quinta-feira, 23 de novembro de 2017

THE PUNISHER: UMA BREVE RESENHA

The Punisher, anti-herói da Marvel, criado pelo escritor Gerry Conway e pelos artistas Ross Andru e John Romita, Sr., em  1974. Sua estreia foi em uma revista do Homem Aranha. 
Assisti durante a semana a uma série de TV baseada nos quadrinhos da Marvel produzida pela Netflix, O Justiceiro (The Punisher). O Justiceiro é um homem mentalmente perturbado, atormentado pela morte da família e que quer vingá-la a todo custo. Nos quadrinhos essa vingança nunca termina.

O estilo "justiceiro implacável" é algo bem típico da cultura estadunidense, característicamente espartana. Atores como Charles Bronson e Clint Eastwood, ganharam fama com filmes regados a violência. Quentin Tarantino fez um enorme sucesso com Kill Bill. A lista de filmes regados à vingança como forma de justiça é enorme e a de quadrinhos, também.

Filmes violentos só me deixam impactada se eles possuírem uma boa carga dramática. Depois de assistir a adaptações anteriores de “O Justiceiro” eu fiquei surpresa com minha reação à série. Mais surpresa ainda de estar aqui, fazendo uma breve resenha sobre ela.

Eu gostei da forma como a série explorou a parte psicológica do personagem. Ela traz um Frank Castle perturbado, um homem perdido em uma dor tão profunda que só consegue sentir alívio sendo violento. Mas a violência é um vício cuja satisfação é passageira, então, Castle na verdade quer se libertar dela. O ator, Jon Bernthal, foi que melhor caracterizou Frank Castle até hoje, na minha modesta opinião.

 Jon Bernthal, caracterizado como o personagem
É uma série recomendada para público adulto, mas, certamente, muitos adolescentes vão assistir. Já ouvi até alguns comentários entre eles. Com o acesso fácil que se tem hoje a todo tipo de informação, não adianta proibir. Isso só vai servir para estimular ainda mais a curiosidade da garotada. O ideal é esclarecer que se trata de uma obra de ficção, que não retrata e nem deve retratar a vida real e que não deve ser utilizada como pretexto para se fazer apologia a ações violentas. Uma boa conversa pode funcionar melhor do que uma proibição.

Particularmente, eu não acho que um filme ou uma história em quadrinhos tenha poder de mudar a índole de uma pessoa. O público dialoga com a obra televisiva ou cinematográfica a partir dos valores e ideias que já estão interiorizadas. Opinião não se forma do nada. Pessoas com propensão à violência vão reproduzir violência em qualquer situação e o gatilho pode ser qualquer coisa, até mesmo um esbarrão se leva na rua.

De forma geral, eu classificaria “O Justiceiro” como uma boa série, para adultos, uma das melhores deste ano no estilo, produzida pela Netflix.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A MANIPULAÇÃO DA MEMÓRIA

Mnemosine era a deusa grega da memória, era filha de Gaia e Urano. Com Zeus teve nove filhas: as Musas. Era uma das deusas mais importantes pois para os gregos a preservação da memória iria eternizá-los. O esquecimento das tristezas ficavam por conta de Lethe ou Lesmosyne,  a deusa do esquecimento. Na pintura está uma representação de Mnemosine e as Musas.

No início da República ocorreu uma polêmica envolvendo o jurista Rui Barbosa que, quando Ministro da Fazenda durante o governo de Deodoro da Fonseca, teria ordenado a queima em praça pública dos arquivos da escravidão, em 1889. Arquivos estes que continham os nomes e informações de escravos e de quilombos.

Defensores de Rui Barbosa contestam o fato, e afirmam que o jurista não ordenou tal ação. Eles podem até estar certos e talvez Rui Barbosa tenha sido tão vitima quando os ditos arquivos, cujas cinzas foram carregadas pelo vento. Mas é fato que muitos arquivos sobre a escravidão se perderam após o a abolição e com eles muitos indivíduos também perderam sua identidade.  Os anos que se seguiram ao fim da escravidão foram de reconstrução desta identidade.

Muitos ex-escravos devem ter sentido o choque de estar em uma sociedade que não se definia mais pelo fato de ser ou não livre. Perdidos neste novo mundo muitos deles ficaram entrincheirados entre passado e futuro. Para o mais românticos um recomeço, a chance de uma nova vida longe das senzalas e das chibatas. Para os mais céticos trocava-se um passado de trabalho e sofrimento por um futuro marcada pelo preconceito e a exclusão.

Tal reflexão trouxe-se à mente um poema da escritora e poetiza Carolina Maria de Jesus, que sintetiza a situação do negro, mais de meio século após a abolição

MUITAS FUGIAM AO ME VER

Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia

Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quiz fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto

Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.

