segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fazendo Gênero 8

Estou participando, esta semana, do Fazendo Gênero 8, um Seminário Internacional, que vai até o dia 28 de Agosto. A cada dia tentarei fazer no Blog um resumo sobre minha participação no evento. Hoje foi a abertura, que contou com a participação da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. A fala da ministra foi muito interessante e motivadora, pois ela anunciou a abertura de um edital de pesquisa para ainda esta semana, cujo orçamento alcançou o teto de 5 milhões. Uma oportunidade para pesquisadoras e estudantes de pós-graduação que se dedicam ao tema.


Houve, também, uma homenagem especial a uma educadora de Santa Catarina, prof. Êgle Malheiros, que foi muito emocionante. O evento começou oficialmente com a conferência da pesquisadora argentina Dr. Maria Luísa Femenías, com o tema Corpo, poder e Violênia - o tema geral do seminário deste ano. Em seguida houve um lançamento coletivo de mais de 40 obras, ligadas aos estudos de gênero. Amanhã eu farei a apresentação da minha comunicação e darei mais detalhes sobre o Seminário.

domingo, 10 de agosto de 2008

Piacatuba: 3º Festival de Gastronomia e Cultura de Piacatuba


Hoje, dia dos pais, fiz um programa bem diferente: levei meu pai ao 3º Festival de Gastronomia e Cultura de Piacatuba, que começou na quarta-feira passada, dia 06 de Agosto. A pequena cidade de Piacatuba se tornou um restaurante ao ar livre, como pratos regionais e de cozinha internacional. As garagens, varandas e quintais receberam nestes últimos dias milhares de pessoas, dispostas a degustar os mais variados pratos e de apreciar o artesanato regional.

Juntamente com o Festival de Gastronomia ocorreu, também, o 6º Festviola, que contou com a participação de violeiros de várias partes do Brasil. Estes dois eventos contam com o apoio da Energisa (antiga Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina) e da Lei Estadual de Incentivo a Cultura. Eu não pude assistir às apresentações dos violeiros, mas fui almoçar em um dos restaurantes. Tudo muito aconchegante e um atendimento maravilhoso. Eu e meu pai comemos Picanha na Brasa ao Molho Chutney. Aprovadíssimo (e olhem que meu pai é um dos mais severos críticos culinários que eu conheço)!

Dentre os pratos que estavam sendo oferecidos nos restaurantes da cidade, estavam: Costela Autraliana ao Molho Barbecue, Tournedos ao Molho Gorgonzola, Leitoa à Pururuca com Feijão Tropeiro, Cordeiro Marroquino, Lombo com Tutu À Mineira, dentro tantos outros. Além dos restaurantes há, também, pequenos "cafés" que oferecem salgados, tortas, doces dentre os quais estava o "Bombom de cachaça", uma tentação em tempos de lei seca. Enfim, muito bom. Pena que não pude ir todos os dias. Seguem algumas fotos que fiz hoje pela manhã, quando os restaurantes estavam abrindo.

Um detalhe interessante: toda vez que vou a Piacatuba eu consigo encontrar uma casinha diferente para fotografar. Desta vez eu me encantei com uma que é toda coberta por hera.

sábado, 9 de agosto de 2008

Vida de Aleijadinho em quadrinhos e outras dicas

Ontem eu comprei na banca uma revista em quadrinhos (HQ) da Turma da Mônica Você Sabia? Aleijadinho, da Editora Globo (atualmente a Mônica está na editora Panini). É um daqueles encalhes que eles de vez em quando colocam nas bancas a um precinho bem barato (1,99). Pois bem, foi uma grata surpresa. Trata-se de um material altamente indicado para trabalhar nas salas de aula com alunos (entre 9 e 12 anos). A HQ é uma biografia em quadrinhos, voltada para crianças, mas que pode ser usada para elaborar questões para alunos até o 9º ano. Foi uma idéia muito feliz do Maurício de Sousa. Material indicadíssimo para trabalhos escolares. Ele conta a história do grande artista Barroco, Antônio Francisco Lisboa.

A revista possuí também atividades muito interessantes, além de falar das obras de Aleijadinho e trazer curiosidades. Ótimo para estudar história de Minas e período minerador. Eu recomendo. Estas revistas da série Voce Sabia? trazem muito material de história. Eu tenho muitas. Há outras, neste estilo biografia para crianças, como a que conta a história de Oswaldo Cruz e de Santos Dumond. Estas revistas vem com um selo que diz que são educativas e recomendadas para trabalhos escolares. Eu gostei realmente muito desta última que comprei, é para mim a melhor de todas.

Ah, neste meu garimpo na banca, encontrei um DVD especial lançado pela Globo News, com as reportagens sobre os 200 anos da chegada da família real no Brasil. É um encarte da revista Caras. É outra boa surpresa, pois estou preparando um material para falar sobre o tema, com o 8º ano. Já tenho a HQ Dom João Carioca, além de algumas edições especiais lançadas este ano sobre o tema. Sobre este material em quadrinhos eu fiz duas postagens no Blog da Gibiteca. Caso seja do interesse de alguém, é só clicar aqui e aqui.

sábado, 26 de julho de 2008

Portal da Educação Pública

Esta semana e tive a grata oportunidade de conhecer o Portal da Educação Pública, por intermédio do ilustrador Salmo Dansa, que conheci durante o V Encontro de Literatura Infantil, do qual participei recentemente. Como colaborador do portal ele me enviou o link e eu fiquei encantada com a quantidade e qualidade dos textos disponíveis, abarcando várias áreas de educação, inclusive a História. Não pude deixar de postar sobre o Portal no Blog e, especialmente sobre duas matérias que li.

