segunda-feira, 22 de março de 2010

Até onde o professor pode ajudar seu aluno a desenvolver vocabulário?


É uma pergunta que eu faço aos colegas e frequentadores do Blog: Onde está o nosso limite?

Penso que o maior desafio que temos enfrentado é a falta de vocabulário dos nossos alunos. Vocabulário se adquire por meio da leitura, uma leitura que não pode ser limitada a texto dados em sala de aula. Não podemos determinar nem saber ao certo o que nossos alunos lêem ou deixam de ler quando estão em suas casas.

Quando eu digo leitura, não me limito a livros mas a várias outras mídias. Nossos alunos assistem um filme ou um documentário sem que sejam obrigados ou que esteja na moda?

Eu me lembro da minha infância, quando ia ao cinema e via filmes legendados. Mais tarde, com o surgimento das vídeo locadoras eu odiava só encontrar cópias dubladas de filmes. Sempre gostei de ler as legendas e aprendi muito com elas.

A própria Internet, uma mídia atual, será que ela não está sendo usada apenas como ferramenta de entretenimento? Para jogos, bate-papo, Orkut e msn?

Desconfio que na maioria das vezes é isso que acontece, pois eu nunca tive tantos alunos com tanto acesso à informação (e aí eu incluo meus alunos de todas as classes) e nunca senti tanta dificuldade em trabalhar. Palavras banais e simples, muito usadas em textos de história se mostram completamente desconhecidos para a grande maioria.

Eu comecei há alguns anos um projeto de leitura que tem dados bons resultados, mas não tenho como assumir o compromisso de desenvolvê-lo em outas escolas pois minha carga horária não permite. Então, qual a solução?

Imaginei a possibilidade de selecionar textos em revistas de história e/ou notícias atuais, que trabalhem conhecimento histórico de forma diferente e que sejam atraentes aos alunos, que despertem sua curiosidade. Marcaria sua leitura e relato como atividade semanal ou quinzenal. É uma saída. Quem sabe?

Preocupa-me ver tanto investimento e incentivo à leitura e, ao mesmo tempo, ter alunos com tanta dificuldade em entender textos. Já me falaram por mais de uma vez que tenho que simplificar o conteúdo. Será que isso não seria simplesmente mascarar um problema?

Ora, alguns termos são básicos e vão estar presentes em textos diversos que irão cair nas mãos de alunos que tiveram um estudo "simplificado". Talvez eles não consigam passar em concursos ou mesmo desempenhar bem suas atividades profissionais, que com certeza não serão simplificadas.

6 comentários:

Lucas Pimenta disse...

Acredito que nossas escolas, nossas universidades, particulares ou públicas, deveriam ter em seu currículo, não importando o curso, uma matéria chamada por exemplo: "Prática de leitura e escrita" e nela serem trabalhados leituras das mais diversas mídias: Quadrinhos, livros, textos acadêmicos, jornais, periódicos, filmes... etc...

O Brasil é um país que ler pouco, onde livros são caros, etc... E infelizmente essa ausência de prática está levando a nossa sociedade a uma "falência do pensamento crítico" como defendeu o Sociólogo Francisco de Oliveira.

Abraços, Nat. Parabéns pelo site.

Anônimo disse...

Natânia,
acho que você aborda um problema que é crucial. Nossa juventude tem vocabulário fraco.
Como muito bem você lembra, a midia internetiana está sendo usada, sim senhor, como puro entretenimento. A prova disto é que, na falta de vocabulário, os jovens "inventam" palavras... para não correrem o risco, suponho, de errar na grafia das que já existem no vernáculo.

Solução? Para uma professora de muitos alunos, dificílima. Numa classe de pouquíssimos alunos talvez a solução fosse o mestre aproximar-se DE CADA ALUNO e descobrir qual o assunto que mais o interessa. Com este dado, fazer chegar a ele textos que correspondam a esse interesse.
Mas isto é quase um sonho.

