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domingo, 19 de fevereiro de 2017

A SUBVERSÃO DO CARNAVAL


Carnaval de 2016.
Ontem à noite o Carnaval começou anunciar sua chegada em Leopoldina com o Bloco do Pó de Giz, formado por professores. O que me fez recordar dos meus primeiros carnavais lá no início da minha adolescência. 

Recordei do meu primeiro baile no Clube do Moinho, aos meus doze anos, acompanhando minha tia. A primeira pessoa que reconheci no meio da multidão de foliões foi meu professor de matemática, o rígido professor Waldir. Ele estava com um copo de cerveja na mão (ele só tinha um braço), um bermudão, uma camiseta e vários colares havaianos pendurados no pescoço. 

Eu fiquei chocada! Era como se eu nunca o tivesse visto na minha vida. Era outra pessoa. Ou não era?

Para mim, a estudante de 12 anos, ver meu professor num baile de carnaval, fantasiado, bebendo e sambando era algo extremamente escandaloso. Foi a primeira vez que eu percebi que a imagem que construímos de alguém nem sempre representa o que ela é na realidade.

O professor Waldir foi meu exemplo e meu libertador. Todos os anos, no carnaval, eu saio como eu quero: com shorts curtos, camisetas, fantasias extravagantes ou simples. Às vezes escandalizo meus alunos mais jovens, às vezes participo das brincadeiras com meus alunos mais velhos.

Mas não é pra isso que serve o Carnaval? Para que as pessoas possam se libertar das suas inibições, deixar suas emoções aflorarem livremente sem a preocupação de censurado ou mesmo condenado socialmente pelas suas ações?

Afinal, no carnaval tudo pode. Era assim na Idade Média, com a Festa dos Loucos, quando se colocava de lado as regras rígidas do cristianismo por três dias e se abraçava sem medo a subversão. Da mesma forma o entrudo no Brasil, no século XIX, oferecia aos seus participantes a oportunidade de extravasar toda a tensão acumulada durante o ano. Os bailes de máscaras, à moda veneziana, introduzidos mais tarde, permitiam que homens e mulheres, protegidos pelo suposto anonimato oferecido pelas mascaras, deixassem aflorar suas paixões.

Carnaval é tempo de libertação. Homens se vestem como mulheres, mulheres usam fantasias extravagantes, crianças correm e brincam, atirando confetes e serpentinas. É época de uma transgressão saudável e libertadora.

Talvez meus carnavais não sejam mais como eram na época do saudoso professor Waldir. Mas sempre é bom ver a alegria das crianças e dos jovens e achar graça de quando me veem com uma fantasia ou uma roupa menos comportada, como se aquilo fosse à coisa mais impressionante do mundo.

E embora talvez algumas possam pensar que isso causa problemas no meu trabalho, se enganam. Eu aprendi que o professor Waldir era ao mesmo tempo o folião e o professor, mas sabia que na sala de aula prevalecia o professor. Mas havia uma admiração muito grande por esta dicotomia. Eu tinha um ótimo professor, que se tornava uma pessoa alegre e festiva na qual me inspiro até hoje.

Postagem feita em memória do professor Waldir, um grande matemático e um excelente folião.



quarta-feira, 5 de março de 2014

FRAGMENTOS DA MEMÓRIA LEOPOLDINENSE: O CARNAVAL

Pesquisando alguns exemplares do O Leopoldinnense encontrei algumas chamadas para o carnaval, na década de 1880. Algumas bem curiosas envolvendo grupos carnavalescos. O primeiro, data de 17 de fevereiro de 1881 e traz um programa detalhado do Distrito de Piedade (atualmente Piacatuba), que envolve até troca de flores e passeio a cavalo.

O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n. 11, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

No segundo, temos uma chamada para o carnaval de Cataguases, em 1882, também com a descrição do programa, com direito desfile com fantasia e carros alegóricos.

O Leopoldinenese. Leopoldina, 19 de fevereiro,  de 1882, n, 14, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional).

Uma curiosidade: os organizadores entram no espírito da festa e assinam com pseudônimos como "Valete de Copas",  "Lorde Grão de Bico" e " Lord Parafuso".

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Leopoldina: O Carnaval entre quatro paredes: o Estado Novo e o controle da malandragem

Segue um texto no qual trabalhei estes dias. É um fragmento de um texto maior. Não fiz uma revisão minuciosa, mas resolvi colocar no blog justamente para poder receber possíveis críticas e sugestões de quem se arriscar a fazer sua leitura.

