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domingo, 26 de abril de 2026

CONHECENDO O MUSEU PARQUE DA USINA MAURÍCIO


Ontem eu visitei, com as amigas Cristiane e Alessandra o Museu-Parque Usina Maurício, que foi inaugurado na última quarta, no dia 22 de abril. Deve dizer que o que eu encontrei superou as minhas expectativas. Para quem não conhece, o Museu Parque é um equipamento cultural, histórico e ambiental dedicado à preservação, interpretação e difusão da memória da energia elétrica e do patrimônio industrial do Grupo Energisa e da Zona da Mata Mineira.  Ele está instalado na antiga Usina Maurício, inaugurada em 1908, uma das  das primeiras hidrelétricas do Brasil, e se localiza em Piacatuba, distrito de Leopoldina (MG).

O espaço é amplo e a estrutura é fantástica. Logo de entrada, na recepção recebemos todas as orientações para fazer a visita livre, Há também a visita mediada, mas no horário que chegamos ela já tinha acontecido. Ao apresentar nossos ingressos (que são gratuitos, mas que devem ser previamente retirados na plataforma Ingressos FOJB), recebemos orientações gerais de como proceder (o que se pode e não se pode fazer) durante a visita e nos  ofertado o uso de filtro solar com repelente.

Ao lado da recepção, há um ótimo espaço para oficinas. O museu já havia recebido alunos de escolas públicas ao longo da semana e ainda havia vestígios dos trabalhos que eles realizaram no local. Atividades voltadas para a educação estão entre os objetivos do museu, tanto a educação ambiental e patrimonial como, também, uma educação voltada para a leitura e para a cultura de uma forma geral.  

Há espaços com livros e histórias em quadrinhos, além de locais para a realização de reuniões e palestras. Perfeito para estudantes e pesquisadores. Mesmo sendo um espaço criando para preservação da memória da produção da energia no Brasil, acho que eu posso classificar o museu como um espaço multidisciplinar, no qual diferentes aspectos da cultura e das ciências se encontram. E isso fica bem claro em um trecho do texto de apresentação publicado no site da Energisa:

"O Programação de Mediação Cultural e Educativa propõe uma experiência que evolui da observação sensível a análise crítica, permitindo que os estudantes compreendam não apenas como a energia é produzida, mas também seu papel na transformação das cidades e nos desafios do futuro energético e ambiental. O educativo articula conteúdos de ciências, tecnologia, geografia, história, literatura e educação ambiental."




Eu realmente pude sentir isso. Tanto pelas instalações, das mais simples às mais tecnológicas, quando à forma como a cultura e a natureza são valorizadas. Um visita não foi, por sinal, suficiente. Eu acho que preciso voltar mais vezes para aproveitar o potencial que o espaço tem a oferecer. Além disso, é um misto perfeito de natureza e tecnologia. 

Fomos para conhecer o local mas também aproveitamos para nos increver em uma oficina, de Cianotipia, com a professora Silvana Marques. A cianotipia é um processo fotográfico artesanal e histórico, criado em 1842, que utiliza luz solar e sais de ferro para criar impressões em tons de azul (azul da Prússia). É uma técnica simples que permite criar imagens, fotogramas de objetos ou impressões botânicas em papel ou tecido. 


Eu realmente não sabia  o que era, fiquei curiosa e gostei muito da experiência. Aprendemos o básico da técnica e cada pessoa que participou da oficina criou sua obra, usando como material folhas e flores. Ainda, de quebra, tivemos uma aula sobre a introdução da fotografia no Brasil. Foi o fechamento perfeito para o passeio. 

Além disso, o Ecomuseu possui acessibilidade para pessoas com deficiência. Há informações em braile, plataforma que ligam os espaços e adequadas para pessoas cadeirantes. Os banheiros adaptados são os melhores que já vi.

UMA LEITURA COMPARADA DAS SÉRIES DRAMÁTICAS COREANAS MR. QUEEN E HAE-RYUNG, A HISTORIADORA

Este mês saiu finalmente um artigo que eu publiquei junto com a querida Fabiana Rubira. Nos nos desafiamos a fazer um estudo de gênero a partir de duas séries históricas coreanas. Foi muito instrutivo e prazeroso escrever sobre o tema.

Segue o resumo:

Na presente pesquisa iremos analisar duas séries dramáticas sul-coreanas, Mr. Queen (2021) e Hae-Ryung, A Historiadora (2019), disponíveis no serviço de streaming da Netflix, e distribuídos para diversos países. Estas séries têm por característica serem protagonizadas por mulheres e ambientadas na Coreia do século XIX, durante a dinastia Joseon. Outra característica é o fato de que, apesar de ambientadas no passado, essas séries dialogam com o presente, apresentando-nos questões que vão desde a necessidade de se combater preconceitos e estereótipos, relacionados a papéis de gênero, à corrupção política. Suscitando, assim, debates contemporâneos de grande relevância, o que torna a narrativa não apenas rica, mas altamente politizada, ao criticar, por vezes de modo muito bem-humorado e, em outras, bastante sério, valores socioculturais construídos sobre uma base moral neoconfucionista. A parte destas produções podemos realizar contrapontos com o tempo presente, e identificar discursos que ecoam atualmente na sociedade sul-coreana e mundial. Para tanto vamos trabalhar com autores como David Lowenthal, que trabalha a aproximação entre a ficção e a história, Roger Chartier e seus conceitos de apropriação e representação e Joan Scott, com base teórica para o estudo de questão de gênero.

