sábado, 26 de julho de 2008

Portal da Educação Pública

Esta semana e tive a grata oportunidade de conhecer o Portal da Educação Pública, por intermédio do ilustrador Salmo Dansa, que conheci durante o V Encontro de Literatura Infantil, do qual participei recentemente. Como colaborador do portal ele me enviou o link e eu fiquei encantada com a quantidade e qualidade dos textos disponíveis, abarcando várias áreas de educação, inclusive a História. Não pude deixar de postar sobre o Portal no Blog e, especialmente sobre duas matérias que li.

A primeira é "Contos de Fadas como documentos". Na minha breve experiência como professora de metodologia de ensino de história, na UNIPAC, há alguns anos atrás, eu trabalhei com minhas alunas do curso de Normal Superior este tema. Eu particularmente acho a literatura infantil uma rica fonte de pesquisa - influência talvez da leitura que fiz do "Grande Massacre dos Gatos", de Robert Darton. No texto, que pode ser acessado aqui, a autora, Claudia Fortuna, faz uma análise muito interessante do tema, dando ao leitor-professor um material excelente para que ele possa criar suas aulas e seu material a partir dos contos de fadas. Aliás, aproveitando o assunto, não custa dar uma indicação de material para o professor usar com seus alunos. A Desiderata - editora do grupo Ediouro - lançou recentemente uma adaptação dos contos de fadas em quadrinhos, os Irmãos Grimm em Quadrinhos, que reúne 17 autores brasileiros para transformar as famosas fábulas em HQ.

Outro material muito interessante é a oficina que ensina a trabalhar mitos gregos. Além das orientações, ela traz também textos com resultados de experiências feitas com professores a partir da oficina. Super prático! Acho que falta muito isto, na internet: trazer soluções práticas para que possam ser usadas por professores. A oficina de mitologia, assim como outras oficinas de história, podem ser acessadas a partir deste link. Já os textos podem ser lidos, clicando aqui.

Há também textos sobre carnaval, festa junina, folclore, gênero, educação, etc. Eu não cheguei a nem a terça parte do que eu vi. Alguns textos eu salvei para uma leitura posterior, outros eu ainda pretendo separar, com calma. Vale a visita ao site.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Providência

Providência é um distrito de Leopoldina. estive lá, há pouco tempo, e tirei algumas fotos. Sei muito pouco sobre sua história, sendo minha referência o Colégio Franco (fundado no início do século passado) e a Estação da CEF Leopoldina. Fundado em 1890, o distrito de Providência possui uma história muito rica da qual espero um dia poder falar aqui.











sábado, 19 de julho de 2008

Carlos Coimbra Luz

Há pouco tempo eu estava dando e eis que surge o nome de Carlos Luz, nomeado interinamente Presidente da República até a posse do novo presidente, eleito pelo pleito de 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek, mas deposto cerca de dois dias depois. Perguntei aos meus alunos: “Vocês sabem quem foi Carlos Luz”? O silêncio foi total. Então, eu fiz minha parte e disse que ele tinha sido um político brasileiro, que havia morado em Leopoldina e que tínhamos até uma estátua e uma rua em homenagem a ele.

No entanto, naquele momento, eu percebi que também não sabia muita coisa sobre este personagem importante da nossa história local. Minha querida ex-professora de especialização, Claudia Viscardi, talvez dissesse nesta hora que eu me concentrei tanto em estudar José Monteiro Ribeiro Junqueira, que esqueci que Leopoldina produziu outros políticos que conquistaram certo prestígio no Estado e na Federação. Por esta razão eu fiz o que todos fazem em tempos de globalização: uma pesquisa na internet.

Assim, as linhas que se seguem não são exatamente uma pesquisa historiografia – isto eu pretendo fazer a partir dos dados que recolhi através desta primeira investida -, mas de uma tentativa de reunir o maior número possível de dados sobre este político a fim de disponibilizá-los em um só lugar para pesquisas escolares e como forma de aglutinar mais informações sobre Leopoldina.

Carlos Coimbra da Luz não era mineiro. Nasceu na cidade de Três Corações (MG). Foi um político brasileiro; presidente interino da República por três dias, de 8 a 11 de novembro de 1955. Advogado, era casado com Graciema Junqueira. Iniciou sua carreira política como vereador em Leopoldina (MG), cidade da qual se tornou prefeito (1923 - 1932). Foi secretário de Agricultura, Viação e Obras Públicas de Minas Gerais (1932 - 1933), secretário do Interior do mesmo estado (1933 - 1935), deputado federal (1935 - 1937) pelo Partido Progressista de Minas Gerais (PP-MG) e presidente da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro (1939 - 1946). Eleito deputado constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) em 1945, não chegou a tomar posse, pois foi nomeado ministro da Justiça e Negócios Interiores no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946). Substituído no ministério, reassumiu seu mandato, reelegendo-se deputado federal pelo PSD nas legislaturas seguintes (1947 - 1961).

Assumiu a presidência da República por ser presidente da Câmara dos Deputados, em função do afastamento, por motivos de saúde, do presidente Café Filho (vice-presidente de Getúlio Vargas, que cometera suicídio no ano anterior). De acordo com a Constituição de 1946, o presidente da Câmara dos Deputados exerceria a presidência da República na ausência do titular do cargo e de seu vice-presidente. Assim, na qualidade de presidente da Câmara, Carlos Luz assumiu interinamente a presidência da República em 9 de novembro de 1955, como substituto legal de Café Filho, afastado da chefia do governo.

Após a vitória de Juscelino e João Goulart, desencadeou-se uma campanha contra a posse. No início de novembro de 1955, faleceu o presidente do clube militar – general Canrobert Pereira da Costa, um dos mais destacados conspiradores contra Getúlio. Em seu enterro, o coronel Birraria Mamede, atacou os interessados em defender aquilo que ele chamava de “mentira democrática”, referindo-se à eleição de Juscelino.

