segunda-feira, 5 de junho de 2017

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE O FILME DA MULHER MARAVILHA

Fui assistir, no último domingo, ao filme da Mulher Maravilha. Sou fã da personagem, do que ela representa. A Mulher Maravilha foi importante na minha infância, ela era um modelo para as meninas. Uma mulher que não precisava dos homens para protegê-la, que enfrentava o perigo sem medo. Ela foi, também, o modelo da minha sobrinha que é, inclusive, fã de Lynda Carter. De geração a geração, a Mulher Maravilha vem inspirando meninas/mulheres em todo o mundo.

Já adianto que não me considero uma especialista na personagem. Tenho alguns livros sobre ela, li alguns quadrinhos e assisti animações e ao seriado com Lynda Carter. Já citei ela em alguns artigos e até na minha dissertação, mas escrevo aqui sem o compromisso de contribuir para uma análise profunda sobre a personagem, longe disso. Conheço gente que sabe muito mais do que eu sobre ela. 

Também não vou enrolar para falar sobre o filme. Prefiro ser objetiva. Posso dizer que fui assistir ao filme com uma expectativa maior do que o normal. E fui em família: com meu irmão, minhas duas sobrinhas e minha mãe, que detesta cinema, mas foi porque o filme era da Mulher Maravilha. 

O filme foi bom, bem acima das minhas expectativas, que não eram tão boas. Dado o histórico dos filmes da DC, eu realmente estava com o pé atrás, ainda mais porque o filme se passa durante a I Guerra Mundial.  Só essa descontextualização já havia me desagradado, mesmo antes de ver o filme. A Mulher Maravilha foi criada para lutar contra nazistas, em 1941, não contra alemães em 1918.

Mas, tudo bem, até que os roteiristas conseguiram contornar esta mutilação histórica e a personagem em si rouba a cena. Aliás, apesar de todas as criticas que li e ouvi sobre a escolha da atriz eu diria que Gal Gadot deu conta do recado. 

Gadot deu vida a uma guerreira motivada por uma causa, e que vai, aos poucos, perdendo a inocência à medida em que conhece melhor o mundo dos homens. Ela quer vencer o Deus da Guerra pelo amor, tal como Afrodite preconiza na primeira aventura da Mulher Maravilha. Acho isso legal. Acho que William Marston aprovaria. Mas senti falta de uma vilã mais consistente. A Dra. Veneno estava meio apagada. A baronesa Paula Von Gunther talvez tivesse sido uma escolha melhor.
Origem dos Super Heróis - Ebal/1975.

Não pretendo fazer uma resenha longa. Então vou encerrar dizendo que o filme é bom, a personagem foi bem construída, os demais atores cumprem bem seu papel. Eu ainda prefiro os filmes da Marvel, claro. Mas a DC mostrou que pode fazer um bom filme de superaventura, apesar de não se arriscar muito (tirar a Mulher Maravilha do contexto da II Guerra é uma forma de levar o filme a países onde símbolos nazistas não podem ser exibidos). Dito isso, recomendo a todos que assistam ao filme, levem seus filhos, sobrinhos, maridos, esposas e namorados (as).


domingo, 4 de junho de 2017

CHANTAL MONTELLIER NO BRASIL

Amaury Fernandes, Marta, Chantal e eu!

Um mês depois, eu pude reunir fôlego para escrever algumas palavras sobre a experiência de me encontrar com Chantal Montellier no Rio de Janeiro, durante a Semana Internacional de Quadrinhos (SIQ), realizada entre os dias 02 e 05 de maio deste ano. Ao contrário do que se fala dos franceses, eu nunca tive qualquer problema em me relacionar com eles. Das poucas vezes que fui à França eu fui bem tratada e recebida e não foi diferente com Chantal Montellier.

Nós começamos a ter contato no final de 2015, quando estendi minhas pesquisas sobre mulheres nos quadrinhos para a França. Na época eu tinha interesse em saber mais sobre a revista “Ah! Nana!”, publicada no final da década de 1970. Ela, de imediato, me deu todo o suporte e, quase sem em conhecer, me indicou para publicar em uma revista francesa. A partir dela eu fiz contatos com pessoas como o jornalista Yves Frémion e com a quadrinista italiana Cecília Capuana.  