O texto completo pode ser acessado clicando aqui!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LANÇAMENTO DE LIVROS SOBRE QUADRINHOS E CULTURA POP

Esta semana foram lançados dois livros sobre quadrinhos e cultura pop pelo "Cult de Cultura", Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Arte Sequencial, Mídias e Cultura Popsediado em São Leopoldo, RS, ligado à Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS). O Cult de Cultura promove anualmente eventos acadêmicos sobre o tema e publica muito material de qualidade. 

A primeira publicação é o livro "sexo e gênero nos Quadrinhos", organizado por Guilherme “Smee” Sfredo Miorando, com a contribuição de diversos autores, inclusive, Trina Robbins, que publica neste livro seu segundo texto em língua portuguesa.

O segundo livro é resultado dos trabalhos apresentados pelo encontro do Cult de Cultura de 2019, "Vamos falar sobre cultura pop : episodio 4 : o pop não poupa ninguém", organizado por  Thuanny de Azevedo Bedinote, Marcelo Ávila Franco, Larissa Tamborindenguy, Becko e André Daniel Reinke. O livro esta com textos incríveis , sobre histórias em quadrinhos, temáticas e abordagens vairadas. 

As publicações do Cult de Cultura são realizadas com o selo da ASPAS e podem ser obtidas gratuitamente no site do grupo (é só clicar aqui).

Sobre o Cult de Cultura:

A proposta deste grupo de pesquisa é ser um espaço de discussão e pesquisa interdisciplinar, no qual diferentes pesquisadores, de diferentes áreas do conhecimento (especialmente das áreas das ciências humanas e das ciências sociais aplicadas) e de distintas regiões do Brasil, buscam compreender os bens culturais contemporâneos nas dinâmicas que regem seus principais veículos, as diferentes mídias, ocupando-se, em especial com a arte sequencial: filmes, animações e quadrinhos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

TUDO BEM NÃO SER NORMAL: UM CONTO DE FADAS PARA ADULTOS

Na sua origem os contos de fadas eram sombrios e tenebrosos, utilizados como uma forma de disciplinar e conter impulsos, por meio de histórias nas quais muitas vezes os vilões não era tão piores do que os mocinhos. Eles traziam representações dos perigos da vida cotidiana, eles estabeleciam os limites entre o certo e o errado, reforçavam papeis de gênero que oprimiam as mulheres e traziam à tona o lado sombrio da sociedade. O recado era bem claro, o mundo do não é justo, aprenda a se defender se quiser sobreviver. Os contos de fadas, também,não distinguiam crianças de adultos.

Philippe Ariès, em seus estudos sobre a origem social da infância, explica que na Idade Média as crianças eram considerados seres sem autonomia ou estatuto social. Vai ser apenas na idade moderna que elas serão reconhecidas como tal. Mesmo assim, a infância seria desfrutada, por um longo tempo, apenas pelas crianças que pertenciam aos grupos privilegiados. Chapeuzinho Vermelho, o Gato de Botas, a Bela Adormecida ou a Branca de Neve e os Sete Anões, contos famosos a literatura infantil universal foram copilados, reescritos e adaptados para se tornarem apropriados para o público infantil, afinal, era preciso criar todos um aparato para educar a criança, que não mais é vista genericamente como uma adulto em miniatura.

Recheados de metáforas esses contos foram e ainda são utilizados de forma disciplinadora. Mas, como no passado, eles continuam sendo apropriados e seu discurso mudando de direção. Sobre folclore europeu e a forma como os contos populares eram utilizados de forma disciplinadora, a primeira leitura que tive e recomendo, é a obra de Robert Darnton, “O Grande Massacre de Gatos: e outros episódios da história cultural francesa”, publicado originalmene em 1984, em particular o capítulo um “Histórias que os camponeses contam: o significado de Mamãe Ganso”, que fala sobre os contos de fadas e os trata como documentos históricos uma vez que trazem representações sociais a partir das quais se pode perceber as mudanças na mentalidade humana. 

Atualmente temos presenciado essa apropriação ou mesmo um retorno à origem da literatura popular europeia por meio do cinema, dos quadrinhos, games e séries de televisão. Os contos de fadas estão sendo reescritos para os adultos e não trazem apenas metáforas com o objetivos pedagógicos, mas estão se tornando um espaço para que a própria psique humana possa ser representada, interpretada e reinterpretada.

