domingo, 10 de fevereiro de 2019

VOCÊ CONHECE O PALMITO DE BANANEIRA?

Imagem disponível em: Receita de Palmito da Bananeira. Disponível em: <https://jupagoblog.wordpress.com/2016/04/18/receita-de-palmito-da-bananeira/>. Acesso em 10 fev. 2019.

Passei o o domingo no sítio de amigos e aprendi uma coisa nova: como extrair o palmito de bananeira (que eu nem sabia que existia). Gravei um vídeo para quem tiver interesse em conhecer, que vai ficar no final da postagem. Fiz ainda uma pequena pesquisada sobre esse alimento. Vejam o que eu descobri.

O palmito da Bananeira é muito consumido na Ásia e é uma ótima fonte de fibras, potássio e B6. Com relação a tratamento de doenças, ele serve para prevenir o acumulo de oxalato que gera as pedras no rim e é usado como remédio para gastrites e úlceras e para reduzir açucares no sangue. No Brasil ele praticamente desconhecido. 
Para o preparo é preciso alguns cuidados, começando com a escolha do pé de banana. O palmito deve ser extraído após a retirada do cacho de banana, uma vez que ele só se forma depois do cacho, justamente quando o pé de banana precisa ser cortado.  

Depois de extraído (veja no vídeo como se faz) ele deve ser colocado em um vidro com água, limão e sal, picado pedaços menores ou rodelas. Ele deve ficar nessa solução por pelo menos 8 horas antes de ser consumido. Se for congelado ele adquiri outra textura, muito parecida com a carne de frango.
Outra receita aconselha a ferver o palmito por 3 vezes para tirar seu gosto amargo, usando duas colheres de vinagre a cada litro de água nas duas primeiras fervuras. A cada troca de água, ferver por 5 minutos. Após esse processo, o palmito dever ser conservado água com vinagre ou limão com sal, na geladeira. 
O palmito de bananeira pode ser preparado refogado, de forma simples, ou substituindo o palmito tradicional em receitas como moqueca de palmito com banana da terra ou de palmito com frango. Aí fica por conta da criatividade de quem vai preparar. 

Fica a dica para quem desperdiça essa iguaria, quando corta a bananeira e descarta seu tronco.

Fontes consultadas:

Receita de Palmito da Bananeira. Disponível em: <https://jupagoblog.wordpress.com/2016/04/18/receita-de-palmito-da-bananeira/>. Acesso em 10 fev. 2019.

Palmito de bananeira. Disponível em: http://milreceitas.blogspot.com/2016/10/palmito-de-bananeira.html. Acesso em 10 fev. 2019.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

JOSÉ DOS SANTOS GARCÊS E AS CABINES DE ARTE

Biblioteca e Bedeteca de Amadora
Uma vez por ano, desde 2016, vou à cidade de Amadora, em Portugal, para visitar a Bedeteca, equivalente à nossa Gibiteca, que fica localizada no segundo andar do prédio onde se encontra a Biblioteca de Amadora. A Bedeteca um espaço maravilhoso, com um acervo rico e diversificado, tanto de quadrinhos quanto de originais doados por artistas. 
Capa do guia da exposição.
Além de quadrinhos e obras de referência  sempre é possível encontrar uma bela exposição de quadrinhos, tanto de autores estrangeiros quanto de autores portugueses. Este ano, por exemplo, eu visitei a exposição "Parabéns Garcês", em homenagem aos noventa anos do quadrinista lusitano José dos Santos Garcês, a partir de originais doados pelo autor.  
A Lenda dos Montes Pálidos (1952),
por José dos Santos Garcês.
Nascido em 1928, José dos Santos Garcês frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde fez o curso de Artes Gráficas e começou sua carreira nos quadrinhos em  1946 no jornal infanto-juvenil O Mosquito. Para esse periódico o quadrinista produziu o "O Inferno Verde", a sua primeira HQ aos dezoito anos, tendo posteriormente colaborado com outras publicações, voltadas para o público infanto-juvenil. Produziu uma imensa obra durante sua carreira, com destaque a quadrinhos históricos e de aventura, numa de mais de carreira de 70 anos.
Inscrição feita no muro em frente à Bedeteca de Amadora chama atenção para a importância da Leitura.

O espaço da Bedeteca de Amadora permite que se realizem exposições durante o ano, o que fortalece tanto a instituição quanto a divulgação do trabalho de artistas, algo que pode e deve ser replicado aqui no Brasil. Sempre há algo novo e interessante a ser descoberto naquele amplo espaço para leitura, que valoriza não apenas os livros mas, também, os quadrinhos. Não é a toa  que Amadora se deu o título de "cidade dos quadrinhos.