Carolina Maria de Jesus, em Antologia pessoal. (Organização José Carlos Sebe Bom Meihy). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.

Mais do que isso, a ideia de apagar a escravidão da memória nacional, a queima de arquivos, aponta para uma tendência: a pouca ou quase nenhuma preocupação com a preservação, seja do patrimônio cultural, seja da informação produzida ao longo dos anos. O Brasil não tem uma tradição de preservação da memória. De fato, parece que estamos fadados a optar muitas vezes pelo esquecimento.

Paul Ricoeur chama a atenção para os abusos advindos da manipulação da memória e do esquecimento pelos detentores do poder. A memória manipulada leva à fragilização da identidade coletiva. No processo de colonização da memória são escolhidos os monumentos que devemos preservar, os heróis que devemos honrar e informação que devemos esquecer.

A escravidão, ditadura e movimentos populares são alguns dos temas que são constantemente ameaçados pelo esquecimento. Exalta-se a bravura de Palmares e se esconde a exclusão do negro da sociedade. Por várias décadas, por exemplo, foi tabu falar sobre a Revolta da Chibata, movimento ocorrido dentro da Marinha brasileira, liderada por negros e mulatos, como João Cândido. Aqueles que tentaram tirar das sombras a memória da revolta foram duramente reprimidos. Foi preciso quase um século para que a Marinha brasileira reconhecesse a importância do movimento.

Ao longo da nossa história centenas de milhares de brasileiros foram massacrados por forças oficiais por terem se levantando contra a exploração e a miséria. A memória manipulada construiu uma história, contatada e recontada ao longo do século XX, onde estes cidadãos foram tratados como párias, loucos ou fanáticos e seus algozes como heróis. O que não pode ser esquecido é manipulado.

Somos por vezes forçados ao esquecimento e quando isso não é possível cria-se uma memória manipulada que produz uma identidade fragilizada, onde os significados se perdem, assim como se perde a nossa capacidade de questionar, dialogar, de reconhecer o valor da nossa herança, seja ela intelectual ou cultural.

Agora, no tempo presente, a manipulação da memória nunca foi tão intensa. São constantemente relatados casos de professores hostilizados impedidos de debater sobre temas como tortura e o autoritarismo. Já foram flagrados descartes irregulares de arquivos da ditadura, com o objeto de se encobrir o passado, de apagar a memória e de se impedir a construção de uma história não manipulada. Até Paulo Freire tem sido vítima desse processo: querem lhe tirar o título de Patrono da Educação Brasileira, excluindo da história a memória do filósofo e educador que tano lutou por uma escola inclusiva e de qualidade.


O tempo se torna inimigo da memória e da história uma vez que nosso passado está constantemente ameaçado pelo esquecimento, nosso presente marcado pela manipulação e as projeções para o futuro cada vez mais incertas e voláteis.

domingo, 5 de novembro de 2017

SÓ TEM UM JEITO DE RESOLVER O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL: INVESTIR NO PROFESSOR

Que me desculpem os economistas, mas crise econômica não é desculpa para diminuir o investimento em educação, pelo contrário: é aí que se deve investir mesmo. Investir na formação de bons professores, que vão formar os bons profissionais que irão um dia tirar  o Brasil da triste sina de ser um país que promete tanto, mas que nunca consegue dar um passo a frente sem dar dois atrás. 

Conversando com um amigo, que é professor de educação infantil, sobre a questão do investimento na educação eu acabei tirando o dia para refletir sobre o investimento que se faz na educação no Brasil.

Ele é brasileiro e mora num país onde se investe muito na educação (segundo ele 44% do PIB) e onde há uma grande demanda por professores e, portanto, oportunidade para estrangeiros trabalharem em docência. Ele está trabalhando em uma escola recém-inaugurada, com toda a infraestrutura necessária, e me disse que, ainda ano que vem, será aberta outra escola e serão contratados pelo menos mais 20 profissionais do ensino. 

Ele está fazendo mestrado e nos dias que precisa se ausentar para ir à universidade fazer as disciplinas, a escola o libera. Ele não precisa tirar licença porque sua carga horária não é excessiva, o que permite que ele estude e trabalhe. Eu poderia dizer mais coisas, que deixariam muitos dos meus colegas ansiosos para perguntar: “Que país é esse?”. Eu, da minha parte, responderia: “Não é o Brasil!”.

Eu tenho por convicção que um país se define como desenvolvido na medida em que investe em professores. E não é preciso muito. Um bom salário, uma carga horária compatível com seu trabalho, o incentivo e o investimento na formação, da graduação à pós-graduação.

