terça-feira, 29 de abril de 2008

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades é nome do livro que eu e a prof. Ms. Lucilene Nunes da Silva escrevemos, no finalzinho do ano de 2007, para ser utilizado no 4º ano (antiga 3ª série) do ensino fundamental. O livro vem a atender as exigências da Lei 3.657/2005, que dispõe sobre a inserção da disciplina “História do Município” na grade curricular das escolas públicas municipais.

Nele fazemos uma introdução à História de Leopoldina, começando com a ocupação original do território, por povos indígenas e esticando até a década de 1930, com a crise do café. O livro é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Leopoldina, que irá oferecê-lo aos alunos a partir do próximo ano. Ainda não há uma data certa para o lançamento.

Para compor o livro nós contamos com a ajuda do jovem desenhista leopoldinense Igor Bastos, que criou três personagens inéditos para o livro: João Feijão, Feijó e Princesa Leopoldina. O livro, além de ilustrações histórias em quadrinhos e atividades, conta também com fotos antigas da cidade e com capítulos a parte que falam sobre a nossa cultura popular e nossos símbolos (bandeira, escudo, hino).

A linguagem é bem simples e o texto está leve. A revisão do texto foi feita pela professora Ana Cristina Fajardo. Os professores do 4º ano irão receber instruções de como usar o livro e terão liberdade para criar novas atividades a partir dele.

Todo o trabalho foi voluntário e, dado ao limite de tempo e ausências de mais fontes pedimos desculpas antecipadamente pelo limite das informações disponibilizadas. No entanto, pretendemos futuramente – se criadas as devidas condições para um trabalho de pesquisa mais completo - estender este trabalho para os alunos de outras séries, podendo cobrir todo o período de 154 anos de história do município.

Algumas pessoas devem se perguntar porque eu demoramos tanto para dar a notícia. Achamos melhor aguardar uma posição oficial da Secretaria de Educação da publicação do material . A confirmação veio através de uma matéria publicada pelo Jornal Equipe, em sua última edição. Espero poder dar mais notícias, em breve.

domingo, 27 de abril de 2008

Leopoldina, 154 anos

Hoje Leopoldina faz 154 anos. São 154 anos de uma cidade/município dos quais se sabe muito pouco, infelizmente. Somos fruto de um longo processo histórico, feito de trabalho, sacrifício, de momentos bons e ruins, mas pouco se sabe sobre estes momentos. Resgatar um pouco da memória e da história da nossa cidade é um dever quase cívico, que não deve ser lembrado a cada aniversário e esquecido no resto do ano.

Nestes 154 anos da cidade irei escrever algumas linhas sobre aquela a quem devemos nosso nome: a Princesa Leopoldina. Um das coisas que mais confunde os Leopoldinenses é a o próprio nome da cidade. Afinal, a que Leopoldina estamos homenageando?

Eu mesma já cheguei a fazer confusão. A cidade de Leopoldina e o município devem o nome à segunda filha de D. Pedro II, Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. Nascida em 13 de julho de 1847 na cidade do Rio de janeiro passou parte da vida em Petrópolis com a irmã mais velha, Isabel. Recebeu uma educação refinada e erudita, tendo tipo vários preceptores, como era do gosto de D. Pedro II, homem culto e amante das ciências. Abaixo, um trecho em que o próprio Imperador relata a rotina de suas filhas:

“Assisto às lições de Sapucaí, de inglês e de alemão, dadas às minhas filhas. Nas segundas-feiras lerei a elas Barros, das 7h30 às 8 da noite; terças, Lusíadas, das 10h 30 às 11 da manhã; das 3 às 4, dar-lhes-ei lições de matemática, e latim das 7h30 às 8 das noite. Domingos e dias santos, leitura de Lucena durante uma hora, e meia hora de leitura do Jardim das Raízes Gregas, à noite.”1

Dona Leopoldina casou-se 1864, com Príncipe Luís Augusto Maria Eudes de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe (ou na Saxônia). Ela viria a falecer bem jovem, aos 23 anos, de tifo. Morreu em Viena e seu corpo foi sepultado em Coburgo, Alemanha.

Tendo morrido jovem esta princesa se tornou uma personagem pouco conhecida da história do Brasil. Ao contrário da irmã mais velha e herdeira do trono , Isabel, Leopoldina deixou o Brasil ainda moça para viver em outro país e pouco se sabe sobre ela. Nem mesmo seu corpo foi enterrado no Brasil. As poucas fotos que conseguimos, mostram a Princesa, o marido, os pais e a irmã.

