domingo, 16 de outubro de 2016

RUDOLF PETERSSON E QUADRINHOS DE HUMOR NA SUÉCIA

Capa da revista 87:an # 04 - 2016.
Já escrevi uma postagem sobre Bamse, um personagem de animação que ganhou suas revistas em quadrinhos na Suécia. Quando ganhei Bamse também ganhei outras revistas, nem todas com personagens suecos, como uma revista do Tio Patinhas e outra do Garfield[1]

Quando meu amigo me deu as revistas (muito obrigada novamente), ele destacou um título: 87:AN. Ao contrário de Bamse, que é destinada ao público infantil, 87:an é um quadrinho de humor voltado para jovens e, também, muito mais antigo. A revista que eu ganhei é uma publicação bimestral, baseado em personagens clássico dos quadrinhos suecos, criados em por Rudolf Petersson (1896 - 1970), 87:an e 91:an.

Entre 1915-1916, Petersson estudou na Escola de Belas Artes de Gotemburgo. Começou a carreira de desenhista ainda bem jovem. Aos 17 anos, publicou, em 1913, uma coleção de caricaturas chamada "Känt folk" (pessoas conhecidas). Antes de criar o personagem que o deixaria famoso na
Rudolf Petersson no serviço militar 1916. 
Disponível em: <
http://zip.net/bhtvqx>,
acesso em: 15 out. 2016
Suécia, Petersson viveu durante um tempo nos Estados Unidos onde trabalhou como repórter desenhista no 
Cleveland News. Retornou à  Suécia em 1931. 

Em Estocolmo trabalhou desenhando quadrinhos para suplementos de jornais até que, em 1932, publicou na revista sueca semanal, Allt för Alla, o personagem que o deixaria famoso. O um jovem e ingênuo camponês chamado Mendel Karlsson, que depois se alistou do exército sueco e recebeu o número de série 91:an. 

O personagem "91:an Karlsson" foi inspirado em seu próprio criador, da experiência que teve em servir no exército, entre 1916 e 1918. Seus quadrinhos fizeram tanto sucesso que foram publicados em toda a Escandinávia e em vários países da Europa. Pelo personagem, Pertersson recebeu em 1965 o Prêmio Andamson, um dos mais importantes da Suécia.

87:an # 04, 2016, p. 04.
Inicialmente, suas histórias foram publicadas em outras revistas em quadrinhos. Em 1956, 91:an ganhou sua própria revista. A HQ gira em torno das aventuras atrapalhadas e bizarras do recruta 91:an e seu companheiro de 87:an (Lars Axelsson), além de outros personagens, que teriam sido inspirados em pessoas que o autor conheceu durante sua juventude.

 São quadrinhos do tipo “pastelão”. A princípio eles me lembraram dos quadrinhos do Recruta Zero (que na Suécia é publicado com o nome de Knasen), que eu lia na infância. E tem até algumas semelhanças. 91-Ball e 87-Ball são recrutas preguiçosos que estão sempre arrumando uma desculpa para fugir do trabalho.

Mas, apesar a impressão inicial, percebe-se que é muito diferente. A começar pela dinâmica dos personagens. Ademais, Zero foi criado um pouco depois, na década de 1950. Será que Mort Walker  se inspirou nos quadrinhos suecos?

87:an # 04, 2016, p. 74
Na revista 87:an, publicada atualmente, o personagem 87:an é o protagonista de praticamente todas as história. Seu parceiro, 91:an, também participa da maioria delas. É um subproduto do título principal, por assim dizer. O interessante é que ela traz histórias clássicas de 91:an.

Com a saída[2] de Petersson outros quadrinistas assumiram a produção da série. Durante muitos anos ela foi assinada por Nils Egebrand, posteriormente por Jonas Darnell , Gert Lozell e Jonny Nordlund, entre outros. Em 2014 a série foi assumida por Peter Nilsson. O personagem tem sua legião de fãs e um site oficial que traz uma serie de informações sobre a HQ (clique aqui para conferir).

Logo da Academia Sueca de
Histórias em Quadrinhos
Durante a pesquisa, como bônus, eu acabei descobrindo que existe uma Academia Sueca de Histórias em Quadrinhos, (Svenska Serieakademin), fundada em dezembro 1965, em Estocolmo. A academia distribui, a cada ano, prêmios reconhecendo o talento de cartunistas suecos e estrangeiros, além de diplomas a jornalistas, tradutores, editores, etc. A Academia Sueca de Quadrinhos tem um site atualizado na internet. Clique aqui para acessar.

Confesso que não conheço nada da tradição de produção de quadrinhos na Suécia e suponho que os quadrinhos lá tenham florescido no final do século XIX, como aconteceu nos Estados Unidos, no Brasil e em vários países europeus. Mas, o fato de ter uma academia voltada só para as HQs, com mais de 50 anos de existência, me permite presumir que existe interesse não apenas artístico como comercial pelo produto. Algo que terei que conferir futuramente.


Fontes pesquisadas:

Early Tenggren portrait of Rudolf Petersson discovered. Disponível em: http://gustaftenggren.blogspot.com.br/2015/04/early-tenggren-portrait-of-rudolf.html, acesso em 15 out. 2015.

GOIDANOCH, Hiron Cardoso. Enciclopédia dos Quadrinhos. Porto Alegre, RS: L&PM, 2014.

RUDOLF Petersson. Disponível em: http://dictionnaire.sensagent.leparisien.fr/Rudolf%20Petersson/fr-fr/, acesso em 15 out. 2016.

RUDOLF Petersson. Lambiek Comiclopedia. Disponível em: https://www.lambiek.net/artists/p/petersson_rudolf.htm, acesso em 15 out. 2016.

RUDOLF Petersson.. Disponível em: http://91an.net/kreatorer/rudolf-petersson/, acesso em 15 out. 2016.




[1] Lembrando aqui que eu não sei nada de sueco, mas a grande vantagem das histórias em quadrinhos é que, quando não se pode ler o texto, lê-se a imagem. Assim, posso até não saber os diálogos, mas entendo as piadas e posso deduzir muito da trama a partir delas.
[2] Aqui, acredito que a saída dele veio com a venda dos direitos sobre o personagem, mas os textos que eu li não deixam isso bem claro. 

2 comentários:

Quiof disse...

Possivelmente, o Recruta Zero foi inspirado no Sad Sack, uma tira que surgiu em 1942 por George Baker, que no ano anterior havia sido convocado para a guerra, em 1946, o personagem passou a ter uma vida civil, curiosamente, aqui foi publicado em 1947 na revista O Guri como o Azar de Valdemar (fase civil) e anos depois, a fase militar, que saiu como Recruta Biruta, o Zero fez o inverso, começou como um universitário e foi "convocado" quando começou a Guerra da Coréia.

Natania Nogueira disse...

Mas 91-An, tb foi assim. No início era um jovem caipira, depois entrou para o exército. Há muitas semelhanças. Mas foi só um comentário despretensioso, n]ão conheço o suficiente dos dois personagens para poder afirmar qualquer coisa.