sábado, 2 de novembro de 2019

QUANDO A MELHOR RECOMPENSA É UM SORRISO NO FINAL DO DIA

Turma do 3º Ano (capricharam no visual).

Todo ano eu tenho o costume de postar um texto no dia do professor. Às vezes um desabafo, às vezes uma reflexão. Este ano eu não escrevi nada e, sinceramente, não me repreendi. Não  tenho obrigatoriamente que falar sobre minha profissão e minhas experiências APENAS no dia dos professores ou necessariamente todo ano naquele dia. 

O dia do professor(a) pode ser qualquer um ao longo do ano. Ontem, por exemplo, foi meu dia do professor. O dia que eu me senti tão bem com o que eu faço que me fez ter vontade de escrever sobre isso. Por que ontem, em especial? Não sei explicar exatamente. Acho que foi um conjunto de microeventos que aqueceram meu coração.

Eu acordei cedo e muito cansada. Eu me preparei como uma robô para ir à escola.  Naquele dia os alunos do ensino médio se fantasiariam para comemorar o dia das bruxas, uma forma que a escola encontrou para que eles relaxassem e se  descontraíssem  antes do ENEM. Eu resolvi me juntar à brincadeira e improvisei uma fantasia, apesar de estar um pouco desanimada.

Comecei meu dia com o oitavo ano. Mesmo estando fantasiada, o que acadou deixando os alunos um pouco mais agitados, a aula correu tranquilamente e, acreditem, rendeu bastante. Tanto que ainda sobrou um tempinho para tirarmos algumas fotos. O mesmo aconteceu com o terceiro ano, que às vésperas do ENEM não é exatamente um paraíso para nenhum professor.

Apensar de cansada e de ter dado aulas com salto alto, coisa que eu detesto, eu saí da escola mais leve. Sabe aqueles microeventos dos quais eu falei? Eles foram mais eficientes do que qualquer vitamina para meu estresse. 

Uma aluna que me ajudou com a fantasia; muitos alunos quiseram tirar fotos comigo; um aluno sapeca tentou tirar meu chapéu (eu estava fantasiada de bruxa) e eu saí correndo atrás dele, rindo, pelo pátio da escola; uma aluna me deu um abraço apertado (a mesma que escreveu uma carta para mim, em francês no dia dos professores e me deixou com lágrimas nos olhos). E, principalmente, a aluna que disse que aprendeu a gostar de história aquele ano, comigo. 

Sabe aquele cansaço e aquele desânimo que são típicos do final do ano? Pois é desapareceram. Meu dia do professor foi 01 de novembro, eu estava vestida bruxa, mas eu me senti uma daquelas princesas de contos de fadas, com um sorriso radiante que me acompanhou até o final do dia. 

Feliz(es) dia(s) do professor, para todos aqueles e aquelas que no final deste ano estão com a mesma sensação que a minha, a sensação de  ter feito algo bom, algo cuja recompensa é um sorriso no rosto, numa sexta-feira de novembro.


sábado, 26 de outubro de 2019

ALLA LANÇA LIVRO COM OBRAS PREMIADAS EM SEU CONCURSO LITERÁRIO

Foto da capa: jardim do Colégio Imaculada Conceição e, ao fundo, a Catedral de São Sebastião.
A Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) publicou as obras finalistas de seu VI Concurso Literário. A ALLA convida a todos a conhecerem, adquirirem, comentarem e compartilharem esta obra. Ela é resultado de um trabalho de incentivo à cultura que vem sendo realizado nas escolas e na comunidade de Leopoldina (MG) anualmente e que, para nossa alegria, tem dado atraído cada vez mais o interesse de jovens pela leitura e, principalmente, pela escrita.

O livro está disponível para compra na Amazon.
Para ver a versão E-book, clique aqui.
Para ver a versão impressa: clique aqui.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS PELOS DORAMAS: W - ENTRE DOIS MUNDOS (더블유)

Imagem promocional
Recentemente eu me converti a uma fã de doramas (séries dramáticas orientais), dos mais variados tipos. Sim, porque há muitos deles, em gêneros narrativos diversos. Eu tinha, a princípio, algum preconceito, que foi rapidamente superado quando assisti à primeira série, no Netflix. Posteriormente, percebi que os doramas iam muito além de romances e dramas. Há ótimas produções de fantasia, ficção científica, comédias, suspense e aventura. Também me surpreendi com a qualidade dos atores, dos mais jovens aos veteranos.

Além disso, tem sido uma experiência enriquecedora conhecer aspectos de outra cultura que é ao mesmo tempo distante e familiar. Do ponto de vista intelectual, também me sinto estimulada. Tenho notado a forma como os doramas se apropriam da linguagem dos quadrinhos e, em muitos casos, os trazem diretamente para dentro das tramas. Muitos são baseados em webtoons ou manhwa, forma como são chamadas as histórias em quadrinhos sul coreanas, que diferente dos mangás são lidos da forma ocidental (à esquerda para a direita).

