sexta-feira, 26 de julho de 2019

A DITADURA DA BELEZA: MINHA IDENTIDADE É BELEZA GANGNEN (내 아이디는 강남미인)


Estou na minha fase de assistir doramas (séries produzidas em países como Coréia do Sul, Japão e China), de todos os tipos. Mas não comento nem pretendo comentar todos. Fiz, creio eu, duas resenhas até agora. A primeira empolgada por ter descoberto as séries chinesas e coreanas, a segunda por ter me impressionado com uma série da qual, a princípio, eu não esperava muito. De lá para cá assisti muitas outras e até montei uma playlist com músicas chinesas e coreanas que me agradaram, às vezes até mais do que as séries.

Mas não sou uma fã daquelas de ir a fóruns e discutir sobre cada dorama que eu assisti.  Mas tal qual acontece com os quadrinhos, que eu estudo e leio por prazer, o contato com os doramas, assim como outros produtos da cultura pop, desperta em mim certas inquietações quando alguns temas são abordados. Isso aconteceu recentemente quanto assisti o dorama sul-coreano "Minha Identidade É Beleza Gangnam" (내 아이디는 강남미인), lançado em 2018 e baseado em um webtoon (termo usado para descrever webcomics ou manhwas sul-coreanos que são publicados online) publicado em 2016, pelo Naver Webtoon

O dorama envolve várias questões, inclusive de gênero. Ela conta a Kang Mi Rae (Im Soo Hyang), uma garota que desde a infância sofreu  bullying por causa da sua aparência. Isolada de todos, e mergulhada numa grande tristeza, ela faz uma cirurgia plástica radical e ganha um novo rosto.  Mi Rae pretende, com isso começar uma nova vida, agora na universidade. 

De outro lado, temos Do Kyung Suk (Cha Eun Woo) que foi colega de escola Kang Mi Rae. O rapaz, sisudo, triste e introspectivo, é antissocial e tem uma história familiar complicada. Ele é extremamente bonito,  cobiçado pelas mulheres e invejado pelos homens, mas não se importa com a aparência física. A distância, ele nutria simpatia por Mi Rae, embora não tenha interagido muitas vezes com ela enquanto estavam no ensino regular.

A série apresenta cenários nos quais a beleza é opressora tanto na sua ausência quando no seu excesso.  Este é um dos pontos que me encantou. Veja bem, Mi Rae, a partir das experiências traumáticas de sua infância e adolescência, acredita que a aparência externa é mais importante, e que ter um rosto bonito fará com que ela seja socialmente aceita. Já Do Kyung Suk, muito perspicaz, é capaz de enxergar para além das aparências e, no decorrer da história, ele vai ajudando Mi Rae a fazer o mesmo. 

O dorama demonstra que o bullying sofrido por Mi Rae é reflexo de um excesso de valorização da beleza física pela sociedade sul-coreana e,  neste caso específico, mas busca a razão para esse comportamento. O comportamento agressivo e mesquinho possuí uma razão e quem comete este tipo de violência pode estar sofrendo tanto quando quem é vitimada por ela. 

Pessoas bonitas são felizes? A beleza externa é tão importante assim? O que é beleza afinal? Estas questões afloram o tempo todo. E são respondidas ao longo da série de forma sutil explorando o clichê de que "o que importa é a beleza interior" de forma sensível e em um nível superior ao que já pude observar em produções que assisti anteriormente nas quais o tema é debatido.

As alunas "bonitas" da universidade são constantemente vítimas de assédio e de atitudes sexistas. As que são diferentes, seja pela forma física ou pela despreocupação com a aparência, dão um exemplo de empoderamento e autoaceitação comovente. Durante os 16 episódios da série isso é exposto, denunciado e combatido.  Isso me surpreendeu muito. 

O relacionamento que vai se desenvolver entre Mi Rae e  Do Kyung Suk acaba sendo o pano de fundo para se debater justamente sobre isso. Sobre tabus e preconceitos socais, como gordofobia, violência doméstica contra a mulher, sexismo e assédio moral e sexual. Tudo feito de forma bem madura e até didática. 

Dito isso, eu recomendo a quem tem interesse sobre o tema a conferir esse dorama, que está disponível gratuitamente no Viki (se você tiver paciência para os intervalos de propaganda), que disponibiliza uma grande quantidade de doramas,inclusive muitos que então sendo atualmente exibidos pela TV em seus respectivos países, com opção de legendas em português e em outros idiomas.

