alerta: apesar de eu não ter tido problemas no aeroporto, não aconselho muitos sorrisos com os funcionários, principalmente da imigração, e especialmente se você for mulher. Eu ouvi relatos de várias brasileiras que encontrei por lá que não foram nada animadores. A polícia de fronteira de Casablanca não é muito simpática com mulheres, principalmente as que viajam sozinhas. 

Sobre o aeroporto de Casablanca, uma coisa que me chamou a atenção é a diversidade étnica. Pessoas vestidas com trajes típicos, exóticos e lindos. Minha vontade era fotografar cada um, principalmente as mulheres, mas eu me contive, pois não sabia qual seria a reação dos fotografados. E eu não estava errada! Em Casablanca passamos por um incidente justamente porque uma colega de viagem brasileira achou que seria interessante fotografar um policial: vai por mim, NUNCA FAÇA ISSO.

Vista da janela do meu quarto de hotel, em Casablanca, onde fiquei hospedada por uma noite, cortesia da companhia aérea para os passageiros com longas escalas.

Outra coisa foram os preços dos produtos que eram todos em euro. Aliás, todas as transações que eu fiz foram em euro. A moeda oficial do país, o Dirrã marroquino, não é muito usada pelos estrangeiros. Nem vale a pena ir a uma loja de câmbio se você for fazer como eu e ficar apenas um dia. No entanto, se sua viagem for durar mais tempo, sempre é bom ter um pouco da moeda local em mãos. Se for esse o caso, o mais seguro é fazer o câmbio no aeroporto, pois lá eles não cobram taxa de serviço.

É surpreendente a quantidade de brasileiros que viaja via Marrocos para a Portugal e outros países africanos. No hotel eu encontrei brasileiros de todas as partes. Desisti de falar em francês, porque praticamente só se ouvia pessoas conversando em português. E não foi difícil fazer amizades e ter companhia para passear em Casablanca. 

Eu, Laís e Lívia (ou seria Lívia e Laís?)

Eu conheci, entre outras pessoas, duas gêmeas, Laís e Lívia, que estavam retornando de Portugal, depois de passarem uma temporada por lá, fazendo trabalho social com idosos. Não apenas elas, na viagem eu encontrei vários estudantes que passaram as férias se dedicando a ajudar os outros, em missões religiosas ou participando de programas humanitários. Espero que, voltando ao Brasil, eles continuem fazendo isso, pois Deus sabe quantos brasileiros precisam de quem lhes estenda a mão.

Uma curiosidade: uma das gêmeas vai ser aluna este ano de um ex-aluno meu aqui de Leopoldina (MG), que é professor na UFOP. Loucura, né? Mundinho pequeno esse! As duas foram minhas companheiras de aventuras em Marrocos.  

Pedacinho da Mesquita Hassan II, porque nem filmando dá pra mostrar ela toda. É uma construção monumental.

Como nosso voo só iria sair a tarde, nós tomamos o café da manhã e combinamos com um taxista de nos levar para conhecer a cidade. Na porta do hotel havia vários taxista que, por cinquenta euros, levam os turistas para conhecer a cidade. O passeio dura três horas e é suficiente para ir conhecer a principal atração de Casablanca: a Mesquita Hassan II. 

Do hotel até a Mesquita foram mais ou menos uma meia hora de carro, só que nós saímos um pouco tarde, então não pudemos ficar muito tempo passeando. No caminho, passamos pela orla, muito bonita por sinal. O taxista até insistiu que parássemos para passear na praia mas, como eu disse, o tempo era curto.

A Mesquita Hassan II foi  inaugurada em 1993 é o mais alto templo do mundo e a segunda maior mesquita do mundo, perdendo só para Meca. Ela tem uma sala de orações com capacidade para acolher 25 mil fiéis. É uma das poucas mesquitas do mundo que permite a entrada de não muçulmanos, pena que eu não tinha tempo suficiente para fazer o passeio completo. Aliás, só andar do lado de fora da mesquita já foi um desafio. 


O passeio em Casablanca, no final das contas foi um bônus. Eu gostei muito, apesar de ter ficado apreensiva em alguns momentos, até por conta das histórias que eu ouvi de outras brasileiros. Mas, no final deu tudo certo e chegamos ainda a tempo de pegar o transfer para o aeroporto. 

