sábado, 19 de outubro de 2013

NAS TRILHAS DE HONESTINO


O Testemunho da Verdade apresentou no dia 10 de outubro de 2013, em parceria com a Comissão da Verdade e Memória da UFRJ, uma sessão sobre o caso Honestino Guimarães, no salão nobre do IFCS /UFRJ, no centro do Rio de Janeiro.  O evento marcou os 40 anos do desaparecimento de Honestino contou com a presença de líderes políticos, estudantis, alunos e professores da instituição e foi aberto ao público em geral. 
Sobre Honestino Guimarães: dados Biográficos
Honestino Monteiro Guimarães nasceu em 28 de março de 1947 em Itaberaí, Goiás. Em 1964 ingressou na Ação Popular (AP), organização política clandestina. Em 1965, foi admitido na Universidade de Brasília, aonde veio a destacar-se como como líder estudantil. Suas ações o levaram a ser preso, por cinco vezes: a primeira vez em fevereiro de 1966; depois em fevereiro; pela terceira vez em 1967; pela quarta vez em agosto de 1967, tendo sido eleito presidente da Federação dos Estudantes da Universidade e Brasília (Feub), ainda no cárcere. Sua quinta prisão aconteceu em 29 agosto de 1968.
Em dezembro, se 1968, com a edição do AI-5, Honestino passou a viver na clandestinidade. Morou em São Paulo e em 1971 mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi eleito vice-presidente da UNE em 1969, na gestão de Jean-Marc von der Weid e em 1971 foi eleito presidente. Acreditava que a transformação social brasileira só poderia ocorrer pela ação dos trabalhadores organizados. Honestino não participou de ações armadas. A última prisão, no dia 10 de outubro de 1973, pode ter ocorrido por delação.[1]
O evento no IFCS/UFRJ
A sessão “Onde está Honestino Guimarães” contou com a presença da atual presidente da UNE, Vic Barros; o diretor do IFCS, Marco Aurélio Santana; da filha de Honestino, Juliana, Guimarães, de Wadih Damous, presidente da Comissão Estadual da Verdade (CEV) e de dois ex-companheiros e amigos de Honestino, Agostinho Guerreiro, militante, junto com Honestino, na organização Ação Popular (AP), e o vereador Eliomar Coelho, seu colega na UNB.  
Sobre as informações referentes à sua prisão e desaparecimento há apenas especulações. Ele teria sido preso pela Marinha ou levado para a Casa da Morte, em Petrópolis. Seu caso é considerado único, entre os desaparecidos, pelo fato de não ter havido testemunhas de sua prisão ou pistas sobre o seu paradeiro. Em busca de informações que levem à verdade sobre esses acontecimentos e ao túmulo do pai, Juliana Guimarães, lançou a campanha Trilhas do Honestino.
Vídeo exibido durante o evento - assista!
Algumas considerações
Toda a memória de amigos e familiares de Honestino, exposta por meio de um documentário exibido no início da sessão e dos relatos que o seguiram, mostram um líder carismático e que tinha uma grande sensibilidade e apego aos amigos e à família. De fato, se explora muito mais o lado afetivo e as relações de amizade de Honestino do que sua ação política, hora ou outra pincelada.
Constrói-se a imagem do amigo, do companheiro, do pai amoroso do bom filho. Do Honestino Guimarães, líder estudantil, membro ativo da AP, pouco se fala. A busca por Honestino se pauta no desejo de reescrever da história e de fazer justiça para a família. Na sessão, senti falta do Honestino líder político, do que ele pensava e defendia. Parece que houve uma dissociação entre um e outro. Como se se pudesse separar o líder do homem de família, como se os dois não fossem a mesma pessoa.
Por outro lado, foi enriquecedor ter um testemunho tão vívido de uma situação que foi muito mais comum do que se deveria: do sofrimento de uma família que deseja encontrar não apenas a verdade sobre o que aconteceu com um de seus membros, mas, também, colocar fim a uma história que espera por uma conclusão há quarenta anos.
Significativa, também, a articulação que se faz entre a ditadura e o contexto atual que vive o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, no que diz respeito à repressão. Quase todos os palestrantes tocaram nesse assunto e lamentaram a incrível semelhança entre a forma como se reprime as manifestações populares em 2013 e as que ocorreram durante os anos de ditadura.