O General Lott, Ministro da Guerra desejava punir o coronel e limitar a politização das forças aramadas, mas só quem podia fazer isto era o Presidente da República. Com o abandono de Café Filho - por problemas de saúde - , Carlos Luz assumiu interinamente a presidência da República. Como ele se recusou a punir o coronel, Lott demitiu-se do Ministério da Gerra. A partir daí, ocorreu o chamado golpe preventivo, uma intervenção militar para garantir a posso do presidente eleitor e não para impedi-la.

Assim, em 11 de novembro de 1955, Carlos Luz foi deposto, sob a alegação de que estaria ligado a conspiradores que queriam impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Carlos Luz ainda refugiou-se no cruzador Tamandaré, de onde tentou organizar a resistência, mas, ainda em 11 de novembro, por decisão do Congresso Nacional, foi considerado impedido, e substituído no cargo por Nereu Ramos, presidente do Senado. O navio foi alvo de disparos pela artilharia do exército porém não revidou devido a solicitação de Carlos Luz. A presidência foi, assim, entregue ao presidente do Senado Federal, Nereu Ramos. Carlos Luz faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1961.

Fontes:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 4ª ed. - São Paulo: Editora Universidade de São Paulo: Fundação para o desenvolvimento da educação, 1996, p. 421

domingo, 29 de junho de 2008

A cada dia, uma nova descoberta...

Tenho pesquisado bastante nas última semana, aproveitando que a afobação do seminário sobre quadrinhos acabou e eu tive um pouco mais de tranquilidade para me ater a outros assuntos. Junto com a prof. Lucilene tenho encontrado informações muito preciosas nas poucas fontes de pesquisa à qual temos disposição. Diria que temos feito boas descobertas, outras nem tão boas assim. Descobrimos, por exemplo, que os livros de registro de óbitos - fonte riquíssima de informações sobre a população da cidade, doenças, etc - praticamente perdeu-se no incêndio da prefeitura, ano passado. Restaram, agora, apenas registos relativamente recentes, de 1965 em diante.

Por outro lado, muitas curiosidades sobre Leopoldina tem aflorado. Uma, que me chamou atenção foi o fato da cidade ter tido, no ano de 1916 um RINK de patinação. Ora, qual foi minha surpresa quando, lendo a Gazeta de Leopoldina estava lá em destaque a inauguração do tal RINK! Se tantas coisas que eu já encontrei referências à cidade esta deve ser uma das mais exóticas. Seguem trechos da Gazeta que faz referência ao Rink.

“Será inaugurado em breves dias, o grande barracão para o rink em nossa cidade – esporte elegante e cultivado nos grandes centros, onde tem adquiro um desenvolvimento colossal”.

(...)

Sabemos que é pensamento dos ilustres diretores do Rink, no dia de sua inauguração, realizar um concurso de patinação, sendo oferecendo ao vencedor um mimoso prêmio.”[1]

“Foi indescritível o entusiasmo da nossa mocidade pelo novo esporte, que sofregamente esperavam, e assim é que, momentos após a inauguração, para mais de 20 jovens, moços e moças, deslizavam sobre o liso assoalho do Rink”.[2]

Para o Rink foi construído prédio próprio que teve que ser ampliado pouco mais de um mês depois, para atender aos usuários. O empreendimento partiu de uma sociedade feito pelos Drs. Costa Velho, Pedro Arantes, Custódio Arantes e Tenente Esdras Lintz, para quem foi oferecido um baile no dia da inauguração pelo Tenente João Chagas.

Caso as famílias dos descendentes destes homens tenham qualquer outra informação, tal como a localização do Rink e, quem sabe, documentos ou fotos, seria muito importante para ajudar a resgatar esta pequena parte da história desportiva da nossa cidade, além de ser uma forma de entender um pouco mais os hábitos dos leopoldinenses, naquele início de século XX.u fotos, seria muito importante para ajudar a resgatar esta pequena parte da hista inauguraçm, e assim pe que, mmentos ap


[1] Rink. Gazeta de Leopoldina, ano XXII, n. 27, 25 de maio de 1916
[2] Rink. Gazeta de Leopoldina, ano XXII, n. 35, 06 de junho de 1916.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Tebas: uma pouquinho da história deste distrito de Leopoldina
























Tenho me interessado em recolher informações básicas sobre alguns dos distritos de Leopoldina para, futuramente, quem sabe, poder fazer um estudo realmente aprofundado da sua história. Há muito realmente o que se pesquisar, pois a história do município ainda é um grande mistério. Fazendo uma busca na internet eu tive a sorte de encontrar um site dedicado a Tebas, distrito de Leopoldina desde 1880. Um site muito bem feito e muito bem cuidado, devo acrescentar. De lá tirei as informações que seguem.

O nome do distrito pode ser atribuído a Manoel Joaquim Thebas que foi vizinho da fazenda Feijão Cru, que pertencia a Manoel Antônio de Almeida, que teria vivido na região por volta da década de 1850. Povoado originalmente pelos índios puris, o distrito começou a ser ocupado nas primeiras décadas do século XIX, seguindo a cronologia de ocupação do município de Leopoldina. O povoado foi elevado a distrito pela lei provincial nº 2675, de 30.11.1880. A confirmação eclesiástica veio com a lei nº 2848 de 25.10.1881 que elevou o distrito a Freguesia. E a lei nº 3113, de 1882, registra o nome do distrito como Santo Antônio de Tebas.

A lei que criou o distrito autorizou a câmara municipal de Leopoldina a estabelecer as divisas. Para este fim a câmara nomeou comissão de vereadores que estudaram o assunto e apresentaram parecer, que foi aprovado em plenário com a ressalva apenas de que o nome do lugar passou a ser Santo Antônio dos Thebas, ao invés de Santo Antônio do Monte Alegre como anteriormente era conhecido.

O distrito de Tebas foi constituído por terras antes pertencentes a Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). Assim, pela lei nº 2938, de 23.09.1882, algumas fazendas da Piedade foram transferidas para Thebas. Em 06.10.1883 foi a vez de Rio Pardo perder algumas propriedades que passaram para o novo distrito. E em 18 do mesmo mês, através da lei nº 3171, a fazenda de João Pereira Valverde foi transferida de Thebas para a freguesia de Piedade (7). Em 1882 a Lei 3113 instituiu o Distrito Policial em Tebas.