Uma curiosidade: só entra no aeroporto quem vai viajar. Há uma fila enorme na entrada principal, onde os passageiros mostram obrigatoriamente a passagem e o passaporte. A bagagem também passa por inspeção. O policiamento é intenso e chega até a assustar um pouco. Acho que nunca tive que mostrar meu passaporte tantas vezes durante toda a viagem.  O resto da viagem foi super tranquila.  O avião saiu na hora e eu tive ótimos colegas de viagem, com quem conversei bastante. 

Agora é começar a juntar os trocados para as férias de 2019! 

sexta-feira, 23 de março de 2018

PALESTRANDO NA ÖREBRO KONSTSKOLA

Örebro Konstskola localiza-se no antigo regimento militar de Örebro (Royal Houshold Grenadiers)e dela faz parte um conjunto de prédios, sendo este o principal, onde fica o a administração, além de ateliês utilizados pelos alunos.
Em abril 2016 eu tive minha primeira experiência falando para um público estrangeiro, na Bedeteca de Amadora, em Portugal. Foi até bem tranquilo, afinal falar em português não é um grande problema, embora eu sempre fique nervosa quando estou diante de um público desconhecido.  Comigo varia de dia para dia. Às vezes a fala sai naturalmente, às vezes eu dou umas engasgadas. 

Mas falar em outro idioma, em uma instituição estrangeira? Não era exatamente algo que eu pretendesse fazer um dia. Mas foi o que aconteceu. Fui convidada para falar sobre quadrinhos no Brasil para uma turma de alunos e professores da  Örebro Konstskola (Örebro Art College), na Suécia. A Örebro Konstskola é a mais antiga escola de artes de Örebro e muito prestigiada como escola preparatória para  a Royal Art Academy of Sweden. 

Prédio onde eu fiz minha palestra. 

Na Suécia os quadrinhos conquistaram um status significativo nas últimas décadas. Além de escolas conceituadas como a Escola de Quadrinhos de Malmö, alguns institutos de arte e universidades possuem a disciplina em seu currículo. Os quadrinhos lá são respeitados e tratados como uma manifestação artística legítima. 

O convite partiu do diretor Peter Ekström, a partir de conversas com o meu amigo Thomas Karlsson. Peter Ekström,  é um artista e jornalista sueco e além de diretor da Örebro Konstskola é, também, editor da revista eletrônica Kulturdeldelen. Aliás, Ekström foi muito amável comigo, e até me presenteou com algumas amostras do seu trabalho. Muito gentil, assim como os outros professores com quem conversei, rapidamente. 

Confesso que, no início, eu achei que iria falar por uns 20 minutos para uma turma de alunos, possivelmente adolescentes, de uma escola técnica. Culpa minha, não entrei em muitos detalhes. Qual foi a minha surpresa quando percebi que o público seria diferente e que não seriam apenas 20 minutos.

E falei em inglês! O tempo todo! Aliás, sob pressão eu encontrei vocabulário onde eu nem sabia que existia. Minha professora de inglês, Lindsey, teria ficado orgulhosa de mim. Até arrisquei conversar com algumas alunas, depois da palestra. Uma delas me mostrou seus quadrinhos, cômicos e conversamos por um bom tempo sobre eles. 
Arte exposta na entrada do prédio
principal Escola de Arte.

Uma coisa que achei super interessante é que havia na sala alunos com deficiência auditiva e, para eles, havia duas intérpretes em libras, que iam se revesando. Um exemplo de inclusão que eu nunca havia presenciado pessoalmente. Achei fantástico. 

Para a minha  surpresa eu acabei descobrindo, muito tempo depois, que a minha apresentação foi meio que uma "aula inaugural" (não consegui encontrar outro termo) para a recém-formada Comic Art School de Örebro, que deve começar a funcionar a partir do próximo outono sueco. Olha a responsabilidade! 

Mas apesar do sufoco, foi uma experiência extraordinária, que eu até gostaria de repetir, mas com um inglês um pouco mais treinado, claro!

quinta-feira, 22 de março de 2018

EM GOTEMBURGO COM MALIN BILLER


Com a maravilhosa Malin Biller, em Gotemburgo.
É difícil para mim separar trabalho de lazer, porque eu realmente gosto do que eu faço. Por isso, durantes as minhas férias de janeiro, eu tirei um tempinho para fazer novos contatos e ter novas experiências, tanto no campo educacional quanto na pesquisa em quadrinhos. 