Para quem quiser saber mais há um excelente texto sobre a série no Cantinho de Tudo Blog (clique aqui para conferir), inclusive explicando o significado de Beleza Gangnem.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE O XXX SIMPÓSIO NACIONAL DA ANPUH

Composição da mesa de abertura do XXX Simpósio de História da ANPUH, no dia 15 de julho, no Teatro Gararapes, em Olinda (PE).
Retornando do XXX simpósio Nacional de História, encontro bianual promovido pela ANPUH (Associal Nacional de História), eu não poderia deixar de escrever algumas palavras.

Normalmente eu faço alguns relatos sobre as impressões que tive das mesas-redondas, das conferências e do simpósio temático do qual eu participei mas desta vez eu optei um texto mais intimista. Nele quero tentar expressar em palavras o significado que este encontro, em especial, teve para mim.

Sou filiada à ANPUH desdes 1994. São 25 anos que eu sou oficialmente membro da associação, embora eu tenha começado a frequentar os encontros da ANPUH em 1991, quando ainda estava na faculdade. Mas foi nesse XXX Simpósio  que , pela primeira vez,  eu realmente senti um grande orgulho de fazer parte da ANPUH. 

Não me entendam mal, mas houve momentos em que eu pensei em me desfiar e apenas permaneci pela necessidade de manter o vínculo com outros pesquisadores e poder me manter atualizada. No entanto, este ano, em meio a tantas dificuldades e tanta perseguição às universidades e aos profissionais ligados às ciências humanas, eu senti  pela primeira vez que a ANPUH realmente me representa. Talvez eu tenha finalmente tomando consciência da importância de fazer parte de algo maior. 

Fala inspiradora de  Joana Maria Pedro (UFSC), acompanhada de Márcio Ananias Ferreira Viana (UFPE), ao centro, e Roger Chartier, que fez uma conferência logo em seguida.

A abertura do XXX Simpósio foi emocionante. A energia no auditório, que reuniu milhares de pessoas de todos o país e do exterior foi revigorante. Tanto os convidados quanto os membros da direção e da organização do evento foram felizes em cada palavra proferida. Eu não teria como nomear a todos, pois foram tantas falas pertinentes, então eu gostaria de citar a ex-presidente da ANPUH Joana Maria Pedro cujas palavras aqueceram meu coração. Por meio dela, agradeço a todos os demais. 

A ANPUH é hoje uma força de resistência contra a ordem estabelecida, que caça direitos, distorce a história e dissemina o caos. A ANPUH representa aqueles que acreditam na educação e na pesquisa como forma de desenvolvimento humano. Ela é um oásis de sanidade em meio a tanta loucura. 

Ao retornar para casa eu me senti revigorada e determinada a continuar resistindo, continuar pesquisando. A dar o meu melhor como pesquisadora e educadora. A ANPUH me represente e eu quero representá-la da melhor forma possível, também.

E-BOOK DO II COLÓQUIO INTERNACIONAL MOVIMENTOS, TRÂNSITOS & MEMÓRIAS


Foi lançado semana passada o E-Book do II Colóquio Internacional Movimentos, Trânsitos & Memórias, que ocorreu em abril deste ano na Universidade Salgado de Oliveira. Eu apresentei um texto, que faz parte da minha pesquisa de doutorado: "O nascimento da imprensa feminista na França". Para quem tiver interesse no meu texto, em particular, basta clicar aqui! Para ter acesso aos dois volumes do E-Book, clique aqui!

sábado, 22 de junho de 2019

NOSSO LUGAR SECRETO 独家记忆番外


Eu fiz no mês passado a resenha de uma série chinesa, um dorama ou C-drama (clique aqui para conferir!). Eu estava meio enjoada de séries estadunidenses e resolvi experimentar outras coisas. Posteriormente, tomei gosto e assisti a outras séries, até muito melhores. Não me dei ao trabalho de resenhar uma vez que já havia muita coisa sobre elas na internet. Por exemplo, Eternal Love (Ten Miles Of Deach Blossoms) foi fantástico, mas não resenhei porque já havia muita coisa escrita sobre esse C-drama e não havia um propósito em repetir "mais do mesmo".

Mas ontem eu terminei de assistir um C-drama chamado "Nosso lugar secreto"  (Somewhere Only We Know) e, como de hábito, resolvi ler o que havia sido escrito sobre ele e comparar com as minhas impressões. Qual foi a minha surpresa ao descobrir que não havia nada escrito ainda. A própria Netflix fez uma resumo tão enxuto da série que, sinceramente, não chega nem perto do que ela realmente pode oferecer ao assinante. Então, me dei ao luxo de fazer essa pequena resenha (sem spoilers) da série, para amigos e conhecidos que tiverem interesse e quiserem conferir.