Finalmente, eu iria conhecer aquela que havia se tornado um exemplo para mim, tanto pelo se talento quando pelo seu idealismo. E nós sabemos que vivemos uma época em que ter e manter ideais é uma tarefa árdua.

Chantal Montellier veio ao Brasil a convite de Octavio Aragão e de Amaury Fernandes, organizadores do SIQ, como principal atração do evento, patrocinada pela Maison de France. Aproveitando sua vinda ao Brasil, a Editora Veneta republicou o único quadrinho de Chantal Montellier no Brasil, “O Processo”, uma adaptação da obra de Kafka. Estamos aguardando o próximo, opções não faltam!

E ela realmente roubou a cena. Entre entrevistas, lançamentos e palestras ela cumpriu com maestria todos os seus compromissos e ainda fez muito mais. E não podemos esquecer da sua preocupação constante em estar atendendo à demanda do seu público, que incluiu quadrinistas, estudantes de arte e jornalismo, professores e curiosos.

Não pode faltar livro autografado!
A experiência foi fisicamente desgastante, mas intelectualmente enriquecedora. Ela abriu meus olhos para muitos elementos acerca da História das Mulheres, dentro e fora dos quadrinhos, que até então eu não havia mensurado. Conhecimento adquirido, laços de amizade reforçados, eu poderia dizer que os três dias que passei em companhia desta grande dama dos quadrinhos foi decisiva para definir os caminhos que eu desejo tomar com relação à pesquisa. Foram importantes ainda para entender que o estudo das mulheres nos quadrinhos não deve nem pode ter fronteiras. 

A História das Mulheres tanto quando a História dos Quadrinhos é universal, ela não pertence ao Brasil, à França ou aos Estados Unidos, ela pertence a todos. É uma História marcada por lutas, por avanços e retrocessos. É a História das brasileiras, das francesas, das suecas, das inglesas, das japonesas, das estadunidenses e das angolanas.  

Ser mulher em nosso mundo e ser várias mulheres em imersas em várias realidades, mas que enfrentam desafios muito semelhantes. Seja nos anos de 1940, nos anos de 1970 ou atualmente, é uma História que se define pela construção de uma memória compartilhada. E Chantal Montellier compartilhou parte desta memória conosco naqueles três dias em que ela se revezou entre entrevistas e palestras.

domingo, 28 de maio de 2017

NILS BEJEROT: O FREDRIC WERTHAM SUECO

Nils Bejerot - Barn serier Samahälle
Não muito diferente do que ocorreu em muitas partes do mundo, na década de 1950, emergiu na Suécia o debate acerca dos “quadrinhos perigosos”. Estas críticas foram resultado do impacto do livro “A Sedução dos Inocentes” publicado nos Estados Unidos pelo psiquiatra Fredric Wertham, onde condenava alguns tipos de quadrinhos alegando que eles corrompiam a juventude.

A onda de conservadorismo que varreu os anos após a II Guerra Mundial atingiu diversos países do mundo e não poupou a Suécia, onde os quadrinhos também foram considerados perigosos para a juventude. Chegaram a ser publicadas na Suécia obras inspiradas nas ideias Wertham, em 1954. Uma delas foi Barn serier Samahälle (Crianças, quadrinhos e sociedade), pelo psiquiatra e criminologista Nils Bejerot.

Bejerot na época trabalhava como assistente médico social no Conselho de Assistência à Criança e à Juventude da cidade de Estocolmo. Ele foi o pioneiro no estudo sobre o uso de drogas por jovens na Europa, por ter sido o primeiro a diagnosticar e relatar um caso de abuso de drogas intravenosas juvenis. Ele também deu esse nome à síndrome de Estocolmo, em 1973.

Em seu livro, Bejerot reforça as teses de Wetham e acusa os quadrinhos de superaventura de serem fascistas. Chega a relacionar o Superman com o nazismo e o Fantasma com a Ku Klux Klan.
O Fantasma, ou Phatom, um dos personagens mais populares dos quadrinhos mais populares na Suécia, não escapou das críticas de Nils Bejerot.
As críticas feitas por Nils Bejerot, aliadas à sua reputação, influenciaram muitas gerações de professores, editores e bibliotecários, mas a toda esta perseguição, houve uma reação dos fãs e dos quadrinistas suecos. Como resposta a essas críticas, Sture Hegerfors fundou a Academia de Quadrinhos da Suécia (Svenska Serieakademin), em 1965.
 
