terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MINHAS FÉRIAS DE 2018: COMEÇANDO MEU DIÁRIO DE VIAGEM

Curtindo um friozinho
em Estocolmo
Ano passado eu fiz uma longa viagem que durou cerca de 22 dias. Passei por 3 países: Portugal, França e Suécia, visitei Paris, Estocolmo, Lisboa e Angoulême. O objetivo principal da viagem era participar do Festival de Angoulême, os outros passeios que fiz foram bônus. 

Este ano eu resolvi ampliar minha estadia e ir a outros lugares, retornar a cidades que me marcaram e lá buscar por novas experiências. Eu pretendia fazer um diário detalhado da viagem, em tempo real, mas faltou tempo. Sério, eu me ocupei tanto nos 33 dias em que estive viajando que não sobrou tempo para escrever.  

Assim farei apenas um relato resumido, com direito a fotos e vídeos. Não vai ser tão detalhado como eu desejava, mas vou tentar passar o máximo de informações. Mas adianto que foi uma viagem repleta de emoções e de muita alegria. 

Serão cerca de seis postagens, durante esta semana e a próxima, cada uma falando de uma cidade que eu visitei, do que eu mais gostei e do que eu recomendo para quem deseja planejar suas férias fora do Brasil. Porque, gente, na boa, não precisa ser rico para conhecer Paris e nem para ir a Roma. É preciso ter uma meta e tomar coragem para se aventurar.

Não digo que todo mundo um dia vai poder fazer o que eu ando fazendo nas minhas férias de janeiro, mas dá para viajar e se divertir com muito menos do que a maioria das pessoas imagina. E a cada viagem a gente aprende o que "não se deve fazer" e o que é necessário para se divertir sem precisar ficar contando o dinheiro do almoço.
Ricardo e Roman - que me receberam em Mulhyttan (Suécia)
O importante é o planejamento. Coisas básicas como comprar passagem com muita antecedência, pesquisar preços de hotel e ter paciência para procurar por restaurantes que ofereçam um menu mais barato. 

Antônio Marcos, Hanna e Ana Cristina
Além disso, muitos passeios e atrações podem sair em conta. Por exemplo, Estocolmo tem cerca de 80 museus e a maioria deles é de graça. Em Paris pode-se visitar lugares e monumentos sem precisar pagar ingresso. Em Roma, caminhar pela cidade pode te levar a lugares lindos, onde não se paga para apreciar a bela arquitetura. Enfim, vamos ver cada caso. 
Fátima, Mário e Pedro - em Lisboa (Portugal)
Mas uma coisa eu posso adiantar, já na primeira postagem: o mais importante de uma viagem são as pessoas. As pessoas que te acompanham, as novas amizades e os amigos que você reencontra. Até os "maus momentos" são bons. Então, eu vou começar com aquilo que deveria estar no final do meu relato: os agradecimentos.
Laís e Lívia, em Casablanca (Marrocos)
Agradeço a Ana Cristina, Antônio Marcos e Hanna pela companhia e pela paciência durante 17 dias. Agradeço a Pedro, Roman e Ricardo por me acolherem em suas casas; a Marcela, André, Mário e Fátima pelos momentos agradáveis regados a vinho; a Thomas Karlsson, Malin Biller, Sérgio, Yves Frémion, Ola Hammarlund e Ola Hellsten por terem reservado tempo para mim e por terem me acompanhado; a Chantal Montellier e Cecília Capuana pelo carinho e acolhida; Karin, Stefan, Dalva, Marcelo, Lívia e Laís pela sua amizade.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

LA GUERRE DE CATHERINE É PREMIADO NO 46º FESTIVAL DE ANGOULÊME

Um dos quadrinhos premiados este ano durante o 46º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que ocorreu entre dos dias 24 e 27 de janeiro, foi "La Guerre de Catherine", de Julia Billet e Claire Fauvel. Ele recebeu o Prix Jeunesse (ou Prêmio Juventude, se traduzirmos ao pé da letra). As autoras já haviam recebido o Prêmio de Ficção Histórica, oferecido pela Fundação Artemísia (clique aqui para saber mais) no dia 11 de janeiro. 

O álbum conta a história de Rachel Cohen, que em 1941, durante a ocupação nazista na França, para escapar das leis anti-judaicas precisou trocar seu trocar seu nome para  Catherine Colin e ir para uma zona livre. Recebendo ajuda de professores e membros da resistência a jovem sobrevive. 

Rachel ganha uma máquina fotográfica de um professor e começa registrar cenas do cotidiano criando um testemunho daquele período sombrio. Foi a forma que Rachel/Catherine, encontrou de resistir ao nazismo. A História em Quadrinhos foi adaptada do romance de Julia Billet, foi inspirado na vida da mãe da autora, Tamo Cohen, estudante da Maison de Sèrvres, cuja vida, e a vida de muitas outras crianças, foi salva durante a II Guerra Mundial pela pela resistência francesa.  

