sábado, 24 de janeiro de 2026

IMPRESSÕES GERAIS SOBRE MINHA VIAGEM À BOLÍVIA

Minha primeira viagem pela BOA, não tenho do que reclamar, além de um atraso na ida para Cochabamba.
Nas férias de janeiro, eu tirei este ano 15 dias para viajar pela Bolívia, pois, confesso, conheço muito pouco da América do Sul. A única viagem que fiz foi em 2000, para o Peru. Depois, fiquei um bom tempo sem viajar para fora do Brasil e, quando retomei, foi para a Europa. Desta forma, este ano resolvi trocar o inverno europeu pelo verão nos Andes. Comecei a planejar a viagem no início de 2025, e chamei alguns amigos para a aventura. Três deles toparam e, dia 6 de janeiro, partimos para a Bolívia. O roteiro incluiu 5 cidades, dois passeios previamente agendados e outros que compramos ao longo da viagem.

Saímos de São Paulo, do aeroporto de Guarulhos, pois o custo com a passagem de avião é consideravelmente menor. Viajamos pela Empresa Pública Nacional Estratégica Boliviana de Aviación (Boliviana de Aviación ou BoA), que é a companhia aérea de propriedade do governo boliviano, com direito a uma bagagem de porão gratuita de 23 kg. A primeira dica que eu dou é optar por esta empresa, que tem o melhor custo benefício e que, pelo que eu li, agora vai ter voos saindo do Rio de Janeiro também.

Catedral Basílica de São Lourenço, em Santa Cruz

Como eu não conhecia nada da Bolívia, pesquisei bastante e eu resolvi montar um roteiro bem eclético. A primeira cidade foi Santa Cruz de La Sierra, onde chegamos no dia 6 de janeiro e ficamos até o dia 10 de janeiro. No dia 6 de janeiro pegamos a Festa de Reis, e o centro da cidade estava muito animado e festivo, o que causou uma primeira boa impressão. Santa Cruz de la Sierra é uma cidade baixa, com cerca de 600 m de altitude, e muito quente. Não tem grandes roteiros turísticos, em um dia vimos tudo que interessava. Mas lá fizemos duas atividades que forma marcantes. 

Degustação privada de vinhos bolivianos.

Degustação privada de vinhos bolivianos.

A primeira foi no dia 7 de janeiro, uma degustação privada de vinhos bolivianos, agendada antecipadamente. Foi além da expectativa. Fomos recebidos pelo anfitrião que preparou uma mesa magnifica, com vinhos, queijos, embutidos e frutas. Ele nos contou com detalhes sobre a história dos vinhedos e da produção de vinho na Bolívia, enquanto degustávamos deliciosos vinhos bolivianos, que são, inclusive, melhores do que os chilenos, na minha modesta opinião. Foram mais de duas horas que nem percebi passar (vou deixar  link para a degustação aqui caso alguém tenha curiosidade).

Forte de Samaipata.

Forte de Samaipata.

A segunda atividade foi uma viagem de um dia e meio a Samaipata, onde se encontra um maravilhoso sítio arqueológico de 400 d.C., e vinhedos que produzem vinhos deliciosos. Lá chegamos a uma altitude de 1750 m acima do nível do mar, com um clima mais ameno do que o de Santa Cruz de La Sierra. Para ir a Samaipata, contratamos um transporte particular, cujo custo benefício foi muito bom. No dia 8 de janeiro, fomos ao Forte de Samaipata (vou falar especificamente dele em outra postagem). 

Vinhedo 1750, em Samaipata.

Vinhedo 1750, em Samaipata.
Vinhos produzidos no vinhedo 1750, em Samaipata.

No dia 9 de janeiro, visitamos o Vinhedo 1750 (que tem este nome pois produz uvas a esta altitude). Além de passear pela plantação, aprendemos mais sobre a produção de uvas boliviana e ainda participamos de uma degustação de vinhos, por, pasmem, por cerca de 30 reais. Samaipata tem ainda muitas outras atividades a oferecer e uma das coisas das quais arrependemos foi justamente não ter ficado mais tempo por lá.

Mercado em Cochabamba.
Estação de trem em Cochabamba.
 Catedral metropolitaba, localizanda na Plaza 14 de Septiembre, em Cochabamba.

Museu arqueológico de Cochabamba.

