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sábado, 15 de abril de 2023

ENTRE A VIDA E A MORTE APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS E O TEMA DO SUICÍDIO EM W: TWO WORLDS

Publiquei um artigo que eu escrevi em 2020 a  partir do K-drama "W: two worlds". Foi minha primeira experiência tendo como fonte esse tipo de produção midiática. Eu particularmente adorei o resultado e, também, a experiência.

O artigo em questão acabou de sair na nova edição da revista Cajueiro,  segue o resumo.

"A obra W: Two Worlds, se descortina como bem cultural híbrido, criado nas mídias k-drama e manhwas, em intersemiose e dialogicidade dos enredos. O k-drama é um formato de programa criado para televisão, enquanto os manhwas são as histórias em quadrinhos coreanas. W: Two Worlds é um exemplo ímpar de hibridação, pois não apenas se apropria de alguns aspectos da linguagem dos quadrinhos, mas também, em muitos momentos, insere os quadrinhos na narrativa central. Dos efeitos especiais, que transformam páginas de quadrinhos em cenas “reais”, personagens de quadrinhos em personagens “reais”, aos debates entre os personagens acerca das regras e variáveis do mundo do manhwa, W: Two Worlds inova, ao colocar em cena a própria lógica do trabalho criativo dos autores de quadrinhos. Desse modo, este bem cultural se apresenta como mediador de leitura, não apenas pelos efeitos de animação de animação, mas a inserção do manhwa no k-drama. Esse encontro de linguagens e mídias pode ainda ser observado em outras produções e mostra como a influência da literatura ocidental está presente e se mistura com as narrativas do leste asiático.!

Quem quiser conferir o artigo completo, é clicar aqui! 

sábado, 17 de setembro de 2022

OS DEZ ANOS DA ASSOCIAÇÃO DE PESQUISADORES EM ARTE SEQUENCIAL


Há um pouco mais de 10 anos surgiu em Leopoldina (MG), a Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial - ASPAS. Leopoldina é uma cidade do interior da Zona da Mata de Minas que, particularmente, não tem nada de especial, nem alguma ligação forte com os quadrinhos. Por exemplo, não temos um grande nome como Maurício de Sousa, que seja nativo daqui. Mas temos uma gibiteca escolar, a primeira, acredito, que foi criada e reconhecida como tal, em uma escola pública. E tudo começou com essa pequena gibiteca.

Por conta dela, o município acabou investindo muito na formação de professores e tivemos vários encontros envolvendo  pesquisadores que trabalham com quadrinhos, nas mais diversas disciplinas, com objetivo de trazer novas possibilidades para o uso dos quadrinhos em sala de aula. Por conta disso, a cada ano, desdes 2007, a cidade recebeu muitos nomes importantes neste campo como, por exemplo, o professor Waldomiro Vergueiro e a professora Sonia Luyten, ambos pioneiros na pesquisa dos quadrinhos na USP. E, em meio, a isso nasceu a ideia de se criar uma associação que reunisse pesquisadores, organizasse encontros entre eles e fomentasse a produção de conhecimentos a partir do uso dos quadrinhos, tanto do ponto de vista acadêmico quanto didático. 

Com mais de 60 associados, a ASPAS foi além das expectativas e se fez presente em quase todo o território nacional por meio de seus associados. Mais do que isso, ela possibilitou a integração e produção de saberes numa escala antes nunca vista. Hoje podemos oferecer a quem deseja ingressar na pesquisa dos quadrinhos obras de referência dos mais vaiados temas. Esse talvez tenha sido o nosso maior mérito.

A ASPAS, particularmente, mudou minha vida. Eu não apenas tive a possibilidade de conhecer pessoas que me ajudaram muito com o trabalho na escola e com a pesquisa como, também, consegui alçar voos  maiores na minha carreira. De outro lado, forjaram-se amizades que se fortalecem a cada ano. Dito isso, gostaria de convidar a todos e todas a conhecer a ASPAS e as obras que ela disponibiliza no seu blog.

Clique aqui para saber mais sobre a ASPAS e, aqui, para ter acesso a livros produzidos pelos seus associados, disponibilizados gratuitamente.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

OS 50 ANOS DO I CONGRESSO INTERNACIONAL DE QUADRINHOS


I Congresso Internacional de Quadrinhos - MASP - 1970. Imagem retirada do livro "50 anos: edição Comemorativa da Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos (2001)", de Álvaro de Moya.

Novembro passado o I Congresso internacional de Quadrinhos, que ocorreu no Museu de Arte de São Paulo (MASP), entre os dias 23 e 29 de novembro, de 1970, completou 50 anos. O evento teve como instituição de fomento a Escola Panamericana de Arte, fundada em 1963 pelo artista plástico Enrique Lipszyc, um dos idealizadores do congresso.  O acontecimento representou um marco para a pesquisa acadêmica sobre quadrinhos e uma mostra da crescente valorização dessa mídia, que, ao longo dos anos de 1950, sofreu um forte preconceito por parte de setores conservadores da sociedade.