A série é um lançamento de 2019, mas ela se passa entre os anos de 2012 e 2013. O ambiente em que a trama se desenrola é basicamente a Universidade de Tung Hu (acho que é um nome fictício, pois não consegui encontrar nada sobre ela). A série gira em torno dos relacionamentos e problemas familiares de quatro amigas, que dividem um dormitório:  Zhao Xiao Tang (Sun Jia Ling), Bai Lin (não achei o nome da atriz),  Song Qi Qi (Deng Yu Li) e Xue Tong ( Li Ting Ting). Quatro moças entre seus 20 e 22 anos de idade, com personalidades diferentes e que enfrentam  muitos desafios na vida profissional e pessoal. 

Embora a série, com 24 episódios, comece focando no romance entre  Mu Cheng He (Chao Zhang) e Xue Tong, as quatro amigas acabam dividindo o protagonismo em tramas paralelas.


Os C-dramas que eu assisti até agora falam de romances inusitados, com altos e baixos, e uma enorme carga dramática. Normalmente o roteiro segue a regra: casal se apaixona, tentam separar o casal com tramas mirabolantes - e geralmente há uma mulher como vilã - e casal finalmente fica junto. Isso tudo regado a muitas lágrimas. O que essa série vai ter de diferente? 

Ao contrário das outras ela é uma série mais adulta e que explora intensamente o lado psicológico dos personagens. São pessoas comuns, vivendo uma vida comum e com problemas comuns. Também não há aquele excesso de maquiagem que eu percebo nas outras séries. Os atores estão, literalmente, de cara lavada. Possui uma carga emocional muito grande, claro, como vai acontecer em quase todos os seriados chineses que estão no Netflix.

É uma pequena novela que fala dos altos e baixos da vida, sem tramas para separar ou unir casais. Existe uma causa e efeito para tudo e as situações mais dramáticas surgem justamente para demonstrar que o custo e mesmo o benefício que o amadurecimento vai trazer para os personagens. Num determinado momento, uma personagem comenta que o preço de ficar mais velha são os desafios (problemas) que vão se multiplicando e isso é o preço se tornar adulto.

Eu, particularmente, gosto das séries que têm um pouco (ou bastante) fantasia, mas esta me pegou de surpresa. Fui fisgada pela sua simplicidade e pela forma como explora despretenciosamente o dia a dia de pessoas comuns. Outra coisa que me chamou a atenção nos c-dramas, de forma geram, foram os relacionamento entre homens e mulheres. Há muitos abraços e poucos beijos. 

Sexo é geralmente tratado de forma velada e raramente sugestionado. Mas nesta série fica claro que há relacionamento sexual entre os personagens e isso é encarado como algo normal e saudável. Mas é bom frisar que esses relacionamentos são heteroafetivos. Ele não possui o puritanismo marcante em outras séries chinesas, embora seu foco esteja muito mais nas relações sentimentais e do que em aspectos físicos do relacionamento heteroafetivo. 

Enfim, eu recomento a série pela sua sensibilidade e pela sua simplicidade. Boa opção para quem, como eu, enjoou de novelas, mas que eventualmente sente falta de assistir a um bom drama. 

ADENDO: eu recebi alguns comentário, que vou responder em seguida mas, de antemão eu adiando que concordo com relação ao final. O único ponto negativo: o final. Ele foi muito abrupto, mereciam ali mais um ou dois episódios. Mas acho que li algo sobre a série ter sido abreviada, o que pode explicar o final ter sido tão brusco.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE LEOPOLDINA: IGREJA DE PROVIDÊNCIA - 1898

Igreja de Santo Antônio, em Providência (não tenho certeza se é a mesma que recebeu a benção em 1898, preciso verificar).

Lendo a Gazeta de Leopoldina, de 12 de junho 1898, deparei-me com um pequeno trecho que falava de uma festa em Providência, distrito de Leopoldina (MG), para a benção da nova Igreja. As festividades ocorreram entre 12 e 13 de junho. Segundo a Gazeta, do dia 19 de junho, trata-se da primeira Igreja do povoado. O jornal dese dia dedicou uma longa descrição das festividades, em primeira página. Leia um trecho:

(...) Conquanto de pequenas dimensões, todavia já preenche um fim sobremaneira elevado.