É perceptível a influência dos quadrinhos nos k-dramas (doramas sul-coreanos). Creio, inclusive, que seja relativamente maior que a estadunidense, que tem investido proporcionalmente mais no cinema do que em séries, que em muitos casos pegam carona em filmes de sucesso. Nos últimos 10 anos, por exemplo, no caso da Marvel, as séries vieram como subproduto do sucesso dos filmes. Além disso, em sua grande maioria, são séries baseadas em quadrinhos de superaventura e ação, não variando muito para além destes dois gêneros. 

Doramas de aventura, romance e comédia regularmente utilizam da metalinguagem e/ou de códigos próprios do quadrinhos. Balões, requadros, metáforas visuais, onomatopeias etc. Um exemplo destes recursos, explorados ao máximo, talvez seja o K-Drama "W" (2016), em hangul "더블유", traduzido no Brasil como "W:Entre dois mundos". Mas já adianto, não é uma resenha, longe disso.

Imagem promocional
A série se passa em "dois mundos" (como o título em português), o dito "real" e dos manhwa. Ao fazer isso ela não apenas vai trazer os quadrinhos para dentro da televisão, sem recorrer para aminação, como vai dialogar com eles. Daí entra a metalinguagem. Ao decorrer da série os próprios personagens vão analisando a lógica pela qual a narrativa dos quadrinhos de desenrola. São os quadrinhos (ou seus personagens) falando sobre sim mesmos.

O resultado é uma narrativa dinâmica que consegue se manter até o final de 16 episódios, que duram cerca de uma hora cada. Tanto a forma como os quadrinhos são inseridos como objeto e a forma com se cria todo um discurso narrativo em torno assumem uma forma de hibridismo cultural, conceito explorado por Peter Burke. No caso de "W", temos duas formas de narrativa sequencial que se unem em uma só, gerando um produto completamente novo.

Embora a linguagem televisiva  prevaleça ela fica atrelada à linguagem dos quadrinhos, o que é reforçado pelo uso da metalinguagem, do início ao fim da série. Claro, esta é uma análise bem superficial que pretendo desenvolver melhor no futuro. 

No que diz respeito à produção em si, temos um trabalho de boa qualidade, com uso de bons efeitos especiais e que aproveitou muito bem seus atores, dos protagonistas os atores Lee Jong-Suk (Kang Cheol) e Han Hyo-joo ( Oh Yeon-joo) aos coadjuvantes. Para quem ficou curioso, esta série está disponível no Rakuten Viki, gratuitamente (se você tiver paciência para os intervalos comerciais). 

sábado, 28 de setembro de 2019

HOMO ETERNUS - LANÇAMENTO


O professor pesquisador dr. Gazy Andraus, está lançando o álbum  “Homo Eternus”, vol. 2, pela Editora Criativo, dando sequência à sua quadrilogia derivada do projeto de fanzine homônimo, coeditado originalmente entre 1993 e 1994 com Edgard Guimarães (pelo seu zine “QI”).  O álbum, cuja capa foi colorizada por Jorge Del Bianco, reproduz o fanzine original Homo Eternus n.º 2, e traz, além das HQs curtas do fanzine original de nº 2, outros quadrinhos inéditos produzidos na mesma época, sendo todos na linha fantástico-filosófica. 

Sobre o autor
Gazy Andraus possui Doutorado em Ciências da Comunicação pela ECA - Escola de Comunicações e Artes da USP - Universidade de São Paulo (2006), mestrado em Artes pela UNESP - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999) e graduação em Licenciatura Plena Em Educação Artística pela FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado (1992). Atualmente realiza pós-doutoramento no Programa de pós-Graduação em arte e Cultura Visual (Ppgacv). Foi professor designado da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais), Unidade de Campanha/MG no curso de Pedagogia de 2017 a 2018, professor do Curso de Artes da FIG-UNIMESP, de 2005 a 2016 (onde também coordenou e lecionou pós-graduação bem como Tecnólogo em Design). É pesquisador do Observatório de História em Quadrinhos da ECA (USP); membro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS); do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação - INTERESPE (PUC) e do grupo Criação e Ciberarte (UFG). 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

MULHERES & QUADRINHOS


Mulheres e Quadrinhos atingiu a meta de 100% de seu financiamento logo nas primeiras semanas de campanha, encerrando com 157% de apoio. Publicado pela editora Skript (a mesma que lançou a HQ sobre Bill Finger) e organizado pelas aspianas Dani Marino e Laluña Machado, o livro poderá ser adquirido na pré-venda da Amazon a partir de setembro. 

Com cerca de 500 páginas e a participação de 120 mulheres, a publicação traz uma grande variedade de traços e temas na perspectiva de quadrinistas, roteiristas, editoras, tradutoras, letristas, jornalistas, coloristas e pesquisadoras que atuam no mercado nacional de HQ.

Uma publicação que conta com artistas que terão suas HQ impressas pela primeira vez e outras já consagradas como Lu Cafaggi, Marina Sousa, Rebeca Prado, Mariana Cagnin, Carol Andrade, Cris Eiko, Lilian Mitsunaga e Fefê Torquato, passando por tantos grandes nomes como Carol Pimentel, Beth Kodama e Dandara Palankof. O livro também conta com entrevistas, depoimentos e textos acadêmicos das associadas Sabrina Paixão, Natania Nogueira, Valéria Fernandes e Cátia Ana compondo uma produção inédita no país, tanto pela diversidade de gêneros, origens e etnias que apresenta, como pelo seu tamanho.