Imigrantes em Leopoldina disse...

Esta postagem bateu forte. Lembrei-me de ter vivenciado a mesma coisa em outra perspectiva. Numa pós graduação, metade da turma era de professoras que haviam terminado a graduação no ano anterior e com um histórico acadêmico semelhante: boas escolas, boas alunas, interesse em aprender. Entretanto, nenhuma tinha lido um autor clássico até então. No início falavam em desistir por não entenderem os textos indicados pelos professores.

Na última fase do curso o panorama estava ligeiramente modificado. Algumas até já mencionavam obras de referência com certa desenvoltura. Perguntada, uma delas declarou que mudou de hábitos, trocando os livros de autoajuda por obras mais consistentes.

Será que os professores não estão facilitando demais, indicando ou pedindo sempre menos, escolhendo o mais fácil por acreditarem que seus alunos não se interessam ou não sejam capazes de compreender material mais denso? Se você criar um filho oferecendo só feijão com arroz para não complicar, esta criança aprenderá a gostar do sabor de uma bacalhoada?

Será que podemos escolher uma trajetória de vida que não nos exija compromisso com o próprio aperfeiçoamento? Será que os professores devem continuar optando pela facilidade em detrimento da qualidade?

Suely Aymone disse...

Oi, Natânia!!!

A gente precisa construir uma história de leitura (leitura de diferentes gêneros textuais, em diferentes suportes - aqui entram todas as mídias) com os alunos!!!

Um texto sempre faz referência a outros textos - intertextualidade... Acho que a maior dificuldade dos alunos, ao desvendar os sentidos dos textos, é o desconhecimento dos "fios" que os textos tecem uns com os outros.

Explico: estou trabalhando o samba enredo da Mangueira (de 2007) que fala sobre a língua portuguesa... Esse texto faz referência a outros... se o aluno não conhece, por exemplo, o poema de Bilac - "a última flor do Lácio" - ou o samba "Folhas secas", vai "perder" parte dos sentidos...

Assim é com os textos literários e com os textos não-literários...

Precisamos por a gurizada em contato com os textos desde sempre - é o que chamamos de letramento - responsabilidade da escola (especialmente!) e da família (nem sempre possível, pois, há, em muitos casos, a falta de acesso aos bens culturais!) e das comunidades... e fazer com os alunos (e os colegas nossos) entendam que o letramento é processo em permanente construção...

Abraços!

Rocio Rodi disse...

Natânia, minha querida colega dos quadrinhos e da história...
Fiquei encucada com o meu despertar de hoje, teci comentário e acabou não aparecendo por aqui(?). Por questão de honra, retorno. E vou na carona desta vez da querida colega Suely, os fios tecidos da intertextualidade seduz mesmo. Eu procuro sempre fazer o intertexto para mostrar a rede que construímos com as nossas referências e vivências. Por exemplo, anteriormente postei tema referente a este entrelaçamento, pois, ninguém inventa nada do nada, reiventamos através do questionamento reconstrutivo, aproveitei a proposta pedagógica de professores do Ensino Médio, a partir da música "Pela Internet", de Gilberto Gil (1997), que faz interface com "Pelo Telefone", de Donza (1917). Muito interessante! Em que contexto histórica aparecia a tecnologia e o que a música dizia e mexia, assim como a "infomaré" de Gil. Momentos históricos diferentes. E por aí vai as nossas redescobertas, pelo prazer mexemos com a fruição dos alunos.
Renovados abraços desta Belém!

Josete disse...

Oi Natânia!
Muitas vezes achamos que a leitura é apenas aquela dos textos impressos e nos esquecemos da leitura de mundo tão falada pelo nosso querido Paulo Freire!
É por esse motivo que acredito que o livro apenas não basta. É preciso outros experimentos de modo que a leitura do livro possibilite colocar conhecimentos e ações em prática! Gostei muito do que escreveste parabéns!
Bjs,
Josete