Em 1968 foi a vez da Associação Sueca de Quadrinhos (Seriefrämjandet), iniciada por Jane Lundström e Henri B. Holgren. Hegerfors também foi o primeiro presidente da Associação de Quadrinhos da Suécia, que durante esses anos vem transformando a noção de quadrinhos, valorizando-os como uma legitima forma de arte. Além dessas ainda surgiram outras organizações de quadrinhos na Suécia como NAFS(K), Mangakai e Generation Tintin.

Nils Bejerot
Na Suécia foram criados inúmeros festivais de quadrinhos, o maior deles para histórias alternativas é uma versão do Small Press Expo, que acontece todo ano em abril, na Serieteket (equivalente à gibiteca no Brasil) Outro festival importante chamado No mundo dos quadrinhos (I Seriernas värld) é focado especialmente em quadrinhos para crianças, ocorre em Malmö, pela Associação Sueca de Quadrinhos. Há também festivais, e feiras que ocorrem durante o ano.

FONTES
STRÖMBERG, Fredrik. Swedish Comics History. Malmö: The Swedish Comics Association, 2010.

REBLIN, Iuri Andréas. A superaventura: da narratividade e sua expressividade à sua potencialidade teológica. – São Leopoldo: EST/PPG, 2012.

NILS Bejorot . Disponível em: http://www.nilsbejerot.se/om.htm, acesso em 20 mai. 2017.

BEJEROT, Nils.  Barn serier Samahälle. Stockholm: Kulturfront, 1981

BALANÇO DO III ENTRE ASPAS

Foto dos Associados
Tivemos entre os dias 25 e 27 de maio o nosso III Entre ASPAS, encontro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), sediada em Leopoldina (MG). Para quem não conhece, a ASPAS reúne pesquisadores focados na temática dos quadrinhos. Ou seja, profissionais que fazem pesquisas, sobre Histórias em Quadrinhos. 

Auditório do Centro Cultural Mauro Almeida, onde foram realizadas as principais apresentações. 

A ASPAS surgiu em 2013 e está completando quatro anos de existência. Ainda estamos nos consolidando como associação. Nestes quatro anos aprendemos com erros e acertos a buscar as melhores alternativas para divulgação de pesquisas sobre quadrinhos. Atualmente contamos com associados de todo o Brasil e de países como França, Suécia e Estados Unidos.

Cátia Ana Baldoíno em oficina no Colégio Imaculada.
O III Entre ASPAS foi realizado este ano em dois espaços: A Casa de Leitura Lya Muller Botelho e no Centro Cultural Mauro Almeida. Durante o III Entre ASPAS, além dos momentos tipicamente acadêmicos (apresentação de painéis e de comunicações), tivemos ainda oficinas voltadas para a comunidade. 

Das oficinas, voltadas para o uso e a criação de quadrinhos, participaram alunos e professores de Leopoldina. Tivemos, também, uma apresentação especial da quadrinista e pesquisadora Catia Ana Baldoino, no Colégio Imaculada Conceição, para alunos do sexto ano.

Oficina de Roteiro com Hamilton Kabuna
Nossa programação cultural, como sempre, envolveu música e dança. Começamos no dia 25 de maio, com uma magnífica apresentação do grupo de música Antique, com um repertório que vai da música clássica à musica popular. No dia 26 de maio tivemos a apresentação do Grupo de Balé do Estúdio R, com a peça "Esmeralda". No mesmo dia realizamos nosso já tradicional lançamento de livros, quadrinhos e fanzines.

Lançamento de livros e fanzines.
O encontro foi encerrado com uma vídeo conferência com a quadrinista Laure Garancher, co-fundadora da The Ink Link Association,  que reúne criadores e profissionais de diversas áreas em prol da produção e divulgação de quadrinhos educativos. Em, claro, a nossa Assembleia, com a presença de vários associados, que elegeu a próxima diretoria, do biênio 2017/2019.

Vídeo Conferência de encerramento com Laure Garancher
Já estamos planejando nosso próximo encontro, para 2018, o IV Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial (FNPAS), cuja a sede e as datas serão divulgadas em breve. Todos os associados  estão dispostos a contribuir para que cada encontro seja importante, tanto em termos de participação quanto em termos da qualidade da produção de nossos associados. A  ASPAS tem, portanto,  um saldo positivo, mas ainda há muito o que pode e deve ser feito.