Leopoldina (a cidade) tem o dever de manter viva a memória desta personagem, a quem lhe deve o nome. No entanto, não temos tido sucesso em manter viva a nossa própria memória. Tal como a princesa, Leopoldina tem sido apenas uma figurante dentro do Estado de Minas Gerais. Mas podemos ser muito mais. Como? Através do esforço conjunto entre sociedade civil e municipalidade, em torno de um projeto maior de construção da nossa identidade histórica e cultural; do estímulo ao trabalho e ao trabalhador.

Crescer juntos e colher juntos os frutos do nosso esforço, como fizeram os pioneiros que aqui chegaram no início do século XIX, como fizeram nossos antepassados, que transformaram esta cidade em um exemplo para toda a região: a Atenas da Zona da Mata. O passado não volta, mas podemos nos mirar nele para construir uma cidade melhor para as novas gerações.

Fontes:
http://www.portugalnoticias.com/arquivo.php?m=4&ano=2007
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldina_de_Bragan%C3%A7a_e_Bourbon

sábado, 26 de abril de 2008

Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910)

Saiu um artigo meu sobre história e quadrinhos na Revista História, Imagem e Narrativa, edição 06. O título do artigo é Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910). Para dar uma conferida no meu trabalho e na revista, que tem excelentes artigos de outros autores, é só clicar aqui.

Segue, abaixo, o editorial da revista.


Um diálogo com o passado através das mídias contemporâneas
por Carlos Hollanda

Mesmo no mundo acadêmico, onde projetamos expectativas acerca da abertura ao conhecimento e a visões críticas sobre os diversos preconceitos em sociedade, podemos, vez por outra, ouvir a indagação: "para quê estudar Antigüidade ou Idade Média? O Brasil não teve Idade Média...". Soa estranho ouvir tal pronunciamento vindo dos lábios de alguns professores cujos trabalhos e histórico nos inspira admiração e respeito. De fato, o problema não se restringe a esses campos do conhecimento. O preconceito parece ser uma característica inerentemente humana, uma via de mão dupla que ora é perpetrada ora é sofrida pelos mesmos agentes. Em certos casos as resistências de certos pesquisadores a determinados temas ocultam visões estereotipadas e a recusa em admitir a possibilidade de não dominarem esse ou aquele assunto. Embora estejamos falando de pessoas com um altíssimo grau de instrução, com produção científica considerável, não raro nos deparamos com os referidos preconceitos, alicerçados por justificativas de quase impecável racionalidade para rejeitar um ou outro ponto de vista. Não há como estabelecer uma medida entre o "melhor" ou o "pior" preconceito, mas impressiona o fato de que justamente cientistas das áreas de humanas, tão empenhados em analisar criticamente as facetas do comportamento, podem vir a desenvolvê-lo de maneira ainda mais rígida do que a das pessoas que não têm tanta formação.

Um passo fundamental na trajetória do estudioso das ciências humanas é o de relativizar os próprios conhecimentos e convicções oriundos do saber no qual cada um é especialista. É procurar não ser escravo do especialismo. É não acreditar-se num patamar superior e intocável, cujas verdades são inquestionáveis e sempre capazes de decifrar o outro, não possuidor de sua "luz" científica ou, ao menos, não possuidor dos mesmos conhecimentos enunciados exatamente da mesma forma. Toda essa reflexão suscita o desejo de reler os escritos de Paul Veyne e de José Carlos Rodrigues, a propósito.

Nossa presente edição transita entre a Antigüidade e a Contemporaneidade, fazendo uma breve passagem na educação medieval e nas crenças e conhecimentos populares da modernidade. Aqui temos a impressão de que aqueles que vêm produzindo conhecimento nos últimos anos estão relativizando com mais ênfase seus próprios enfoques. Não se pode pensar em mundo contemporâneo sem pensar e compreender cada vez mais apuradamente as heranças da Antigüidade, da Idade Média, da Idade Moderna. É preciso conversar com elas como se fossem pessoas que estamos constantemente passando a conhecer e reconhecer.

