quarta-feira, 13 de junho de 2007

Uma breve história de Leopoldina (1828-1930)

A Zona da Mata de MG não era desconhecida dos colonos portugueses. Quando a cana-de-açúcar entrou em decadência, no século XVII, Portugal incentivou bandeirantes a penetrarem os sertões de Minas Gerais em busca metais e pedras preciosas. Essa incessante busca por riquezas para os cofres reais levou ao descobrimento de grandes jazidas de ouro em Minas Gerais. Durante esse processo, várias áreas até então desconhecidas foram ocupadas. Outras, não atraindo atenção do governo português, ficaram reservadas para posterior exploração.

Originalmente conhecida como sertões proibidos, a Zona da Mata era utilizada pelos contrabandistas de ouro, que no desejo de escapar da rígida fiscalização da Coroa, utilizavam-na como rota alternativa para chegar ao Rio de Janeiro, por esse motivo, o governo Português proibia a colonização da região, alegando que os indígenas que lá habitavam eram extremante perigosos.

No final do século XVIII a mineração estava em crise, em Minas Gerais. A migração para a região mineiradora havia diminuído e sendo redirecionada para áreas até então despovoadas. A decadência das zonas mineradoras aumentou consideravelmente a circulação de migrantes, para as chamadas “áreas proibidas”. À medida que os desbravadores penetrando nesses sertões, à procura de metais e pedras preciosas, iam criando condições para o surgimento de pequenos povoados. Os tropeiros também tiveram igual importância nesse processo. A doação de sesmarias, mais tarde, possibilitou a implantação de uma nova economia, diferente daquela que caracterizou o Centro de Minas.

A zona da mata começou a ser mais intensamente ocupada a partir do início do século XIX, quando o governo português doou sesmarias a famílias que desejassem aqui se fixar, dada a necessidade de revigorar a economia da colônia. A doação de sesmarias era feita, também, por critérios políticos. D. Pedro I, por exemplo, doou terras onde hoje localiza-se Juiz de Fora a homens que lhe prestaram serviços por época da pacificação do Brasil, como foi o caso de Henrique Halfeld. A abertura do caminho novo foi muito importante nesse processo, pois ao longo de seu percurso, fundaram-se ranchos e desenvolveram-se atividades ligada á agricultura e à pecuária. A região caracterizava-se pela presença de matas virgens e de um considerável número de tribos indígenas, até então intactas graças à proibição do governo português de exploração da região.

Localizado na Zona da Mata Leste, o município de Leopoldina ocupa atualmente uma área de 899 km2, originalmente habitado pelos índios das tribos do coroados e puris, estes últimos ainda bem numerosos em 1832, quando já haviam se instalado aqui os primeiros colonizadores[1]. Em 1828, os primeiros exploradores de que se tem registro chegaram ao território que hoje pertence ao município de Leopoldina, que ficou inicialmente conhecido com Arraial do feijão Cru, no Sertão do Pomba, nome dado ao local pelos habitantes de Barbacena. Essa história é narrada de forma folclórica, pela Lenda do Feijão Cru, tida como marco do surgimento de Leopoldina, na verdade o processo de nascimento do município foi bem mais complexo.

São considerados seus fundadores, e receberam as primeiras sesmarias, o tenente Joaquim Ferreira de Brito e seu genro Francisco Corrêa de Lacerda.[2] Em 1831, eles doaram terras de suas sesmarias para que fosse construída a primeira igreja (onde hoje está a Igreja do Rosário) e as duas primeiras casas do arraial. A lei que teria criado o distrito de paz e policial, também o Curato, foi aquela referida pelo Dr. Antônio José Monteiro de Barros[3], de 30 de setembro de 1830, por época da elevação da localidade a distrito da Vila de São Manuel do Pomba, em 1837 tendo pertencido, anteriormente, a Barbacena e mais tarde a Mar de Espanha.