Para saber mais sobre a ASPAS escreva para aspascontato@gmail.com

domingo, 21 de maio de 2017

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E A ESCOLA: FINALMENTE LANÇADO

Com Amanda Almeida, que  juntamente com a Secretária de Cultura Jussara Thomaz, possibilitou que eu pudesse fazer o meu lançamento no Centro Cultural.

Pois é, eu lancei meu livro oficialmente no dia 09 de março, em Leopoldina (MG), durante as festividades dos 10 anos da Gibiteca Escolar, que agora foi inaugurada como Gibiteca Escolar Helena Fonseca. Passsei sufoco, foi uma correria, mas tudo deu certo, até demais!


Com Delnilson, meu aluno do 9º ano.
O lançamento ocorreu no Centro Cultural Mauro de Almeida, com a presença de colegas, amigos, familiares e alunos. Aliás, gostaria muito de agradecer a todos que compareceram. Foi um noite especial para mim. É a primeira vez que eu lanço um livro (só meu) que não é sobre História Regional. É um pouco assustador porque isso significa que eu vou ter que distribuir em outras regiões.

Com colegas de trabalho, amigas e minha ex-diretora.
 Mas vamos falar um pouco do meu livro. Ele é o resultado de uma inquietação que eu sempre tive: a falta de material de apoio para o professor trabalhar na sala de aula. Acho que faltam livros escritos para professores, com o objetivo de apoiar a prática educativa. No caso dos quadrinhos, há muito pouca coisa ainda e a maior parte dos livros são coletâneas, com artigos produzidos por várias pessoas. É legal, mas acaba trazendo um conhecimento fragmentado. 

Com Willens Douglas, meu aluno poeta.
Eu sentia falta de algo mais completo, mais focado e direcionado ao ensino. Livros com uma linguagem mais simples, que pudessem oferecer não apenas informações. Que pudessem, também, trazer relatos de experiências. A prática docente precisa ser mais valorizada e compartilhada. O professor precisar ter espaço para compartilhar seu conhecimento prático.

Com meu pais e minhas tias.
Foi o que eu tentei fazer. Não desprezei a teoria, mas tentei combinar as duas coisas, partindo da experiência que acumulei nos últimos 10 anos. Enfim, um livro para professores, mas que até alunos podem ler. 

Com minha ex-diretora e grande amiga, Ana Petraglia.

Enfim, eu gostaria muito que quem já teve a oportunidade de ler relatasse suas impressões. Eu preciso saber se consegui atingir meu objetivo, se meu livro está realmente sendo útil. Aguardo comentários (aqui no blog ou em particular).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

III ENTRE ASPAS: OFICINAS PARA A COMUNIDADE

Durante o III Entre ASPAS serão oferecidas oficinas para os participantes e a comunidade local. As oficinas irão acontecer no Centro Cultural Mauro Almeida, nos dias 25 e 26 de maio. Poderão participar professores, estudantes e qualquer pessoa que se interesse pelos temas. 

As inscrições podem ser feitas no Centro Cultural até meia hora antes do início mas, cuidado, há limite de vagas. 




segunda-feira, 15 de maio de 2017

PROGRAMAÇÃO DO III ENTRE ASPAS

Entre os dias 25 e 27 de maio ocorrerá o III Entre ASPAS, encontro da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencia que caminha para seus seis anos de existência, reunindo pesquisadores do Brasil e de outras partes do mundo. O encontro será em Leopoldina (MG), sede física da ASPAS. 

A programação já foi divulgada, confira!


As inscrições para ouvintes podem ser realizadas até o dia 25 de maio. Mais informações pelo e-mail aspascontato@gmail.com

segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONVITE PARA PALESTRA E LANÇAMENTO DE LIVRO SOBRE QUADRINHOS



Haverá, no dia 09 de maio, uma palestra às 19 horas, sobre quadrinhos na escola, parte das comemorações dos 10 anos da Gibiteca Escolar Helena Fonseca. Logo após ocorrerá o lançamento do meu livro (R$ 30,00). 

