terça-feira, 3 de maio de 2016

VAGANDO PELA EUROPA – PARTE I


A primeira vez que viajei para o exterior foi em 1998, por sinal, meu destino foi um país europeu, a suíça. Por lá fiquei por 15 dias, na casa de uma amiga e colega de faculdade, Lúcia, casada com um Suíço. Conheci castelos e fiz amizades que duram até hoje. Visitei a Itália e andei pelas ruas  e canais de Veneza. Até fui a uma exposição de Vicente Van Gogh.

Na época não havia tablets ou mesmo notebooks onde pudesse registrar minhas impressões. Mas havia o papel, claro, e nos dias frios do outono suíço eu me sentava próxima ao aquecedor, à noite, e relatava em uma agenda tudo que eu havia visto e vivenciado. Colei coloquei folders, postais, tickets de entradas em museus, enfim, tudo que pudesse reavivar minha memória e manter viva aquela experiência.

Ainda tenho meu diário de viagem e lamentei não ter feito o mesmo desta vez. Por essa razão resolvi postar no blog alguns relatos sobre minha recente experiência e compartilhá-la com os amigos. Não que seja uma ideia original. Ano passado, depois da sua visita ao Brasil e á Rússia, Trina Robbins fez o mesmo, ressaltando o “bom” e o “ruim” das duas experiências. Vou fazer o mesmo, acrescentar alguns episódios cômicos porque, quem me conhece sabe, tem que ter alguma trapalhada senão não é comigo, e falar de alguns lugares onde estive.

Então, caro leitor, prepare-se, porque quem me conhece sabe que não economizo nas palavras. Tanto que vou dividir a postagem em partes.

O BOM
Vou começar pelas companhias de avião. Tanto a KLM quanto a Air France foram ótimas. Das duas preferi a Air France, tanto no conforto quanto no atendimento. Pra vocês terem ideia, no voo de retorno foi nos oferecido um cardápio variado no qual poderíamos escolher entre duas opções de refeição para o almoço, um jantar e ainda a possibilidade de solicitar um número expressivo de bebidas quentes e frias durante o voo.  Pedi um cappuccino, que degustei  enquanto escrevia parte deste texto.


O serviço de bordo começou nos primeiros 20 minutos de voo. Achei que seria servido o almoço, mas começou com bebidas e aperitivos (biscoitos salgadinhos). De cara, a comissária de bordo (uma portuguesa muito simpática chamada Gabriela) me ofereceu champagne. Eu estou viajando na classe econômica e me serviram champagne francesa! Falei com ela que estava em dúvida, se pedia o vinho (porque em todos os voos, mesmo os mais curtos, havia vinho francês e/ou da África do Sul, tinto ou branco). Ela simplesmente me disse: pegue os dois. E eu peguei e ela ainda me ofereceu mais no almoço. Já beberam vinho há 15 mil metros de altitude? Depois digo em off como é a sensação.
Champagne e vinho, só de boa qualidade.
O almoço foi delicioso. Salada, frango, queijo, pão, torta de maça e abacaxi (vejam, o cardápio). Um dos comissários ainda ofereceu uma porção extra de pão, que eu não recusei, claro. Depois do almoço resolvi assistir a um filme. Um pouco mais tarde passaram oferecendo um picolé delicioso, daqueles com casquinha de chocolate e recheio de creme. Depois, um sanduíche de queijo e, em seguida, o jantar. por sinal.Caramba, acho que vou engordar mais no voo do que pelas comidas que provei estes dias na Europa.
Almoço servido no avião - parece pouco mas é muita coisa!
E falando em comidas, não posso reclamar, pois comi muito bem, tanto na Holanda quanto em Portugal e na França. Claro, algumas coisas foram melhores que outras, mas no geral, não passei fome e adorei os vinhos. No shopping Colombo, um dos maiores de Lisboa, e que fica ao lado do estádio do Benfica, eu fui um dia à noite com a minha mãe e tomamos uma sopa deliciosa e barata. Com relação a preços, come-se bem sem gastar muito, mas é preciso procurar. Eu nem sempre fazia isso, às vezes escolhia um restaurante pela localização, a vista que ele tinha e mesmo pela sua aparência. Pagava caro, mas era um luxo que eu estava me dando na minha condição de turista. Mas numa segunda vez não farei o mesmo e certamente sairei satisfeita.
Bacalhau com batatas, em um restaurante da Rua Augusta, no centro de Lisboa.
Aliás, a Europa é cara, mas sabendo-se administrar pode-se fazer um bom passeio sem se gastar muito. Pelas minhas contas, eu teria me divertido da mesma forma, gastando metade do que eu gastei e olhe que não gastei muito, pois não sou daquelas que saem comprando tudo que vê. Gosto de fazer passeios, com eles não economizo. Meus únicos luxos foram uns óculos de sol, uma jaqueta e dois perfumes franceses (um Armani e um Lacôme, e estavam na promoção pelo dia das mães, tudo com descontos de 20 a 25%. Tanto que recebi meros cinco euros de Tax Free.

