Este site foi criado para que eu pudesse postar meus trabalhos sobre a História de Leopoldina, sobre História do Ensino e Educação. Com o tempo ele acabou se tornando muito mais do que isso. Hoje eu o uso para fazer reflexões sobre meu trabalho na escola, sobre minhas pesquisas com quadrinhos e sobre minhas opiniões sobre livros e filmes.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Fazendo Gênero 8
domingo, 10 de agosto de 2008
Piacatuba: 3º Festival de Gastronomia e Cultura de Piacatuba
Hoje, dia dos pais, fiz um programa bem diferente: levei meu pai ao 3º Festival de Gastronomia e Cultura de Piacatuba, que começou na quarta-feira passada, dia 06 de Agosto. A pequena cidade de Piacatuba se tornou um restaurante ao ar livre, como pratos regionais e de cozinha internacional. As garagens, varandas e quintais receberam nestes últimos dias milhares de pessoas, dispostas a degustar os mais variados pratos e de apreciar o artesanato regional.
Juntamente com o Festival de Gastronomia ocorreu, também, o 6º Festviola, que contou com a participação de violeiros de várias partes do Brasil. Estes dois eventos contam com o apoio da Energisa (antiga Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina) e da Lei Estadual de Incentivo a Cultura. Eu não pude assistir às apresentações dos violeiros, mas fui almoçar em um dos restaurantes. Tudo muito aconchegante e um atendimento maravilhoso. Eu e meu pai comemos Picanha na Brasa ao Molho Chutney. Aprovadíssimo (e olhem que meu pai é um dos mais severos críticos culinários que eu conheço)!
Dentre os pratos que estavam sendo oferecidos nos restaurantes da cidade, estavam: Costela Autraliana ao Molho Barbecue, Tournedos ao Molho Gorgonzola, Leitoa à Pururuca com Feijão Tropeiro, Cordeiro Marroquino, Lombo com Tutu À Mineira, dentro tantos outros. Além dos restaurantes há, também, pequenos "cafés" que oferecem salgados, tortas, doces dentre os quais estava o "Bombom de cachaça", uma tentação em tempos de lei seca. Enfim, muito bom. Pena que não pude ir todos os dias. Seguem algumas fotos que fiz hoje pela manhã, quando os restaurantes estavam abrindo.
Um detalhe interessante: toda vez que vou a Piacatuba eu consigo encontrar uma casinha diferente para fotografar. Desta vez eu me encantei com uma que é toda coberta por hera.
sábado, 9 de agosto de 2008
Vida de Aleijadinho em quadrinhos e outras dicas
A revista possuí também atividades muito interessantes, além de falar das obras de Aleijadinho e trazer curiosidades. Ótimo para estudar história de Minas e período minerador. Eu recomendo. Estas revistas da série Voce Sabia? trazem muito material de história. Eu tenho muitas. Há outras, neste estilo biografia para crianças, como a que conta a história de Oswaldo Cruz e de Santos Dumond. Estas revistas vem com um selo que diz que são educativas e recomendadas para trabalhos escolares. Eu gostei realmente muito desta última que comprei, é para mim a melhor de todas.
Ah, neste meu garimpo na banca, encontrei um DVD especial lançado pela Globo News, com as reportagens sobre os 200 anos da chegada da família real no Brasil. É um encarte da revista Caras. É outra boa surpresa, pois estou preparando um material para falar sobre o tema, com o 8º ano. Já tenho a HQ Dom João Carioca, além de algumas edições especiais lançadas este ano sobre o tema. Sobre este material em quadrinhos eu fiz duas postagens no Blog da Gibiteca. Caso seja do interesse de alguém, é só clicar aqui e aqui.