Curiosidades:
- O distrito já teve um jornal. O nº 01 da "Folha de Tebas" circulou em 1918, com noticias variadas, que falavam do cotidiano, dos projetos políticos, da preocupação em dotar o distrito de "força e luz elétricas", coluna social e anúncios classificados que revelam o comércio existente na Tebas da época. E tinha até poesia na primeira página. Dá pra imaginar como era a vida dos tebanos.

- O pai de Noel Rosa, Manuel Garcia de Medeiros Rosa, é filho de Leopoldina, viveu na cidade até os 18 anos e posteriormente passou a viver no Rio de Janeiro. Apaixonado por Marta, filha do casal Eduardo e Rita Corrêa de Azevedo, residentes no Brejo, hoje Tebas, acabou se casando com ela.

- Tebas, tem 2.007 habitantes de acordo com o censo IBGE 2000. Está situada às margens da BR 267, que liga Leopoldina a Juiz de Fora. As principais atividades econômicas são agricultura, pecuária e a fabricação artesanalde doces em compotas e em barras. Visite o site de Tebas e veja a linda galeria de imagens de janelas, clicando aqui.


Fontes:

terça-feira, 3 de junho de 2008

Ginásio Leopoldinense: 102 anos

Hoje a Escola Estadual Professor Botelho Reis, antigo Ginásio Leopoldinense, completa 102 anos. Fundado em 03 de junho do ano de 1906 pelo Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Ginásio Leopoldinense inaugurou um novo período de desenvolvimento em Leopoldina. Ele assumiu espaço dentro do sistema escolar de forma centralizadora, atraindo para si uma clientela seleta, em busca de formação.

Ele eclipsou os demais estabelecimentos locais, de forma que, a partir do final da década de 1910, a expansão do ensino particular em Leopoldina sofreu uma brusca desaceleração. O Ginásio estabeleceu um verdadeiro monopólio sobre o ensino particular em Leopoldina, pois passou a oferecer todos os tipos de cursos, desde o primário ao ensino superior, atendendo a ambos os sexos.

Por outro lado, apesar do aparente êxito, a escola iria encontrar dificuldades em manter o nível do ensino. A falta de professores, o custo com a manutenção da escola, assim como a concorrência por parte de escolas tradicionais, de outras regiões e da própria Zona da Mata concorreriam para o fechamento de alguns de seus cursos e, mais tarde, a venda do estabelecimento, em 1946, para o Bispo Diocesano D. Delfim Ribeiro Guedes. Por outro lado, enquanto funcionou em sua capacidade máxima, a escola serviu a muitos propósitos, alguns deles ultrapassando os limites meramente pedagógicos.

O Ginásio Leopoldinense atuou como organizador de uma sociedade, onde os valores de elite precisavam ser adaptados a um novo mundo. O mito no qual se origina - na medida em que foi concebido como símbolo sobre o qual este mesmo mito político teria uma de suas bases de sustentação - apresenta-se como um paradoxo político dentro de um Brasil que em si estava recheado de contradições.

Com base em um ideário ao mesmo tempo liberal e conservador, Ribeiro Junqueira construiu, junto com o Ginásio, uma possibilidade de agir sobre o pensamento imaginário regional a ponto de criar um símbolo que, talvez, tenha superado todas as suas expectativas. Ao mesmo tempo em que foi criado para atender às elites ele também atendeu às necessidades da cidade, dando-lhe a impressão de progresso e de prosperidade que tanto temia perder.

Na década de 30, ele já não possuía a mesma diversidade e o mesmo teor que lhe foi marcante até 1926. A Escola Normal e a Faculdade de Farmácia e Odontologia, assim como o Ensino Agrícola não mais existiam. No entanto, O Ginásio Leopoldinense foi referência regional ainda por muitas décadas, mesmo quando encontrava-se em período de decadência. O símbolo resistia enquanto preenchia um espaço dentro do imaginário regional.

Sobre o Ginásio, a Gazeta de Leopoldina escreveu:


“De parceria com o seu illustre irmão Dr. Custódio Junqueira, fundou o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, em 3 de junho de 1906, o Gymnasio Leopoldinense, do qual é, ainda hoje, um dos directores geraes.

Ao tempo dessa grande iniciativa, recebida entre aplausos entusiasticos da população de Leopoldina, prever não se podiam vantagens pecunianas decorrestes do exito da mesma. Ao contrario, o Gymnasio Leopoldinense, por occasião da sua instalação, já em predio proprio, adquirido e adaptdo para tal fim, representava tão sómente uma obra de pura benemerencia.

O benemerito leopoldinense Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, cujo real interesse pela grandeza e progresso da terra que lhe foi berço havia se affirmado já por elevantados commettimentos, levados a effeito com ingente esforço, realizou mais essa estapa brillantissima, impulsionando por sadio patriotismo, visando, principalmente facilitar a educação da mocidade, esse magnifico viveiro de futuros cidadãos, aos quaes, por uma successão logica e natural das cousas, serão confiados, amanhã, os destinos gloriosos da Patria.

Residia em Leopoldina, então, bom nucleo de homens intelligntes e de solido preparo. Ser-lhe-ia facil congreal-os sob a égide do mandamento de Christo - ite et docete omnes gentes -, interessando-os na grande obra projetada.

(...)

Propulsor maximo do desenvolvimento desse pedaço do torrão mineiro, que muito o quer, que muito o estremece, o dr. Ribeiro Junqueira tornou-se, de há muito, uma individualidade de destacado relevoentre os grandes brasileiros e os maiores servidores da Patria. E melhor estalão não podiamos ter para cortejar o seu extraordinario valor moral, do que esse monumento do saber, que é o Gymnasio Leopoldinense, sua creação, producto do seu amor á santa causa do ensino.”[1]


[1] REIS, José Botelho (dir.) Ementário do Ginásio Leopoldinense. Leopoldina, 1925, p. IV-V.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

DEZ MIL ACESSOS!!!

