sexta-feira, 25 de abril de 2014

LEOPOLDINA 160 ANOS: CRÔNICA

O texto abaixo é um crônica, vencedora do I Concurso Literário promovido pela academia Leopoldinense de Letras. A autora é Luisa Arantes, aluna do segundo ano do Ensino Médio. 

Convido todos à Leitura.

MEU TESTAMENTO DE VIDA OU DE MORTE

Autora: Luisa Arantes (16 anos)
Nasci em 1813, em um lugar de belas montanhas e de clima agradável. Para meu surgimento, tive a contribuição dos meus filhos legítimos, os índios Purís, que habitavam estas matas. Eu não tinha nome e nem era conhecida, mas mesmo assim eles me amavam e me respeitavam como eu era. Com a chegada dos que se achavam meus donos, mataram meus filhos por interesses mesquinhos e fúteis, cortaram minhas matas, moldaram-me e dominaram-me.

Fui crescendo e meus novos filhos adotivos me deram o nome de São Sebastião do Feijão Cru. Nome de santo era muito comum. Não me importei. Também me apelidaram por causa de um incidente culinário causado pelos tropeiros, mas emendar o apelido ao nome do santo? Relevei.

Mais tarde, para homenagear a segunda filha do Imperador D. Pedro II, a princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon, fui chamada de Leopoldina. Antes eu era homem e agora sou mulher? Pelo menos esse nome é melhor. Se fosse em época atual e de carnaval, minha marchinha seria “Maria sapatão, sapatão, sapatão, de dia é Leopoldina, de noite é Sebastião!”

Minha importância foi aumentando. Ter a segunda maior população de escravos da província de Minas Gerais não foi motivo de orgulho para mim. Esses filhos, que aqui chegaram de maneira forçada, marcaram profundamente a minha história, a minha cultura e longos anos de minha vida, que jamais serão esquecidos, pelo menos por mim.

Com a chegada da abolição, pude compartilhar da alegria pela liberdade de meus filhos, que dançavam e cantavam celebrando uma nova vida, uma nova história e uma nova esperança. 

Logo em seguida, recebi novos filhos, de terras distantes, que vieram trabalhar com o cultivo do café, embalados pelas histórias que eles ouviam sobre mim. Cortaram-me com estradas e uma importante linha férrea, com a intenção de me ligar a outras regiões. 

Represaram minhas águas, construindo uma usina hidrelétrica, que abriu caminho para o que chamam de modernidade e inovações tecnológicas. Era o início do tal progresso. Com isso, recebi mais filhos adotivos que desejavam construir uma vida comigo ou desfrutar do que eu oferecia de melhor: educação e cultura.

Modéstia à parte, tive muitos filhos ilustres e inteligentes, como Clóvis Salgado, Augusto dos Anjos, Miguel Torga e Funchal Garcia, que marcaram grande presença em minha vida. Como citar nomes de filhos causa ciúme entre eles, vou parar por aqui, já que amo todos igualmente. O importante é que a minha forma de educar me deu o título de “Athenas da Zona da Mata”.

Já cantaram minha beleza, pintaram e representaram sobre mim. Tenho uma catedral divina, lindas praças e escolas. Percebo que a beleza da cultura que represento está estampada na gingada do capoeirista, na coreografia de uma dança, nos versos da folia, no vai e vem da agulha das bordadeiras e no cheirinho da comida mineira, que como essa não há outra igual. 

Com o passar dos anos, posso dizer que a maioria de meus filhos se esqueceu de mim. Não sou mais valorizada e nem lembrada como era. "De longe seus filhos lhe amam, de perto seus filhos reclamam". É com tristeza no coração que percebo a verdade nos versos do poeta. Fiquei estagnada no tempo, esquecida.

Lembra-se do córrego? Aquele que me deu nome... Agora está poluído, sem peixes, puro esgoto. Lembra-se dos meus filhos ilustres? Poucos os conhecem. Lembra-se das praças? Já não são mais as mesmas. Quando cortam minhas árvores centenárias e derrubam meus casarões, parece que meus filhos querem eliminar todas as raízes com o meu passado. 

Entristece-me ver meus filhos partirem, não há nada que os segure, mas sei que de longe sentem saudades e de perto só enxergam os meus defeitos, que sabe lá quem os criou.