Só vamos resolver o problema da educação se investirmos no professor. E não estou dizendo isso baseada em “achismos”. Eu procurei me informar.  A Finlândia, por exemplo, tem o seu sistema de educação reconhecido por ser o mais eficiente e qualificado do mundo. Lá de investe cerca de 50% do PIB em educação. Mas não foi sempre assim. Há cerca de 40 anos o sistema de ensino lá era caótico. O que se fez? Investimento, principalmente na formação de professores.

 

Então o Brasil não investe em educação? Sim, investimos, mas o dinheiro é muito mais direcionado aos recursos materiais do que humanos. Investimos bilhões, mas as universidades estão sucateadas. Investimos em computadores que não são usados, em laboratórios que ficam fechados porque não se contrata técnicos, em bibliotecas onde não há bibliotecários, mas não investimos nos profissionais do ensino.

 

No período da Ditadura Militar, o governo promoveu o arrocho salarial, rebaixando o salário mínimo para atrair empresas estrangeiras. Afinal, quem não quer mão de obra barata? E isso é cultural. No Brasil, um país com profundas raízes escravistas, o trabalhador tem que ser barato. E isso se aplica também ao professor.

 

Muitos pais talvez não entendam, mas para garantir que seus filhos tenham uma educação de qualidade não é necessário computadores ou celulares modernos, mas profissionais bem preparados e motivados. Um salário justo, uma carga horária moderada e investimento na formação. Há ilhas de excelência no Brasil, que mostram que essa receita é infalível. Municípios que reformaram o sistema de ensino e que fazem a Finlândia parecer estar aí ao lado.

 

Então, me desculpem os gestores, mas não dá pra ter qualidade em educação sem investir no professor.

 

Que tal ao invés de reuniões cansativas que prolongam a jornada diária de trabalho e desgastam os profissionais das escolas, não se investe em qualificação? Por que não reduzir a carga horária e permitir que o professor tenha tempo para planejar suas aulas e se aperfeiçoar?

 

No Brasil gosta-se muito de imitar o que outros países fazem. Então, fica aqui a dica: imitem investindo no professor.

AS PUBLICAÇÕES DA ASPAS E A DIVULGAÇÃO DOS ESTUDOS SOBRE HQS NO BRASIL

A Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), surgiu como uma ideia em 2012, durante o I Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial que ocorreu em Leopoldina (MG), no CEFET. No ano seguinte, a ASPAS tornou-se uma realidade, reunindo pesquisadores de todo o Brasil. Começamos com 20 participantes e, atualmente, somos 62 membros atuantes, sendo que entre eles há pesquisadores de outros países, como Canadá, Suécia, Estados Unidos e França.

A partir de 2015 a ASPAS começou a publicar livros com textos dos seus associados e associadas. Alguns, dossiês temáticos, como o que trata sobre Religiosidades nas Histórias em Quadrinhos outros voltados para as Histórias em Quadrinhos e a Educação. O selo da ASPAS também estampa 6 publicações organizadas por associados. Em dois anos tivemos 5 publicações da ASPAS, sendo que algumas delas estão disponíveis para download gratuito no site da associação (clique aqui).


O livro mais recente foi "A Arte dos Quadrinhos", organizado por Edgar Franco e Catia Ana Baldoíno, com artigos escritos a partir de apresentações realizadas no III Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial, realizado em 2016 na UFG. Para 2018 já estão programadas mais duas publicações.

Com essas ações, a ASPAS busca divulgar as pesquisas na área, criar uma rede de apoio entre pesquisadores, com suporte bibliográfico e de fontes, a fim fazer circular um conhecimento produzido a partir de rígidos critérios metodológicos.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

PAGU UNE MUSE DE LA BD BRÉSILIENNE

Saiu este mês a edição número 54 da revista Papiers Nickelés, especializada em quadrinhos, especialmente em História dos Quadrinhos. A revista é publicada trimestralmente e traz textos muito interessantes autores e quadrinhos que foram na França e em vários outros países. Entre os textos publicados nesta novo edição (que acabei de receber em casa) está um artigo que eu escrevi sobre Pagú, uma versão em francês do trabalho que apresentei o Simpósio Nacional de Brasília este ano (clique aqui para ir ao texto integral). Posteriormente eu publiquei artigos sobre Hilde Weber, Nair de Teffé e Cecília Capuana. Acho que estou me especializando em biografias de autoras.

CONCURSO: LOGOMARCA FLILEO


A Academia Leopoldinense de Letras está preparando para o ano de 2018 a  I Festa Literária de Leopoldina – FLILEO e como primeira ação lançou um concurso para escolher a logomarca oficial do evento. A FLILEO tem entre seus objetivos finalidade incentivar a leitura, divulgar e incentivar os talentos locais.

Leia com atenção o regulamente e participe!