Estou comemorando mais de 10 mil acessos neste blog, que não é tão visitado nem tem tantas postagens como o blog da Gibiteca, onde eu estou sempre atualizando, afinal, é um projeto que está ativo e que não pode parar. Aqui é mais um lugar onde eu coloco meus textos, minhas idéias sobre ensino, minhas pequenas pesquisas sobre história, que me fazem lembrar que ser professor não é apenas se esconder atrás de um livro didático e de pilhas de provas. Este espaço é o meu xodó, meu cantinho onde eu entro quando quero e não faço apenas porque tenho que fazer, mas porque gosto de fazer. Não é um compromisso, é um lazer.

Bom para comemorar, vou colar aqui o selinho que a minha colega blogueira, Daise, me ofereceu outro dia, e gostaria de oferecê-lo às amigas Valéria, Claudia Conte, Fátima Franco, Marli e Jenny!

sábado, 17 de maio de 2008

Seminário Nacional de Ensino de História: Memória e Historiografia

O Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, a través do Núcleo de Culturas Políticas e usos do Passado irá oferecer aos interessados o Semináro Nacional de Ensino de História, Memória e Historiografia que será realizado entre os dias 02 e 04 de junho de 2008, no auditório do ICHF, Campus do Gragoatá, bloco O, 2º andar.

O seminário irá discutir temas como o ensino da história da África, biografias, identidade e história política. Os debates contarão com a presença de Alessandra Martinez de Schueler (UERJ), Márcia de Almeida Gonçalves (PUC-RJ/UERJ) e Paulo Knauss (UFF), entre outros historiadores de renome.

O evento está sob a coordenação geral do professor Daniel Aarão Reis e as inscrições serão realizadas até o dia 20 de maio. Para participar é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar em anexo para o e-mail: pronexculturaspoliticas@gmail.com

Para ter acesso à programação completa, é só clicar aqui

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Comemorações do Aniversário de Leopoldina

O aniversário da cidade foi no dia 27 de Abril, mas no dia 30, véspera do feriado, a cidade parou para uma série de eventos, em comemoração aos 154 anos da cidade. Em meio a barracas com artesanato, atendimento médico e brincadeiras para as crianças, tivemos um desfile com várias escolas da cidade. Vejam algumas fotos de alunos e professores da escola onde eu trabalho a E. M. Judith Lintz Guedes Machado.


sábado, 3 de maio de 2008

José Monteiro Ribeiro Junqueira: a tradição política de Leopoldina

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi um dos maiores lideres políticos da Zona da Mata, na primeira metade do século XX. Deputado e Senador, ele foi figura influente, também, no cenário nacional. Vejam, abaixo, sua breve bibliografia e seu currículo político.[1]

- Nascimento: 27/8/1871
-
Natural de: Santa Isabel (Leopoldina) - MG
- Filiação: José Ribeiro Junqueira e Antonia Augusta Lobato M. Junqueira

-
Falecimento: 14/5/1946

Histórico Acadêmico

- Primário: Professor Inácio
- Secundário: Colégio Abílio
-
Direito: Faculdade de Direito de São Paulo

Cargos Públicos
- Promotor Público em Leopoldina
- Secretário de Viação e Obras Públicas do Governo Olegário Maciel

Profissões: Magistrado; banqueiro; empresário; advogado; agropecuarista

Mandatos
- Presidente do Conselho Distrital - 1895 a 1895
- Deputado Estadual - 1895 a 1897
- Deputado Estadual - 1898 a 1900
- Deputado Federal - 1903 a 1905
- Deputado Federal - 1906 a 1908
- Deputado Federal - 1909 a 1911
- Deputado Federal - 1912 a 1914
- Deputado Federal - 1915 a 1917
- Deputado Federal - 1918 a 1920
- Deputado Federal - 1921 a 1923
- Deputado Federal - 1924 a 1926
- Deputado Federal - 1927 a 1929
- Deputado Federal - 1930 a 1930
- Constituinte - 1933 a 1934
- Senador - 1935 a 1937

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi figura presente em vários momentos da vida política e econômica de Minas e do Brasil. Participo, entre outras coisas das reuniões do Convênio de Taubaté (1906), como podemos conferir no documento abaixo.

“Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de mil novecentos e seis, reunidos, no Paço Municipal, os Vereadores Dr. Bento Enéas, José Cyrillo Lobato, Alfredo Cândido, Moreira de Mattos e Lobato de Moura, sob a presidência do Sr. Dr. Rebouças de Carvalho, o Senhor Presidente abriu a sessão e disse que era ela convocada extraordinariamente para a recepção dos Presidentes de São Paulo, Minas e Rio, e respectivos Secretários, Delegados desses Estados e Delegados da lavoura e representantes de outros Municípios vindos a esta cidade, para a assinatura do convênio sobre a valorização do café. Em seguida, por proposta de todos os vereadores ficou resolvido que se cedesse a sala de sessões da Câmara para assinatura do respectivo convênio. Para constar lavrei a presente ata que vai assinada por todos os Vereadores, Presidentes dos Estados, Secretários, Delegados e pessoas presentes.

Assinam:

José Rebouças de Carvalho

Bento Enéas de Souza e Castro

José Cyrillo Lobato

Lobato de Moura

Alfredo Cândido Vieira

Francisco Moreira de Mattos

Jorge Tibiriçá

Francisco Salles

Nilo Peçanha

Albuquerque Lins

...Egídio de...