A primeira é "Contos de Fadas como documentos". Na minha breve experiência como professora de metodologia de ensino de história, na UNIPAC, há alguns anos atrás, eu trabalhei com minhas alunas do curso de Normal Superior este tema. Eu particularmente acho a literatura infantil uma rica fonte de pesquisa - influência talvez da leitura que fiz do "Grande Massacre dos Gatos", de Robert Darton. No texto, que pode ser acessado aqui, a autora, Claudia Fortuna, faz uma análise muito interessante do tema, dando ao leitor-professor um material excelente para que ele possa criar suas aulas e seu material a partir dos contos de fadas. Aliás, aproveitando o assunto, não custa dar uma indicação de material para o professor usar com seus alunos. A Desiderata - editora do grupo Ediouro - lançou recentemente uma adaptação dos contos de fadas em quadrinhos, os Irmãos Grimm em Quadrinhos, que reúne 17 autores brasileiros para transformar as famosas fábulas em HQ.

Outro material muito interessante é a oficina que ensina a trabalhar mitos gregos. Além das orientações, ela traz também textos com resultados de experiências feitas com professores a partir da oficina. Super prático! Acho que falta muito isto, na internet: trazer soluções práticas para que possam ser usadas por professores. A oficina de mitologia, assim como outras oficinas de história, podem ser acessadas a partir deste link. Já os textos podem ser lidos, clicando aqui.

Há também textos sobre carnaval, festa junina, folclore, gênero, educação, etc. Eu não cheguei a nem a terça parte do que eu vi. Alguns textos eu salvei para uma leitura posterior, outros eu ainda pretendo separar, com calma. Vale a visita ao site.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Providência

Providência é um distrito de Leopoldina. estive lá, há pouco tempo, e tirei algumas fotos. Sei muito pouco sobre sua história, sendo minha referência o Colégio Franco (fundado no início do século passado) e a Estação da CEF Leopoldina. Fundado em 1890, o distrito de Providência possui uma história muito rica da qual espero um dia poder falar aqui.











sábado, 19 de julho de 2008

Carlos Coimbra Luz

Há pouco tempo eu estava dando e eis que surge o nome de Carlos Luz, nomeado interinamente Presidente da República até a posse do novo presidente, eleito pelo pleito de 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek, mas deposto cerca de dois dias depois. Perguntei aos meus alunos: “Vocês sabem quem foi Carlos Luz”? O silêncio foi total. Então, eu fiz minha parte e disse que ele tinha sido um político brasileiro, que havia morado em Leopoldina e que tínhamos até uma estátua e uma rua em homenagem a ele.

No entanto, naquele momento, eu percebi que também não sabia muita coisa sobre este personagem importante da nossa história local. Minha querida ex-professora de especialização, Claudia Viscardi, talvez dissesse nesta hora que eu me concentrei tanto em estudar José Monteiro Ribeiro Junqueira, que esqueci que Leopoldina produziu outros políticos que conquistaram certo prestígio no Estado e na Federação. Por esta razão eu fiz o que todos fazem em tempos de globalização: uma pesquisa na internet.

Assim, as linhas que se seguem não são exatamente uma pesquisa historiografia – isto eu pretendo fazer a partir dos dados que recolhi através desta primeira investida -, mas de uma tentativa de reunir o maior número possível de dados sobre este político a fim de disponibilizá-los em um só lugar para pesquisas escolares e como forma de aglutinar mais informações sobre Leopoldina.

Carlos Coimbra da Luz não era mineiro. Nasceu na cidade de Três Corações (MG). Foi um político brasileiro; presidente interino da República por três dias, de 8 a 11 de novembro de 1955. Advogado, era casado com Graciema Junqueira. Iniciou sua carreira política como vereador em Leopoldina (MG), cidade da qual se tornou prefeito (1923 - 1932). Foi secretário de Agricultura, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais (1932 - 1933), secretário do Interior do mesmo estado (1933 - 1935), deputado federal (1935 - 1937) pelo Partido Progressista de Minas Gerais (PP-MG) e presidente da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro (1939 - 1946). Eleito deputado constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) em 1945, não chegou a tomar posse, pois foi nomeado ministro da Justiça e Negócios Interiores no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946). Substituído no ministério, reassumiu seu mandato, reelegendo-se deputado federal pelo PSD nas legislaturas seguintes (1947 - 1961).

Assumiu a presidência da República por ser presidente da Câmara dos Deputados, em função do afastamento, por motivos de saúde, do presidente Café Filho (vice-presidente de Getúlio Vargas, que cometera suicídio no ano anterior). De acordo com a Constituição de 1946, o presidente da Câmara dos Deputados exerceria a presidência da República na ausência do titular do cargo e de seu vice-presidente. Assim, na qualidade de presidente da Câmara, Carlos Luz assumiu interinamente a presidência da República em 9 de novembro de 1955, como substituto legal de Café Filho, afastado da chefia do governo.

Após a vitória de Juscelino e João Goulart, desencadeou-se uma campanha contra a posse. No início de novembro de 1955, faleceu o presidente do clube militar – general Canrobert Pereira da Costa, um dos mais destacados conspiradores contra Getúlio. Em seu enterro, o coronel Birraria Mamede, atacou os interessados em defender aquilo que ele chamava de “mentira democrática”, referindo-se à eleição de Juscelino.