Ela usa o fotografia para proteger a memória de toda uma geração que sofreu com os horrores da guerra. Uma história em quadrinhos que fala da arte de fotografar, da importância da memória e da resistência contra a "desumanização" do indivíduo promovida pelo nazismo. Um alerta para as novas gerações, que têm sido facilmente seduzidas pelo discurso simplista e vazio, repleto de intolerância que, na atualidade,  vêm revigorando a ideologia fascista em todo o mundo. 

Tive a felicidade de me encontrar e trocar algumas palavras com Julia Billet durante a entrega do Prêmio Artemísia. Vibrei ao saber que ela e Claire Fauvel foram premiadas pelo Festival de Angoulême. Afinal, as mulheres premiadas em Angoulême, nas 46 edições do festival, ainda são poucas. Para muitos o festival ainda tem o gosto amargo das declarações da organização, em 2016, sobre a participação das mulheres na produção de quadrinhos (clique aqui para saber mais). 

O fato do álbum  "La Guerre de Catherine" ter sido premiado no Artemísia e, em seguida, ser reconhecido em Angoulême tem um sabor especial, pelo menos para mim. Aponta não apenas para a competência do júri ao escolher e premiar o álbum no Artemísia como invalida mais uma fez os argumentos que, no passado, desqualificavam os quadrinhos feitos por mulheres. 


*****
Assista a um vídeo com o resumo do Prêmio Artemísia de 2018 e conheça uma das ganhadores de Angoulême, Julia Billet.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O QUADRINHO NACIONAL E A RESISTÊNCIA

A resistência, seja ela nos quadrinhos ou em qualquer outro tipo de expressão artística e inteleclectual, é como as asas da Graúna: elas podem não ser visíveis, mas não significa que não existam. Resistir não é impedir a mudança, muito pelo contrário. É sonhar. E é o desejo de mudança que faz os sonhos se tornarem realidade. 
Ontem comemorou-se o Dia do Quadrinho Nacional. Uma homenagem a Angelo Agostini, considerado o pai dos quadrinhos brasileiros, que no dia 30 de janeiro de 1869 publicou aquela que é considerada por muitos pesquisadores a primeira História em Quadrinhos do Brasil: As Aventuras de Nhô Quim. Agostini abriu caminho para o surgimento do quadrinho nacional e para a criação de personagens que marcaram a vida de várias gerações, como Pererê, o Amigo da Onça, a Graúna, O Judoca e, claro, os personagens da Turma da Mônica. 

No século XX, as Histórias em Quadrinhos foram responsáveis pelo surgimento de uma indústria de entretenimento que ultrapassou as páginas dos jornais e dos gibis. Personagens dos quadrinhos estão em todos os lugares: nas roupas, mochilas, filmes, brinquedos e até em fraldas de bebês. Não se pode esquecer que a arte dos quadrinhos é uma arte submetida à ordem capitalista. 

Há artistas idealistas que trabalham pelo prazer e artistas pragmáticos que querem conquistar sucesso e notoriedade. Todos eles conhecem muito bem as dificuldades de sobreviver num mercado de trabalho que é tudo menos justo. Longe do glamour dos grandes encontros como a Comic Con, os profissionais dos quadrinhos encaram longas horas de trabalho e sonham com o reconhecimento e enfrentam dificuldades financeiras. São como operários em uma fábrica, onde o patrão enriquece explorando a mais-valia.

Entre os grandes desafios enfrentados pelos profissionais dos quadrinhos estão a valorização da profissão e a luta contra o machismo que impede que muitas mulheres sejam bem sucedidas no meio. Quando falo valor, estou mesmo me referindo ao valor monetário. Ser quadrinista e sobreviver fazendo quadrinhos não é fácil. A arte, de forma geral, não é valorizada, assim como trabalho do artista. Poucos são os quadrinistas que vivem apenas do seu trabalho com quadrinhos e são bem pagos por isso. 

Por outro lado, temos as mulheres quadrinistas que além vitimas do machismo, que as coloca em segundo plano e dificulta sua entrada em grandes editoras, têm seu trabalho desvalorizado em relação aos homens. Elas recebem até metade do valor pago a uma artista ou argumentista homem para fazerem o mesmo trabalho. E essa é uma realidade global, não apenas brasileira. Em menor ou maior medida, as mulheres sofrem com exploração e exclusão em todo o mundo. 

Mas contra este estado de coisas existe a resistência, tanto de homens quanto de mulheres. A resistência se manifesta na forma de quadrinhos independentes, na criação de coletivos de artistas, nos eventos onde se debate a situação do quadrinho nacional e, também, do papel da mulher no quadrinho nacional. E é essa resistência que deve ser festejada.  

