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Oficina realizada no dia 18 de novembro com alunos do Ensino Fundamental II da E. M. Judith Lintz Guedes Machado, em Leopoldina - MG. |
Acredito que várias gerações, até mesmo a minha, leu as obras da
autora britânica J. K. Rowling, criadora a série de
romances de Harry Potter, que foram posteriormente adaptados para mídias
como quadrinhos, filme e games. O universo fantástico de Harry Potter
influenciou e ainda influencia muitas mentes jovens e ávidas por aventura. Mas
não é apenas isso, Harry Potter se tornou, também, uma porta para a ciência.
Ficção Fantástica e ciências? Será?
Ora, claro que sim! Não foi muitas vezes na ficção que a
ciência encontrou inspiração para grandes descobertas e invenções? O maior
exemplo dessa afirmação talvez seja o aclamo romancista do século
XIX, Júlio Verne. Com seus livros "Cinco Semanas em um Balão",
"Viagem ao Centro da Terra”, "Da Terra à Lua", "Vinte Mil
Léguas Submarinas" e "A Volta ao Mundo em 80 Dias" ele não
apenas foi um dos pioneiros na da ficção científica como inspirou
cientistas do mundo inteiro. Não seria demais dizer que Verne era pop, a sua
maneira.
A cultura pop, e aqui especificadamente o universo de Harry
Potter, pode ser um caminho para se introduzir a ciência entre os jovens, inspirar
novos cientistas, criar futuros adultos mais críticos e abertos ao novo.
Exemplo disso foi a oficina que tivemos nas escolas aqui em Leopoldina (MG),
entre os dias 17 e 19 de novembro. Com o título "Perfumes: obras de
arte, composições químicas ou poções mágicas?", a oficina se baseia no
universo de Harry Potter para levar aos jovens estudantes temas complexos
ligados às Ciências da Natureza e suas Tecnologias, usando de
interdisciplinaridade, discutindo tópicos de Biologia e Química numa abordagem
CienciArte.
Falando assim, o leitor deve se perguntar: "Mas é
possível?". Pois eu confirmei que é. Participei como observadora de
uma das oficinas, com alunos de escola pública entre 12 e 14 anos e fiquei
encantada tanto com o que eles aprenderam como pela forma como o
conteúdo foi apresentado. Esses estudantes puderam ter acesso a informação
sobre a botânica de plantas aromáticas, sobre metabolismo vegetal,
biodiversidade, misturas, solutos e solventes orgânicos, moléculas apolares,
volatilidade molecular, cultura do perfume: aspectos históricos e outros temas
igualmente complexos, em duas horas de oficina. E, no final, todos muito
perfumados, não queriam ir embora. Eu, particularmente fiquei fã do
pesquisador/cientista /arte educador da Fiocruz Helder Silva
Carvalho.
Eu o assisti ensinado meus alunos a lerem gráficos e entenderem o
que leram. Depois de quase dois anos de isolamento, com pouco ou nenhum acesso
a aulas remotas, estes estudantes voltaram para a sala de aula este ano com uma
série de deficiências de aprendizagem que vão pesar no futuro. Mas na oficina
eu percebi que eles estão abertos ao apreender novos conteúdos e que a forma
como ensinamos faz diferença. Sei que não podemos ter uma oficina como essa
toda semana, ou mesmo todos mês mas, se pudermos planejar atividades como esta
com certa regularidade para alunos e mesmo para professores, creio que será possível
vencer os desafios que a pandemia de Covid-19 trousse para os professores de
todo o mundo.
Por fim, é preciso agradecer à FIOCRUZ por nos proporcionar
essa atividade e à ASPAS, a Secretaria de Educação e o Colégio Imaculada
Conceição que, juntos tornaram possível que nossos alunos e os alunos de outras
escolas pudesse ter essa oportunidade.
Veja a seguir o depoimento do oficineiro sobre a experiência:
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