Esta pelo menos é a análise que eu faço como consumidora de cultura, a partir do contato com artefatos culturais pop, dos quais eu quero destacar um aqui, em especial a séria dramática produzida pelo Estúdio Dragon e distribuída mundialmente pelo Netflix, “Tudo bem não ser normal” (사이코 지만 괜찮아).  Este K-drama utiliza contos de fadas modernos para falar sobre traumas e sentimentos. A cada episódio uma história é narrada de forma a associar a trajetória dos personagens principais à história que está sendo contada, utilizando diversas metáforas.

Os contos de fadas, de certa forma dividem o protagonismo com os personagens envolvidos na trama. Temos um enfermeiro/cuidador, Moon Gang-tae , interpretado pelo ator Kim Soo-hyun,  que trabalha e hospitais psiquiátricos e que cuida do irmão mais velho autista sozinho, desde que a mãe morreu tragicamente, quando ele tinha apenas 12 anos de idade.  Moon Sang-tae, o irmão autista que tem um talento enorme para a arte, mas que é extremamente dependente do irmão caçula, interpretado pelo ator Oh Jung-se, diga-se de passagem, com perfeição.  

O trio se completa com Ko Moon-young, interpretada pela atriz Seo Ye-ji, uma escritora de contos de fadas de sucesso, com uma história familiar trágica que fez com que ela se fechasse para qualquer tido de sentimentos. É claro, não falta a bruxa, causadora de toda a dor e tristeza que perseguiu os protagonistas até a vida adulta.

"A mão e o tamboril", "O cão feliz", "A criança Zumbi" e o "O Menino que alimentava pesadelos" são contos narrados ao longo da série e que, na verdade, refletem a carga emocional e psicológica que envolve os protagonistas. Na verdade, refletem o estado psicológico da própria escritora, incapaz de criar contos de fada que tenha um final feliz. Na verdade, ela retorna em seus escritos à origem desse tipo de literatura em sua fase mais sombria.

As metáforas contidas nesses contos fazem transbordar a dor reprimida pelos personagens. Assim, é tocante e ao mesmo tempo muito delicada a forma como a literatura interage com a realidade e vice-versa. No episódio no qual é narrado o conto da "Criança Zumbi", Moon Gang-tae, que tem por hábito reprimir suas emoções começa a chorar ao ler a história da mãe que ofereceu seu próprio corpo para alimentar o filho. Ele associa a história à sua infância e ao seu relacionamento com a mãe e o irmão.

A cura dos traumas é o que move a história. A descoberta e reconhecimento de sentimentos reprimidos, o desejo de romper com o passado, a conquista da autonomia e da coragem para encarar os desafios da vida. Um conto de fadas que mostra que os adultos também precisam de cuidados e que o abandono é, provavelmente, a pior doença que a sociedade impõem a aqueles que não se encaixam dentro daquilo que se considera “normal”. Mas o que é normal afinal? 

Tudo bem não se normal é um exemplo de apropriação da literatura pela televisão mas, também, de hibridismo cultural, uma vez que os contos de fada passam a ser parte essencial do da narrativa, criando algo novo, uma mistura de duas formas de arte. Cada conto de fadas que é um presente para o expectador que pode desfrutar de um pouco de literatura, além de uma bela arte ilustrativa, tanto pelas páginas dos livros, que de fato acabaram sendo publicados a partir do k-drama, e dos efeitos de animação usados eventualmente. E isso é o que torna a história sensível e diferente.

Referências:

ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. Trad. Dora Flaksman. 2ª edição. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.

DARNTON, Robert. O Grande Massacre de Gatos: e outros episódios da história cultural francesa. – São Paulo: Graal, 2011.


sábado, 5 de setembro de 2020

O SETEMBRO AMARELO NA HALLYU: AS REPRESENTAÇÕES DO SUICÍDIO NA CULTURA POP

Cena de suicído no K-drama "W: two worlds"

No último ano eu me aproximei da Hallyu (Onda Coreana)[1] por meio dos k-dramas e, depois pelos quadrinhos. O que é algo natural para mim, e quem acompanha o blog já percebeu. Gosto de conhecer outras culturas, especialmente pelas suas expressões artístico-narrativas, pois elas sempre me conduzem a questionamentos e indagações.

Foi assim quando comecei a estudar quadrinhos estadunidenses da primeira metade do século XX, para o mestrado, e está sendo assim com quadrinhos franceses no doutorado. Paralelamente, sou fascinada pelos estilo sueco de fazer quadrinhos, por exemplo e quero me aprofundar mais mais além dois artigos que já escrevi e penso neles potencialmente como um tema para pós-doutorado. Mas eu ainda não tinha tido interesse pela produção do leste asiático, mesmo tendo muitos amigos leitores e pesquisadores, que produzem um ótimos material sobre o assunto. Assumo que nunca fui leitora de mangá, por exemplo, apesar de apreciar o traço de muitos artistas, mas só na última semana eu comprei dois, por conta de temas que emergiram em k-dramas que assisti recentemente.