É ela que vai proporcionar o surgimento de quadrinhos mais engajados, com conteúdo. É ela que transforma as Histórias em Quadrinhos em espaço de denúncia contra a opressão. A opressão contra a mulher, contra as crianças, os idosos, os gays. A opressão que está presente na nossa sociedade e que se manifesta de diferentes formas.

É a resistência que motiva o questionamento. Questionamento este que nos quadrinhos se faz na forma de imagens e palavras (às vezes apenas imagens). A resistência que rompe com a lógica perversa do capitalismo e transforma a arte num instrumento de luta contra a ignorância e na construção de um futuro mais promissor.

Uma resistência libertadora que vejo no trabalho de quadrinistas jovens e veteranos e que representa o inconformismo com a desigualdade e o desejo de mais oportunidades para todos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE O PRÊMIO ARTEMISÍA - 2018

Quadrinistas premiadas em 2018
Ano passado eu tive oportunidades e privilégios. Em janeiro passado eu pude participar pela primeira vez do Festival Internacional de Angoulême, na França. Conheci vários quadrinistas, homens e mulheres, estrangeiros como os quais mantive contato durante todo o ano. Além disso, eu ainda me encontrei pessoalmente com a quadrinista italiana Cecília Capuana, sobre quem já havia publicado um texto. 

Alguns meses depois, em maio, eu tive o privilégio de poder conhecer pessoalmente uma das minhas ídolas, Chantal Montellier, que veio ao Brasil para participar da Semana Internacional de Quadrinhos, realizada pela ECO/UFRJ, que tem à frente da organização Amaury Fernandes e Octavio Aragão. Eu, particularmente, devo a ela minha inserção no mundo dos quadrinhos franceses, inclusive como autora. Chantal sugeriu meu nome para uma revista especializada em quadrinhos, a Papiers Nickelés e eu passei a ser correspondente da revista.
Eu, Chantal Montellier e Cecília Capuana.
Agora, dia 11 de janeiro de 2018 não apenas reencontrei com Chantal e Cecília, como tive a oportunidade de participar da entrega do Prêmio Artemísa, de 2018. O PRIX ARTEMISIA foi criado em 2007 para premiar os melhores quadrinhos produzidos por mulheres e publicados em francês. Uma forma de reconhecer o talento feminino nos quadrinhos franceses e de dar visibilidade às mulheres que trabalham nesta área. 

Para quem não sabe, o mercado editorial francês é extremamente sexista e a participação feminina ainda é pequena, embora esteja aumentando gradativammente a cada ano. De fato, se as mulheres não são a maioria das produtoras de quadrinhos atualmente figuram como as maiores leitoras sendo, portanto, não apenas justo como necessário o reconhecimento do talento destas artistas. Daí a importância de iniciativas como o Artemísia.


História em Quadrinhos que recebeu o grande prêmio.
O grande prêmio deste ano foi para a italiana  Lorena Canottiere  por seu álbum Verdad. Uma tocante história que envolve família, sentimentos e guerra. A ilustração do álbum é toda a lápis, singela e muito bonita. A autora é  espanhola e teve seu quadrinho publicado em francês pela editora Ici Même. Acredito que, em meio a tantos quadrinhos feitos por francesas, ter sido a grande vencedora tem um sabor especial e ratifica o fato de que Artemísia é um prêmio que deseja contemplar a todas as artistas, independentemente da nacionalidade. Quem sabe, um dia, não estaremos festejando a premiação de uma brasileira?

Minha edição autografada.
Ainda foram entregues os prêmios de ficção histórica para Julia Billet e Claire Fauvel pelo álbum La Guerre de Catherine; o prêmio humor para Aude Picault para o seu álbum Ideal Standard;  e Menção especial da luta feminista de 2018 para Leïla Slimani e Laetitia Coryn pelo seu álbum Paroles de honra e o prêmio de novo talento foi para Cécile Bidault pelo álbum L’Écorce des choses (Ed. Warum), um álbum quase sem diálogos que mostra a vida de uma mulher surda.

Outros álbuns também receberam menções, uma forma de incentivar jovens artistas, que estão ainda dando os primeiros passos na carreira. E jovens mesmo, na faixa dos vinte e poucos anos, com aquela carinha de quem acabou de concluir a faculdade. Foram elas: Leïla Slimani e Laetitia Coryn pelo álbum Paroles d’honneur (Les Arènes BD), menção honrosa "pela luta feminista"; Daria Schmitt pelo desenho do álbum Ornithomaniacs (Casterman); Gwenola Morizur e Fanny Montgermont, pela "qualidade documental" do seu álbum Bleu pétrole (Ed. Bamboo); 


Annie Goetzinger
Além da premiação, houve ainda dois momentos importantes. Um deles foi uma homenagem a Chantal Montellier, uma das idealizadoras do prêmio, que recebeu uma monção honrosa pelo álbum Shelter Market (Les Impressions Nouvelles). O outro foi uma emocionante homenagem a quadrinista quadrinista Annie Goetzinger, que faleceu no dia 20 de dezembro de 2017.