Não foi a toa que eu quis ir a Bruxelas, na Bélgica, considerada por muitos a capital europeia dos quadrinhos, por exemplo. Eu me diverti e aprendi muito por lá. Na França, eu fui à entrega do Prêmio Artemísia. Na oportunidade eu reencontrei Chantal Montellier e Cecília Capuana e ainda conheci outros quadrinistas, jornalistas e pesquisadores. Tirei ainda um tempinho para visitar a redação da revista Papiers Nickelés, em Paris, para qual eu contribuo com artigos sobre história dos quadrinhos. 

Na Suécia não foi diferente. Em Estocolmo eu me encontrei com os amigos Ola Hammurlund e Ola Hellstein, que conheci ano passado, na minha primeira ida a Estocolmo. Ola Hellstein, por sinal, me presenteou novamente com um livro sobre quadrinhos, desta vez focado na educação. Por sinal, eu estou ansiosa para começar a ler, se o doutorado e o trabalho na escola me permitiram. Aproveitei para deixar meu livro com ele, para a Serieteket de Estocolmo. 

Uma vez em Örebro, eu aproveitei a oportunidade para dar uma esticadinha até Gotemburgo e encontrar uma pessoa que eu acho apaixonante: a quadrinista sueca Malin BillerEu a conheci da mesma forma como conheci muitas outras pessoas da área. Eu perguntei sobre mulheres que fazem quadrinhos na Suécia, e o nome dela apareceu várias vezes. Então, na cara de pau, eu entrei em contato com ela.
 
Gotemburgo debaixo de chuva, mas isso não atrapalhou muito, só um pouquinho!
Malin, mesmo sem me conhecer, foi muito simpática comigo e respondeu à várias perguntas que eu lhe fiz sobre a participação da mulheres nos quadrinhos na Suécia e sobre seu próprio trabalho. Ano passado, quando organizamos uma exposição de quadrinhos no Centro Cultural de Leopoldina (MG), ela cedeu várias páginas de uma das suas obras, que por sinal fizeram o maior sucesso por aqui. Ela é uma inspiração, tanto pela sua trajetória pessoal quanto pelo que ela representa: a possibilidade de uma mulher fazer quadrinhos e sobreviver da sua arte. Mesmo na Suécia isso é complicado.

Normalmente, homens e mulheres quadrinistas não conseguem sobreviver apenas produzindo quadrinhos. Precisam complementar sua renda dando aulas de arte ou mesmo em atividades que nada têm a ver com a área dos quadrinhos. Álbuns são produzidos muitas vezes de forma independente ou por meio de financiamento coletivo. No caso de Malin Biller, ela é uma jovem artista que conseguiu se consolidar na profissão e se manter fazendo quadrinhos.
 
Então, fui eu para Gotemburgo com o amigo Thomas Karlsson para conhecer pessoalmente Malin. E foi maravilhoso. O tempo não ajudou muito, pois estava chovendo. Mas quem se importa? Não fui lá pelo turismo, apesar de ter ido a museus e conhecido um pouco da cidade. Pretendo, inclusive, retornar a Gotemburgo, num dia ensolarado. Mas fui lá especialmente para conhecer uma das quadrinistas suecas que mais admiro.

Quadrinhos de Malin Biller, exibidos pela primeira vez no Brasil, em Leopoldina (MG), em 2017. A imagem está um pouco embaçada, infelizmente.

Nós nos encontramos em uma livraria no centro de Gotemburgo. Aonde, inclusive, eu cheguei a comprar alguns álbuns enquanto eu esperava. Thomas já havia me dito que me presentearia com alguns, mas eu não resisti, acabei comprando mais. Da livraria fomos para um charmoso restaurante onde almoçamos, conversamos e tomamos café. Não posso dizer por Malin, mas eu adorei cada momento. Foi exatamente como eu imaginei que seria. Fiquei encantada.

Eu tenho uma experiência positiva com os suecos. Das duas vezes que estive na Suécia eu fui recebida de forma calorosa. Talvez porque eu seja uma visitante e só apareça nas férias. Mas os suecos me passam uma sensação muito boa, de acolhimento. Imagino que nossos interesses comuns ajudem, afinal, assunto nunca falta. Aliás, falamos sobre um pouco de tudo, apesar do meu inglês ser horrível (mas tem melhorado bastante).

Conhecer pessoalmente as pessoas sobre quem estudo ou irei estudar é especial para mim. Não chego a considerar isso como um “trabalho”, embora possa até parecer. Para mim é a oportunidade de estabelecer conexões mais amplas que, futuramente, podem beneficiar todas as partes envolvidas, seja no aspecto pessoal ou profissional.

sábado, 17 de março de 2018

FESTA LITERÁRIA DE LEOPOLDINA - FLILEO


Entre os dias 19 e 26 de maio, a cidade de Leopoldina, MG, estará envolvida com sua primeira Festa Literária. A FLILEO é organizada por uma equipe comprometida com o desenvolvimento de atividades culturais na cidade, composta pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes, Academia Jovem de Letras e Artes de Leopoldina, Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, CEFET-MG Unidade Leopoldina, Conhecer Educação e Cultura, Superintendência Regional de Ensino, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Cultura.