Aliás, fica a dica para quem for passear na Europa. Em países da comunidade europeia paga-se um imposto específico sobre produtos. Se você não é cidadão da comunidade tem direito ao reembolso deste importo, que pode ser solicitado no aeroporto, mediante a apresentação de um recibo emitido pelo estabelecimento onde você comprou. Normalmente, tem-se direito ao reembolso em compras acima de 60 euros.

Falei da comida, do avião, vou falar agora das pessoas. Todas foram muito amáveis comigo, em todos os países que fui. E encontrei neles muitos brasileiros, seja a passeio ou que moram e trabalham na Europa. Em Portugal, onde fiquei mais tempo, era comum encontrar brasileiros nos ônibus, trabalhando em lojas e restaurantes ou mesmo passeando como eu. E sabe o que é mais legal? Todos te dão dicas de passeios, indicam restaurantes, falam os lugares que temos que evitar, nos alertam com relação a medidas de segurança, etc. Como no Brasil, turistas são visados, principalmente os orientais que são mais descuidados e estão sempre carregando equipamentos eletrônicos caros.
Com André Diniz e Pedro Bouça, na fila do cinema!
Ainda falando das pessoas, conheci muitas, revi outras, fiz amizades e firmei contatos profissionais. Fui para Lisboa ficar na casa do meu amigo de longa data, Pedro Bouça, por quem fui muito bem recebida, e ainda levei minha mãe. Olha o abuso! Pedro reservou um quarto para nós e ainda me presenteou com duas coleções magníficas de quadrinhos, uma do Alix (quadrinho histórico que se passa durante o período do Império Romano, de Jacques Martin, autor que eu gosto muito) e dos Smurfs (em francês, para que eu possa treinar meu francês que atualmente está ridiculamente reduzido a poucas frases).

Ele também me presenteou com uma HQ de Jacques Martin sobre portugal, com dedicatória pra mim e tudo mais! Aproveitei para buscar a coleção e revistas da Ah! Nana!, periódico da década de 1970 o qual pesquiso e que comprei pela internet e pedi que fosse entregue na casa dele.

Imaginem o peso que as minhas duas malas ficaram. Um foi só para trazer as HQs. Com tanta coisa, acabei não comprando muito, apesar de ter ido a várias lojas da FNAC. Agora, a casa do Pedro é a maior gibiteca onde eu já estive, sem exagero. Ele tem de tudo! São basicamente quatro cômodos da casa com armários e parede a parede, todos lotados. Ele me mostrava todos os dias suas raridades e eu babava. Tinha até medo de segurar as revistas.
Quadrinhos que eu ganhei do Pedro Bouça!!
E falando de amigos que reencontrei com André Diniz, quadrinista brasileiro que se mudou para Portugal no início do ano. Fiz uma visita à sua casa, onde conheci sua esposa Marcela e sua filha. Conversamos bastante e depois fomos ao cinema, assistir Capitão América, Guerra Civil, filme sobre o qual não vou comentar agora, porque merece uma postagem a parte.

Na escala que fizemos na França reencontrei o ex-colega de trabalho, Eduardo, que largou o magistério para ser sacerdote e está em Paris, fazendo mestrado. Ele foi tomar café da manhã conosco, no hotel e nos conduziu ao aeroporto. Ele é um grande amigo da Ana Cristina Fajardo, que viajou conosco, juntamente com sua filha Isabela. Foi um programa de mães e filhas.

Por fim, uma das coisas boas foi minha palestra na Bedeteca de Amadora. Tanto pela experiência em si, quanto pelos contatos e amizades que fiz. Gostei muito do pessoal que gerencia a bedeteca, especialmente da Cândida, com quem tive mais contato. Fiz amizade com Gelrades Lino, do Clube de Banda desenha e ainda conheci José Ruy e Fernando Relvas, dois notáveis quadrinistas portugueses e Nina, uma artista plástica. Fui apresentada a outros, mas foi com eles com quem conversei e troquei contatos e ideias.