TEMA: Festa Literária de Leopoldina – FLILEO 

MODALIDADES:

  • ENSINO FUNDAMENTAL II 
  • ENSINO MÉDIO 

Obs.: Apenas as escolas estaduais, municipais e particulares localizadas no município de Leopoldina poderão participar deste Concurso.

CATEGORIA: Logomarca 
Logomarca: conjunto formado por letras e/ou imagens, com design que identifica, representa ou simboliza uma marca. 
(Fonte: Dicionário Aurélio de Português Online)

REGRAS PARA O CONCURSO: 
  • Preencher e assinar a Ficha de Inscrição em anexo; 
  • Desenhar a logomarca à mão no tamanho 15 x 21 cm, em uma folha A4, preferencialmente em até 4 cores; 
  • Fazer uma descrição da logomarca em uma folha A4, em separado do desenho; 
  • Entregar o desenho em 1 via, em envelope lacrado, de 13 a 20 de novembro de 2017, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho (Rua José Peres, 4 – Centro – Leopoldina/MG), de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 11:00 e das 13:00 às 16:00; 
  • Identificar no envelope apenas “Concurso Logomarca da FLILEO”; 
  • Cada envelope deverá ter apenas um desenho. Para participar com dois desenhos, máximo permitido, deverá ser utilizado outro envelope de referência; 
  • As logomarcas deverão ser originais e não publicadas; 
  • A folha com o desenho da logomarca não poderá conter nenhuma outra informação além do desenho. 

PREMIAÇÃO: O autor da logomarca escolhida receberá um vale-livro para ser utilizado na Papelaria Central no valor de R$ 100,00 (cem reais). 

O resultado do Concurso será divulgado no blog da ALLA (www.academialeopoldinense.com) no dia 25 de novembro de 2017 e a premiação será entregue no dia 9 de dezembro de 2017, às 10 horas, no Museu Espaço dos Anjos.

JURADOS: membros da Academia Leopoldinense de Letras e Artes e representantes dos organizadores da FLILEO: Casa de Leitura Lya Botelho, CEFET-MG Campus Leopoldina, Conhecer Educação e Cultura, Superintendência Regional de Ensino ou pessoa indicada por tais entidades.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES: 

  • Os trabalhos inscritos não serão devolvidos;
  • A logomarca vencedora será utilizada, a critério da organização do concurso, em todos os materiais da FLILEO, como, por exemplo, filipetas, correspondência, folder, cartazes, impressos, vestuário e quaisquer outros materiais necessários em meio eletrônico ou físico; 
  • O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome, imagem e texto para fins de divulgação/promoção do concurso; 
  • O meio de contato oficial com a ALLA será através do e-mail: academialeopoldinense@gmail.com ; 
  • É vedada a inscrição de membros da Academia Jovem de Letras e Artes de Leopoldina; 
  • A Diretoria da ALLA será a responsável para resolver, a qualquer tempo, todos os casos não previstos neste Regulamento.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

UM DUELO ENTRE SERPENTES EM LEOPOLDINA, EM 1887, E A BUSCA PELA CURA PRA O VENENO OFÍDICO NO SÉCULO XIX


Eu gosto de visitar sempre que tenho oportunidade a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, onde se encontram vários jornais de Leopoldina e região digitalizados. Busco neles inspiração para algum possível texto pra o blog ou mesmo para um artigo sobre História Local. Algumas vezes, eu me deparo com curiosidades, como foi o caso da morte de Michael Jackson, em 1856.

Esta semana tirei para ler o periódico Pharol, de Juiz de Fora (MG), e não é que eu achei uma notícia muito interessante? Quase um caso de pescador: a luta entre duas serpentes enormes no centro da cidade de Leopoldina (MG), em 1887. 

Leia a transcrição da notícia:

Diz uma folha, que temos à vista, que no dia dois do corrente, na Praça da Estação, na cidade de Leopoldina, atraía a atenção pública uma enorme cobra caninana, que tratara luta de morte com uma surucucu. A primeira saiu vencedora, engolindo a segunda pela cabeça.

Durante meia hora a caninana esteve imóvel, conservando fora da boca metade do corpo da adversária; depois, de um jato engoliu-a e enroscou-se, formando enorme rodilha sobre a calçada.

O major Botelho, da empresa telefônica, recolheu a caninana a uma gaiola de arame onde o réptil tornou-se objeto de admiração dos transeuntes[1].

Devo reconhecer fiquei surpresa com o desfecho da disputa: uma caninana[2] comendo uma surucucu[3]. Ou seja, uma das cobras mais mansas da América, devorando uma das mais venenosa e perigosas de todas. Tipo de coisa que só acontece em Leopoldina!