O General Lott, Ministro da Guerra desejava punir o coronel e limitar a politização das forças aramadas, mas só quem podia fazer isto era o Presidente da República. Com o abandono de Café Filho - por problemas de saúde - , Carlos Luz assumiu interinamente a presidência da República. Como ele se recusou a punir o coronel, Lott demitiu-se do Ministério da Gerra. A partir daí, ocorreu o chamado golpe preventivo, uma intervenção militar para garantir a posso do presidente eleitor e não para impedi-la.

Assim, em 11 de novembro de 1955, Carlos Luz foi deposto, sob a alegação de que estaria ligado a conspiradores que queriam impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Carlos Luz ainda refugiou-se no cruzador Tamandaré, de onde tentou organizar a resistência, mas, ainda em 11 de novembro, por decisão do Congresso Nacional, foi considerado impedido, e substituído no cargo por Nereu Ramos, presidente do Senado. O navio foi alvo de disparos pela artilharia do exército porém não revidou devido a solicitação de Carlos Luz. A presidência foi, assim, entregue ao presidente do Senado Federal, Nereu Ramos. Carlos Luz faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1961.

Fontes:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 4ª ed. - São Paulo: Editora Universidade de São Paulo: Fundação para o desenvolvimento da educação, 1996, p. 421

domingo, 29 de junho de 2008

A cada dia, uma nova descoberta...

Tenho pesquisado bastante nas última semana, aproveitando que a afobação do seminário sobre quadrinhos acabou e eu tive um pouco mais de tranquilidade para me ater a outros assuntos. Junto com a prof. Lucilene tenho encontrado informações muito preciosas nas poucas fontes de pesquisa à qual temos disposição. Diria que temos feito boas descobertas, outras nem tão boas assim. Descobrimos, por exemplo, que os livros de registro de óbitos - fonte riquíssima de informações sobre a população da cidade, doenças, etc - praticamente perdeu-se no incêndio da prefeitura, ano passado. Restaram, agora, apenas registos relativamente recentes, de 1965 em diante.

Por outro lado, muitas curiosidades sobre Leopoldina tem aflorado. Uma, que me chamou atenção foi o fato da cidade ter tido, no ano de 1916 um RINK de patinação. Ora, qual foi minha surpresa quando, lendo a Gazeta de Leopoldina estava lá em destaque a inauguração do tal RINK! Se tantas coisas que eu já encontrei referências à cidade esta deve ser uma das mais exóticas. Seguem trechos da Gazeta que faz referência ao Rink.

“Será inaugurado em breves dias, o grande barracão para o rink em nossa cidade – esporte elegante e cultivado nos grandes centros, onde tem adquiro um desenvolvimento colossal”.

(...)

“Sabemos que é pensamento dos ilustres diretores do Rink, no dia de sua inauguração, realizar um concurso de patinação, sendo oferecendo ao vencedor um mimoso prêmio.”[1]

“Foi indescritível o entusiasmo da nossa mocidade pelo novo esporte, que sofregamente esperavam, e assim é que, momentos após a inauguração, para mais de 20 jovens, moços e moças, deslizavam sobre o liso assoalho do Rink”.[2]

Para o Rink foi construído prédio próprio que teve que ser ampliado pouco mais de um mês depois, para atender aos usuários. O empreendimento partiu de uma sociedade feito pelos Drs. Costa Velho, Pedro Arantes, Custódio Arantes e Tenente Esdras Lintz, para quem foi oferecido um baile no dia da inauguração pelo Tenente João Chagas.

Caso as famílias dos descendentes destes homens tenham qualquer outra informação, tal como a localização do Rink e, quem sabe, documentos ou fotos, seria muito importante para ajudar a resgatar esta pequena parte da história desportiva da nossa cidade, além de ser uma forma de entender um pouco mais os hábitos dos leopoldinenses, naquele início de século XX.u fotos, seria muito importante para ajudar a resgatar esta pequena parte da hista inauguraçm, e assim pe que, mmentos ap


[1] Rink. Gazeta de Leopoldina, ano XXII, n. 27, 25 de maio de 1916
[2] Rink. Gazeta de Leopoldina, ano XXII, n. 35, 06 de junho de 1916.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tebas: uma pouquinho da história deste distrito de Leopoldina
























Tenho me interessado em recolher informações básicas sobre alguns dos distritos de Leopoldina para, futuramente, quem sabe, poder fazer um estudo realmente aprofundado da sua história. Há muito realmente o que se pesquisar, pois a história do município ainda é um grande mistério. Fazendo uma busca na internet eu tive a sorte de encontrar um site dedicado a Tebas, distrito de Leopoldina desde 1880. Um site muito bem feito e muito bem cuidado, devo acrescentar. De lá tirei as informações que seguem.

O nome do distrito pode ser atribuído a Manoel Joaquim Thebas que foi vizinho da fazenda Feijão Cru, que pertencia a Manoel Antônio de Almeida, que teria vivido na região por volta da década de 1850. Povoado originalmente pelos índios puris, o distrito começou a ser ocupado nas primeiras décadas do século XIX, seguindo a cronologia de ocupação do município de Leopoldina. O povoado foi elevado a distrito pela lei provincial nº 2675, de 30.11.1880. A confirmação eclesiástica veio com a lei nº 2848 de 25.10.1881 que elevou o distrito a Freguesia. E a lei nº 3113, de 1882, registra o nome do distrito como Santo Antônio de Tebas.