Cabines de arte.
Em 2017 eu tive a oportunidade de conhecer o projeto das cabines de leitura. São cabines de telefone desativadas que foram transformadas em pequenas bibliotecas onde as pessoas pegam livros para ler e fazem doações.
Cabines de arte.

Este ano eu me deparei com as "cabines de arte", que são cabines telefônicas transformadas em expressão artística. Projeto encantador que me remeteu a duas coisas, à arte do grafite e do fanzine. Eu observava as cabines, por exemplo, e via um fazine nelas, com textos poéticos e imagens que se harmonizavam.
Cabines de arte.

Algo que também pode ser pensado para o Brasil, talvez não com cabines, que não fazem parte da nossa cultura, mas com armários, geladeiras e outro tipo objeto que por ventura tenha sido descartado mas que pode ser transformado em uma obra de arte ou num pequeno espaço de propagação da cultura.


domingo, 3 de fevereiro de 2019

VISITANDO AS EXPOSIÇÕES DA THE INK LINK, NO 46º FIBD DE ANGOULÊME

Entrada da exposição.
Um dos momentos que mais me marcou durante o 46º Festival Internacional de Bande  Dessinée de Angoulême foi poder visitar o espaço reservado à The Ink Link, uma associação formada por cartunistas engajada em causas sociais. Eu tive conhecimento sobre a criação do The Ink Link durante o 44º FIBD, em 2017. Na época entrei em contato com uma das fundadoras, Laure Garancher, para tentar saber o que eu poderia fazer para ajudar e para conhecer mais sobre o trabalho do grupo.

Laure Garancher autografando
sua HQ "Ópium" para mim!
Virei fã da The Ink Link e da própria Laure Garancher, que é uma inspiração para mim. Eu não sou do tipo que congela perto de outras pessoas, mas este ano eu fiquei tão emocionada de poder conhecê-la pessoalmente que eu simplesmente não conseguia falar! Quem me conhece sabe que eu dou sempre um jeito de me comunicar. Mas bateu aquela vergonha de falar algo errado ou falar besteira. Mas tudo bem, faz parte! Afinal, eu estava no FIBD e todo mundo ali, até jornalistas experientes, tiveram seus momentos de tietagem.

Meu autógrafo!
Acho o máximo à forma como a The Ink Link usa os quadrinhos para instruir e educar, divulgando conhecimento, denunciando situações de risco para pessoas e para o próprio planeta. Eles assumem a função de combater a desinformação e defender a preservação da vida, da dignidade humana e do meio ambiente.

Em Angoulême as exposições da The Ink Link ficaram instaladas na Maison des Peuples e de La paix. Foram três, sendo que a principal delas foi baseada no belíssimo trabalho da quadrinista Aurélie Neyret, e recebeu o título de “Hila, naître en Afghanistan: le cotidien d’une martenité em bande dessineé”. A exposição retrata o cotidiano de uma grande maternidade no Afeganistão.  
Exposição “Hila, naître en 
Afghanistan: le cotidien d’une 
martenité em bande dessineé” 

A cartunista, que é membro da The Ink Link, acompanhou várias mulheres nos momentos finais de suas gestações numa das maternidades mais movimentadas do mundo, em Khost, onde nascem diariamente cerca de 60 crianças. Neyret registrou, durante 9 dias, o dia a dia de médicos e de mulheres que estavam nos seus momentos finais de gestação. Um trabalho belíssimo que nos aproxima de realidades tão distantes como a das mulheres muçulmanas. O trabalho foi feito em parceria com a organização Médicos Sem Fronteira. 
Exposição “Hila, naître en  Afghanistan: le cotidien d’une martenité em bande dessineé”
Não foi a exposição mais bonita ou mais sofisticada que visitei durante o FIBD, mas foi a mais carregada de significados. É tão bom ver pessoas fazendo coisas boas, sem interesse financeiro envolvido. Dá esperança para quem todo dia está sendo bombardeado de notícias ruins ou ouvindo pessoas falando coisas ruins e desprezando aqueles que estão dispostos a lutar por justiça e um mundo melhor para todos.

A HQ que deu origem à exposição pode ser acessada gratuitamente, em pdf,  clicando aqui. Quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre o trabalho, pode assistir um vídeo criado para divulgar a HQ "Hila: Née en Afghanistan", com a participação da autora.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

PROFESSOR(A) TAMBÉM PODE VIAJAR PARA A EUROPA

Coimbra, Portugal 2019.

Desde 2016 eu passei a visitar anualmente a Europa. É um luxo que eu me dou depois de um ano inteiro de trabalho: minhas férias são na Europa. E a coisa que eu mais escuto das pessoas é elas relacionarem minhas férias ao meu poder aquisitivo. Você é rica!

Até ouvi certa vez uma pessoa dizer que eu era um “mal exemplo” para a minha categoria. Imagino que, para essa pessoa em particular, uma professora de educação básica não possa  fazer uma viagem ao exterior porque ganha um salário inferior ao de brasileiros de classe média alta.