Aquilo que as mídias atuais veiculam, seja no cinema, na TV, no rádio, nas publicações impressas (quadrinhos, livros, jornais) e na Internet, nos têm trazido com muita freqüência um olhar histórico ou pretensamente histórico. Mais do que uma simples preocupação em engordar contas bancárias de cineastas e outros produtores midiáticos, esse fenômeno responde a uma necessidade sociocultural de nosso tempo de dialogar com aquilo que fomos e, por conseqüência, o que nos tornamos. De nada adianta julgar uma obra literária (roteiros em geral, livros e demais narrativas) em busca de nela encontrar uma precisão absoluta em termos históricos. Toda obra é filha de seu tempo e lugar e a eles se curva. Mais vale, então, entender o que traz à visão de hoje aquilo que tentamos desenterrar do passado, ainda que eivado de elementos que nos são familiares porque atuais e não da época de que falam.

A cada volume de conhecimento adquirido as supracitadas heranças vão ganhando contornos mais interessantes e maior profundidade. Tudo isso é extremamente útil, pois conhecer aquilo que é anterior a nós é como conhecer um outro. Conhecer o outro, com todas as suas contradições, é conhecer a nós mesmos e isso não é pouca coisa num mundo cada vez mais complexo como este em que vivemos.

Carlos Hollanda
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
Prof. Subst. do Departamento de Teoria e História da Arte (BAH) - UFRJ

Prof. Subst. do Departamento de Análise e Representação da Forma (BAF) - UFRJ
26/04/2008

sábado, 12 de abril de 2008

VIII Seminário Internacional Fazendo Gênero

O Seminário Internacional Fazendo Gênero: Corpo, Violência e Poder irá ser realizado entre os dias 25 e 28 de agosto de 2008 , na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Ele é a seqüência ao projeto de encontros bianuais que se realizam tradicionalmente na UFSC há mais de uma década e que teve sua gênese em 1994, no Fazendo Gênero — Seminário de Estudos sobre a Mulher, ligado às áreas de Literatura. Com feição interdisciplinar e envolvendo, a partir daí, vários Centros, Departamentos, Programas de Pós-graduação, Núcleos de Pesquisa da UFSC e de outras universidades regionais e nacionais, ganhou dimensão internacional em 2000 e vem se consolidando como importante evento na área de estudos de gênero, tanto na academia quanto em relação a outras organizações e movimentos feministas.

A retomada dos temas corpo, violência e poder, que não são novos nos estudos feministas e de gênero, deve-se à especificidade das conjunturas nacional e internacional acerca das lutas a favor da descriminalização do aborto (no Brasil, no Uruguai, na Argentina, em Portugal); à politização do tema da violência conjugal, no caso do Brasil propiciada pela Lei Maria da Penha; aos processos de reconhecimento judicial de parcerias homossexuais; ao acirramento ou maior visibilidade da homofobia; aos dilemas éticos envolvidos nas decisões médicas e judiciais relacionadas às novas tecnologias de reprodução; aos paradoxos das atuais diásporas internacionais envolvendo as questões de gênero; e à feminização da pobreza, entre tantos outros aspectos que estas questões têm suscitado na atualidade.

Ainda que o Seminário tenha estas temáticas norteadoras, a estrutura de Simpósios Temáticos permite que outros temas tenham seu espaço garantido, como ocorreu nos encontros anteriores.

Para saber como participar e ter mais informações é só ir ao site oficial clicando aqui.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Piacatuba: um pedacinho do município de Leopoldina

Piacatuba é um pequeno distrito de Leopoldina que de alguns anos para cá tem se tornado uma atração turística local, seja pelos seus restaurantes, pela sua beleza rústica, pela natureza encantadora ou pela história preservada através de suas casas e ruas. Eu vou pouco a Piacatuba, mas a cada vez que tenho oportunidade de visitar o distrito fico mais encantada com sua beleza simples e com o valor que seu povo dá a sua história. Uma das histórias locais mais contadas e recontadas é a da lenda da Cruz Queimada, que envolve, entre outras coisas uma disputa de terras entre fazendeiros, na segunda metade do século XIX. Sobre a história da Cruz queirmada, clique aqui, outras informações sobre Piacatuba e sua história é só clicar aqui

sábado, 5 de abril de 2008

Dicas para dinamizar as aulas de história

Este ano eu descobri uma publicação mensal que tem me ajudado a ter muitas idéias boas para minhas aulas de história. Trata-se do Guia Prático para professores do Ensino Fundamental. Eu comprei a edição de março e abril e encomendei a de fevereiro. A indicação veio de um colega de São Paulo, por conta de uma oficina de quadrinhos que tinha saído na edição de março.