Sobre as organizadoras:

Dani Marino é pesquisadora de Histórias em Quadrinhos e mestre em Comunicação pela USP. Além de ser editora do site MinasNerds, também integra grupos de pesquisa como o Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP, a ASPAS – Associação de pesquisadores em Arte Sequencial e o Grupo de pesquisas e estudos Sonia Luyten. Grande parte de sua atuação está ligada às questões de representatividade feminina e questões de gênero na cultura pop.

Laluña Machado é Historiadora especialista em Batman. É uma das editoras das Minas Nerds, além de ser associada da ASPAS, integrante do Observatório de Histórias em Quadrinhos e coordenadora do grupo de pesquisas Sonia Luyten. Apesar de ser mais conhecida por seus estudos sobre o Homem-Morcego, suas produções abordam os aspectos históricos e filosóficos encontrados nas HQ com bastante profundidade.


terça-feira, 20 de agosto de 2019

SUPERGIRL: SESSENTA ANOS DE SUPERAVENTURA

Supergirl #26 - janeiro de 2019.
Imagem disponível em: https://unknowncomicbooks.com/products/supergirl-26vared

Este ano a Supergirl completou 60 anos. Criada em 1959, a heroína nasceu para ser a parceira adolescente do Superman, de quem é a prima. O parentesco, no entanto, não impediu que o kryptoniano mais famoso dos quadrinhos a tratasse, por décadas, como uma menina desamparada e, por vezes, alienada. Para quem não conhece a origem desta super-heroína, que atualmente é protagonista de uma série de sucesso da DC, farei um pequeno resumo.

Tudo começou um ano antes da estreia oficial da personagem. Em 1958, na revista na revista Superman #123, Otto Binder e Curt Swan criaram uma personagem que era a versão feminina do Superman.  Ela nasceu, segundo a história, do desejo de Jimmy Olsen, que de posse de um artefato mágico criou a Super-Girl. Adulta e tão poderosa quanto o Superman, a personagem ganhou uma história especial. Ela era a parceira perfeita, tão perfeita que teve que ser sacrificada ao final da aventura, para garantir a sobrevivência do próprio Superman. Ela se sacrifica no lugar do Homem de Aço, protegendo-o de um meteoro de kryptonita. 
 
Capa da revista Superman #123, 1958.
A história agradou ao público e, um ano depois, seus criadores reformularam a personagem que resurgiu como a Supergirl, a parceira adolescente do Superman. Sua história de origem foi publicada na Action Comics #252, em maio de 1959.  Ao contrário da sua primeira versão ela é insegura, submissa e psicologicamente dependente do Superman, bem ao gosto do machismo dos anos de 1950/1960.  Kara, a última sobrevivente de um grupo de kryptonianos que ainda resistia após o fim trágico do planeta. Ela foi enviada à  Terra, assim como seu primo, para garantir a sobrevivência do legado da família.

Mas ela vai ter um destino diferente do Superman, que quando chegou a Terra não possuía nenhum parente e foi adotado por um casal que não tinha filhos. Igualmente órfã, kara recorre a seu único parente vivo que, pasmem, a envia para um orfanato negando-lhe aquilo que ela tencionava encontrar na Terra: uma família. O Superman das décadas de 1950 e 1960 estava longe de ser um primo carinhoso. Pelo contrário, ele vê a prima com desconfiança e teme que ela coloque em risco sua vida cuidadosamente organizada.

A moça, por sua vez, procura se encaixar no mundo do primo, obedecendo cegamente e colocando as prioridades do Superman à frente das suas.  A Supergirl, criada no final dos anos ed 1950, representa o ideal de mulher que a sociedade dirigida pelos homens espera ver representada: obediente e devotada.
Na revista Action Comics # 252, p. 06 (meu acervo) o Superman recepciona a prima e a encaminha para um orfanato.
Ao contrário da Mulher Maravilha, criada para ser um modelo feminista para as mulheres da década de 1940, a Supergirl apresenta o modelo da adolescente ideal, sem qualquer traço de rebeldia e pronta a fazer qualquer coisa pela sua família, no caso pelo seu primo, tendo, inclusive, rejeitado durante muitos anos propostas de adoção com medo de que isso pudesse de qualquer forma colocar em risco a identidade secreta do Superman.

Por outro lado, ela se preocupa, também, em conter seus poderes para não ameaçar o status de pessoa mais poderosa de Terra, que o Superman ostentava. Ou seja, ela se acomodava a um papel secundário e se contentava com as sobras de atenção que recebia.

Esta Supergirl marcou a década de 1960, tanto em quadrinhos publicados nos Estados Unidos quanto em outros países, como o Brasil. Essa representação estereotipada da mulher perfeita, ou seja, aquela que aceita ser uma sombra do homem, contendo seu brilho e reforçando o discurso de superioridade física masculina, foi sofrendo transformações ao decorrer dessas seis décadas.