Serão realizadas palestras, oficinas de leitura e desenvolvimento de práticas docentes, sarau literário, feira de troca de livros, exposições, encontro com autores leopoldinenses, lançamentos de livros, apresentação teatral e encontro de fanfarras. Os eventos serão realizados em diversos locais, mas, principalmente, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, no Museu Espaço dos Anjos, no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, no auditório do CEFET e na Praça Félix Martins.

Mais informação no site do evento, clicando aqui!

sexta-feira, 16 de março de 2018

EU NÃO CONHECIA MARIELLE...

Imagem disponível em: https://www.portalt5.com.br
Eu não conhecia Marielle Franco até ontem, 15 de março, quando soube da notícia da sua morte. Uma morte violenta, numa cidade cada vez mais marcada pela violência. Tampouco conheço, ainda, o trabalho dela. Não posso atestar pelo caráter de Marielle, mas posso falar sobre os rótulos que a cercavam. 

Marielle era uma mulher negra, nascida na favela, que venceu todas as barreiras impostas pela sociedade. Ela estudou e se formou em sociologia e se proclamava feminista. Proclamar-se feminista, para mim, é desejar um mundo sem desigualdades de gênero, ou seja, um mundo justo para TODOS. É lutar contra a violência reproduzida pelo patriarcado, que vitima mulheres e homens. 

No entanto, ser feminista pode ter outros sentidos, dependendo do "entendedor". Para uns, são mulheres que se acham melhores que os homens; para outros, são mulheres que não gostam dos homens ou ainda mulheres "mal amadas" ou frígidas. Ser chamada de feminista, tem sido quase que uma ofensa, dependendo da boca de quem a palavra sai. Certamente, há quem diga que Marielle buscou o fim trágico que teve, afinal, por que ela tinha que dar suas opiniões em público? Guardasse-as para si! Defender os direitos reprodutivos, denunciar a violência contra as mulheres? Falta de serviço!? 

Marielle era do PSOL, partido de esquerda, logo ela era uma esquerdista. E esse tem sido o maior pecado que pode uma pessoa cometer num país onde a esquerda está passando por um dos seus piores momentos, em toda a história do Brasil. Chamar alguém de esquerdista tem sido a forma sarcástica encontrada por muitos para descontar sua raiva com situação atual do país. É, também, uma forma de insuflar a desunião nacional e tirar proveito do caos, afinal, alguém tem que levar a culpa. Pois é, Marielle não era apenas uma simpatizante da esquerda, era uma esquerdista assumida. Se não o fosse, talvez não tivesse morrido. A culpa é dela, muitos devem estar dizendo, pois escolheu o "lado errado". 

Marielle defendeu os moradores da favela que a elegeram e colocaram nela não apenas seus votos, mas suas esperanças. Ela denunciou abusos da polícia contra moradores. Ah, então ela defendia bandido, porque quem mora na favela ou é traficante ou colabora com traficante. Por tudo isso, muitos vão concluir: Marilene traçou o próprio destino. Ela fez aquilo que NÃO deveria fazer: ela buscou justiça para as mulheres, para os  pobres e pra todos nós.

Eu não conhecia Marielle até ontem, e me arrependo muito, porque precisamos de mais "Marielles", de mais militantes, homens e mulheres, que abracem as causas sociais. Eu lamento a morte de Marilene e lamento ainda mais a morte lenta e anunciada da nossa fragilizada democracia, onde as leis se dobram à vontade dos poderosos. Onde lutar pelos mais fracos incomoda aqueles que não conseguem enxergar para além do próprio umbigo.

Eu não conhecei Marielle Franco, mas agora o mundo todo conhece.

terça-feira, 13 de março de 2018

PASSANDO O DIA EM UMA ESCOLA SUECA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Imagem meramente ilustrativa, captura no site do EL Paíz, disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/09/eps/1489066869_454079.html, acesso em 13 mar. 2018.