Pois bem, posso não pertencer à classe média alta mas também não estou na classe C, o que me permite, uma vez ao ano me dar ao luxo de sair de férias no lugar que meu dinheiro permitir. Para isso eu poupo durante o ano, calculo as despesas que terei durante a viagem e busco me organizar da melhor forma possível. Foi assim que descobri que a Europa não é um destino tão caro quanto muitas pessoas pensam e que, se comparado a alguns lugares no Brasil, fica bem mais em conta. Pra dizer a verdade, a cada ano gasto menos dinheiro, sem me privar de nada.
 
Em Oslo, Noruega, 2019.
Busco, por exemplo, lugares com preço aprazível para fazer minhas refeições. Procuro restaurantes populares ou intermediários.  Em Coimbra, recentemente, paguei cerca de 7 euros para comer bacalhau ao Brás e incluso a este valor estava meia jarra de vinho, uma cesta de pães, sopa, o café e a sobremesa. Restaurantes sempre oferecem o prato do dia com um preço melhor e sem deixar de servir bem. Quando a programação é mais intensa eu me satisfaço com um bom sanduíche ou com uma salada pronta. Na Europa as pessoas comem seu lanche tranquilamente num banco de praça, sem nenhum constrangimento. 

No que diz respeito à hospedagem, nunca fiquei em hostels, geralmente fico em hotéis, pois eu viajo sozinha e gosto de ter privacidade no meu quarto nos momentos de descanso. Este ano tive minha primeira experiência hospedando-me no Albergue da Juventude, em Paris, com mais dois amigos. Fiquei encantada! O lugar é muito confortável, os quartos modernos e limpos, com banheiro privado e com café da manhã. Sem falar na localização privilegiada: mais ou menos uma quadra da Champs Elysses, no coração de Paris. Tudo isso por 36 euros a diária, uma pechincha! Clique aqui para conferir!

Em Örebro, na Suécia.
No geral, eu busco por promoções e estabeleço um teto de gastos por hospedagem. Já fiquei em hotéis 2 estrelas a 4 estrelas. Não faço muito questão de luxo, pois fico pouco tempo no quarto. Basta-me que seja limpo, aconchegante e tenha um banheiro. Na Europa há a opção dos banheiros compartilhados, não gosto. Outra coisa é o café da manhã. Há uma diferença muito grande de país para pais. Muitos hotéis oferecem o café da manhã a parte (não está incluso na reserva do quarto), e geralmente é o chamado café continental, no qual há um tipo de pão, manteiga, uma geleia, café, leite, chocolate ou suco. 

Dependendo de quanto o hotel cobra por este café básico vale mais a pena ir a uma padaria (e em Portugal e Paris, por exemplo, elas abundam) e tomar um café da manhã mais reforçado, que nem chega a 3 euros em muitos casos. Os melhores cafés da manhã que tomei na Europa foram em Roma e em Estocolmo, mas eram também hotéis de melhor qualidade.

Com relação ao transporte, eu costumo procurar os melhores preços. Minhas passagens ficaram entre 2.500 e 3.200 reais, eu começo a pagar cerca de seis meses antes. Eu normalmente fujo para o inverno europeu, pois não gosto do verão brasileiro. Mas se eu quisesse ir em uma estação mais quente também poderia encontrar preços bons. É apenas uma questão de paciência. Nas últimas viagens eu usei o Skyscanner para pesquisar os melhores preços. Também pesquiso as passagens de trem. Chego com tudo pago e não tenho basicamente despesas com transporte, exceto o transporte urbano, como metrô, ônibus e taxi.
Em Angoulême, na França, 2019.

Calculado o que vou gastar com transporte, hospedagem e alimentação eu começo a reservar o dinheiro para as compras e passeios. Não me considero consumista, mas gosto de fazer compras em janeiro na Europa e, diga-se de passagem, renovo meu guarda-roupa para o ano todo. Isso porque janeiro é o mês das liquidações. Roupas de verão, inverno e meia estação. Este ano, comprei blusas e camisetas por 2 euros cada! E não apenas isso sapatos, cremes, bolsas, perfumes e maquiagens de boa qualidade, quase tudo pode ser encontrado com excelentes preços.

Aconselho, inclusive, ir com o mínimo de bagagem, porque é quase impossível não cair na tentação de comprar alguma coisa. Além disso, alguns lugares oferecem descontos de acordo com a quantidade de produtos adquiridos. Já tive uma amiga que, aproveitando esses descontos,reduziu o preço de um produto de 70 para 5 euros, aproveitando essas promoções.