[1] Honestino Guimarães. Biografia. Disponível em: http://honestinoguimaraes.com.br/biografia, acesso em 13/10/2013.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

EXPOSIÇÃO CONTA A HISTÓRIA DE LEOPOLDINA


Esta semana eu tive o prazer de poder visitar a exposição "Do feijão Cru ao Girassol Maravilhoso - fragmentos da memória Leopoldinense", que conta a partir de fotos e documentos uma parte da história de Leopoldina, apresentando à população alguns personagens da nossa história que para muitos são desconhecidos.

Visualmente, ela é deslumbrante. A curadoria conseguir colocar em um espaço limitado uma série de informações que formam uma espécie de linha do tempo, que abarca aproximadamente 150 anos de história. Nela, personagens como Augusto dos Anjos e Serginho do Rock dividem o mesmo espaço e contam suas histórias.

Há também documentos como jornais e livros que, segundo fui informada, estarão sendo constantemente trocados para que, a cada semana, o visitante possa encontrar algo novo. Eu, sinceramente, não me recordo de ter visto uma iniciativa parecida, aqui em Leopoldina.

Uma boa pedida para toda a família e, claro para as escolas. A exposição estará disponível para visitação até o final do mês de novembro. Vejam algumas fotos:






Onde está a criatividade?


Onde está a criatividade?

Esta é uma pergunta que tem sido cada vez mais difícil de responder. Como professora, eu tenho me sentido muitas vezes perdida.

Enquanto que a maioria esmagadora do sistema educacional brasileiro exige que os resultados das avaliações sejam os melhores, em termos numéricos, por outro lado a qualidade da aprendizagem tem deixado muito a desejar.

Há vinte anos atrás, quando comecei a lecionar eu imaginava que, no futuro, meus alunos seriam mais criativos, mais conscientes e mais comprometidos. Não que eu já não tivesse um bom conceito sobre eles. Muito pelo contrário. Em diversos momentos eles me surpreenderam com resultados excepcionais. Da década de 1990 guardo as melhores recordações, nesse sentido. Aqueles foram alunos que me marcaram, não pelas notas que tinham, mas porque eu via naqueles meninos e meninas um potencial enorme.

Hoje eu encontro com alguns deles e tenho uma sensação muito boa, porque eu sinto que eles estão felizes, que tem perspectivas para o futuro, eles têm sonhos, planos. 

Qual é a diferença daqueles alunos para os que possuem atualmente (com algumas exceções, claro)?

Eles foram e eram mais criativos.

Vou esclarecer o que eu penso sobre criatividade, antes de tudo. Para mim a criatividade é aquela capacidade de usar o raciocínio lógico de forma a encontrar soluções para problemas.

É a capacidade de superar desafios mesmo quando os recursos materiais e/ou humanos que se dispõe são limitados. A criatividade é aquela ferramenta fundamental para que uma pessoa possa suprir determinada falha ou mesmo a falta de determinado conhecimento.

É isso que tem, a meu ver, faltado aos meus alunos. Eles estão se habituando tanto a copiar e reproduzir que estão perdendo a oportunidade de desenvolver a criatividade. Fazer conexões, usar a lógica criar ao invés de copiar, têm sido operações cada vez mais difíceis.

Um exemplo simples: toda véspera de prova eles me pedem um resumo. Eles querem que eu condense em uma folha tudo aquilo que estudamos durante um ou dois meses. Toda véspera de prova eu repito o mesmo discurso: o resumo é a síntese do que VOCÊ estudou, portanto EU, PROFESSORA, não posso fazer isso por você.

Se eu fizesse, o que aconteceria?

Eles iram decorar, tirar notas boas e esquecer.
Eu prefiro uma nota regular, resultado do esforço e de um conhecimento realmente apreendido, do que uma nota máxima resultado da mera reprodução de um conteúdo decorado e que será, certamente, esquecido.

Percebem? Copiar, decorar e reproduzir.

Assim, claro, as notas serão boas. O aluno, de forma geral, não parece entender que ele deve produzir, deve usar seu raciocínio e chegar ao conhecimento. O professor orienta, mas ele não pode executar essa operação para o aluno. Isso é aprendizado.

Ah, mas os alunos não gostam de ler, logo não sabe interpretar, logo não consegue entender o que está escrito numa atividade.

Ah, mas o aluno tem um vocabulário ruim, não faz conexões simples. 

Nada disso é uma inverdade, mas eu percebi que estamos esquecendo-se da questão mais importante: isso é falta de criatividade. Tanto os professores precisam ser criativos e estimular a criatividade, quanto os alunos têm que ser levados a desenvolver sua criatividade, em todos os conteúdos, em todos os anos da educação básica e, inclusive, no curso superior.