Nas minhas férias eu passei um dia em uma escola pública de educação infantil em Örebro, Suécia. Foi uma experiência tão enriquecedora que eu não poderia deixar de falar sobre ela de forma detalhada. Eu, antes de me formar em História, fiz o curso de magistério. Na época eu já estava na faculdade, mas para conseguir meu primeiro emprego na área de educação eu teria que ter o diploma de magistério. Mas nunca dei aulas para crianças.

Convivo com elas na escola, são alunos e alunas dos meus colegas que trabalham com educação infantil e com as primeiras séries do ensino fundamental, mas apenas isso. Foi uma experiência nova para mim. Primeiro, por ser a primeira vez que eu passei quase um dia todo com crianças pequenas em uma escola. Segundo, porque isso aconteceu em um país onde eu nem falo o idioma. Loucura, né?

Devo confessar que me deu medo. Mas, quem me conhece sabe que medo não me segura. Afinal, eu não poderia perder a oportunidade de conferir porque os suecos são considerados modelo para a educação infantil na Escandinávia.  Então, lá fui eu, no meu segundo dia em Örebro, para o trabalho.  A escola é uma creche, na verdade. As crianças que se encontram lá possuem de um a cinco anos, e convivem em turmas mistas onde há um professor (a), um (a) cuidador (a) e um (a) estagiário (a).  

Na classe onde eu fiquei são dezoito crianças com idades variadas. A escola é nova, foi inaugurada há pouco menos de um ano. Ao lado dela está sendo construída uma nova escola, que irá receber alunos mais velhos, equivalente ao nosso ensino fundamental. A escola nova tinha previsão para ser entregue no final do ano, mas em agosto próximo já poderá começar a funcionar. 

Na Suécia as empreiteiras não somente cumprem os prazos como costumam entregar as obras antes do previsto. Outra coisa digna de nota: a escola vai precisar de cerca de vinte professores, mas a oferta de profissionais é pequena. Então, estão sobrando vagas de emprego. Que tal aprender sueco e ser professor (a) na Suécia? As condições de trabalho lá são ótimas.

Mas não se iluda: trabalha-se muito para fazer jus aos bons salários que são pagos na educação. E com boa remuneração o professor só precisa se dedicar a uma só escola. E quanto à remuneração, ela não segue uma tabela, é negociada diretamente com o diretor da escola. Se o professor quiser um aumento tem que negociar diretamente com o chefe.

O currículo da educação infantil na Suécia é voltado para o desenvolvimento da criança a partir das suas necessidades. Ela se baseia nos valores democráticos e nos direitos humanos. Na escola é a criança que escolhe o que quer fazer. Por exemplo, na classe onde eu fiquei as crianças vão ao quarto de brinquedos e lá elas pegavam o que elas queriam. Eu brinquei com elas de massinha, com jogos educativos e até de boneca. O professor deixa a criança à vontade para fazer a atividade que ela achar mais apropriada naquele dia. Ele(a) não prepara as aulas, mas observa, registra e analisa o desenvolvimento de cada criança.

As atividades comuns a todos, as que têm horário específico, são basicamente a hora das refeições e de sair para brincar na parte externa da escola. Os pais sabem exatamente o que seus filhos estão fazendo. A escola documenta e coloca disponível no site da instituição tudo que é realizado durante as aulas, que são em tempo integral: manhã e tarde. Eu, por exemplo, cheguei às 7 horas da manhã e saí às 17 horas. 

E eu não fiquei só observando. Eu conversei com professores, procurei me informar de como a escola funcionava e passei horas brincando com crianças. Aliás, acho que nem com as sobrinhas, quando pequenas, eu brinquei tanto. E quase todos os brinquedos são educativos. As crianças na Suécia, desde pequenas gostam muito de brincar com Lego. E brincam mesmo. O filho do meu amigo, de quatro anos, praticamente constrói cidades com Lego. Esse tipo de brinquedo ajuda a desenvolver o raciocínio da criança. 

Também havia brinquedos que dependiam do conhecimento de cores, de formas geométricas e até matemáticas. Fiz amizade com uma menina de cinco anos que escolheu um desses jogos e me ensinou a jogar falando o nome das cores em inglês. Pois é, ela se comunicava comigo assim, sabia algumas palavras em inglês e usava comigo durante as brincadeiras. Surpreendentemente fofo.

A estrutura física da escola é incrível. Desde as áreas de convivência dos professores, que oferecem todo o conforto possível, com sofás, poltronas e espaços para leitura e descanso, até às salas de aula que, possuem vários ambientes. O refeitório é muito funcional e espaçoso.  As crianças têm várias opções de alimentos, fazem uma fila e vão ser servidas uma a uma. No dia que eu fui havia penne com azeitonas, salmão gratinado, batatas cozidas acompanhadas de molho tártaro, salada e ainda um prato vegetariano. As crianças se servem de água e de leite. O leite é retirado de uma máquina.