Acha-se colocada em um ponto belíssimo e fora construída por meio de auxilio dos fieis, tendo concorrido com o maior óbulo, afinal, o dr. Antônio Pedro, que assumira a direção dos seus trabalhos, para  o que não poupou esforços.

É S. Antônio seu padroeiro. Ele - que é um santo milagroso por excelência, mede um metro e é uma imagem perfeitíssima. 

A igreja o obtivera-o, por meio de um ato de devoção, da virtuosa esposa do dr. Antônio Pedro (...).
(Gazeta de Leopoldina, 19 de junho de 1898, p. 01)

Festas religiosas eram eventos concorridos e que reuniam pessoas de todos os estratos sociais, dando destaque, claro, aos membros da elite local. Muitas vezes eles doavam dinheiro para as obras das igrejas, compravam vitrais, encomendavam e doavam estátuas de santos, como foi o caso da doação feita pela esposa do dr. Antônio Pedro, cujo o nome não foi citado. 

As mulheres tinha sua identidade sobreposta pela do homem. Ela era simplesmente a filha do fulano, a esposa do beltrano. Mesmo quando seu nome é citado, ela ainda fica atrelada à sua condição de esposa ou filha de alguém. Note que isso ocorre ainda nos dias de hoje.

A missa do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, foi celebrada pelo vigário Júlio Fiorentini, que, segundo Nilza Cantoni e José Luiz Machado[1],  mudou-se para Leopoldina no ano de 1896 e aqui viveu até sua morte, em 1924. o Padre Julio Fiorentini foi nomeado o vigário da Comarca de Leopoldina, criada em março daquele ano, pelo Bispo de Mariana, D. Silvério Gomes Pimenta. (Gazeta de  Leopoldina, 27 de fevereiro de 1898, p. 02).

O distrito de Providência foi criado pelo Decreto estadual nº 61, de 09 de maio de 1890 e ratificado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891,  e anexado ao município de Leopoldina. Segundo Nilza Catoni, o nome do distrito é o de uma das fazendas que surgiram ali por volta dos anos de 1830, a partir de terras que foram doadas para a família Monteiro de Barros. A elas estavam incluídas, na época da sua criação, as terras do distrito de Santa Izabel, atual Abaíba[2].

Uma curiosidade é que a Paróquia Santo Antônio, de Providência, só foi criada em 1914 e época estava subordinada ao bispado de Juiz de Fora de Juiz de Fora. Com a criação da Diocese de Leopoldina, em 28 de março de 1942, Leopoldina, que estava submetida à Arquidiocese de Mariana, ganha as paróquias de Argirita e Providência. A elas, posteriormente, uniram-se outras. Outra curiosidade é que a construção da Catedral de Leopoldina foi uma forma da diocese, que foi criada durante a II Guerra Mundial, agradecer pelo armistício, daí o monumento em homenagem à Nossa da Paz, que fica ao lado da Catedral[3].



[1] CANTONI, Nilza. MACHADO, José Luiz. Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/89281432/Nossas-Ruas-Nossa-Gente-Logradouros-Publicos-de-Leopoldina>. Acesso em: 07 jun. 2019.

[2] CANTONi, Nilza. Providência. Disponível em: <http://cantoni.pro.br/blog/2014/05/providencia/>. Acesso em: 08 jun. 2019.

[3] Diocese de Leopoldina. Disponível em: <http://dioceseleopoldina.com/diocese-de-leopoldina/>. Acesso em: 08 jun. 2019.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

ASHES OF LOVE - 香 蜜 沉沉 烬 如霜


Quem acompanha o blog percebeu que também tenho trocado resenhas de livros por resenhas de filmes. O fato é que eu tenho lido pouca ficção e muito texto e livro teórico (em breve postarei alguma coisa relacionado a isso). Escrever sobre o que eu gostei é a forma que eu concontrei de relaxar relaxar um pouco e dar ma pausa na rotina de estudo e trabalho.

Deng Lun, Xu Feng, deus do Fogo
Desta vez eu vou comentar sobre uma série que assisti recentemente. Ela se chama A Ashes of Love (2018), em chinês :香 蜜 沉沉 烬 如霜. Sim, é uma série chinesa, a primeira que eu assisto e possivelmente não será a última. Não me lembro de já ter feito resenha de séries aqui no blog. Se for o caso, será a primeira vez. Tentarei não dar spoilers, na medida do possível.