Minhas impressões sobre a premiação foram muitas, ainda mais depois de folhear e adquirir dois dos álbuns vencedores (infelizmente não tive como comprar todos). As temáticas foram as mais diversas assim como variou a arte de cada álbum, mas todos possuem uma coisa em comum: uma narrativa de qualidade. 

Mas como eu posso saber disso se acabei de mencionar que apenas folheei os álbuns? Acontece que, durante a entrega dos prêmios, um membro do juri faz um comentário sobre a obra premiada. Mesmo com meu francês limitado deu para perceber a preocupação em buscar temáticas mais densas, que passaram por memórias de guerra à questões ambientais. Também se valorizou a narrativa fluida, elegante, outra marca registrada das obras premiadas.

Enfim, ir à entrega do Prêmio Artemísia foi importante em vários sentidos mas, especialmente, pelo estímulo a mais em querer conhecer essas artistas extraordinárias, suas obras e sua história de vida. Afinal, todas travaram batalhas para poder chegar onde estão.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

AS DEZ POSTAGENS MAIS VISITADAS DE 2017


Como manda a tradição do Blog, todo final de ano eu coloco aqui, depois do Natal, uma lista com as 10 postagens que fizeram mais sucesso durante o ano. Para a minha surpresa não teve nenhuma postagem especificamente sobre educação e história local este ano. Destacaram-se as postagens sobre viagens e sobre quadrinhos. Aparentemente a tendência de 2017 foram postagens voltadas para quadrinhos. Os relatos de viagens, em parte, tem, algo a ver com o tema, também, porque em todos os lugares que fui encontrei com pessoas que trabalham no ramo. Vamos ver como vai ser em 2018. Vamos conferir o TOP 10 de 2017

1) A OLÍVIA PALITO QUE POUCA GENTE CONHECE - texto sobre a personagem Olívia Palito: 2242 visualizações. 
2) AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E A ESCOLA: FINALMENTE LANÇADO - postagem sobre o lançamento do meu livro: 1059 visualizações.
3) COMEÇAM OS PREPARATIVOS PARA O III ENTRE ASPAS - sobre as inscrições para o encontro da ASPAS que acontece em Leopoldina a cada 2 anos: 1013 visualizações.
4) É POSSÍVEL TRABALHAR APENAS COMO QUADRINISTA? - texto falando sobre a situação dos profissionais que trabalham com quadrinhos na Europa e no Brasil: 1032 visualizações.
5) OS DESAFIOS FINANCEIROS DOS PROFISSIONAIS DOS QUADRINHOS - texto falando sobre a situação dos profissionais que trabalham com quadrinhos na Europa e no Brasil: 916 visualizações.
6) IMPRESSÕES GERAIS SOBRE DO FESTIVAL DE ANGOULÊME - Minhas impressões gerais sobre o Festival de Angoulême, do qual participei pela primeira vez em 2017.
7) DOTTY VIRVELVIND: A SUPER-HEROÍNA SUECA DOS ANOS DE 1940 - texto sobre a primeira super heroína sueca: 899 visualizações.
8) TOMANDO CHOCOLATE NO LOUVRE COM CECÍLIA CAPUANA - sobre meu encontro, em Paris (no Louvre, olha que chique) com a quadrinista italiana, Cecília Capuana: 852 visualizações.
9) NA SUÉCIA, SEM NEVE MAS COM MUITO CALOR HUMANO - sobre a minha rápida aventura na Suécia: 884 visualizações.
10) IV CONCURSO LITERÁRIO DA ALLA - sobre a abertura das inscrições para o concurso literário da Academia Leopoldinense de Letras e Artes: 819 visualizações.

domingo, 24 de dezembro de 2017

PROMOÇÃO: COMO OS QUADRINHOS MUDARAM A MINHA VIDA


Se você é leitor(a) ou professor(a) eu gostaria de conhecer a sua "história com os quadrinhos". Conte para mim sua experiência! Os cinco melhores relatos vão receber um exemplar do meu livro: As Histórias em Quadrinhos e a Escola.

Eis aqui umas regrinhas básicas para quem quiser concorrer:
1 - Envie o relato para o e-mail gibitecacom@gmail.com com o título: "Como os quadrinhos mudaram a minha vida."
2 - Escreva no corpo do e-mail ou envie um doc. (word ou pdf) - não há limite de palavras.
3 - Ao final do texto coloque seu nome completo, seu endereço e as seguintes palavras "Eu (...) autorizo a reprodução do texto acima, redigido e enviado no dia (...).
4 - Estarão concorrendo os relatos enviados entre 26 de dezembro e 15 de fevereiro!