E as crianças literalmente se servem!
Modelo de babador que as crianças suecas usam na escola, de silicone e nylon. Nada de roupa ou refeitório sujos. 

A educação sueca é voltada para a autonomia do individuo desde a infância. Assim, as crianças que já conseguem, servem-se sozinhas. E esqueça os pratos e copos de metal ou plástico: é tudo de vidro. Os talheres são de metal: colher, garfo e faca. E elas estão tão acostumadas, que se levantam com aquele prato enorme nas mãos, e se servem novamente. Depois, cada uma recolhe seu prato, seus talheres e seu copo da mesa e coloca para lavar.  E acreditem: eu vi uma criança com dois anos incompletos fazendo tudo isso sozinha. Crianças pequenas usam um babador especial de silicone que não permite que elas sujem suas roupas enquanto comem.

Aliás, foi na hora de uma das refeições que eu tive a minha experiência mais cativante. À tarde as crianças já estavam acostumadas comigo e até já me incluíam nas suas brincadeiras. Fui até disputada por três delas, que se apossaram de mim na hora do lanche da tarde. No refeitório elas me conduziram para a mesa onde queriam que eu sentasse e, pasmem, um menino de quatro anos puxou a cadeira, fazendo cara de sério, para que eu sentasse. Derreti, é claro. Conto nos dedos as vezes que um homem foi tão delicado assim comigo. Pois é, aquele menino sapeca de cinco anos dá um banho em muito marmanjo.

Na classe em que eu fiquei havia uma sala ampla, onde as crianças brincavam, equipada com uma pequena cozinha, um quarto usando para brincadeiras, mas, especialmente, para o repouso dos menores após o almoço, um quarto para guardar os brinquedos e um ateliê, onde elas podem brincar com tintas. Ainda há um fraldário, todo equipado, e um banheiro, adaptado para crianças pequenas.  Caso uma criança acidentalmente suje a sua roupa, há uma lavanderia onde a roupa é lavada e colocada em um secador. Em questão de minutos tudo está resolvido.

A escola ainda é responsável pelo bem-estar da criança e deve manter o poder público informado caso note algo diferente em seu comportamento ou ela apresente marcas físicas de violência. Naquela semana, por exemplo, os professores tiveram uma palestra sobre abuso infantil, como forma de estarem preparados para lidar com este tipo de coisa, caso haja alguma desconfiança. Na Suécia o bem estar da criança deve ser garantido a todo custo.

Existe muito sigilo em torno das escolas e das crianças. As escolas não divulgam fotos das crianças e não permitem fotos no interior dos estabelecimentos, pelo menos não para visitantes. Uma das condições para que eu passasse o dia lá foi a promessa de que não divulgaria o nome da escola nem dos alunos, caso escrevesse sobre ela. A privacidade da criança é preservada. Mesmo no site da escola, fotos com crianças não mostram seus rostos e não trazem seus nomes, mesmo o acesso sendo permitido apenas para os pais dos alunos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

LANÇAMENTO: RELATOS, ANÁLISES E AÇÕES NO ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES


Organizadoras
Cristina Stevens
Edlene Silva
Susane Rodrigues de Oliveira
Valeska Zanello

Release:
Este livro é mais um desdobramento positivo do projeto “Mulheres e violências: interseccionalidades” que desde 2015 vem reunindo um conjunto de professoras, estudantes e pesquisadoras de algumas universidades (UnB, UFES, PUC-Rio, UFPE, UFF), grupos de pesquisa (Vozes Femininas/UnB e Saúde Mental e Gênero/UnB); e organizações feministas brasileiras (Cfemea e SOS Corpo) com o objetivo de estabelecer intercâmbios e difundir conhecimentos feministas interdisciplinares que constituem relatos, análises e ações no enfrentamento da violência contra as mulheres. Os dez trabalhos aqui reunidos exibem um significativo mapeamento da situação atual de violência contra as mulheres no Brasil e no mundo. Apesar das evidências e dados alarmantes, as pesquisas apresentam não apenas lúcidas análises dessa situação, mas também apontam para políticas públicas e outras iniciativas de enfrentamento deste problema, o que nos faz acreditar no processo de mudança que gradualmente se expande e consolida. Com isso, esperamos que este trabalho possa ainda colaborar no questionamento, na construção e aprimoramento de ações para a igualdade de gênero e o enfrentamento da violência contra as mulheres em nossa sociedade