Eu tenho uma história com filmes chineses, que remonta meus tenros oito anos de idade, quando ia ao cinema com meu irmão nos fins de semana. Na minha cidade só havia um cinema e, nos anos de 1970, as opções eram ou filmes chineses ou filmes nacionais. Então, é natural que assistir Ashes of Love sido uma experiência nostálgica.

Yang Zi, como a fada Jin Mi. 
A série foi baseada no romance Heavy Sweetness, Ash-like Frost, de Dian Xian (procurei e não encontrei nada sobre o(a) autor(a), pelo menos não em inglês ou outro idioma).  Os principais protagonistas são os atores  Yang Zi  (Jin Mi), atriz que tem feito sucesso entre as da sua geração, e Deng Lun (Xu Feng), que ganhou notoriedade com seu papel na série.  Ashes of Love estreou na TV Jiangsu em de 2 de agosto de 2018 e atingiu a marca de 15 bilhões visualizações até janeiro de 2019. 

Run Yu, Deus da Noite
Ashes of Love se passa num tempo muito antigo, quando o mundo era dividido em seis reinos, sob a supremacia do Reino Celestial, morada dos Imortais. Não entendo de mitologia chinesa, mas creio que a narrativa se baseia nela. Uma coisa com a qual se tem que acostumar na série é a questão da contagem do tempo. Três anos para deuses, fadas e demônios são como três dias para nós. Então fala-se em um século como se não fosse nada e a maioria dos personagens possuí muito mais de 4 mil anos. 

A história começa com o nascimento de  Jin Mi, filha da Deusa Floral, Zifen, que assim que a criança nasce toma uma medida drástica. Dá a ela uma pilula enfeitiçada que vai impedir que a menina conheça o amor romântico. Ou seja, ela nunca vai se apaixonar. A deusa tem um visão na qual prevê o futuro de Jin Mi, que irá sofrer uma grande provação de amor. A Deusa, cujo coração havia sido quebrado, não desejava o mesmo destino para a filha. Em seguida a Deusa Floral morre, deixando as filha sob os cuidados das fadas do Reino Floral, que deviam criá-la em segredo. 

Deusa Floral, Zifen, preparando a pílula mágica para a filha.
Ao longo da série vamos descobrindo as razões que levaram a deusa Floral a agir dessa forma e acabamos compreendendo o desespero da mãe após o nascimento da filha. Ela realmente quer poupá-la do sofrimento. Ela ordena ainda que a filha fique confinada durante 10.000 anos no reino Floral, protegida por uma barreira de água mágica, para impedir que ela se envolvesse com pessoas estranhas. O isolamento fez com que Jin Mi, com seus 4.000 fosse uma moça ingênua, sem maldade ou qualquer traquejo social, como uma criança. 

Jin Mi e sua mãe adotiva, a Fada Floral.
Mas Jin Mi não é completamente desprovida de sentimentos, ela nute afeto por seus amigos e pelas fadas que a criaram. Ela é bondosa e generosa, só não conhece o amor romântico. Daí, dá para para perceber que a série gira em torno de Ji Mi, que vai descobrindo aos poucos sua origem e aprendendo a amar. 

Tudo muda quando o filho caçula do Imperador Celestial, Xu Feng, o Deus do Fogo, sofre um atentado e vai parar no Reino Floral, sendo socorrido por Jin Mi, que o confunde com um corvo. O príncipe, na verdade era uma Fênix. Mais tarde, outros personagens de envolvem na trama, como o irmão mais velho do deus do fogo, o Deus da Noite, Run Yu.

Xu Feng, Deus do Fogo, com sua armadura de guerra.
Não há como contar mais sem dar alguns, na verdade, muitos spoilers. Mas posso adiantar que a série tem alguns elementos que prendem o expectador e é quase impossível assistir apenas a um episódio. Ela começa leve e muito divertida, depois fica mais intensa, principalmente à partir do episódio 35. Para os mais sensíveis ela vai tirar risos e muitas lágrimas. É impossível não torcer pelos protagonistas nem ficar ansioso para saber o que vem depois. 

Palácio Real, no reino Celestial. Adorei a cenografia e os figurinos.

É uma série de fantasia, que usa de muitos recursos visuais, mas não achei que houve exagero, pelo menos dentro do que a temática sugere. A atuação dos atores também é muito boa, tanto dos mais jovens quanto dos veteranos. Os figurinos são lindos e a trilha sonora é maravilhosa. Além disso, podemos encontrar na série elementos tradicionais da cultura chinesa, assim como muitas pérolas da filosofia oriental.