José Monteiro Ribeiro Junqueira

João Augusto Rodrigues Caldas

A. Cândido

José de Barros Franco Junior

Augusto Ramos

Dr. Francisco Marcondes Romeiro

Cônego Valois de Castro, deputado

José Benedito M. de Mattos

Annibal Machado – do São Paulo

J. Braga Penna – Correio Paulistano

Licínio Machado

José Antonio de Barros

Continentino Guimarães – Delegado de Estatística

Affonso Moreira da Silva – Delegado de Polícia, e outros.” [2]

Não podemos deixar de acrescentar , a tudo isto o fato de que, ao lado de Bias Fortes, Antônio Carlos Venceslau Brás, José Monteiro Ribeiro Junqueira, Gustavo Capanema e Virgílio de Melo Franco, organizou e ajudou a fundar o Partido Progressista (PP) de Minas Gerais, 1933.

José Monteiro Ribeiro Junqueira – O grande líder político de Leopoldina

Em 1997 eu apresentei à Universidade Federal de Juiz de Fora minha monografia de conclusão do curso de especialização em História do Brasil, onde eu analisava a formação das elites políticas em Leopoldina, através do Ginásio Leopoldinense.

Durante dois anos, pesquisei dados não apenas deste estabelecimento de ensino mas, principalmente, de seu fundador, José Monteiro Ribeiro Junqueira. Não me considero uma grande conhecedora da vida e da obra deste leopoldinense, mas a partir dos dados recolhidos e de leituras complementares pude chegar a algumas conclusões a seu respeito e reconstruir uma parte da história de Leopoldina, entre os anos de 1896 – 1930.

“Para mais de treis decadas chefia o dr. Ribeiro Junqueira a política do município, e, dia a dia, vem ele conquistando para o seu nome uma aureola cada vez mais brilhante. A sua ascensão não foi rápida. Elle ganhou o terreno palmo a palmo, em pelejas memoriáveis”[3]

Político característico de seu tempo, acumulando as funções de empresário, banqueiro e proprietário, José Monteiro Ribeiro Junqueira assumiu o lugar de guia e o fez com apoio de coronéis locais. Os Monteiro Ribeiro Junqueira, que desde a fundação de Leopoldina em 1854 eram tidos como o clã mais importante[4], institucionalizaram seu poder em 1907, quando Ribeiro Junqueira ganhou as eleições para Agente Executivo Municipal, criando e ao mesmo tempo preenchendo o vácuo político em Leopoldina, fruto da própria necessidade de renovação política que vivia o Estado. Até aquele ano, a disputa política em Leopoldina era acirrada entre os Ribeiro Junqueira e os Dutra, que por décadas controlaram os votos e a política em Leopoldina. Com a adesão ao PRM e o apoio de Francisco Sales, Ribeiro Junqueira criou condições para assumir o poder local e, a partir de então impor-se como líder.

Para tanto foi preciso criar todo um ambiente favorável, construindo-se uma imagem política que seduzisse os leopoldinenses - não que nas eleições isso fosse necessário, visto que, como sabemos, elas eram fraudulentas e comandadas pelos coronéis -, a fim de atrair simpatias. Alguns instrumentos importantes merecem destaque: 1) A Gazeta de Leopoldina, órgão de impressa que circulava diariamente pelo município, dirigido pelos Junqueira e usado como forte arma para cooptação de lavradores e comerciantes; 2) A Cia. Força e Luz Cataguases/Leopoldina, um investimento notável, promessa de progresso, teve um grande impacto entre a população urbana, formada principalmente pelas camadas médias; 3) A Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, sob controle dos Ribeiro Junqueira praticamente durante quase toda a primeira metade do século XX; 4) A Santa Casa de Misericórdia, onde Dr. Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira foi diretor durante muitos anos; 5) O Ginásio Leopoldinense, cuja construção e fundação extrapolou as perspectivas dos leopoldinenses com relação ao ensino particular.

Ribeiro Junqueira foi aclamado como guia, considerado para o leopoldinense como o maior dos beneméritos, cuja imagem foi habilmente construída através do apelo ao regionalismo. Exaltava as potencialidades da terra, de sua gente e prometia um futuro de glórias, à imagem da Idade do Ouro há pouco perdida - mas cuja esperança de retorno figurava nos discursos da época.

Seu poder tem por fundamento a força do grupo que ele mobiliza por sua aptidão para simbolizar em uma conduta exemplar e/ou em um discurso sistemático diversos interesses.[5] Sobre esse pilar, Ribeiro Junqueira teve a oportunidade de criar toda uma ideologia que possibilitou manter seu poder durante muitas décadas. O Ginásio, fundado em 1906, acabaria por se tornar um verdadeiro símbolo onde se depositavam as esperanças das oligarquias e das camadas médias locais como relação ao futuro da cidade.

Minas Gerais era uma força política de grandes proporções no cenário nacional - tendo sua hegemonia sustentada na ação dos coronéis junto às comunidades, garantindo a manipulação das eleições e fortalecendo o Estado, desfrutando assim de considerável estabilidade política, que só viria a ser quebrada em 1929[6].

As lideranças da Zona da Mata buscavam soluções para os problemas econômicos que a região, a exemplo do Estado, estavam passando. Dentro desse espírito foram realizados fóruns e debates. Leopoldina, sob liderança de Ribeiro Junqueira foi em 1907 sede do 3o Congresso das Municipalidades da Zona da Mata, que teve em sua pauta dois temas polêmicos: a defesa da lavoura e a autonomia dos municípios. Participaram do Congresso figuras eminentes como: Francisco Bernadino, João Pinheiro, Francisco Salles, Wenceslau Braz, Bueno Brandão, entre outros.[7]

As Origens Familiares

Os Monteiros Ribeiro Junqueira são descendentes dos Monteiro de Barros, grupo importante da nobreza e da política do império. Recorro a Marcelo Martins da Costa Araújo para cunhar mais informações sobre os Monteiro de Barros:

“Dão duas gerações de barões e viscondes, além de um sem número de senadores e deputados, aparecendo na alta direção administrativa antes mesmo da Independência. Seus descendentes se formam entre as famílias políticas de São Paulo, ligam-se aos Guinle, aos Silveira e aos Amoroso Lima, do alto capitalismo carioca, assim como também se entrelaçam com a nobreza européia, sendo Monteiro de Barros a célebre condessa de Barral, cuja correspondência com Pedro II foi agora há pouco publicada. O comendador Manuel José Monteiro de Barros, irmão do 1º Visconde de Congonhas do Campo, transferiu-se, em princípios do século passado, com todos os seus filhos, genros e alguns sobrinhos, para vastas sermarias que adquirira no arraial do Feijão Cru, tornando-se um dos primeiros povoadores do atual município de Leopoldina, cuja chefia política jamais deixou de ser de sua família. Ligam-se os Monteiro de Barros, na Zona da Mata, aos Junqueira, aos Rezende, aos Vidal Barbosa Lage, aos Manso Ribeiro, aos Leite de Magalhães Pinto. No Império, a chefia política de Leopoldina e a representação na Assembléia Provincial, na Câmara Geral e no Senado, pertencem sempre aos Monteiro de Barros. O primeiro deputado republicano de Minas é de Leopoldina: chamou-se Monteiro Manso. Na 1ª República, na chefia local, temos o deputado e senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, juntamente com o seu parente senador Francisco Andrade Junqueira Botelho e o seu irmão Custódio Monteiro Junqueira. Desde 1932, a liderança política passou ás mãos do atual deputado Carlos Coimbra da Luz, descendente de família de grandes tradições políticas no Sul de Minas, e genro de Custódio Junqueira

No centro de Minas, os descendentes de dois Monteiro de Barros, o 2º Visconde de Congonhas, Lucas Antônio Monteiro de Castro e do Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros ( membro da 2ª Junta Governativa e presidente da Província ), continuaram, também até os nossos dias na cena política. São os Monteiro de Castro da atualidade, os Monteiro Machado, um dos quais, Cristiano Machado ( José Monteiro de Castro, secretário da presidência Café Filho ), foi um dos chefes da Revolução de 30 em Minas e candidato à presidência da República no pleito de 1950.

Casados na família Monteiro de Barros encontramos muitos outros políticos de evidência no Estado, entre os quais Augusto de Lima, poeta, governador e deputado na Velha República, o deputado Francisco Campos Valadares, o antigo presidente da Corte Suprema, Edmundo Lins.” [8]



[1] http://www.senado.gov.br/sf/SENADORES/senadores_biografia.asp?codparl=1962&li=37&lcab=1934-1937&lf=37
[2]
http://www.camarataubate.sp.gov.br/noticias/noticia308.htm
[3]
O RECREIO, Recreio, 01 de dezembro de 1929, n. 15, p. 01
[4]
Sobre a formação de Leopoldina e outras cidades da Mata ver CARRARA, Ângelo Alves. A Zona da Mata: diversidade econômica e continuismo, Dissertação de Mestrado. 1993.
[5]
Bourdieu refere-se ao profeta no campo religioso, mas como uma arquétipo mítico, pode ser aplicado no nosso estudo de caso a nível comparativo. BOURDIEU, Pierre. Op. cit., 1992, p. LVI.
[6]
Sobre as elites políticas mineiras na Primeira República ver: VISCARDI, Cláudia Ribeiro. Elites políticas em Minas Gerais na Primeira República. 1995
[7]
Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 de out., de 1907, p. 01, n. 3436
[8]
ARAÚJO, Marcelo Martins da Costa. Disponível em http://br.geocities.com/novaeramg/monteirodebarros.htm

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escravos em Leopoldina

Hoje eu, Lucilene e Igor fomos à rádio dar uma entrevista sobre o livro Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades. Mais tarde, recebi um e-mail do jornalista Luis Otávio Meneghite dizendo que muitas pessoas gostaram de alguns comentários que nós fizemos sobre a escravidão em Leopoldina. Por esta razão vamos disponibilizar alguns trechos do capítulo que trata do assunto, embora, é bom lembrar, que o livro aborda muitos outros aspectos da nossa história em todos eles, sem exceção, são importantes para se conhecer um pouco mais sobre a nossa herança. É importante lembrar, também, que o que estamos oferecendo é uma parte pequenina das grandes possibilidades de pesquisa que Leopoldina oferece. Espero que gostem.

"Leopoldina teve muitos escravos, que trabalhavam nas lavouras de café. Em 1872, a população do nosso município era de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633 livres. Os municípios que possuíam mais escravos eram Juiz de Fora e Leopoldina. Em 1883, Leopoldina já era a segunda cidade com maior número de escravos de Minas Gerais, com 16.001.

Em 1876 nossa cidade possuía 15.253 escravos, passando para 16.001 em 1883. O aumento do número de escravos mostra o tamanho da riqueza produzida pelo café no município, pois o escravo era uma mão-de-obra muito cara. Por essa razão, os nossos senhores de escravos lutaram contra a sua libertação.

Quando não trabalhavam direito, podiam ser castigados de forma cruel, com chicotadas e surras. Muitos de nossos fazendeiros lutaram contra o fim da escravidão, através de nossos representantes políticos na Corte.

Mas nem todos os donos de escravos eram cruéis e nem todos os leopoldinenses defendiam a escravidão. A historiadora Nilza Cantoni nos conta que em Leopoldina havia pessoas que eram contra a escravidão. Um desses casos foi o do José Jeronymo de Mesquita, o Barão do Bonfim, proprietário da Fazenda do Paraíso que, em 15 de abril de 1888, alforriou 182 escravos e os levou para a cidade onde assistiram juntos a uma missa, como homens livres.

Segundo sua biografia, o Barão do Bonfim teria recebido a fazenda Paraíso como presente de casamento de seu avô. A fazenda de café possuía 300 escravos, que eram bem tratados e cujos filhos, inclusive, recebiam aulas. Ele chegou a construir uma sala de música para os escravos aprenderem a tocar instrumentos musicais.