*****
Baile de carnaval na década de 1930
Disponível em: 
http://www.liratenisclube.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=147, acesso em 23/02/20112 


Com a Revolução de 1930 e o fim da política das oligarquias o Brasil passou por uma série de mudanças que ocorreram em vários setores da sociedade. Na então inaugurada Era Vargas, houve uma aproximação maior do Estado com a população mais pobre, com o trabalhador. Este, por sua vez, passa a ser valorizado como peça fundamental para o desenvolvimento do país. Com a instalação do Estado Novo intensifica-se o esforço de cooptação das massas urbanas e o operário ganha espaço tanto no discurso governista quanto na arte e cultura popular.

 

Buscava-se quebrar o paradigma que por séculos foi cultivado e reforçado pelas elites de desqualificação do trabalho. O Brasil pretendia, então, tornar-se um país desenvolvido e investia na sua industrialização. Era necessário combater qualquer tipo de imagem ou ideia que contradissesse o pensamento do governo.

 

Neste momento investiu-se no orgulho e na realização advindas do trabalho e buscou-se combater a pobreza, como forma de criar-se uma imagem positiva do Brasil. Pra este fim, “O governo Vargas soube aproveitar-se dessa cultura popular para divulgar e reforçar o processo de formação da identidade nacional unindo samba e política” [1] Buscava-se uma aproximação com a cultura popular por meio de um ritmo que invadia todos os ambientes, na década de 1930: o samba.

 

Surgido como gênero distinto e identificável nas duas primeiras décadas de nosso século, o samba tornou-se, vinte anos mais tarde, na década de 1930 portanto, o gênero de música popular brasileira mais difundido, conhecido e aceito em todo o país.

(...)

Contribuíram para isso seu uso no carnaval, mas, principalmente, sua difusão pelo rádio, que na década de 1930 alcançava todo o território nacional, tornando-se o mais importante meio de comunicação. A partir principalmente de 1937 e até o final do Estado Novo, em 1945, houve um motivo complementar e poderoso para isso: a cooptação do samba pelo governo getulista para impor o seu projeto de nação.” [2]

 

O samba e o carnaval passaram a ser uma preocupação do Estado. Inicialmente era necessário promover a disciplinarização das massas e da figura típica à qual o samba estava associado: o malandro. A figura do malandro, associada ao ócio e à boemia ia de encontro com o projeto do Estado, de difundir o ideal do trabalho como caminho para o desenvolvimento. Num esforço considerável, a malandragem começou a ser combatida e o malandro, redimido. Os sambas passaram a tratar de temas relacionados ás qualidades do Brasil e de seu povo. O malandro ainda existia, mas seu espaço passou a ser delimitado. Passava-se a mensagem de que a malandragem não compensava e de que apenas pelo trabalho o homem encontraria sua realização. “O DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda – ocupou-se em cooptar os sambistas, compositores, críticos, colunistas; “organizou” e regulamentou o carnaval, instituindo as regras de desfile das escolas de samba, os prêmios às melhores músicas, os concursos etc...” [3]

 

Por ser um projeto nacional, é natural Minas, e Leopoldina em especial, tenha sido afetada pela normartização do carnaval. Analisando as reportagens veiculadas na Gazeta de Leopoldina, nas primeiras décadas do século XX, é possível verificar as mudanças que ocorreram com a festa mais tradicional do Brasil. No caso, coletamos trechos publicados em 1938, no primeiro carnaval de Leopoldina durante a ditadura do Estado Novo.

 

É possível perceber que, durante o governo autoritário, um esvaziamento do espaço público, tradicionalmente ocupado pela população durante os festejos carnavalescos. O carnaval de 1938 foi marcado pelos grandes bailes. Ao contrário do que ocorria na década de 1920, não se dá destaque ao carnaval de rua, mas ao carnaval de clube. Os blocos carnavalescos ainda estão presentes. Segundo a Gazeta de Leopoldina dez blocos e cordões sairiam naquele carnaval, mas o destaque estava para os blocos ligados aos principais clubes. O carnaval se tornava uma festa a quatro paredes.

 

Os bailes se concentravam no Clube Leopoldina, apresentado como clube da elite leopoldinense; no Alvorada, cujos bailes aconteciam no Cine Teatro Alencar, no Industrial e no Cotubas. É possível notar que ocorre uma clara delimitação dos espaços sociais, o que não é necessariamente uma novidade. A elite se concentra no Clube Leopoldina, a classe média ou intermediária freqüenta os bailes do Aurora, no Cine Teatro Alencar; o Cotubas, tradicionalmente, recebe a população mias simples da periferia e, também, grupos pertencentes à classe média baixa. Há referência vaga ao “Do Morro”, quem não temos certeza se era um clube ou referência a um espaço urbano. A novidade é o Industrial, voltado para o operariado urbano, um grupo que ganhou destaque já no início da era Vargas, em 1930, mas que até então não vinha sendo citado nas notícias sobre carnaval, pelo menos não de forma específica.

 

Realizar-se-á hoje, ás 21 horas, nos amplos salões do Clube Leopoldina, um baile à fantasia, abrilhantado pelo conjunto musical “Elite Jazz”.