Faça o download em formato PDF, clicando aqui!  

domingo, 11 de março de 2018

CONHECENDO O INTERIOR DA SUÉCIA: UMA SEMANA EM ÖREBRO

Casa típica sueca,onde passei uma semana maravilhosa!
Eu parti no final do dia 21 de janeiro para a cidade de Örebro, que fica cerca de duas horas de viagem de Estocolmo. Örebro possui aproximadamente 150 mil habitantes e é capital do Condado de Örebro. A cidade ficou conhecida por ser o centro nacional de produção de calçados na primeira metade do século XX. É uma cidade relativamente pequena  para os padrões brasileiros, mas grande para os padrões suecos. Se não me engano é a sexta ou quinta maior cidade da Suécia e tem até sua própria universidade a Örebro University.

Örebro não é uma cidade turística, vou adiantando. Então, que diabos eu fui fazer lá? Bom, eu tenho amigos que moram lá e que me convidaram para passar alguns dias perto da neve. Eu não me hospedei na cidade, fiquei em um pequeno distrito rural, chamado Mullhyttan. Depois de tantos dias correndo de um país para outro e ficando em hotéis, a ideia de estar numa casa em um ambiente familiar era tentadora. 

Caminhando com os amigos Ricardo e Roman, em Mullhytan.
Resumindo, eu fui passar a segunda parte das minhas férias numa comunidade rural com cerca de 700 habitantes. E foi a melhor parte! 

Fiquei hospedada em uma linda casinha típica sueca, rodeada de neve, com uma paisagem maravilhosa. Aliás, como eu cheguei à noite, a primeira coisa que fiz quando pulei da cama pela manhã foi correr para a janela, para poder ver toda aquela neve, que cobria o campo e a floresta. Sim, eu fiquei ao lado de uma floresta. 

Na segunda-feira eu tirei o dia para descansar pela manhã e para caminhar na parte da tarde com meus amigos pela região, inclusive pela floresta. Eu amei cada momento. As casas são lindas. Normalmente vermelhas, verdes ou amarelas. Elas combinam com a paisagem, coberta de neve. Passei por riachos semi-congelados encantadores. Difícil dizer o que era mais bonito. Eu poderia ficar a semana inteira só caminhando pela região fazendo isso e não ia me cansar.


Riacho parcialmente congelado
Como as casas ficam um pouco afastadas umas das outras, não se vê movimentação de pessoas. É tudo muito calmo e silencioso. Talvez por isso seja comum os veados pastarem no prado congelado, tão próximos das casas, despreocupadamente. Mas eu cheguei a conhecer um dos vizinhos mais próximos, um senhor idoso que sempre passeava com seu cachorro pela estrada. 

Apesar de estar na zona rural, acabei passando muito tempo na cidade. Para cada dia da semana eu tinha um compromisso ou uma atividade previamente programada. Como eu tive muitas atividades naquela semana, fica muito difícil colocar tudo em um texto só. Então, vou destacar algumas. As outras eu irei detalhar em postagens em separado.

Venda oferece ovos 24 h e não tem funcionários.
Uma das coisas que me marcou foi sair para comprar ovos. O tem de especial em comprar ovos? Não é bem o ato de comprar, mas a forma como se compra. É self service com auto-pagamento! A pessoa pega os ovos e deixa o dinheiro em um cano. A pequena vendinha de ovos ficar aberta dia e noite, sem funcionários. Achei aquilo fantástico, super organizado, super civilizado e empreendedor. Imagina se a gente pudesse fazer algo assim no Brasil? Quem sabe um dia!?

Na cidade de Örebro eu tirei um dia para passear. Saí para almoçar com amigos e depois fomos caminhar pela cidade. A cidade é encantadora. Tudo muito limpo e organizado. Um conjunto arquitetônico particular, onde os prédios modernos estão misturados com prédios mais antigos. Igrejas charmosas, as mais antigas de estilo gótico.

Peles de raposa e outros 
animais sendo vendidas na 
feira.
Achei muito interessante andar pelas feiras que ficam nas ruas e vendem de produtos típicos a doces e eletrônicos. Lembrando que os países da Escandinávia fizeram parte da Liga Hanseática, uma organização político-econômica que surgiu no final do século XII, por época do renascimento do comércio na Europa. Não acho que seja exagero dizer que as feiras são praticamente uma tradição naquela região. O que me chamou atenção foi a quantidade de barracas que vendem doces e balas e objetos feitos com peles de animais, quando não a própria pele, principalmente de raposa. 

