Mostrando postagens com marcador patrimônio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador patrimônio. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de abril de 2026

CONHECENDO O MUSEU PARQUE DA USINA MAURÍCIO


Ontem eu visitei, com as amigas Cristiane e Alessandra o Museu-Parque Usina Maurício, que foi inaugurado na última quarta, no dia 22 de abril. Deve dizer que o que eu encontrei superou as minhas expectativas. Para quem não conhece, o Museu Parque é um equipamento cultural, histórico e ambiental dedicado à preservação, interpretação e difusão da memória da energia elétrica e do patrimônio industrial do Grupo Energisa e da Zona da Mata Mineira.  Ele está instalado na antiga Usina Maurício, inaugurada em 1908, uma das  das primeiras hidrelétricas do Brasil, e se localiza em Piacatuba, distrito de Leopoldina (MG).

O espaço é amplo e a estrutura é fantástica. Logo de entrada, na recepção recebemos todas as orientações para fazer a visita livre, Há também a visita mediada, mas no horário que chegamos ela já tinha acontecido. Ao apresentar nossos ingressos (que são gratuitos, mas que devem ser previamente retirados na plataforma Ingressos FOJB), recebemos orientações gerais de como proceder (o que se pode e não se pode fazer) durante a visita e nos  ofertado o uso de filtro solar com repelente.

Ao lado da recepção, há um ótimo espaço para oficinas. O museu já havia recebido alunos de escolas públicas ao longo da semana e ainda havia vestígios dos trabalhos que eles realizaram no local. Atividades voltadas para a educação estão entre os objetivos do museu, tanto a educação ambiental e patrimonial como, também, uma educação voltada para a leitura e para a cultura de uma forma geral.  

Há espaços com livros e histórias em quadrinhos, além de locais para a realização de reuniões e palestras. Perfeito para estudantes e pesquisadores. Mesmo sendo um espaço criando para preservação da memória da produção da energia no Brasil, acho que eu posso classificar o museu como um espaço multidisciplinar, no qual diferentes aspectos da cultura e das ciências se encontram. E isso fica bem claro em um trecho do texto de apresentação publicado no site da Energisa:

"O Programação de Mediação Cultural e Educativa propõe uma experiência que evolui da observação sensível a análise crítica, permitindo que os estudantes compreendam não apenas como a energia é produzida, mas também seu papel na transformação das cidades e nos desafios do futuro energético e ambiental. O educativo articula conteúdos de ciências, tecnologia, geografia, história, literatura e educação ambiental."




Eu realmente pude sentir isso. Tanto pelas instalações, das mais simples às mais tecnológicas, quando à forma como a cultura e a natureza são valorizadas. Um visita não foi, por sinal, suficiente. Eu acho que preciso voltar mais vezes para aproveitar o potencial que o espaço tem a oferecer. Além disso, é um misto perfeito de natureza e tecnologia. 

Fomos para conhecer o local mas também aproveitamos para nos increver em uma oficina, de Cianotipia, com a professora Silvana Marques. A cianotipia é um processo fotográfico artesanal e histórico, criado em 1842, que utiliza luz solar e sais de ferro para criar impressões em tons de azul (azul da Prússia). É uma técnica simples que permite criar imagens, fotogramas de objetos ou impressões botânicas em papel ou tecido. 


Eu realmente não sabia  o que era, fiquei curiosa e gostei muito da experiência. Aprendemos o básico da técnica e cada pessoa que participou da oficina criou sua obra, usando como material folhas e flores. Ainda, de quebra, tivemos uma aula sobre a introdução da fotografia no Brasil. Foi o fechamento perfeito para o passeio. 

Além disso, o Ecomuseu possui acessibilidade para pessoas com deficiência. Há informações em braile, plataforma que ligam os espaços e adequadas para pessoas cadeirantes. Os banheiros adaptados são os melhores que já vi.

sexta-feira, 20 de março de 2020

O MUSEU DE LA CIÈNCIA I DE LA TÈCNICA DE CATALUNYA

Prédio principal do complexo do qual faz parte do Museu de la Ciència  i de la Tècnica de Cataluya, em Terraça, Espanha/Catalunha.
Este ano, nas férias de janeiro, tive o prazer de conhecer um com instalações muito amplas dedicado exclusivamente à tecnologia. Trata-se do Museu de la Ciència  i de la Tècnica de Cataluya (mNACTEC), ligado ao Departamento de Cultura da Generalitat da Catalunha, localizado na cidade de Terrassa, na Catalunha, região autônoma da Espanha.