A lei que criou o distrito autorizou a câmara municipal de Leopoldina a estabelecer as divisas. Para este fim a câmara nomeou comissão de vereadores que estudaram o assunto e apresentaram parecer, que foi aprovado em plenário com a ressalva apenas de que o nome do lugar passou a ser Santo Antônio dos Thebas, ao invés de Santo Antônio do Monte Alegre como anteriormente era conhecido.

O distrito de Tebas foi constituído por terras antes pertencentes a Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). Assim, pela lei nº 2938, de 23.09.1882, algumas fazendas da Piedade foram transferidas para Thebas. Em 06.10.1883 foi a vez de Rio Pardo perder algumas propriedades que passaram para o novo distrito. E em 18 do mesmo mês, através da lei nº 3171, a fazenda de João Pereira Valverde foi transferida de Thebas para a freguesia de Piedade (7). Em 1882 a Lei 3113 instituiu o Distrito Policial em Tebas.

Curiosidades:
- O distrito já teve um jornal. O nº 01 da "Folha de Tebas" circulou em 1918, com noticias variadas, que falavam do cotidiano, dos projetos políticos, da preocupação em dotar o distrito de "força e luz elétricas", coluna social e anúncios classificados que revelam o comércio existente na Tebas da época. E tinha até poesia na primeira página. Dá pra imaginar como era a vida dos tebanos.

- O pai de Noel Rosa, Manuel Garcia de Medeiros Rosa, é filho de Leopoldina, viveu na cidade até os 18 anos e posteriormente passou a viver no Rio de Janeiro. Apaixonado por Marta, filha do casal Eduardo e Rita Corrêa de Azevedo, residentes no Brejo, hoje Tebas, acabou se casando com ela.

- Tebas, tem 2.007 habitantes de acordo com o censo IBGE 2000. Está situada às margens da BR 267, que liga Leopoldina a Juiz de Fora. As principais atividades econômicas são agricultura, pecuária e a fabricação artesanalde doces em compotas e em barras. Visite o site de Tebas e veja a linda galeria de imagens de janelas, clicando aqui.


Fontes:

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ginásio Leopoldinense: 102 anos

Hoje a Escola Estadual Professor Botelho Reis, antigo Ginásio Leopoldinense, completa 102 anos. Fundado em 03 de junho do ano de 1906 pelo Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Ginásio Leopoldinense inaugurou um novo período de desenvolvimento em Leopoldina. Ele assumiu espaço dentro do sistema escolar de forma centralizadora, atraindo para si uma clientela seleta, em busca de formação.

Ele eclipsou os demais estabelecimentos locais, de forma que, a partir do final da década de 1910, a expansão do ensino particular em Leopoldina sofreu uma brusca desaceleração. O Ginásio estabeleceu um verdadeiro monopólio sobre o ensino particular em Leopoldina, pois passou a oferecer todos os tipos de cursos, desde o primário ao ensino superior, atendendo a ambos os sexos.

Por outro lado, apesar do aparente êxito, a escola iria encontrar dificuldades em manter o nível do ensino. A falta de professores, o custo com a manutenção da escola, assim como a concorrência por parte de escolas tradicionais, de outras regiões e da própria Zona da Mata concorreriam para o fechamento de alguns de seus cursos e, mais tarde, a venda do estabelecimento, em 1946, para o Bispo Diocesano D. Delfim Ribeiro Guedes. Por outro lado, enquanto funcionou em sua capacidade máxima, a escola serviu a muitos propósitos, alguns deles ultrapassando os limites meramente pedagógicos.

O Ginásio Leopoldinense atuou como organizador de uma sociedade, onde os valores de elite precisavam ser adaptados a um novo mundo. O mito no qual se origina - na medida em que foi concebido como símbolo sobre o qual este mesmo mito político teria uma de suas bases de sustentação - apresenta-se como um paradoxo político dentro de um Brasil que em si estava recheado de contradições.

Com base em um ideário ao mesmo tempo liberal e conservador, Ribeiro Junqueira construiu, junto com o Ginásio, uma possibilidade de agir sobre o pensamento imaginário regional a ponto de criar um símbolo que, talvez, tenha superado todas as suas expectativas. Ao mesmo tempo em que foi criado para atender às elites ele também atendeu às necessidades da cidade, dando-lhe a impressão de progresso e de prosperidade que tanto temia perder.

Na década de 30, ele já não possuía a mesma diversidade e o mesmo teor que lhe foi marcante até 1926. A Escola Normal e a Faculdade de Farmácia e Odontologia, assim como o Ensino Agrícola não mais existiam. No entanto, O Ginásio Leopoldinense foi referência regional ainda por muitas décadas, mesmo quando encontrava-se em período de decadência. O símbolo resistia enquanto preenchia um espaço dentro do imaginário regional.

Sobre o Ginásio, a Gazeta de Leopoldina escreveu:


“De parceria com o seu illustre irmão Dr. Custódio Junqueira, fundou o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, em 3 de junho de 1906, o Gymnasio Leopoldinense, do qual é, ainda hoje, um dos directores geraes.