sábado, 26 de julho de 2008
Portal da Educação Pública
A primeira é "Contos de Fadas como documentos". Na minha breve experiência como professora de metodologia de ensino de história, na UNIPAC, há alguns anos atrás, eu trabalhei com minhas alunas do curso de Normal Superior e
ste tema. Eu particularmente acho a literatura infantil uma rica fonte de pesquisa - influência talvez da leitura que fiz do "Grande Massacre dos Gatos", de Robert Darton. No texto, que pode ser acessado aqui, a autora, Claudia Fortuna, faz uma análise muito interessante do tema, dando ao leitor-professor um material excelente para que ele possa criar suas aulas e seu material a partir dos contos de fadas. Aliás, aproveitando o assunto, não custa dar uma indicação de material para o professor usar com seus alunos. A Desiderata - editora do grupo Ediouro - lançou recentemente uma adaptação dos contos de fadas em quadrinhos, os Irmãos Grimm em Quadrinhos, que reúne 17 autores brasileiros para transformar as famosas fábulas em HQ.Outro material muito interessante é a oficina que ensina a trabalhar mitos gregos. Além das orientações, ela traz também textos com resultados de experiências feitas com professores a partir da oficina. Super prático! Acho que falta muito isto, na internet: trazer soluções práticas para que possam ser usadas por professores. A oficina de mitologia, assim como outras oficinas de história, podem ser acessadas a partir deste link. Já os textos podem ser lidos, clicando aqui.
Há também textos sobre carnaval, festa junina, folclore, gênero, educação, etc. Eu não cheguei a nem a terça parte do que eu vi. Alguns textos eu salvei para uma leitura posterior, outros eu ainda pretendo separar, com calma. Vale a visita ao site.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Providência
sábado, 19 de julho de 2008
Carlos Coimbra Luz
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 4ª ed. - São Paulo: Editora Universidade de São Paulo: Fundação para o desenvolvimento da educação, 1996, p. 421
domingo, 29 de junho de 2008
A cada dia, uma nova descoberta...
Tenho pesquisado bastante nas última semana, aproveitando que a afobação do seminário sobre quadrinhos acabou e eu tive um pouco mais de tranquilidade para me ater a outros assuntos. Junto com a prof. Lucilene tenho encontrado informações muito preciosas nas poucas fontes de pesquisa à qual temos disposição. Diria que temos feito boas descobertas, outras nem tão boas assim. Descobrimos, por exemplo, que os livros de registro de óbitos - fonte riquíssima de informações sobre a população da cidade, doenças, etc - praticamente perdeu-se no incêndio da prefeitura, ano passado. Restaram, agora, apenas registos relativamente recentes, de 1965 em diante.
(...)
“Sabemos que é pensamento dos ilustres diretores do Rink, no dia de sua inauguração, realizar um concurso de patinação, sendo oferecendo ao vencedor um mimoso prêmio.”[1]
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Tebas: uma pouquinho da história deste distrito de Leopoldina
Curiosidades:
terça-feira, 3 de junho de 2008
Ginásio Leopoldinense: 102 anos
Hoje a Escola Estadual Professor Botelho Reis, antigo Ginásio Leopoldinense, completa 102 anos. Fundado em 03 de junho do ano de 1906 pelo Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Ginásio Leopoldinense inaugurou um novo período de desenvolvimento Na década de 30, ele já não possuía a mesma diversidade e o mesmo teor que lhe foi marcante até
“De parceria com o seu illustre irmão Dr. Custódio Junqueira, fundou o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, em 3 de junho de 1906, o Gymnasio Leopoldinense, do qual é, ainda hoje, um dos directores geraes.
Ao tempo dessa grande iniciativa, recebida entre aplausos entusiasticos da população de Leopoldina, prever não se podiam vantagens pecunianas decorrestes do exito da mesma. Ao contrario, o Gymnasio Leopoldinense, por occasião da sua instalação, já em predio proprio, adquirido e adaptdo para tal fim, representava tão sómente uma obra de pura benemerencia.
O benemerito leopoldinense Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, cujo real interesse pela grandeza e progresso da terra que lhe foi berço havia se affirmado já por elevantados commettimentos, levados a effeito com ingente esforço, realizou mais essa estapa brillantissima, impulsionando por sadio patriotismo, visando, principalmente facilitar a educação da mocidade, esse magnifico viveiro de futuros cidadãos, aos quaes, por uma successão logica e natural das cousas, serão confiados, amanhã, os destinos gloriosos da Patria.
Residia em Leopoldina, então, bom nucleo de homens intelligntes e de solido preparo. Ser-lhe-ia facil congreal-os sob a égide do mandamento de Christo - ite et docete omnes gentes -, interessando-os na grande obra projetada.
(...)