Terrassa  é uma cidade com cerca de 200 mil habitantes que fica na comarca do Vallès Ocidental, cuja ocupação remonta à pré-história (com vestígios de quase um milhão de anos) e que fez parte do antigo Império Romano (Municipium Flavium Egara) e, é claro, uma cidade que passou por todo o processo de feudalização que marcou a Idade Média.  A Catalunha foi a região que primeiro se industrializou na Espanha e lá estão presentes muitas empresas, além de diversos centros universitários, como a Escola Técnica Superior de Engenharia Industrial e Aeronáutica de Terrassa e a Universitat Autònoma de Barcelona. 

Parte externa do museu.
Ele foi instalado numa antiga fábrica têxtil, a "Aymerich, Amat y Jover", construída entre os anos de 1907 e 1908, obra do arquiteto Luís Muncunill. O prédio em si é um patrimônio histórico, sendo considerado um dos maiores exemplos de arquitetura industrial modernista d a região autônoma da Catalunha.  

A ideia da criação do museu remonta à década de 1930, mas tornou-se realidade apenas em 2 de novembro de 1990, quando a Lei dos Museus declarou o lugar como museu nacional e estabeleceu-o como uma entidade independente. O prédio da antiga fábrica foi adaptado para receber a coleção que faz parte do seu acervo permanente, assim como para abrigar um grande número de peças e documentos que são exibidos nas exposições temporárias. Há ainda espaço para guarda e consulta de documentos.

As exposições fixas
O museu possui um acervo que gira em torno de 20.000 objetos, de instrumentos rudimentares utilizados na agricultura a réplicas de capsulas espaciais. As exposições fixas são as seguintes:

1. "A fábrica Têxtil”, que mostra objetos e máquinas, além de reproduzir parte do ambiente, de uma fábrica do final do século XVIII. A imagem abaixo mostra uma antiga máquina de fiar. A exposição apresenta uma mostra das diversas máquinas que foram utilizadas na indústria têxtil.

2. A exposição “Energia”, que apresenta objetos e informações, além de espaços interativos sobre a produção e uso da energia ao decorrer da história. A parte da interatividade é superinteressante, ideal para professores em visitas escolares.

3. A “LHS: Explorando as origens do Universo”, que explica a teoria física da junção de partículas para a formação do planeta terra. Infelizmente, as fotos que eu tirei não ficaram boas, por conta da iluminação.

4. “O enigma do computador”, com uma enorme coleção que mostra a evolução dos computadores, além do história do desenvolvimento tecnológico.

5. “Tudo é Química”, que apresenta fotos os elementos da tabela periódica, além de demostrar como a química influencia a nossa vida diária.

6. A exposição “O Transporte”, a maior delas, com uma coleção de objetos ligadas ao transporte, de automóveis a aviões.Uma das exposições que eu mais gostei, com modelos antigos e futuristas de automóveis, além de réplicas de aviões.






7. A “Viva Montesa”, que mostra a história da marca catalã Montesa de motocicletas (cujo modelo hoje é produzido pela Honda), com 67 motocicletas e três bicicletas. Deu até vontade de subir em uma daquelas motocicletas estilosas (pena que não podia), nem que fosse para tirar uma foto.





8. A “Homo Faber”, que conta a história das revoluções intelectuais e da evolução tecnológica oriunda delas; o “O Corpo Humano. Como estou?”: Conta características do corpo humano, explicando cada função e parte dele, de forma interativa. Também apresenta alguns dos grandes cientistas que contribuíram pra o desenvolvimento tecnológico, da antiguidade aos tempos atuais, sem deixar de fora a contribuição das mulheres.
A imagem mostra Augusta Ada Byron King, Condessa de Lovelace, uma matemática e escritora inglesa. Ela famosa principalmente por ter escrito o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Um algoritmo é uma sequência finita de ações executáveis que visam obter uma solução para um determinado tipo de problema.
9. Uma exposição sobre o arquiteto Luís Muncunill, que fala sobre a construção da fábrica na qual o museu se localiza e outros trabalhos realizados pelo arquiteto.


10. Por fim a “Mina Pública de Águas de Terrassa: A batida da cidade industrial”, que mostra como a tecnologia fez com que a água chegasse a Terrassa.

