domingo, 5 de junho de 2016

O GUARANI EM QUADRINHOS – 1937

Capa da minha maravilhosa revista, que me foi presenteada pelo amigo Antônio Marcio Junqueira Lisboa.

Hoje eu tive o prazer ser presenteada com revistas juvenis das décadas de 1930 e 1940, pelo amigo Antônio Márcio Junqueira Lisboa. Dentre elas uma se destacou: a encadernação da adaptação para quadrinhos do romance de José de Alencar, O Guarani, publicada em 1937, de autoria de Francisco Acquarone. Trata-se da primeira adaptação da obra, publicada pelo jornal Correio Universal. Um verdadeiro tesouro.

E, como não podia deixar de ser, eu resolvi fazer uma rápida e despretensiosa pesquisa sobre a obra e, claro, seu autor.
Única foto que eu encontrei de Acquarone. Disponível em: http://editoraalianca.com.br/autor/francisco-acquarone/, acesso em 05 de jun. 2016.

Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, Francisco Acquarone dedicou-se à pintura, desenho, caricatura e ilustração. Trabalhou como jornalista e ilustrador do periódico Dom Quixote, tendo colaborado, também para o Jornal, A Noite e Dom Casmurro, revista de cultura voltada para a divulgação das artes plásticas. Participou dos Salões de Belas Artes, entre 1926 e 1941, com paisagens, retratos, pinturas históricas e de gênero. Tornou-se famoso por sua atuação como historiador da arte tendo publicado vários livros sobre o assunto.

Penúltima página da adaptação de O Guarani, por Francisco Acquarone
Nos quadrinhos teve influência de Alex Raymond (GOIDANISH, p. 22). Para quem não conhece, Alex Raymond foi o criador de quatro dos mais importantes personagens das Histórias em Quadrinhos do século XX: Flash Gordon, Jim das Selvas, Agente Secreto X-9 e Rip Kirby, que no Brasil era publicado com o nome de Nick Holmes. 

Entre 1937 em 1938, Francisco Aquarone publicou outra adaptação de José de Alencar, "Minas de Prata", no Globo Juvenil,"Minas de Ouro", com roteiro de Pinheiro de Lemos. Ainda pelo periódico, publicou "Vida de Circo", em parceria com Bandeira Duarte, a adaptação do clássico do escritor britânico Herbert George Wells "Os primeiros Homens na Lua" e adaptou ainda "Atribuições de um Chines na China", de Júlio Verne.

Capa de João Tymbira ao redor do Brasil
Imagem disponível em: http://sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/11/este-blog-pretende-humildemente-ser-uma.html, acesso em 05 de jun. 2016.
Em 1938, ainda pelo Correio Universal, lançou João Tymbira em redor do Brasil, uma HQ protagonizada por um herói brasileiro cujas aventuras tinham como cenário várias regiões do Brasil, de Minas Gerais à Amazônia. Em suas aventuras, João Tymbira era acompanhado de Rosinha, do cão Tupy e do casal de índios Gorgulho e Guaracy. Uma curiosidade: em suas aventuras pelo nordeste, João Tymbira encontra ninguém menos do que Lampião, o rei do cangaço.

Olha o Lampião, na visão de Francisco Acquarone.
Imagem disponível em: http://sallesfanzineiro.blogspot.com.br/2010/11/este-blog-pretende-humildemente-ser-uma.html, acesso em 05 de jun. 2016.
Publicação independente, o periódico carioca Correio Universal  foi fundado em 1936 por Mauricio Ferraz (sob o pseudônimo de Álvaro Armando) e sua esposa Helena Ferraz de Abreu, e publicou com exclusividade as aventuras do Fantasma, de Lee Falk, até 1939. Muitas outras adaptações literárias foram publicadas depois, por outros periódicos. Diversos fatores contribuíram para o sucesso destas publicações junto ao público juvenil e, até mesmo, adulto.

Propaganda dos quadrinhos publicados pelo Correio Universal, mas páginas finais do álbum.
Segundo Cláudio César de Oliveira Campos (2013, p. 91), ainda na década de 1930 havia “iniciativas e programas governamentais tiveram como cerne a problemática do sistema educacional e consequentemente a qualidade e prática da leitura.” Políticas estas que alicerçadas no Estado Novo pelo Instituto Nacional do Livro (INL) criado em 1937. Como podemos ver tanto políticas de incentivo à leitura quanto o uso dos quadrinhos para fins pedagógicos não é algo tão recente assim no Brasil.

Para os fãs do Fantasma, um anúncio das aventuras do herói mascarado na página final da edição de O Guarani.
Essas políticas não tiveram o êxito desejado, mas abriram espaço para que projetos encabeçados por homens como Adolfo Aizen e Roberto Marinho transformassem os quadrinhos em muito mais do que simples diversão. Encartes, álbuns e revistas produzidas durante as décadas seguintes apresentavam-se, também como um suporte à educação de crianças e jovens, alavancaram as primeiras campanhas em prol da difusão da leitura, idealizando a criação de bibliotecas país afora, conjecturando instrumentos de elevação cultural, contudo, a iniciativa não obteve os frutos esperados.


FONTES CONSULTADAS

CAMPOS, Cláudio César de Oliveira. Quadrinhos e o incentivo à leitura. Monografia apresentada à Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília, como requisito necessário para a obtenção do Grau de Bacharel em Biblioteconomia, Brasília, 2013.

Francisco Acquarone. Disponível em: https://www.escritoriodearte.com/artista/francisco-acquarone/, acesso em: 05 de junho de 2016.

GOIDANICH, Hiron Cardoso. Enciclopédia dos Quadrinhos. Porto Alegre: L&PM, 2014. 


2 comentários:

Quiof disse...

Século XXX era a série Connie de Frank Godwin, era chamada de Sonia
http://mlb-d1-p.mlstatic.com/gibi-no-seculo-xxx-edico-do-correio-universal-1938-959211-MLB20511190381_122015-F.jpg?square=false


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http://www.guiadosquadrinhos.com/personagem/connie-(sonia-mabel-loy)-(connie-kurridge)/11547


https://en.wikipedia.org/wiki/Connie_(comic_strip)

Raul Grilo disse...

Será que eu ainda encontro um original desses para vender? Estou precisando. Principalmente porque eu perdi 4 páginas. Se você puder fotografá-las com 8MP e me enviar por e-mail também vai me auxiliar muito. São as páginas 97, 98, 99 e 100. Meu e-mail é raulgrilo@gmail.com