Ótima pedida para o fim de um dia de trabalho ou um final de semana em família. Ashes of Love está disponível no  Netflix, com 63 episódios.

Ouça a trilha sonora!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

VI CONCURSO LITERÁRIO DA ALLA


Terão início no dia  1º e junho e seguirão até dia 15 de junho de 2019 as inscrições para o VI Concurso Literário da ALLA, evento promovido anualmente pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

O Concurso Literário  da ALLA receberá inscrições de poesias, cartuns, charges, contos, crônicas, resenhas e relato de experiências educativas, sendo essa última categoria exclusiva para docentes. O tema do concurso é livre. As inscrições devem ser feitas exclusivamente online no blog da ALLA (clique aqui)

Poderão se inscrever alunos matriculados em instituições de ensino públicas ou privadas, o público em geral e professores.  Para saber mais acesse o regulamento clicando aqui! Para outras informações, envie sua dúvidas para o e-mail: concursoliterario.alla@gmail.com

A ALLA é uma instituição literária e artística da cidade de Leopoldina (MG). Foi fundada em 13 de fevereiro de 2008 e tem como patrono o poeta Augusto dos Anjos. A ALLA é formada por um grupo de 30 acadêmicos, nascidos ou ligados à cidade de Leopoldina. Ao número de membros corresponde igual número de cadeiras, cujos patronos foram representantes das artes de Minas Gerais e de Leopoldina. 

O Concurso Literário da ALLA  é o principal evento anual promovido pela instituição, que também organiza mensalmente um sarau poesia e música, no Museu Espaços dos Anjos, aberto para membros da comunidade e visitantes. 

A divulgação dos finalistas será feita no dia 15 de agosto de 2019 e a cerimônia de premiação acontecerá no dia 23 de agosto de 2019. Estudantes inscritos nas categorias destinas às educação básica, classificados em primeiro ligar receberão convite para integrar a Academia Jovem da ALLA, que reúne jovens amantes das letras e das artes e desenvolve diversas atividades culturais.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

A FICÇÃO, O ESQUECIMENTO E A REESCRITA DA HISTÓRIA

Imagem capturada em: https://www.aficionados.com.br/thanos-melhor-vilao-marvel/
Um dos grandes acontecimentos midiáticos do ano de 2019 foi o lançamento do filme "Vingadores, Ultimato", que arrastou multidões para os cinemas. Ao assisti-lo pela segunda vez, chamou-me a atenção uma parte bem no final na qual o vilão Thanos afirma que pretende refazer o universo e apagar a memória de todas as criaturas vivas, pois segundo ele, enquanto houver quem se lembre de como era, haverá aqueles que não aceitarão a perda e resistirão.

De todas as cenas apoteóticas mostradas durante a mega produção cinematográfica, esta ficou gravada na minha mente e arrisco dizer que ela vale por todo o filme. Thanos está certo, pois enquanto houver a memória, haverá a resistência. Por isso o tirano desejava apagá-la definitivamente.  

Mas não é isso que os tiranos fazem? 

Para um tirano a história e a memória são suas inimigas. A memória por dar suporte à experiência coletiva, ao vivido, já que memória é vida. A história por ser não apenas o registro dos fatos mas, acima de tudo, promover o debate e a reflexão acerca deles. Os tiranos vão sempre atacar a memória e a história e vão impor o esquecimento. Mas esquecer não é suficiente, é preciso reescrever a história, uma história baseada em "achismos" e não no conhecimento legítimo. 

A reescritura da história se baseia na negação do fato, no ocultamento do papel da coletividade, na marginalização de grupos inteiros e da minimização do papel de atores sociais importantes pelo seu engajamento em lutas. O apagamento das lutas e o sentido das conquistas realizadas ao longo dos anos pelo povo, pois o cidadão comum, é ele que os tiranos temem, pois é dele que tiram seu poder.

Neste processo, todos aqueles capazes de questionar, todos aqueles que são portadores de conhecimento, se tornam inimigos do Estado autoritário. Professores, filósofos e cientistas são comparados a terroristas. São acusados de doutrinação, de ensinar inverdades, de serem tendenciosos. A verdade é monopólio dos tiranos, que a tomam como sua e absoluta. Uma verdade que se impõe pela força, pela violência moral e física, pela vulgarização, banalização e abandono das ciências e de seus templos, escolas e universidades.