Um dos grandes abolicionistas brasileiros, que morou e trabalhou em Leopoldina, foi o Dr. Antônio Augusto de Lima (1859-1934), jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político. Nasceu em Congonhas de Sabará (hoje Nova Lima), MG. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 5 de fevereiro de 1903. Foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, e, em 1885, era juiz municipal. Chegou a ser governador de Minas Gerais, em 1895 (na época título de governador correspondia a “presidente do Estado”)."

quinta-feira, 1 de maio de 2008

História de Piacatuba em cordel

Esta semana eu recebi da professora Andréa, de português, um livrinho feito por alunos da Escola Estadual Pompílio Guimarães, do distrito de Piacatuba, que conta, em forma de verso, a história da cidade. O livrinho foi escrito ilustrado e impresso pelos alunos da escola. É simples, criativo e instrutivo. Os ilustrações são simples, mas em perfeita harmonia com o texto, todo em versos como na literatura de cordel. A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal. O povo se refere à literatura de cordel apenas como folheto.

São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. A tradição dessas publicações populares, geralmente em versos, vem da Europa. No século XVIII, já era comum entre os portugueses a expressão literatura de cego, por causa da lei promulgada por Dom João V, em 1789, permitindo à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar com esse tipo de publicação.

Seguem alguns versos do livrinho:

No ano de 1823,
Dois fazendeiras e escravos
Vieram para este lado de cá
Para tomar posse
Desta terra que aqui está.

Tudo isso era só mato,
Com animal feroz, tiveram que lutar.
Dizem que até assombração
Eles tiveram que enfrentar.

Mas os homens eram valentes,
Nada eles temiam não.
Tinham tanta ambição,
Que começou a confusão.

Muito briga nesta terra
Pela qual demarcação.
Houve mortem muita dor
E muito sangue neste chão.

Só que um dos fazendeiros,
Já cansado de lutar,
Doou esta terra tão linda
Para este arraial formar.

Tudo isso vos falo.
É a mais pura verdade.
Sabe para quem doou as terras?
Para Nossa Senhora da Piedade.

Eis uma exceletente idéia que pode servir para professores que trabalham no ensino fundamental e mesmo no ensino médio. Uma forma lúdica de contar a história, ensinar e aprender História. A professora, Maria José Furtado e os alunos estão de parabéns.

Para conhecer mais sobre a literatura de cordel vá no site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel ou visite o site Teatro de Cordel.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades é nome do livro que eu e a prof. Ms. Lucilene Nunes da Silva escrevemos, no finalzinho do ano de 2007, para ser utilizado no 4º ano (antiga 3ª série) do ensino fundamental. O livro vem a atender as exigências da Lei 3.657/2005, que dispõe sobre a inserção da disciplina “História do Município” na grade curricular das escolas públicas municipais.

Nele fazemos uma introdução à História de Leopoldina, começando com a ocupação original do território, por povos indígenas e esticando até a década de 1930, com a crise do café. O livro é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Leopoldina, que irá oferecê-lo aos alunos a partir do próximo ano. Ainda não há uma data certa para o lançamento.

Para compor o livro nós contamos com a ajuda do jovem desenhista leopoldinense Igor Bastos, que criou três personagens inéditos para o livro: João Feijão, Feijó e Princesa Leopoldina. O livro, além de ilustrações histórias em quadrinhos e atividades, conta também com fotos antigas da cidade e com capítulos a parte que falam sobre a nossa cultura popular e nossos símbolos (bandeira, escudo, hino).

A linguagem é bem simples e o texto está leve. A revisão do texto foi feita pela professora Ana Cristina Fajardo. Os professores do 4º ano irão receber instruções de como usar o livro e terão liberdade para criar novas atividades a partir dele.

Todo o trabalho foi voluntário e, dado ao limite de tempo e ausências de mais fontes pedimos desculpas antecipadamente pelo limite das informações disponibilizadas. No entanto, pretendemos futuramente – se criadas as devidas condições para um trabalho de pesquisa mais completo - estender este trabalho para os alunos de outras séries, podendo cobrir todo o período de 154 anos de história do município.

Algumas pessoas devem se perguntar porque eu demoramos tanto para dar a notícia. Achamos melhor aguardar uma posição oficial da Secretaria de Educação da publicação do material . A confirmação veio através de uma matéria publicada pelo Jornal Equipe, em sua última edição. Espero poder dar mais notícias, em breve.

domingo, 27 de abril de 2008

Leopoldina, 154 anos

Hoje Leopoldina faz 154 anos. São 154 anos de uma cidade/município dos quais se sabe muito pouco, infelizmente. Somos fruto de um longo processo histórico, feito de trabalho, sacrifício, de momentos bons e ruins, mas pouco se sabe sobre estes momentos. Resgatar um pouco da memória e da história da nossa cidade é um dever quase cívico, que não deve ser lembrado a cada aniversário e esquecido no resto do ano.

Nestes 154 anos da cidade irei escrever algumas linhas sobre aquela a quem devemos nosso nome: a Princesa Leopoldina. Um das coisas que mais confunde os Leopoldinenses é a o próprio nome da cidade. Afinal, a que Leopoldina estamos homenageando?

Eu mesma já cheguei a fazer confusão. A cidade de Leopoldina e o município devem o nome à segunda filha de D. Pedro II, Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. Nascida em 13 de julho de 1847 na cidade do Rio de janeiro passou parte da vida em Petrópolis com a irmã mais velha, Isabel. Recebeu uma educação refinada e erudita, tendo tipo vários preceptores, como era do gosto de D. Pedro II, homem culto e amante das ciências. Abaixo, um trecho em que o próprio Imperador relata a rotina de suas filhas:

“Assisto às lições de Sapucaí, de inglês e de alemão, dadas às minhas filhas. Nas segundas-feiras lerei a elas Barros, das 7h30 às 8 da noite; terças, Lusíadas, das 10h 30 às 11 da manhã; das 3 às 4, dar-lhes-ei lições de matemática, e latim das 7h30 às 8 das noite. Domingos e dias santos, leitura de Lucena durante uma hora, e meia hora de leitura do Jardim das Raízes Gregas, à noite.”1

Dona Leopoldina casou-se 1864, com Príncipe Luís Augusto Maria Eudes de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe (ou na Saxônia). Ela viria a falecer bem jovem, aos 23 anos, de tifo. Morreu em Viena e seu corpo foi sepultado em Coburgo, Alemanha.