Quem quiser participar é só comparecer. Durante a  palestra serão distribuídos kits de livro doados pela Editora Peirópolis e, também, alguns exemplares do meu livro.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

SEMANA INTERNACIONAL DE QUADRINHOS (SIQ)

Entre 02 e 05 de maio vai acontecer na Universidade Federal do Rio de Janeiro - ECO campus Praia Vermelha -  a Semana Internacional de Quadrinhos. A programação está fantástica. Parabéns para Octavio Aragão e toda a equipe que está realizando o evento. Tenho certeza que vai ser um grande sucesso.

A Semana Internacional vai contar com a presença de duas feras dos quadrinhos:Trina Robbins e Chantal Montellier. Trina Robbins já veio ao Brasil, há dois anos, para as Jornadas Internacionais de Quadrinhos da USP. Agora ela está retornando para participar de duas mesas. Uma com Sonia Luyten e outra com Chantal Montellier, sobre a revista Ah! Nana!, da qual as duas participaram nos anos de 1970, na França. Chantal Montellier também vai participar de um debate, na Maison de France.

Eu estou lá no meio,  infiltrada entre essas duas feras, e participando de uma mesa com Waldomiro Vergueiro. E já é minha segunda mesa, com ele. A primeira foi lá pelos idos de 2009, em Belo Horizonte. Waldomiro também já participou de dois encontros que fizemos aqui em Leopoldina (MG) e foi um dos membros da minha banca de mestrado. É um prazer poder estar com ele novamente. 

Ah, e farei um pré-lançamento do meu livro sobre quadrinhos e educação lá, também. Um aquecimento. Tanta coisa né?

Segue a programação! Espero vocês lá.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

A PEC 287 E O FIM DO PAÍS DO FUTURO

Na quarta, dia 12 de abril, às 19h e 30min, esteve na Escola Municipal Judith Lintz Guedes Machado, de Leopoldina (MG), a senhora Maria Aparecida N.L. e Meloni, Auditora Fiscal, Diretora Financeira Adjunta da Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais, para falar sobre a  PEC 287 que trata da reforma da Previdência.

A palestra foi dirigida a toda a comunidade e contou com a presença de professores, alunos do EJA e pais de alunos. O objetivo da palestra é esclarecer pontos do projeto de emenda constitucional que muda as regras da previdência. Ninguém melhor para isso do que uma auditora fiscal. 

Eu poderia ficar aqui escrevendo sobre tudo que ouvi e aprendi em várias postagens, mas vou ser direta e objetiva: o projeto é uma violência conta os trabalhadores brasileiros e contra todo o Brasil. Ele vai levar ao nosso empobrecimento como povo e como nação. Atende aos interesses de políticos e banqueiros, não aos nossos. 


A Previdência Social não dá prejuízo e o único rombo que possui é feito pelo próprio governo que, por ano, toma dela 30% das suas reservas. Empresários devem bilhões para a previdência e não são cobrados. As mudanças nas regras vão impedir as pessoas de se aposentarem, vão empobrecer os municípios e vão causar danos irreparáveis à sociedade. 

Ou seja, a reforma na previdência vai interromper o crescimento do país, aumentar ainda mais a crise econômica e a pobreza. É um cenário assustador e que é ignorado pela maioria das pessoas. E sabem aquela coisa de idade mínima para se aposentar? Que acontece em outros países desenvolvidos? Não é idade mínima, é idade limite. Ou seja, em outros países só se trabalha ATÉ os 65 anos, daí em diante a pessoa tem que se aposentar, querendo ou não. Detalhe que faz diferença, né!

Enfim, prometi não me alongar e vou encerrar dizendo que o momento em que vivemos, com um governo irresponsável, com a absoluta falência das instituições políticas, vai definir o que nós somos. 

Se somos um povo que busca o crescimento e o bem comum, se somos um povo que vai ser escravizado por leis que nos agridem e tomam nosso direito à dignidade. É hora de esquecer esta dicotomia arcaica de direita e esquerda. Não é o caso de disputar quem está certo ou errado, mas de salvar o que ainda resta do nosso país.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ENTREVISTA COM A JORNALISTA E QUADRINISTA SUECA SOFIA OLSSON

Almoçando com Sofia Olsson num charmoso restaurante, em Angoulême.
Sofia Olsson é uma jornalista  e quadrinista sueca. Eu a conheci por intermédio de Ola Hummarlund. Marcamos de nos encontrar em Estocolmo, durante minhas férias, mas acabamos nos desencontrando. Remarcamos para conversar em Angoulême, durante o festival. A Suécia teve  uma representação lá. Sempre sorridente e simpática, Sofia reforçou a boa impressão que tive dos suecos. 