Atualmente, a personagem assumiu uma postura diferente, empoderada, não mais uma mera sombra do Supeman e bem mais do que a adolescente recatada e comportada. A Kara-El do século XXI superou sua dependência do Superman, conquistou sua autonomia e, tanto nos quadrinhos quando na série de TV, que está já na sua quinta temporada, mostrou que a igualdade de gêneros é o caminho que deve ser seguindo, também, pelas personagens femininas de superaventura.
 
Supergirl, interpretada por Melissa Marie Benoist , na sua quinta temporada, que estreia em outubro de 2019.
Imagem capturada em: https://pipocamoderna.com.br/2019/07/supergirl-video-e-foto-destacam-novo-uniforme-e-franja-da-heroina/
Inteligente, versátil, justa e poderosa, ela têm ganhado uma legião de fãs que, até pouco tempo, nem a conheciam. No universo da DC ela divide espaço com veteranas como a Mulher Maravilha e tem colocado na mesa uma nova tendência: a do protagonismo crescente das mulheres na cultura pop. 

Comemorar os sessenta anos da Supergirl é também repensar as relações de gênero nos quadrinhos e na própria sociedade. Nas últimas décadas a personagem foi amadurecendo e ganhando segurança, tornando-se muito mais do que uma simples ajudante, conquistando espaço nos quadrinhos da mesma forma como as mulheres, notadamente a partir dos anos de 1970, vêm cada vez mais se destacando em vários setores da sociedade, apesar de todo todo o patriarcalismo que ainda insiste em marcar as relações entre homens e mulheres.

Que a Supergirl seja um modelo para as nossas adolescentes, não mais pela sua obediência cega, mas pela capacidade de superar tabus e preconceitos que ainda impedem muitas mulheres de terem seu potencial humano reconhecido.



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

COMENTANDO O DORAMA CHINÊS GO GO SQUID - 亲爱的,热爱的


Go Go Squid é uma série chinesa (dorama) baseada no romance Stewed Squid with Honey, de Mo Bao Fei Bao. Ela é uma produção original do Ratuken Viki e até agora só tem cerca de metade dos seus episódios com legenda em português. É uma série recente, que estreou 9 de julho de 2019 e terminou no dia 31 do mesmo mês. Foram 41 episódios  nos quais eu realmente aprendi muita coisa. E nem me refiro especificamente ao conteúdo da série, mas ao fato de eu ter assistido 30 episódios com legendas em inglês. Nem eu sabia que meu inglês estava tão bom, eu que só o uso nas férias e para ler textos acadêmicos.

Por conta disso eu resolvi escrever esta pequena resenha sobre esse dorama chinês, que me fez abandonar a preguiça e praticar meu inglês e que me cativou pelos personagens e, principalmente, pela trilha sonora. A música de abertura "Nameless   Generation", de Chen Xue Ran é muito bonita, tanto o arranjo musical quando a própria letra. Inclusive, até semana passada, estava em sétimo lugar entre as mais tocadas na China, o que não é pouca coisa, levando-se em conta a população total daquele país. 

A série trata de um assunto muito interessante e atual, que são os campeonatos profissionais de jogos, coisa que eu realmente desconhecia que existia, com muitos fãs em todo o mundo e com prêmios milionários. A série, inclusive, tem um discurso voltado para a valorização dos profissionais que disputam esses campeonatos, apresentados como até como pioneiros numa área que tende a crescer no futuro. A preparação para a competição é o pano de fundo para o romance que vai se desenvolver entre os protagonistas.

(Música tema - "Nameless   Generation", de Chen Xue Ran)

Interessante como o tema "esporte" pode ser ufanista, não importa em qual lugar do mundo. O  discurso constante do protagonista da séria, um lendário ex-jogador profissional de games, chamado Han Shangyan, interpretado por Li Xian, que criou seu próprio clube, o K&K, cujo sonho é trazer para a China o título de campeão mundial. Sério, o discurso dele faria o Capitão América se verter em lágrimas. 

Uma coisa que estou aprendendo é que o chineses, em especial, exploram muito a parte psicológica dos seus personagens. Um bom dorama, mesmo que seja uma comédia romântica ou uma aventura de fantasia, encontra espaço para trabalhar questões psicológicas dos personagens explicando, muitas vezes, as razões de comportamentos antissociais ou mesmo agressivos. 

Sua contraparte romântica é a jovem Tong Nian, interpretada por Yang Zi , uma "aluna top", com QI de 140, que aos 19 anos já tem duas graduações, está terminando uma pós e caminha para o doutorado, com projetos inovadores na área de inteligência artificial, além de ser uma popular cantora da internet, responde pelo pseudônimo de "Pequena Lula". Uma moça muito meiga e que se apaixona, claro, pelo bad boy, grosseiro e antissocial que só vive para o trabalho.

Eu não assisto doramas há muito tempo, mas eu gosto dessa atriz, justamente porque o primeiro dorama que eu assisti foi com ela, Ashes of Love, disponível no Netflix. A moça é uma veterana com várias indicações a prêmios e muitos filmes e séries de sucesso, além de ter também uma carreira musical de sucesso. É incrível como ela consegue ser versátil, embora eu ache que ela combina mais com os dramas históricos. 