Todos os relatos vão servir de material para o meu próximo projeto sobre quadrinhos e educação. Participe!

sábado, 23 de dezembro de 2017

ANNIE GOETZINGER: MORRE UMA PIONEIRA DOS QUADRINHOS NA FRANÇA (1951-2017)

Annie Goetzinger -  Imagem disponível em: 
http://www.comicsbeat.com/rip-annie-goetzinger/,
capturada em 20 dez. 2017.
A quadrinista Annie Goetzinger nasceu em 18 de agosto de 1951, em Paris, e faleceu no dia 20 de dezembro de 2017, aos 66 anos de idade. Formou-se em arte e designer de moda, em 1971. Sua entrada, no mundo dos quadrinhos veio através das aulas que teve com o desenhista francês Georges Pichard. 

A autora confessou em uma entrevista que, a princípio, sentiu  muita dificuldade em entender a dinâmica entre imagem e narrativa, própria dos quadrinhos. Mas ao final do curso ela superou suas dificuldades e conseguiu produzir uma história em quadrinhos que não apenas lhe rendeu os créditos que precisava como despertou nela o desejo de fazer mais, de se profissionalizar. 

Em pouco tempo, ela já havia publicado trabalhos na Circus, L'Echo des Savanes, Fluide Glacial, Métal Hurlant e na conceituada revista Pilote onde, em 1972, publicou suas primeiras histórias completas. Além de assinar sozinha vários de seus trabalhos, Annie Goetzinger ilustrou vários álbuns em parceria com outros autores. 

Com Víctor Mora, por exemplo, deu forma a heroína mascarada Felina, seu primeiro grande sucesso comercial, cujo primeiro tomo foi publicado pela Glénat, em 1978. Felina era uma versão feminina do Fantasma, cujas aventuras aconteciam no início do século XX  século e que marca a estreia da autora no estilo Art Nouveau, que caracteriza boa parte da sua obra. 

Disponível em: https://www.tebeosfera.com/sagas_y_arcos/felina_1978_mora_goetzinger.html,
capturado em: 23 dez. 2017.
Annie Goetzinger transitou entre ficção, história e biografia. Como artista, uma de suas características era a preocupação com os detalhes, principalmente com das vestimentas,  herdada possivelmente da sua formação em designer de moda. Feminista Annie gostava de contar histórias de mulheres fortes, reais ou fictícias, tendo tido em seus álbuns muitas protagonistas fortes: escritoras, heroínas e até prostitutas.
 
Imagem disponível em: https://www.pinterest.com.au/pin/454300681151440670/,
capturada em 23 de dez. 2017.
Seu primeiro álbum completo, Casque d'Or, publicado em 1976, pela Glénat, que trazia uma narrativa romantizada de Amélie Elie (1878-1933), uma prostituta que viveu na Paris da Belle Époquelhe rendeu dois prêmios durante o Festival Internacional de BD de Angoulême, em 1977, tornando-a uma das raras mulheres a serem premiadas em Angoulême. 

Imagem disponível em: http://imgaram.com/tag/rip, acesso em 23 dez. 2017.
Em 1978 publicou o álbum Aurore, une vie de George Sand, pela Éditions des femmes, onde contava a história Amandine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, aclamada romancista, cujo comportamento ia contra as regras sociais de seu tempo, que assinava com o pseudônimo de George Sand.
 
Imagem disponível em: https://www.cbr.com/annie-goetzinger-brings-vintage-couture-to-life-in-girl-in-dior/, capturada em 20 dez. 2017.
Em 2015, publicou seu primeiro álbum em inglês, Girl in Dior, conta a história de uma jornalista fictícia, chamada Clara, que faz a cobertura da estreia do estilista Christian Dior, em 1947, momento de ruptura com os padrões de estética que revolucionou o mundo da moda na Europa pós-guerra, sob o olhar de duas mulheres: a protagonista e a autora. Uma obra de história da moda, em quadrinhos.  
 
Imagem disponível em: https://br.pinterest.com/pin/558164947557366859/, capturada em: 23 dez. 2017.
Seu último álbum, Les Apprentissages de Colettefoi lançado em março 2017, pela Dargaud. Outra biografia da escritora francesa Colette (1893-1954), mulher forte que superou diversas dificuldades para se tornar uma autora reconhecida. Annie Goetzinger a descrever, no release da obra, como uma mulher “não convencional” e de “exemplo para todos nós que essa mulher incrivelmente complexa, dotada e determinada.” Em uma carreira de mais de 40 anos foram mais de trinta álbuns, sem contar em trabalhos publicados em revistas e jornais, dentre eles o Le Monde.  