Ao tempo dessa grande iniciativa, recebida entre aplausos entusiasticos da população de Leopoldina, prever não se podiam vantagens pecunianas decorrestes do exito da mesma. Ao contrario, o Gymnasio Leopoldinense, por occasião da sua instalação, já em predio proprio, adquirido e adaptdo para tal fim, representava tão sómente uma obra de pura benemerencia.

O benemerito leopoldinense Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, cujo real interesse pela grandeza e progresso da terra que lhe foi berço havia se affirmado já por elevantados commettimentos, levados a effeito com ingente esforço, realizou mais essa estapa brillantissima, impulsionando por sadio patriotismo, visando, principalmente facilitar a educação da mocidade, esse magnifico viveiro de futuros cidadãos, aos quaes, por uma successão logica e natural das cousas, serão confiados, amanhã, os destinos gloriosos da Patria.

Residia em Leopoldina, então, bom nucleo de homens intelligntes e de solido preparo. Ser-lhe-ia facil congreal-os sob a égide do mandamento de Christo - ite et docete omnes gentes -, interessando-os na grande obra projetada.

(...)

Propulsor maximo do desenvolvimento desse pedaço do torrão mineiro, que muito o quer, que muito o estremece, o dr. Ribeiro Junqueira tornou-se, de há muito, uma individualidade de destacado relevoentre os grandes brasileiros e os maiores servidores da Patria. E melhor estalão não podiamos ter para cortejar o seu extraordinario valor moral, do que esse monumento do saber, que é o Gymnasio Leopoldinense, sua creação, producto do seu amor á santa causa do ensino.”[1]


[1] REIS, José Botelho (dir.) Ementário do Ginásio Leopoldinense. Leopoldina, 1925, p. IV-V.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

DEZ MIL ACESSOS!!!

Estou comemorando mais de 10 mil acessos neste blog, que não é tão visitado nem tem tantas postagens como o blog da Gibiteca, onde eu estou sempre atualizando, afinal, é um projeto que está ativo e que não pode parar. Aqui é mais um lugar onde eu coloco meus textos, minhas idéias sobre ensino, minhas pequenas pesquisas sobre história, que me fazem lembrar que ser professor não é apenas se esconder atrás de um livro didático e de pilhas de provas. Este espaço é o meu xodó, meu cantinho onde eu entro quando quero e não faço apenas porque tenho que fazer, mas porque gosto de fazer. Não é um compromisso, é um lazer.

Bom para comemorar, vou colar aqui o selinho que a minha colega blogueira, Daise, me ofereceu outro dia, e gostaria de oferecê-lo às amigas Valéria, Claudia Conte, Fátima Franco, Marli e Jenny!

sábado, 17 de maio de 2008

Seminário Nacional de Ensino de História: Memória e Historiografia

O Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, a través do Núcleo de Culturas Políticas e usos do Passado irá oferecer aos interessados o Semináro Nacional de Ensino de História, Memória e Historiografia que será realizado entre os dias 02 e 04 de junho de 2008, no auditório do ICHF, Campus do Gragoatá, bloco O, 2º andar.

O seminário irá discutir temas como o ensino da história da África, biografias, identidade e história política. Os debates contarão com a presença de Alessandra Martinez de Schueler (UERJ), Márcia de Almeida Gonçalves (PUC-RJ/UERJ) e Paulo Knauss (UFF), entre outros historiadores de renome.

O evento está sob a coordenação geral do professor Daniel Aarão Reis e as inscrições serão realizadas até o dia 20 de maio. Para participar é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar em anexo para o e-mail: pronexculturaspoliticas@gmail.com

Para ter acesso à programação completa, é só clicar aqui

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Comemorações do Aniversário de Leopoldina

O aniversário da cidade foi no dia 27 de Abril, mas no dia 30, véspera do feriado, a cidade parou para uma série de eventos, em comemoração aos 154 anos da cidade. Em meio a barracas com artesanato, atendimento médico e brincadeiras para as crianças, tivemos um desfile com várias escolas da cidade. Vejam algumas fotos de alunos e professores da escola onde eu trabalho a E. M. Judith Lintz Guedes Machado.


sábado, 3 de maio de 2008

José Monteiro Ribeiro Junqueira: a tradição política de Leopoldina

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi um dos maiores lideres políticos da Zona da Mata, na primeira metade do século XX. Deputado e Senador, ele foi figura influente, também, no cenário nacional. Vejam, abaixo, sua breve bibliografia e seu currículo político.[1]

- Nascimento: 27/8/1871
-
Natural de: Santa Isabel (Leopoldina) - MG
- Filiação: José Ribeiro Junqueira e Antonia Augusta Lobato M. Junqueira

-
Falecimento: 14/5/1946

Histórico Acadêmico

- Primário: Professor Inácio
- Secundário: Colégio Abílio
-
Direito: Faculdade de Direito de São Paulo

Cargos Públicos
- Promotor Público em Leopoldina
- Secretário de Viação e Obras Públicas do Governo Olegário Maciel

Profissões: Magistrado; banqueiro; empresário; advogado; agropecuarista

Mandatos
- Presidente do Conselho Distrital - 1895 a 1895
- Deputado Estadual - 1895 a 1897
- Deputado Estadual - 1898 a 1900
- Deputado Federal - 1903 a 1905
- Deputado Federal - 1906 a 1908
- Deputado Federal - 1909 a 1911
- Deputado Federal - 1912 a 1914
- Deputado Federal - 1915 a 1917
- Deputado Federal - 1918 a 1920
- Deputado Federal - 1921 a 1923
- Deputado Federal - 1924 a 1926
- Deputado Federal - 1927 a 1929
- Deputado Federal - 1930 a 1930
- Constituinte - 1933 a 1934
- Senador - 1935 a 1937

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi figura presente em vários momentos da vida política e econômica de Minas e do Brasil. Participo, entre outras coisas das reuniões do Convênio de Taubaté (1906), como podemos conferir no documento abaixo.

“Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de mil novecentos e seis, reunidos, no Paço Municipal, os Vereadores Dr. Bento Enéas, José Cyrillo Lobato, Alfredo Cândido, Moreira de Mattos e Lobato de Moura, sob a presidência do Sr. Dr. Rebouças de Carvalho, o Senhor Presidente abriu a sessão e disse que era ela convocada extraordinariamente para a recepção dos Presidentes de São Paulo, Minas e Rio, e respectivos Secretários, Delegados desses Estados e Delegados da lavoura e representantes de outros Municípios vindos a esta cidade, para a assinatura do convênio sobre a valorização do café. Em seguida, por proposta de todos os vereadores ficou resolvido que se cedesse a sala de sessões da Câmara para assinatura do respectivo convênio. Para constar lavrei a presente ata que vai assinada por todos os Vereadores, Presidentes dos Estados, Secretários, Delegados e pessoas presentes.

Assinam:

José Rebouças de Carvalho

Bento Enéas de Souza e Castro

José Cyrillo Lobato

Lobato de Moura

Alfredo Cândido Vieira

Francisco Moreira de Mattos

Jorge Tibiriçá

Francisco Salles

Nilo Peçanha

Albuquerque Lins

...Egídio de...

José Monteiro Ribeiro Junqueira

João Augusto Rodrigues Caldas

A. Cândido

José de Barros Franco Junior

Augusto Ramos

Dr. Francisco Marcondes Romeiro

Cônego Valois de Castro, deputado

José Benedito M. de Mattos

Annibal Machado – do São Paulo

J. Braga Penna – Correio Paulistano

Licínio Machado

José Antonio de Barros

Continentino Guimarães – Delegado de Estatística

Affonso Moreira da Silva – Delegado de Polícia, e outros.” [2]

Não podemos deixar de acrescentar , a tudo isto o fato de que, ao lado de Bias Fortes, Antônio Carlos Venceslau Brás, José Monteiro Ribeiro Junqueira, Gustavo Capanema e Virgílio de Melo Franco, organizou e ajudou a fundar o Partido Progressista (PP) de Minas Gerais, 1933.

José Monteiro Ribeiro Junqueira – O grande líder político de Leopoldina

Em 1997 eu apresentei à Universidade Federal de Juiz de Fora minha monografia de conclusão do curso de especialização em História do Brasil, onde eu analisava a formação das elites políticas em Leopoldina, através do Ginásio Leopoldinense.

Durante dois anos, pesquisei dados não apenas deste estabelecimento de ensino mas, principalmente, de seu fundador, José Monteiro Ribeiro Junqueira. Não me considero uma grande conhecedora da vida e da obra deste leopoldinense, mas a partir dos dados recolhidos e de leituras complementares pude chegar a algumas conclusões a seu respeito e reconstruir uma parte da história de Leopoldina, entre os anos de 1896 – 1930.

“Para mais de treis decadas chefia o dr. Ribeiro Junqueira a política do município, e, dia a dia, vem ele conquistando para o seu nome uma aureola cada vez mais brilhante. A sua ascensão não foi rápida. Elle ganhou o terreno palmo a palmo, em pelejas memoriáveis”[3]

Político característico de seu tempo, acumulando as funções de empresário, banqueiro e proprietário, José Monteiro Ribeiro Junqueira assumiu o lugar de guia e o fez com apoio de coronéis locais. Os Monteiro Ribeiro Junqueira, que desde a fundação de Leopoldina em 1854 eram tidos como o clã mais importante[4], institucionalizaram seu poder em 1907, quando Ribeiro Junqueira ganhou as eleições para Agente Executivo Municipal, criando e ao mesmo tempo preenchendo o vácuo político em Leopoldina, fruto da própria necessidade de renovação política que vivia o Estado. Até aquele ano, a disputa política em Leopoldina era acirrada entre os Ribeiro Junqueira e os Dutra, que por décadas controlaram os votos e a política em Leopoldina. Com a adesão ao PRM e o apoio de Francisco Sales, Ribeiro Junqueira criou condições para assumir o poder local e, a partir de então impor-se como líder.

Para tanto foi preciso criar todo um ambiente favorável, construindo-se uma imagem política que seduzisse os leopoldinenses - não que nas eleições isso fosse necessário, visto que, como sabemos, elas eram fraudulentas e comandadas pelos coronéis -, a fim de atrair simpatias. Alguns instrumentos importantes merecem destaque: 1) A Gazeta de Leopoldina, órgão de impressa que circulava diariamente pelo município, dirigido pelos Junqueira e usado como forte arma para cooptação de lavradores e comerciantes; 2) A Cia. Força e Luz Cataguases/Leopoldina, um investimento notável, promessa de progresso, teve um grande impacto entre a população urbana, formada principalmente pelas camadas médias; 3) A Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, sob controle dos Ribeiro Junqueira praticamente durante quase toda a primeira metade do século XX; 4) A Santa Casa de Misericórdia, onde Dr. Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira foi diretor durante muitos anos; 5) O Ginásio Leopoldinense, cuja construção e fundação extrapolou as perspectivas dos leopoldinenses com relação ao ensino particular.