O contato com a produção sul-coreana mudou minha perspectiva e me fez querer saber mais sobre o oriente. Achei a história da Coreia muito interessante, e a forma como o país se construiu, sua cultura e as relações de gênero desafiaram minha curisosidade. E isso se deve essecialmente ao contato com a cultura de massa sul coreana. Primeiro, eu me surpreendi com a qualidade da produção para a televisão e, posteriormente, para o cinema. Em seguida eu percebi que a produção para a televisão, os chamados k-dramas, não apenas dialogava muito com a linguagem dos quadrinhos como, também, se apropriava deles de uma forma que não vejo acontecer no contexto ocidental.

Foi assim que cheguei aos manhwas (quadrinhos coreanos) e sua forma mais popular, os webtoons. Dando uma explicação rápida, os webtoons são um formato de quadrinhos digitais muito populares na Coreia do Sul, consumidos em grande quantidade por pessoas de todas as idades. Lá se desenvolveu o que se chama de snack culture, uma forma de cultura que pode ser consumida em poucos minutos, por meio dos smartphones. Há de tudo, k-dramas com episódios de 5 a 10 minutos, webtoons em capítulos, romances em fascículos. Todos são postados periodicamente e, aos poucos, o leitor vai conseguindo acompanhar sua série preferida enquanto toma um café, está no metrô ou no ônibus. Ideal para uma sociedade na qual quase não há tempo para o lazer.

Uma sociedade movida pela necessidade de trabalhar cada vez mais. O sucesso na carreira não e possível a todos e existe uma discriminação muito grande para com aqueles que não são bem sucedidos. Vem daí a cobrança enorme sobre os jovens, que quase não possuem tempo para se divertir, debruçados em cima dos bancos escolares, estudando nos fins de semana.  Até porque não basta apenas entrar em uma universidade, mas sim numa das três mais prestigiadas, Seoul, Korea e Yonsei, apelidadas de “Sky”.

Para o psicólogo Kim Tae-hyung, que trabalha em Seul, as crianças coreanas estão "crescendo sozinhas, estudando sozinhas". "Elas são forçadas a estudarem muito e competirem com seus amigos. Esse tipo de isolamento pode causar depressão e pode ser um grande fator para suicídio."

No mundo todo, suicídio é a segunda causa de morte entre pessoas jovens, mas na Coreia do Sul é a causa número um e morte de jovens entre 10 e 30 anos.

O país também tem os maiores níveis de estresse entre jovens entre 11 e 15, em comparação com qualquer outro país industrializado do mundo, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).[2]

Os adultos, por sua vez, são forçados a se dedicar quase que inteiramente ao trabalho, até idade avançada, uma vez que o sistema previdenciário do país é insuficiente para garantir seu sustendo durante a terceira idade. Por conta de tanta pressão social, o consumo de álcool na Coreia do Sul duas vezes maior do que o da Rússia e o índice de suicídios naquele país e um dos mais elevados do mundo, o maior entre os países em desenvolvimento. E isso aparece constantemente representado seja nos k-dramas, seja nos manhwa.  

Coreia do Sul, com 29,1 casos a cada 100 mil habitantes em 2012, é a nação desenvolvida com mais suicídios, segundo dados publicados este mês pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país ocupa o 1º lugar pelo nono ano consecutivo, muito acima do segundo, a Hungria, com 19,4 casos a cada 100 mil habitantes. À margem do "clube oficial dos países ricos" só a Lituânia supera a Coreia do Sul. O país europeu tem 31 casos a cada 100 mil, conforme dados de 2012. Mais de 14 mil pessoas se suicidam anualmente na Coreia do Sul e a incidência dobra na terceira idade, revelando o lado mais cruel de um país entregue ao desenvolvimento, ao dinheiro e à honra.[3]

Nos k-dramas e nos manhwas há referências constantes ao suicídio. Personagens que tiram sua vida por não aguentarem a pressão social, personagens que pensam em se matar pelo menos uma vez durante a trama. O rapaz que não aguenta a pressão da família que cobra dele o ingresso em uma boa universidade ou que passe em um concurso público; a moça que sofre com excesso de trabalho e assédio no emprego; o rapaz que perdeu os movimento das pernas em um acidente e se sente um pária numa sociedade que exige que todos sejam produtivos; o idoso abandonado pelos filhos e que não possuí meios de se sustentar. A pobreza de uma parcela significativa da sociedade, que vive de subempregos.

"Chesse in the trap", k-drama adaptado de um webtoon.

Efeitos nocivos em uma sociedade que abraçou o neoliberalismo e é uma das mais globalizadas do mundo, e que podem ser percebidos nos produções midiáticas que, apesar dos clichês básicos e necessários para prender a audiência, trazem representações sociais que podem ajudar a refletir acerca de temas que nos são comuns.

Por ser a quarta maior causa de mortes nos país, a prática do suicídio encontrou o caminho da naturalização. O que se procura atualmente é buscar suas causas e tentar combate-las, o que não necessariamente é fácil, num país no qual ele se tornou uma questão de saúde pública, levando o Estado a tomar medidas preventivas e até restringir a venda de pesticidas, por exemplo, usados principalmente pelas mulheres que querem se suicidar. 