Ao que parece estes grandes répteis eram bom comuns na nossa região. O Leopoldinense noticiou, anos antes, o aparecimento de uma surucucu na vizinha cidade de Ubá: “Em Ubá matou-se em meio à rua mais pública e populosa surucucu de dois metros e 50 cm de cumprimento; pesava quase 15 quilogramas!”[4]

Voltando ao episódio narrado, reparem que o major Botelho optou por recolher a cobra, viva. Algo que não aconteceu em Ubá, onde a surucucu de quase três metros foi morta. Eu tenho, particularmente, uma teoria sobre isso. A Caninana não é um cobra mortífera e, portanto, não representava perigo para a população. De fato ela acabou eliminando a ameaça da de uma surucucu, que poderia ter feito uma ou mais vítimas na cidade. A cobra vitoriosa, em processo de digestão tornou-se “objeto de admiração”. Afinal, era um animal grande e exótico, um chamariz para quem quiser observar de perto uma serpente sem correr riscos.

Em Juiz de Fora, alguns anos antes, em 1884, a casa de ferragens de Carlos Montreuil anunciou durantes meses a presença de uma jiboia de “15 palmos” que era “exposta gratuitamente” naquele estabelecimento[5]. A cobra, não peçonhenta, era visivelmente utilizada para atrair visitantes e potenciais clientes para aquele estabelecimento.


No século XIX as receitas para combater o veneno das cobras eram os mais diversos. O Pharol fala das “Favas de Cobra”, usadas na ilha do Marajó para cuidar de animais e pessoas picadas por cobras como a cascavel.[6] O Pharol reproduz uma reportagem do Jornal do Commercio que fala do uso do suco de limão azedo para tratar a picada de cobra que “desde muito tempo é empregado em algumas fazendas das províncias do Rio de Janeiro, Minas, S. Paulo e outras”, inclusive em caso de “mordedura de jararaca".[7]

Acidentes ofídicos eram muito comuns na zona rural, principalmente envolvendo escravos. Por isso a busca de uma cura não cessava. É possível perceber que os jornais se dispunham a divulgar todo tipo de prática, muitas vezes validada por médicos. Como o caso de Barra Mansa (RJ), onde escravos picados por cobras eram tratados com permanganato de sódio[8]. Outro remédio milagroso para mordida de cobra, noticiado pelo Pharol, era feito a base de pimenta malagueta.

Contra o vírus venenoso da cobra, qualquer que seja a sua espécie, a pimenta malagueta é um remédio heroico. Dá-se às pessoas mordidas da seguinte forma:

Machuca-se uma mão cheia de pimentas malaguetas, dilue-se-as na água e se dá a beber ao doente, com cascas e sementes em volta.

Outra porção igual é machucada e posta sobre a mordedura da cobra.
Repete-se o remédio duas ou três vezes com intervalo de 2 ou 3 horas.

Algumas pessoas que tem testemunhado curas operadas com esse remédio em indivíduos já muito prostrados pela ação do vírus maléfico, dizem que tais indivíduos ao engolirem a beberagem, sentem logo um alívio imenso, dizendo depois que essa beberagem lhes pareceu água gelada. Tal é a escandescência produzida pelo veneno da cobra no organismo.[9]

Apesar dessas práticas médicas terem sido reproduzidas no Brasil durante boa parte da nossa história, o tratamento para a peçonha das serpentes só daria seus primeiros passos a partir de 1890, com a descoberta da soroterapia, por Emil Adolf Von Behring (1854-1917) e Kitasato Shibasaburo (1853-1931)[10]. Em 1894 veio a descoberta da soroterapia antiveneno. Na pesquisa por um soro mais eficiente, destacou-se o mineiro Vital Brazil, que após muitos estudos, em 1896, veio a confirmar sua teoria de que para cada tipo de veneno e cobra é necessário um soro antiofídico específico. Pela primeira vez tínhamos um produto realmente eficaz para o combate o veneno de cobra.

De peçonha mortal e maléfica o veneno da cobra acabou se tornando importante objeto de estudos pra a cura de muitas doenças. Em 1933, a Gazeta de Leopoldina traz a notícia dos avanços do veneno de cobra no tratamento de doenças como o câncer.[11] Na edição seguinte, o jornal fala da reabilitação da serpente, dando destaque ainda maior às contribuições do veneno de cobra no combate a doenças[12].