 

A sua diretoria resolver dar, por ocasião dos folguedos de Momo, o Imperador da Alegria, três grandes bailes, os quais irão dar maior brilho aos festejos comemorativos da passagem do Carnaval em nossa cidade.

 

Vemos nisso o formidável esforço de sua diretoria, para que o Clube Leopoldina, o patrimônio da cidade, continue com suas portas abertas, mantendo o que em muito boa hora, um pugilo de homens progressistas de nossa terra edificou.[4]

 

O carnaval se apresenta como um momento de igualdade, de fraternidade entre as diversas etnias e grupos sociais. “Em todo e qualquer ponto da cidade haverá lugar para a explosão se sua alegria, que é vida, que canta, que estala e que há de contaminar toda a nossa gente, desde o coronel ao doutor, dedes o velho ao jovem, desde o preto ao branco.”[5]

 

Dos dez blocos aos quais se referiu vagamente a Gazeta de Leopoldina, identificamos:  “Quer mais não pode”, “Boi verde”, “Palhaços”, “Xadrez”, “Cadeia pra quem quer” e Carijós. Com exceção do bloco “Palhaços”, o restante está relacionado ao clube Cotubas ou ao “Do Morro”. Curiosamente não há referências aos blocos femininos, como se eles na fizessem mais parte dos festejos locais.

 

Uma das poucas referências que se faz ao carnaval de rua é a “Batalha de Confete”, organizada pelo Industrial clube, no entroncamento entre a rua barão de Cotegipe e a Tiradentes. Repare na organização do evento e no controle do espaço. O controle do espaço transforma uma festa popular numa manifestação normatizada.

 

A cidade teve, no domingo passado, uma grande e formidável batalha de confete, organizada pelo Industrial-Clube. O ponto designado para a batalha foi o entroncamento entre a rua Cotegipe  coma Tiradentes, que foi pequeno para comportar a grande multidão, que interrompeu por algumas horas o transito daquela via.

 

Em um palanque, armado naquele local, o conjunto Independência Jazz, fez, não só vibrar o entusiasmo, os componentes da batalha, como a grande mole humana, que ali se encontrava e que presenciou a mais animada batalha destes últimos tempos.[6]

 

Entre o conjuntos musicais que animavam os bailes de carnaval estavam o Independência Jazz e a Elite Jazz, ambas surgidas na década de 1930 e formada por músicos da banda local, a Banda de Música Santa Cecília.

O Elite Jazz se apresentava nos bailes do Clube Leopoldina, frequentado pela elite da cidade, talvez venha daí seu nome, era um conjunto musical bem estruturado, com diretoria organizada e, portanto, com maior poder econômico.[7]

 

O Elite Jazz se apresentava nos bailes dos clubes Cotubas e Prazer das Morenas, freqüentando pela classe média baixa.[8]

 

Segundo Albino Montes, havia uma grande rivalidade entre as duas bandas, que viviam sempre disputando espaço na cidade. O Elite Jazz chegava, inclusive, a contratar músicos de outras localidades para concorrer com o Independência Jazz. Os dois conjuntos animavam o carnaval da cidade e eram eles, também, que condiziam os bailes que ocorriam durante o ano.

 

A marchinha comentada naquele ano foi Olá, Seu Nicolau:

Olá, Seu Nicolau

Olá, seu Nicolau, você quer mingau ?
Quer, quer, quer,
Maria vai trazer na colher de pau,
Pau, pau, pau,
Você, seu Nicolau, é um velho mau,
Mau, mau, mau,
Com seu Nicolau, é no berimbau !

Fez a mulher, engolir um tostão,
Para ver se fazia nascer um milhão !
Seu Nicolau, fazer força não quer,
Onde é bom ele ir,
Ele manda a mulher.[9]




[1] CARVALHO, Márcio Mendes. O Estado Novo e o samba malandro vigiado em Porto Alegre: Um estudo sobre as ações intervencionistas estatais e as formas de resistência do personagem malandro nos anos 30. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho de Conclusão do Curso de História. Porto Alegre, 2009, p.04.

[2] NOVAES, José. Um episódio de produção de subjetividade no Brasil de 1930:

Malandragem e Estado Novo. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 6, n. 1, p. 39-44, jan./jun. 2001, p. 40.

[3] Idem, p. 42.
[4] Clube Leopoldina.Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, 20 de fevereiro de 1938, p. 02.
[5] Pleno Carnaval. Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, 27 de fevereiro de 1938, p. 02.
[6] Batalha de Confete.  Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, 12 de janeiro de 1938, p. 01.
[7] MONTES, ALBINO. Leopoldina, sua gente, sua música. Belo Horizonte, 2003, p. 29.
[8] Idem, p. 30.
[9] Olá. Seu Nicolau. Disponível em http://letras.terra.com.br/marchinhas-de-carnaval/1941228/, acesso em 20/02/2012.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Blocos de Carnaval: Leopoldina 1926


Continuando meu levantamento sobre Carnaval antigo de Leopoldina, gostaria de destacar algumas notas publicadas na Gazeta de Leopoldina, no ano de 1926, sobre os blocos carnavalescos. Os blocos de Carnaval, até o início do século XX recebiam vários nomes: ranchos, cordões, grupos sociedades e, claro, blocos.