Agora, na parte II, os passeios! 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Palestra ‘Mulheres na BD brasileira’

25 de abril | 16h00
Bedeteca | Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos
Numa organização do Clube Português de Banda Desenhada, a Bedeteca da Amadora recebe, no próximo dia 25 de abril (segunda-feira), pelas 16h00, a especialista brasileira Natania Nogueira para uma palestra sobre ‘Mulheres na BD brasileira’.
Em 2 de novembro de 2003, no âmbito do Amadora BD sob o tema da mulher, Sónia B. Luyten e a autora Ciça fizeram uma primeira abordagem ao tema da mulher na BD brasileira. Em causa estava, sobretudo, uma mudança de paradigma decorrente do aparecimento de mulheres autoras. Escrevia Sónia B. Luyten em texto do catálogo do Festival: "As mulheres do novo milênio tentam fugir dos estereótipos da personagem feminina saídos da pena masculina, construída e produzida a partir de seu registro. As mulheres não querem ser mais como a ninfa Eco, de Ovídio, que apenas repete como um eco o que Narciso diz, e foi sem dúvida, desta repetição, que nasceu todos os equívocos e paradoxos que ilustram a fala da mulher em textos e desenhos feitos por homens".
Doze anos depois, no ano da polémica de Angoulême após a não inclusão de qualquer nome feminino na lista de candidatos ao Prémio da Cidade, a estudiosa Natania Nogueira vem fazer o ponto da situação.
Há duas grandes diferenças entre 2003 e 2016: em primeiro lugar, a Internet, a par da cena independente, possibilitou um enorme aumento da BD feita por mulheres no Brasil; em segundo lugar, há uma maior proximidade da BD brasileira ao grande público português, para além dos grandes clássicos.

Natania Nogueira |
 
Natania Nogueira é mestre em História do Brasil pela Universidade Salgado de Oliveira (UNVERSO), onde teve como orientadora a historiadora e escritora Mary Del Priore. O tema da dissertação foi “As representações femininas nas histórias em quadrinhos norte-americanas: June Tarpé Mills e sua Miss Fury (1941 – 1952).” É sócia fundadora da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), onde atualmente ocupa o cargo de Diretora Financeira, e membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA), em Leopoldina, MG, e da Academia Lavrense de Letras (ALL), em Lavras, MG.  Contribuiu com artigos para a revista francesa Papiers Nickelés. Tem diversos textos publicados sobre a temática da mulher na banda desenhada e sobre banda desenhada e projetos educativos.


domingo, 20 de março de 2016

GOLPE A GENTE SOFRE NO BRASIL TODO DIA (OU REFLEXÕES SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA ATUAL DO BRASIL)

Pois bem, eu resolvi fazer algumas reflexões sobre o que eu acho sobre a situação do país aqui no blog depois que, lamentavelmente, a única postagem que fiz no facebook à qual anexei o texto de uma cientista social, sobre o assunto dando minha modesta opinião, foi sumariamente retirada. Então pensei: vou publicar no meu blog o que acho sobre isso e vamos ver o que acontece.

Para começar, eu gostaria de citar o Art. 5, inciso IX da Constituição Federal da República Federativa do Brasil, de 1988:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Não sou jurista, mas creio que ao apagarem minha postagem fui vítima de censura e, portanto, meu direito constitucional foi violado. Na ocasião, ao conversar com uma amiga, fiquei sabendo que não foi um caso isolado. Segundo ela, o mesmo aconteceu com Renato Janine e tantos outros, bem mais notáveis do que eu com certeza, cujos escritos estão sendo retirados e perfis sendo apagados.

Nem faço ideia de porque sociólogos, cientistas políticos, historiadores, jornalistas e gente do tipo estão sendo censurados. Você, caro leitor, pode imaginar?

O anonimato, relativamente fácil na internet, faz com que pessoas que agem de má fé se achem no direito de violar a Constituição ao impedir que eu ou qualquer outra pessoa possa dar sua opinião sobre o país onde mora. Imagino que estas mesmas pessoas que NÃO RESPEITAM A CONSTITUIÇÃO,saem por aí dizendo que estão lutando contra a corrupção.

E não pensem que isso é ação de uma meia dúzia. Para uma página cair, são necessárias milhares de denúncias. Existem grupos que se especializam em derrubar páginas no facebook. Normalmente atacam postagens de feministas, defensores da comunidade LGBT ou pessoas cuja opinião política não é tolerada ou é considerada perigosa para quem, com certeza, não respeita os direitos individuais constitucionalmente garantidos.

Mais triste ainda é o fato de que já li e ouvi pessoas defendo quem faz isso, com os argumentos mais torpes. Inclusive, algumas delas estão afirmando que defesa dos princípios democráticos é desculpa de governista para tentar impedir a queda do governo.

Vamos entender o que são princípios democráticos antes fazer tal afirmação?

Tomei como base, para falar de democracia de uma forma bem didática, trechos de um texto publicado no site da embaixada dos Estados Unidos, nomeado Princípios da Democracia (leia na íntegra do texto, clicando aqui).

A Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade. Ela baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias.

As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal igual; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.