[1] Pharol. Juiz de Fora, 18 de maio de 1887, m. 113,  p. 01.
[2]A cobra caninana é comum em locais como América do Sul e América Central, pode também ser conhecida como cainana, arabóia, jacaninã, cobra-tigre, entre outros nomes atribuídos a ela. É uma cobra imensa, que pode chegar a medir até os quatro metros de comprimento, mas a maioria das cobras caninanas mede em torno de dois metros e meio de comprimento. Ela é considerada uma cobra mansa. Além destas características, a cobra caninana não possui veneno algum, sendo inofensiva para humanos e outros seres. COBRA Caninana – Tudo sobre cobras. Disponível em: http://cobras.blog.br/especies/cobra-caninana, acesso em 25 out. 2017.
[3] A surucucu (Lachesis muta) é a maior cobra peçonhenta da América do Sul e uma das maiores do mundo, pertence à família das Veperidae e à ordem Squamata. Este animal pode atingir até 4,5m de comprimento e suas presas medem 3,5cm. No Brasil é também conhecida como surucucu pico-de-jaca.Vive em florestas densas principalmente na Amazônia, mas conhece-se registros na literatura da presença desse animal até em áreas isoladas de resquícios de Mata Atlântica. SURUCUCU, a maior cobra venenosa. Disponível em: http://portalamazonia.com.br/amazoniadeaz/interna.php?id=1060, acesso em 25 out. 2017.
[4] O leopoldinense. Leopoldina, 18 de março de 1883, n12, p. 02
[5] Pharol Juiz de Fora, 5 de abril, 1884, n. 39, p.03.
[6] Fava de Cobra. Pharol. Juiz de Fora, 16 de fevereiro, 1882, n. 20, p.02.
[7]  O succo do limão. Pharol, Juiz de Fora, 24 de outubro de 1882, m. 124, p. 02.
[8] Pharol, Juiz de Fora, 14 de novembro de 1882, m. 132, p. 02.
[9] A pimenta malagueta e o veneno da cobra. Pharol, Juiz de Fora, 3 de novembro,1884 n.127, p.02.
[10] CUNHA, Luis Eduardo Ribeiro da.  Soros antiofídicos: história, evolução e futuro. Journal Health NPEPS. 2017. Disponível em: http://bit.ly/2iCwgfM, acesso em 26 out. 2017.
[11] O veneno ofídico no tratamento do Câncer. Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, 25 de julho de 1933, n. 80, p. 01.
[12] Rehabilitação da serpente. Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, 26 de julho de 1933, n. 81, p 02.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

RETIRANTES CEARENSES EM LEOPOLDINA NO SÉCULO XIX


A substituição da mão de obra escrava tornou-se pauta frequente de debates no Brasil, principalmente após a Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o tráfico de escravos africanos. A partir de então, encontrar alternativas para o trabalho escravo passou a ser uma das preocupações de muitos fazendeiros, principalmente das regiões produtoras de café do sudeste, onde a concentração e, também, a demanda por trabalhadores era maior. Ainda na década de 1850 foram realizadas as primeiras iniciativas de implantação da mão de obra imigrante no Brasil, que nos anos de 1870 ganharam novo impulso, com a aprovação da Lei do Ventre livre, que acenava para a abolição da escravidão.

Nos livros didáticos de história tanto a questão da substituição da mão de obra escrava e da adoção do trabalho do imigrante europeu recebem uma atenção especial. Mas o que não se fala nestes livros é sobre a emigração nordestina para as áreas produtoras de café. Já no século XIX os nordestinos dirigiam-se para o sudeste em busca de empregos e fugindo da seca que naquela época assolava o nordeste.  Muitos deles vieram de estados como o Ceará e podem ser classificados como os “refugiados da seca”.

O Nordeste, em conjunto, perdeu quase 350.000 habitantes, sendo que 80% da sua região central, principalmente do Ceará. Foi o resultado de uma seca que assolou a região, fazendo que somente o Ceará perdesse quase 30% de sua população. Os estados que tiveram os maiores saldos migratórios positivos foram os estados de Minas Gerais e São Paulo e o município da Corte, no conjunto um saldo de 235.000 migrantes[1]. 

Retirantes concentrados na praça da Estação em Fortaleza, em fins do século XIX. Imagem disponível em: http://www.fortalezaemfotos.com.br/2013/11/a-seca-de-1877-79-em-fortaleza.html, acesso em 23 out. 2017.

O ano de 1878 foi um dos piores para o população cearense, que amargou uma grande seca entre 1877 e 1890, de que deixou milhares de mortos. A tragédia da seca foi narrada por José do Patrocínio, correspondente do Gazeta de Notícias, que visitou o Ceará entre maio e setembro de 1878. Ele transformou esta experiência em um romance, “Os Retirantes”, publicado inicialmente na forma de folhetim e finalizado em 1879.

Patrocínio tinha a missão de narrar essa seca para o público leitor da Corte e o fez de modo completo: enviou matérias para o Gazeta de Notícias, mandou fotografias para O Besouro e escreveu um romance! Buscou estar presente em situações relevantes naquele momento dramático e avaliou criticamente as ações do governo, seguro que estava da inadequação das leis e do costume para a resolução de calamidades dessa natureza[2].