Dia 10 de janeiro partimos para Cochabamba, que nas palavras de uma das viajantes "não prometia anda e entregou tudo". Como subimos para uma altitude de mais de 2700 m, o clima, mudou de quente para frio, alternando entre dia nublado e com sol entre nuvens. Lá ficamos num hotel no centro, caminhamos pela cidade, fomos à feira de artesanato local, à estação de trem e ao Museu arqueológico. Visitamos também os vários mercados, com diversos produtos, que variavam de frutas, carnes a roupas e objetos de uso cotidiano, e fizemos dois passeios que foram marcantes. 

Cristo de la Concordia.
XIII Estação da Via-Crúcis, quando Jesus e tirado da cruz, no Cristo de la Concordia.

Primeiro, no dia 11 de janeiro, fomos ao Cristo de la Concordia, é uma enorme estátua monumental de Jesus Cristo, localizado na colina de San Pedro, a uma altura de 265 m acima da cidade. A estátua mede 34,20 metros de altura, sobre um pedestal de 6,24 metros e com uma altura total de 40,44 m, e é maior do que o Cristo Redentor, ficando a uma altitude de 2840 m acima do nível do mar. Subimos de teleférico, mas há uma escadaria, com 14 estações da via sacra que muita gente prefere experimenta, até porque além da paisagem, as estações são lindas. A vista da cidade é fabulosa, mesmo com o tempo nublado.

Tarata, vista da torre do relógio.

Pichón a la Brasa.
Laguna Angostura.
Bosque - com espinhos que furam até o solado das botas mais resistentes.

Para o segundo passeio, nós contratamos antecipadamente um guia que foi nos buscar no hotel e, de carro, nos levou para conhecer Tarata, Cliza e Laguna Angostura. Fizemos uma imersão cultural, na qual visitamos pequenas cidades históricas. Experimentamos pratos como  o Pichón a la Brasa (pombo na brasa), que é a comida exótica mais famosa da região de Cliza  caminhamos por um bosque de árvores retorcidas, onde a população realiza festivais e que tem muitas lendas envolvidas, inclusive a do nascimento de bruxas. Visitamos também um vinhedo de produção familiar e encerramos o passeio na Laguna Angostura, já chegando em Cochabamba. Saímos 10h da manhã e retornamos às 18h. Valeu cada centavo, inclusive porque o guia foi fantástico.

Sobre os transportes: tanto em Santa Cruz de la Sierra, quanto em Cochabamba, os automóveis eram bem precários, mas deram para o gasto e chegamos bem, então, não se assustem. O trânsito em todas as cidades maiores que fomos, sem exceção, é caótico. Mas sobrevivemos, afinal, não tem como escapar de algumas emoções durante o passeio. Recomendo não alugar carro, melhor deixar a direção nas mãos de um motorista local mesmo. Uber, quase não usamos, primeiro porque a oferta é pouca (com exceção de Santa Cruz de La Sierra), segundo, porque taxi é muito barato.

Mercado das Brujas.

Tuna ou Estudantina é um grupo musical tradicional, comum em Portugal e Espanha, formado por estudantes universitários que tocam instrumentos de corda (plectro), cantam serenatas e vestem trajes académicos. Tivemos uma apresentação no hotel no último dia.

Igreja e Convento de São Francisco.

Dia 14 pela manhã partimos para La Paz, que fica a uma altitude de 3.650 m, que foi, com certeza um dos pontos altos da viagem. Do hotel aos passeios, tudo perfeito. Aliás, sobre o hotel, foi na minha opinião  o melhor de todos. Fica localizado numa área privilegiada, cercado de empresas de turismo, monumentos históricos, restaurantes e praticamente dentro do Mercado das Brujas. O Hotel Sarganaga foi o mais barato de todos e o que nos ofereceu a melhor experiência. Incluse, ele inclui em seu restaurante apresentações de dança e música tradicionais para os clientes.


A Luta Livre de Cholitas é um espetáculo cultural e esportivo único na Bolívia, popularizado desde 2002 em El Alto, próximo a La Paz, onde mulheres indígenas Aymara (cholitas) lutam usando seus trajes tradicionais — pollera (saia multicamadas), tranças e chapéu-coco.

Mini Teleférico.

Contratamos dois tours: uma para conhecer a cidade e ir ao Vale da Lua e outro para a Luta de Cholitas (vou falar separadamente delas). Tudo perfeito. A cidade é maravilhosa e tem uma estrutura para turismo fantástica, além de museus e igrejas impecavelmente maravilhosos. Destaque pelo transporte coletivo realizado pelo Mi Teleférico, o maior sistema de teleféricos urbanos do mundo, conectando La Paz a El Alto, na Bolívia, a mais de 4.000 metros de altitude. Inaugurado em 2014, opera com 10 linhas, servindo como transporte público rápido e seguro, além de atração turística com vistas panorâmica. 