AS MINHAS IMPRESSÕES
Eu achei superinteressante a forma como as exposições foram organizadas no espaço da fábrica. Não há salas separando cada exposição, no máximo biombos. Elas possuem uma dupla função: contar a história da tecnologia e apresentar esta tecnologia, in loco, para o visitante. Algumas delas são interativas, particularmente as que tratam de energia. Outras chamam a atenção pelo cuidado que o museu teve em reproduzir objetos em seu tamanho original.

Cada mostra tem seu encanto e o museu, definitivamente, colocou a educação em primeiro lugar: é um lugar criado para receber visitas escolares e um espaço que pode se transformar em um laboratório de ensino tanto para professores da educação infantil quanto do ensino superior. E esta função pedagogia está presente em cada objeto, cada mostra.

Evidentemente, todo museu tem sua função pedagógica mas, para muitos, ela nem sempre salta aos olhos do expectador que, na maioria das vezes, se não possuí algum conhecimento prévio sobre o acervo ou o espaço não de consegue apreender tudo aquilo que o museu pode oferecer em termos de conhecimento.

Acho que esse foi o grande diferencial, pelo menos para mim, do mNACTEC. O tempo todo eu ficava pensando: - Nossa, o Rodrigo professor de física ia adora trazer os alunos aqui; - O Francisco, professor de Química ia poder dar uma senhora aula nesta exposição; - A Amanda, professora de Geografia, ia pode trabalhar geologia e energia de uma forma fantástica.


Eu, obviamente, fiquei imaginando as diversas formas pelas quais aquele espaço poderia enriquecer meu trabalho. Este é o tipo de museu que me encanta, porque ele faz minha mente brilhar, com tantas ideias e possibilidade que ele pode oferecer. E confesso que fiquei muito empolgada em poder entrar numa réplica de capsula espacial (quando era criança eu queria ser astronauta).



Se levarmos em conta que, de um modo geral, a função social do museu servira à sociedade e auxiliar e ser um instrumento para seu desenvolvimento, por meio da preservação e de um projeto educativo que transforme a memória num objeto de empoderamento coletivo, o Museu da Museu de la Ciència  i de la Tècnica de Cataluya é um dos exemplos mais incríveis de como o museologia pode auxiliar a educação.

Fontes consultadas.
MUSEU DE LA CIÈNCIA I DE LA TÈCNICA DE CATALUNYA. Site oficial. Disponível em: < https://www.mnactec.cat/>. Acesso em 3 mar. 2020.

Terrassa. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Terrassa>. Acesso em 3 mar. 2020.

O Museu: Funções e Responsabilidades. Disponível em: <https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/turismo-e-hotelaria/o-museu-funcoes-e-responsabilidades/23900>. Acesso em: 06 mar. 2020.


domingo, 14 de agosto de 2016

VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DO QUIABO?

Imagem disponível em: http://zip.net/bstq86, acesso em 14 de ago. 2016.
No Dia dos Pais, meu pai pediu para o almoço com os filhos seu prato preferido: frango com quiabo acompanhado, claro, de angu. Inspirada pelo cheiro delicioso que está vindo da cozinha da minha casa, resolvi fazer uma pequena postagem, em homenagem a todos os pais, falando sobre a origem deste alimento muito apreciado em Minas Gerais e em tantas outras regiões do Brasil, o quiabo.

O quiabo (cujo nome científico é Abelmoschus esculentum) é um alimento de origem africana. Surgiu provavelmente entre o Egito e a Etiópia, mas é também muito consumido no Sudão, Nigéria, Mali, Guiné-Bissau e Burkina Faso. Nos Estados Unidos ele é considerado um alimento típico dos Estados do sul. 

O quiabo é fruto do quiabeiro, uma planta da família da malva (Malvaceae). Possui origem africana. Também é conhecido como quingombô,  gombô,  quibombó,  quibombô,  quigombó, quibombó,  quimbombô,  quingobó, quingombó e quingombô.  

Com o intenso tráfico de escravos para a América, para trabalhar nas plantações e, posteriormente, na mineiração houve igualmente um intenso intercâmbio cultural entre os dois continentes, o que  possibilitou a vinda de várias espécies de plantas e animais para o Brasil. Dentre os alimentos que vieram juntamente com os escravos estava o quiabo.

“A população negra que vivia no Brasil plantou inúmeros vegetais que logo se tornaram populares, tais como: quiabo, caruru, inhame, erva-doce, gengibre, açafrão, gergelim, amendoim africano e melancia, entre outros. Os negros trouxeram para o país a pimenta africana, cujo nome localizava a origem, Malagueta”[1].