Não vou dar spoilers, longe de mim, mas recomendo a série. Ela é diferente, é atual, é interessante em muitos aspectos tem personagens muito carismáticos. Fica difícil não se encantar pelos meninos do K&K ou não torcer para que os personagens consigam resolver suas questão pessoais, que vão de dramas familiares a antigos ressentimentos entre grandes amigos que ficam separados por quase uma década.

Mas um ponto negativo, a meu ver, é que a esmagadora maioria do elenco que está relacionado aos campeonatos de jogos é de homens. As mulheres que aparecem ou são ligadas às família dos protagonistas (mães, tias, primas, amigas próximas) ou executam alguma atividade técnico-administrativa dentro dos clubes desportivos. Aquelas diretamente ligadas ao esporte são mais velhas e ocupam cargos de direção (gerente) das equipes, assumindo uma postura ou de irmã mais velha ou de mãe.  

Ou seja, nas equipes praticamente só há homens. Acho que isso reflete muito uma questão de gênero dentro da indústria dos games, na qual a participação da mulheres ainda é muito modesta e mesmo em jogos coletivos, que nada tem a ver com disputas oficiais, elas ainda são excluídas ou sofrem algum tipo de discriminação.

A série já tinha, até hoje, legendas em português até o episódio 27 é um dos destaques do Ratuken Viki. Se quiser conferir, clique aqui!

sábado, 3 de agosto de 2019

TOM-TOM E NANA: O PIONEIRISMO DE BERNADETTE DESPRÉS NOS QUADRINHOS INFANTIS




Em janeiro deste ano eu descobri Bernadette Desprès, autora de Tom-Tom e Nana. Ela foi, se eu não me engano, a única autora homenageada com uma exposição:Tom-Tom e Nana présentent: tout Bernadette Després (Tom-Tom e Nana apresentam toda a Bernadette Desprès), durante o 46º Festival Internacional de Dande Dessinée de Angoulême ainda recebeu outras honrarias. Desprès é uma veterana nos quadrinhos franceses e sua criação, voltada para o público infantil, foi adaptada para a TV, tornando-se uma febre na França, fazendo parte da infância de várias gerações de franceses.

Tive a oportunidade de ver a autora em ação e ouvir um pouco da sua história em um dos momentos em que ela foi homenageada durante a cerimônia de “Remisse des Prix Decouvertes” (Apresentação dos prêmios Descoberta), no Teatro de Angoulême, voltado para as escolas de educação básica da França e autores infanto-juvenis. Em vários outros momentos eu encontrei a sorridente Bernadette Després nas ruas de Angoulême ou em outras exposições. Arrependo-me muito de não ter tomado a iniciativa de cumprimentá-la. Uma pena mas, quem sabe, em outro momento? 
Bernadette Després nasceu em 28 de março de 1941, Paris, em uma família tradicional e católica. A autora cresceu lendo Bécassine e Tintin, duas bande dessinées (histórias em quadrinhos) que influenciaram sua escolha ao se tornar uma cartunista. Fez sua formação em artes na École de l ' Union Central des Arts Décoratifs. Sua primeira publicação foi em 1965, Annie fait les courses (Annie fazendo compras), pela La Farandole , um órgão do Partido Comunista. 

 A jovem de família burguesa fez seu debút em um órgão de imprensa comunista. Não deixa de ser curioso, até porque a família conservadora de Bernadette Després  nem mesmo a deixou frequentar a escola de Belas Artes, por considerar o ambiente o local perigosos. Foi nas escolas de Belas Artes dos anos de 1960 que surgiram muitos grupos de contestação política, de esquerda, inclusive grupos de mulheres que dariam origem ao Movimento de Liberação Feminina, movimento que se destacou na cena social e política a partir de 1970, na França.
Bernadette Després desenha enquanto responde a perguntas durante a cerimônia de entrega de "Remisse des Prix Decouvertes', durante o 46º Festival Internacional de Bande Dessinée de Angoulême.

Em 1966, ela começou seu trabalho como ilustradora na Bayard Presse, uma editora com um perfil completamente oposto ao da La Farandole, colaborando com as revistas voltadas para o público infantil e juvenil Pomme d'Api  e Okapi. Foi no ano de 1977 que a quadrinista lançou seus personagens de maior sucesso, Tom-Tom e Nana , na revista J'aime lire. A série foi publicada até 2004, tendo mais de 300 histórias e de 15 milhões álbuns vendidos. Com o sucesso da série, adaptada posteriormente para a televisão, começaram a vir os prêmios. E foram, muitos.

Tom-Tom e Nana conta as peripécias de dois irmãos, seus familiares e amigos, que convivem juntos em casa e no restaurante da família. É uma crônica da vida cotidiana contada a partir dos olhos de duas crianças. Possuí todos os ingredientes para chamar a atenção do público infantil e leva para dentro das casas francesas, seja pelos quadrinhos ou pelas animações transmitidas pela TV um pouco da doçura e inocência da infância.

Tanto os personagens quanto os ambientes que são mostrados na HQ e na animação foram inspirados em pessoas próximas à autora e a experiências de sua infância e adolescência. Bernadette Després, assim como muitos outros autores e autoras de quadrinhos, transforma sua vivência em arte. 