As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas, abertas a todos os cidadãos. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único, mas verdadeiras competições pelo apoio do povo.

A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário.

Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades.
As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso.

Então, se alguém acha que podemos abrir mão da nossa democracia, que ainda está sendo construída, eu sinto muito. Sinto por você que não entende que não deve haver privilégios nem privilegiados; sinto por você que acha que a lei pode ser burlada se os “fins justificam os meios”; sinto por você que critica os corruptos mas que aprova certos tipos de corrupção e autoritarismo se isso não te atinge de alguma forma.

Não vou me alongar muito neste texto. Apenas gostaria de dizer que não sou governista, não concordo com o que vem acontecendo com nosso país e  não tenho boas expectativas positivas quanto ao futuro próximo do país, porque, assim como diz a frase título desta postagem (que apropriei de um amigo) nós estamos sofrendo um golpe atrás do outro, todo dia.

Mas espero que tudo que está acontecendo sirva para abrir os olhos das pessoas para algumas coisas. Uma delas é com relação a quem se coloca pra governar este país. Nas próximas eleições não podemos cometer os mesmos erros. Não podemos eleger pessoas que estão querendo governar acima da lei, que querem acabar com o Estado Laico, que não respeitam a Liberdade de Expressão, que não entendem o que uma Democracia e que não estão nem aí para as necessidades da nação e que pensam em seu ganho próprio.

E não me venham com a história de que é pobre que elege corrupto. Isso é preconceituoso, é infame e não é verdadeiro. TODOS somos responsáveis.  E por favor, não brigue com seus amigos porque eles têm outra opinião ou porque eles defendem político “X” ou “Y”. NÃO VALE A PENA! Muito melhor se unir a ele pra defender o Brasil porque, no fundo, é o que todos nós queremos.


OBS: Bom deixar claro que liberdade de opinião não significa destilar ódio contra pessoas ou grupos étnicos e/ou religiosos. Isso é desculpa para desrespeitar direitos civis de quem, como eu e você,  paga seus impostos, cumpre a lei e vive sua vida da forma que acham correta.


domingo, 13 de março de 2016

FALANDO SOBRE MULHERES NOS QUADRINHOS NA GIBITECA DE SANTOS


A Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes, localizada em Santos (SP), promoveu no dia 05 de março uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher com um bate-papo sobre as mulheres e o mercado de HQs. Participaram, além de mim (Natania), a jornalista Gabriela Franco, a quadrinista Germana Viana, a quadrinista Camila Torrano, a pesquisadora Dani Marino. A professora Sonia Luyten não pode participar mas eniou uma carta que foi lida no início do evento.

A princípio, acho que vale comentar sobre as participantes. Tanto pela sua experiência, quanto pelo seu conhecimento, elas tornaram aquele fim de tarde quente de março memorável. Já conhecia quase todas, mas elas ainda me surpreendem. Germana, como ela mesma diz, é uma fofa; Camila é de uma sobriedade impressionante e fala com muita paixão sobre o que faz (quadrinhos de terror); Dani tem se mostrado uma pesquisadora sóbria e uma ótima interlocutora; Gabriela eu ainda não conhecia, embora já tenha tido algum contato com o Minas Nerds, e foi uma grata surpresa poder conhecê-la.


Eu poderia ficar horas escrevendo sobre tudo que nós falamos (e eu falei demais, mais do que o normal), mas acho que o mais importante aqui é comentar sobre a participação do público. Era um público variado: homens, mulheres, adolescentes e até crianças. Enfim, pessoas de todas as idades. 

Meninas entre 12 e 14 anos de idade, encantadas por estarem próximas a mulheres que compartilha com elas a paixão pelo desenho e pelas narrativas sequenciais. Jovens estudantes universitárias que estão desenvolvendo arte ou pesquisando quadrinhos. Aliás, foi muito legal conhecer a Beliza Buzzolo e poder reencontrar a Karina Goto, que alias fez um excelente trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre a produção feminina de quadrinhos no Brasil (que eu estou lendo e estou gostando muito, por sinal), e tem tudo para ser uma referência em pesquisa sobre mulheres nos quadrinhos.


Enfim, foi uma experiência ótima, um grande aprendizado e a oportunidade de conhecer pessoas interessantes. Retornei cheia de energia e focada. Haja visto que minha semana foi muito produtiva. Espero que continue assim! Ansiosa pelo próximo encontro com estas e outras pessoas maravilhosas.

SEMANA DA ALLA - 2016


III CONCURSO LITERÁRIO DA ALLA

TEMA LIVRE
MODALIDADE
CATEGORIA
Ensino Fundamental I
Poesia
Ensino Fundamental II
Poesia, Conto e Cartum
Ensino Médio
Poesia, Crônica e Cartum
Ensino Superior e Público em Geral
Poesia, Conto, Crônica e Cartum
CARTUM:  desenho caricatural que apresenta uma situação humorística, utilizando, ou não, legendas.