(...) as habilidades criativas são de crucial importância no processo de preparação dos alunos para lidar com o mundo complexo e cheio de desafios. Contudo, percebe-se que a criatividade no contexto educacional, em geral, tem tomado como base para reflexão o senso comum e, assim, seu verdadeiro significado e implicações pedagógicas deixam de ser evidenciados. Essa situação pode levar à banalização da criatividade, que dessa forma será tratada com simplismo e permeada por mitos e crenças que lhe conferirão uma visão restrita.[1] 

O aluno criativo ele se expressa melhor, tem mais segurança para desenvolver atividades e é mais habilidoso para resolver problemas. Ele fala, escreve e age melhor.

Tenho uma amiga, Renata Arantes, que é professora de Artes no CEFET. No curso, ela procura usar a arte de forma a desenvolver essa criatividade. Ela trabalha a expressão corporal e verbal; ela desinibe os alunos que estão entrando no primeiro ano do ensino técnico por meio da criação, do teatro e até promovendo debates na sala de aula, permitindo que o aluno fale de si mesmo e ouça o que os outros estão falando. A aula de artes prepara o aluno para ser uma pessoa e um profissional mais criativo.

Outra amiga, professora de língua portuguesa, trabalha com produção de quadrinhos com alunos do nono ano. Ela consegue que eles se expressem através do desenho e da narrativa. Esses alunos também se tornam leitores mais competentes e mais interessados. Eles podem não ter o melhor domínio da gramática, mas possuem uma grande capacidade de expressão.

Essas duas educadoras, e eu poderia citar outras, dão a prioridade à criação, à criatividade. Uma vez que essa habilidade está desenvolvida e cristalizada, o aluno pode ter muito mais êxito como estudante, como profissional, como pessoa.

É importante ter em mente o fato de que as pessoas não nascem criativas. A criatividade é desenvolvida através de estímulos, desde a infância.

a expressão criativa não depende apenas das características individuais. O ambiente e o contexto sócio-histórico-cultural têm um papel fundamental na estimulação ou inibição do potencial criador de qualquer pessoa, pois somos seres sociais, influenciamos a cultura e o momento histórico e somos influenciados por eles.[2]

A escola é o espaço privilegiado onde essa criatividade pode ser estimulada. É preciso lembrar que, diariamente, crianças e jovens podem passar até seis horas em uma escola (ou mais). Pesquisas sobre criatividade apontam o professor como elemento indispensável para incentivar a criatividade.

Infelizmente, o próprio sistema de trabalho didático-pedagógico adotado pelas instituições de ensino acaba por contribuir para que o aluno não possa encontrar espaço para desenvolver sua criatividade.

Os fatores favoráveis ao desenvolvimento do potencial criativo são reconhecidos como necessários por parte dos professores, mas o cotidiano escolar é cheio de limitações e dificuldades que emperram o processo de construção de um ambiente favorável à criatividade.[3]

Estamos perdendo nossa capacidade criativa e perdendo a oportunidade de desenvolvê-la. Eu tenho visto a escola brasileira, no seu geral, ficando cada vez mais conservadora no sentido em que valoriza cada vez mais o resultado quantitativo em detrimento do qualitativo. Os números estão matando a criatividade e se confundindo com a qualidade.

Atualmente eles têm dominado nossa sociedade. Lembro-me, por exemplo, que os programas infantis dos canais abertos de televisão faziam sorteios de brinquedos para crianças que enviam cartinhas ou que participavam de uma brincadeira. Outro dia, vendo um programa infantil, fiquei desolada: as crianças participam agora para ganhar dinheiro. “O que você quer ganhar”, pergunta o apresentado. “Mil reais, responde a criança”.

Não é de se admirar que os jovens tenham escolhido suas profissões muito mais pelo valor do salário que irão ganhar do que pela sua aptidão. Os números estão matando a qualidade e impedindo o desenvolvimento da criatividade: o valor as notas, os prêmios em dinheiro, o valor do salário.





