sexta-feira, 1 de outubro de 2010

BASTIDORES DA OLIMPÍADA DE HISTÓRIA


O que faz diferença na hora de participar de uma competição nacional, onde as chances de sucesso são limitadas e tudo está contra você?

A resposta é bem simples: dedicação.

Para chegar a essa conclusão, eu tive que ouvir o relato de uma mãe ontem a noite, na escola. Ela vou ver comigo o que era necessário para arrumar a documentação da filha, caso sejamos convocados na semana que vem. Pois bem, o que ela me contou, nunca imaginei. Não que fosse uma coisa improvável, não é isso. Mas as pessoas costuma julgar muito o outro sem conhecer.

Ela trabalha o dia todo e tem três filhos (se não me engano). A mais velha é minha aluna, com 13 anos. A rotina da menina é uma rotina bem puxada. Acorda cedo, arruma a casa, lava roupa, arruma o almoço para o pai e os irmãos, vai para escola, chega da escola e prepara o jantar para a mãe. Aí ela vai estudar.

Essa menina nunca chegou na minha aula sem um dever pronto e já passou de ano comigo. Mesmo assim, ela se empenha da mesma forma pois não quer vir com nota baixa. A mãe me contou que ela estava fazendo todo o serviço de casa, os deveres da escola e ficando até uma da madrugada (ou mais) estudando para as provas da ONHB.

Outra mãe, que por sinal foi ano passado na 1ª ONHB (é nossa aluna no curso norturno) disse que a filha passou as horas de folga estudando na apostila que eu montei ano passado para a equipe que participou da final. O pai do terceiro aluno me contou que aconselhou o filho a ler mais (achei ótimo o relato dele) porque a leitura seria fundamental para ele poder ter sucesso nas provas. E o menino se colocou a ler tudo que podia. Nenhuma das três famílias tem escolaridade superior ao ensino fundamental, não tem computador com ou sem Internet. Mas todos eles venceram e estão, agora, aguardando uma convocação para a final (que eu rezo muito para que consigamos).

Eu fiquei emocionada, sinceramente. Tive 15 equipes. Delas, 10 chegaram na quinta fase. Eu me perguntava até ontem porque apenas uma delas havia conseguido uma boa colocação se a orientação que eu dei foi a mesma, para todos. Não tratei alunos de escolas diferentes de forma diferente. Procurei não influenciar na hora de marcar as questões, pois queria que eles conseguissem cada vitória por si mesmos.

A resposta veio ontem, próximo das 20 horas, na escola, quando eu atendia aos pais: dedicação. Esse foi o diferencial, não há como negar.

2 comentários:

Cecy disse...

Estou torcendo pela sua equipe. Uma dedicação assim é um grande estímulo.

Natania Nogueira disse...

obrigada pelo torcida!
Não ganhamos mas chegamos longe!
:-)