CONTO: Narrativa pouco extensa, concisa, e que contém unidade dramática, concentrando-se a ação num único ponto de interesse.

CRÔNICA: Narração histórica, ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica; texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal, e que tem como temas fatos ou ideias da atualidade, de teor artístico, político, esportivo, etc., ou simplesmente relativos à vida cotidiana.

POESIA: Composição poética de pequena extensão; aquilo que desperta o sentimento do belo.
(Fonte: Dicionário Aurélio eletrônico)

PREMIAÇÃO:
  • Serão premiados os primeiros colocados em cada modalidade e categoria, no dia 09 de junho de 2016, às 19:30, no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira (Praça Félix Martins – Centro – Leopoldina/MG).
  • A Escola e o Professor com o maior número de alunos participantes no III Concurso Literário serão homenageados na cerimônia de premiação.
  •  Valor do Prêmio: R$100,00 (cem reais) por modalidade e categoria.
  • Os textos classificados em 2º e 3º lugares em cada modalidade e categoria receberão certificados de participação no Concurso.


Os primeiros colocados de cada uma das categorias do EFI, EFII e EM comporão a ACADEMIA JOVEM DE LETRAS E ARTES DE LEOPOLDINA por dois anos.

REGRAS PARA O CONCURSO:   
  • Conto e crônica: mínimo de 25 e máximo de 80 linhas;
  • Poesia: máximo de 2 páginas;
  • Cartum: 1 página;
  • Fonte: Times New Roman ou Arial – Tamanho: 12 – Espaçamento: 1,5 – Folha: A4 – Margens: esquerda e superior: 3 cm / direita e inferior: 2 cm;
  • Os textos participantes deverão ser inéditos;
  • Entregar o texto em 3 vias, em envelope lacrado, no período de 01 a 15 de maio de 2016, na Biblioteca Pública Municipal Luiz Eugênio Botelho (Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira – Praça Félix Martins – Centro – Leopoldina/MG), no horário das 8:00 às 16:00, de segunda a sexta-feira;
  • Identificar na folha do texto: pseudônimo, modalidade e categoria;
  • Identificar no envelope: nome do autor, pseudônimo, nome da escola, nome do professor, modalidade, categoria, endereço completo, telefone e e-mail para contato;
  • Cada envelope deverá ter apenas um texto por categoria. Para participar com mais de um texto, deverá ser utilizado outro envelope de referência e outro pseudônimo.

OBSERVAÇÃO:
  • 1       Nas modalidades ENSINO FUNDAMENTAL I e II e ENSINO MÉDIO as inscrições deverão ser realizadas pela ESCOLA que selecionará, no máximo, 10 (dez) textos por CATEGORIA;
  • 2       Os concorrentes deverão utilizar pseudônimo inédito, ou seja, que não tenha sido utilizado em outros concursos ou publicações.

  • JURADOS: membros da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.
Professor, incentive a participação de seus alunos!
Aluno, mostre seu talento!


Atenção!

Em 2016, acontecerá o 25º Concurso de Poesias Augusto do Anjos promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. 

Professores e alunos, fiquem atentos aos prazos e participem!

LIVRO TRAZ IMAGENS DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL



Fala-se pouco sobre a I Guerra Mundial nos livros de história, e ela têm uma importância muito grande nos acontecimentos que marcam todo o século XX. Imagens da guerra, então, são poucas. 

Eu particularmente achei interessante a proposta de Guillaume Doizy e Pascal Dupuy.  "La Grande guerre des dessinateurs de presse - Postures, itinéraires et engagements de caricaturistes en 1914-1918" é uma publicação das Universitaires de Rouen et du Havre. 

Está na minha lista de compras, tanto pelo fato de apresentar material que eu certamente poderei usar nas aulas de história, quando por trazer um trabalho de pesquisa imagética que certamente vai me ser útil em projetos futuros.

terça-feira, 8 de março de 2016

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: DIA DE TODOS NÓS

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga foi uma compositora, pianista e maestrina brasileira. O nome dela foi o primeiro que me veio em mente quando escrevia este texto. Ela é a mulher que eu gostaria de homenagear, e gostaria de ser. Talentosa, corajosa, ela construiu uma carreira de sucesso numa época em que as mulheres não tinha voz. E ela fez muito mais do que ser ouvida. Uma transgressora que, provavelmente,  ouviu muito mais insultos do que elogios, mas que nunca deixou de ter determinação e garra. Se eu conseguir ser 10% do que ela foi, com certeza eu serei uma pessoa realizada.
O Dia Internacional da Mulher não é apenas dia 08 de março. São todos os dias do ano em que mulheres do mundo inteiro lutam para criar seus filhos, para serem aceitas no mercado de trabalho em pé de igualdade com os homens, para conquistarem a oportunidade de mostrar seu talento, para serem realmente enxergadas pela sociedade.