Para quem não sabe, eu tenho um projeto que gira em torno de uma gibiteca, que eu criei na escola onde trabalho (quem quiser saber mais é só clicar aqui). A oficina é ótima, mas o melhor foi descobrir que a revista oferece sugestões de atividades que eu posso usar nas aulas de historia. Não sou exatamente uma pessoa muito chegada a trabalhos manuais, por falta de habilidade mesmo.

A revista traz dicas fáceis, moldes em tamanho natural, sugestões excelentes de se trabalhar os mais diversos temas. Ela é realmente prática, como diz seu nome. Este mês irei experimentar uma das dicas que ela dá que é a produção de uma múmia de brinquedo. Vou usar a atividade para motivar meus alunos da quinta série (sexto ano) que devem, já esta semana, começar a estudar as civilizações antigas.

Na revista e Abril, que eu comprei hoje, vem atividades como fazer uma caravela (a atividade foi tirada do site Recorte Cole e lá há também um modelo para construir o 14 Bis), um jornal sobre o descobrimento, além de outras sugestões de trabalho para outros conteúdos que podem ser adaptadas para a História. Não costumo fazer propaganda, mas acho um pecado deixar de passar esta dica, ainda mais porque sempre queremos melhorar nossas aulas, e nem sempre temos idéias. É tudo muito lúdico e muito criativo, vale a pena conferir. Para ir no site da editora é só clicar aqui


sábado, 29 de março de 2008

Cartilha de história para a 5ª série (sexto ano)

Como professora venho enfrentando há muitos anos um problema muito sério: como ensinar história sem que isto seja um sacrifico para meus alunos. Um dos maiores obstáculos diz respeito ao livro didático. O Estado nos fornece livros didáticos, não estou sendo mal-agradecida, mas os livros que temos no mercado atualmente são livros destinados a um tipo de aluno que é difícil de ser encontrado: um aluno com bom vocabulário e domínio da leitura – entendida como uma boa interpretação do texto.

Oras, eu tenho alunos que vêm de situações sociais e econômicas difíceis, que tiveram muitas dificuldades na alfabetização, que não possuem hábito da leitura fora da escola, que não dominam ainda habilidades como a de interpretar um texto, de fazer relações, de teorizar. Meus alunos, muitos vêm da zona rural – não que isto seja um defeito, pois eu mesma fui criada na zona rural até os cinco anos de idade -, e nas escolas rurais, todos sabemos que os recursos são poucos e que muitas escolas contam mesmo é com a boa vontade das professoras.

O fato é que eu enfrento o dilema de ensinar História Antiga para meninos que nem ao menos tem formada a idéia de história enquanto ciência. Complica ainda o fato de que os livros trabalham com conteúdos padronizados nacionalmente e, no caso de MG, temos um currículo que possui peculiaridades, como por exemplo, a exigência de se ensinar história local na quinta série. Temos que adaptar nosso currículo aos PCNs, ao CBC e temos que fazer tudo isto com um livro didático que geralmente não atende a todas as nossas necessidades.

Por esta razão resolvi desenvolver um trabalho diferenciado este ano. Optei por criar uma cartilha para a quinta série (atual sexto ano), com linguagem mais simples, letras maiores e muitas imagens, ilustrações e quadrinhos que chamem mais atenção das crianças e que deixe a leitura mais prazerosa. As atividades, além de incluírem questões de interpretação e análise do texto, terão jogos, produções de texto e outros recursos que estimule os alunos a pensar, analisar, refletir sobre o conteúdo apreendido.

Vou adotar a seguinte estratégia: tenho três turmas de quinta série. Em duas eu irei utilizar a cartilha completa. Todas as atividades serão feitas na cartilha e eu irei corrigi-las separadamente (irei reservar um terço da nota de cada bimestre para estas atividades, no lugar de uma avaliação formal). As cartilhas têm no nome do aluno e são de responsabilidade dele. O livro didático Será utilizado para leitura ocasional de textos como forma de enriquecimento do vocabulário e do conteúdo. O custo é bem baixo, e eu consegui que ela fosse imprimida pela Secretaria de Educação.