Assim como Claire Bretécher e Chantal Montellier, Annie Goetzinger abriu caminho para que as mulheres ganhassem visibilidade na imprensa ilustrada na França, nos anos de 1970. Um espaço que era praticamente um domínio masculino, mas que foi forçado a reconhecer o talento das mulheres, que ainda hoje lutam pela oportunidade de conquistar reconhecimento na indústria dos quadrinhos franco-belga. 

Fontes consultadas:
ALVERSON, Brigid. Annie Goetzinger Brings Vintage Couture to Life in “Girl in Dior” (2015). Disponível em: https://www.cbr.com/annie-goetzinger-brings-vintage-couture-to-life-in-girl-in-dior/, acesso em 21 de dez. 2017.

ANNIE Goetzinger. Disponível em: https://www.lambiek.net/artists/g/goetzinger.htm, acesso em 21 de dez. 2017.

GIULIANI, Emmanuelle Annie Goetzinger, une mine pour la croix (2017). Disponível em: https://www.la-croix.com/Culture/Annie-Goetzinger-mine-Croix-2017-12-20-1200900969, acesso em 21 de dez. 2017.

HERRIMAN, Kat. Dior in Action (2015). Disponível em: https://www.wmagazine.com/story/christian-dior-anne-goetzinger-book, acesso em 21 de dez. 2017.

NIVEN, Lisa. Dior: The Comic (2015). Disponível em: http://www.vogue.co.uk/article/girl-in-dior-graphic-novel-by-annie-goetzinger, acesso em 21 de dez. 2017.

POTET., Frédéric. La dessinatrice de bande dessinée Annie Goetzinger est morte


RATIER, Gilles. Annie Goetzinger : des premiers pas déjà tout en elegance (2013). Disponível em: http://bdzoom.com/68413/patrimoine/annie-goetzinger-des-premiers-pas-deja-tout-en-elegance%E2%80%A6/ , acesso em 23 de dez. 2017.

domingo, 10 de dezembro de 2017

FRAN HOPPER E OS QUADRINHOS DE AVENTURA DA DÉCADA DE 1940

Fran Hopper - Imagem disponível em: http://www.comicsbeat.com/golden-age-artist-fran-hopper-found-alive/, acesso em 10 dez. 2017.
No dia 29 de novembro de 2017 faleceu Fran Hopper, quadrinista que trabalhou na Fiction House, uma das editoras mais populares dos Estados Unidos, naquele período, responsável pela criação de vários personagens e séries que fizerem muito sucesso nas décadas de 1930 e 1940. Fran Hopper nasceu em Maryland, no dia treze de julho de 1922, mas foi criada em Nova Jersey, juntamente com seus dois irmãos. Fran estudou no Instituto Pratt e começou a trabalhar na Fiction House em 1943. O seu último trabalho foi assinado em 1948. Casou-se com John B Hopper II, em 1944 e teve três filhos. Trocou os quadrinhos pela pintura e pela vida de doméstica.

A trajetória de Fran Hopper é muito parecida com a de muitas outras mulheres que trabalharam na indústria dos quadrinhos na primeira década do século XX. A maioria migrou para a ilustração ou para a pintura, quando não abandonaram completamente essas atividades para se tornarem esposas e mães, salvo algumas exceções.

Na Fiction House, ela fez um pouco de tudo. Desenhou histórias de todos os gêneros: de guerra, policiais, aventuras na selva e ficção científica. Neste último gênero, já com alguns anos de experiência de casa,  ela se destacou. Ela trabalhou com personagens femininas que fizeram sucesso na década de 1940, muitas delas pouco conhecidas do público brasileiro, como  Jane Martin, Glory Forbes, Camilla, Mysta of the Moon e Gale Allen e seu esquadrão de garotas. Todas personagens fortes e aventureiras, bem dentro do espírito da II Guerra Mundial, onde as mulheres empoderadas salvavam o dia. 
Jane Martin, possivelmente sob o traço de Hopper. Em muitos casos não é possivel ter certeza da autoria da ilustração pois nem sempre o crédito era dado ao desenhista, apenas ao argumentista. No caso desta história em quadrinhos, especula-se que ou foi desenhada por Hoppe ou por Ruth Atkinson. 
Wings Comics, Fiction House, n. 51, nov. 1944, p 37.