A ficção nos oferece uma representação do mundo que estamos vivendo, no qual grupos radicais têm  como um projeto global reescrever a história e apagar a memória. Essa reescritura se faz necessária para que não haja  a tão temida crítica, o questionamento da sociedade com relação aos rumos que estão tomados na direção da construção de uma sociedade que privilegia a poucos e segrega a muitos. Se não há memória e história não há resistência e os tiranos triunfam e deixamos de ser cidadãos para nos tornarmos súditos cuja própria existência é desejo (ou não) do Estado.  

sábado, 4 de maio de 2019

FAZER PESQUISA E VIRAR NOITES ESTUDANDO É FARRA?


Eu fiquei pensando se escreveria ou não escreveria algo sobre os cortes no orçamento das universidades públicas. Estou cansada e desanimada com tanta demonstração de ódio e ignorância. Mas uma das primeiras coisas que eu li hoje pela manhã foi uma mensagem justamente fazendo isso: disseminando ódio.  Aí não aguentei, tive que escrever.

Para começar, independente da sua orientação política, é inconcebível que uma pessoa defenda e comemore o fim da universidade pública. É essa universidade que forma há décadas os profissionais que fazem esse país funcionar. É dela que saem médicos, engenheiros, professores, cientistas que trabalham na descoberta da cura de doenças quem matam milhões em todo o mundo. E não acredite em tudo que lê nas redes sociais ou ouve em programas de rádio e televisão. Trabalha-se muito nas universidades e muitas vezes de forma precária. 

É completamente falsa a afirmação de que as faculdades públicas não produzem pesquisas, e sim as privadas. Das 100 universidades brasileiras que publicaram artigos científicos, entre 2014-2018, apenas 17 são particulares e a com melhor colocação é a PUC/Paraná. em 37º lugar (clique aqui para conferir). Em 2017 o Brasil era o 23º país no ranking global de qualidade científica. São falsas, também, muitas notícias de orgias em universidades que estão circulando nas redes sociais. Aliás, algo deplorável. Fico imaginando o que passa na cabeça de quem cria esse tipo de notícia e de quem acredita nela.

Muitos governos negligenciaram o ensino e a pesquisa, mas nenhum colocou ambos em risco. O Brasil hoje é um país no qual a pesquisa praticamente está sendo extinta. Com os cortes nas verbas das universidades públicas o que ainda resistia está com os dias contados. Milhões de estudantes em todo o país certamente serão prejudicados se a situação não se reverter. Então, não me peça para ser paciente com quem comemora tal coisa, sob a desculpa de que "é hora de acabar com a farras nas universidades". Que farra?

Eu me lembro, quando fiz especialização na UFJF, é das noites sem dormir, estudando. Dos fins de semana sem sair. Frequento o ambiente universitário há 30 anos, conheço vários universidades, tenho diversos amigos que são professores, em várias áreas. Alguns deles até com pesquisas citadas e premiadas no exterior. A carga horária dos professores não é pequena e eles não recebem reajuste salarial há cerca de dois anos. Queria que alguém me explicasse onde está a farra nisso tudo!

Ah, mas que o reitor X desviou verba da universidade. Ora, então isso justifica acabar com tudo? Punir quem age mal? Justo! Acabar com todo os sistema de educação pública superior por conta da má gestão de alguns? Tenha paciência!

domingo, 28 de abril de 2019

ALICE: UMA HISTÓRIA DAS MULHERES QUE LUTAM CONTRA O CÂNCER



Já há algum tempo estou para resenhar a HQ "Alice num mundo real", mas devido aos compromissos de trabalho e do doutorado eu acabei protelando e cabei sendo engolida pela rotina. Mas vamos lá!

O quadrinho é uma produção espanhola publicada em Portugal não estando, portanto, disponível para compra no Brasil. Uma pena, porque ele trata de um tema de interesse de todas as mulheres, penso eu: o câncer de mama, ou como é chamado por lá, cancro da mama.

Alice é uma jornalista com um ritmo de vida agitado e frenético, que um belo dia se dá conta de que está com câncer de mama e sua vida vira de pernas para o ar. Tanto o trabalho, que ocupava boa parte do seu tempo, e sua vida pessoal tiveram que ser adaptados a uma nova realidade. Nessa realidade, Alice fica durante um tempo perdida, sufocada pela atenção muitas vezes opressora dos amigos e passa a se sentir vulnerabilizada por conta da doença.

Alice num mundo real é um quadrinho que faz refletir sobre a fragilidade do corpo humano e de como o estado psicológico de uma pessoa reflete essa fragilidade. A HQ fala da superação não com o objetivo de trazer uma grande lição moral sobre a perseverança e a força da mulher que luta contra o câncer. 