Em 1854 foi desmembrado do município de Mar de Espanha e, no dia 27 de abril daquele ano, através da Lei 666, criou-se o município da vila de Leopoldina, que compreendia os distritos de: Piedade, Rio Pardo, Madre de Deus, São José do Paraíba, Conceição da Boa Vista, São Francisco de Assis do Capivara, Laranjal e Meia Pataca. Sua instalação ocorreu no ano seguinte, no dia 20 de janeiro. Em 1861 a vila de Leopoldina, sede do município, é elevada à categoria de cidade. Desde então sua circunscrição sofreu muitas alterações, tendo ganhado e perdido distritos.

O café surgiu como uma cultura viável na Zona da Mata, graças ao clima, presença de fronteiras agrícolas e de mão-de-obra para as lavouras, escravos que podiam ser adquiridos, depois do fim do tráfico (1850), de áreas decadentes do nordeste açucareiro e da mineração. Seu desenvolvimento se dá no mesmo período do Vale do Paraíba. Até 1830, o Vale do Paraíba era a região pioneira na produção de café e estava ligado à Minas Gerais através de picadas abertas por viajantes no século XVII, tendo esse influenciado a implantação da cultura do café na Zona da Mata. Com o declíneo do Vale, Minas passa a liderar, durante algum tempo a produção de café. Destacaram-se na produção municípios como Leopoldina, Juiz de Fora, Mar de Espanha, Cataguases e Ubá dentre outros. Em discurso feito à Assembléia Mineira, em 1859, o futuro Visconde de Caravelas, Carneiro Campos, aponta para o significativo crescimento da lavoura de café nos municípios de Mar de Espanha e Leopoldina[4].

As fazendas eram bastante numerosas. De 1883 a 1887, em Leopoldina existiam cerca de 42 unidades produtivas, com um área média de 703 hectares, ocupando um perímetro total de 29.554 hectares, tendo cada unidade uma média de 114.047 pés de café plantados. Já no recenseamento de 1920, esse número havia se multiplicado, reduzindo-se a área média - havia um total de 899 estabelecimentos, dos quais apenas 303 possuíam área superior a 100 hectares, mas que, no entanto, ocupavam cerca de 79,5% da área total de cultivo. Predominavam as pequenas propriedades, mas dominavam o espaço geral, as grandes propriedades, com mais terras e melhores condições de expansão do cultivo[5].

Segundo censo realizado em 1872, a população do município era de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633 livres. Na Zona da Mata concentrava-se cerca de 26% do total de escravos da província, sendo que os municípios que possuíam os maiores plantéis eram Juiz de Fora e Leopoldina[6]. A respeito da escravidão na Zona da Mata, vale a pena examinar o trabalho realizado por Roberto B. Martins e Amilcar Martins Filho, posteriormente reavaliado e criticado por Robert W. Slenes, mas cuja importância ‚ fundamental na medida em que abre novas discussões a respeito da escravidão e da economia na Zona da Mata no século XIX[7].

Com o fim da escravidão, em 1888, Minas enfrentou, juntamente com São Paulo, o problema da mão-de-obra. No entanto, ambos os estados iriam tomar caminhos diferentes. A transição das relações de trabalho escravistas para livre na Zona da Mata obedeceu padrões diferentes de São Paulo, devido a problemas internos e ao baixo fluxo imigratório. Entre as relações de trabalho prevaleceram em Leopoldina a meação e o salário[8].

O trabalhador nacional foi a solução mais viável, embora tentativas de integração de trabalhadores estrangeiros na lavoura de café da Mata tenham sido realizadas, sua utilização era muito pequena, restringindo-se mais aos centros urbanos. Na Zona da Mata houve uma tendência em adotar o trabalho livre pobre, em detrimento ao imigrante, visto que, naquele período, entre outras coisas, Minas era a província mais populosa do Brasil e o Imigrante procurava preferencialmente instalar-se nas cidades, onde acabavam proletarizando-se ou abrindo seus próprios negócios[9].