Capa do livro "Os Retirantes", de José do Patrocínio.
Imagem disponível em: http://www.bibliologista.com/2014/03/os-retirantes-de-jose-do-patrocinio.html, acesso em 23 out. 2017.

A pesquisadora Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi aponta a década de 1870 como período de intensificação do fluxo migratório interno. Seu estudo se concentra na Província de São Paulo e aponta Minas Gerais e o “núcleo exportador de pessoas para a Província de São Paulo (38,3%)”[3]. O avanço da cafeicultura em São Paulo e o crescente aumento da necessidade de trabalhadores para a lavoura fazia com que o fluxo migratória para aquele estado fosse crescente.

Já na Primeira República, fazendeiros denunciavam a ação de aliciadores que levavam para São Paulo trabalhadores do município de Leopoldina, por época da colheita do café.  De fato, Minas Gerais era uma das províncias mais povoadas do Brasil, como pode confirmado pela tabela abaixo,  e uma boa parte da sua mão de obra livre buscou em terras paulistas melhores salários, principalmente na colheita do café.

Fonte: BRITTO, Fausto. As Migrações e a Transição para o Trabalho Assalariado no Brasil. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/view/1113, acesso em 23 out. 2017.

A mesma Minas Gerais que perdia seus braços da lavoura para São Paulo, trazia do nordeste trabalhadores que aceitavam os salários menores oferecidos aqui pelos fazendeiros. Se nossa história local fala da presença maciça do negro e da importância do imigrante italiano na formação da nossa sociedade, ela omitiu, de certa forma, a presença do nordestino. 

No periódico O Pharol, de Juiz de Fora, foi reproduzida em 1878 uma notícia publicada no Jornal do Commercio que fala sobre a vinda de cearenses para Leopoldina, a fim de trabalhar na lavoura. Tratava-se de um movimento de colonização nacional apoiado pelo governo imperial com a finalidade de suprir a crescente demanda por trabalhadores nas regiões produtoras de café do sudeste. Além disso, para o governo imperial ocupar esta população era uma forma de atenuar os efeitos negativos da seca que afetava o nordeste e que havia de transformado numa calamidade nacional.  Segundo O Pharol

Diversos fazendeiros do município de Leopoldina têm encomendado retirantes cearenses  para seus trabalhos agrícolas. O Sr. José da Silva Figueira, empreiteiro da estrada de ferro do Rio Doce, já recebeu duas partidas de emigrantes, que montam a perto de cem pessoas, e consta-nos que vai solicitar maior número desses braços. O senhor Coronel José Vieira de Rezende Silva, ilustrado e importante fazendeiro de Cataguases, encomendou para si e fazendeiros de sua família, 130 imigrantes, e prepara-se para ensaiar a lavoura em terreno preparado com braços livres[4].

Repare a forma como se trata o trabalhador livre. Os cearenses são “encomendados”. A imagem do trabalho braçal permanece vinculada ao trabalho escravo mesmo em se tratando do trabalhador livre. Durante os primeiras décadas do século XIX, os jornais como a Gazeta de Leopoldina anunciavam a chegada de imigrantes italianos em Leopoldina quase que na mesma forma que se anunciava a chegada de gado.

No que diz respeito ao tráfico interno de escravos também foram enviados para a região da Zona da Mata negros escravos cearenses. São vários os anúncios de fuga de escravos, tanto em o Pharol quanto em O Leopoldinense, de escravos oriundos daquele estado. Mas sobre a vinda de retirantes cearenses para Leopoldina a notícia do jornal foi a única referência que encontramos até agora sobre o assunto.

Ontem e hoje a mentalidade escravagista ainda está enraizada na nossa cultura, onde o trabalho braçal ainda não recebe o devido valor, onde o trabalhador assalariado é vítima constante de abusos por parte de patrões e onde, infelizmente,  trabalho escravo existe e seu combate está sendo negligenciado pelo atual governo.





[1] BRITTO, Fausto. As Migrações e a Transição para o Trabalho Assalariado no Brasil. Disponível em: file:///C:/Users/user/Documents/HIST%C3%93RIA/1113-3223-1-PB.pdf, acesso em 23 out. 2017.
[2] NEVES, Frederico de Castro  A miséria na literatura: José do Patrocínio e a seca de 1878 no Ceará. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tem/v11n22/v11n22a05.pdf, acesso em 23 out. 2017.
[3] BASSANEZI, Maria Silvia C. Beozzo Migrantes no Brasil da segunda metade do século XIX. Disponível em: http://www.abep.org.br/publicacoes/index.php/anais/article/viewFile/1048/1013, acesso em 23 out. 2017.
[4] O Pharol, Juiz de Fora, 12 de maio 1978, n. 37, p. 02.

sábado, 21 de outubro de 2017

ANNELI FURMARCK: DA PINTURA AOS QUADRINHOS

Este ano eu pude conhecer o trabalho de várias autoras suecas, com os mais variados estilos. Com algumas delas eu tive o privilégio de conversar pessoalmente, com outras eu troquei mensagens pelo facebook e e-mails. 