Mas na década de 1920, intelectuais brasileiros, representando os anseios da elite, resolveram organizar as brincadeiras. O Carnaval se consolidava como uma festa nacional, da qual participavam todos os segmentos da sociedade. Era, portanto, necessário "ordená-la", enquanto festa nacional. O Carnaval, em especial o Carnaval Carioca passou a ser visto como um "resumo" da diversidade cultural brasileira.

Começaram ser divididas as diferentes categorias, que iam das sofisticadas sociedades carnavalescas – ou grandes sociedades – até os temidos cordões. Dentro dessa nova organização, os grupos do Carnaval chamado de popular eram classificados como ranchos (organizado), os blocos e cordões (desorganizado).

O bloco se tornava um meio termo e, na década de 1920 começaram a buscar por aceitação social, dando origem às escolas de samba na década de 1930.

Podemos identificar alguns tipos mais comuns de blocos:
  • os blocos de enredo (possuem um samba enredo, uma temática)
  • os blocos de embalo (blocos sem enredo)
  • os blocos de sujo (foliões com fantasias improvisadas, geralmente desorganizado)
  • os blocos das piranhas (homens vestidos de mulher desfilam pelas ruas em grupo, acompanhados ou não do som de instrumentos musicais).

Em Leopoldina existiam blocos diversos. Aqui vamos destacar os blocos de Carnaval formados por moças. O primeiro deles, que desfilou pelas ruas em 1926 foi o Bloco Prazer das Morenas, que era organizado na Rua Tradentes:

" Essa novel sociedade tem progredido bastante e este ano promete se apresentar melhor do que no ano passado.

À sua diretoria é a seguinte:
Presidente: senhorita Alice Gama
Vice-Presidente: senhorita Claudiana Barroso" (1)

Outro bloco formado apenas por mulheres era o Bloco das Cartolinhas, que fez sua estréia naquela ano:

"Um grupo de distintas senhoritas da sociedade leopoldinense está organizando o "Bloco das Cartolinha", prometendo grandes surpresas para os dias de Carnaval.

Esse alegre bloco dará a nota distinta do Carnaval, aparecendo na cidade um dia com seus elementos tarjados de "futuristas", outro de "pierrets" e com algumas outras várias fantasias."(2)

O bloco das Tesourinhas, que estréiava naquele ano, foi um dos que ganhou mais destaque no jornal:

"Está em plena florescência, na Grama, a constituição do bloco das "Tesourinhas". Essa encantadora agremiação, presidida pela graça adorável de um grupo de distintas senhoritas, promete abrilhantar as festas carnavalescas deste ano.

As "Tesourinhas", tendo por tema ridendo castigar mores - pretendem dar a nota chic, folgar e ... tesourar, pela raiz, as tristezas que não empolgarão nunca a jovialidade e a animação."(3)

Notem que os blocos femininos são formados por senhoritas. Não há menção de mulheres casadas. Supostamente, estas estariam impossibilitadas de participar de blocos sem a presença do marido. Acredito que, nestes casos - dependendo do segmento social - as mulheres casadas participassem do corso de automóveis, juntamente com marido e filhos mais jovens. Os blocos eram para moças - senhorias distintas. Estes blocos eram aceitos socialmente e classificados como distintos, chics, por serem formados por moças de família.

No Carnaval, as moças tinham relativa liberdade de poderem se agrupar em blocos, fazer fantasias e desfilarem, embora acredito eu que sempre sobre a vigilância dos pais, que deviam acompanhar todo o processo de organização dos blocos. No jornal, aparecem relatos de blocos, bailes e corsos, mas sempre organizados pela elite local, chic. Não há menção, pelo menos em 1926, de manifestações populares, como se a periferia estivesse afastada do Carnaval. Também naquele ano sobre o Carnaval dos menos favorecidos, de como se divertiam nos dias de folia.