O quiabo passou a fazer parte da culinária brasileira, estando ainda relacionado à rituais de festas religiosas. O Caruru (quiabo cozido com camarão seco, castanha, amendoim, gengibre e azeite de dendê), por exemplo, é um prato servido na Bahia no dia 27 de setembro, em homenagem aos santos Cosme e Damião. O quiabo é um alimento presente nas oferendas a orixás dentro das religiões de matriz africana, sendo considerado muito mais do que um simples alimento para os seguidores destas religiões. Veja um exemplo:

“Ajebo ou ajébo é comida ritual do Orixá Xango ayra. É feito com seis ou doze quiabos cortado em "lasca", batido com três clara de ovos até formar um musse, regado com gotas de mel de abelha e azeite doce. Colocado em uma gamela forrada com massa de acaçá ou pirão de farinha de mandioca, ornado com doze quiabos inteiros, doze moedas circulante, doze bolos de milho branco e seis Orobôs. A mesma oferenda pode ser oferecida a outras qualidades de Xangô, todavia acrescenta-se azeite de dendê e substitui os doze bolos de milho branco por doze acarajés”[2].

A culinária mineira, assim como a de muitas outras partes do país foi influenciada pela culinária africana, indígena e portuguesa. Temperos e alimentos vindos de vários continentes se encontraram dando origem a pratos que se tornaram característicos de várias regiões.

Em Minas Gerais o quiabo está presente desde o início da ocupação da região, no final do século XVII, com a descoberta do ouro e, posteriormente, dos diamantes. O quiabo era preparado juntamente com a carne de animais ou misturado ao angu. Quando chegaram as galinhas e porcos trazidos pelos portugueses vieram, então, o frango com quiabo e a costelinha com quiabo, sempre acompanhados de angu.

O frango com quiabo é um ensopado, tipo de comida característica da culinária portuguesa trazida para o Brasil pelos colonizadores. Os ensopados eram preparados pelos colonos com carne de animais de caça ou animais criados em sítios e fazendas, como galinhas e porcos. Geralmente, eles eram acompanhados de farinha de mandioca, outro alimento típico da culinária nacional, de origem indígena.

Por exemplo, a história do Feijão Cru, lenda de fundação do município de Leopoldina (MG) parte de uma prática culinário comum entre colonos: o cozimento de feijão. O feijão tropeiro, outro alimento típico de Minas, surgiu do hábito de se cozinhar feijão e comê-lo acompanhado de farinha de mandioca. Passou-se a acrescentar à refeição tudo que os viajantes tinham em mãos: carne de caça, toucinho, carne seca, verduras, etc. Os caldeirões de ferro eram dependurados sobre fogueiras.

“O feijão tropeiro recebeu esse nome porque o feijão era servido, na época, durante as longas viagens em tropas de burro. Quanto às sobremesas, há fartura de doces e compotas: doce de buriti, de leite, rocambole recheado, geléias com queijo de minas, doces de amendoim etc”[3].

O historiador Carlos Alberto Antunes dos Santos destaca que o feijão era consumido em praticamente todo o território colonizado por Portugal e fazia parte da agricultura de subsistência.[4] Ao lado dele outros alimentos eram amplamente consumidos, como o milho, a mandioca e a carne seca. Alimentos que tinham maior durabilidade e que podiam ser transportados em longas viagens.

Finalizando, pode-se dizer que experimentar um bom frango caipira com quiabo é uma forma não apenas de honrar uma tradição mineira mas, também, preservar parte do nosso patrimônio cultural e enriquecer ainda mais nossa História da Alimentação, responsável pela formação de parte na nossa identidade nacional. Então, bom apetite e Feliz dia dos Pais.

Uma curiosidade: Cleópatra, rainha do Egito, usava o quiabo como produto de beleza.

OUTRAS FONTES CONSULTADAS

A ORIGEM da Culinária Mineira: 300 anos de receitas bem guardadas. Disponível em: http://zip.net/bjtqWy, acesso em 14 ago. 2016.


ALIMENTAÇÃO e Cultura. Disponível em:  http://zip.net/bytrqc, acesso em 14 ago. 2016.

 

DO QUIABO ao dendê, caruru baiano é marco do sincretismo na gastronomia. Disponível em: http://zip.net/bftqQF , acesso em 14 ago. 2016.