Ribeiro Junqueira foi aclamado como guia, considerado para o leopoldinense como o maior dos beneméritos, cuja imagem foi habilmente construída através do apelo ao regionalismo. Exaltava as potencialidades da terra, de sua gente e prometia um futuro de glórias, à imagem da Idade do Ouro há pouco perdida - mas cuja esperança de retorno figurava nos discursos da época.

Seu poder tem por fundamento a força do grupo que ele mobiliza por sua aptidão para simbolizar em uma conduta exemplar e/ou em um discurso sistemático diversos interesses.[5] Sobre esse pilar, Ribeiro Junqueira teve a oportunidade de criar toda uma ideologia que possibilitou manter seu poder durante muitas décadas. O Ginásio, fundado em 1906, acabaria por se tornar um verdadeiro símbolo onde se depositavam as esperanças das oligarquias e das camadas médias locais como relação ao futuro da cidade.

Minas Gerais era uma força política de grandes proporções no cenário nacional - tendo sua hegemonia sustentada na ação dos coronéis junto às comunidades, garantindo a manipulação das eleições e fortalecendo o Estado, desfrutando assim de considerável estabilidade política, que só viria a ser quebrada em 1929[6].

As lideranças da Zona da Mata buscavam soluções para os problemas econômicos que a região, a exemplo do Estado, estavam passando. Dentro desse espírito foram realizados fóruns e debates. Leopoldina, sob liderança de Ribeiro Junqueira foi em 1907 sede do 3o Congresso das Municipalidades da Zona da Mata, que teve em sua pauta dois temas polêmicos: a defesa da lavoura e a autonomia dos municípios. Participaram do Congresso figuras eminentes como: Francisco Bernadino, João Pinheiro, Francisco Salles, Wenceslau Braz, Bueno Brandão, entre outros.[7]

As Origens Familiares

Os Monteiros Ribeiro Junqueira são descendentes dos Monteiro de Barros, grupo importante da nobreza e da política do império. Recorro a Marcelo Martins da Costa Araújo para cunhar mais informações sobre os Monteiro de Barros:

“Dão duas gerações de barões e viscondes, além de um sem número de senadores e deputados, aparecendo na alta direção administrativa antes mesmo da Independência. Seus descendentes se formam entre as famílias políticas de São Paulo, ligam-se aos Guinle, aos Silveira e aos Amoroso Lima, do alto capitalismo carioca, assim como também se entrelaçam com a nobreza européia, sendo Monteiro de Barros a célebre condessa de Barral, cuja correspondência com Pedro II foi agora há pouco publicada. O comendador Manuel José Monteiro de Barros, irmão do 1º Visconde de Congonhas do Campo, transferiu-se, em princípios do século passado, com todos os seus filhos, genros e alguns sobrinhos, para vastas sermarias que adquirira no arraial do Feijão Cru, tornando-se um dos primeiros povoadores do atual município de Leopoldina, cuja chefia política jamais deixou de ser de sua família. Ligam-se os Monteiro de Barros, na Zona da Mata, aos Junqueira, aos Rezende, aos Vidal Barbosa Lage, aos Manso Ribeiro, aos Leite de Magalhães Pinto. No Império, a chefia política de Leopoldina e a representação na Assembléia Provincial, na Câmara Geral e no Senado, pertencem sempre aos Monteiro de Barros. O primeiro deputado republicano de Minas é de Leopoldina: chamou-se Monteiro Manso. Na 1ª República, na chefia local, temos o deputado e senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, juntamente com o seu parente senador Francisco Andrade Junqueira Botelho e o seu irmão Custódio Monteiro Junqueira. Desde 1932, a liderança política passou ás mãos do atual deputado Carlos Coimbra da Luz, descendente de família de grandes tradições políticas no Sul de Minas, e genro de Custódio Junqueira

No centro de Minas, os descendentes de dois Monteiro de Barros, o 2º Visconde de Congonhas, Lucas Antônio Monteiro de Castro e do Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros ( membro da 2ª Junta Governativa e presidente da Província ), continuaram, também até os nossos dias na cena política. São os Monteiro de Castro da atualidade, os Monteiro Machado, um dos quais, Cristiano Machado ( José Monteiro de Castro, secretário da presidência Café Filho ), foi um dos chefes da Revolução de 30 em Minas e candidato à presidência da República no pleito de 1950.

Casados na família Monteiro de Barros encontramos muitos outros políticos de evidência no Estado, entre os quais Augusto de Lima, poeta, governador e deputado na Velha República, o deputado Francisco Campos Valadares, o antigo presidente da Corte Suprema, Edmundo Lins.” [8]



[1] http://www.senado.gov.br/sf/SENADORES/senadores_biografia.asp?codparl=1962&li=37&lcab=1934-1937&lf=37
[2]
http://www.camarataubate.sp.gov.br/noticias/noticia308.htm
[3]
O RECREIO, Recreio, 01 de dezembro de 1929, n. 15, p. 01
[4]
Sobre a formação de Leopoldina e outras cidades da Mata ver CARRARA, Ângelo Alves. A Zona da Mata: diversidade econômica e continuismo, Dissertação de Mestrado. 1993.
[5]
Bourdieu refere-se ao profeta no campo religioso, mas como uma arquétipo mítico, pode ser aplicado no nosso estudo de caso a nível comparativo. BOURDIEU, Pierre. Op. cit., 1992, p. LVI.
[6]
Sobre as elites políticas mineiras na Primeira República ver: VISCARDI, Cláudia Ribeiro. Elites políticas em Minas Gerais na Primeira República. 1995
[7]
Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 de out., de 1907, p. 01, n. 3436
[8]
ARAÚJO, Marcelo Martins da Costa. Disponível em http://br.geocities.com/novaeramg/monteirodebarros.htm

