sexta-feira, 5 de novembro de 2010

EQUIPE DA ONHB COMENTA A FASE FINAL


A prova dissertativa foi parcialmente baseada em leitura previamente fornecida aos estudantes, no caso, a parte I do livro Caminhos e Fronteiras de Sérgio Buarque de Holanda. Os capítulos selecionados foram novamente distribuídos para as equipes no dia da avaliação, para evitar que as equipes fossem tomadas pelo nervosismo caso necessitassem consultar alguma informação. O maior objetivo desta atividade foi proporcionar aos participantes a chance de realizar uma leitura mais complexa de um texto clássico da historiografia nacional e, conhecendo previamente os possíveis conteúdos da avaliação, pudessem se preparar melhor para a prova dissertativa. As 300 provas foram corrigidas por uma banca de professores-historiadores da Universidade Estadual de Campinas, sendo que cada Prova recebeu notas de dois avaliadores diferentes.

No dia da prova as questões apresentadas aos estudantes foram as seguintes:

Durante a preparação para a Fase Final, as equipes receberam a Parte I do livro Caminhos e Fronteiras de Sérgio Buarque de Holanda, e indicamos quatro subcapítulos para serem observados com maior atenção (Veredas de Pé Posto, Iguarias de Bugre, Botica da Natureza e Frotas de Comércio). Em anexo você encontra esse material, que pode ser consultado.

1) Com base neste material, na leitura realizada anteriormente e em suas reflexões sobre esta leitura, responda:

a) Quais as idéias principais do texto? Identifique ao menos duas idéias que o autor apresenta e explique-as.

b) Como o autor descreve as relações entre os naturais da terra (índigenas) e os portugueses? Cite dois exemplos presentes no texto de Sérgio Buarque de Holanda e explique-os.

2) Ainda utilizando o texto de Sérgio Buarque de Holanda e sua reflexão sobre ele, responda:

a) Quais formas de abertura de caminhos e rotas o autor descreveu?

b) Quais são as idéias principais do subcapítulo “Frotas de Comércio”? Explique-as.

3) Ao longo da Olimpíada, abordamos temas importantes para a história, nas questões e atividades. Um deste temas foi a história oral. As equipes escolheram entrevistados, aplicaram questionários a eles, transformaram essas respostas em um texto e, posteriormente, transformaram esse texto em uma pequena reportagem. As informações iniciais, assim, foram se transformando ao longo do processo. Responda:

a) O que é história oral?

b) A história oral é uma forma mais completa e verdadeira de se fazer história? Justifique sua resposta.

Como se pode observar, as questões 1 e 2 incidiam na leitura e compreensão do texto de Sérgio Buarque de Holanda e a questão 3 recuperava um dos temas tratados durante a Olimpíada (por meio de questão e duas tarefas), ou seja, a história oral.

A questão 1 focava nas idéias principais do texto (e não na mera descrição de detalhes, por mais interessantes que fossem). Estas idéias principais remetem-nos à superação das fronteiras (seja a superação de fronteiras geográficas, seja a superação de fronteiras internas, na transformação que o português/bandeirante experimenta em contato com a nova terra), à idéia de trocas (como a troca de conhecimentos ocorrida no contato entre indígenas e portugueses num movimento de assimilação e aculturação) e à idéia dos caminhos que, inicialmente picadas na mata, vão transformar-se em rotas comerciais. A relação entre os indígenas e os portugueses, assim, não ocorrem como de “mão única”. Estabelece-se um aprendizado que se reflete, por exemplo, nos modos de caminhar pela mata, nas técnicas de sobrevivência e nos alimentos e remédios incorporados ao cotidiano. A relação entre portugueses e indígenas não é descrita pelo autor como necessariamente de aniquilação ou destruição, mesmo que a dimensão de exploração esteja presente. O português não chega “pronto” a este processo de colonização, mas aprende e “faz-se” por meio do contato.

A questão 2 prosseguia na compreensão do texto de Sérgio Buarque de Holanda, observando que os caminhos e rotas podiam se dar pelas picadas abertas na mata a pé, as entradas, as bandeiras, as monções e também pela atuação dos tropeiros. Neste sentido, as idéias principais contidas no capítulo Frotas de Comércio indicavam o estabelecimento das rotas comerciais, a troca comercial como definidora da conquista do território e a importância das monções e das bandeiras.

A questão 3 pedia uma definição de história oral, que poderia versar sobre o caráter metodológico da mesma (a forma como os dados são coletados e trabalhados) ou na percepção de que este trabalho baseia-se na oralidade, feita a partir da rememoração parcial e construída dos fatos vividos. Observamos que muitos erroneamente descreveram a tradição, ou a tradição oral (uma geração transmitindo oralmente seus conhecimentos à outra geração dentro de uma comunidade fechada), e não a história oral, que é a aplicação de um método específico para se fazer história. Ainda, a mesma questão oferecia uma definição simplista e errônea de história oral, e esperava-se que os estudantes observassem que a história oral não é uma forma mais completa e verdadeira de se fazer história. Ao longo dos comentários às questões da Olimpíada, salientamos que esta forma de produzir conhecimento histórico possui perigos e limites, sendo que ela ensina mais sobre como as pessoas lembram, do que sobre o passado em si.

FONTE: BLOG DA OLIMPÍADA DE HISTÓRIA

3 comentários:

Cecy disse...

Muito bom o material da Olimpíada

Natania Nogueira disse...

Sim, eles fazem um bom trabalho. Já estou cá me organizando para tentar uma vaga novamente em 2011.
:-)

Humberto disse...

Cool!