Dia 08 de março é aquele dia em que lembramos às mulheres e aos homens do mundo de que estamos aqui para fazer deste pequeno planeta caótico um lugar melhor para TODOS viverem juntos, em igualdade. É um discurso feminista e não tenho vergonha dele. Eu me descobri feminista recentemente. Mas já sou há algum tempo.

Explicando melhor, eu sempre fui bombardeada por tantos discursos ditos como feministas que, no final das contas, eu não sabia com qual eu me identificava.

Algumas mulheres ditas feministas parecem ter ódio dos homens. Eu não odeio os homens! Pelo contrário! Eu os amo! Outras entoam um discurso de superioridade feminina. Também não combina comigo. Não acredito em superioridade de um gênero sobre outro.  Mas acredito na diversidade, tanto de homens quanto de mulheres. E ela é enorme! E se há tanta diversidade, que parâmetro eu poderia usar para determinar uma suposta superioridade que até hoje ninguém conseguiu provar?

Então, eu finalmente encontrei o feminismo que considero aquele que realmente representa o que eu penso e o que eu sinto. Vejo o feminismo como a luta pela igualdade, pela justiça social, para as mulheres e para todos aqueles grupos que são excluídos pelo discurso machista e preconceituoso que ainda impera numa grande parte da nossa sociedade. Se o feminismo parte das mulheres ele não é exclusivamente delas. Ele se soma a tantas outras lutas contra que ocorrem por todo mundo.

Ser feminista significa, para mim, não aceitar a injustiça contra as mulheres ou contra homens. Significa lutar contra a exclusão, sonhar e trabalhar por um mundo onde haja menos violência física ou simbólica e onde homens e mulheres não sejam rivais, mas parceiros. Se este mundo um dia vai existir, eu não sei. Mas é preciso lutar para que ele possa ter a oportunidade de se tornar uma realidade, caso contrário eu terei que aceitar que a sociedade está pré-determina a ser injusta e o fatalismo, definitivamente, não combina comigo.

Dia 08 de março pra mim é o dia internacional da luta pela justiça e igualdade social. E as mulheres representam muito bem esta luta, que é diária, que é sofrida e é de todos nós.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

GIBITECA DE SANTOS FAZ HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes, Posto 5, faz neste dia 05, uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher com um bate-papo sobre as mulheres e o mercado de HQs. Participam a jornalista Gabriela Franco, a desenhista Germana Viana, a professora Natania Nogueira, a quadrinista Camila Torrano, a pesquisadora Dani Marino e a professora Sonia Luyten, que irá participar à distância.

Gabriela Franco é jornalista especializada em Cultura Pop e cineasta. Colaboradora das revistas: Mundo dos Super-Heróis, Mundo Nerd e dos sites Judão e Popground. Fundadora do coletivo MinasNerds e editora do site MinasNerds.com.br

Germana Viana nasceu em Recife, mas mora em São Paulo. Desenhista e roteirista, é autora de “Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço” e integrante do coletivo de quadrinhos CBGiBi. Entre suas publicações estão também a coletânea "SPAM" (Zarabatana Books, 2015). Trabalha ainda como ilustradora, letrista e designer para editoras como a Panini e a Jambô.

Natania Nogueira formou-se em História pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cataguases (1992), fez especialização (lato sensu) em História do Brasil pela UFJF (1997) pesquisando História Regional, tendo como foco o papel das escolas na formação de elites mineiras. Uniu a paixão pelos quadrinhos com a história com o mestrado “As representações femininas nas histórias em quadrinhos norte-americanas: June Tarpé Mills e sua Miss Fury (1941 – 1952).”

A quadrinista Camila Torrano é uma ilustradora apaixonada por terror/horror e graduada em Artes Visuais na USP. Trabalhou para diversas publicações impressas, ilustrou livros, lançou alguns quadrinhos em revistas de publicação independente (Quadreca, Garagem Hermética, Cão). Em 2012 lançou seu primeiro trabalho solo, a história em quadrinhos A Travessia (Escrita Fina Edições). Atualmente trabalha em uma empresa de games para mobiles, faz freelance eventualmente e continua sua produção de quadrinhos e ilustrações autorais. É integrante da Organização Fictícia, onde trabalha com quadrinhos e ilustrações.