Em torno da produção de café desenvolveu-se todo um complexo sistema que assentava-se na expansão da produção para exportação. Surgiam, paralelamente à expansão cafeeira, novas necessidades principalmente entre as camadas mais abastardas da sociedade local. Nas décadas finais do século XIX, a cidade de Leopoldina possuía, dentre outras coisas, energia elétrica, gerada pela Companhia Força e Luz Cataguases/Leopoldina, e uma das mais importantes redes de transportes da Zona da Mata, a Leopoldina Railway Ltda., criada na década de 1870, formada por capital britânico e brasileiro, com sede em Londres.[10]

Pela ferrovia, os cafeicultores escoavam a produção de café e chegavam à cidade de Leopoldina, mais rapidamente, bens de consumo diversos. Os vagões do trem traziam, também, estudantes que, principalmente na década de 1910, entravam na cidade em grande quantidade, atraídos pela privilegiada rede de ensino particular. Entre 1896 e 1914 foram fundadas cerca de 12 escolas particulares, oferecendo diversos cursos, recebendo a cidade o apelido de Atenas da Zona da Mata. Desses estabelecimento, o que mais se destacou foi o Ginásio Leopoldinense, fundado em 1906 por José Monteiro Ribeiro Junqueira, reconhecido como um dos melhores estabelecimentos de ensino de Minas Gerais.[11] O teatro, a música e o cinema eram formas de arte e lazer muito apreciados pela população urbana. Eram comuns notas em jornais anunciando a apresentação de companhias teatrais, saraus e filmes.[12]

A cidade refletia em si a prosperidade proporcionada pelo café. Em 1907, durante o 3o Congresso das Municipalidades – realizado durante a Exposição Agropecuária da cidade -, Leopoldina foi assim descrita pelo correspondente enviado pelo Jornal do Commercio (Periódico de Juiz de Fora): “Leopoldina apresenta deslumbrante aspecto. Nas ruas, pelas quaes se viam palmeiras, galhardes, flores, era enorme o movimento notando-se a presença de grande numero de pessoas vindas de fora.Á entrada da rua Cotegipe, foi erguido um arco triumphal, no qual se lê o nome do sr. Dr. João Pinheiro, circundado de bandeiras da nossa nacionalidade.Essa rua á noite, apresentava brilhante aspecto, pela sua profusa illuminação”[13]

Em 1913, o Almanack Hénault assim descrevia o município: “A cidade é toda iluminada a luz elétrica, calçada e conta com 4 jardins públicos. Sua população é calculada em 35.000 habitantes, dos quais 3.000 vivem na cidade, com 3.327 eleitores.”[14] Na cidade viviam aproximadamente 10% do total de habitantes do município, enquanto que nos distritos rurais e estavam o restante dos leopoldinenses. Essa população campesina era formada, principalmente, por pequenos agricultores, agregados, ruralistas que trabalhavam em regime de meação ou em troca de um salário[15]. Havia também imigrantes, notadamente italianos, que residiam na Colônia Constança, que ficava a alguns quilômetros da sede do município. Estes eram os responsáveis por boa parte da produção de gêneros alimentícios comercializados na cidade.

A indústria de Leopoldina resumia-se (até 1913) em duas máquinas de beneficiamento de arroz e um engenho de café,[16] estando mais próxima do campo do que da zona urbana. A sede do município não agiu, neste caso, como pólo de atração, uma vez que se pregava abertamente uma ideologia ruralista, que defendia o progresso através do campo[17]. A ausência de real investimento na indústria - gerada talvez pela incapacidade de retenção capital para investimento em outros setores, que não o agropecuário, e dependência de centros maiores como Juiz de Fora e Rio de Janeiro - fez da área urbana privilégio de uma minoria. Os membros da elite agrária e os comerciantes limitavam-se a conquistar novos benefícios urbanos, mas não a estendê-los a toda a população. No entanto, sabemos que, no caso de Leopoldina, a fonte de toda a riqueza estava no campo, mas para o homem humilde da terra restava apenas os custos da urbanização.[18]