Jane Martin foi uma personagem criada em 1940, possivelmente por Nick Cardy. Ela era uma enfermeira que atuava no front, enfrentando todo tipo de perigos para salvar soldados estadunidenses. E não ficava só nisso: ela era ainda um excelente piloto de avião, lutadora habilidosa e repórter audaciosa. Suas aventuras foram publicada na Wings Comics # 1-59, 61-111. Jane Martin destacou-se nas mãos de outra artista, Lily Renee, que ilustrou muitas de suas aventuras. 
Glory Forbes, no traço de Fran Hopper.
Ranger Comics. Fiction House, n. 25, out. 1945, p, 14.
Glory Forbes é uma personagem criada em 1942, por Pagsilang Rey Isip. Ela era a filha de um  engenheiro que estava projetando aviões de guerra para os Estados Unidos. Glory foi sequestrada por uma espiã japonesa, Scarlet Crab, que desejava descobrir os planos de seu pai. Glory sofreu lavagem cerebral e foi instruída a matar  o próprio pai. O plano falhou, graças à intervenção de um agente do FBI. Depois disso, Glory passou a lutar contra o crime, abrindo em seguida uma agencia de detetives. Ela era uma habilidosa lutadora de  jiu-jitsu, luta marcial que, aparentemente, todas as heroínas do período dominavam. Suas aventuras foram publicadas nas revistas Rangers of Freedom Comics # 5-7 e Rangers Comics # 8-48. Um detalhe sobre a personagem é que a aparência dela muda em várias histórias. Em umas delas aparece loira, em outras morena. 

Camilla the Queen of the Jungle, no traço de Fran Hopper.
Jungle Comics. Fiction House,  n; 88, abr. 1947, p.43 

Camilla é uma uma garota da selva, uma tarzanide. Sua estreia foi na Jungle Comics # 1 , em  janeiro de 1940, e sua criação é creditada a AC Winter. Ela era a rainha de um império perdido no interior da África. Seu povo era descendente de nórdicos, que se fixaram na selva africana na época das Cruzadas. Eles cultuavam Thor, sua principal divindade, para quem faziam sacrifícios humanos. Camilla e seu povo são quase imortais pois usavam uma fórmula secreta que lhes dava longevidade. Camilla não é uma heroína, de fato. Ela é uma mulher poderosa, apresentada como uma governante tirânica, tomada pela paixão e impulsiva. Ela comete atos cruéis e, como acontece com toda vilã, é punida por eles. 

Num segundo momento, a personagem é completamente reformulada, tornando-se uma típica tarzanide, que vivia na floresta. Camilla, era uma outra versão de Sheena. Foi nesta fase que Fran Hopper desenhou a personagem. Muitos artistas, homens e mulheres desenharam e escreveram as histórias de Camilla, como Marcia Snyder, por exemplo. Suas histórias foram publicadas na Jungle Comics # 1,3-151, na Kaänga Comics # 15 e na Jungle Comics # 9.

Vale observar que personagens eram criados e recriados de acordo com o receptividade do público ou os objetivos da editora. Assim como Camilla teve toda sua origem refeita, a ponto de sobrar apenas o título, o mesmo aconteceu com outras personagens, como Fantomah e War Nurse, criadas naquela mesma época.

Aventura ilustrada por Fran Hopper. Mysta of the Moon.
Planet Comics. Fiction House, n. 35, mar. 1945, p.15

Mysta  of the Moon é uma personagem de ficção científica criada em 1945, por Joe Doolin, que estreou na série Mars. O enredo da série misturava mitologia com futurismo. Ela vive em uma distopia, onde Marte, deus da guerra, havia destruído todas as universidades da Terra para que a humanidade vivesse mergulhada numa era de trevas e ignorância. Seu pai, no entanto, preservou todo o conhecimento da humanidade e o repassou para seus dois filhos, Mysta e Nors, com quem se refugiou em um laboratório na Lua. Ela luta contra Marte e o derrota, mas o preço para isso é a vida do seu irmão. 

Mysta cria um grupo chamado Safety Council (Conselho de Segurança), uma organização formada para tentar reverter os danos causados por Marte e restaurar o conhecimento para a Terra. Ela retorna para a terra e assume uma identidade secreta: Ana Thane, técnica do Conselho de Segurança. Suas aventuras foram publicadas na Planet Comics # 35-62. Sua última aparição foi em 1949, embora algumas de suas histórias tenham sido republicadas, a personagem não teve uma vida longa nos quadrinhos. Mike Madri cita Fran Hopper como a principal artista que desenhou a personagem. 
Aventura de Gale Allen, ilustrada por Hopper.
Planet Comics. Fiction House, n. 36, mai. 1945, p.25
Gale Allen é outra personagem de ficção científica desenhada por Hopper. Ela foi criada em 1940, possivelmente por RA Burley. Gale Allen era uma princesa venusiana, descendente direta do rei Rogert, que foi o primeiro humano a chegar em Vênus. Gale tornou-se capitã da Patrulha Universal do Espaço, e viajou por toda a galáxia combatendo o crime e lutando contra a injustiça. Ela coordenava o 40º Batalhão do Espaço para Mulheres, ou "Esquadrão das garotas", como era chamado. Ela queria provar ( e provou) que as mulheres também poderiam ser grandes guerreiras. Seu arqui-inimigo era o príncipe Blaga Daru, um conquistador que tentou dominar a terra . Além de uma excelente piloto, a princesa era uma grande lutadora. Suas aventuras foram publicadas na Planet Comics # 4-6, 8-42, 65-70. 