[1] ALENCAR, Maria Lima Soriano de OLIVEIRA, Eny da Luz Lacerda Eunice. Criatividade e escola: limites e possibilidades segundo gestores e orientadores educacionais. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 14, Número 2, Julho/Dezembro de 2010, p. 246.
[2] CASTRO, Julia Soares Rosa de, FLEITH, Denise de Souza. Criatividade escolar: Relação entre tempo de experiência docente e tipo de escola. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), Volume 12 Número 1 Janeiro/Junho 2008, p. 102.
[3] MARIANI, Maria de Fátima Magalhães, ALENCAR, Eunice Maria Lima Soriano de. Criatividade no trabalho docente segundo professores de história: limites e possibilidades. Psicologia Escolar e Educacional, 2005 Volume 9 Número 1, p. 27.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

LANÇAMENTO: EDUCAÇÃO INTERCULTURAL

Esta semana o professor Dr. Abdeljalil Akkari, membro da Comissão Suíça da Unesco, professor na Universidade de Genebra e membro do Département Fédéral des Affaires Étrangères, esteve em Juiz de Fora lançando seu novo livro, em conjunto com as professoras Mylene Cristina Santiago e Luciana Pacheco Marques

O prof. Akkari trabalha com educação internacional e com multiculturalismo. Confira o release do livro, que saiu pela editora Vozes.



Os capítulos deste livro convidam a fazer uma reflexão sobre os fundamentos teóricos e filosóficos da educação intercultural, como também a propor pistas e ferramentas que permitam operacionalizar o diálogo intercultural no cotidiano escolar. A obra representa um importante subsídio para todos os que se preocupam em fundamentar e desenvolver ações pedagógicas multiculturais, traçando panoramas e perspectivas para a área.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ENQUETE MOSTRA O QUANTO (NÃO) SABEMOS SOBRE A NOSSA HISTÓRIA

Alunos/pesquisadores do 7º ano A

Durante o ano, temos diversos feriados cívicos nos quais comemoramos fatos importantes da história do nosso país. Nesses dias, todos param para refletir acerca dos rumos que o Brasil deveria tomar, com base na nossa trajetória histórica. Em tese deveria ser assim. Na verdade, a cada feriado cívico ouvimos sempre alguém comentar: as pessoas gostam dos feriados porque ficam em casa, descansando, ou podem sair para viajar, elas não sabem o que estão comemorando.

Será que isso é mesmo verdade?

Será que nossa formação cívica é tão rasa?

Para tentar descobrir isso, os alunos do 7º ano da turma A do Colégio Imaculada Conceição foram às ruas e perguntaram às pessoas se elas sabiam o que se comemorava no dia sete de setembro. Foram noventa e cinco entrevistas, envolvendo pessoas entre 18 e 82 anos de idade, homens e mulheres, a grande maioria pertencendo à classe média.

Os resultados foram curiosos, assim como a reação dos entrevistados, muitos deles surpresos com as perguntas.  Das pessoas entrevistadas 94,7% sabem que no dia sete de setembro comemoramos a Independência do Brasil. Esse seria um resultado muito bom, acima de qualquer expectativa, caso não houvesse mais uma pergunta sobre o tema.

Ao serem inqueridos sobre o significado dessa data para o Brasil, 39% declararam não saber e outros 27,3% acreditavam que sabiam, mas suas respostas estavam incorretas. Apenas 33,7% responderam corretamente à pergunta. A maioria confunde a Independência do Brasil com o fim da colonização. Se você também faz isso, não sinta vergonha, é um erro bem comum. 

Eu mesma, quando estudei no ensino regular, aprendi que a Independência do Brasil significou o fim da colonização do nosso país. Apenas na faculdade eu percebi meu erro. Infelizmente, vinte anos depois muitas pessoas ainda reproduzem esse equívoco.

O Brasil deixou de ser colônia no ano de 1815, quando Dom João VI o elevou a Reino Unido, igualando-o a Portugal. Na Independência, o que aconteceu foi a separação do reino do Brasil do reino de Portugal. Assim, o Brasil passou a ter uma autonomia política plena.

Outro dado levantado durante a pesquisa pelos nossos jovens pesquisadores diz respeito aos nossos heróis nacionais. A maioria acertou quando respondeu que Dom Pedro I foi responsável pela proclamação da Independência. Mesmo aqueles que não sabiam o significado do fato reconheciam aquele que o havia efetivado. No entrando, 19% das pessoas acredita que Pedro Alvares Cabral foi quem proclamou a Independência do Brasil.