Tendo morrido jovem esta princesa se tornou uma personagem pouco conhecida da história do Brasil. Ao contrário da irmã mais velha e herdeira do trono , Isabel, Leopoldina deixou o Brasil ainda moça para viver em outro país e pouco se sabe sobre ela. Nem mesmo seu corpo foi enterrado no Brasil. As poucas fotos que conseguimos, mostram a Princesa, o marido, os pais e a irmã.

Leopoldina (a cidade) tem o dever de manter viva a memória desta personagem, a quem lhe deve o nome. No entanto, não temos tido sucesso em manter viva a nossa própria memória. Tal como a princesa, Leopoldina tem sido apenas uma figurante dentro do Estado de Minas Gerais. Mas podemos ser muito mais. Como? Através do esforço conjunto entre sociedade civil e municipalidade, em torno de um projeto maior de construção da nossa identidade histórica e cultural; do estímulo ao trabalho e ao trabalhador.

Crescer juntos e colher juntos os frutos do nosso esforço, como fizeram os pioneiros que aqui chegaram no início do século XIX, como fizeram nossos antepassados, que transformaram esta cidade em um exemplo para toda a região: a Atenas da Zona da Mata. O passado não volta, mas podemos nos mirar nele para construir uma cidade melhor para as novas gerações.

Fontes:
http://www.portugalnoticias.com/arquivo.php?m=4&ano=2007
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldina_de_Bragan%C3%A7a_e_Bourbon

sábado, 26 de abril de 2008

Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910)

Saiu um artigo meu sobre história e quadrinhos na Revista História, Imagem e Narrativa, edição 06. O título do artigo é Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910). Para dar uma conferida no meu trabalho e na revista, que tem excelentes artigos de outros autores, é só clicar aqui.

Segue, abaixo, o editorial da revista.


Um diálogo com o passado através das mídias contemporâneas
por Carlos Hollanda

Mesmo no mundo acadêmico, onde projetamos expectativas acerca da abertura ao conhecimento e a visões críticas sobre os diversos preconceitos em sociedade, podemos, vez por outra, ouvir a indagação: "para quê estudar Antigüidade ou Idade Média? O Brasil não teve Idade Média...". Soa estranho ouvir tal pronunciamento vindo dos lábios de alguns professores cujos trabalhos e histórico nos inspira admiração e respeito. De fato, o problema não se restringe a esses campos do conhecimento. O preconceito parece ser uma característica inerentemente humana, uma via de mão dupla que ora é perpetrada ora é sofrida pelos mesmos agentes. Em certos casos as resistências de certos pesquisadores a determinados temas ocultam visões estereotipadas e a recusa em admitir a possibilidade de não dominarem esse ou aquele assunto. Embora estejamos falando de pessoas com um altíssimo grau de instrução, com produção científica considerável, não raro nos deparamos com os referidos preconceitos, alicerçados por justificativas de quase impecável racionalidade para rejeitar um ou outro ponto de vista. Não há como estabelecer uma medida entre o "melhor" ou o "pior" preconceito, mas impressiona o fato de que justamente cientistas das áreas de humanas, tão empenhados em analisar criticamente as facetas do comportamento, podem vir a desenvolvê-lo de maneira ainda mais rígida do que a das pessoas que não têm tanta formação.

Um passo fundamental na trajetória do estudioso das ciências humanas é o de relativizar os próprios conhecimentos e convicções oriundos do saber no qual cada um é especialista. É procurar não ser escravo do especialismo. É não acreditar-se num patamar superior e intocável, cujas verdades são inquestionáveis e sempre capazes de decifrar o outro, não possuidor de sua "luz" científica ou, ao menos, não possuidor dos mesmos conhecimentos enunciados exatamente da mesma forma. Toda essa reflexão suscita o desejo de reler os escritos de Paul Veyne e de José Carlos Rodrigues, a propósito.

Nossa presente edição transita entre a Antigüidade e a Contemporaneidade, fazendo uma breve passagem na educação medieval e nas crenças e conhecimentos populares da modernidade. Aqui temos a impressão de que aqueles que vêm produzindo conhecimento nos últimos anos estão relativizando com mais ênfase seus próprios enfoques. Não se pode pensar em mundo contemporâneo sem pensar e compreender cada vez mais apuradamente as heranças da Antigüidade, da Idade Média, da Idade Moderna. É preciso conversar com elas como se fossem pessoas que estamos constantemente passando a conhecer e reconhecer.

Aquilo que as mídias atuais veiculam, seja no cinema, na TV, no rádio, nas publicações impressas (quadrinhos, livros, jornais) e na Internet, nos têm trazido com muita freqüência um olhar histórico ou pretensamente histórico. Mais do que uma simples preocupação em engordar contas bancárias de cineastas e outros produtores midiáticos, esse fenômeno responde a uma necessidade sociocultural de nosso tempo de dialogar com aquilo que fomos e, por conseqüência, o que nos tornamos. De nada adianta julgar uma obra literária (roteiros em geral, livros e demais narrativas) em busca de nela encontrar uma precisão absoluta em termos históricos. Toda obra é filha de seu tempo e lugar e a eles se curva. Mais vale, então, entender o que traz à visão de hoje aquilo que tentamos desenterrar do passado, ainda que eivado de elementos que nos são familiares porque atuais e não da época de que falam.

A cada volume de conhecimento adquirido as supracitadas heranças vão ganhando contornos mais interessantes e maior profundidade. Tudo isso é extremamente útil, pois conhecer aquilo que é anterior a nós é como conhecer um outro. Conhecer o outro, com todas as suas contradições, é conhecer a nós mesmos e isso não é pouca coisa num mundo cada vez mais complexo como este em que vivemos.

Carlos Hollanda
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
Prof. Subst. do Departamento de Teoria e História da Arte (BAH) - UFRJ

Prof. Subst. do Departamento de Análise e Representação da Forma (BAF) - UFRJ
26/04/2008