Tentei postar, sempre que possível, alguma coisa sobre a obra dessas mulheres. Através delas eu procurei entender como funciona a indústria dos quadrinhos suecos que, acredito, é a única que atualmente é quase dominada pelas mulheres. De fato, alguns especialistas com os quais conversei afirmaram que, atualmente, são elas que movimentam o mercado dos quadrinhos suecos.

Anneli Furmarck
Uma das autoras com as quais eu tive um contanto foi Anneli Furmark, que é considerada atualmente uma das mais importantes quadrinistas da Suécia. Seu trabalho já foi publicado no Canadá, Finlândia, Países Baixos além de  em vários jornais suecos.  Sua formação é em Belas Artes. Trabalhar com Histórias em quadrinhos não estava em seus planos, embora ela já desenhasse e escrevesse quadrinhos desde pequena. Foi para a pintura que Anneli voltou sua atenção quando ingressou na faculdade. Apenas na década de 1990 que ela começou a produzir seus primeiros quadrinhos. Anneli fez o caminho inverso de muitas autoras, que deixaram os quadrinhos para se dedicar à pintura e à ilustração.

“Eu sempre me interessei por desenho e por quadrinhos, mas de certa forma eu comecei tarde. Foi apenas quando eu terminei meus estudos de arte (MFA, Umeå University, 1997) que comecei a trabalhar com histórias em quadrinhos curtas e com romances gráficos e a publicá-los.” [1]

Labyrinterna och andra serier
(2002)
Seu primeio romance gráfico veio em 2002, com o álbum Skapar Labyrinterna och andra serier (Labirintos e outros quadrinhos), pela Optimal Imprensa, uma coleção composta por histórias curtas, inspiradas na sua infância em Norrbotten. Assim como muitos outros autores suecos ela encontrou nos quadrinhos autobiográficos uma gênero atraente em seus primeiros trabalhos. 

Em 2009, Anneli Furmarck passou a escrever quadrinhos de ficção científica, com Skapar August & jag, uma história que envolve viajantes do tempo e narra a história de um escritor que fora tirado do seu século.  Para suas obras de ficção ela tira inspiração em autores como Júlio Verne.
 
Jordens medelpunkt (2012)
Seus personagens estão constantemente esbarrando em novas experiências que fazem suas vidas tomarem rumos inesperados. Quando questionado sobre qual de seus quadrinhos ela gosta mais, Annelli aponta  o albúm Jordens medelpunkt (O Centro da Terra), que segundo ela “tem um lugar especial no meu coração”[2]. É uma história em quadrinhos sobre “o medo, o amor e a natureza incrível da Islândia.” Criada no norte da Suécia, próxima da Finlândia, Anneli usa as paisagens naturais daquela região como pano de fundo de muitos dos seus quadrinhos.

Fiskarna i havet (2010)

Quando falamos sobre a participação feminina na produção de quadrinhos na Suécia, Furmark relacionou o maior interesse e destaque dos quadrinhos naquele país com a maior participação das mulheres. Segundo ela isso vem atraindo mais leitores e, também, mais artistas. Para Anneli nos últimos dez anos o sexismo diminuiu na Suécia e isso foi muito bom para as mulheres. A diferença é tanta com relação a outros países.

”Eu fico bastante chocada quando eu vou para a França por exemplo, e vejo quanto sexismo ainda existe na indústria dos quadrinhos de lá. Aqui não é perfeito, mas é muito melhor”[3].

De fato, o espaço conquistado pelas mulheres na indústria cultural sueca nos últimos anos é exemplar. Tudo possível graças ao fortalecimento do movimento feminista naquele país e do compromisso assumido pelo governo em diminuir as desigualdades de gênero usando para isso a educação e a cultura. A Suécia, no entanto, está longe de ser perfeita, como bem destacou Anneli mas, entre os países do ocidente talvez seja o que mais avançou no combate ao sexismo e à misoginia.

Conheça um pouco do trabalho de Anneli Furmack clicando aqui!

Fontes consultadas:
Anneli Furmark. Disponível em: http://www.kartago.se/forfattare/anneli-furmark/, acesso em 18 de mai. 2017.
Anneli Furmark. Disponível em: https://www.bibblo.se/111841/sv/articles/anneli-furmark, acesso em 18 de mai. 2017.



[1] Anneli Furmark, entrevista concedida via e-mail em 22 mai. 2017.
[2] Idem.
[3] Idem.