Essa atividade escolar nos oferece dados para refletir verdadeiramente sobre os rumos do nosso país, no que toca à educação, em especial àquela educação voltada para a preservação da nossa memória, que ocorre na escola, especialmente durante as aulas de história. Longe de querer o retorno das enfadonhas aulas de Moral e Cívica, acredito que deva haver preocupação em se ensinar não apenas os nomes dos heróis e dos fatos aos quais eles estão relacionados, mas, principalmente, seu significado.

Que a maioria sabe o que se comemora no dia sete de setembro ou que Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil não significa que todos sabem e entendem o que isso significa. Muito mais do que o feriado é importante pensar na formação do nosso povo, em dar a ele a oportunidade de compreender o significado daquilo que comemora para que ele não seja apenas um mero expectador da nossa história. Não é vergonha não ter conhecimento, a vergonha está em não haver investimento para que nossos professores sejam bem preparados para desempenharem bem seu papel de formadores dos nossos futuros cidadãos.

Leia abaixo alguns trechos do relatório feito pelos alunos ao final da pesquisa.

“A primeira pessoa que eu entrevistei foi a minha avó. ela ficou me contando histórias sobre a Independência, eu mal consegui entrevistá-la. Minha tia estava almoçando, por isso respondeu corrido e resolvi deixá-la em paz. Minha mãe não queria de jeito nenhum, ao contrário do meu pai que já foi se oferecendo. Minha irmã de sete anos começou a chorar, porque não sabia a resposta".

Ana Carolina Abreu Alves

"Na primeira e na terceira perguntas as pessoas entrevistadas responderam rapidamente e aparentemente com certeza. Na segunda pergunta, onde a pergunta é “Você sabe o que foi a Independência do Brasil?”, a maioria hesitou para responder e quando responderam não pareciam ter muita certeza em sua resposta e algumas corrigiram o que tinham falado logo depois".

Lara M. O Brügger

"A maioria das pessoas sabiam o que era comemorado no dia sete de setembro, mas a não sabiam o que era a Independência do Brasil. Quase todas sabiam que Dom Pedro I foi o personagem responsável pela proclamação. algumas ficaram bastante curiosas sobre o assunto e acharam legal. elas se surpreenderam ao perceber que não sabiam o que era a Independência do Brasil e ficaram curiosas para saber a resposta".

Laura Montan

"Pelo que notei, as pessoas confundem muito a Independência do Brasil que é dia 07 de setembro, com a Proclamação da República que é dia 15 de novembro".

Matheus Pacífico da Silva

"A maioria das pessoas se assustou com o tipo de pergunta e depois chutaram as respostas porque na verdade não sabiam o que estavam comemorando, algumas perguntaram por que esse tipo de pergunta, ou perguntaram para mim a resposta porque elas não sabiam fazer o trabalho foi muito divertido porque nunca pensar por esse lado".

Júlia Brito Moura Montan

domingo, 1 de setembro de 2013

A CHACINA DA LAPA - DITADURA MILITAR

Neste período eu me matriculei em uma matéria que trata da Ditadura Militar no Brasil. Eu confesso que não é um conteúdo que eu domine (e olha que sou professora há décadas) e que nunca me chamou atenção. Mas estou aprendendo muito e, acreditem, até gostando.

Quem é professor, ou tem qualquer outro tipo de profissão, sabe que a gente tem nossas preferências e acaba dando a elas mais atenção. Isso muitas vezes é um erro. Não há nada de errado em se especializar, muito pelo contrário, mas a gente tem que experimentar coisas "novas". 

No meu caso, está sendo muito bom. Agora nesse fim de semana eu estava lendo alguns textos para um trabalho sobre o PC do B e fiz uma descoberta. A Chacina da Lapa. Juro que não sabia nada sobre o assunto. Até porque, nono ano, quando trabalho o tema, normalmente não conseguimos fechar a matéria no final do ano ( é muito extensa). 

Bom, para quem, como eu, não sabe o que foi a Chacina da Lapa. Segue abaixo um pequeno esclarecimento:

Pedro Pomar

A Chacina da Lapa ou Massacre da Lapa foi uma operação do exército no comitê central do PCdoB, localizado no bairro da Lapa, em São Paulo. O comitê funcionava na ilegalidade e seus membros foram surpreendidos pela ação militar. No episódio morreram Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Outro dirigente, o economista João Baptista Franco Drummond, havia sido preso no dia anterior e, encaminhado ao DOI/CODI, foi assassinado[1].