Tomamos café e almoçamos juntas. Ela me falou do seu trabalho e da sua família. Eu falei do meu trabalho de pesquisa (tentei) e do meu trabalho na escola. Foram duas horas de conversa muito produtiva. Marquei com ela de fazer algumas perguntas mais pontuais, por e-mail, pois eu realmente não me sentia segura para escrever sobre a nossa conversa (vai que eu entendi algo errado), mas eu ganhei uma direção e um foco. O resultado foi uma entrevista muito produtiva, respondida no dia 03 de março de 2017, que eu estou aqui disponibilizando aqui.  


Entrevista com Sofia Olsson

1. Sofia, por que você começou a fazer quadrinhos?
Eu sempre gostei de desenhar e escrever histórias curtas, mas eu nunca pensei que poderia fazê-lo profissionalmente. Estudei ciências políticas na universidade e comecei a desenhar imagens engraçadas acompanhadas de algumas palavras, durante as palestras. Esses rabiscos me divertiam e, depois de algum tempo, percebi que estava fazendo quadrinhos. A combinação de desenhos e texto me agrada.

2. Como você descreveria o momento atual nos quadrinhos suecos?
Atualmente, os quadrinhos têm uma posição bem estabelecida na Suécia. Cerca de 10 anos atrás, houve uma onda de quadrinhos feministas. Os quadrinhos mais populares hoje são os que são políticos e feministas de uma maneira franca, "Novelas gráficas". Com isso, quero dizer que quadrinhos que estão mais para literatura / ficção não são conceitos tão importantes na Suécia.

3. Qual é a relação atual entre quadrinhos comerciais e quadrinhos independentes na Suécia?
Os quadrinhos independentes são os que mais chamam a atenção, na mídia e no mundo cultural. Há muitos quadrinhos comerciais como sempre, mas não há nada muito novo acontecendo nessa área, pelo menos nada que tenha atingido uma maior audiência. Existem alguns grandes sci-fi-comics, mas poucas pessoas os conhecem.

4. Em geral, quais são as dificuldades na publicação de quadrinhos na Suécia?
A maior dificuldade é que o sueco é um idioma falado por poucos, simplesmente não há leitores suficientes para quadrinhos suecos. Se um álbum vende 3000 cópias, é considerado um resultado muito bom. 5. No Brasil, a produção feminina de quadrinhos tem crescido muito nos últimos anos. Mas esse tipo de quadrinhos, geralmente independente, encontra muita resistência porque no Brasil predomina uma cultura machista. Na Suécia, as questões de gênero parecem estar bem resolvidas.

5. Você pode me explicar o que significa fazer quadrinhos em um contexto em que o machismo é menor?
A Suécia pode não ser um país machista, mas ainda é uma sociedade patriarcal. As experiências das mulheres não são consideradas geralmente interessantes. Os homens conseguem ainda os melhores trabalhos e salários mais elevados. Nos últimos anos, os nacionalistas democratas suecos cresceram enormemente, e sua visão sobre a cultura e os papéis de gênero é extremamente conservadora. Há, por exemplo, uma discussão sobre o aborto na Suécia atualmente. O direito ao aborto tem sido dado como garantido por pelo menos 30 anos e tem havido pouca discussão sobre isso. Existem tendências de direita, nacionalistas e conservadoras na Suécia e em toda a Europa.

6. Como funciona o coletivo Dotterbolaget?
Dotterbolaget é para as mulheres que fazem quadrinhos, principalmente para trabalharem juntas em vez de trabalharem umas contra as outras. O Dotterbolaget organiza oficinas, exposições e, por vezes, faz antologias. Ultimamente, o Dotterbolaget também tem trabalhado junto a organizações que trabalham com imigração e direitos de asilo.