Dani Marino possui graduação em Letras - Inglês pela Universidade Metropolitana de Santos (2012). Integrante da Associação de Pesquisadores de Arte Sequencial (ASPAS) desde setembro/2014 e colaboradora do blog Quadro-a-Quadro desde 2013, também participa dos Colóquios científicos do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA – USP. Recentemente aprovada para o Mestrado da Escola de Comunicação e Artes da USP, Dani fará sua dissertação sobre a Gibiteca de Santos.

A professora doutora Sonia Luyten é uma das pioneiras no estudo dos quadrinhos no Brasil e uma das primeiras a quantificar e qualificar o trabalho das mulheres nas HQs. Autora de várias obras sobre o estudo científico dos quadrinhos, Sonia foi professora convidada em universidades do Japão, Holanda e França. Especializada no estudo dos mangás, foi uma das fundadoras da ABRADEMI, Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações.

A Gibiteca fica na avenida da praia, no Posto 5, bem em frente à rua Oswaldo Cruz, no bairro do Boqueirão em Santos. Mais informações pelo telefone 32881300.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Mary Del Priore - Um Rio de Histórias

Mary del Priore​ agora participa de um programa na CBN toda segunda,  às 10h45. O primeiro programa fala sobre o transporte público no Rio e da Revolta do Vintém.

Vale a pena conferir! 


sábado, 9 de janeiro de 2016

ENTREVISTA COM CHANTAL MONTELLIER

Entrevista a seguir foi realizada no dia 26 de janeiro de 2015. Na verdade é uma parte dela, que eu traduzi (então peço desculpas antecipadas caso o texto não fique totalmente claro) que acredito seja de relevância geral. 

Chantal é muito direta nas suas respostas, é pragmática e não “papas na língua”. Deixa bem claro o que pensa sobre a situação atual dos quadrinhos na França, seja sua utilização pedagógica, sua tendência editorial e a participação das mulheres. Ela não tem uma visão “cor de rosa” sobre o futuro da indústria do quadrinhos, no que tange ao engajamento político e social dos autores e autoras, privilégio de quem tem uma larga experiência construindo uma carreira onde não faltaram obstáculos.

*****
Natania Nogueira - Dentro da sua experiência profissional, como a senhora avalia o potencial político e pedagógico das Histórias em Quadrinhos?

Chantal Montellier - Se eu me recordo dos números, ao longo de 2014 mais de 5000 álbuns de quadrinhos foram lançados na França. Portanto o gênero parece prolífico e bem sucedido.  Se olharmos o conteúdo desses álbuns, eles possuem bastante diversidade dentro da qual a política e a pedagogia são ainda minoritárias. 

Os quadrinhos são um artesanato, uma arte, que associa texto e imagem, multiplicando desta forma suas potencialidades. A força de uma obra deste gênero, por menor que seja, deve-se – além da sua atratividade - à sua distribuição e difusão. Ao contrário de uma pintura ou uma escultura, um álbum de HQ pode ser transportado consigo, ele pode ser visto e lido em toda parte, das prateleiras das livrarias às bibliotecas, mediatecas e gibitecas públicas ou privadas, mesmo em um consultório médico ou no transporte público. Uma HQ pode também ser distribuída na forma de um panfleto na saída de uma empresa ou de uma fabrica, e isso foi muito praticado durante certa época (nos anos 1970)... Daí uma sutil reação para recolocá-los no seu lugar.  Atualmente as HQs têm servido para fins comerciais, distrair crianças e adolescentes pré e pós-púberes e “renarcisar” alguns “bobos”[1] com problemas de ego, daí a onda recente de autobiografias dos últimos anos (vide uma estrutura editorial como Egocomix).

Dito isso, este potencial político e pedagógico é próprio – em diferentes proporções – a toda forma de expressão e não apenas aos quadrinhos.

Uma coisa que me parece evidente, hoje em dia, é que a HQ comercial e de entretenimento domina claramente o mercado, enquanto quadrinhos como "ferramentas" de emancipação, de tomada de consciência, de liberação e de educação popular estão, eu acredito, muito mal representados. O potencial pedagógico e político desta mídia é considerável, mas relativamente pouco e mal explorado.  Também deve ser dito que um engajamento (político, sindical, feminista) que automaticamente reduza o público (sobretudo o jovem) não é em geral bem visto pelos editores.

Pouquíssimas são as pessoas que, como José-Louis Bocquet da Dupuis, se atreveram a consagrar uma coleção à redescoberta de grandes personagens históricas, muitas delas do sexo feminino, como Marie Curie ou Rose Valland. Sem mencionar editoras como Actes Sud ou Denoël, que me permitiram redescobrir Christine Brisset (L’Insoumise) ou reinvestigar o caso Rey-Maupin (Les Damnés de Nanterre) e falar sobre o que realmente aconteceu em Chernobyl (Tchernobyl mon amour), muito distante do que foi apresentado ao público. Além disso, estamos numa época em que o consensual e o “pensamento único” (forma inédita de totalitarismo soft) reinam supremos e a produção sofre com isso.