Posso dizer que estou doente, em um leito de um hospital que precisa de ajuda também. Quem fez isso comigo? Talvez todos eles. Quem me fez adoecer? Todos? E quem quer lutar para a minha melhora? Ninguém. Ninguém não, já recebi, sim, visitas no hospital, de quem, assim como eu, luta para sobreviver. Quem luta por uma cidade melhor, quem luta para que ainda exista cultura e educação. Ainda bem que esses ainda estão aqui. Quem poderia imaginar? Eu, que quase fui capital de Minas, hoje sofro a indiferença até dos meus filhos. Espero que alguém ainda saiba de minha história, pois, pela minha idade, estou perdendo a memória.

Como não posso deixar nenhum bem para meus filhos legítimos, pois, infelizmente, estão mortos, deixo aqui registrado que todo o meu patrimônio histórico, cultural e natural, que ainda me resta, será deixado para os jovens que aqui residem. O meu futuro está na mão de vocês.

Espero que vocês ainda me queiram do fundo da alma. Que não me abandonem no escuro e sim que me levem para a luz. Sonho, como toda mãe, com o dia em que todos sintam orgulho por serem meus filhos.


Leopoldina, aos 160 anos.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O ENSINO FEMININO EM LEOPOLDINA: ALGUMAS NOTAS DO LEOPOLDINENSE (1881-1882)

Leopoldina não teve o apelido de Athenas da Zona da Mata à toa. Aqui foram fundadas várias escolas particulares, para atenderem às famílias de posses. Tanto a sede da cidade quanto seus distritos possuíam escolas que funcionaram em regime de internato, semi-internato e externato. Mas que isso não ajude a criar uma imagem idílica da educação em nosso município, durante o século XIX ou mesmo na primeira metade do século XX. 

Nas páginas do jornal O Leopoldinense desfilavam anúncios de unidades e ensino que ofereciam vagas principalmente do ensino primário, na cidade, nos distritos e em municípios vizinhos. Podemos citar alguns como o Collegio Bandeira (em Madre de Deus do Angú), o Instituto Collegial de Volta Grande, o Lyceu Leopoldinense, o Externato Azeredo (em Madre de Deus do Angú), O Collegio Abílio (Barbacena) e o Collegio Oliveira (São José de Além Parahyba).

Não havia, no entanto, acesso de todos à educação. Frequentavam essas escolas apenas quem podia pagar. Mesmo no caso da existência de subsídios, estes atendiam a um número reduzido de alunos. Vale lembrar que, no período em questão, década de 1880, Leopoldina tinha aproximadamente 40 mil habitantes, quase metade era escrava, uma boa parte vivia do trabalho na lavoura e só um número reduzido podia se dar ao luxo de oferecer aos filhos a oportunidade se receber as primeiras letras.

Priorizava-se a educação dos meninos. Mas na segunda metade do século XIX conheceu uma considerável expansão na oferta de instrução para meninas em Minas Gerais. Os primeiros colégios femininos criados em Minas Gerais surgiram em 1847, por iniciativa do Bispo Dom Viçoso (MUNIZ, 2003:177). As escolas de formação de professoras surgiram na década de 1870, quando as mulheres passaram a ser direcionadas para a carreira no magistério. A Lei n. 1789 de abril de 1871, e o Regulamento n. 62, de 1872, garantiram o acesso das mulheres ao curso do magistério (MUNIZ, 2003:189).

No caso de Leopoldina, e possivelmente de outros municípios da Zona da Mata próximas, meninas poderiam ser enviadas para escolas no Rio de Janeiro. No jornal O Leopoldinense, por exemplo, pulicava em destaque propaganda do Collegio Franco-Brasileiro, escola dedicada ao ensino feminino, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Acredito que a demanda pela educação feminina tenha impulsionado o aumento do número de escolas e a oferta de vagas pela região. Baseamos nossa hipótese no aumento gradativo da oferta deste serviço, que pode ser notada nas páginas do O Leopoldinense. Se em 1881 o Leopoldinense anunciava o início das aulas do Collegio Nossa Senhora do Amparo, com destaque, em 1882 outras duas escolas da região oferecem vagas para meninas: O Collegio Santa Margarida (Rio Pardo) e o Collegio Santa Cruz (São João Neponuceno).

