segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

IMPRESSÕES GERAIS SOBRE DO FESTIVAL DE ANGOULÊME

Hotel de Ville.
Este ano fui ao Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême. Para quem não conhece, o Festival de Angoulême é realizado anualmente na cidade de Angoulême, na França, e é um dos mais importantes do mundo. Eu participei pela primeira vez.

Parti de Portugal para França na companhia de mais 15 pessoas, entre elas autores, editores, estudiosos e fãs da nona arte. Foi minha primeira viagem longa de comboio (trem) e eu realmente não estava preparada para ela. Duas coisas me incomodaram: o calor que fazia dentro do comboio e a falta de espaço entre as poltronas que fez com que eu preferisse ficar em pé ou no bar durante boa parte da viagem. Uma viagem por sinal longa: cerca de 20 horas até o destino final, Angoulême.Mas o sacrifício foi válido. Primeiro porque o festival foi fantástico, segundo porque a cidade, Angoulême, por si mesma compensa o sacrifício. É uma cidade belíssima.
 
Minha Credencial.
Saímos quarta a noite e chegamos em Angoulême quinta noite, a tempo de alguns de nós fazerem seu credenciamento. Eu me credenciei como imprensa internacional, pois eu tenho um blog sobre quadrinhos e porque colaboro com revistas como a Papiers Nickeles e com sites como o Lady’s Comics. Fiz meu credenciamento pela Lady’s Comics, uma vez que atualmente pesquiso e escrevo sobre as mulheres nos quadrinhos. Como representante da imprensa eu tinha direito a uma sala super simpática no Hotel de Ville, um castelo medieval que hoje é um tipo de prefeitura, onde os membros da imprensa se reuniam, tinham direito a internet, café, suco, água etc.

O festival começou no dia 26 e seguiu até do dia 29 de janeiro. A programação foi intensa. Não é exagero dizer que eu não consegui ver tudo. A cidade inteira torna-se um grande palco dedicado às Histórias em Quadrinhos.  Ruas, lojas, restaurantes, confeitarias e até o mercado municipal são decorados com temas relacionados aos quadrinhos. Assim, cada esquina tem alguma novidade, alguma coisa que chame a atenção do visitante.

Prestem atenção: entre pães, doces e vinhos
colocou-se álbuns de quadrinhos nesta confeitaria.
Era assim em todos os lugares praticamente.
E as exposições, elas estavam em todos os lugares. Havia exposições de quadrinhos dentro das igrejas e de museus como o Museu de Angoulême (que tem uma coleção maravilhosa de objetos e fósseis pré-históricos) e o Museu da Resistência (dedicado à memória do movimento da resistência francesa durante a II Guerra Mundial), teatros, galerias e prédios públicos. Os bares e restaurantes se tornaram dia e noite o ponto de encontro de jornalistas, artistas e fãs.

Autores estavam a todo lado, autografando seus álbuns e interagindo com o público. Tive meus momentos, por exemplo, com Posy Simmonds, presidente de júri deste ano, quando ela autografava um álbum (uma revista em quadrinhos) que eu comprei. Era fácil, por exemplo, encontrar com Hermann, vencedor do Grand Prix de 2016 e homenageado com uma linda exposição no Espaço Frnaquim ou o brasileiro Marcelo Quintanilha, também premiado ano passado.

Autora consagrada dos Quadrinhos,
Posy Simmonds é super simpática.
Enquanto autografava um álbum
para mim ainda falou algumas
palavras em português.
O público foi intenso e envolvia pessoas de todas as idades. Havia muita visitação escolar, mas a grande massa de visitantes eram adultos acima dos trinta anos de idade. Entre quinta e sexta-feira já haviam passado aproximadamente de 35 mil pessoas pelo festival, segundo a organização. E muitos mais eram esperados. Sábado a cidade foi tomada por turistas e era quase impossível entrar nas exposições, das mais simples às mais concorridas.

Angoulême também foi lugar para se fechar negócios e para muitos autores encontrarem editores e mostrarem seus trabalhos. Havia estandes de grandes e pequenas editoras, não apenas da França e da Bélgica, mas de outros países como Argentina, Estados Unidos, Chile e Suécia. O mercado dos quadrinhos, pelo que pude perceber está na todo o vapor. Muitos lançamentos, filas enormes para pegar autógrafos, conferências, etc.

A sala de imprensa estava sempre cheia, com correspondentes de todo o mundo enviando informações para rádio, televisão, jornais, sites e blogs. Entrar nas conferências era muito difícil. A que eu queria assistir perdi porque me atrasei cinco minutos. Nem com a minha credencial eu consegui entrar. Vou ficar mais esperta na próxima vez.
Ruas lotadas no sábado pela manhã!

Mas, não se preocupem, eu tenho muito coisa ainda pra relatar. Conversas com autores, com colegas pesquisadores e impressões específicas sobre exposições ainda vão rolar, seja aqui no blog, no Lady’s Comics e em outros sítios. No geral, o festival foi além de qualquer expectativa que eu pudesse ter. Tanto pela receptividade das pessoas, os contatos que fiz e o muito que aprendi nos quatro dias que fiquei na charmosa comuna de Angoulême.

4 comentários:

Stefano Barbosa disse...

Curioso que o país de Posy não é considerado 1 potência em HQ!
Li sobre autoras de HQ... boa parte das autoras de nome são japonesas.
ex: Rumiko Takahashi, Moto Hagio...

Natania Nogueira disse...

Não é bem assim. Você vai encontrar autoras de nacionalidades diferentes que fazem sucesso no exterior. Posy é publicada no mercado franco-belga e tem muita influência, por assim dizer na área. Muitas vezes o talento de um autor ultrapassa barreiras nacional. Ela é um dos poucos casos de um autor que consegue viver da sua obra. Só por isso ela já pode ser considerada uma potência.

Stefano Barbosa disse...

Me referi a Inglaterra e não a Posy. A Inglaterra revelou nomes incriveis como... Neil Gaiman e Alan Moore. Mas eles tiveram que ir se mudar pros EUA pra cresceram mais na carreira. No caso da Posy.. ela depende muito do mercado fora do país dela.
Citei as japonesas porque elas tem forte publico e carreira dentro do próprio pais. (tambem tem publico fora do pais, claro).

Stefano Barbosa disse...

achei umas tirinhas abordando a presença de Tezuka em Angouleme.