As classes populares estavam concentradas, principalmente nas periferias agrárias, compostas por distritos rurais. Em torno desses distritos, a população campesina organizava-se e socializava informações, oriundas da cidade - fato que provavelmente ocorria com mais intensidade em momentos de maior aglomeração popular, como aos domingos, quando havia missa, nas festas folclóricas ou religiosas, por exemplo. As transformações ocorriam em ritmo lento e, na maior parte do ano. Esse contingente populacional permanecia afastado dos problemas políticos e econômicos do país, quer por seu relativo isolamento, quer pelo pouco interesse que se tinha em levá-los a essa camada pouco participativa, em decorrência de sua exclusão social e econômica.

Apesar de ser um município basicamente agrário, onde a economia girava em torno do café, leite e gêneros como arroz, Leopoldina, a cidade, era um espelho que refletia a aspiração de suas elites em querer acompanhar de perto o ritmo da modernidade. Tomando alguns termos emprestados de Bourdieu, pode-se dizer que havia uma tendência a se valorizar o capital cultural[19] usado como forma de distinção entre as frações de classe.

A cidade representava o avesso do campo. Estava constantemente preocupada com os avanços do progresso e com a civilização. Essa preocupação com a civilidade é uma herança colonial das Minas Gerais, que no século XVIII[20], sob reflexo do processo civilizador[21] europeu criou modelos de comportamento que serviram para distinguir os membros de camadas sociais privilegiadas do restante da população. Na política, de fundo paternalista, predominava o coronelismo e o clientismo traço característico da República Velha[22]. O principal líder político foi José Monteiro Ribeiro Junqueira, que representou Minas e a Zona da Mata no cenário político nacional durante muitos anos.

O século XX trouxe consigo o agravamento da crise do café no Brasil, gerado, entre outros fatores, pelo aumento da concorrência externa e pela superprodução. Minas era segundo maior produtor de café do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. No entanto, nosso café era considerado de baixa qualidade e, portanto, não alcançava pelos elevados como o paulista. Além disso, Minas enfrentava uma crise mão-de-obra, já que a imigração não havia sido tão intensa quanto em São Paulo. Durante as três primeiras décadas o município de Leopoldina, a reflexo do contexto nacional, lutava para salvar a lavoura do café, considerada até então, a única forma de sobrevivência.

As lideranças da Zona da Mata buscavam soluções para os problemas econômicos que a região, a exemplo do Estado, estavam passando. Dentro desse espírito foram realizados fóruns e debates. Leopoldina, sob liderança de Ribeiro Junqueira foi em 1907 sede do 3o Congresso das Municipalidades da Zona da Mata, que teve em sua pauta dois temas polêmicos: a defesa da lavoura e a autonomia dos municípios. Participaram do Congresso figuras eminentes como: Francisco Bernadino, João Pinheiro, Francisco Salles, Wenceslau Braz, Bueno Brandão, entre outros.[23]

Com a crise de 1930, o município enfrentou sérios problemas financeiros e teve que se adaptar aos novos tempos. Apesar da diversificação das atividades. A policultura foi incentivada e a criação de gado leiteiro tomou destaque em Leopoldina[24], onde café e leite foram marcas registradas na primeira metade do século XX[25]. Para os moradores de Leopoldina, assim como os de outras cidades da Mata, era do campo que viria a riqueza que sustentaria a cidade. Era essa a dinâmica que movia as pequenas comunidades e o pensamento disseminado pelas elites locais.