7. Em seu primeiro livro, você cobriu a imigração. Por que você escolheu esse tema?
Na época em que fiz meu primeiro livro, havia muita discussão política sobre como os imigrantes precisavam se integrar à sociedade sueca. Eu senti que como uma "sueca nativa", não estava integrada nessa nova sociedade multicultural. Eu simplesmente não tinha amigos imigrantes. No meu livro, encontro-me com cinco mulheres que imigraram para a Suécia. Deixei-as contar a sua história e, também, queria conhecer pessoas de outros países.

8. Ao fazer Hetero i Hägersten, você se inspirou em suas próprias experiências? Conte-nos sobre o livro, por favor.
"Hetero i Hägersten" é uma história em quadrinhos engraçada e política sobre estar em uma relação heterossexual muito normal. Ao nomeá-lo "Hetero", eu queria apontar a norma, não tomar isso como certo. Trata-se de um jovem casal que conversa, debate e luta sobre como viver suas vidas. É tanto sobre coisas simples como "quem lava a louça" quanto sobre discussões políticas mais avançadas. Os personagens em "Hetero i Hägersten" são baseados em mim e meu namorado, nossas falhas, nossa força, nossas lutas, nosso amor e as conversas que tivemos.

9. Você tem algum novo projeto em andamento?
Sim, depois de alguns anos sendo jornalista em tempo integral, estou finalmente começando um novo projeto de quadrinhos. Será uma história semiautobiográfica, um pouco como "Hetero i Hägersten", mas com um enredo mais ambicioso. Eu, provavelmente, não serei capaz de ficar longe do humor, pois gosto de uma boa piada, mas minhas intenções são de ser, desta vez, um pouco mais séria.
 
Desenho que Sofia fez para mim durante o café.

Se você quiser saber um pouco mais sobre Sofia Olsson eu publiquei um texto sobre ela no Ladys Comics, que pode ser acessado clicando aqui.

domingo, 9 de abril de 2017

GRUPO ANTIQUE DÁ UMA AULA SOBRE VILLA LOBOS

A Academia Leopoldinense de Letras e Artes de Leopoldina (ALLA) promove mensalmente um sarau de poesias e música, que é realizado no Museu Espaço dos Anjos. Este ano o sarau mudou um pouco seu formato dando espaço para que cada acadêmico apresente um autor ou autora na abertura do encontro. 

No sábado, dia 8 de abril, o maestro e acadêmico José Gabriel Viveiros levou o grupo Antique, do qual ele faz parte, para apresentar ao público o compositor brasileiro Heitor Villa Lobos. Assista o vídeo e conheça um pouco mais deste ilustre representante da nosso música e, claro, o grupo Antique.


O próximo sarau será no dia 20 de maio, das 10hs às 12hs e é aberto ao público geral.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O FILME "ESTRELAS ALÉM DO TEMPO"

Não encontrei ainda terapia melhor para uma mente cansada do que assistir a um bom filme. E o que é um bom filme? Para mim, particularmente, é aquele que além de me divertir me faz pensar. Aquele cujas cenas eu repasso mentalmente. Assim como um bom livro, um bom filme acrescenta algo que a gente nem sabia que faltava.

Recentemente eu assisti “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures). Eu não sou dada a dramas e confesso que as tais “histórias baseadas em fatos reais” não são meu tipo preferido de filme. Mas ao assistir ao trailler pela primeira vez eu pensei: esse filme vai ser maravilhoso. E foi.

Em tempos em que se questiona o protagonismo feminino em filmes e histórias em quadrinhos, desafio qualquer pessoa de bom senso a negar que “Estrelas Além do tempo” não seja um filme que toda menina, que toda mulher, branca ou negra deveria assistir. Aliás, um filme que todos, independentemente do sexo e da cor, deveriam assistir.

É um filme histórico, por assim dizer, uma vez que trás o de um momento crítico da história dos Estados Unidos, que está competindo com a URSS pela conquista do espaço. Os EUA não conseguem se igualar aos soviéticos na corrida espacial. Os cidadãos acreditam que estão sendo espionados por satélites soviéticos. Na mesma época o país estava em meio às lutas pelos direitos civis dos negros. Não por acaso, são mostradas manifestações públicas e discursos de personagens como Martin Luther King.

Afora o e discurso enaltecedor dos valores estadunidenses, temos um enredo pautado nos direitos civis dos negros e, especialmente, dos das mulheres. Portanto, ter três mulheres protagonistas de um filme, mulheres reais que venceram as barreiras da cor e do machismo, é muito mais do que inspirador.