Se ainda havia aqueles que ainda consideravam a leitura de quadrinhos nociva, crescia e se fortalecia um grupo de intelectuais, artistas e educadores que percebiam os quadrinhos como algo além de uma forma de entretenimento barata. Isso pode ser observado tanto em âmbito local quanto nacional. Naquele ano de 1970, escolas da educação básica receberam cartilhas educativas na forma de quadrinhos e os correios, em benefício da Federação das Entidades na Luta Antituberculose do Estado de São Paulo (FELASP), promoveram uma campanha para venda de seloscom os personagens da Turma da Mônica.[1]

São Paulo se destacava não apenas como um polo produtor de quadrinhos mas, também, como irradiador de pesquisas. Nada mais natural que partisse de lá a iniciativa para se colocarem os quadrinhos em debate, a partir de um evento acadêmico, reunindo não apenas autores como pesquisadores. No âmbito local, o I Congresso Internacional de Quadrinhos recebeu atenção de jornais da capital e do interior do Estado de São Paulo, tanto pelo tema abordado quanto pelos convidados, brasileiros e estrangeiros.

A Tribuna, jornal de Santos, no litoral, dedicou quase meia página para noticiar o evento no MASP, destacando a presença estrangeira[2]. Nomes consagrados da indústria dos quadrinhos, representando gêneros e tendências diferentes.

Tabela

* Dados biográficos retirados da wikipedia e da Enciclopédia dos Quadrinhos.

Paralelamente, Pietro Bardi (criador do MASP) e Enrique Lipszy foram responsáveis pela curadoria de uma Exposição Internacional de Quadrinhos, narrando a história da mídia a partir de 1900. A exposição ficou aberta ao público até 15 de dezembro daquele ano. Um dos colaboradores da exposição foi escritor e ilustrador santista Diamantino Silva. 

No dia 23 de novembro, a Folha de S. Paulo colocou os quadrinhos ao lado de Cândido Portinari e de Mário Gruber em uma matéria sobre o início da Exposição Internacional de Quadrinhos, no dia 23 de novembro. [...] “No museu de arte a manifestação das histórias [sic] em quadrinhos com cerca de 400 trabalhos de autores nacionais e do exterior abre-se hoje, às 19 horas, o que poderá ser vista até janeiro: esta [sic]montada no primeiro pavilhão da instituição.”[3]

I Congresso Internacional de Quadrinhos - MASP - 1970. Imagem retirada do livro "50 anos: edição Comemorativa da Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos (2001)", de Álvaro de Moya.

A imprensa fluminense também cedeu espaço para o I Congresso Internacional de Histórias em quadrinhos. O Jornal do Brasil e o Diario da Noite, por exemplo, publicaram matérias detalhadas sobre o evento e seus participantes, até mais completas do que os jornais paulistas. Numa delas, destacou-se um dos temas que foram debatidos durante o evento: a questão dos direitos autorais. 

O Jornal do Brasil ainda trouxe a toma uma questão relevante: as dificuldades que o evento encontrou, sendo a maior delas a falta de verba para trazer especialistas. Enrique Lipszyc de ao Jornal do Brasil o seguinte depoimento:  “Não tivemos apoio de ninguém [...] ficaremos sem a participação de grandes psicólogos, sociólogos, estudiosos dêsse [sic] meio de comunicação. A verba não deu. Apesar disso, conseguimos trazer grandes desenhistas do gênero, façanha que nem o Congresso de Lucca, na Itália, conseguiu até hoje.”[4]

A década de 1970 foi marcada por outras iniciativas de cunho acadêmico com o objetivo de valorar os quadrinhos, tanto como objeto de estudo quando arte. Livros de autores como Umberto Eco foram traduzidos para o português. Um exemplo é “Apocalípticos e Integrados", um clássico do semiótico italiano,  publicado em maio de 1970[5]. Ainda neste ano, Álvaro de Moya, um dos organizadores da I Exposição Internacional de Quadrinhos de 1951, publicou o libro teórico Shazam!  Aos olhos de muitos, os quadrinhos nas escolas e na academia apareciam como sendo uma tendência.

Por todo o país exposições sobre quadrinhos eram recebidas em espaços considerados nobres e/ou monopolizados pela elite cultural e intelectual brasileira.  Em 1970, antes do I Congresso Internacional de Quadrinhos e a Exposição Internacional de quadrinhos no MASP, em fevereiro, a Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Campinas promoveu uma exposição de quadrinhos no Museu de Arte Contemporânea daquele município. A exposição não só incentivava a leitura dos quadrinhos como, também, recomendava seu uso nas escolas. 

A Faculdade de Comunicação da UnB e a Fundação Cultural do DF realizaram uma Exposição de Histórias em Quadrinhos que, segundo o professor Francisco Araújo promovia uma [...] “ideia mais vasta de cultura [...]” porque “[...]os problemas contemporâneos estão colocados diariamente nas tiras das histórias em quadrinhos”.[6]

A ocorrência de um congresso de grande porte num espaço nobre como o MASP, fez-me entender mais profundamente o longo percurso que os quadrinhos trilharam desde o século XX até os dias atuais em busca de reconhecimento. Reconhecimento enquanto forma de leitura, como mídia, arte e também como instrumento de ensino e pesquisa. É importante pensar que, há cinquenta anos, estávamos conquistando a primeira grande vitória após uma longa caminhada. 