Eu acho esse um aspecto muito importante das HQs e, por isso, eu acabei me dedicando à pesquisa utilizando esse material como fonte, seja no que diz respeito ao ensino ou à pesquisa histórica em si. Além disso, há um grande didatismo na forma como ela narra suas histórias, o que o torna interessante para o professor como material de uso diário.
Exposição Tom-Tom e Nana présentent: tout Bernadette Després, na Cité de la Bande Dessinée, em Angoulême

Tantos anos de sucesso culminaram numa maravilhosa e ampla exposição inaugurada durante o 46º Festival de Bande Dessinée de Angoulême (Tom-Tom e Nana apresentam toda a Bernadette Desprès),  e o lançamento de uma nova séria animada para a TV. Com seus 78 anos de idade, Bernadette Despres é um dos casos raros de uma mulher que conseguiu se manter na carreira como quadrinista na França, até decidir se aposentar. No país, a participação das mulheres na indústria dos quadrinhos ainda é muito modesta. Elas, atualmente representam pouco mais de 20% dos profissionais ativos.

Durante a visita que fiz à exposição da autora, no 46º Festival Internacional de Angoulême eu tive uma aula de como se produzir quadrinhos para público infantil de forma a torná-lo pedagogicamente recomendado a todas as idades. A exposição, que ocorreu na Cité de la Bande Dessinée, espaço nobre reservado aos quadrinhos, nos apresenta a autora por meio dos seus personagens. Eu fui introduzida ao mundo de Tom-Tom e Nana por meio de imagens e textos. Uma exposição dedicada às crianças, mas na qual os adultos pareciam ainda mais encantados. Assisti as animações e tive a oportunidade, em outro momento, de ouvir a autora falar sobre sua carreira e, ainda, desenhar para um público de centenas de pessoas seus icônicos personagens.

Particularmente foi uma das melhores exposições que eu visitei, melhor até do que a festejada exposição dos 80 anos do Batman. Eu creio que isso se deve ao fato da exposição me remeter à escola. Havia muitas crianças, muitos pais, um cuidado em tornar o ambiente agradável a todos e uma alegria e vivacidade contagiantes. Meu lado professora falou mais alto naquele momento do meu lado nerd. Apesar de todo o glamour da exposição do Batman, acabem sendo seduzida pela simplicidade e inocência infantis de Tom-Tom e Nana.

Para aqueles que certamente vão me questionar sobre o fato de eu estar escrevendo sobre uma autora com quadrinhos mais conservadores, eu acho bom esclarecer que normalmente eu levo em consideração o impacto da obra sobre o público antes de qualquer coisa. E a obra de Bernadette teve e tem um impacto significativo em várias gerações de leitores. Tom-Tom e Nana também são um objeto interessante de estudo do ponto de vista pedagógico, uma vez que remetem a um tipo de leitura voltada para o público infantil. Além disso Després entra no hall das profissionais bem sucedidas na França o que faz dela uma personagem da indústria cultural que não pode ser negligenciada.

FONTES CONSULTADAS:

A très belle fête à Bernadette Després. Disponível em: <https://www.comixtrip.fr/dossiers/festival-angouleme-2019/tom-tom-et-nana-bernadette-despres/>. Acesso em: 02 ago. 2019.

Bernadette Desprès ("Tom-Tom et Nana" - Éd. Bayard) : "C’est fou que tous ces gens s’intéressent à moi maintenant !". Disponível em: <https://www.actuabd.com/Bernadette-Despres-Tom-Tom-et-Nana-Ed-Bayard-C-est-fou-que-tous-ces-gens-s?fbclid=IwAR2qpe8AmfKDSpOEH3KDwlnJjsMzKdHYoUNxzizwl6-ou0obFB0THgmYBUM>. Acesso em: 02 ago. 2019

DOUHAIRE,  Anne.  Angoulême 2019 : "Tom-Tom et Nana", les secrets d’une série réussie avec sa dessinatrice Bernadette Desprès. Disponível em: <https://www.franceinter.fr/livres/angouleme-2019-tom-tom-et-nana-les-secrets-d-une-serie-reussie-avec-sa-dessinatrice-bernadette-despres>. Acesso em: 02 ago. 2019

Tom-Tom et Nana invités du prochain Festival d'Angoulême. Dsponível em: < https://www.ladepeche.fr/article/2018/06/18/2820074-tom-tom-et-nana-invites-du-prochain-festival-d-angouleme.html>. Acesso em: 02 ago. 2019.
  


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

LIVRO: NAS HORAS MORTAS - VIDA NORTURNA NO CENTRO DO RIO DE JANEIRO (1920-1929)


Divulgando o lançamento, independente, do livro de Maurício Limeira, baseado na sua pesquisa de conclusão do curso de história da UFRJ, sobre a vida noturna na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1929. 


Leia o release:
Na década de 1920 as obras do prefeito Pereira Passos já haviam alterado a geografia física e social da cidade do Rio de Janeiro. A modernidade baseada no modelo francês consolidara a burguesia como classe dominante, e a sociedade, econômica e culturalmente, a ela se adaptava.