Da mesma forma que aconteceu no Rio de Janeiro, procurava-se passar a imagem do Carnaval como uma festa ordenada, reconhecida pela elite através da presença de seus filhos e filhas, dos bailes chics e reservados, dos corso de automóveis dos quais participavam os que podiam alugar um automóvel e gastar com decoração e fantasias. Ao restante da população ficava o papel de mero observador, pelo menos em tese.
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(1)Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, 31/012/1921, p. 03
(2) Idem.
(3) Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, 04/02/1926, p. 03


ATENÇÃO: O texto acima pode ser livremente reproduzido, desde que seja citada a fonte e o autor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O CARNAVAL DE LEOPOLDINA (1926)

Adoro pesquisar sobre Carnaval. Já fiz um artigo sobre representações do Carnaval por meio dos quadrinhos que foi publicado na revista História, Imagem e Narrativa (clique aqui), tendo como foco os quadrinhos de Ângelo Agostini e fiz uma nota sobre o Carnaval em Leopoldina no livrinho que ajudei a fazer sobre a história de Leopoldina. Adoro estudar as festas populares. Acho que se aprende muito sobre os hábitos sociais e sobre cultura, de uma forma geral.

Sobre o Carnaval em Leopoldina, encontrei recentemente algumas notas em jornais de época. Em 1926, os preparativos para a festa eram noticiados de forma animada na Gazeta de Leopoldina:

"Ao que ouvimos , a mocidade leopoldinense não deixará passar em branca nuvem os três dias consagrados à folia.

Serão organizados lindos bailes a fantasia para as três noites de folguedos.
o bloco dos Cotubas, que tanto realce deu ao carnaval do ano findo está prometendo a sua festa e promete outro grande sucesso para este ano" ( Gazeta de Leopoldina, 10/01/1926, nº 204, ano XXXI, p. 01).

A tradição do Zé Pereira estava presente na cidade. "Vários foliões da cidade promoveram animados Zé Pereira nas noites de sábado e domingo últimos, anunciando os próximos dias de reinado do Mono" (Gazeta de Leopoldina, 10/01/1926, nº 205, ano XXXI, p. 01).

O Zé Pereira é uma tradição carnavalesca de origem lusitana que se tornou uma das brincadeiras carnavalescas mais comuns no Rio de Janeiro já no século XIX. O termo era usado, na segunda metade do século XIX, para qualquer tipo de bagunça carnavalesca acompanhada de zabumbas e tambores, semelhantes ao que chamaríamos hoje de bloco de sujo.

A brincadeira se consolidou em 1869, com a encenação de uma de uma burleta carnavalesca intitulada O Zé Pereira carnavalesco. O sucesso da apresentação — uma espécie de adaptação livre da peça Les pompiers de Nanterre (Os bombeiros de Nanterre) — deveu-se, principalmente, à versão para o português da música-tema francesa que se transformaria num verdadeiro hino carnavalesco, sendo tocado até hoje:
E viva o Zé Pereira.
Pois a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de Carnaval (1)

A partir daí o conceito da brincadeira do Zé Pereira iria adquirir feições tipicamente brasileiras (e cariocas) associando-se à alegria característica das ruas da folia no Rio de Janeiro.

"O zé-pereira cresceu de fama no fim do século XIX, quando o ator Vasques elogiou a barulhada encenando a comédia carnavalesca O Zé-Pereira, na qual propagava os versos que o zabumba cantava anualmente: E viva o Zé-Pereira/Pois que a ninguém faz mal./Viva a pagodeira/dos dias de Carnaval! A peça não passava de uma paródia de Les Pompiers de Nanterre, encenada em 1896. No início do século XX, por volta da segunda década, a percussão do zé-pereira cedeu a vez a outros instrumentos como o pandeiro, o tamborim, o reco-reco, a cuíca, o triângulo e as "frigideiras". (2)

O Carnaval em Leopoldina, ao que parece, recebeu influencia do Carnaval carioca, o que é compreensível, dada a proximidade da cidade com a então capital do Brasil. Sobre os dias de folia, a Gazeta de Leopoldina relata:

"Ante-ontem, à tarde e a noite, a cidade tomou o aspecto dos grandes dias de pleno Carnaval. saíram à rua, acompanhados de bem arranjado conjunto musical, nada menos que dois blocos carnavalescos, espadamando risos e alegria por todos os cantos.

Seguiam-lhes por toda a "urbs" grande massa popular.

O primeiro grupo que tão alegremente pôs à mostra, na cidade o entusiasmo que empolga o elemento folião da terra, foi o cordão - Quem tem orgulho não brinca, composto de meninas trajadas à marinheiro. Acompanhava o bem organizado cordão um "jazz-band" das "arábias", ao som do qual as meninas entoavam canções alusivas ao Carnaval. Pandeiros, chocalhos, guizos, manejados com todo o requebro e trejeitos, formavam a ideia dos caso sério que vai ser este ano a festa de Momo nesta velha Leopoldia que nunca relaxou.