Em Paris, às margens do Sena
com o Louvre ao fundo.
E além das compras, temos os passeios. Adoro conhecer pontos turísticos, visitar museus e galerias, mas gosto, principalmente, de andar pelas ruas das cidades e tirar muitas fotografias. A Europa tem uma arquitetura que é muito distinta da nossa e eu gosto de apreciá-la, desde os palácios majestosos até as ruínas e os grafites nas paredes de edifícios. A forma como a cidade ou a aldeia se organiza urbanisticamente lhe confere identidade. Embora nem tudo possa ser preservado percebe-se um esforço do europeu em conjugar o moderno e o antigo, buscando uma harmonia entre ambos.

Enfim, para uma professora do interior viajar para a Europa é apenas é uma questão de planejamento. Os hotéis, as passagens e os gastos com alimentação, resolvido isso, o resto vem de bônus. E, acreditem, foi planejando viagens que eu antes achava que não conseguiria fazer que, depois dos 40 anos, aprendi a poupar e a me organizar financeiramente e a ter minha poupança.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

VISITANDO A CASA DA ESCRITA EM COIMBRA

Eu tenho a mania de andar despreocupadamente pelas ruas das cidades as quais visito a turismo. Pego um mapa, marco os lugares que desejo conhecer e tomo meu rumo. O problema é que nem sempre eu sigo o mapa. Costumo tomar atalhos, que normalmente me fazem andar mais do que o necessário. 

Mas é fazendo isso que eu conheço aqueles recantos que o mapa não mostra. Paisagens lindas que se transformam em belas fotografias, becos e ruas charmosas que a maioria dos turistas não veem. Acabo encontrado lugares que me são realmente atrativos.

Recentemente, enquanto tentava chegar à parte mais alta da cidade para conhecer a Universidade de Coimbra, eu achei um espaço cultural mantido pela municipalidade dedicado ao ato de escrever: A Casa da Escrita.

Sala  para cursos, palestras e oficinas.
O espaço é descrito como um "arquivo aberto, que permite aos frequentadores visitarem as rotas da criação da escrita através dos textos que se vão produzindo na própria Casa." Instalada em uma casa charmosa de três andares, com um lindo jardim interno, localizada na parte alta de Coimbra, a Casa da Escrita pertenceu a família do poeta e ensaísta João José Cochofel, um dos representantes do Neo-Realismo português.

João José de Mello Cochofel Aires de Campos, nasceu na cidade de Coimbra em 1920. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, pela Universidade de Coimbra e foi um dos organizadores da coleção de poesia do Novo Cancioneiro em 1941. Participou da fundação de várias revistas e foi colaborador de outras, das quais podemos citar  AltitudeCadernos do Meio-DiaVérticePresençaSeara Nova, Gazeta Musical e de Todas as Artes. Atuou como poeta e  crítico literário e musical, tenho sido diretor da Academia dos Amadores de Música de Lisboa e da Sociedade Portuguesa de Escritores. Morreu em 1982, deixando incompleto o Grande Dicionário da Literatura Portuguesa e de Teoria Literária, obra que começou a ser publicada em 1971. 
Sótão da Casa da Escrita, onde fica uma pequena biblioteca/arquivo
A Casa da Escrita e sua história têm tudo a ver com aquilo para o qual se propõe. Lá ocorrem regularmente lançamentos de livros, palestras, oficinas de escrita, exibição de filmes, etc, sendo um espaço de criação literária, produção cultural, livre pensamento e debate de ideias

Lugar simpático e aconchegante que me fez sentir vontade de ter algo parecido em Leopoldina. Quem sabe, talvez um dia, a Academia de Letras e Artes de Leopoldina não possa ter sua “Casa da Escrita”, como sede da organização. Já temos uma casa da leitura e uma biblioteca municipal, mas nos falta pensar na questão da escrita em si. Formar leitores e escritores. Pessoas que saibam se expressar bem não apenas pela palavra dita mas também pela palavra escrita.


Fontes de apoio:
Biografia de João José Cachofel. Disponível em: . Acesso em 13 jan. 2019.
Casa da Escrita.Disponível em: . Acesso em 13 jan. 2019.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

NO CINEMA, ASSISTINDO BUMBLEBEE

Na primeira semana de janeiro eu fui ao cinema e assisti ao filme Bumblebee, da franquia de Transformers. Normalmente não seria um filme que me levaria ao cinema. Mas a crítica havia sido muito generosa com a produção e com o desempenho dos atores, resolvi então arriscar. Bumblebee é um filme ambientado nos anos de 1980. A direção ficou a cargo de Travis Knight, que até então só havia se destacado por filmes de animação, tendo algumas indicações para o Oscar no currículo.