Propulsor maximo do desenvolvimento desse pedaço do torrão mineiro, que muito o quer, que muito o estremece, o dr. Ribeiro Junqueira tornou-se, de há muito, uma individualidade de destacado relevoentre os grandes brasileiros e os maiores servidores da Patria. E melhor estalão não podiamos ter para cortejar o seu extraordinario valor moral, do que esse monumento do saber, que é o Gymnasio Leopoldinense, sua creação, producto do seu amor á santa causa do ensino.”[1]
[1] REIS, José Botelho (dir.) Ementário do Ginásio Leopoldinense. Leopoldina, 1925, p. IV-V.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
DEZ MIL ACESSOS!!!
Estou comemorando mais de 10 mil acessos neste blog, que não é tão visitado nem tem tantas postagens como o blog da Gibiteca, onde eu estou sempre atualizando, afinal, é um projeto que está ativo e que não pode parar. Aqui é mais um lugar onde eu coloco meus textos, minhas idéias sobre ensino, minhas pequenas pesquisas sobre história, que me fazem lembrar que ser professor não é apenas se esconder atrás de um livro didático e de pilhas de provas. Este espaço é o meu xodó, meu cantinho onde eu entro quando quero e não faço apenas porque tenho que fazer, mas porque gosto de fazer. Não é um compromisso, é um lazer.sábado, 17 de maio de 2008
Seminário Nacional de Ensino de História: Memória e Historiografia
O Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, a través do Núcleo de Culturas Políticas e usos do Passado irá oferecer aos interessados o Semináro Nacional de Ensino de História, Memória e Historiografia que será realizado entre os dias 02 e 04 de junho de 2008, no auditório do ICHF, Campus do Gragoatá, bloco O, 2º andar.O seminário irá discutir temas como o ensino da história da África, biografias, identidade e história política. Os debates contarão com a presença de Alessandra Martinez de Schueler (UERJ), Márcia de Almeida Gonçalves (PUC-RJ/UERJ) e Paulo Knauss (UFF), entre outros historiadores de renome.
O evento está sob a coordenação geral do professor Daniel Aarão Reis e as inscrições serão realizadas até o dia 20 de maio. Para participar é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar em anexo para o e-mail: pronexculturaspoliticas@gmail.com
Para ter acesso à programação completa, é só clicar aqui
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Comemorações do Aniversário de Leopoldina
sábado, 3 de maio de 2008
José Monteiro Ribeiro Junqueira: a tradição política de Leopoldina
- Natural de: Santa Isabel (Leopoldina) - MG
- Filiação: José Ribeiro Junqueira e Antonia Augusta Lobato M. Junqueira
- Falecimento: 14/5/1946
Histórico Acadêmico
- Primário: Professor Inácio
- Secundário: Colégio Abílio
- Direito: Faculdade de Direito de São Paulo
Cargos Públicos
- Promotor Público em Leopoldina
- Secretário de Viação e Obras Públicas do Governo Olegário Maciel
Profissões: Magistrado; banqueiro; empresário; advogado; agropecuarista
Mandatos
- Presidente do Conselho Distrital - 1895 a 1895
- Deputado Estadual - 1895 a 1897
- Deputado Estadual - 1898 a 1900
- Deputado Federal - 1903 a 1905
- Deputado Federal - 1906 a 1908
- Deputado Federal - 1909 a 1911
- Deputado Federal - 1912 a 1914
- Deputado Federal - 1915 a 1917
- Deputado Federal - 1918 a 1920
- Deputado Federal - 1921 a 1923
- Deputado Federal - 1924 a 1926
- Deputado Federal - 1927 a 1929
- Deputado Federal - 1930 a 1930
- Constituinte - 1933 a 1934
- Senador - 1935 a 1937
José Monteiro Ribeiro Junqueira foi figura presente em vários momentos da vida política e econômica de Minas e do Brasil. Participo, entre outras coisas das reuniões do Convênio de Taubaté (1906), como podemos conferir no documento abaixo.
“Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de mil novecentos e seis, reunidos, no Paço Municipal, os Vereadores Dr. Bento Enéas, José Cyrillo Lobato, Alfredo Cândido, Moreira de Mattos e Lobato de Moura, sob a presidência do Sr. Dr. Rebouças de Carvalho, o Senhor Presidente abriu a sessão e disse que era ela convocada extraordinariamente para a recepção dos Presidentes de São Paulo, Minas e Rio, e respectivos Secretários, Delegados desses Estados e Delegados da lavoura e representantes de outros Municípios vindos a esta cidade, para a assinatura do convênio sobre a valorização do café. Em seguida, por proposta de todos os vereadores ficou resolvido que se cedesse a sala de sessões da Câmara para assinatura do respectivo convênio. Para constar lavrei a presente ata que vai assinada por todos os Vereadores, Presidentes dos Estados, Secretários, Delegados e pessoas presentes.
Assinam:
José Rebouças de Carvalho
Bento Enéas de Souza e Castro
José Cyrillo Lobato
Lobato de Moura
Alfredo Cândido Vieira
Francisco Moreira de Mattos
Jorge Tibiriçá
Francisco Salles
Nilo Peçanha
Albuquerque Lins
...Egídio de...
José Monteiro Ribeiro Junqueira
João Augusto Rodrigues Caldas
A. Cândido
José de Barros Franco Junior
Augusto Ramos
Dr. Francisco Marcondes Romeiro
Cônego Valois de Castro, deputado
José Benedito M. de Mattos
Annibal Machado – do São Paulo
J. Braga Penna – Correio Paulistano
Licínio Machado
José Antonio de Barros
Continentino Guimarães – Delegado de Estatística
Affonso Moreira da Silva – Delegado de Polícia, e outros.” [2]
Não podemos deixar de acrescentar , a tudo isto o fato de que, ao lado de Bias Fortes, Antônio Carlos Venceslau Brás, José Monteiro Ribeiro Junqueira, Gustavo Capanema e Virgílio de Melo Franco, organizou e ajudou a fundar o Partido Progressista (PP) de Minas Gerais, 1933.
José Monteiro Ribeiro Junqueira – O grande líder político de Leopoldina
Em 1997 eu apresentei à Universidade Federal de Juiz de Fora minha monografia de conclusão do curso de especialização em História do Brasil, onde eu analisava a formação das elites políticas em Leopoldina, através do Ginásio Leopoldinense.
Durante dois anos, pesquisei dados não apenas deste estabelecimento de ensino mas, principalmente, de seu fundador, José Monteiro Ribeiro Junqueira. Não me considero uma grande conhecedora da vida e da obra deste leopoldinense, mas a partir dos dados recolhidos e de leituras complementares pude chegar a algumas conclusões a seu respeito e reconstruir uma parte da história de Leopoldina, entre os anos de 1896 – 1930.
“Para mais de treis decadas chefia o dr. Ribeiro Junqueira a política do município, e, dia a dia, vem ele conquistando para o seu nome uma aureola cada vez mais brilhante. A sua ascensão não foi rápida. Elle ganhou o terreno palmo a palmo, em pelejas memoriáveis”[3]
Político característico de seu tempo, acumulando as funções de empresário, banqueiro e proprietário, José Monteiro Ribeiro Junqueira assumiu o lugar de guia e o fez com apoio de coronéis locais. Os Monteiro Ribeiro Junqueira, que desde a fundação de Leopoldina em 1854 eram tidos como o clã mais importante[4], institucionalizaram seu poder em 1907, quando Ribeiro Junqueira ganhou as eleições para Agente Executivo Municipal, criando e ao mesmo tempo preenchendo o vácuo político em Leopoldina, fruto da própria necessidade de renovação política que vivia o Estado. Até aquele ano, a disputa política em Leopoldina era acirrada entre os Ribeiro Junqueira e os Dutra, que por décadas controlaram os votos e a política
Para tanto foi preciso criar todo um ambiente favorável, construindo-se uma imagem política que seduzisse os leopoldinenses - não que nas eleições isso fosse necessário, visto que, como sabemos, elas eram fraudulentas e comandadas pelos coronéis -, a fim de atrair simpatias. Alguns instrumentos importantes merecem destaque: 1) A Gazeta de Leopoldina, órgão de impressa que circulava diariamente pelo município, dirigido pelos Junqueira e usado como forte arma para cooptação de lavradores e comerciantes; 2) A Cia. Força e Luz Cataguases/Leopoldina, um investimento notável, promessa de progresso, teve um grande impacto entre a população urbana, formada principalmente pelas camadas médias; 3) A Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, sob controle dos Ribeiro Junqueira praticamente durante quase toda a primeira metade do século XX; 4) A Santa Casa de Misericórdia, onde Dr. Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira foi diretor durante muitos anos; 5) O Ginásio Leopoldinense, cuja construção e fundação extrapolou as perspectivas dos leopoldinenses com relação ao ensino particular.