Muitas palmas alcançaram as folias do Quem tem orgulho não brinca, por toda a cidade." (
Gazeta de Leopoldina, 26/01/1926, nº 216, ano XXXI, p. 03)

Desfilaram no Carnaval Leopoldinense daquele ano os seguintes Blocos:
1 - Cotubas
2 - Prazer das Morenas
3 - Quem tem orgulho não brinca
4 - Cartolinhas
5 - Tesourinhas
6 - Maravilhas

O jornal faz uma descrição detalhada da atuação de muitos destes blocos e fala ainda do Corso de automóveis.
O Corso, é um desfile de caminhões e carros abertos, com ou sem decoração conduzindo famílias e grupos de foliões pelo centro da cidade. (3)

"Como nos anos anteriores, vai ser brilhante o corso de automóveis. Nele tomarão parte as mais distintas famílias lepoldinenses.

O Corso de automóveis constitui, sempre, a parte mais chic do Carnaval na cidade. a quantidade de serpentinas e confete consumida durante a passeata é extraordinária" (Gazeta de Leopoldina, 26/01/1926, nº 216, ano XXXI, p. 03)

O Corso, no início do século XX, era um privilégio dos poucos proprietários de carros e um espetáculo para os "populares", que viam desfilar as famílias mais tradicionais. Para moças de "família" era a única oportunidade de aproveitar o Carnaval de rua, pois os pais não permitiam que elas de misturassem com os foliões. Fora isso, só havia a opção dos bailes a fantasia, que aconteciam no Cine-Brasil

Ainda sobre o Corso, havia concurso de automóveis. Como havia poucos em Leopoldina as famílias alugavam automóveis em Tebas e Argirita.

"Em vista de serem poucos automóveis de aluguel existentes na cidade, deverão vir de várias localidades do município, entre as quais Argirita e Tebas, vários outros que serão postos à disposição do público para alugar durante os três dias de Carnaval." (Gazeta de Leopoldina, 06/02/1926, n. 226, ano XXXI, p. 03)

Vou finalizar esta postagem com uma marchinha de Carnaval da época, Zizinha, um sucesso do Carnaval de Leopoldina de 1926:

ZIZINHA
(Marcha da Folia - Música de J. F de Freitas)

Por ser deveras conhecida
Palavra, em ando aborrecida.
Em qualquer lugar
Sou muito perseguida!
O meu tormento não tem fim!
Nunca pensei sofrer assim.
Velhos e mocinhos.
Pedem-me beijinhos.
Dizendo , enfim para mim:

(Estubilho)

Zizinha! Zizinha!
Ó! Vem
Comigo vem,
Minha santinha,
também quero tirar
Uma Casquinha.

II

D'outro dia num bondinho
Um coronel já bem velhinho
Deu-me um beliscão
Pegou0me na mão
Tais coisas fez, enfim,
Que quando olhei admirada
Até parece caçoada
Ainda suspirou
Os olhos revirou
Dizendo assim:

(Estubilho)

Zizinha! Zizinha!
Ó! Vem
Comigo vem,
Minha santinha,
também quero tirar
Uma Casquinha.

(Gazeta de Leopoldina, 05/02/1926, nº 225, ano XXXI)

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(1) Zé Pereira. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9_Pereira, acesso em 12/02/2010.
(2)
Carnaval: história e atualidade. Disponível em http://www.miniweb.com.br/cidadania/Dicas/carnaval.html, acesso em 12/02/2010.
(3)CARDOSO, Monique. História do Carnaval. Disponível em http://www.areliquia.com.br/Artigos%20Anteriores/57HistCarn.htm, acesso em 12/02/2010

ATENÇÃO: O texto acima pode ser livremente reproduzido, desde que seja citada a fonte e o autor.

sábado, 26 de abril de 2008

Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910)

Saiu um artigo meu sobre história e quadrinhos na Revista História, Imagem e Narrativa, edição 06. O título do artigo é Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910). Para dar uma conferida no meu trabalho e na revista, que tem excelentes artigos de outros autores, é só clicar aqui.

Segue, abaixo, o editorial da revista.


Um diálogo com o passado através das mídias contemporâneas
por Carlos Hollanda

Mesmo no mundo acadêmico, onde projetamos expectativas acerca da abertura ao conhecimento e a visões críticas sobre os diversos preconceitos em sociedade, podemos, vez por outra, ouvir a indagação: "para quê estudar Antigüidade ou Idade Média? O Brasil não teve Idade Média...". Soa estranho ouvir tal pronunciamento vindo dos lábios de alguns professores cujos trabalhos e histórico nos inspira admiração e respeito. De fato, o problema não se restringe a esses campos do conhecimento. O preconceito parece ser uma característica inerentemente humana, uma via de mão dupla que ora é perpetrada ora é sofrida pelos mesmos agentes. Em certos casos as resistências de certos pesquisadores a determinados temas ocultam visões estereotipadas e a recusa em admitir a possibilidade de não dominarem esse ou aquele assunto. Embora estejamos falando de pessoas com um altíssimo grau de instrução, com produção científica considerável, não raro nos deparamos com os referidos preconceitos, alicerçados por justificativas de quase impecável racionalidade para rejeitar um ou outro ponto de vista. Não há como estabelecer uma medida entre o "melhor" ou o "pior" preconceito, mas impressiona o fato de que justamente cientistas das áreas de humanas, tão empenhados em analisar criticamente as facetas do comportamento, podem vir a desenvolvê-lo de maneira ainda mais rígida do que a das pessoas que não têm tanta formação.