Aquele que foi um dos mais ricos e promissores municípios de Minas Gerais sofreu uma forte retração econômica e populacional. A industria nunca conseguiu se instalar de forma hegemônica, tendo o campo permanecido como principal fonte de divisas. A população foi aos poucos reduzindo e houve uma tendência de fluxo inverso: a cidade que recebia trabalhadores e estudantes vindos de várias regiões de Minas e do Brasil e que, em 1872 possuía mais de 40 mil habitantes, atualmente conta com um número similar, mais de 100 anos depois. Apesar dos estereotipos que surgiram mais tarde – referindo-se à decadência sofrida pelo Município -, o processo que levou ao fim do ciclo cafeeiro e ao empobrecimento da região se deveu à combinação de fatores internos e externos e não foi um evento localizado. Poucos foram os municípios da Mata que conseguiram burlar as dificuldades e sobreviver ao declínio da economia agrário-exportadora. Resta a nós, através do resgate ad história local, tentar identificar esses fatores e buscar construir um futuro diferente, já que a Época de Ouro não pode ser resgatada em sua íntegra, mas a busca por um padrão de vida digno – escolas de qualidade, emprego e incentivo à cultura, devem partir de uma mentalidade moderna e empreendedora são fundamentais para o desenvolvimento da Leopoldina de hoje.