Pelos valores oferecidos aos pais é possível imaginar a estrutura e o limite do ensino que era oferecido. O corpo docente variava de acordo com o tamanho da escola e da oferta de matérias. A variedade de conteúdos e de atividades era uma forma de seduzir as famílias que, no final do século XIX viam a cultura letrada de suas filhas um atrativo para bons casamentos. Com o papel da maternidade cada vez mais valorizado, a mulher deveria ser além de boa esposa e mãe a primeira educadora de seus filhos.

Observe o currículo e o detalhamento com que os diretores de colégios maiores seduziam procuravam seduzir sua clientela.

O Leopoldinense. Leopoldina, 05 de janeiro de 1882, m. 02, p. 04 

Havia, também a oferta de aulas para meninas em collegios mais modestos, que normalmente se limitavam a salas de aula na localizadas na casa de um professor ou professora, para uma clientela mais humilde que não podia pagar por um internato em outra cidade ou mesmo em Leopoldina.

A professora Maria José da Fonseca participa aos senhores paes de suas alumnas que as aulas de seu colégio abrirão no dia 1º de fevereiro próximo futuro (O Leopoldinense. Leopoldina, 12 de janeiro de 1882, m. 04, p. 03)

Estes pequenos colégios, identificados pelo nome do professor ou professora por eles responsável disputavam espaço em Leopoldina com estabelecimentos maiores, como já citado Collegio Nossa Senhora do Amparo, que chegou a receber a visita do Imperador D. Pedro II, quando aqui esteve, em 1881.

Collegio da Nossa Senhora do Amparo

Dona Maria Augusta de Freitas Malta, continúa a receber alumnas internas de instrucção primaria, sendo a pensão mensal de 25$, comprehendendo os trabalhos de agulhas, e externas, 5$. Pararão mais 10$ as do curso superior de portuguez, francez e geographia á cargo do senhor Olympiuo Clementino de Paula Corrêa, professor do collegio.

As alumnas deste curso poderão fazer exame na instrucção pública da Còrte, se seus paes o quizerem, uma vez que a freguesia comece no corrente mez de Fevereiro e não seja interrompida durante o anno lectivo.
Leopoldina, 08 de Fevereiro de 1881.

Maria Augusta de Freitas Malta (O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n.11, p.04) 

Fala-se, inclusive, no ensino superior para mulheres, que já estaria sendo colocado em prática na Corte. Em matéria de primeira página, o editor do O Leopoldinense afirma:

Já não é só aos homens que a educação superior é ministrada; á mulher também já lhe toca o seu quintão e oxalá que as piedadenses e leopoldinenses concordarão com o seu obolo, para as aulas creadas ultimamente na corte para a instucção da mulher (CHANTILY. Instrucção Publica – Le monde marché. O Leopoldinense. Leopoldina, 1º de setembro de 1881, n. 64, p. 01)

As escolas particulares tiveram um papel importante na formação da identidade regional e as mulheres, especial, destacaram-se nesse processo. Vale lembrar que algumas das instituições de ensino particular mais duradouras da sede do município foram exclusivamente dirigidas por mulheres: O Colégio Imaculada Conceição, o Colégio São José e o Colégio Santa Therezinha. Mas isso é assunto para outra postagem.

FONTES:

O Leopoldinense. Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional

MUNIZ, Diva de Couto Gontijo. Um toque de gênero: história e educação em Minas Gerais (1835-1892). - Brasília: Editora Universidade de Brasília; FINATEC, 2003.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

PALESTRAS CONTAM UM POUCO MAIS SOBRE A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM LEOPODINA


O evento faz parte das comemorações dos 160 anos da emancipação de Leopoldina e é aberto para toda a comunidade.
Participe e conheça mais sobre a nossa História!

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domingo, 20 de abril de 2014

Minhas Leituras de Feriado: série Laços de Sangue

Normalmente eu posto aqui comentários sobre livros que eu li relacionados ao meu trabalho. Livros sobre Teoria, Educação ou sobre História. Hoje vou me dar ao luxo de falar de ficção. 

Quem me conhece sabe que eu adoro um livro de fantasia/aventura/ação. Tenho até meus autores preferidos. Adoro Rick Riordan e o universo fantasioso de Percy Jackson. Li toda a séria de Harry Potter, escrita por J. K. Rowling. Sou apaixonada pela série Instrumentos Mortais, de Cassandra Claire. Sou também fã de Jane Austen (não é fantasia, é romance histórico, mas adoro o jeito como ela escreve).  