E quem são essas mulheres?

Katherine Johnson - 1966
Pra começar, Katherine Johnson, interpretada por Taraji P. Henson, física, cientista espacial e matemática estadunidense. Ela deu contribuições fundamentais para a aeronáutica e exploração espacial dos Estados Unidos, ela calculava as trajetórias, janelas de lançamento e caminhos de retorno de emergência para muitos voos. Ela, inclusive, participou da missão que levou o primeiro homem à lua, em 1969. De 1958, até sua aposentadoria em 1986, ela trabalhou como técnica aeroespacial.

Dorothy Vaughn, que no filme foi interpretada por Octavia Spencer, ela foi a primeira mulher negra a ser promovida chefe de departamento na National Advisory Committee for Aeronautics- NACA (que mais tarde muda de nome para NASA). Sua trajetória é tão interessante quando a de Katherine.

Dorothy Vaughn
Embora ela não tivesse a genialidade matemática da colega de NACA, ela era uma mulher decidida, de mente afiada, capaz de aproveitar as oportunidades, que eram poucas naquela época. Ela entrou na NACA aproveitando-se da Executive Order 8802, assinada durante o governo de Franklin D. Roosevelt, em 1941, que proibia a discriminação racial na indústria de defesa.

Foi a primeira ação federal a promover igualdade de oportunidades e a proibir a discriminação no emprego, nos Estados Unidos. Mas é sempre bom lembrar que esta ordem veio de encontro ao momento vivido pelo país: os Estados Unidos estavam entrando na II Guerra Mundial e toda força de trabalho deveria ser aproveitada, fosse ela de homens ou mulheres, brancos ou negros.

Apesar do ambiente de trabalho ainda ser marcado pela segregação e os melhores postos ocupados por brancos, esta ordem possibilitou a contratação de negros para as agências do governo e foi ela que possibilitou que Dorothy trabalhasse na NACA, de 1943 a 1971. 

E falando em ambiente segregado, temos cenas em que Katherine Johnson é obrigada a andar um quilômetro para ir ao banheiro, pois só havia um banheiro para negros na NACA. Outra em que os colegas dela, brancos, colocam para ela uma cafeteira em separado escrita “pessoa de cor”, para que ela não usasse a cafeteira deles (ela era a única negra da sala). Ela basicamente consegue mudar isso no “grito”, quando chega ao limite da sua tolerância pessoal à discriminação. Aliás, uma das cenas que eu mais gostei.

Por fim, e não menos importante, temos Mary Jackson, interpretada por Janelle Monáe.  Mary Winston Jackson foi matemática e engenheira aeroespacial. Para conseguir o diploma em engenharia, Mary, assim como muitos negros, teve que pleitear na justiça o direito de frequentar aulas. Ela começou trabalhando com engenheiro polonês Kazimierz Czarnecki, no Túnel de Pressão Supersônico de 4 pés por 4 pés, que acabou sugerindo que ela entrasse em um programa de treinamento que lhe permitiria ganhar uma promoção de matemática para engenheira. 
 
Mary Jackson
Os estagiários tiveram que fazer cursos de pós-graduação em matemática e física nos cursos de pós-graduação administrados pela Universidade da Virgínia. Mas as aulas eram realizadas em uma escola segregada, ou seja, apenas para brancos. E ela conseguiu. Para mim uma das cenas mais espetaculares do filme é justamente aquela em que ela, armada de argumentos sólidos, convence o juiz permitir que ela frequente as aulas, que na época eram a noite. 


Mary Jackson começou sua carreira de engenheira em uma época em que as engenheiras de qualquer tipo, brancas ou negras, eram muito raras. Aposentou-se em 1985.


Embora o foco maior estivesse em Katherine Johnson, estas três mulheres foram igualmente inspiradoras e muito bem interpretadas pelas atrizes que assumiram seus papeis. Eu recomento assistir ao filme, recomendo buscar saber mais sobre elas, principalmente se você, homem ou mulher, branco ou negro, tem alguma dúvida sobre se vale a pena investir numa carreira, por mais difícil que ela pareça ser.

Fontes:
https://www.nasa.gov/, acesso em 08 abr. 2017.