O debate sobre o tema ganhou ainda mais destaque quando ídolos da Hallyu começaram a morrer quase que seguidamente. Jovens atores e cantores que tiraram suas vidas em meio ao sucesso por não suportarem as pressões do trabalho e da sociedade. Pressões estas, aliás, que são constantemente abordadas em webtoons e k-dramas nos quais os protagonistas são ídolos da música ou da televisão.

“À medida que a imprensa internacional presta mais atenção ao que está por detrás deste género musical, mais se descobre: dietas rigorosas, cirurgias plásticas, contratos severos, subornos, assédio e muitas horas de trabalho são algumas das difíceis condições da indústria K-pop já antes relatadas.”[4]

Os webtoons e os k-dramas acabam e tornando espaços para denuncia e combate, por exemplo, do suicídio, quando questionam o “por que?” ou quando buscam passar uma mensagem de encorajamento.nA denúncia constante de abusos estão presentes nos manhwas e nos k-dramas. No Netflix, por exemplo, o k-drama adaptado de um webtoon, “Cheese in the trap”(2016), mostra as dificuldades de uma jovem de origem pobre em uma universidade, vítima da pressão social e bullying. Mystic Pop Up Bar (2020), também adaptado de um webtoon, tem como protagonista é uma mulher que cometeu suicídio e por determinação divina deveria voltar à terra e ajudar a curar as almas de 100 mil pessoas que acumulavam mágoas. 

Em uma outra produção, que leva os quadrinhos para o k-drama por meio de apropriação de linguabem, “W: Two Worlds”(2016), temos um cartunista mergulhando na depressão e no alcoolismo cujo pensamento está o tempo todo voltado para a morte, como única solução para seus problemas. Um dos grandes sucessos do cinema sul coreano, também adaptado de um webtoon, Along with the gods: two worlds (2017), por exemplo, apresenta um personagem que está sob vigilância por risco de suicídio, durante o período do serviço miltar obrigatório no país.

Mystic Pop Up Bar, webtoon adapta para k-drama que tem como tema a depressão gerada pelos problemas diários da população.

Assim como esses, há tantos outros exemplos que a cultura de massas nos oferece e que ajuda a levantar questões acerca de qual sociedade estamos criando e qual sociedade realmente precisamos ter. Mesmo que o caso sul coreano seja ímpar, e preciso lembrar que os problema é global e que, apensar das diferenças culturais, as causas muitas vezes são as mesmas. Tendo sido criada para ser um produto de consumo a cultura de massas extrapola seus objetivos originais uma vez que acaba assumindo o papel de atender às demandas sociais. Denunciar situações abusivas, corrupção política, misoginia, racismo e tantos outros injustiças passou a der o pano de fundo de muitas tramas, de músicas e da arte que, à sua maneira, se apresentam canais de conscientização e de reflexão.

Embora o modelo coreano não seja global, é a tendência do neoliberalismo priorizar o trabalho e produção. As pessoas passam a ser muito mais valorizadas pelo que são capazes de oferecer e termos produtivos do que necessariamente sociais, assim como cresce a falta de empatia e o distanciamento entre as pessoas. 

É preciso refletir a forma como esse modelo pode ser perverso e de como ele tem ganhado espaço e aumento ainda mais as diferenças entre as pessoas. Em tempos de pandemia, a falta e empatia parece ganhar novos contornos e maior destaque, uma vez que para uma significativa parcela da sociedade global, o dinheiro tem tido prioridade sobre a vida. Estamos encarando a morrte cada vez com mais naturidade. Não que ela não seja natural. Mas não é natural alguém pensar em tirar a vida com apena 11 anos de idade, ou um idoso achar que sua vida vale menos do que a de um jovem, ou um empresário e membros de um governo afirmar que a morte por covid-19 é invitave e, bem, vamos nos confomar. A falta de empatia com o sofrimento alheio não tem nada de normal.



[1] Hallyu é um termo que foi criado na China, no final da década de 1990, e apropriado pela Coreia do Sul que pode ser traduzido como a expansão da cultura sul coreana por meios da exportação de produtos e hábitos culturais.

[2] SHARIF, Hossein. O temido 'Enem' que sela o futuro dos jovens e paralisa a Coreia do Sul por um dia(2018). Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46221616>. Acesso em: 05 set. 2020.

[3] AMERISE, Atahualpa. Coreia do Sul: a república do suicídio (2015). Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/09/18/coreia-do-sul-a-republica-do-suicidio.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em: 5 de set. 2020.

[4] MARTINS, Raquel. Sucesso, depressão e suicídios. O encanto e o lado negro da indústria K-Pop (2029). Disponível em: https://observador.pt/2019/11/30/sucesso-depressao-e-suicidios-o-encanto-e-o-lado-negro-da-industria-k-pop/. Acesso em: 05 de set. 2020


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

ARTIGO SOBRE ARTES E CIÊNCIAS EM LEOPOLDINA

Imagem capturada do Jornal Leopoldinense
Disponível em: <https://leopoldinense.com.br/noticia/4573/cine-theatro-alencar>
Uma novidade para quem estuda ou se  interessa pela História de Leopoldina. O pesquisador Alan Vilela Barroso, aluno do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), publicou um artigo  sobre as produções teatrais e circenses exibidas nas casas de espetáculos de Leopoldina (MG), como Theatro Alencar, no final do século XIX e início do século XX.

