terça-feira, 24 de janeiro de 2017

NA SUÉCIA, SEM NEVE MAS COM MUITO CALOR HUMANO

Kulturhuset, em Estocolmo.
Acho que bati meu recorde de distância: fui parar na Suécia. Não estava nos meus planos iniciais. Já haviam me sugerido, mas eu não cheguei a levar a sério. Porém, eu comecei a conhecer um pouco da História dos Quadrinhos suecos e fiquei muito interessada. Em especial a participação feminina no mercado de quadrinhos. Imagine um país onde a participação das mulheres no setor é de 50% e onde as questões de gênero não geram conflitos, pelo menos não como no Brasil (35%) ou na França (12%).

O país, claro, também foi me atraindo aos poucos à medida em que eu pesquisava. Sempre quis ter aquelas férias de inverno onde as pessoas fazem bonecos de neve e deitam na neve para fazer anjos. Não que eu nunca tenha visto neve. Uma vez, há muitos anos atrás, nos Alpes Suíços. Mas foi muito rápido e era a primeira neve, poucos centímetros apenas. 
Serieteket do Kulturhuset, em Estocolmo.
Por tudo isso eu resolvi incluir Estocolmo em quatro dias da minha viagem. Destes quatro dias, dois efetivamente foram produtivos. Os outros envolveram traslados de aeroporto, táxi, enfim, não deu para dizer que foram quatro dias. Coloque aí dois e meio. Este foi meu maior erro.

Deveria ter pensando no tempo que perderia em aeroportos e aumentado pelo menos mais dois dias de viagem. Mas, como já comentei em postagens anteriores, minhas férias estão sendo um aprendizado. Estou aprendendo o que NÃO fazer. Mas isso eu vou detalhar em uma postagem específica sobre viajar sozinha pela Europa. Agora quero falar daquilo que me motivou ir parar na terra dos vikings: conhecer pessoas que produzem e/ou fazem Histórias em Quadrinhos.

Com Gabriel Winnberg, que me ajudou
a fazer contatos em Estocolmo.
Pra começar eu procurei um suporte em Estocolmo. Com pessoas conhecidas não consegui nada. Ou seja, com brasileiros eu não poderia contar, pelo menos com os que eu conhecia. Então fiz o que faço melhor: procurei contatos ligados à área dos quadrinhos. No início eu não consegui nada. Quando estava quase desistindo eu pensei: por que não tentar contato pelo facebook?

Eu busquei alguma coisa relacionada à Academia Sueca de Quadrinhos e achei uma página comemorativa dos 50 anos da Academia. Lá havia vários comentários. Fui diretamente aos autores destes comentários e enviei a eles uma mensagem pedindo informações sobre quadrinhos na Suécia.

Eis que fui respondida por um artista plástico, Gabriel Winnberg. Ele me introduziu na comunidade dos quadrinhos suecos através de um amigo quadrinista, Knut Larsson. O que se seguiu, então, foi uma reviravolta: para quem não tinha ninguém, conheci cerca de oito pessoas envolvidas diretamente com quadrinhos. Destas, encontrei com seis em Estocolmo, no dia 20 de janeiro.
Knut, autografando Cidade dos
Crocodilos para mim!

Sinceramente, eu nem sabia o que ia fazer. Meu inglês é muito ruim e meu francês ficou no passado. A sorte é que eu entendo boa parte do que me falam, tanto num idioma quanto no outro. O problema é dizer o que eu penso. Mas acabei descobrindo uma coisa muito importante. Quando as pessoas querem te entender elas te acolhem de tal forma que o idioma é uma barreira que se ultrapassa com algum esforço.

Eu fui super nervosa me encontrar com meus novos amigos e fui muito bem acolhida. Eles me apresentaram o centro cultural de Estocolmo o Kulturhuset, onde inclusive há uma gibiteca, que lá se chama Serieteket. Estou aprendendo aos poucos algumas palavras em sueco. Por exemplo, pesquisador(a) em quadrinhos lá se chama serieforskaren.

Depois saímos para conversar, falar sobre quadrinhos na Suécia e tudo mais. Ganhei presentes: um livro sobre a História dos Quadrinhos na Suécia, escrito por Fredrik Strömberg, com quem, aliás, vou encontrar em Angoulême e a História em Quadrinhos do Knut, Cidade dos Crocodilos, sobre a qual já falei aqui. Eu tinha a versão em pdf, recebi a versão impressa com direito a dedicatória.
Com Ola Hammarlund, Ola Hellsten, Linda Gustafsson, Thomas Karlsson e Knut Larsson.
Eu me senti um tanto perdida, em alguns momentos, sem saber como dizer o que eu queria, mas todos foram muito pacientes comigo. O que eu não consegui falar lá, eu posso compensar por mensagens, e-mails, etc. O importante foi ter esse contato, mostrar meu interesse em conhecer mais e, principalmente, levar para lá um pouco dos quadrinhos do Brasil. Deixei na Serieteket, que me foram dados por quadrinistas brasileiros que agora fazem parte do acervo do Kulturhuset. Espero que, em breve, haja quadrinhos brasileiros em terras nórdicas.

Sei que esta viagem e estes contatos ainda vão render muitas páginas de pesquisa, ainda este ano. E já tenho planos de retornar, com um inglês muito melhor eu garanto.

2 comentários:

Trina disse...

Wonderful, you got to Sweden! I loved Sweden when I was there. I lectured at the school of comics in Malmo, and stayed with Fedrik Shomburg, who is a supoer great guy, and spoke at the comics library in Stockholm. The Scandinavians live up to their reputation: they are the nicest people, so intelligent, so civilized! I'm so glad you got to meet them! Did you see the Little Mermaid? My souvenir mermaid figure sits on top of my bookcase.

Natania A S Nogueira disse...

Hi, Trina!
I loved what all I have seen, although it has had little time for tourism. Unfortunately I did not see the little mermaid, but I plan to return with more time. I met Fredrik in Angoulême. Person super friendly. I have his book and I want to start reading as soon as possible.