Cinquenta anos depois, o que temos são uma coleção de outras vitórias com a expansão do campo de estudos dos quadrinhos para além das ciências da comunicação. Atualmente são realizadas pesquisa multidisciplinares envolvendo essa mídia/arte, que é fruto da cultura material dos últimos dois séculos. Foram criados grupos de pesquisas tanto independentes como vinculados às universidades. 

Em 2012, surgiu a Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial – ASPAS, que reúne mais de 70 pesquisadores em constante intercâmbio e com uma considerável produção anual de conteúdo acadêmico.  Para 2021 a Escola de Comunicação e Artes da USP (ECA/USP), em São Paulo, já este preparando sua 8ª Jornada Internacional de Quadrinhos, evento que reúne anualmente cerca 300 pesquisadores, das mais diversas disciplinas, numa busca constante pela valorização e reconhecimento dos quadrinhos como objeto de estudo.



[1] Campanha com selos. A Tribuna, Santos, 19 de set. de 1970, n. 162 p. 6.

[2] Tarzan, Mandrake e Fantasma em discussão neste Congresso. A Tribuna, Santos, 12 de novembro de 1970, n. 215, p. 06.

[3] Portinari, Quadrinhos, Gruber, Primitivas e de nova visão. Folha de s. Paulo 23 de novembro de 1970, p. 11, n.15135.

[4] Congresso Internacional de Quadrinhos debaterá direitos autorais. Jornal do Brasil, 17 de nov. 1970, Rio de Janeiro, nº 192, 1º Caderno, p. 15

[5] A Tribuna, Santos, 9 de maio de 1970, n. 37 p. 15.

[6] A história que os quadrinhos não contam. Fato Novo, São Paulo, editora verde Amarelo, p. 6, nº 20.

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

REAL LIFE: COMO OS COMICS REPRESENTAVAM O BRASIL DURANTE A II GUERRA

Durante o meu mestrado eu consultei muito o acervo do Comic Book Plus, um site com scaners de quadrinhos (comics), notadamente da "Era de Ouro" dos quadrinhos nos Estados Unidos. Se não engano, todos já em domínio público. Retirei muito material de lá para escrever artigos e minha dissertação de mestrado. Hoje o amigo Pedro Bouça indicou a leitura de um comic publicado em 1944, disponibilizado no Comic Book Plus. Um achado, por várias razões.

Primeiro, primeiro porque é um documento que registra o discurso oficial dos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial. Segundo porque  por meio dele podemos ter acesso a representações do Brasil, a partir o olhar estadunidense. A revista, cujo título já renderia uma longa problematização, chama-se Real Life Comics (Quadrinhos da Vida Real) #19, de setembro de 1944. Uma revista que diz trazer "As verdadeiras aventuras dos maiores heróis do mundo". 

Ela está dividida em nove partes, cada uma com uma HQ que ou enaltece os feitos heroicos de um aliado dos Estados Unidos, ou fala dos esforços destes mesmos aliados em manterem a democracia. A publicação passa a ideia de ser baseada em fatos históricos.

Dentro do espírito da política da boa vizinhança, o título do editorial da revista é "Good Neighbors". Resumidamente, o editor detona Hitler e enaltece os valorosos vizinhos, latino-americanos, que estão lutando pela democracia. Discurso próprio da época e até certo ponto crível, se não fosse um detalhe: ele apresenta ditadores latino-americanos como sendo defensores da democracia. 

Vamos pegar o exemplo do Brasil, cuja história é contada desde a chegada de Cabral, na quarta HQ da revista, cujo título  é Brazil. No primeiro quadrinho nosso país é apresentado da seguinte forma: "O colosso das Américas promete a ajuda de 45 milhões de bons vizinhos e uma reserva infinita de matérias-primas... para a salvaguarda a democracia pan-americana." Destaque para a parte da "reserva infinita de matérias-primas". Como todo bom país imperialista, os Estados Unidos estavam de olho nas nossas reservas naturais.

Em seguida temos a um breve resumo da história da colonização Portuguesa, passando pela descoberta e até citando a invasão de Pernambuco pelos holandeses que, pasmem, segundo o quadrinho, que está mostrando a "Vida Real", tomaram a região com o objetivo de cultivar açúcar e...CAFÉ! 

Pois é, também fiquei assustada com o fato de que já no século XVII os holandeses produziam e exportavam café em larga escala. Pelo menos não omitiram a escravidão dos indígenas no início da colonização, no entanto, não citam os escravos africanos. Mas calma, a  cereja do bolo ainda vai chegar. Segundo a HQ, os bravos bandeirantes encontraram ouro na... AMAZÔNIA.

Seguindo um pouco mais, temos a chegada da família real portuguesa, Dom Pedro I proclamando a independência. Dom Pedro II aparece como a pessoa que semeou a democracia no Brasil, ao se colocar contra o trabalho escravo (agora citaram os escravos, mas não sua origem africana). Falar em democracia durante o século XIX, quando o Brasil é uma monarquia autoritária, e três poderes (legislativo, executivo e judiciário) são limitados pelo poder moderador que é de uso exclusivo do imperador, é pra lá de confuso.

Outra coisa, no quadrinho, nosso Imperador declara que ele deseja que todos os brasileiros possam usufruir dos mesmos direitos não importando a cor. Peraí? Mas cadê a Princesa Isabel? Pois é, ela não aparece quando o assunto é a abolição, dando a entender que Dom Pedro II é o libertador, aquele que aboliu a escravidão no Brasil. As mulheres raramente aparecem na HQ, e quanto o fazem é apenas para compor o cenário.  