Um trabalho muito interessante e inédito sobre a nossa história e que deve ser lido e compartilhado. O artigo completo, com o título "HISTORIOGRAFIA DAS ARTES CÊNICAS EM LEOPOLDINA: anos finais do século XIX; anos iniciais do século XX", pode ser acessado clicando aqui! 

O autor registrou sua pesquisa também em um blog, inclusive com vídeos, que pode ser acessando clicando aqui!

domingo, 10 de fevereiro de 2019

VOCÊ CONHECE O PALMITO DE BANANEIRA?

Imagem disponível em: Receita de Palmito da Bananeira. Disponível em: <https://jupagoblog.wordpress.com/2016/04/18/receita-de-palmito-da-bananeira/>. Acesso em 10 fev. 2019.

Passei o o domingo no sítio de amigos e aprendi uma coisa nova: como extrair o palmito de bananeira (que eu nem sabia que existia). Gravei um vídeo para quem tiver interesse em conhecer, que vai ficar no final da postagem. Fiz ainda uma pequena pesquisada sobre esse alimento. Vejam o que eu descobri.

O palmito da Bananeira é muito consumido na Ásia e é uma ótima fonte de fibras, potássio e B6. Com relação a tratamento de doenças, ele serve para prevenir o acumulo de oxalato que gera as pedras no rim e é usado como remédio para gastrites e úlceras e para reduzir açucares no sangue. No Brasil ele praticamente desconhecido. 
Para o preparo é preciso alguns cuidados, começando com a escolha do pé de banana. O palmito deve ser extraído após a retirada do cacho de banana, uma vez que ele só se forma depois do cacho, justamente quando o pé de banana precisa ser cortado.  

Depois de extraído (veja no vídeo como se faz) ele deve ser colocado em um vidro com água, limão e sal, picado pedaços menores ou rodelas. Ele deve ficar nessa solução por pelo menos 8 horas antes de ser consumido. Se for congelado ele adquiri outra textura, muito parecida com a carne de frango.
Outra receita aconselha a ferver o palmito por 3 vezes para tirar seu gosto amargo, usando duas colheres de vinagre a cada litro de água nas duas primeiras fervuras. A cada troca de água, ferver por 5 minutos. Após esse processo, o palmito dever ser conservado água com vinagre ou limão com sal, na geladeira. 
O palmito de bananeira pode ser preparado refogado, de forma simples, ou substituindo o palmito tradicional em receitas como moqueca de palmito com banana da terra ou de palmito com frango. Aí fica por conta da criatividade de quem vai preparar. 

Fica a dica para quem desperdiça essa iguaria, quando corta a bananeira e descarta seu tronco.

Fontes consultadas:

Receita de Palmito da Bananeira. Disponível em: <https://jupagoblog.wordpress.com/2016/04/18/receita-de-palmito-da-bananeira/>. Acesso em 10 fev. 2019.

Palmito de bananeira. Disponível em: http://milreceitas.blogspot.com/2016/10/palmito-de-bananeira.html. Acesso em 10 fev. 2019.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

JOSÉ DOS SANTOS GARCÊS E AS CABINES DE ARTE

Biblioteca e Bedeteca de Amadora
Uma vez por ano, desde 2016, vou à cidade de Amadora, em Portugal, para visitar a Bedeteca, equivalente à nossa Gibiteca, que fica localizada no segundo andar do prédio onde se encontra a Biblioteca de Amadora. A Bedeteca um espaço maravilhoso, com um acervo rico e diversificado, tanto de quadrinhos quanto de originais doados por artistas. 
Capa do guia da exposição.
Além de quadrinhos e obras de referência  sempre é possível encontrar uma bela exposição de quadrinhos, tanto de autores estrangeiros quanto de autores portugueses. Este ano, por exemplo, eu visitei a exposição "Parabéns Garcês", em homenagem aos noventa anos do quadrinista lusitano José dos Santos Garcês, a partir de originais doados pelo autor.  
A Lenda dos Montes Pálidos (1952),
por José dos Santos Garcês.
Nascido em 1928, José dos Santos Garcês frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde fez o curso de Artes Gráficas e começou sua carreira nos quadrinhos em  1946 no jornal infanto-juvenil O Mosquito. Para esse periódico o quadrinista produziu o "O Inferno Verde", a sua primeira HQ aos dezoito anos, tendo posteriormente colaborado com outras publicações, voltadas para o público infanto-juvenil. Produziu uma imensa obra durante sua carreira, com destaque a quadrinhos históricos e de aventura, numa de mais de carreira de 70 anos.
Inscrição feita no muro em frente à Bedeteca de Amadora chama atenção para a importância da Leitura.