Para o cidadão médio, atravessado pela mudança de uma economia agrária para uma economia industrial, as mudanças em sua vida seriam profundas, e as relações com o outro (o vizinho, a esposa, o colega, o patrão, o Estado) também sofreriam tais mudanças. Da mesma maneira, mudava o Estado e mudavam as formas de controle sobre a população, visando tanto a submissão como a produtividade. Estabelece-se toda uma intrincada rede de relações a fim de atender estes objetivos, onde a maior liberdade em certos espaços complementa a repressão e o condicionamento em outros.

A fim de fugir deste condicionamento, do rigor de horários e de obediências, da submissão, o cidadão médio tinha a noite. Era nela que ele se refugiava, se divertia, e cometia os atos que o Estado proibia. A noite era o lugar da transgressão. E é deste espaço que trata Nas Horas Mortas: A vida noturna no Centro do Rio de Janeiro (1920-1929), obra que Maurício Limeira apresentou como monografia de final de curso na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde cursou História, e agora lança, como livro independente.

Nas Horas Mortas procura analisar, baseado principalmente na leitura de jornais da época, o funcionamento destes espaços dedicados à transgressão, à fuga da opressão do Estado. Dividido em duas partes, A Noite Iluminada (onde aborda a vida noturna autorizada pelo Estado, como as festas populares, o teatro e o cinema) e A Noite Obscura (em que trata das formas ilegais de transgressão, como o jogo, a prostituição e as drogas), o livro apresenta diversas curiosidades.

Seja acompanhando de perto os passos de autores como João do Rio, Benjamin Costallat e Ribeiro Couto, ou de anônimos das páginas do jornal Correio da Manhã, Nas Horas Mortas atravessa blocos de carnaval, entra nos espetáculos teatrais da Praça Tiradentes, acompanha a ação dos bolinas na nascente Cinelândia. Indo além, mergulha no funcionamento do jogo do bicho, dos clubes noturnos, dos prostíbulos e cabarés, das casas de ópio. Descreve com minúcias o variado comércio noturno e suas atividades de sedução, fornece endereços, reproduz diálogos e vocabulários, analisa a ação (ou a vista grossa) da polícia, e aproxima o contexto da época com o atual.

Onde encontrar
Nas Horas Mortas está disponível no site Portal dos Livreiros, em http://www.portaldoslivreiros.com.br/livro.asp?codigo=83512&titulo=Nas_Horas_Mortas:_A_vida_noturna_no_Centro_do_Rio_de_Janeiro_(1920-1929. O livro possui 138 páginas.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A DITADURA DA BELEZA: MINHA IDENTIDADE É BELEZA GANGNEN (내 아이디는 강남미인)


Estou na minha fase de assistir doramas (séries produzidas em países como Coréia do Sul, Japão e China), de todos os tipos. Mas não comento nem pretendo comentar todos. Fiz, creio eu, duas resenhas até agora. A primeira empolgada por ter descoberto as séries chinesas e coreanas, a segunda por ter me impressionado com uma série da qual, a princípio, eu não esperava muito. De lá para cá assisti muitas outras e até montei uma playlist com músicas chinesas e coreanas que me agradaram, às vezes até mais do que as séries.

Mas não sou uma fã daquelas de ir a fóruns e discutir sobre cada dorama que eu assisti.  Mas tal qual acontece com os quadrinhos, que eu estudo e leio por prazer, o contato com os doramas, assim como outros produtos da cultura pop, desperta em mim certas inquietações quando alguns temas são abordados. Isso aconteceu recentemente quanto assisti o dorama sul-coreano "Minha Identidade É Beleza Gangnam" (내 아이디는 강남미인), lançado em 2018 e baseado em um webtoon (termo usado para descrever webcomics ou manhwas sul-coreanos que são publicados online) publicado em 2016, pelo Naver Webtoon. 

O dorama envolve várias questões, inclusive de gênero. Ela conta a Kang Mi Rae (Im Soo Hyang), uma garota que desde a infância sofreu  bullying por causa da sua aparência. Isolada de todos, e mergulhada numa grande tristeza, ela faz uma cirurgia plástica radical e ganha um novo rosto.  Mi Rae pretende, com isso começar uma nova vida, agora na universidade. 

De outro lado, temos Do Kyung Suk (Cha Eun Woo) que foi colega de escola Kang Mi Rae. O rapaz, sisudo, triste e introspectivo, é antissocial e tem uma história familiar complicada. Ele é extremamente bonito,  cobiçado pelas mulheres e invejado pelos homens, mas não se importa com a aparência física. A distância, ele nutria simpatia por Mi Rae, embora não tenha interagido muitas vezes com ela enquanto estavam no ensino regular.

A série apresenta cenários nos quais a beleza é opressora tanto na sua ausência quando no seu excesso.  Este é um dos pontos que me encantou. Veja bem, Mi Rae, a partir das experiências traumáticas de sua infância e adolescência, acredita que a aparência externa é mais importante, e que ter um rosto bonito fará com que ela seja socialmente aceita. Já Do Kyung Suk, muito perspicaz, é capaz de enxergar para além das aparências e, no decorrer da história, ele vai ajudando Mi Rae a fazer o mesmo. 