A HQ apresenta Dom Pedro II como vítima de um golpe, acusado de ser um ditador após ter libertado os escravos. Deodoro é apresentado como um inimigo da democracia e é substituído por Floriano. Não que Deodoro da Fonseca não tenha tido uma tendência autoritária, mas Floriano estava longe de ser um democrata. Além disso há um contexto bem maior por detrás da sua renúncia, que não é citado em nenhum momento. Aliás, vale destacar que os uniformes dos militares brasileiros e do próprio Dom Pedro II parecem tirados de um filme/quadrinho da Guerra da Secessão.

Mas eles foram meticulosos e até citaram a participação da marinha brasileira e da força aérea na Primeira Guerra Mundial. Que não foi tão heroica como o quadrinho deixa a entender. Na verdade modesta e até teve episódios vergonhosos. 

Ficamos famosos pelo episódio da "Batalha das Toninhas", no qual o encouraçado Bahia confundiu um cardume de toninhas com um submarino alemão, mantando cerca de 46 delas e manchando o mar no Estreito de Gibraltar de vermelho. As toninhas são mamíferos dóceis parecidos com o golfinho. Um verdadeiro crime ambiental.


Mas nada supera o final da história, contada segundo a visão dos Estados Unidos. A emergência do Movimento Integralista no Brasil, durante o governo de Getúlio Vargas. E, acreditem, Vargas é apresentado como um defensor da democracia (estamos na ditadura do Estado Novo) e inimigo dos fascistas (os mesmo que o ajudaram a dar o golpe do Estado Novo). Ele até atira contra um integralista! Quase um Clint Eastwood gaúcho. 

Aliás, o quadrinho da "Vida real" fala de uma tentativa de invasão alemã ao Brasil que foi refutada pelo povo e pelo exército e que leva o povo Brasileiro a pedir que o país entre em guerra. Detalhe, a bandeira do Brasil é representada como sendo vermelha. 

Conteúdo ideológico a parte, Real Life Comics é uma obra de ficção os início ao fim. Ela faz uma paródia da história do Brasil, contada a partir do discurso que os Estados Unidos queriam propagar entre seus cidadãos. A palavra democracia é utilizada de forma anacrônica e abusiva e os autores da HQ não tiveram o trabalho de fazer uma pesquisa descente sobre o Brasil, reescrevendo a nossa história de forma grosseira. Nem mesmo a bandeira brasileira foi representada corretamente.

Mas é um documento riquíssimo e que pode ser utilizado em sala de aula justamente para incitar os alunos a apontarem os erros e a pesquisarem sobre a História do Brasil. Como professora eu me sinto estimulada a usar este documento em atividades em sala de aula e mesmo em avaliações. Como pesquisadora, me interessa as representações que estão presentes no quadrinhos e as apropriações que foram feitas dele.

O autor dessa HQ sobre a história do Brasil é Henry Carl  (1890 - 1957) Kiefer, quadrinista estadunidense que participou da produção da série Classics Illustrated. Sua formação em artes era francesa, estudou no Julian Atelier em Paris, França. Trabalhou em projetos de várias editoras e foi muito ativo até 1953.

Quem quiser conferir a história na íntegra, basta clicar aqui! Para quem se interessou pela HQ, há outros números dela, que podem resultar em um ótimo estudo de caso ou mesmo num projeto para mestrado ou doutorado.

domingo, 23 de dezembro de 2018

ARTIGO SOBRE HUMOR NOS QUADRINHOS SUECOS PUBLICADO NA REVISTA ÁRTEMIS

Meu presente de Natal adiantado: saiu o v. 26, n. 01 da Revistas Àrtemis, com o dossiê: O humor das mulheres e as mulheres no humor. Publiquei um artigo na revista (o melhor texto que eu escrevi em 2018, na minha opinião) e convido a todos que se interessarem visitarem o site do periódico. E não façam isso só por mim: há excelentes artigos sobre quadrinhos e humor na publicação. A publicação pode ser acessada clicando aqui!

Seguem o resumo e o abstract do meu artigo!

Um breve panorama do humor nos quadrinhos feministas suecos a partir da obra de Nina Hemmingsson, Malin Biller e Liv Stronquist 
A brief overview of the humor in Swedish feminist comics from the work of Nina Hemmingsson, Malin Biller and Liv Stronquist


RESUMO 
A Suécia é um país que possui tradição tanto na produção quanto na participação das mulheres na cena dos quadrinhos. Mas, no início do século XXI estas mulheres passaram a ter um papel ainda maior graças a todo um contexto sócio-político que conduziu a Suécia a grandes mudanças. Foi importante nesse processo o movimento feminista e a disposição da sociedade em debater acerca da equidade de gênero. Os quadrinhos tiverem seu lugar nesse debate através de produções com um viés feminista, no qual o humor teve uma presença marcante. Para o presente artigo, utilizamos, como exemplo dessa produção, os quadrinhos de três autoras pertencentes a essa nova geração: Nina Hemmingsson, Malin Biller e Liv Strönquist. Por meio desses quadrinhos, notadamente satíricos, é possível notar a construção e descontração dos papéis de gênero assim como do próprio discurso feminista, que dá aos quadrinhos a qualidade de tecnologias de gênero. Palavras-chave: Suécia, Histórias em Quadrinhos, gênero. 