Pois é, tadinhos dos bichinhos. Fiquei com dó e não comprei nada. Ia me dar dor na consciência comprar um chapéu de pele de raposa, embora eles fossem lindos, devo confessar. Com relação aos doces, parece que é uma tradição local, comer doces. E os suecos comem muito. Eu ganhei uma sacola com quase um quilo de balas e bombons.

Castelo de Örebro, do século XIV
A atração principal da cidade é o Castelo de Örebro (Örebro Slott), uma fortaleza medieval do século XIV, que fica localizada no centro da cidade, em uma ilhota no rio rio Svartån. Eu tinha visto fotos do castelo e imaginei que ele ficava fora da cidade, mas não, é ali no centro mesmo, cercado pelas águas do rio. 

Terminei o dia encontrando com meu amigo Ricardo na biblioteca de Örebro. De lá seguimos para Mullhyttan. Mais para o fim da semana a casa ficou em função dos preparativos para a Noite do Pastel, um evento que foi promovido pela Associação Sueco-Brasileira de Örebro, que reúne a comunidade brasileira e descendentes de brasileiros da cidade. Eles fazem um trabalho maravilhoso mantendo um pouco das tradições e costumes brasileiros lá fora. Isso é muito importante, principalmente para os mais jovens.


Pastel de massa caseira
 feito na Suécia!
Meus amigos ficaram encarregados da produção de pastéis e eu ajudei no que pude. Foi ótimo, porque eu fiz novas amizades, como Karin e seu filho Stepan. No final das contas, acabei aumentando minha rede de relações na Suécia, que antes era basicamente composta por suecos, mas que agora já tem um bom número de brasileiros.

E fechando minha viagem, no sábado pela manhã fomos fazer um passeio de carro pela região. A neve já estava começando a derreter, então a paisagem era outra, igualmente bonita. Fomos à floresta, numa área para acampamentos, admirar a vista do alto de uma torre de observação de pássaros. 

Depois meus amigos me levaram para uma grande loppis, na cidade de Karlskoga, que fica no Condado de Örebro, cidade onde nasceu e viveu Alfred Nobel, que era dono de uma fábrica de canhões, vejam só! Por conta da fabricação de armas, desde o século XIX, a pequena cidade com certa de 30 mil habitantes  tornou-se um centro produtor e de testes de armamentos. 


A neve derreteu em dois dias e a floresta já foi ficando verdinha. Essa área é uma área para acampamentos e essa casinha no fundo é usada por pessoas que vem nos fins de semana. O uso é gratuito.
Meu amigo explicou que, arrependido de uma vida dedicada à destruição, Nobel determinou em testamento que fosse criado o Prêmio Nobel, criando um fundo especial para isso.

Mas deixando a história um pouco de lado, deixa eu explicar o que é uma loppis. Trata-se de uma espécia de loja de usados, que pode ser em um galpão ou mesmo ao ar livre, como um mercado de pulgas. Lá vende-se tudo que já teve um dono. De eletrônicos a antiguidades. Os suecos adoram comprar nas loppis coisas para a casa.


Conjunto de porcelana que eu ganhei, da loppis. Os suecos adoram acender velas durante as refeições. Eu adorei a ideia e estou fazendo isso aqui, também. Quando recebo amigos acendo velinhas e enfeito a mesa com meus candelabros de porcelana 

Eu encontrei lindos conjuntos de cristais e porcelana, praticamente novos. Ganhei duas peças de presente: candelabros de porcelana fofos dados pelo meu amigo Roman, como presente de despedida. E tudo realmente muito barato. Cálices de cristal custando o equivalente a R$5,00. Eu não comprei pois tive medo de que se quebrassem na viagem. Burrice! Poderia ter levado na bagagem de mão. 

No domingo, eu fui para Estocolmo e de lá peguei um avião rumo a Lisboa e comecei a me despedir das minhas férias. Como presente, tive uma noite de neve. Quando amanheceu, a paisagem estava exatamente como eu encontrei. Foram dias maravilhosos que eu espero poder repetir. Agradecimentos especiais  Ricardo, Roman e pequeno Villen pela recepção caloroso no gelado inverno sueco. Também, a Sérgio, Thomas, Karin e Stefan, pela paciência que tiveram comigo.

Partindo para Estocolmo, de onde peguei um voo para Lisboa. Despedida com muita neve!