Um passo fundamental na trajetória do estudioso das ciências humanas é o de relativizar os próprios conhecimentos e convicções oriundos do saber no qual cada um é especialista. É procurar não ser escravo do especialismo. É não acreditar-se num patamar superior e intocável, cujas verdades são inquestionáveis e sempre capazes de decifrar o outro, não possuidor de sua "luz" científica ou, ao menos, não possuidor dos mesmos conhecimentos enunciados exatamente da mesma forma. Toda essa reflexão suscita o desejo de reler os escritos de Paul Veyne e de José Carlos Rodrigues, a propósito.

Nossa presente edição transita entre a Antigüidade e a Contemporaneidade, fazendo uma breve passagem na educação medieval e nas crenças e conhecimentos populares da modernidade. Aqui temos a impressão de que aqueles que vêm produzindo conhecimento nos últimos anos estão relativizando com mais ênfase seus próprios enfoques. Não se pode pensar em mundo contemporâneo sem pensar e compreender cada vez mais apuradamente as heranças da Antigüidade, da Idade Média, da Idade Moderna. É preciso conversar com elas como se fossem pessoas que estamos constantemente passando a conhecer e reconhecer.

Aquilo que as mídias atuais veiculam, seja no cinema, na TV, no rádio, nas publicações impressas (quadrinhos, livros, jornais) e na Internet, nos têm trazido com muita freqüência um olhar histórico ou pretensamente histórico. Mais do que uma simples preocupação em engordar contas bancárias de cineastas e outros produtores midiáticos, esse fenômeno responde a uma necessidade sociocultural de nosso tempo de dialogar com aquilo que fomos e, por conseqüência, o que nos tornamos. De nada adianta julgar uma obra literária (roteiros em geral, livros e demais narrativas) em busca de nela encontrar uma precisão absoluta em termos históricos. Toda obra é filha de seu tempo e lugar e a eles se curva. Mais vale, então, entender o que traz à visão de hoje aquilo que tentamos desenterrar do passado, ainda que eivado de elementos que nos são familiares porque atuais e não da época de que falam.

A cada volume de conhecimento adquirido as supracitadas heranças vão ganhando contornos mais interessantes e maior profundidade. Tudo isso é extremamente útil, pois conhecer aquilo que é anterior a nós é como conhecer um outro. Conhecer o outro, com todas as suas contradições, é conhecer a nós mesmos e isso não é pouca coisa num mundo cada vez mais complexo como este em que vivemos.

Carlos Hollanda
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
Prof. Subst. do Departamento de Teoria e História da Arte (BAH) - UFRJ

Prof. Subst. do Departamento de Análise e Representação da Forma (BAF) - UFRJ
26/04/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Uma breve História do Carnaval


Natania Nogueira


No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador de Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, mas foi no final do século XIX que a festa começou a se popularizar. Populares se reuniam e, aos poucos, se formavam multidões de foliões. Era o entrudo, que tinha origem portuguesa e foi introduzido no Brasil provavelmente entre os séculos XVI e XVII. Consistia emum folguedo alegre, mas violento. Nos entrudos familiares, era comum usar-se os limões de cheiro, ou laranjas de cheiro - pequenas bolas de cera recheadas de águas perfumadas -, que eram vendidos em tabuleiros pela cidade, e que os foliões atiravam uns nos outros. Havia também jatos d’agua, farinha lama, cinzas, enfim, tudo que pudesse ser usado para deixar a outra pessoa suja. nos entrudo de rua, os populares, corria-se o risco de receber na cabeça o conteúdos de penicos, lançados na multidão pelos moradores dos sobrados. Além de tudo isto, havia também o risco de ser agredido por um policial, que usava o cacetete para apartar os ânimos da multidão.

Havia entrudos familiares e populares. Nas ruas, os homens de boas famílias se misturavam com populares, em sua maioria negros e mestiços. As senhoras tidas como honestas assistiam de longe, das sacadas das casas, e mais tarde passaram a participar do corso carnavalesco vespertino, dento de carros, protegidas do contato com os foliões das ruas.
Corso, é o nome que os passeios das sociedades carnavalescas do século XIX adquiriram no início do século XX, no Rio de Janeiro, após uma tentativa de se reproduzir no país as batalhas de flores características dos carnavais mais sofisticados da virada do século. A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas – e, posteriormente, de automóveis sem capota
Foi na década de 1840 que ocorreu a separação entre a festa da rua, - popular, negra – da festa de salãobranca e segregada. Teria sido uma família de italianos do Rio de Janeiro a primeira a organizar estes bailes, à moda veneziana, com o uso de máscaras. A máscara, marcante até hoje nos carnavais de Veneza, ajudava a preservar o anonimato dos foliões, que se perdiam em meio aos salões. Nas ruas, as máscaras também eram usadas, algumas rústicas, outras improvisadas, mas sempre com o mesmo objetivo de manter o anonimato, pois, afinal, no carnaval as pessoas podiam se despir de certos pudores e cometer alguns excessos, que normalmente eram condenados pela sociedade.