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escravos em Leopoldina

Hoje eu, Lucilene e Igor fomos à rádio dar uma entrevista sobre o livro Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades. Mais tarde, recebi um e-mail do jornalista Luis Otávio Meneghite dizendo que muitas pessoas gostaram de alguns comentários que nós fizemos sobre a escravidão em Leopoldina. Por esta razão vamos disponibilizar alguns trechos do capítulo que trata do assunto, embora, é bom lembrar, que o livro aborda muitos outros aspectos da nossa história em todos eles, sem exceção, são importantes para se conhecer um pouco mais sobre a nossa herança. É importante lembrar, também, que o que estamos oferecendo é uma parte pequenina das grandes possibilidades de pesquisa que Leopoldina oferece. Espero que gostem.

"Leopoldina teve muitos escravos, que trabalhavam nas lavouras de café. Em 1872, a população do nosso município era de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633 livres. Os municípios que possuíam mais escravos eram Juiz de Fora e Leopoldina. Em 1883, Leopoldina já era a segunda cidade com maior número de escravos de Minas Gerais, com 16.001.

Em 1876 nossa cidade possuía 15.253 escravos, passando para 16.001 em 1883. O aumento do número de escravos mostra o tamanho da riqueza produzida pelo café no município, pois o escravo era uma mão-de-obra muito cara. Por essa razão, os nossos senhores de escravos lutaram contra a sua libertação.

Quando não trabalhavam direito, podiam ser castigados de forma cruel, com chicotadas e surras. Muitos de nossos fazendeiros lutaram contra o fim da escravidão, através de nossos representantes políticos na Corte.

Mas nem todos os donos de escravos eram cruéis e nem todos os leopoldinenses defendiam a escravidão. A historiadora Nilza Cantoni nos conta que em Leopoldina havia pessoas que eram contra a escravidão. Um desses casos foi o do José Jeronymo de Mesquita, o Barão do Bonfim, proprietário da Fazenda do Paraíso que, em 15 de abril de 1888, alforriou 182 escravos e os levou para a cidade onde assistiram juntos a uma missa, como homens livres.

Segundo sua biografia, o Barão do Bonfim teria recebido a fazenda Paraíso como presente de casamento de seu avô. A fazenda de café possuía 300 escravos, que eram bem tratados e cujos filhos, inclusive, recebiam aulas. Ele chegou a construir uma sala de música para os escravos aprenderem a tocar instrumentos musicais.

Um dos grandes abolicionistas brasileiros, que morou e trabalhou em Leopoldina, foi o Dr. Antônio Augusto de Lima (1859-1934), jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político. Nasceu em Congonhas de Sabará (hoje Nova Lima), MG. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 5 de fevereiro de 1903. Foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, e, em 1885, era juiz municipal. Chegou a ser governador de Minas Gerais, em 1895 (na época título de governador correspondia a “presidente do Estado”)."

quinta-feira, 1 de maio de 2008

História de Piacatuba em cordel

Esta semana eu recebi da professora Andréa, de português, um livrinho feito por alunos da Escola Estadual Pompílio Guimarães, do distrito de Piacatuba, que conta, em forma de verso, a história da cidade. O livrinho foi escrito ilustrado e impresso pelos alunos da escola. É simples, criativo e instrutivo. Os ilustrações são simples, mas em perfeita harmonia com o texto, todo em versos como na literatura de cordel. A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal. O povo se refere à literatura de cordel apenas como folheto.

São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. A tradição dessas publicações populares, geralmente em versos, vem da Europa. No século XVIII, já era comum entre os portugueses a expressão literatura de cego, por causa da lei promulgada por Dom João V, em 1789, permitindo à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar com esse tipo de publicação.

Seguem alguns versos do livrinho:

No ano de 1823,
Dois fazendeiras e escravos
Vieram para este lado de cá
Para tomar posse
Desta terra que aqui está.

Tudo isso era só mato,
Com animal feroz, tiveram que lutar.
Dizem que até assombração
Eles tiveram que enfrentar.

Mas os homens eram valentes,
Nada eles temiam não.
Tinham tanta ambição,
Que começou a confusão.

Muito briga nesta terra
Pela qual demarcação.
Houve mortem muita dor
E muito sangue neste chão.

Só que um dos fazendeiros,
Já cansado de lutar,
Doou esta terra tão linda
Para este arraial formar.

Tudo isso vos falo.
É a mais pura verdade.
Sabe para quem doou as terras?
Para Nossa Senhora da Piedade.

Eis uma exceletente idéia que pode servir para professores que trabalham no ensino fundamental e mesmo no ensino médio. Uma forma lúdica de contar a história, ensinar e aprender História. A professora, Maria José Furtado e os alunos estão de parabéns.

Para conhecer mais sobre a literatura de cordel vá no site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel ou visite o site Teatro de Cordel.