ABSTRACT 
Sweden is a country where we can see traditions both in production and in women’s participation in comic books scene. However, in the early 21st century these women started to have a bigger role thanks to the socio-political context that led Sweden to great changes. The feminist movement and the society will to discuss about gender equality were important in this process. Comic books had their place in this discussion through feminist productions where humor had a strong presence. In this article, we had comics of three authors belonging to this new generation as examples of these productions: Nina Hemmingsson, Malin Biller and Liv Stronguist. By means of these comics, clearly satirical, it is possible to notice the construction and informality of the gender role as well as the feminist discourse itself which offers gender technology quality to the comics. Keywords: Sweden, Comics, genre.

A Revista Ártemis é um periódico semestral, interdisciplinar, vinculada aos Programas de Pós Graduação em Sociologia e Programa de Pós Graduação em Letras da UFPB, dos quais recebe financiamento para editoração. Seu conteúdo é voltado para a "divulgação da produção científica no campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades, dentro de uma perspectiva interdisciplinar, aborda fenômenos socioculturais a partir de análises históricas, literárias, culturais, psicológicas, etc. Os objetivos são: contribuir para a construção de novas abordagens teóricas e metodológicas de investigação e reflexão; e, difundir artigos nacionais e internacionais, pesquisas originais, resenhas e traduções" (*). 

Aproveito a postagem para divulgar a chamada para publicação de artigos da revista Tempo & Argumento - revista de história do tempo presente, para o dossiê: Mulheres, Humor e Cultura de Massa. Mais informação, clique aqui!

(*) Dados retirados do site do periódico.

domingo, 28 de outubro de 2018

SOBRE O IV COLÓQUIO SUL DE ARTE SEQUENCIAL

Nos dias 12 e 13 de outubro do ano corrente ocorreu na EST - São Leopoldo (RS), o IV Colóquio Sul de Arte Sequencial, sob coordenação do Professor Doutor Iuri Andreas Reblin, ex-coordenador Geral e sócio fundador da ASPAS. O evento reuniu, pela quarta vez, pesquisadores do Rio Grande do Sul e regiões vizinhas que se dispuseram a abrir mão do feriado de 12 de outubro e do sábado para participarem de atividades acadêmicas sobre quadrinhos.

A EST, seu campus oferece uma estrutura fantástica para receber encontros acadêmicos. Além de ceder salas e mesmo prédios inteiros para as atividades ainda há a possibilidade de se hospedar dentro da Universidade na Casa Matriz de Diocesanas, que oferece acomodações superconfortáveis e um ambiente tranquilo para quem quer descansar depois de um dia todo de trabalho/estudo.
Campus da EST - São Leopoldo - RS.
Apesar de ser um evento derivado da ASPAS, esta foi a primeira vez que eu participei do Colóquio Sul de Arte Sequencial e pretendo participar novamente nos próximos anos. É um encontro bem típico da ASPAS, intimista, possibilitando debater mais a fundo com colegas, um ambiente descontraído e super proveitoso. Muito diferente dos encontros monumentais onde somos bombardeados de informações e o aproveitamento é muito pequeno. 

Conferência de abertura do IV Colóqui Sul de Arte Sequencial.
É o que acontece, por exemplo, nos encontros da ANPUH, principalmente os nacionais. O tempo é subaproveitado, pois geralmente ficamos atados a simpósios temáticos, obrigados a e escolher entre centenas de salas. Muita oferta e um risco ainda maior de não fazer uma boa escolha. Tenho preferido, por isso, os encontros pequenos. Acho-os mais produtivos, tanto no aproveitamento do tempo quando na qualidade dos debates.

Em linhas gerais eu posso dizer que foi revigorante poder estar junto aos meus pares nestes dois dias e, também, muito produtivo. Além de reencontrar amigos, nasceram novas amizades e novas ideias para projetos futuros.
Livros e canecas comercializados durante o IV Colóquio Sul de Arte Sequencial.
Outro encontro da ASPAS, que aconteceu nos dias 25 e 26 de outubro, foi o I ASPAS Norte, na Universidade Federal do AMAPÁ. Foi o primeiro encontro realizado na região norte e, assim como o Colóquio Sul de Arte Sequencial, lançou a bases para novos eventos envolvendo quadrinhos e cultura pop, tão importantes para entendermos a dinâmica social do século XXI. 

domingo, 21 de outubro de 2018

INSCRIÇÕES PARA O 30º SIMPÓSIO TEMÁTICO DE HISTÓRIA DA ANPUH


O 30º SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA ocorrerá na cidade de Recife, entre os dias 15 e 19 de julho de 2019. O encontro é organizado a cada dois anos pela ANPUH (Associação de História) e conta com a participação de historiadores e professores de todo o país.

O tema para 2019 é de extrema importância, uma vez que levanta a questão do futuro da disciplina e como devemos estar preparados para ele. Em tempos em que a emergência de um pensamento reacionário, que demoniza o ensino de história, é preciso mais do que nunca abrir para o debate e buscar formas de fortalecer a educação no Brasil. 