MINEIRIDADES - Frango com quiabo e angu é um bom motivo para a gula. Disponível em: http://zip.net/bmtqV3, acesso em 14 ago. 2016.

 

OFERENDAS e comidas dos Orixas. Disponível em: http://zip.net/bvtrlg, acesso em 14 ago. 2016.

 

QUIABO. Disponível em:  http://zip.net/bntq4D, acesso em 14 ago. 2016.






[1] ALIMENTAÇÃO e Cultura. Disponível em:  http://zip.net/bytrqc, acesso em 14 ago. 2016.
[2] OFERENDAS e comidas dos Orixas. Disponível em: http://zip.net/bvtrlg, acesso em 14 ago. 2016.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

HISTÓRIA: O PRAZER EM ENSINO E PESQUISA

Acabei de ler um livro que ganhei da estimada professora Marly Viana. O título, o mesmo da postagem, é "História: o prazer em ensino e pesquisa". O autor é o professor Marcos Antônio da Silva, Titular em Metodologia da História, Doutor e Mestre em História Social pela FFLCH/USP, São Paulo, SP, com Pós-Doutorado na Université de Paris III. O livro em questão foi originalmente publicado em 1995, e reeditado em 2003, pela Brasiliense. Tenho a 2º edição.

De imediato posso dizer que é um dos melhores e mais prazerosos livros que eu já li sobre o assunto. Ele trata não apenas da questão da pesquisa em história mas, também, da questão do patrimônio e da memória. Tudo didaticamente explicado em 102 páginas. Leitura fácil, rápida e muito frutífera. 

Gostei muito do capítulo que fala sobre patrimônio histórico e a forma como o autor aborda o papel da escola na produção dos saberes históricos. Um livro que me fez refletir sobre várias práticas e que, certamente, será uma das bases para futuros textos que pretendo escrever sobre patrimônio, memória e história local.

Recomendo a leitura, principalmente para alunos da graduação e para professores de História, que muitas vezes acabam ficando ilhados da produção acadêmica (longas jornadas, pouco tempo para ler, menos tempo ainda para se aperfeiçoar).

domingo, 30 de agosto de 2015

A evolução da doença de Alzheimer

Por Luisa Arantes Bahia

No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas sofrem do Mal de Alzheimer, doença incurável acompanhada de graves transtornos às vítimas. Como eu sei disso? Acabei de ler e daqui a 5 minutos não vou ter lembrança alguma de que lhe contei isso. Prazer, meu nome é Leopoldina e eu tenho 161 anos. Pode-se notar que estou dentre as mais de 15 milhões de pessoas maiores de 60 anos que sofrem de Alzheimer. Saiba também que a doença não tem cura! Então, só me resta compartilhar com vocês memórias passadas que, com certeza, estão intactas.

Tenho dois filhos, o primeiro amava as histórias de nossos antepassados. Os primeiros habitantes dessa minha terra foram os índios Purís, “os filhos da terra”, que possuíam uma vasta cultura, mas foram ‘extintos’. A força de trabalho passou a ser feita pelos negros, pode ser inacreditável, mas em 1876 obtivemos a maior população de escravos da província, fato de que não me orgulho. Lembro-me de alguns nomes: Davi, Américo, Vicente, Joaquim, Antônio, Miguel... e um comerciante que vendia escravos, Michel Jackson, que foi morto por seus escravos em uma rebelião... Sim, Michael Jackson, não o rei do pop, mas essa já é outra história.

No início do século XX, ele chegou, meu segundo filho, parecia um astro de cinema, com ideias inovadoras vindas da Inglaterra e, em pouco tempo, fez muito sucesso. Sua presença abriu caminho para a chegada dos automóveis, televisão, estrada de ferro e as modernas construções. O primeiro arranha céu foi o Bazar René, com elevador e tudo; esse foi o marco de transição do “povo da roça” para a “cidade grande”. Meu filho fez parecer que era um enorme presente, poderia até ter considerado como meu aniversário!

O primeiro carro a chegar foi saudado por toda a população com uma garrafa de champanhe, a primeira escada rolante desfilou pelas ruas em uma carreata eufórica...O tempo foi passando e, cada vez mais, fui ficando “moderna”, meus sobrados, que antigamente eram ornados com lindos detalhes arquitetônicos, como beirais, afrescos, sacadas, jardineiras, tão admirados pelo meu primogênito, já não faziam tanto sucesso entre os adeptos das ideias revolucionárias do meu segundo filho.