Embora não tenha criado nenhuma dessas personagens, Hopper deu forma a elas. Sua trajetória no mundo dos quadrinhos pode ter sido relativamente curta (cinco anos), mas durante muito tempo ela ainda manteve contato com outros artistas em atividade. Sua participação na produção de histórias em quadrinhos é hoje reconhecida graças ao trabalho de pesquisadores e pesquisadoras como Trina Robbins e Mike Madri, que trouxe à luz nomes como o de Fran Hopper, Lily Renee, Tarpé Mills e tantas outras desenhistas, coloristas, argumentistas e editoras que foram esquecidas pela história mas que têm ganhado, atualmente, as páginas de livros, revistas e jornais. 

Fontes consultadas:

Camilla. Public Domain Super Heroes. Disponível em: http://pdsh.wikia.com/wiki/Camilla_(1), acesso em 10 dez. 2017.

Comic Book Plus. Disponível em: http://comicbookplus.com/?cid=1507,  acesso em 10 dez. 2017.

Gale Allen. Public Domain Super Heroes. Disponível em:  http://pdsh.wikia.com/wiki/Gale_Allen, acesso em 10 dez. 2017

Glory Forbes. Public Domain Super HeroesDisponível em: http://pdsh.wikia.com/wiki/Glory_Forbes, acesso em 10 dez. 2017.

Jane Martin. Public Domain Super Heroes. Disponível em: 
http://pdsh.wikia.com/wiki/Jane_Martin, acesso em 10 dez. 2017. 

MADRID, Mike. Divas, Damages & Daredevils: lost heroines of Golden Age. [Minneapolis?]: Exterminating Angel Press, 2013.

Mysta of the Moon. Public Domain Super Heroes. Disponível em: http://pdsh.wikia.com/wiki/Mysta_of_the_Moon, acesso em 10 dez. 2017.

Mysta of the Moon. Disponível em: http://www.toonopedia.com/mysta.htm, acesso em: acesso em 10 dez. 2017. 


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

THE PUNISHER: UMA BREVE RESENHA

The Punisher, anti-herói da Marvel, criado pelo escritor Gerry Conway e pelos artistas Ross Andru e John Romita, Sr., em  1974. Sua estreia foi em uma revista do Homem Aranha. 
Assisti durante a semana a uma série de TV baseada nos quadrinhos da Marvel produzida pela Netflix, O Justiceiro (The Punisher). O Justiceiro é um homem mentalmente perturbado, atormentado pela morte da família e que quer vingá-la a todo custo. Nos quadrinhos essa vingança nunca termina.

O estilo "justiceiro implacável" é algo bem típico da cultura estadunidense, característicamente espartana. Atores como Charles Bronson e Clint Eastwood, ganharam fama com filmes regados a violência. Quentin Tarantino fez um enorme sucesso com Kill Bill. A lista de filmes regados à vingança como forma de justiça é enorme e a de quadrinhos, também.

Filmes violentos só me deixam impactada se eles possuírem uma boa carga dramática. Depois de assistir a adaptações anteriores de “O Justiceiro” eu fiquei surpresa com minha reação à série. Mais surpresa ainda de estar aqui, fazendo uma breve resenha sobre ela.

Eu gostei da forma como a série explorou a parte psicológica do personagem. Ela traz um Frank Castle perturbado, um homem perdido em uma dor tão profunda que só consegue sentir alívio sendo violento. Mas a violência é um vício cuja satisfação é passageira, então, Castle na verdade quer se libertar dela. O ator, Jon Bernthal, foi que melhor caracterizou Frank Castle até hoje, na minha modesta opinião.

 Jon Bernthal, caracterizado como o personagem
É uma série recomendada para público adulto, mas, certamente, muitos adolescentes vão assistir. Já ouvi até alguns comentários entre eles. Com o acesso fácil que se tem hoje a todo tipo de informação, não adianta proibir. Isso só vai servir para estimular ainda mais a curiosidade da garotada. O ideal é esclarecer que se trata de uma obra de ficção, que não retrata e nem deve retratar a vida real e que não deve ser utilizada como pretexto para se fazer apologia a ações violentas. Uma boa conversa pode funcionar melhor do que uma proibição.

Particularmente, eu não acho que um filme ou uma história em quadrinhos tenha poder de mudar a índole de uma pessoa. O público dialoga com a obra televisiva ou cinematográfica a partir dos valores e ideias que já estão interiorizadas. Opinião não se forma do nada. Pessoas com propensão à violência vão reproduzir violência em qualquer situação e o gatilho pode ser qualquer coisa, até mesmo um esbarrão se leva na rua.

De forma geral, eu classificaria “O Justiceiro” como uma boa série, para adultos, uma das melhores deste ano no estilo, produzida pela Netflix.