É nessa hora que meus alunos deliram, porque eu leio livros que eles leem, e meus amigos torcem o nariz (não estou nem aí, podem torcer). O caso é que adoro tudo que mistura fantasia, ação e romance. Isso mexe comigo, com a minha imaginação. Sem falar que é uma ótima forma de relaxar a mente. Muitos dos meus melhores trabalhos foram finalizados após eu ter feito uma pausa  para ler um dos meus livrinhos de ficção. 

Eles são escritos para adolescentes, mas fazem tantas referências a obras clássicas, a história e assuntos atuais que torna a leitura atraente para os adultos. E cá entre nós, os escritores são pessoas na faixa dos 30 a 50 anos que podem agradar a todas as idades.

Tenho um carinho especial pela obra de Richelle Mead. Li Academia de Vampiros e me apaixonei pelos personagens. Apresentei a mais duas amigas que se tornaram fã, também.

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Neste fim de semana,aproveitando o feriadão, eu mergulhei numa série derivada, chamada Bloodlines. Eu tinha comprado os dois primeiros livros mas não estava muito empolgada, porque a sinopse não me atraiu, e eles ficaram na minha estante. Saiu o terceiro livro e eu encomendei. Resolvi que não iria trabalhar no feriado e resolvi ler a série. Foi basicamente um livro por dia e eu AMEI! 

Capas brasileiras (clique para ampliar)
Capas originais (clique para ampliar)

Recomendo, ardorosamente. Mas, para entender melhor, tem que ler antes Academia de Vampiros, pois há muitas referências a personagens e acontecimentos anteriores.

Sabe qual é, para mim, a melhor qualidade de um(a) escritor(a)? Saber como valorizar seus personagens, sem distinção. Richelle Mead pega personagens secundários da série Academia de Vampiros e monta uma trama muito legal, cheia de emoção, divertida e relaxante. No final de cada livro fica aquele gostinho de "quero mais". 

Quando as séries terminam, os fãs ficam desolados porque querem consumir mais livros daquele universo de ficção. Quando você acha um autor que consegue colocar fim em um arco de histórias e recomeçar, trazendo novas perspectivas e mantendo a qualidade, é um presente para o leitor. E não tem como não dizer que isso é muito legal!

Obs: Este post foi feito especialmente para meus alunos e ex-alunos que estão sempre me indicando livros pelos quais eu acabo me apaixonando e especialmente para Marianna Lima e Luisa Arantes, que dividem comigo a paixão pela série criada por Richelle Mead. 

ANALFABETISMO DIGITAL?

Eu ando angustiada com uma questão que tem se tornado um problema para mim, ultimamente. Eu quero usar TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) para trabalhar com meus alunos, mas tenho esbarrado com um questão inesperada: eles não sabem usar o básico da internet, como ferramentas de pesquisa simples, e-mail e mesmo os recursos de um chat.

É angustiante, quase desesperador, porque estes, em especial, são alunos de classe média, que têm computador e internet em casa. Daí eu me questiono: e toda aquela expectativa que se tinha acerca desta geração? 

Pela conversa que tive com eles, individualmente e em grupo, eles sabem postar fotos, conversar em chat e jogar. Fora essas atividades frívolas, a internet não tem nenhuma outra utilidade para meus alunos de 13 anos. 

Não os culpo. Quem sou eu para isso? Acho que eles foram deixados para aprenderem sozinhos coisas que eles não entendem. Eles não entendem que certos recursos que o computador oferece podem facilitar sua vida, ajudar no seu aprendizado e até em questões profissionais que, no futuro, vão exigir certas habilidades que quanto mais cedo aprenderem melhor.

Eu me vi ensinando a enviar um e-mail, a anexar um documento, a pesquisar no google, coisas que eu imaginava, na minha inocência, que eles saberiam fazer. Sempre acreditei que o problema maior fosse a edição de textos, uso do Word e até do PowerPoint, mas é muito pior do que eu imaginava. 

De que vale as escolas (e daí eu me refiro a escolas públicas e particulares, sem discriminação) terem laboratórios de informática se os estudantes não estão sabendo fazer o básico?