Bumblebee é um filme de ação mas é, também, um filme sobre relacionamentos afetivos e sobre família. O foco desta vez não está na luta entre bem e mal ou nos efeitos especiais que mostram robôs gigantescos lutando tão rápido que nem se consegue visualizar seus movimentos. O filme apresenta como protagonistas duas pessoas "quebradas": a jovem Charlie, que não consegue superar a morte do pai e que se isola da família, sempre mergulhada em uma grande tristeza, e Bumblebee, avariado quando chega a Terra, sem memória e sozinho. 

O roteiro é simples de entender: Charlie encontra Bumblebee e devolve a ele seu propósito; o robô, por sua vez, retira a menina do seu mundo triste e depressivo e a ajuda a se reconectar com a família. Acreditem, há momentos realmente dramáticos neste filme da franquia Transformers. 

Sem tirar o mérito do diretor, acredito que o sucesso do filme  deve ser creditado a duas mulheres: a protagonista Hailee Steinfeld, que interpreta Charlie, e a roteirista Christina Hodson, que usando uma narrativa simples, mas de grande sensibilidade, deu uma nova roupagem a um filme que poderia ser outro longa superficial de robôs lutando entre si. 

Aliás, a quantidade de Transformers no filme foi um elemento que fez diferença. Fora algumas passagens em que Optimus Prime apareceu, o longa só teve três Transformers em atuação constante: Bumblebee e dois Decepticons, o que foi mais do que suficiente.

Sem me estender muito, gostaria de finalizar dizendo que Bumblebee tem um ar de nostalgia, ao retratar os anos de 1980. Ele me fez lembrar os filmes daquela época, que ainda não abusavam dos efeitos especiais. Aliás, esse é outro mérito do filme: ele foca nos personagens e suas relações com sensibilidade e humor, e não nos efeitos especiais, que estão lá, são bons, mas que não são, desta vez, o suporte da produção.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A DEMONIZAÇÃO DO MAGISTÉRIO


Nós últimos dias eu tenho lido e escutado opiniões assustadoras sobre o magistério e os profissionais da educação, seja por membros do governo ou por apoiadores. Eu fico assustada porque não me encaixo no perfil que eles traçam dos professores brasileiros. Aliás, se o profissional do ensino que vem sendo descrito, esse monstro sem ética e sem caráter que impõe aos alunos sua forma de pensar, dominasse o cenário educacional eu seria a primeira a denunciar.

Mas justiça seja feita, se o clamor dos últimos meses e os ânimos ainda acirrados pelo pleito eleitoral estão fazendo com que as pessoas se exaltem nas suas opiniões, a verdade é que não é de hoje que a imagem do profissional do ensino vem sendo atacada no Brasil. Não foi o atual governo que começou a denigrir o magistério, nem acho que com ele virá a solução para isso.

Em novembro de 2018 o resultado de uma pesquisa  realizada em 35 países revelou que o  desempenho dos alunos está ligado à forma como a sociedade vê e remunera seus professores. O Brasil ficou em último lugar. Não chegamos a este ponto apenas de um dia para  outro. Ser professor no Brasil não é exatamente a profissão almejada pela maioria dos jovens e nem todos os professores querem realmente estar na sala de aula.

Em 28 anos trabalhando como professora eu conheci bons e maus profissionais. Dei meus tropeços e acho que aprendi com a maioria deles. Já me deparei com situações de todo o tipo, nas quais pude ter a experiência de contar com o apoio de bons profissionais e também de ser desestimulada por profissionais ruins. Deixe-me falar aqui um pouco sobre isso.

No ano de 2006 eu me exonerei do meu cargo de professora do Estado, em uma escola de referência. Na época eu tinha 15 anos de magistério. A razão que me levou a isso foi um episódio envolvendo um colega de trabalho. Durante uma reunião, eu dei  uma sugestão sobre um projeto (que implantei em outra escola no ano seguinte). Um professor socou mesa e gritou as seguintes palavras: - Se você quer mais serviço, arrume um marido e um tanque para lavar roupas!

Nunca esqueci essas palavras e o fato de que ninguém, nem a diretora me defendeu. Eu literalmente adoeci e, por conta disso, perdi a vontade de trabalhar para o Estado. O ambiente de trabalho daquela escola em particular também não ajudou. Daí, eu exonerei.

Mas não abandonei o magistério, continuei na minha outra escola, onde permaneço até hoje. De lá tenho um testemunho diferente. É uma escola de periferia, que atende a uma população mais carente do que as outras nas quais eu trabalhei. Muitos dos nossos alunos e alunas estão constantemente em risco, seja pela falta de recursos ou pelo próprio ambiente que vivem. Já tive alunos com todo o tipo de problemas e de lá eu tirei as maiores lições de toda a minha vida.

