segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

OS PIONEIROS NO ESTUDO DE QUADRINHOS NO BRASIL


O livro, "Os pioneiros no estudo dos Quadrinhos no Brasil", foi publicado pela editora Criativo/SP, em 2013. Ele foi organizado por Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Nobu Chinen, responsáveis pelas das 1ªs Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas em agosto de 2011, na USP. Ele traz relatos de pioneiros na pesquisa sobre histórias em quadrinhos: Álvaro de Moya, Antônio Luiz Cagnin, Moacyr Cirne, José Marques de Melo, Sônia Bibe Luyten e Waldomiro Vergueiro. Grandes nomes que levaram os quadrinhos para a academia e os tornaram um objeto de pesquisa que atualmente não se limita apenas às áreas da comunicação e da arte.

São relatos onde esses pesquisadores falam da sua experiência pessoal com os quadrinhos, de como eles foram importantes na sua formação, desde a infância. Começam como leitores, tornam-se grandes pesquisadores cuja obra (em seu todo) é reconhecida internacionalmente. Em cada relato eu me identifiquei, de alguma forma, com o narrador. Sentimentos, crenças, situações semelhantes. Em cada narrativa biográfica eu pude me sentir revigorada na convecção de que vale a pena pesquisar quadrinhos, apesar de todos os obstáculos que temos que enfrentar no dia a dia.

Aliás, me diga qual pesquisador, em qualquer área, não se depara com problemas para analisar seu objeto ou mesmo desenvolver sua pesquisa?  O ato de pesquisa, por si só, é um desafio. Mas eu o vejo como um desafio prazeroso. Afinal, a construção de conhecimento pode ser dolorosa, em certo sentido, mas extremamente recompensadora quando concluída.

Muito mais pelo seu valor acadêmico, esse livro deve ser visto como um estímulo aos jovens pesquisadores, e não apenas dos quadrinhos. 

Os pioneiros, muitos ainda em atividade, nos deixam suas memórias e seus experiências, mas cabe a cada um de nós dar continuidade e ampliar ainda mais o campo da pesquisa e, principalmente, fazer com que ela chegue às pessoas comuns. Afinal, de que vale uma descoberta se ela não vai ser compartilhada?


domingo, 28 de dezembro de 2014

AS CRÔNICAS DE BANE


Estou alternando livros teóricos com livros de ficção para dar conta de tudo que eu tenho que ler. Já fiz uma resenha de um livro teórico, agora segue um livro de ficção.

Como eu disse na postagem anterior, estou começando com os livros que ganhei recentemente. O escolhido da vez foi o último livro de Cassandra Clare, publicado no Brasil.

Adoro a autora.  Acho que tenho todos os livros dela, publicados no Brasil. Ela escreve para um público juvenil e o faz de um jeito tão gostoso que eu me encantei com seu texto. Além disso, adoro livros de fantasia. E não são todos, apenas alguns autores (as) conseguem me fisgar. Cassandra é uma delas. 

Mas enfim, vamos começar pela autora. Cassandra Clare (Judith Rumelt), é filha de pais norte-americanos, nascida em Teerã, no Irã. Passou grande parte de sua infância viajando pelo mundo com sua família. Cassandra é uma leitora ávida de livros clássicos e transporta uma parte desse conhecimento para os livros que escreve.  Começou a escrever fanfics de Harry Potter e acabou criando seu próprio universo ficcional. 

Suas duas séries de sucesso foram “Instrumentos Mortais” (seis volumes) e “Peças Infernais” (três volumes). Ainda dentro desse universo a autora deve lançar em 2015 a série “Os Artifícios das Trevas”, que teve seu prelúdio no último livro de "Instrumentos Mortais".

Eu gostaria muito de ter essa capacidade criativa!

“As Crônicas de Bane” são um conjunto de dez histórias co-escritas por Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan sobre o magnífico feiticeiro do Brooklyn, Magnus Bane. Elas foram lançadas no segundo semestre de 2014. Essas dez histórias falam de momentos vividos e de personagens que passaram pela vida do feiticeiro imortal (alguns já conhecidos, outros não). Seus amores, suas decepção e suas trapalhadas.

Ao mesmo tempo, é um livro sensível que traz à tona detalhes da vida do feiticeiro que a maioria dos leitores desconhecia. Trata de temas como homoafetividade, AIDS, preconceito, etc.  É um livro muito divertido para se ler. Bane é um dos meus personagens preferidos, merecia um livro só seu. 

As crônicas falam de fatos mencionados em “Instrumentos Mortais” e “Peças Infernais”, mas que ainda não tinham sido esclarecidos. Introduz ainda personagens novos, que estão sendo reservados para uma nova série, prevista para 2017, “As Últimas Horas”, que, se não me engano, será uma continuação de “Peças Infernais” (sim, porque a própria Cassandra me garantiu que vai haver uma continuação - eu escrevi perguntando). Além disso, haverá ainda contos com personagens de "Instrumentos Mortais" que serão publicados em 2015. Dá pra perceber que eu sou fã mesmo, né?