Foto tirada no local da Chacina da Lapa
Fonte: http://www.apublica.org/2013/04/para-justificar-assistencia-militar-a-ditadura-eua-diziam-tortura-era-excecao/


Para saber mais sobre o assunto, eu fiz algumas buscas na internet e achei um vídeo com relatos de membros do PC do B. Não é longo, vale a pena tirar uns minutinho para ouvir.


[1] Chacina da Lapa. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chacina_da_Lapa , acesso em 30/08/2013.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

HOJE É DIA DO HISTORIADOR


O dia 19 de agosto foi escolhido para celebrar o Dia do Historiador, profissional que pode atuar no âmbito da educação, como professor, ou se dedicar à pesquisa. Ele também tem o papel de subsidiar ações, arquivos, museus e investigações arqueológicas.

Quem é o historiador, afinal? 

Desde antes de me formar na faculdade ouço as pessoas se apresentando como historiadores. Professor de História, então, adora fazer isso. Eu, particularmente, me tornei historiadora anos depois de formada, quando fiz minha especialização. Foi ali que eu comecei a entender e a praticar o ofício de historiadora. Quase 20 anos depois ainda acho que tenho muito que aprender. Afinal, historiador é aquele que coloca a mão na massa e que busca um constante aprimoramento por meio da pesquisa e da leitura. Ter um diploma não faz de ninguém historiador. 

E alguns dos melhores historiadores que eu já conheci, imaginem, nem eram formados em história. O historiador é aquele que encara a história de forma ao mesmo tempo séria e serena. Séria  poque sabe que tem compromisso com seu objeto de estudo, que não pode se render às paixões avassaladoras e por entender que o registro da sua pesquisa (seja por meio de livros, dissertações, teses ou simples artigos) poderá servir de arcabouço para pesquisas posteriores. Serena, porque deve manter sempre um grande equilíbrio, fugir da tentações e vaidades, muito presentes no meio acadêmico.


Assim, caro historiador, parabéns pelo seu dia e pelo seu trabalho, que vi durar enquanto dure a espécie humana.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

3ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LEOPOLDINA

Renata e Berê
Aconteceu neste último sábado, na Casa de Leitura Lya Müller Botelho, a 3ª Conferência Municipal de Cultura de Leopoldina. Eu, juntamente com Renata Arantes, Berê Salles e outras pessoas comprometidas, fizemos parte da comissão organizadora. 

Confesso que estava desanimada, a princípio, mas não podia negar ajuda, por menor que fosse aos colegas. Falar de cultura em Leopoldina é complicado, mas acredito que isso não seja uma realidade apenas nossa.


Público aguardando o início da Conferência

Eu me sinto, muitas vezes, em meio a um tiroteio onde se usam palavras como munição. Fulano que fiz que beltrano não faz o que tem que fazer que o sicrano não tem experiência ou conhecimento, etc. Muitas críticas ao que se faz ou ao que se deixou de fazer.

A gente se vê entrincheirado nesse conflito verbal, do qual muitas vezes acabamos participando. Nossas opiniões estão sendo formadas ali, muitas vezes ficamos perdidos sem saber direito em quem confiar (todos sempre acham que são donos da razão), sem saber onde estão os exageros, onde a vaidade se esconde (e ela sempre está presente). Enfim, a verdade é que, lá no fundo, estamos todos perdidos.

Independentemente dos resultados que puderem vir a ser colhido pela nossa sociedade com as ações e decisões dessa reunião, que foi importantíssima, eu acho que o maior ganho foi o fato de que nós estamos nos "achando".

Plenária final

Vendo a sala lotada, as pessoas tendo que se sentar no chão porque faltavam cadeiras para todos, naquela tarde de sábado, eu fiquei finalmente animada. Noventa pessoas reunidas onde se esperava apenas cinquenta.

Mais do que propostas, foi valiosa a presença da comunidade, representada de todas as formas, por pessoas de todas as idades e de formações variadas. Foi ali que eu finalmente me encontrei e, o que era uma desanimação, uma falta de fé no futuro da nossa comunidade, se tornou um injeção de ânimo.

Plenária final

Para mim, a conferência foi um sucesso. Não importa se você não tem experiência e se lhe falta conhecimento sobre determinado assunto, naquele dia um completava o outro e juntos tivemos a felicidade de poder sair de lá depois de quase oito horas de trabalho com a sensação de que Leopoldina tem uma cara nova.

Essa cara nova é representada por todos aqueles que tiraram praticamente metade do seu fim de semana, do seu momento de descanso, de lazer para fazer da nossa cidade, uma cidade melhor. Nesses momentos, vaidade não tem espaço, e comunidade ganha um sentido mais amplo.