Curiosamente, foi em Recife que participei pela primeira vez de um Simpósio da ANPUH, em 1995 (só havia participado, até então, de encontros regionais). Foi uma experiência única, um marcador de águas na minha vida profissional, por assim dizer. É com um certa nostalgia que pretendo participar de mais este.

As inscrições para COORDENADOR(A) DE SIMPÓSIO TEMÁTICO e para COORDENADOR(A) DE MINICURSO já estão abertas. Os requisitos são: estar associado à ANPUH, com a anuidade em dia, e ter título de doutor(a).

O prazo para inscrição nas modalidades indicadas acima é até o dia 6 de novembro e 2018.

Para mais informações ou inscrever-se, clique aqui.

Participe e colabore na divulgação!

Caso haja interesse de associar-se para poder inscrever-se nas modalidades acima, indique que acesse o site da ANPUH-Brasil.  

 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE AS 5ªS JORNADAS INTERNACIONAIS DE QUADRINHOS DA USP

Meu crachá!
Em pouco menos de um mês eu participei de dois encontros acadêmicos sobre quadrinhos. Foi uma verdadeira maratona, ainda mais no início do doutorado. Primeiro porque existe toda aquela logística de escrever o artigo, preparar a apresentação, deixar as coisas mais ou menos encaminhadas no trabalho para poder me ausentar. Mudou toda a minha rotina e isso vem com um custo, que devo quitar nos fins de semana e feriados, só para constar. Do primeiro evento eu já falei em postagem anterior (clique aqui para conferir), para o segundo vou dedicar esta postagem. 

Entre os dias 22 e 24 de agosto eu participei das 5ªs Jornadas Internacionais de Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da USP. Três dias, muitas opções e relaticamente pouco tempo. Por isso eu fiz  questão de não perder nem um minuto e aproveitar a oportunidade de conhecer o trabalho de outros pesquisadores, de interagir e criar parcerias. 
Mesa de abertura (da esquerda para a direita) com Nobu Chinen, Waldomiro Vergueiro, Roberto Elisio dos Santos, Paulo Ramos e Sônia Bibe Luyten.

Já na chegada, para a minha felicidade,  encontrei vários colegas. É estranho estar em São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, com população equivalente à de muitos países europeus, e esbarrar com conhecidos no metrô. E mesmo na USP, eram tantas pessoas que compartilhavam dos mesmos interesses que a sensação é de estar num microcosmos acadêmico.

É, claro, um encontro muito maior do que aqueles que realizamos anualmente pela ASPAS. Se não me falha a memória, tivemos a inscrição de 38 comunicações de pesquisa este ano no IV FNPAS, um número muito bom dentro do que o encontro se propõe e a participação de cerca de 65 pessoas. Nas Jornadas foram inscritos e aprovados 264 trabalhos para 2018. E este não é número redondo. Muitos trabalhos possuem coautoria, portanto, o número de participantes é muito maior. 
Com os amigos/pesquisadores Maiara Alvim e Rubem Marcelino
Coloquemos, então, que estavam reunidos lá mais de 300 pesquisadores, de diversas áreas, para falar sobre quadrinhos. É muito mais do que eu poderia um dia sonhar que encontraria em um evento acadêmico. A convidada estrangeira, Barbara Postema, pesquisadora da Universidade Massey, Nova Zelândia, chegou a afirmar na conferência de abertura que se considerava as Jornadas o maior evento voltado à pesquisa sobre quadrinhos do qual ela já teve a oportunidade de participar. 

Os trabalhos se concentraram no segundo andar do prédio da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e se dividiram em sessões de comunicação em dois blocos, com uma média de 3 a 5 apresentações cada. Os trabalhos iniciavam-se às 14:00 e se encerravam às 17:30. O início da noite ficava reservado às conferência, uma para cada dia.
Noite de lançamento de livros: eu estou ali no fundo, ao lado de Iuri Reblin.
Na quinta-feira, dia 23 de agosto aconteceu o lançamento de livros, onde eu e Iuri Reblin lançamos dois livros pela ASPAS. São coletâneas de artigos, referentes a pesquisas apresentadas durante o encontro da ASPAS em Leopoldina, em 2015. Para nossa alegria, as publicações foram muito bem recebidas e uma delas chegou a esgotar já no segundo dia.

Eu assisti uma média de seis comunicações por dia, não era possível assistir a todas, dado o grande número de trabalhos inscritos. E aí eu me identifico com as palavras do professor Waldomiro Vergueiro, um dos organizadores, que em uma postagem no facebook comentou que a coisa que mais lhe frustou foi justamente não ter conseguido conversar com todos, assistir a todos que estavam apresentando. Eu, como mera participante senti o mesmo. 

Um pedacinho a turma reunida!
De fato, foram tantos os estímulos, tantas pessoas com quem eu queria conversar e outras tantas que queriam conversar comigo, que ficou a sensação de que foi pouco tempo para muita coisa. Mas não acho que isso deva ser visto como algo negativo, muito pelo contrário. Significa que o evento foi um sucesso. 

E para além do capital cultural que se adquire nestes eventos, a possibilidade de reforçar laços de amizade, fazer novos contatos e confraternizar com colegas permite não apenas o amadurecimento profissional como o pessoal. Enfim, eu fui feliz em poder estar num ambiente acolhedor, criativo e democrático, onde havia espaço para que todo tipo de pesquisa, nas mais diversas áreas do conhecimento, encontrasse seus interlocutores.