Aprendi a me doar e a ser sensível ao sofrimento alheio. Eu me tornei uma pessoa melhor e, acredito, uma profissional melhor. Trabalho muito, mas recebo e dou carinho na mesma medida. Eu testemunhei a mudança de alunos que não tinham perspectivas de futuro conseguirem vencer os desafios da vida. Vi professores, diretores e especialistas amparando famílias, tanto materialmente quando psicologicamente. Eu sei de alunos que hoje são pessoas com uma profissão e uma família que, se não fosse a escola e os professores, estariam ou mortos ou na sarjeta. Perdemos alguns, mas salvamos muitos.

E sempre tivemos uma boa relação com os órgãos de segurança pública. Ao fazermos nosso trabalho na escola estamos ajudando, por exemplo, a polícia militar a fazer o dela. Quem está na escola, está longe da vida do crime. Claro, não podemos ajudar a todos, mas cada um que segue em frente é uma pequena conquista.

Existem bons e maus profissionais, seja no magistério ou em outras funções. Mas a escola ainda é um suporte fundamental para a sociedade e o professor uma peça indispensável para a formação de nossos jovens. Toda essa demonização baseia-se num processo antigo de desqualificação do professor, a partir do exemplo de péssimos profissionais e da ausência de políticas realmente comprometidas com a valorização do magistério. 

Eu acredito que investir em formação, valorização e ética é o que precisamos. Perseguir toda uma classe profissional tendo em vista uma minoria ou uma visão limitada do que é o dia a dia de uma escola só faz justificar o atraso do Brasil em relação a outras nações. Acho que é necessário largar de lado todo o preconceito e as informações deturpadas que chegam todos os dias, e muitas delas nem são verdadeiras, e refletir seriamente sobre o futuro que queremos para nosso país e papel que a escola tem na sua construção. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE MARY POPPINS - O FILME ORIGINAL


Assisti este fim de semana Mary Poppins, a produção original de 1964, disponível para os assinantes do Netflix. Eu nunca havia assistido ao filme, embora eu o conhecesse por fragmentos que passavam em um programa chamado Disneylândia transmitido pela TV Globo, aos domingos. Era por meio dele que eu tinha contanto com os clássicos da Disney, os quais só pude finalmente assistir na íntegra bem mais velha, quando tive condições financeiras para comprar DVDs. Imagino que com muitas outras pessoas da minha geração aconteceu o mesmo.

Eu já fui muito questionado por gastar meu dinheiro com filmes infantis. Pois bem, quando criança fui bombardeada pela propaganda da Disney e nunca tive a oportunidade de ir ao cinema em uma cidade grande para ver um desses clássicos. Muitos, aliás, foram produzidos antes que eu nascesse. Quando adulta e já trabalhando e procurei suprir este vazio da minha infância. 

Além disso eu questiono quem acha que todos os  filmes/animações produzidos pela Disney neste período e mesmo na atualidade são realmente "coisa para crianças".  Eu vejo os clássicos da Disney como filmes para toda a família, ou seja, para todas as idades. Acho, inclusive, preconceituoso querer limitar este tipo de produção apenas para o público infantil, como se todos nós não tivéssemos sido crianças um dia e este filmes não representassem nada na nossa formação cultural e até mesmo moral. 

Eu não tenho vergonha de assistir animações no cinema, por exemplo, e não preciso levar uma criança comigo para manter a aparência. Adultos presos a preconceitos tolos que estabelecem regras com relação ao que pode ou não ser divertido são adultos infelizes. Não é o meu caso.

Mas retornando a Mary Poppins, não sei se conseguirei ir ao cinema para a estreia da nova versão da produção, mas seria inconcebível não assistir ao original, até porque sempre é bom ter um parâmetro para comparação. Não sou crítica profissional de cinema, mas na minha opinião o desempenho do elenco original foi fantástico.Mais de 50 anos depois, o filme ainda conseguiu me encantar.  

Gosto da atmosfera dos filmes antigos e das animações feitas sem auxílio de recursos digitais. Os cenários dos filme são simples e teatrais, mas exatamente por isso muito encantadores. A história em si traz referências muito interessantes, como a participação da sra. Banks no movimento sufragista ou as críticas ao sistema financeiro predatório representado pelos bancos. Eu não vejo nada de infantil nisso, pelo contrário.

Mas, acima de tudo, é um filme moralista e que valoriza o amor e a família. Claro, um filme de 1964 irá trazer a família tradicional, mas creio que a mensagem vale para todas as famílias: o cuidado que se deve ter com a infância.

As crianças precisam da atenção dos pais,  por mais independentes que pareçam ser. A presença deles (ou de pelo menos um deles)  é fundamental para sua formação. É claro, os pais não devem deixar de lado seus interesses, mas devem incluir seus filhos entre as suas prioridades. 

Não acho, por exemplo, que uma mulher DEVE esquecer sua carreira para cuidar dos filhos, mas ela pode fazer as duas coisas sem que uma prejudique a outra. Também acredito que os homens devam dividir com as mulheres a criação dos filhos de forma igual. Não existe isso de separar o que é função do pai e da mãe na educação dos filhos afinal a criação dos filhos é uma parceria ou pelo menos deveria ser. 