Na terceira turma eu usarei o livro normalmente, mas irei introduzir alguns textos da cartilha e manterei o mesmo ritmo de avaliações bimestrais. Não irei introduzir muitas mudanças.

Durante este primeiro semestre eu irei observar o rendimento das turmas e, se for o caso, adotarei na segunda parte da apostila – que irá versar sobre a ocupação da América, colonização do Brasil e história local. É uma mudança um tanto radical, vai me dar um pouco mais de trabalho, mas estou confiante nos resultados. Eu sou muito a favor da elaboração do material didático pelo próprio professor. Quem mais adequado do que o professor, que conhece o perfil do seu aluno, suas dificuldades, suas demandas, para saber qual a melhor forma de atingir os alunos e conseguir com que eles possam desenvolver melhor suas habilidades e adquirir as competências necessárias para concluir com êxito o ano escolar?

Comecei a trabalhar com a cartilha esta semana, e as primeiras impressões que tenho dos alunos são animadoras, diria até que eles se sentiram entusiasmados.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Trabalhando com projetos de aprendizagem

Amigos,
Estou realizando uma pesquisa com professores sobre o trabalho com projetos de aprendizagem nas escolas. Aqueles que puderem colaborar, por favor, respondam às perguntas abaixo e enviem para o e-mail natanianogueira@yahoo.com.br
Nome:Professor de:
Escola:
Cidade/Estado
É professor desde:

1 – Você já trabalhou com projetos? Quais?
2 – Destes projetos, quais foram trabalhados de forma interdisciplinar? Se a resposta foi sim, relate como foi a experiência de desenvolver um projeto com outros professores de outras disciplinas:
3 – Você tem hábito de escrever sobre os projetos que implementou com os seus alunos? Por que?
4 – Dos projetos que você já desenvolveu, qual(is) foram os que mais sucesso obtiveram? Você pode descrevê-lo? O que ele trouxe de positivo e o que você não faria novamente.
5 – Na sua formação acadêmica em algum momento você teve experiências ou informações sobre como trabalhar com projetos nas salas de aula?
( ) Sim ( ) não
6 – Na sua opinião, quais são as deficiências dos cursos de licenciatura e/ou de pedagogia, responsáveis pela formação de professores?
7 – Gostaria de fazer mais algum comentário?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Uma breve História do Carnaval


Natania Nogueira


No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador de Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, mas foi no final do século XIX que a festa começou a se popularizar. Populares se reuniam e, aos poucos, se formavam multidões de foliões. Era o entrudo, que tinha origem portuguesa e foi introduzido no Brasil provavelmente entre os séculos XVI e XVII. Consistia emum folguedo alegre, mas violento. Nos entrudos familiares, era comum usar-se os limões de cheiro, ou laranjas de cheiro - pequenas bolas de cera recheadas de águas perfumadas -, que eram vendidos em tabuleiros pela cidade, e que os foliões atiravam uns nos outros. Havia também jatos d’agua, farinha lama, cinzas, enfim, tudo que pudesse ser usado para deixar a outra pessoa suja. Já nos entrudo de rua, os populares, corria-se o risco de receber na cabeça o conteúdos de penicos, lançados na multidão pelos moradores dos sobrados. Além de tudo isto, havia também o risco de ser agredido por um policial, que usava o cacetete para apartar os ânimos da multidão.

Havia entrudos familiares e populares. Nas ruas, os homens de boas famílias se misturavam com populares, em sua maioria negros e mestiços. As senhoras tidas como honestas assistiam de longe, das sacadas das casas, e mais tarde passaram a participar do corso carnavalesco vespertino, dento de carros, protegidas do contato com os foliões das ruas.
Corso, é o nome que os passeios das sociedades carnavalescas do século XIX adquiriram no início do século XX, no Rio de Janeiro, após uma tentativa de se reproduzir no país as batalhas de flores características dos carnavais mais sofisticados da virada do século. A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas – e, posteriormente, de automóveis sem capota
Foi na década de 1840 que ocorreu a separação entre a festa da rua, - popular, negra – da festa de salão – branca e segregada. Teria sido uma família de italianos do Rio de Janeiro a primeira a organizar estes bailes, à moda veneziana, com o uso de máscaras. A máscara, marcante até hoje nos carnavais de Veneza, ajudava a preservar o anonimato dos foliões, que se perdiam em meio aos salões. Nas ruas, as máscaras também eram usadas, algumas rústicas, outras improvisadas, mas sempre com o mesmo objetivo de manter o anonimato, pois, afinal, no carnaval as pessoas podiam se despir de certos pudores e cometer alguns excessos, que normalmente eram condenados pela sociedade.