Enquanto isso...
Na hamburgueria "Taverna Medieval", com Amaro Braga e Nildo Viana.
As Jornadas não se resumem apenas a trabalho. Eu tive ótimos momentos com os amigos fora da USP. Vou falar rapidinho deles aqui. 

Na quinta-feira, após o lançamento de livro, fomos todos para a Taverna Medieval, uma hamburgueria localizada em Vila Clementino, cuja decoração é inspirada na idade média, com capacetes, espadas, bebidas servidas em frascos de porção mágica e toda aquela atmosfera bem característica de filmes medievais. Foi muito divertido, levamos até a convidada estrangeira, Barbara Postema, que parece ter se divertido bastante.
Detalhe da decoração
do "Leôncio"

No dia 24 de agosto, sexta-feira, passei uma manhã agradável, antes de ir para a USP, com Conceição Azevedo, da Editora Peirópolis. Conceição tem sido nossa parceira já a algum tempo, enviando para nossas gibitecas quadrinhos produzidos pela Peirópolis e brindes para os encontros da ASPAS. Eu ainda não a havia encontrado pessoalmente e fiquei encantada com o convite para conhecer a editora. Um lugar muito agradável e aconchegante, em Vila Madalena. Ela me convidou para almoçar em um restaurante muito acolhedor, o Leôncio, onde eu comi uma deliciosa carne argentina. A conversa agradável serviu para me deixar mais relaxada antes da minha apresentação, que seria naquele dia.
Com minhas tias Marli e Eni no Mercado Municipal de São Paulo.
A noite eu fiz um programa de família, com meu afilhado, sua esposa e filha. Eles me levaram a um restaurante japonês, em São Bernardo, chamado Nakoo Shushi. Eu adoro comida japonesa, e aquele restaurante é fora de série. A melhor comida japonesa que eu já experimentei. E, por fim, passei uma tarde agradável, no sábado, com minhas tias, antes de retornar a noite para Leopoldina. Fomos ao Mercado Municipal de São Paulo. Fiz um turismo culinário bem ao estilo do amigo Amaro Braga. 

domingo, 26 de agosto de 2018

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE O IV FNPAS

Este ano foi realizado, entre os dias 25 e 27 de julho, o IV Fórum Nacional e Pesquisadores em Arte Sequencial (FNPAS), no Instituto Federal Fluminense, de Macaé (RJ). O evento teve como coordenador o fanzineiro e pesquisador da ASPAS (Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial), Alberto de Souza, que possuí uma projeto de fanzinoteca no IFF Macaé. O tema do encontro foi “Quadrinhos e diversidade”.

A escolha do local respeitou a principal diretriz do FNPAS, que é a de evitar grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, que já sediam anualmente encontros acadêmicos sobre quadrinhos. A ideia é levar a pesquisa e os debates sobre quadrinhos para a periferia. Tanto que, em 2012, o primeiro encontro ocorreu em Leopoldina (MG), em 2014, em São Leopoldo (RS); em 2016, em Goiânia (GO).  Daí, a proposta de se fazer o encontro de 2018 no Instituto Federal Fluminense, na cidade de Macaé, no interior do Estado do Rio de Janeiro, foi muito bem-vinda e rendeu um dos mais proveitos encontros acadêmicos realizados pela ASPAS.
Estudantes e professores do IFF Macaé assistindo à Palestra do abertura, realizada por Valéria Fernandes
 E foi um encontro especial, pois resgatou a memória do FNPAS ao ser realizado em uma escola técnica. Foi muito agradável e recompensador poder estar entre alunos  e professores do ensino médio. Eles não apenas participaram de palestras, oficinas e comunicações, como também protagonizaram exposições e apresentações culturais. E falando de exposição, os alunos do IFF Macaé, juntamente com os professores de língua portuguesa, prepararam um exposição de quadrinhos que deixou muita gente de queixo caído. 

Exposição de quadrinhos dos alunos do IFF Macaé
É importante, especialmente nos dias de hoje, que os jovens tenham contato com o meio acadêmico de forma a desmistificá-lo. Do mesmo modo, os pesquisadores precisam ser lembrados da sua função social que é justamente possibilitar o acesso ao conhecimento, por professores e alunos da educação básica.

Portanto, eu gostaria de colocar como ponto alto desta quarta edição do IV FNPAS justamente a participação de estudantes do ensino médio e tecnológico do IFF, dos professores e dos funcionários técnico-administrativos, que se desdobraram para que os trabalhos pudessem transcorrer da melhor forma possível e se tornaram nossos parceiros no evento.


Lançamento de livros e Fanzines durante o IV FNPAS
Um evento acadêmico onde se podia assistir um debate intenso entre uma estudante do ensino médio com um doutor, dono de uma cadeira universitária. Onde jovens pesquisadores apresentavam suas experiências em sessões de comunicação que surpreenderam pela originalidade de muitos dos trabalhos. Um ambiente intimista, bem característico dos encontros da ASPAS, contagiado pela dinâmica da rotina escolar.