Mas vocês não devem mais saber o que são essas belezas, já que foram sendo substituídas por caixotes cinzentos de muito mau gosto! Perdoem minha língua ferina, mas a idade me deixa amargurada e a disputa entre os meus dois filhos pioram minha condição de saúde.

Já é perceptível que tenho uma vida como a de Natividade, mãe de Pedro e Paulo, na obra de Machado de Assis. A cada ano, mais eles se distanciam, pois um valoriza a memória e o outro acredita que a natureza e o “velho” atrapalham o desenvolvimento da cidade.

Não posso defender nenhum deles, pois posso acabar causando um briga maior ainda! Às vezes concordo quando meu filho diz que estamos nos desfazendo de nossa história e de nossa memória, e que mais uma vez a história se repete: trocamos as “penas” pelos “espelhos” dos portugueses. Porém, a modernidade tem suas vantagens, trouxe avanços na medicina, tecnologia e meios de comunicação, que tornam nossa vida muito mais fácil. 

Meu segundo filho está cada vez mais popular, é visto como modelo a ser seguido, todos querem tirar uma selfie com ele!

Mas será que é sonhar demais pensar que eles podem conviver juntos?

Com essa minha memória falha, acabei me esquecendo de contar o mais importante! Vocês conhecem os meus filhos! Um, coitado, está em depressão, isolado da sociedade; seu nome é Patrimônio e o outro, nem preciso citar o nome, pois vocês já o conhecem muito bem. Ele está em todas as redes sociais e é notícia em todos os canais de televisão, ele é o tão idolatrado Progresso.

Então, uma grande parcela da população brasileira sofre do Mal de Alzheimer...Será que eu já falei isso?...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

LEOPOLDINA PARTICIPA DA 8ª PRIMAVERA DOS MUSEUS

De 22 a 28 de setembro, 761 museus e outras instituições culturais provem uma programação especial como mais de 2400 eventos, como exposições, visitas guiadas, palestras, exibição de filme, entre outros. O tema deste ano é Museus Criativos.

Ao propor o conceito de “museu criativo”, o Instituto Brasileiro de Museus elege-o como o principal estímulo à manutenção e ao desenvolvimento de cada museu, na exploração de sua capacidade de inovar-se, modernizar a gestão, diversificar iniciativas, ampliar a presença no território em que se acha inserido e atrair público.

Leopoldina está participando através do Museu Espaço dos Anjos, que terá uma programação especial para toda a semana. Na quinta, dia 25 de setembro, estarei ministrando uma palestra e conto com a presença de todos. Segue o convite.
 
PROGRAMAÇÃO COMPLETA


22/09/2014 - 09h às 11h
ABERTURA da 8ª Primavera dos Museus

22/09/2014 - 14h às 15h
APRESENTAÇÃO - Grupo Pérola Negra. Escola Municipal – Escola Municipal Judith Lintz Guedes Machado.

22/09/2014 a 26/09/2014 - 09h às 16h
EXPOSIÇÃO - Sustentabilidade e economia criativa - Alunos da Rede Municipal.

22/09/2014 - 10h às 10h30
VISITA GUIADA e agendada

23/09/2014 - 15h às 16h
APRESENTAÇÃO - Grupo de Folia de Reis Chocolate.

23/09/2014 e 24/09/2014 - 09h às 09h30

VISITA GUIADA e agendada
24/09/2014 - 15h às 15h30
APRESENTAÇÃO - Grupo de apresentação dos alunos da APAE - Leopoldina.

24/09/2014 - 19h às 20h30
EXIBIÇÃO DE FILME - “O Dia Depois de Amanhã”.
Direção: Roland Emmerich, de 2004.
Lotação máxima: 30 pessoas.

25/09/2014 - 15h às 15h30
APRESENTAÇÃO - alunos das turmas Paulo Freire e Euripides, do Centro Educacional Conhecer.

25/09/2014 - 19h às 20h
PALESTRA - com Natania Nogueira: Memória e Patrimônio.

26/09/2014 - 16h às 17h
APRESENTAÇÃO - Grupo folclórico Assum Preto - Projeto de Extensão social - CEFET-MG.

26/09/2014 - 19h às 21h
ENCONTRO Literário, com Marcos Paixão apresentando seu livro Vale dos Vinhedos.

27/09/2014 e 28/09/2014 - 09h às 10h
VISITA GUIADA ao acervo do Museu Espaço dos Anjos para atender às escolas da cidade. Agendar com antecedência