Trabalhar o dia todo não é desculpa para não ter tempo de abraçar o filho/filha e perguntar como foi seu dia na escola. Eu não sou mãe, mas sou filha e eu sei como a atenção dos meus pais ou mesmo a falta dela, marcou minha vida.

Por fim, espero que a continuação de Mary Poppins possa trazer uma produção que faça jus à produção original, para a diversão dos mais jovens e a nostalgia dos mais velhos.

domingo, 23 de dezembro de 2018

ARTIGO SOBRE HUMOR NOS QUADRINHOS SUECOS PUBLICADO NA REVISTA ÁRTEMIS

Meu presente de Natal adiantado: saiu o v. 26, n. 01 da Revistas Àrtemis, com o dossiê: O humor das mulheres e as mulheres no humor. Publiquei um artigo na revista (o melhor texto que eu escrevi em 2018, na minha opinião) e convido a todos que se interessarem visitarem o site do periódico. E não façam isso só por mim: há excelentes artigos sobre quadrinhos e humor na publicação. A publicação pode ser acessada clicando aqui!

Seguem o resumo e o abstract do meu artigo!

Um breve panorama do humor nos quadrinhos feministas suecos a partir da obra de Nina Hemmingsson, Malin Biller e Liv Stronquist 
A brief overview of the humor in Swedish feminist comics from the work of Nina Hemmingsson, Malin Biller and Liv Stronquist


RESUMO 
A Suécia é um país que possui tradição tanto na produção quanto na participação das mulheres na cena dos quadrinhos. Mas, no início do século XXI estas mulheres passaram a ter um papel ainda maior graças a todo um contexto sócio-político que conduziu a Suécia a grandes mudanças. Foi importante nesse processo o movimento feminista e a disposição da sociedade em debater acerca da equidade de gênero. Os quadrinhos tiverem seu lugar nesse debate através de produções com um viés feminista, no qual o humor teve uma presença marcante. Para o presente artigo, utilizamos, como exemplo dessa produção, os quadrinhos de três autoras pertencentes a essa nova geração: Nina Hemmingsson, Malin Biller e Liv Strönquist. Por meio desses quadrinhos, notadamente satíricos, é possível notar a construção e descontração dos papéis de gênero assim como do próprio discurso feminista, que dá aos quadrinhos a qualidade de tecnologias de gênero. Palavras-chave: Suécia, Histórias em Quadrinhos, gênero. 

ABSTRACT 
Sweden is a country where we can see traditions both in production and in women’s participation in comic books scene. However, in the early 21st century these women started to have a bigger role thanks to the socio-political context that led Sweden to great changes. The feminist movement and the society will to discuss about gender equality were important in this process. Comic books had their place in this discussion through feminist productions where humor had a strong presence. In this article, we had comics of three authors belonging to this new generation as examples of these productions: Nina Hemmingsson, Malin Biller and Liv Stronguist. By means of these comics, clearly satirical, it is possible to notice the construction and informality of the gender role as well as the feminist discourse itself which offers gender technology quality to the comics. Keywords: Sweden, Comics, genre.

A Revista Ártemis é um periódico semestral, interdisciplinar, vinculada aos Programas de Pós Graduação em Sociologia e Programa de Pós Graduação em Letras da UFPB, dos quais recebe financiamento para editoração. Seu conteúdo é voltado para a "divulgação da produção científica no campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades, dentro de uma perspectiva interdisciplinar, aborda fenômenos socioculturais a partir de análises históricas, literárias, culturais, psicológicas, etc. Os objetivos são: contribuir para a construção de novas abordagens teóricas e metodológicas de investigação e reflexão; e, difundir artigos nacionais e internacionais, pesquisas originais, resenhas e traduções" (*). 

Aproveito a postagem para divulgar a chamada para publicação de artigos da revista Tempo & Argumento - revista de história do tempo presente, para o dossiê: Mulheres, Humor e Cultura de Massa. Mais informação, clique aqui!

(*) Dados retirados do site do periódico.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A MEMÓRIA DAS MULHERES E AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - IV FÓRUM DISCENTE UNIVERSO


Estará acontecendo entre os dias 04 e 05 de dezembro o IV Fórum Discente Universo, na Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO, em Niterói (RJ). Os trabalhos terão início no dia 04 de dezembro às 14 horas. A programação completa do evento pode ser acessada clicando aqui.

É o encerramento oficial do ano letivo para a pós-graduação em História (mestrado e doutorado). Na oportunidade, estarei fazendo uma apresentação sobre a memória das mulheres nas histórias em quadrinhos. 