Obs. Podem compartilhar, mas peço que não reproduzam meu texto sem minha devida autorização.


VALORIZANDO A CULTURA POPULAR EM LEOPOLDINA: CUMBUCA


Ás vezes o maior pecado é a falta de conhecimento, mesmo que involuntária. Eu me senti hoje uma pecadora porque não conhecia o trabalho do pessoal do Cumbuca. Para falar a verdade, eu acho até que já tinha feito uma visita ao site, há algum tempo, mas de forma corrida, sem dar a ele a devida atenção. O que, por sinal, torna meu pecado pior.

O que ele tem de especial? Ele é um site dedicado à cultura popular de Leopoldina. Um trabalho muito bonito, que reúne informações, imagens e relatos de quem participa de manifestações como a folia de reis e o congado. Gente nosso, fazendo uma coisa linda que muitas vezes, na escola, quando vamos pesquisar acabamos usando como referência grupos e pessoas de outra cidade.

Agora, em pleno mês do folclore, que fonte maravilhosa para se trabalhar com os alunos na escola. Falar o folclore, das tradições, dos costumes locais é muito mais interessante e traz a cultura popular para dentro da sala de aula não como algo que se lê nos livros, mas que se pratica na vida, alí do lado, no bairro vizinho, na área rural (que em Leopoldina nem sempre é tão distante assim).

Então, fica dica: http://cumbuca.org.br/, acesse, leia e conheça mais sobre nossas tradições.

domingo, 4 de agosto de 2013

PESQUISAS SOBRE QUADRINHOS ESTÃO EM DESTAQUE NO ST IMAGENS, REPRESENTAÇÕES E GÊNERO


O meu trabalho foi aceito no ST Imagens, representações e gênero, para o Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 - Desafios Atuais dos Feminismos se realizará em Florianópolis, Santa Catarina, entre 16 a 20 de setembro de 2013 e será promovido pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas, pelo Centro de Comunicação e Expressão, bem como por outros Centros da UFSC, em parceria com o Centro de Ciências Humanas e da Educação da UDESC.

Mas eu ainda não tinha olhado a programação do ST, nem mesmo no meu dia de apresentação, que será 17 de setembro. Para minha (grata) surpresa a maioria esmagadora dos trabalhos é sobre quadrinhos. E não são poucos são, ao todo, oito pesquisas sobre quadrinhos e charges. Veja os temas e seus respectivos proponentes.

17/09 - Terça-feira
  1. Lucilia de Sa Alencastro (Universidade Tuiuti do Paraná), Frederico de Mello Brandão Tavares (Universidade Federal de Ouro Preto) -  A Melindrosa e o Almofadinha: Representações de gênero nos desenhos de J.Carlos
  2. Bruna Batista Abreu (Universidade Federal de Santa Catarina) - Analisando representações de gênero no gibi Turma da Mônica Jovem
  3.   Alan Ricardo Witikoski (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Maureen Schaefer França (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) - As representações de gênero nos rótulos litográficos de Cachaça do Paraná
  4.  Iuri Andréas Reblin (Faculdades EST) - De filha do barro à filha de Zeus: representações do feminismo através dos tempos a partir de um olhar às histórias da Mulher Maravilha
  5.   Vinícius Liebel (Universidade de São Paulo) - De Saias na Guerra - Representações do feminino nas charges de Belmonte (1939-45)
  6.  Thais Mannala (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Marilda Lopes Pinheiro Queluz (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) - Melindrosas e Garotas: representações de feminilidades nos traços de J.Carlos e de Alceu Penna
  7.   Francielly Rocha Dossin (Universidade Federal de Santa Catarina) - Os diferentes “sonhos” femininos: As fotomontagens de Grete Stern e as fantasias de capa na revista Idilio
  8.    Natania Aparecida da Silva Nogueira (Universidade Salgado de Oliveira) - Representações femininas nos quadrinhos de aventura das décadas de 1930 a 1950
  9.  Isabella Cosse (Universidad de Buenos Aires) - “Ese monstruito”: Mafalda, género y generaciones en la Argentina de los 60´

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Onde está o Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Leopoldina?

Pois é, gente, existe o Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Leopoldina, ou pelo menos ele deveria existir. Foi criado pela a lei n. 1.662 de 13 de abril de 1984, durante o governo do prefeito Osmar Lacerda França. Nesse mesmo dia, a lei 1.663 decreta o tombamento municipal do imóvel localizado na rua Barão de Cotegipe, n. 386 que, se não me engano, é a casa de Augusto dos Anjos.