[1]JOSÉ, Oiliam. O indígena de Minas Gerais: aspectos sociais, políticos e etnológicos. Belo Horizonte, 1965, p.35
[2] Esse afirmação é confrontada pelos dados que a pesquisadora Nilza Cantoni encontrou no livro de memórias de Francisco de Paula Ferreira de Rezende, o Livro Minhas Recordações, onde ele afirma que a primazia de ocupação sempre foi disputada por duas famílias: Monteiro de Barros e Almeida. Os Almeidas se misturaram ou já para cá vieram confundidos com os Britos e os Netos. O autor descreve a disputa de posses que levou ao início da ocupação. Mais dados a respeito ir em http://www./piacatuba.cjp.net/.
[3] Formado em direito em Pernambuco, foi dono da Fazenda Paraíso, uma das maiores de Leopoldina e foi o primeiro vereador de Leopoldina e, mais tarde, Deputado Estadual. É considerado o fundador da localidade, mas esse dado‚ contestável. Os Monteiro de Barros chegaram um pouco depois que os Brito e os Lacerda, por isso o mérito do povoamento e da formação do município não pode lhes ser concedido individualmente.
[4] ALVES, Márcio Resende Ferrari. Economia na mata mineira: passado e presente dois casos de análise econômica, 1993, p. 51
[5] PIRES, Andersorn. Capital agrário, investimento e crise na cafeicultura de Juiz de Fora (1870-1930). UFRJ, Dissertação de Mestrado, 1993, p. 31-47.
[6]ANDRADE, Rômulo. Escravidão e cafeicultura em Minas Gerais: o Caso da Zona da Mata. Revista Brasileira de História, 1994, p. 83-131.
[7] Quanto a isso, ler o artigo de Robert W. Slenes, publicado na revista de Estudos Econômicos, n. 03, 1988, pp. 449-495.
[8] PIRES, Anderson op. cit., 1993..
[9] OLIVEIRA, Mônica, op. cit., 1991.
[10] Sobre a Leopoldina Raiway Ltda. ver BLASENHEIN, Peter. Uma história regional: a Zona da Mata mineira (1870-1906). In.: Seminário de Estudos Mineiros: a República Velha em Minas. Belo Horizonte: UFMG/PROED 1982, p. 73-90; e As ferrovias de Minas no século XIX. In.: Locus: Revista de História. Núcleo de História Regional/UDUFJF, v. 2, n. 2, p. 81-110, 1996.
[11] Ver. REIS, José Botelho. Ementário do Gymnasio Leopoldinense. 1925.
[12] Raphael Gimenes organizou com artistas da companhia de Zarzuelas e artistas iniciantes do município, a apresentação de espetáculos teatrais: a comédia O caipora Feliz Mimoso, depois Dois velhos de bom gosto e A cabana do Pe. Thomás. (GAZETA de Leopoldina. Leopoldina, 17 de outubro de 1897. Anno III, n. 27, p. 2). "Estreou no dia 8 do corrente com seu 'cinematografo Lumiére' o sr. Germano Alves" (GAZETA de Leopoldina. Leopoldina, 11 de junho de 1899. Ano V, n.9, p. 2).
[13] Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 out., 1907, p. 01, n. 3436
[14] ALMANACK, Henalt. Anuário Brasileiro Comercial Illustrado; Rio de Janeiro, anno 6; 1912-1913, p. 52.
[15] Sobre regime de propriedade fundiária e relações de trabalho remuneradas, pré-capitalistas, na Zona da Mata, ver PIRES, Anderson. Capital agrário, investimento e trabalho na Zona da Mata. Dissertação de Mestrado. UFF. 1993.
[16] ALMANACK, Henalt. Op. Cit., p. 53.
[17] Esse tipo de mentalidade estava presente em muitos dos editoriais e artigos do jornal local A Gazeta de Leopoldina. Nos períodos de crise do café publicava-se o uma coluna chamada “Em defesa do Café”, e outra com o título de “Policultura”. Ver A Gazeta de Leopoldina, diversos números (1896-1914).
[18] A nível de comparação, ver: ARIAS, José Miguel Neto. O Eldorado: Londrina e o Norte do Paraná - 1930/1975. Dissertação de Mestrado, São Paulo. USP. 1993. O autor trabalha o processo de urbanização de Londrina e do Norte do Paraná tendo como base a expansão cafeeira. Embora sejam casos de análise usando objetos e contextos diferentes, o trabalho oferece elementos que ajudam a esclarecer alguns porquês com relação ao desenvolvimento das cidades, de forma geral.
[19] Bourdieu distingue capital econômico de capital cultural, que é não apenas aquilo que se aprende na escola ou nos livros, mas também toda a herança cultural de um indivíduo (BOURDIEU, Pierre. Op. cit. 1992).
[20] Marco Antônio Silveira trata da questão da implantação da civilidade nas Minas Gerais do século XVIII, (SILVEIRA, Marco Antônio. O universo indistinto: Estado e sociedade nas Minas setecentistas (1735-1808). São Paulo; HUCITEC, 1997, p. 29-84).
[21] Segundo Nobert Elias, a civilização é um aspecto específico do desenvolvimento de estruturas sociais. Na civilização barbárie e civilization confundem-se, sendo ao mesmo tempo opostos e interdependentes. (ELIAS, Nobert. O processo civilizador. /trad. Ruy Jungmann/ 2.ed; vol. 1; Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed.; 1994).
[22] Os coronéis tiveram um papel marcante a nível regional, principalmente até a década de 30. Sobre coronelismo ver: CARVALHO, José Murilo. Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitual. 1995; LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, voto e enxada. 1975.
[23] Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 de out., de 1907, p. 01, n. 3436
[24] A lei 353 de 20 de setembro de 1900, criava a feira de gado de Leopoldina, tipo de iniciativa que objetivava incentivar a produção oferecendo prêmios e comendas (IGLÉSIAS, Francisco, Política econômica do Estado de Minas (1890-1930). 1982). A Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina tornou-se em pouco tempo uma das maiores fornecedoras do produto para o Estado do Rio de Janeiro (ACAIACA, Centenário de Leopoldina. 1954).
[25] Já em 1859 comentava-se sobre o desenvolvimento da cultura do café em Leopoldina e Mar de Espanha, na Assembléia provincial (ALVES, Márcio Resende Ferrari, Economia na Zona da Mata mineira: passado e presente- dois casos de análise econômica. 1993).

2 comentários:

Rondineli Fernandes disse...

Essa imagem do mapa é de qual ano? Sabe dizer a fonte?

Natania Nogueira disse...

Rondineli eu recebi esta imagem, não me lembro de quem, já faz um bom tempo. Infelizmente não tenho a fonte nem a data exata. Mas vou ver se encontro.