Mais do que divulgar o evento e a minha apresentação, gostaria de agradecer a todos, colegas de pós-graduação, professores, ex-professores e amigos, pelo suporte me deram durante o ano de 2018. Sem o apoio e a confiança de vocês em mim, eu não seria o sou e não teria as oportunidades que tenho. Muito obrigada.

sábado, 1 de dezembro de 2018

YÔKAIDÔ: ARTE. MEMÓRIA E CULTURA POPULAR JAPONESA

Yôkaidô de Shigeru Mizuki & Utagawa Hiroshige é o 16º licro da coleção Blaise, publicado pelas éditions Cornélius.


Recebo constantemente notificações sobre publicações francesas, muitas vezes acompanhadas dos lançamentos, em versão pdf, para análise. Isso passou a acontecer nos últimos dois anos, desde que participei pela primeira vez do Festival de Quadrinhos de Angoulême.

O ano corrido que tive não me permitiu dar a eles a devida atenção, mas eu estou me organizando para poder, pelo menos uma vez por mês (quem sabe duas) reservar um espaço para falar destas obras.  

Vou começar com o trabalho Yôkaidô, que reúne a obra de Shigeru Mizuki e Utagawa Hiroshige, lançado na última quinta feita, dia 29 de novembro de 2018, pela Éditions Cornélius. Trata-se do livro ilustrações, originais. Trata-se de um livro que reúne as gravuras feitas por Utagawa Hiroshige, sob a releitura de Shigeru Mizuki, que até então eram inéditos na França.

Utagawa Hiroshige
Utagawa Hiroshige é um dos artistas japonês mais reconhecido na arte da gravura. Nascido em 1797, ele retrata a paisagem japonesa antes de sua transformação durante a era Meiji. Em 1832, depois de fazer sua primeira viagem por estrada do Tokaido, que liga a capital do shogun, Edo, e a capital imperial, Kyoto, ele criou série das gravuras mais famosa As Cinquenta e três Estações o Tokaido (1833-1834), com as paisagens dos locais por onde passou, incorporando a elas cenas da vida diária. É considerado um dos o maiores pintores do ukiyo-e (termo japonês que significa "imagem do mundo flutuante"), tendo produziu cerca de 8.000 impressões ao longo de sua vida. Sua influência na arte ocidental é enorme, tendo inspirado mestres impressionistas como Vincent Van Gogh, Claude Monet e Alfred Sisley. 

Shigeru Mizuki
Shigeru Mizuki nasceu 08 de março de 1922 em Sakai-Minato, pequena cidade costeira no sudoeste do Japão, e morreu em 30 de novembro de 2015. Ele sabe que há uma infância livre e feliz, bons tempos ele vai tirar muitas vezes em sua manga.  Durante a II Guerra Mundial participou da À Campanha da Nova Guiné, uma das maiores campanhas militares da II Guerra Mundial, quando tinha pouco mais de 20 anos de idade. As lutas começaram com o ataque japonês a Rabaul em janeiro de 1942, e perduraram até o final da guerra. Durante a guerra. Em Nova Guiné, ele contraiu malária e perdeu o braço esquerdo em bombardeamento. Em 1957, Mizuki começou sua carreira como contador de histórias, utilizando como personagens os youkai, uma classe de criaturas sobrenaturais do folclore japonês, que inclui o oni, a kitsune e a yuki-onna. Ele explorava o universo sobrenatural e demonstrava um profundo conhecimento da alma humana.

O livro é uma homenagem de Shigeru Mizuki  a Hiroshige, que une a tradição clássica do ukiyo-e (movimento artístico da gravura no período Edo) e folclore japonês. No livro, Mizuki  faz uma releitura das gravuras de Hiroshige, inserindo nelas elementos do folclore japonês, os youkai. Nas palavras do editor, as “gravuras de Hiroshige, os youkai personificam esta herança japonesa perdida. Eles são cultura vernacular em que os grandes senhores e camponeses desenharam parte de sua crença e suas férias.” Em respeito a esta herança, Shigeru Mizuki utilizou a mesma técnica de gravura tradicional, na qual cada placa foi gravada em madeira antes de ser impressa.

Na minha leitura, trata-se, ao mesmo tempo, de uma obra que se propõe a reviver uma memória e, ao mesmo tempo, enfatizar o poder da cultura popular, especialmente do folclore, sobre a arte e o imaginário oriental.

O que me levou a comentar sobre esta obra, dentre tantas outras que eu recebi da editora Cornélius foi o fato de que eu já tinha tido contato anteriormente com a obra Utagawa Hiroshige, em 1998, em uma exposição sobre a influência da arte oriental na obra de Van Gogh, em Veneza. A primeira exposição de arte que visitei na primeira vez que viajei ao exterior.

Enfim, um livro belíssimo que pretendo adquirir em sua edição impressa.