A máscara representava uma segurança para o folião que não desejava ser recriminado durante o restante do ano pelas suas ações durante o carnaval. Nas ruas, multidões acompanham blocos e se disfarçam para poderem manter o anonimato e aproveitar os dias de folia, sem se preocupar com a constante vigilância da sociedade e da(s) igreja (s).
A nova modalidade de carnaval – o baile particular – era considerada civilizada, mais européia e menos perigosa e tinha uma peculiaridade: pagava-se para participar. Portanto, era um baile para pessoas com posses.

Já no início do século XX o carnaval se torna uma festa mais familiar, com os primeiros matinês (bailes infantis) e com festas realizadas em casas de família. Aparecem também os concursos (de fantasias, tipos exóticos, etc) e cresce o prestígio das primeiras sociedades carnavalescas, que antecederam as escolas de samba. As sociedades eram clubes ou agremiações que, com suas alegorias e sátiras ao governo, encontraram uma forma saudável de competição.[1]

Este modelo de carnaval carioca – voltado para as elites – foi copiado em várias partes do Brasil. Na jovem capital mineira, Belo Horizonte, por exemplo, “o carnaval consistiria nos luxuosos desfiles de Grandes Sociedades Carnavalescas da cidade do Rio de Janeiro”[2], organizados pelos clubes de carnaval da capital, em substituição às manifestações populares como o entrudo. Estas associações de carnavalescos utilizavam os jornais impressos como forma de divulgar suas idéias sobre o carnaval. Neste sentido, não apenas no Rio de Janeiro, como também em grande parte do país, podemos verificar a presença dos periódicos na construção da imagem do carnaval no Brasil.
Carnaval em Leopoldina

Leopoldina teve muitos carnavais, onde as pessoas se divertiam. Nossos carnavais mudaram muito, mas a animação do nosso povo continua a mesma. Em Leopoldina, era muito comum amigos se reunirem para comemorar o carnaval, em blocos. Ainda hoje se faz isso.

Um tipo de bloco de carnaval muito comum era o bloco dos sujos, onde as pessoas desfilavam com seus rostos tampados com um pano branco ou uma fronha de travesseiro velha, usando trapos como roupa, pregando sustos e fazendo brincadeiras com quem encontrassem nas ruas.

Nosso mais famoso carnavalesco foi Mestre Vitalino Duarte, conhecido em Leopoldina por promover festas populares. Nasceu no dia 15 de agosto de 1932. Em 1955 começou a se interessar pelo carnaval e, em 1959, fundou a Escola de Samba Acadêmicos de Leopoldina, da qual foi presidente. Morreu em 2003, depois de 47 anos como carnavalesco.

Em seus primeiros carnavais, Mestre Vitalino desfilava pela cidade com uma Baiana e uma burrinha, arrastando multidões e cantando:

Arranjei uma burrinha,
Para brincar no carnaval,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
A orelha era de palha
E o rabo de jornal,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
Ê, ê, ê!
Ê, ê, a,
Montado na Burrinha,
Devagar eu chego lá!

Atualmente nosso carnaval ocorre nas ruas e nos clubes. Nas ruas ainda existem desfiles de blocos, alguns muito bem humorados, onde homens vestem-se de mulheres e aplicam trotes nas pessoas que assistem ao seu desfile, muitas vezes desorganizados. Há, também, blocos que reúnem pessoas de uma mesma profissão. O Bloco do Pó de Giz já ganhou espaço nos carnavais, contando com a presença dos professores da cidade e seus parentes. Outro bloco é o Bloco dos Fajardos, que reúne no carnaval os membros dessa família, uma das mais tradicionais de Leopoldina.



[1] Pequena História do Carnaval. Disponível em < http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoCarnaval/historiadocarnaval.htm>, acesso em 13/12/2007.
[2] FILHO, Hilário Figueiredo Pereira. A conquista das ruas: um enredo possível para o carnaval de Belo Horizonte. Anais do XIV Encontro Regional de História da ANPUH/MG, Kuiz de Fora, 2004, p. 3