A máscara representava uma segurança para o folião que não desejava ser recriminado durante o restante do ano pelas suas ações durante o carnaval. Nas ruas, multidões acompanham blocos e se disfarçam para poderem manter o anonimato e aproveitar os dias de folia, sem se preocupar com a constante vigilância da sociedade e da(s) igreja (s).
A nova modalidade de carnaval – o baile particularera considerada civilizada, mais européia e menos perigosa e tinha uma peculiaridade: pagava-se para participar. Portanto, era um baile para pessoas com posses.

no início do século XX o carnaval se torna uma festa mais familiar, com os primeiros matinês (bailes infantis) e com festas realizadas em casas de família. Aparecem também os concursos (de fantasias, tipos exóticos, etc) e cresce o prestígio das primeiras sociedades carnavalescas, que antecederam as escolas de samba. As sociedades eram clubes ou agremiações que, com suas alegorias e sátiras ao governo, encontraram uma forma saudável de competição.[1]

Este modelo de carnaval carioca – voltado para as elites – foi copiado em várias partes do Brasil. Na jovem capital mineira, Belo Horizonte, por exemplo, “o carnaval consistiria nos luxuosos desfiles de Grandes Sociedades Carnavalescas da cidade do Rio de Janeiro”[2], organizados pelos clubes de carnaval da capital, em substituição às manifestações populares como o entrudo. Estas associações de carnavalescos utilizavam os jornais impressos como forma de divulgar suas idéias sobre o carnaval. Neste sentido, não apenas no Rio de Janeiro, como também em grande parte do país, podemos verificar a presença dos periódicos na construção da imagem do carnaval no Brasil.
Carnaval em Leopoldina

Leopoldina teve muitos carnavais, onde as pessoas se divertiam. Nossos carnavais mudaram muito, mas a animação do nosso povo continua a mesma. Em Leopoldina, era muito comum amigos se reunirem para comemorar o carnaval, em blocos. Ainda hoje se faz isso.

Um tipo de bloco de carnaval muito comum era o bloco dos sujos, onde as pessoas desfilavam com seus rostos tampados com um pano branco ou uma fronha de travesseiro velha, usando trapos como roupa, pregando sustos e fazendo brincadeiras com quem encontrassem nas ruas.

Nosso mais famoso carnavalesco foi Mestre Vitalino Duarte, conhecido em Leopoldina por promover festas populares. Nasceu no dia 15 de agosto de 1932. Em 1955 começou a se interessar pelo carnaval e, em 1959, fundou a Escola de Samba Acadêmicos de Leopoldina, da qual foi presidente. Morreu em 2003, depois de 47 anos como carnavalesco.

Em seus primeiros carnavais, Mestre Vitalino desfilava pela cidade com uma Baiana e uma burrinha, arrastando multidões e cantando:

Arranjei uma burrinha,
Para brincar no carnaval,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
A orelha era de palha
E o rabo de jornal,
Ai, ai, ai!
Ai, ai, ai!
Ê, ê, ê!
Ê, ê, a,
Montado na Burrinha,
Devagar eu chego lá!

Atualmente nosso carnaval ocorre nas ruas e nos clubes. Nas ruas ainda existem desfiles de blocos, alguns muito bem humorados, onde homens vestem-se de mulheres e aplicam trotes nas pessoas que assistem ao seu desfile, muitas vezes desorganizados. Há, também, blocos que reúnem pessoas de uma mesma profissão. O Bloco do Pó de Giz já ganhou espaço nos carnavais, contando com a presença dos professores da cidade e seus parentes. Outro bloco é o Bloco dos Fajardos, que reúne no carnaval os membros dessa família, uma das mais tradicionais de Leopoldina.



[1] Pequena História do Carnaval. Disponível em < http://br.geocities.com/biografiaschiado/HistoriaCuriosidades/HistoriadoCarnaval/historiadocarnaval.htm>, acesso em 13/12/2007.
[2] FILHO, Hilário Figueiredo Pereira. A conquista das ruas: um enredo possível para o carnaval de Belo Horizonte. Anais do XIV Encontro Regional de História da ANPUH/MG, Kuiz de Fora, 2004, p. 3