O espaço da Bedeteca de Amadora permite que se realizem exposições durante o ano, o que fortalece tanto a instituição quanto a divulgação do trabalho de artistas, algo que pode e deve ser replicado aqui no Brasil. Sempre há algo novo e interessante a ser descoberto naquele amplo espaço para leitura, que valoriza não apenas os livros mas, também, os quadrinhos. Não é a toa  que Amadora se deu o título de "cidade dos quadrinhos.

Cabines de arte.
Em 2017 eu tive a oportunidade de conhecer o projeto das cabines de leitura. São cabines de telefone desativadas que foram transformadas em pequenas bibliotecas onde as pessoas pegam livros para ler e fazem doações.
Cabines de arte.

Este ano eu me deparei com as "cabines de arte", que são cabines telefônicas transformadas em expressão artística. Projeto encantador que me remeteu a duas coisas, à arte do grafite e do fanzine. Eu observava as cabines, por exemplo, e via um fazine nelas, com textos poéticos e imagens que se harmonizavam.
Cabines de arte.

Algo que também pode ser pensado para o Brasil, talvez não com cabines, que não fazem parte da nossa cultura, mas com armários, geladeiras e outro tipo objeto que por ventura tenha sido descartado mas que pode ser transformado em uma obra de arte ou num pequeno espaço de propagação da cultura.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

UM ANO DE SARAU DE POESIAS

Sarau e poesias realizado no dia 10 de junho de 2017, no Museu Espaço dos Anjos.

Este ano completamos um ano do Sarau de Poesias realizado mensalmente pela Academia Leopoldinenses de Letras e Artes, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina. Durante este período a ALLA, através das organizadoras do Sarau Ana Cristina Miranda Fajardo e Gláucia Costa conseguiu reunir todos os meses um grupo significativo de pessoas, de 8 a 80 anos, sábado pela manhã, para contar casos, declamar poesias autorais e de outros poetas, cantar e tocar instrumentos musicais. Pessoas que moram em bairros centrais e distantes, e até em distritos vizinhos, que pertencem a classes sociais distintas, que possuem graus diferentes de escolaridade (do doutor(a) ao aluno(a) do EJA).

Para quem não sabe, um sarau é um encontro literário e artístico, que pode acontecer durante a noite, ou em qualquer horário, em lugares fechados ou abertos, com diversas manifestações culturais, tendo como uma característica fundamental ser um momento de confraternização cultural.

Quem diria que em pleno século XXI um sarau poderia envolver tantas pessoas? 

Quem disse que a cultura é um luxo de poucos? 

E quem disse que os jovens não apreciam a cultura?

Bom, eu ouvi pessoas dizendo que não daria certo e que as pessoas, hoje, não se disporiam a sair de suas casas no fim de semana para ouvir poesia ou falar sobre livros e poetas. Ainda bem que a ALLA não acreditou nestas previsões tão negativas. Prova disso é que a cada mês o número de participantes aumenta.  

E eu aposto que teremos mais um ano, mais dois anos, mais dez anos de sarau, porque as coisas boas criam raízes, dão frutos e estes frutos alimentam novas mentes estimulando-as a trilhar o caminho iluminado do pensamento.

domingo, 14 de agosto de 2016

VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DO QUIABO?

Imagem disponível em: http://zip.net/bstq86, acesso em 14 de ago. 2016.
No Dia dos Pais, meu pai pediu para o almoço com os filhos seu prato preferido: frango com quiabo acompanhado, claro, de angu. Inspirada pelo cheiro delicioso que está vindo da cozinha da minha casa, resolvi fazer uma pequena postagem, em homenagem a todos os pais, falando sobre a origem deste alimento muito apreciado em Minas Gerais e em tantas outras regiões do Brasil, o quiabo.

O quiabo (cujo nome científico é Abelmoschus esculentum) é um alimento de origem africana. Surgiu provavelmente entre o Egito e a Etiópia, mas é também muito consumido no Sudão, Nigéria, Mali, Guiné-Bissau e Burkina Faso. Nos Estados Unidos ele é considerado um alimento típico dos Estados do sul. 

O quiabo é fruto do quiabeiro, uma planta da família da malva (Malvaceae). Possui origem africana. Também é conhecido como quingombô,  gombô,  quibombó,  quibombô,  quigombó, quibombó,  quimbombô,  quingobó, quingombó e quingombô.  

Com o intenso tráfico de escravos para a América, para trabalhar nas plantações e, posteriormente, na mineiração houve igualmente um intenso intercâmbio cultural entre os dois continentes, o que  possibilitou a vinda de várias espécies de plantas e animais para o Brasil. Dentre os alimentos que vieram juntamente com os escravos estava o quiabo.

“A população negra que vivia no Brasil plantou inúmeros vegetais que logo se tornaram populares, tais como: quiabo, caruru, inhame, erva-doce, gengibre, açafrão, gergelim, amendoim africano e melancia, entre outros. Os negros trouxeram para o país a pimenta africana, cujo nome localizava a origem, Malagueta”[1].