O dorama demonstra que o bullying sofrido por Mi Rae é reflexo de um excesso de valorização da beleza física pela sociedade sul-coreana e,  neste caso específico, mas busca a razão para esse comportamento. O comportamento agressivo e mesquinho possuí uma razão e quem comete este tipo de violência pode estar sofrendo tanto quando quem é vitimada por ela. 

Pessoas bonitas são felizes? A beleza externa é tão importante assim? O que é beleza afinal? Estas questões afloram o tempo todo. E são respondidas ao longo da série de forma sutil explorando o clichê de que "o que importa é a beleza interior" de forma sensível e em um nível superior ao que já pude observar em produções que assisti anteriormente nas quais o tema é debatido.

As alunas "bonitas" da universidade são constantemente vítimas de assédio e de atitudes sexistas. As que são diferentes, seja pela forma física ou pela despreocupação com a aparência, dão um exemplo de empoderamento e autoaceitação comovente. Durante os 16 episódios da série isso é exposto, denunciado e combatido.  Isso me surpreendeu muito. 

O relacionamento que vai se desenvolver entre Mi Rae e  Do Kyung Suk acaba sendo o pano de fundo para se debater justamente sobre isso. Sobre tabus e preconceitos socais, como gordofobia, violência doméstica contra a mulher, sexismo e assédio moral e sexual. Tudo feito de forma bem madura e até didática. 

Dito isso, eu recomendo a quem tem interesse sobre o tema a conferir esse dorama, que está disponível gratuitamente no Viki (se você tiver paciência para os intervalos de propaganda), que disponibiliza uma grande quantidade de doramas,inclusive muitos que então sendo atualmente exibidos pela TV em seus respectivos países, com opção de legendas em português e em outros idiomas.

Para quem quiser saber mais há um excelente texto sobre a série no Cantinho de Tudo Blog (clique aqui para conferir), inclusive explicando o significado de Beleza Gangnem.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O XXX SIMPÓSIO NACIONAL DA ANPUH

Composição da mesa de abertura do XXX Simpósio de História da ANPUH, no dia 15 de julho, no Teatro Gararapes, em Olinda (PE).
Retornando do XXX simpósio Nacional de História, encontro bianual promovido pela ANPUH (Associal Nacional de História), eu não poderia deixar de escrever algumas palavras.

Normalmente eu faço alguns relatos sobre as impressões que tive das mesas-redondas, das conferências e do simpósio temático do qual eu participei mas desta vez eu optei um texto mais intimista. Nele quero tentar expressar em palavras o significado que este encontro, em especial, teve para mim.

Sou filiada à ANPUH desdes 1994. São 25 anos que eu sou oficialmente membro da associação, embora eu tenha começado a frequentar os encontros da ANPUH em 1991, quando ainda estava na faculdade. Mas foi nesse XXX Simpósio  que , pela primeira vez,  eu realmente senti um grande orgulho de fazer parte da ANPUH. 

Não me entendam mal, mas houve momentos em que eu pensei em me desfiar e apenas permaneci pela necessidade de manter o vínculo com outros pesquisadores e poder me manter atualizada. No entanto, este ano, em meio a tantas dificuldades e tanta perseguição às universidades e aos profissionais ligados às ciências humanas, eu senti  pela primeira vez que a ANPUH realmente me representa. Talvez eu tenha finalmente tomando consciência da importância de fazer parte de algo maior. 

Fala inspiradora de  Joana Maria Pedro (UFSC), acompanhada de Márcio Ananias Ferreira Viana (UFPE), ao centro, e Roger Chartier, que fez uma conferência logo em seguida.

A abertura do XXX Simpósio foi emocionante. A energia no auditório, que reuniu milhares de pessoas de todos o país e do exterior foi revigorante. Tanto os convidados quanto os membros da direção e da organização do evento foram felizes em cada palavra proferida. Eu não teria como nomear a todos, pois foram tantas falas pertinentes, então eu gostaria de citar a ex-presidente da ANPUH Joana Maria Pedro cujas palavras aqueceram meu coração. Por meio dela, agradeço a todos os demais. 

A ANPUH é hoje uma força de resistência contra a ordem estabelecida, que caça direitos, distorce a história e dissemina o caos. A ANPUH representa aqueles que acreditam na educação e na pesquisa como forma de desenvolvimento humano. Ela é um oásis de sanidade em meio a tanta loucura. 

Ao retornar para casa eu me senti revigorada e determinada a continuar resistindo, continuar pesquisando. A dar o meu melhor como pesquisadora e educadora. A ANPUH me represente e eu quero representá-la da melhor forma possível, também.

E-BOOK DO II COLÓQUIO INTERNACIONAL MOVIMENTOS, TRÂNSITOS & MEMÓRIAS


Foi lançado semana passada o E-Book do II Colóquio Internacional Movimentos, Trânsitos & Memórias, que ocorreu em abril deste ano na Universidade Salgado de Oliveira. Eu apresentei um texto, que faz parte da minha pesquisa de doutorado: "O nascimento da imprensa feminista na França". Para quem tiver interesse no meu texto, em particular, basta clicar aqui! Para ter acesso aos dois volumes do E-Book, clique aqui!