É claro, eu tive meus momentos preferidos. Poderia falar sobre os trabalhos que eu mais gostei ou sobre como foi importante para a ASPAS o lançamento de dois novos livros este ano. Mas achei por bem não ser tão específica. 

Sessão de comunicação, durante o IV FNPAS.
Prefiro falar do que senti a partir do que vi. Eu senti um novo ânimo para continuar meu trabalho com pesquisa e uma necessidade maior de contribuir mais ainda com a formação escolar dos meus alunos. Foi gratificante ver tantas caras novas este ano e poder reencontrar velhos camaradas, que estão junto conosco desde o primeiro FNPAS.

Eu senti que, apesar de tudo que vem acontecendo no nosso país nos últimos anos, a ASPAS se fortaleceu não apenas como grupo, como associação, mas como espaço de resistência acadêmica e cultural, onde ainda podemos debater de forma democrática, deixar de fora as vaidades e mostrar que tudo pode ser convertido em conhecimento legítimo, desde que feito com seriedade. E é isso que a ASPAS faz.

Oficina com Edgar Franco e Danielle Barros na Fanzinoteca do IFF para a comunidade escolar.
Aproveitando, gostaria de agradecer a recepção que recebemos do diretor do IFF Macaé Netto Severino e o apoio da editora Peirópolis, que todos os anos nos envia brindes para serem distribuídos para os participantes. Agradeço especialmente a Alberto que nos convidou para sediar o IV FNPAS no IFF Macaé.

Foram publicados outros relatos mais objetivos do que o meu, como o da pesquisadora Valéria Fernandes, no blog Shoujo Café (clique aqui) e do quadrinista e youtuber Rapha Pinheiro (clique aqui), caso alguém queria saber mais sobre o IV FNPAS, a partir de outros pontos de vista. 

E finalizando, gostaria de convidar a todos e todas a participarem de dois outros encontros que teremos este ano. O ASPAS Norte (clique aqui para mais informações) e o IV Colóquio Regional Sul em Arte Sequencial (clique aqui para mais informações).

segunda-feira, 30 de julho de 2018

LANÇANDO LIVROS EM MACAÉ

Semana passada eu participei de uma  noite de lançamentos de livros durante o Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial, evento promovido pela ASPAS e que este ano aconteceu em Macaé (RJ). Na ocasião eu lancei dois livros. Pois é, dois livros de uma só vez. No caso, eu foi organizadora, juntamente com Iuri Andréas Reblin, dos dois livros. 

O que tem de especial nesses livros? Para começar, eles nasceram em Leopoldina (MG), onde em 2015 nós realizamos um encontro da ASPAS. Os capítulos dos livros são referentes ao trabalhos apresentados pelos participantes naquela ocasião. Representam o amadurecimento da ASPAS como associação de pesquisadores, que também nasceu e é sediada em Leopoldina. 

Poucas pessoas talvez saibam disso, mas temos aqui na cidade de Leopoldina não apenas uma associação nacional de pesquisa como, também, uma editora voltada para pesquisa acadêmica que vem crescendo a cada ano. 

Os livros lançados foram  Arte Sequencial e seus Multiversos Conceituais, com capa de Amaury Fernandes, e Arte Sequencial e suas Sarjetas Metodológicas, capa de Catia Ana Baldoino da Silva. são livros voltados para a pesquisa utilizando histórias em quadrinhos e que podem ser usados por pesquisadores e estudantes de todas as áreas.

Faremos vários lançamentos ainda este ano, sendo que o próximo deverá ocorrer na ECA/USP, durante as  5ªs Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, no dia 23 de agosto, das 19:15 às 20:15 (sala Egon Schaden). Haverá, também um lançamento aqui em Leopoldina, no dia 21 de setembro, no Museu Espaço dos Anjos. Aguardem mais detalhes.

domingo, 5 de novembro de 2017

AS PUBLICAÇÕES DA ASPAS E A DIVULGAÇÃO DOS ESTUDOS SOBRE HQS NO BRASIL

A Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), surgiu como uma ideia em 2012, durante o I Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial que ocorreu em Leopoldina (MG), no CEFET. No ano seguinte, a ASPAS tornou-se uma realidade, reunindo pesquisadores de todo o Brasil. Começamos com 20 participantes e, atualmente, somos 62 membros atuantes, sendo que entre eles há pesquisadores de outros países, como Canadá, Suécia, Estados Unidos e França.

A partir de 2015 a ASPAS começou a publicar livros com textos dos seus associados e associadas. Alguns, dossiês temáticos, como o que trata sobre Religiosidades nas Histórias em Quadrinhos outros voltados para as Histórias em Quadrinhos e a Educação. O selo da ASPAS também estampa 6 publicações organizadas por associados. Em dois anos tivemos 5 publicações da ASPAS, sendo que algumas delas estão disponíveis para download gratuito no site da associação (clique aqui).


O livro mais recente foi "A Arte dos Quadrinhos", organizado por Edgar Franco e Catia Ana Baldoíno, com artigos escritos a partir de apresentações realizadas no III Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial, realizado em 2016 na UFG. Para 2018 já estão programadas mais duas publicações.

Com essas ações, a ASPAS busca divulgar as pesquisas na área, criar uma rede de apoio entre pesquisadores, com suporte bibliográfico e de fontes, a fim fazer circular um conhecimento produzido a partir de rígidos critérios metodológicos.