N.N. - Como a senhora vê na atual geração de mulheres cartunistas francesas o engajamento político e social? Algum nome se destaca em especial?

C. M. - Há mais mulheres aparecendo hoje em dia do que nos anos anteriores, mas muitas destas autoras, na maioria trintonas, falam acima de tudo de coisas do foro íntimo (relacionamentos entre casais ou entre mãe e filha). A despolitização me parece bastante evidente assim como o desengajamento feminista, enquanto que os problemas entre homens e mulheres estão longe de serem resolvidos. As HQs chamadas de “girly” (femininas) são um exemplo claro do que eu estou descrevendo aqui.

A única quadrinista que mostra algum engajamento feminista (e social) na sua obra é  Catel Muller, com sua série de álbuns sobre mulheres excepcionais, de Olympe de Gouges à Benoite Groult. Ela recebeu o prêmio Artemísia do quadrinho feminino por essa obra. Mas Catel, nascida em 1964, tem atualmente mais de 50 anos…

Eu acredito que podemos dizer sem medo de errar que a sociedade patriarcal francesa não nos permitiu ter “herdeiras”. E é o mesmo na Itália onde Cécilia Capuana também se vê afastada das novas gerações que, ainda mais do que na França, têm muita dificuldade em se estabelecer no mercado.

N.N. - O engajamento das quadrinistas está ligado às ideias feministas ou simplesmente a outras propostas políticas?
C. M. - As “ideias feministas” não se deram bem e atualmente são mal vistas, particularmente pelos editores de HQs. Os leitores são predominantemente homens e a sociedade regrediu em relação a estas questões devido ao aumento do desemprego, da precariedade, da despolitização, do individualismo e do triunfo incontestável do liberalismo, que impõe a lei de todos contra todos, estes mesmas editores procuram surfar na onda de um imaginário igualmente retrógrado (do meu ponto de vista). Magia (negra), fantasmas, onirismo… histórias medievais e/ou pós-apocalípticas… Trolls, dragões, sereias, demônios, monstros e mutantes de todos os tipos vão de vento em popa. Tudo isso em termos de HQs de massa.

Para a classe média alta as HQs “bobo” (da burguesia boêmia) e seu narcisismo estão por todo lado. A sociedade e o que a constitui, suas classes, suas instituições, suas evoluções ou involuções, são pouco exploradas, mas, bem, não somos sociólogos, somos apenas testemunhas…

Restam os aventureiros que encontramos nas grandes editoras com divisões dedicadas às HQs (geralmente muito pouco desenvolvidas). No meu caso, são a Actes Sud e a Denoël Graphique. Os responsáveis por estes setores são muitas vezes as pessoas que conheceram o período dos anos 70/80 e que têm uma abordagem menos estritamente comercial do que os editores mais jovens. Eles também são menos tendenciosos e mais conscientes do jogo político.

N.N. - Dos trabalhadores da indústria dos quadrinhos na França, apenas 10% são mulheres. A senhora acha que a indústria dos quadrinhos ainda limita propositalmente a participação feminina ou não existe interesse das meninas em investir na carreira?

C. M. - Eu acho que sim. Os editores de HQs, com uma exceção, Marie Moinard da “Des ronds dans l’eau”, são homens. Eles não se reconhecem nas imagens de mulheres. Elas os desestabilizam. Sem mencionar o medo da castração... Um dos meus editores, o falecido John Paul Mougin (Ed Casterman) afirmava categoricamente que "quadrinhos para mulheres, não vendem. É uma coisa para meninos, para que eles possam masturbar debaixo do edredom!”.

N.N. - Iniciativas como o prêmio Artemísia vêm tirando jovens cartunistas das sombras e dando visibilidade à sua obra. Até que ponto prêmios como a Artemísia têm seu valor reconhecido pelas editoras francesas? Elas têm contratado mais mulheres nos últimos anos?

Nem sempre elas estão na sombra. A nossa última vencedora (2015), uma alemã chamada Barbara Yeling já é conhecida na França, com os dois álbuns anteriores publicados pela Actes Sud.

Sim, estão contratando um pouco mais, até onde eu sei. As editoras gostam de prêmios, de modo geral. Mas fazemos isso acima de tudo para honrar e encorajar o trabalho criativo das mulheres.

Obs: Agradecimento especial ao amigo Pedro Bouça, que deu um revisada na minha tradução e a deixou mais inteligível.







[1] Bobo é uma expressão usada para designar a chamada “Burguesia Boêmia” (bourgeois bohème) , o que seria o equivalente, a grosso modo, ao nosso “mauricinho”,