Tiramos um dia só para ir a museus, e foi maravilhoso. Fomos a 3 deles. Um de arte, um de história e antropologia e um museu biográfico. Saí extasiada dos dois primeiros e sobre eles pretendo escrever um postagem a parte. La Paz também foi uma das cidades mais baratas, seja com relação a hotel, alimentação e transporte. Uma curiosidade: as casas tem majoritariamente paredes de tijolo sem acabamento, mas isso é uma opção do proprietário, que paga mais importo se a casa for pintada. Tivemos a curiosidade de perguntar à nossa guia, porque achamos muito estranho.

Ilhas flutuantes próximas a Copacabana. Estruturas artificiais construídas com totora (planta aquática) no Lago Titicaca, oferecendo tours, restaurantes e uma imersão cultural na cultura Uru. 

Vista do Lago - foto tirada do barco.

Por do sol em Copacabana.
Ruínas incas na Isla del Sol.

Ficamos lá até dia 18 de janeiro, quando partimos para Copacabana, de ônibus, nosso último passeio, cidade às margens do Lago Titicaca, a 3.812 metros de altitude (4000 m no ponto mais alto da cidade). A cidade por si só é linda. Os passeios de barco nas ilhas são bons e baratos. Tirei minhas melhores fotos lá. E a cor da água de do céu? Indescritíveis! Também visitamos lugares históricos como a Isla del Sol, com ruínas Incas (a Bolívia fez parte do antigo Império Inca. O hotel foi muito barato, 37 reais a diária (ficamos dois dias), com um bom café da manhã e com funcionários muito acolhedores. Sem falar que a localização era excelente.

Alcachofra recheada, quinoa, banana da terra, salada e sopinha (paguei aproximada mente 10 reais).
Comida típica em Tarata: uma linguiça mista feita na hora, com trigo e salada (aproximada mente 10 reais).

Comida típica, charque de lhama, choco, ovo cozido, queijo andino e batata (aproximadamente 28 reais - no restaurante do hotel).

Peito de frango grelhado, com molho de mostarda, salada, arroz e acompanhado de uma sopinha (aproximadamente 22 reais).

Salmão, sala da , batata frita, sopa e uma cestinha de pães de fermentação natura ( aproximadamente 19 reais).

Aliás, verdade seja dita: dá para passear muito e gastar pouco. Tanto com hotéis, passeios, alimentação e transporte nos surpreendemos com o preço. A média de gasto por refeição (e refeição boa e completa) foi de 20 reais (saindo até por bem menos qu isso). O orçamento deu e sobrou. Uma dica, Wise e cartões de crédito e de débito internacionais, em geral, não são uma boa. Em muitos lugares eles não são aceitos. Prefere-se o "efetivo", dinheiro vivo. O câmbio vale a pena, mas nas casas de câmbio eu ficam na cidade, que pagam muito acima do valor oficial.

Retornamos para o Brasil dia 21 de janeiro, pelo aeroporto de La Paz, com escala em Santa Cruz de la Sierra (os voos internacionais saem todos de lá). Uma última coisa que acho que preciso relatar: a sensação de segurança. Em todas as cidades da Bolívia não teve um momento que me senti insegura. Há bastante policiamento, mas não é por isso. Simplesmente as pessoas respeitam o que é do outro. 

Em todas as cidades eu vi lojistas deixando as lojas vazias, saindo e ficando longe por longos períodos, e NINGUÉM mexe! Sério! E nas ruas as coisas são bem tranquilas também, diferente do Brasil e de muitos países da Europa. Claro, deve haver áreas violentas e eu vi noticiarem crimes na televisão, mas no geral, e principalmente nas áreas turísticas, é tudo muito tranquilo.

A previsão do tempo dizia que choveria todos os dias mas, na prática, pegamos chuva durante o dia duas vezes (e passou rápido) e a noite. Tanto que pelas fotos dá para ver que houve muitos dias com céu azul, apesar das nuvens. Por fim, só tenho elogios a fazer e recomento fortemente que coloquem a Bolívia como um dos destinos bons e baratos para férias. Eu mesma pretendo retornar, para ir a outros lugares, com Sucre e Potosi.

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