HERÓIS E SUPER HERÓIS NO MUNDO DOS QUADRINHOS


Minha meta para as férias é de ler um livro por dia. Deus sabe o tamanho da pilha que se avoluma nas minhas prateleiras. Alguns de ficção, a maioria livros teóricos. Tenho ainda livros que comecei a ler mas cuja leitura tive que interromper. Esses serão uma das prioridades. Possivelmente o leitor do blog irá se deparar com mais de uma resenha por dia.

Mas vamos para o primeiro. Resolvi começar minhas leituras por um dos últimos livros que adquiri: Heróis e super-heróis no mundo dos quadrinhos, escrito por Nildo Viana e publicado em 2005, pela editora Achiamé, do Rio de Janeiro. Mas antes de partir para a obra, cabe aqui uma breve apresentação do autor. 

Nildo Silva Viana é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás. Fez seu mestrado em Filosofia pela mesma universidade e se doutorou em sociologia pela Universidade de Brasília. Atualmente é professor da Universidade Federal de Goiás. Sua obra é de influência marxista. Ela é ampla e abrange vários fenômenos sociais. Em seus estudos sobre cultura de massas ele dá um enfoque especial aos quadrinhos, tendo, pelo menos, três livros publicados sobre o tema, e um número ainda maior de artigos. Diga-se de passagem Nildo Viana é um dos poucos marxistas que conheço que pesquisam quadrinhos.

O livro em questão, publicado em 2005, é uma obra que analisa o papel axiológico dos quadrinhos, tendo como lócus privilegiado os quadrinhos de super-heróis. O autor entende por axiologia "o padrão dominante de valores em nossa sociedade, os valores burgueses".

Uma vez que os super-heróis são um gênero dos quadrinhos originado nos Estados Unidos, Viana traça inicialmente uma breve história dos quadrinhos naquele país. Começa com surgimento dos quadrinhos de aventura e chega ao aparecimento do primeiros super-heróis. Para quem não tem um conhecimento prévio do tema, essa introdução à história dos quadrinhos é fundamental. O leitor tem acesso a informações importantes que ajudam a contextualizar os quadrinho e a entender melhor seu caráter axiológico.

Nos capítulos que se seguem, Nildo Viana trabalha ainda o conceito de inconsciente coletivo, relacionando-o ao mundo dos super-heróis. É um livro pequeno, em formato (12x18) e em número de páginas (77 p.) e de leitura rápida e agradável. Para os amigos marxistas, que ainda não tiveram a oportunidade e ler sobre quadrinhos, eis uma ótima dica. Para os demais colegas vale a pena a leitura do livro pela forma como o autor trabalha conceitos e noções da sociologia, aplicados aos quadrinhos.

sábado, 27 de dezembro de 2014

DESPEDINDO-ME DE 2014

Momento Top: 1º Encontro Lady's Comics (Belo Horizonte)
Para começar, devo pedir desculpas. No mês de dezembro eu quase não tive oportunidade de postar no blog, na verdade. Não foi por falta de ideias. Elas estão sempre pipocando na minha mente, mas foi realmente falta de tempo e disposição. 

Os fins de ano tem sido mais penosos ou e impressão minha?
Enfim, arrumei um tempinho para poder postar e resolvi começar por um balanço do meu ano de 2014, do pondo de vista profissional. Então, vamos começar: trabalhei muito!
Outro momento top: exposição do Laerte no Espaço Cultural do Banco Itaú (São Paulo)
Em 2014 minha produção acadêmica extrapolou todas as minhas expectativas. Foram palestras, mesas redondas, organização e participação em eventos. Além de tudo isso, recebi convites para publicação de artigos e capítulos de livros; publiquei um livro, tenho um livro aceito para publicação e mais dois que estão em processo de produção, com previsão para publicação em 2015. 

O legal é que dos livros previstos para 2015 (dois deles) serão na área de quadrinhos e de educação. Vejam bem, eu publiquei três livros até hoje e eles foram sobre história regional. É uma mudança que coincide com o fato de que vou finalizar meu mestrado em 08 de abril de 2015 (pois é, tem data marcada). Minha dissertação é sobre história das mulheres e sobre quadrinhos. 
Encontro sobre humor na UFES: encontrando velhos amigos e fazendo novas amizades (Vitória)
Entre os convites que recebi este ano um foi desafiador: eu me tornei colunista do blog História Hoje, da minha orientadora, Mary del Priore. Ela pediu que eu publicasse toda semana um texto sobre educação patrimonial (ela cismou com isso, porque eu sempre comentava com ela sobre as minhas práticas nessa área). Sinceramente, achei que não daria conta e, cá entre nós, bateu aquela insegurança. Eu tenho meus blogs, e escrevo neles, mas meus leitores não passam dos 200 visitantes que recebo em média, por dia.  Lá são milhares de acessos! E se eles não gostassem?