Fui à Câmara Municipal consultar algumas informações e me deparei com essa lei que, pasmem: está em vigor. Oficialmente nós temos um Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico. A lei de criação foi aprovada, o texto nunca sofreu modificação e ela nunca foi revogada. só não sei dizer se o Estatuto chegou a ser feito e aprovado pelo prefeito. É o caso de pesquisar (e se alguém sabe de alguma informação e quiser compartilhar fique a vontade).

Cito um trecho:

Art. 3º. O Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Leopoldina terá por finalidade incentivar as atividades culturais no município de Leopoldina e, colaborando com a Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG), exercer a proteção, no município, aos bens móveis, de que tratam o Decreto Lei Federal nº 25, de 30 de novembro de 1937 e a Lei Estadual nº 5775, de 30 de setembro de 1971 e Legislação posterior.

Eu estou deixando disponível a lei, cuja cópia solicitei para análise, no scribd. Aguardo comentários!



Obs. Fiquem a vontade para copiar a lei, ela é de todos, mas peço que não reproduzam meu texto sem minha devida autorização

Imagens de Recreio na década de 1920

Quando acho que o facebook não ia me trazer nada além dos convites para jogos que eu detesto, aprece uma relíquia que me me fez ganhar um dia. Um vídeo com cenas de Recreio na década de 1920. Oras, nessa época, Recreio ainda era distrito de Leopoldina, portanto são cenas que fazem parte da história de Leopoldina.

Trata-se do registro das curas milagrosas do Professor Mozart, médium espírita que atendia na Estação de Recreio. Apresentado por Nóbrega da Cunha, Secretário da Sociedade Brasileira de Estudos Psíquicos. A divulgação das curas mediúnicas do Centro Espírita de Recreio era feita pelo jornal Vanguarda, através do seu jornalista Rubey Wanderley. 

O vídeo conta, entre outras coisas, com um registro da presença do chefe político local, o Deputado José Minteiro Ribeiro Junqueira. Ele mostra cenas do cotidiano e a ferrovia ainda em funcionamento, com passageiros chegando e embarcando. Há ainda a arquitetura da época,sobrados, casas, hotéis e outros ambientes. temos também uma amostra do vestuário característico da época, muito diferente daquilo que normalmente vemos nas novelas.


E vai o crédito a quem é de direito. O vídeo foi divulgado no facebook por Leonardo Ribeiro, pesquisador em Recreio.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Artigo sobre mulheres negras e quadrinhos publicado na revista IDENTIDADE!


IDENTIDADE!remédios emagrecer é um periódico online semestral multidisciplinar de livre acesso (ISSN 2178-437X) do Grupo de Pesquisa Identidade da Faculdades EST (Escola Superior de Teologia). Publica textos inéditos e revistos em português, inglês e espanhol, em língua vernácula e traduzidos, de docentes e discentes vinculados a um programa de pós-graduação que versem sobre a questão negra em diferentes contextos sociais, culturais, religiosos, temas atinentes à questão da diversidade e da identidade, especialmente, no contexto brasileiro. Tem por finalidade ser um espaço de reflexão interdisciplinar e inter-religiosa, estimulando o debate por meio da divulgação da produção acadêmica e científica sobre temas relacionados à questão negra nas diferentes ciências. Missão: Promover a socialização da produção acadêmica acerca da questão negra. Ser um registro histórico e público do debate científico de temas atinentes à negritude, à identidade e à diversidade. Propagar o conhecimento científico acerca da questão negra.remédios emagrecer

Estou com um artigo publicado nele: 

JACKIE ORMES: A OUSADIA E O TALENTO DA MULHER NEGRA NOS QUADRINHOS NORTE-AMERICANOS (1937-1954)

Natania Aparecida da Silva Nogueira


RESUMO



O presente texto faz uma análise das representações da mulher negra nos quadrinhos publicados nos Estados Unidos. Passando por histórias em quadrinhos de aventura e de humor, buscaremos identificar a evolução de personagens femininas tendo como referência a produção de Jackie Ormes, jornalista negra que publicou quadrinhos entre os anos de 1937 e 1954 e é considerada a primeira mulher negra a publicar quadrinhos.

O texto pode ser baixado (em pdf) na página da revista, clicando aqui!