domingo, 4 de setembro de 2016

ENSINAR É UM PROCESSO AFETIVO

Olha a turminha animada. A primeira parada foi o Palácio de Cristal!

Ontem eu acompanhei uma turma de 30 alunos, com mais outras três professoras, a um passeio a Petrópolis (RJ). Já é uma tradição da escola presentear nossos alunos do nono ano com uma viagem, visto que eles devem nos deixar no final do ano letivo. A maioria deles está conosco desde a educação infantil, então, não é exagero dizer que tivermos uma parcela de participação na sua formação geral.

Foi uma das melhores viagens que fizemos. Os alunos foram muito elogiados onde fomos. Não houve graves incidentes. Bom, eu tropecei e cai na calçada, mas ninguém riu e eu não me machuquei. Também tive que limpar o vômito de um aluno que, definitivamente, não pode comer salgadinhos e entrar num ônibus para viajar (as outras professoras passaram mal de olhar e sobrou pra mim). Tirando estes pequenos infortúnios (que de certa forma até tornaram a viagem mais interessante), como eu disse, uma ótima viagem.

E sabem o que foi o melhor dela? A forma carinhosa como os alunos nos trataram.

Se a memória não me falha, lá pelos idos de 2014 eu fiz uma postagem com o título mais ou menos assim: “O que faz uma professora feliz”. De lá pra cá foram momentos felizes, tristes, uns até desesperadores. Faz parte acredito da vida de quem trabalha com um público que muda a cada ano. E muda de diversas formas.

Assumimos turmas novas ou continuamos com as antigas. Só que este “continuar” é bem relativo. O processo de educar (e aí incluo a educação escolar e a forma como se desenvolvem as relações em entre pessoas) é diferente a cada no mesmo que o público seja o mesmo. As pessoas mudam de várias formas.

Passaram o chapéu e me compraram uma caneca do Pokémon para mim: não sabia se ria ou se chorava, então, fiz os dois.

O professor muda porque em sua vida profissional e pessoal ele tem que constantemente fazer opções, escolhas. Acho muito difícil estas escolhas não afetarem seu trabalho ou suas relações pessoais. Com os alunos acontece o mesmo. Por exemplo, esta turma com a qual eu viajei eu acompanhei durante três anos. No primeiro ano, foi um paraíso. Tudo maravilhoso, alunos empenhados e interessados. No segundo ano, já não foi bem assim. Na verdade, foi um ano de conflitos. Creio que tanto eu quanto eles estávamos passando por mudanças, nos adaptando, tentando ultrapassar obstáculos.

Já no terceiro e último ano fica a impressão de que nós aprimoramos nossa convivência, a nos respeitar, a aprender juntos, porque aprendo com eles todos os dias. Existe uma harmonia que me permite ensinar sem medo de errar, que lhes permite questionar sem medo de serem coibidos.

Tudo isso me leva a concluir, depois de quase 23 anos de magistério, que participar do processo de ensino aprendizagem não pode ser possível (pelo menos pra mim), sem se desenvolver uma base afetiva com os alunos. Não que isso vai garantir o aprendizado do conteúdo, que nem sempre vai ser o que importa. 

Vejam bem, não estou me desfazendo do ato de ensinar História, mas afirmando que ensinar História vai muito mais do que datas e fatos. O professor de História forma pessoas. Daí o medo que se tem de nós, daí projetos de lei que querem acabar com nossa liberdade de expressão.

Um comentário:

Lorena LS disse...

Muuitoo bom o passeio❤ belas palavras,conserteza vamos lembrar sempre dessa viajem nosso ultimo ano na escola vamos sentir saudade(bom eu que sempre estudei na mesma escola),e de voce Natania muuito legal caçando pokemon��,uma viagem q sempre vo lembrar e com pessoas importantes!❤