Mas não é que gostaram? Então, estou fechando o ano que mais de 40 textos publicados. A maioria sobre educação patrimonial, mas também publiquei outras coisas. Sabem como é, sou uma pessoa de muitos interesses. Fiquei até sabendo que meus textos tem sido usados em universidades federais por professores. Só isso já levanta a moral, né!
Lançamento do meu livro: Fragmentos da História
Viajei bastante a trabalho, mas consegui tirar alguns momentos de lazer. Fui a São Leopoldo (RS), a Vitória (ES), São Paulo (SP), Santos (SP), Guarujá (SP), Petrópolis (RJ e a Belo Horizonte. Apesar de gostar de bancar a turista devo confessar a vocês que essas viagens de trabalho me pegam muito mais pelo ambiente, pelas pessoas que reencontro, pelas amizades que eu faço. E sempre faço muitas. Alegro-me em dizer que meu circulo de amigos ficou mais amplos e, o melhor de tudo, amigos com interesses comuns. Essa é a melhor parte.

Para o blog, foi um dos melhores anos. Até o momento eu tenho 125 postagens (sem contar essa). Gente, é muita coisa! Coloquem isso me papel, dá um livro! Acho que 2015 foi o ano em que eu mais escrevi. Dissertação, por exemplo, está finalizada com exatas 159 páginas (em seu todo), contendo 49.617 palavras (e o abstract ainda não ficou pronto)!! 
Momento super top: nosso II Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial (São Leopoldo)
Tenho mais que agradecer e, cá entre nós, descansar um pouquinho. E para descansar eu tenho 3 opções: vou ver filmes, vou ler livros e devo tirar uns dias para ir à praia porque, sabe como é, mineiro adora uma praia. Mas isso só significa mais assunto para o blog!

Estou me despedindo de 2014, mas não estou me despedindo do blog. Vem novidades por aí! Então, fiquem atentos: em breve termos resenhas de livros, de seriados (acho) e textos sobre a história dos lugares onde pretendo passear.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM LEOPOLDINA: BALANÇO DE 2014 E LANÇAMENTO DE CARTILHA


Iniciativas para promover a educação patrimonial em Leopoldina se destacaram no ano de 2014. E não falo isso como funcionária (leciono em uma escola municipal, como muitos sabem) mas principalmente como cidadã interessada no desenvolvimento material e humano da minha cidade, do meu município. 

Entendo que quanto maior a conscientização acerca da importância do nosso patrimônio cultural e histórico, maior a identificação da população com o local, com a cidade e com tudo aquilo que ela representa. 

O fortalecimento da ideia de pertencimento só vem a trazer benefícios para a comunidade em seu todo. As pessoas passam a valorizar mais o lugar onde vivem, a cuidar do bem público que, afinal, é de todos. Elas se tornam mais conscientes de seus direitos e deveres como cidadãos.  

O município só tem a ganhar. Ganha praças e ruas mais limpas, prédios mais conservados, pessoas interessadas em investir no local. O jovens podem até sair para estudar, mas pensam em retornar e contribuir para o crescimento econômico da cidade. Os bens culturais atraem visitantes que, por sua vez, trazem recursos que são gastos em lojas, restaurantes e hotéis.

Durante o ano de 2014, ano em que completou seus 160 anos de emancipação, o município de Leopoldina ganhou um sopro de cultura. Nosso calendário nunca foi tão recheado de opções que envolveram história local e educação patrimonial durante quase todos os meses. O primeiro semestre foi marcado pelas comemorações dos 160 anos, o segundo pelo centenário da morte do poeta Augusto dos Anjos.

Não apenas esses dois eventos, vários outros menores ocorreram nos bairros e escolas da cidade. Como não citar os 30 anos do Grupo de Dança Assumpreto? O que não dizer a enorme evolução do grupo de dança folclórica Peróla Negra, formado por crianças e adolescentes? 

Nosso município está despertando, está tomando consciência da importância de preservar e fazer conhecer seus bens culturais. E, fechando o ano com chave de ouro, temos o lançamento da cartilha de educação patrimonial, no dia 12 de dezembro, como resultado de um maravilhoso projeto desenvolvido pela arquiteta Lívia Muchinelli. 


Tivemos ainda lançamentos de livros, como o livro que conta a história do clube Cutubas ou o livro sobre o jornal Leopoldinense. Enfim pequenas e grandes ações que fizeram do ano de 2014 o ano da cultura em Leopoldina. E que 2015 possa ser ainda melhor, que possamos nos reinventar, nos superar a cada ano para fazer de Leopoldina um lugar cada vez melhor para viver.