O quiabo passou a fazer parte da culinária brasileira, estando ainda relacionado à rituais de festas religiosas. O Caruru (quiabo cozido com camarão seco, castanha, amendoim, gengibre e azeite de dendê), por exemplo, é um prato servido na Bahia no dia 27 de setembro, em homenagem aos santos Cosme e Damião. O quiabo é um alimento presente nas oferendas a orixás dentro das religiões de matriz africana, sendo considerado muito mais do que um simples alimento para os seguidores destas religiões. Veja um exemplo:

“Ajebo ou ajébo é comida ritual do Orixá Xango ayra. É feito com seis ou doze quiabos cortado em "lasca", batido com três clara de ovos até formar um musse, regado com gotas de mel de abelha e azeite doce. Colocado em uma gamela forrada com massa de acaçá ou pirão de farinha de mandioca, ornado com doze quiabos inteiros, doze moedas circulante, doze bolos de milho branco e seis Orobôs. A mesma oferenda pode ser oferecida a outras qualidades de Xangô, todavia acrescenta-se azeite de dendê e substitui os doze bolos de milho branco por doze acarajés”[2].

A culinária mineira, assim como a de muitas outras partes do país foi influenciada pela culinária africana, indígena e portuguesa. Temperos e alimentos vindos de vários continentes se encontraram dando origem a pratos que se tornaram característicos de várias regiões.

Em Minas Gerais o quiabo está presente desde o início da ocupação da região, no final do século XVII, com a descoberta do ouro e, posteriormente, dos diamantes. O quiabo era preparado juntamente com a carne de animais ou misturado ao angu. Quando chegaram as galinhas e porcos trazidos pelos portugueses vieram, então, o frango com quiabo e a costelinha com quiabo, sempre acompanhados de angu.

O frango com quiabo é um ensopado, tipo de comida característica da culinária portuguesa trazida para o Brasil pelos colonizadores. Os ensopados eram preparados pelos colonos com carne de animais de caça ou animais criados em sítios e fazendas, como galinhas e porcos. Geralmente, eles eram acompanhados de farinha de mandioca, outro alimento típico da culinária nacional, de origem indígena.

Por exemplo, a história do Feijão Cru, lenda de fundação do município de Leopoldina (MG) parte de uma prática culinário comum entre colonos: o cozimento de feijão. O feijão tropeiro, outro alimento típico de Minas, surgiu do hábito de se cozinhar feijão e comê-lo acompanhado de farinha de mandioca. Passou-se a acrescentar à refeição tudo que os viajantes tinham em mãos: carne de caça, toucinho, carne seca, verduras, etc. Os caldeirões de ferro eram dependurados sobre fogueiras.

“O feijão tropeiro recebeu esse nome porque o feijão era servido, na época, durante as longas viagens em tropas de burro. Quanto às sobremesas, há fartura de doces e compotas: doce de buriti, de leite, rocambole recheado, geléias com queijo de minas, doces de amendoim etc”[3].

O historiador Carlos Alberto Antunes dos Santos destaca que o feijão era consumido em praticamente todo o território colonizado por Portugal e fazia parte da agricultura de subsistência.[4] Ao lado dele outros alimentos eram amplamente consumidos, como o milho, a mandioca e a carne seca. Alimentos que tinham maior durabilidade e que podiam ser transportados em longas viagens.

Finalizando, pode-se dizer que experimentar um bom frango caipira com quiabo é uma forma não apenas de honrar uma tradição mineira mas, também, preservar parte do nosso patrimônio cultural e enriquecer ainda mais nossa História da Alimentação, responsável pela formação de parte na nossa identidade nacional. Então, bom apetite e Feliz dia dos Pais.

Uma curiosidade: Cleópatra, rainha do Egito, usava o quiabo como produto de beleza.

OUTRAS FONTES CONSULTADAS

A ORIGEM da Culinária Mineira: 300 anos de receitas bem guardadas. Disponível em: http://zip.net/bjtqWy, acesso em 14 ago. 2016.


ALIMENTAÇÃO e Cultura. Disponível em:  http://zip.net/bytrqc, acesso em 14 ago. 2016.

 

DO QUIABO ao dendê, caruru baiano é marco do sincretismo na gastronomia. Disponível em: http://zip.net/bftqQF , acesso em 14 ago. 2016.


MINEIRIDADES - Frango com quiabo e angu é um bom motivo para a gula. Disponível em: http://zip.net/bmtqV3, acesso em 14 ago. 2016.

 

OFERENDAS e comidas dos Orixas. Disponível em: http://zip.net/bvtrlg, acesso em 14 ago. 2016.

 

QUIABO. Disponível em:  http://zip.net/bntq4D, acesso em 14 ago. 2016.






[1] ALIMENTAÇÃO e Cultura. Disponível em:  http://zip.net/bytrqc, acesso em 14 ago. 2016.
[2] OFERENDAS e comidas dos Orixas. Disponível em: http://zip.net/bvtrlg, acesso em 14 ago. 2016.