Ribeiro Junqueira foi aclamado como guia, considerado para o leopoldinense como o maior dos beneméritos, cuja imagem foi habilmente construída através do apelo ao regionalismo. Exaltava as potencialidades da terra, de sua gente e prometia um futuro de glórias, à imagem da Idade do Ouro há pouco perdida - mas cuja esperança de retorno figurava nos discursos da época.
Seu poder tem por fundamento a força do grupo que ele mobiliza por sua aptidão para simbolizar em uma conduta exemplar e/ou em um discurso sistemático diversos interesses.[5] Sobre esse pilar, Ribeiro Junqueira teve a oportunidade de criar toda uma ideologia que possibilitou manter seu poder durante muitas décadas. O Ginásio, fundado em 1906, acabaria por se tornar um verdadeiro símbolo onde se depositavam as esperanças das oligarquias e das camadas médias locais como relação ao futuro da cidade.
Minas Gerais era uma força política de grandes proporções no cenário nacional - tendo sua hegemonia sustentada na ação dos coronéis junto às comunidades, garantindo a manipulação das eleições e fortalecendo o Estado, desfrutando assim de considerável estabilidade política, que só viria a ser quebrada em 1929[6].
As lideranças da Zona da Mata buscavam soluções para os problemas econômicos que a região, a exemplo do Estado, estavam passando. Dentro desse espírito foram realizados fóruns e debates. Leopoldina, sob liderança de Ribeiro Junqueira foi em 1907 sede do 3o Congresso das Municipalidades da Zona da Mata, que teve em sua pauta dois temas polêmicos: a defesa da lavoura e a autonomia dos municípios. Participaram do Congresso figuras eminentes como: Francisco Bernadino, João Pinheiro, Francisco Salles, Wenceslau Braz, Bueno Brandão, entre outros.[7]
As Origens Familiares
Os Monteiros Ribeiro Junqueira são descendentes dos Monteiro de Barros, grupo importante da nobreza e da política do império. Recorro a Marcelo Martins da Costa Araújo para cunhar mais informações sobre os Monteiro de Barros:
“Dão duas gerações de barões e viscondes, além de um sem número de senadores e deputados, aparecendo na alta direção administrativa antes mesmo da Independência. Seus descendentes se formam entre as famílias políticas de São Paulo, ligam-se aos Guinle, aos Silveira e aos Amoroso Lima, do alto capitalismo carioca, assim como também se entrelaçam com a nobreza européia, sendo Monteiro de Barros a célebre condessa de Barral, cuja correspondência com Pedro II foi agora há pouco publicada. O comendador Manuel José Monteiro de Barros, irmão do 1º Visconde de Congonhas do Campo, transferiu-se, em princípios do século passado, com todos os seus filhos, genros e alguns sobrinhos, para vastas sermarias que adquirira no arraial do Feijão Cru, tornando-se um dos primeiros povoadores do atual município de Leopoldina, cuja chefia política jamais deixou de ser de sua família. Ligam-se os Monteiro de Barros, na Zona da Mata, aos Junqueira, aos Rezende, aos Vidal Barbosa Lage, aos Manso Ribeiro, aos Leite de Magalhães Pinto. No Império, a chefia política de Leopoldina e a representação na Assembléia Provincial, na Câmara Geral e no Senado, pertencem sempre aos Monteiro de Barros. O primeiro deputado republicano de Minas é de Leopoldina: chamou-se Monteiro Manso. Na 1ª República, na chefia local, temos o deputado e senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, juntamente com o seu parente senador Francisco Andrade Junqueira Botelho e o seu irmão Custódio Monteiro Junqueira. Desde
No centro de Minas, os descendentes de dois Monteiro de Barros, o 2º Visconde de Congonhas, Lucas Antônio Monteiro de Castro e do Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros ( membro da 2ª Junta Governativa e presidente da Província ), continuaram, também até os nossos dias na cena política. São os Monteiro de Castro da atualidade, os Monteiro Machado, um dos quais, Cristiano Machado ( José Monteiro de Castro, secretário da presidência Café Filho ), foi um dos chefes da Revolução de 30 em Minas e candidato à presidência da República no pleito de 1950.