Ela mostra o dia a dia dessa luta, que não é glamorosa, nem se pode traduzir a partir de frases de efeito. Por vezes é tão trágica que chega a ser cômica. Isabel Franc usa muito do recurso humorístico em toda a narrativa, mas sem que ela perca a seriedade devida.


Esta HQ de Isabel Franc poderia ser considerada autobiográfica, embora a autora esclareça desde o início que, apesar dela de basear na sua própria experiência, é uma história de muitas pessoas, que vivenciaram fisicamente ou acompanharam amigos, parentes e parceiros (e a autora faz questão de frisar que isso envolve homens e mulheres) no drama que é a batalha contra a doença, da descoberta à recuperação.

Alice poderia ser qualquer pessoa, homem ou mulher, que passa por uma experiência que muda sua percepção acerca de várias coisas, que a joga no fundo de um poço do qual ela precisa sair para recuperar o controle da sua vida, que não será jamais a mesma, claro, mas que pode ser uma boa vida, a depender do direcionamento que ela lhe der.

A autora, Isabel Franc, é espanhola, nascida em Barcelona, assim como a ilustradora, Susanna Matín. Alice num mundo real foi publica em Portugal pela editora Levoir, em 2011.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

THANOS, MEU VILÃO FAVORITO (SEM SPOILERS)!


Eu não pretendo escrever uma resenha, longe disso. Hoje o texto será de uma fã em estado de êxtase absoluto! 

Pretendia assistir Ultimato, o último filme dos Vingadores, no domingo, mas não resisti. Pouco antes de almoçar eu me decidi, joguei uns livros na minha bolsa e fui para Cataguases (cidade vizinha, porque aqui em Leopoldina lamentavelmente não tem cinema) disposta a encarar fila e ficar sentada no corredor estudando até conseguir um ingresso.

Não cheguei a tanto. De cara eu peguei a primeira sessão, das 14h20min. Foram três horas que eu gostaria de reviver várias vezes. Sério, quando eu levantei minha perna estava dolorida porque eu não consegui mover um músculo. Sem falar que estou com um sorriso bobo congelado no meu rosto já há quase duas horas.

Foi um fechamento maravilhoso. Não chorei, mas vibrei muito, ri muito e fiquei até emocionada em alguns momentos. A Marvel se superou. Sinto muito DCnautas, vocês não vão jamais conseguir atingir a perfeição que foi Ultimato. Porque, na verdade, não foi apenas um filme, mas a culminância de 22 filmes! Acho que nunca houve um projeto cinematográfico tão ambicioso. E se a Capitã Marvel rendeu uma fortuna, aposto que Ultimato vai ultrapassar todas as expectativas. 

E Thanos? Melhor vilão de todos os tempos! Não haveria Vingadores sem ele, isso é fato. Ele correspondeu a todas as minhas expectativas. Eu amo Thanos, porque ele fez com que a Marvel levasse para as telas um grupo de personagens que, certamente, vai marcar gerações. O filme valeu cada minuto das três horas de duração. Valeu eu me deslocar de ônibus pra outra cidade, valeu cada tostão que gastei, e eu gastaria mais.

Talvez possa parecer até risível ler este relato feito por uma mulher de 48 anos, que lê quadrinhos desde os seis anos e é fã da Marvel desde os nove. Mais uma a alimentar uma indústria bilionário e a contribuir com os salário milionários de atores que nem sabem que eu existo. Pois essa empresa capitalista que lucra às minhas custas me deu, na infância, o alento de poder me refugiar nos quadrinhos. Eu não tinha amigos, mas tinha meus super-heróis. E os amigos vieram depois, muitos deles justamente por conta dos quadrinhos, pessoas lindas que fazem parte da minha vida. Foram os quadrinhos, também, que me deram o prêmio de melhor professora do Brasil, em 2008. Foram eles que abriram as portas para mim na universidade, no mestrado e agora no doutorado.

Amo os quadrinhos, amo os filmes de superaventura e se hoje estou emocionada e exultante só por ter ido ao cinema assistir a um dos filmes que mais vai marcar a minha vida, só tenho a agradecer. Afinal, neste mundo cada vez mais tomado pela intolerância, pelo desamor, o egoísmo, o egocentrismo e a animosidade entre as pessoas, Ultimato aqueceu meu coração com cenas onde o melhor que a humanidade pode oferecer estava presente.