Casados na família Monteiro de Barros encontramos muitos outros políticos de evidência no Estado, entre os quais Augusto de Lima, poeta, governador e deputado na Velha República, o deputado Francisco Campos Valadares, o antigo presidente da Corte Suprema, Edmundo Lins.” [8]
[1] http://www.senado.gov.br/sf/SENADORES/senadores_biografia.asp?codparl=1962&li=37&lcab=1934-1937&lf=37
[2] http://www.camarataubate.sp.gov.br/noticias/noticia308.htm
[3] O RECREIO, Recreio, 01 de dezembro de 1929, n. 15, p. 01
[4] Sobre a formação de Leopoldina e outras cidades da Mata ver CARRARA, Ângelo Alves. A Zona da Mata: diversidade econômica e continuismo, Dissertação de Mestrado. 1993.
[5] Bourdieu refere-se ao profeta no campo religioso, mas como uma arquétipo mítico, pode ser aplicado no nosso estudo de caso a nível comparativo. BOURDIEU, Pierre. Op. cit., 1992, p. LVI.
[6] Sobre as elites políticas mineiras na Primeira República ver: VISCARDI, Cláudia Ribeiro. Elites políticas
[7] Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 de out., de 1907, p. 01, n. 3436
[8] ARAÚJO, Marcelo Martins da Costa. Disponível em http://br.geocities.com/novaeramg/monteirodebarros.htm
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Escravos em Leopoldina
ra de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633 livres. Os municípios que possuíam mais escravos eram Juiz de Fora e Leopoldina. Em 1883, Leopoldina já era a segunda cidade com maior número de escravos de Minas Gerais, com 16.001.
Quando não trabalhavam direito, podiam ser castigados de forma cruel, com chicotadas e surras. Muitos de nossos fazendeiros lutaram contra o fim da escravidão, através de nossos representantes políticos na Corte.
Mas nem todos os donos de escravos eram cruéis e nem todos os leopoldinenses defendiam a escravidão. A historiadora Nilza Cantoni nos conta que em Leopoldina havia pessoas que eram contra a escravidão. Um desses casos foi o do José Jeronymo de Mesquita, o Barão do Bonfim, proprietário da Fazenda do Paraíso que, em 15 de abril de 1888, alforriou 182 escravos e os levou para a cidade onde assistiram juntos a uma missa, como homens livres.
Segundo sua biografia, o Barão do Bonfim teria recebido a fazenda Paraíso como presente de casamento de seu avô. A fazenda de café possuía 300 escravos, que eram bem tratados e cujos filhos, inclusive, recebiam aulas. Ele chegou a construir uma sala de música para os escravos aprenderem a tocar instrumentos musicais.
Um dos grandes abolicionistas brasileiros, que morou e trabalhou em Leopoldina, foi o Dr. Antônio Augusto de Lima (1859-1934), jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político. Nasceu em Congonhas de Sabará (hoje Nova Lima), MG. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 5 de fevereiro de 1903. Foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, e, em 1885, era juiz municipal. Chegou a ser governador de Minas Gerais, em 1895 (na época título de governador correspondia a “presidente do Estado”)."
quinta-feira, 1 de maio de 2008
História de Piacatuba em cordel
Dois fazendeiras e escravos
Vieram para este lado de cá
Para tomar posse
Desta terra que aqui está.
Tudo isso era só mato,
Com animal feroz, tiveram que lutar.
Dizem que até assombração
Eles tiveram que enfrentar.
Nada eles temiam não.
Tinham tanta ambição,
Que começou a confusão.
Pela qual demarcação.
Houve mortem muita dor
E muito sangue neste chão.
Já cansado de lutar,
Doou esta terra tão linda
Para este arraial formar.
É a mais pura verdade.
Sabe para quem doou as terras?
Para Nossa Senhora da Piedade.