Eu sou uma pessoa prática. Acho que a escola deve ensinar para a vida. Saber usar bem os meios de comunicação é uma coisa que deveria fazer parte do dia a dia do aluno. Quanto mais o estudante sabe lidar com a internet e com os demais recursos que um computador oferece maiores as opções dele de crescer tanto em conhecimento quanto em experiência. 

Vejam bem, sou leiga no assunto, mas se eu fosse priorizar conteúdo em aulas de informática eu começaria ensinando como se usar o e-mail, depois como utilizar ferramentas de pesquisa, edição de textos e de sítios como blogs. Eu gostaria de ter tempo para levar meus alunos ao laboratório e fazer isso, mas estou presa ao currículo. Por mais que digam que o professor tem autonomia, o conteúdo tem que ser dado na íntegra e com o número limitado de aulas de história semanais, é um milagre que eu ainda consiga tempo para trabalhar algum projeto com meus alunos.

Há muita coisa boa que não é aproveitada. Um computador ou um tablet são, acima de tudo, recursos. Infelizmente, eles têm sido tratados como brinquedos por uma geração que prometia tanto, mas parece estar mal direcionada.

Enfim, este post é mais um desabafo. Talvez o que esteja acontecendo comigo seja uma exceção à regra. Talvez eu esteja sendo pessimista eu esteja tendo expectativas para muito além da minha realidade de trabalho. Talvez eu possa suprir essas deficiências com o tempo e usar mais os recursos da escola nesse sentido. Enfim, são muitas possibilidades, espero que prevaleçam as melhores.

sábado, 29 de março de 2014

LEOPOLDINA 160 ANOS - ABERTURA DO CICLO DE PALESTRAS


Ontem fizemos a abertura do Ciclo de Palestras, promovido pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em comemoração aos 160 anos de Leopoldina. Na apresentação, Nilza Cantoni falou sobre a formação de Leopoldina e eu sobre a Princesa Leopoldina (baseada em um post que eu fiz aqui, anteriormente), enriquecido com mais fotos e com trechos de correspondências. 


Agradecemos imensamente a presença do público, que lotou o auditório da Casa de Leitura Lya Botelho e convido a todos para nosso próximo evento, que será na quarta, dia 02 de abril às 19:30.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL X COLONIZAÇÃO DA MEMÓRIA

Na quinta passada eu participei de uma mesa redonda sobre educação patrimonial, com Yussef Campos e Nilza Catoni. Preparei uma apresentação e estou disponibilizando a quem interessar.



Esta apresentação tem elementos que eu trabalhei em dois texto, publicados no História Hoje, que podem ser acessados clicando aqui e  aqui.

quarta-feira, 26 de março de 2014

PALESTRA: UM POUCO DA HISTÓRIA DE LEOPOLDINA

Começa nesta sexta, 28 de março, a programação cultural promovida pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes em comemoração aos 160 anos da emancipação do município de Leopoldina. Leia o convite, divulgue e participe!

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CONVITE: MESA REDONDA - EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM LEOPOLDINA

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SITE DE HISTÓRIA DO BRASIL: HISTÓRIA HOJE


Para quem não sabe, estou contribuindo semanalmente para o site da minha orientadora do mestrado, a Prof. Dra. Mary Del Priore, História Hoje.  O site (um blog) é relativamente novo e tem atualizações diárias com textos muito interessantes sobre História do Brasil, História das Mulheres, História da Intimidade, enfim, vários assuntos que ela aborda ou já abordou em seus livros. Vale a pela a leitura. Nas sextas, tem publicações minhas, também. 

Convido todos a visitarem.
http://historiahoje.com

segunda-feira, 24 de março de 2014

II FÓRUM DE PESQUISADORES EM ARTE SEQUENCIAL

O II Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial (II FNPAS), promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) acontecerá dentro do âmbito do II Congresso Internacional da Faculdades EST, na forma de um dos Simpósios Temáticos (é o ST02) dentro do Congresso, que terá como tema “Religião, Mídia e Cultura”. 

O Congresso Internacional da Faculdades EST se realizará entre os dias 8 a 12 de setembro de 2014. O FNPAS concentrará suas atividades entre os dias 10 e 12 de setembro. O FNPAS terá mesas redondas e sessões de apresentações orais. Por estar inserido dentro do Congresso Internacional, o/a inscrito/a poderá participar de toda a programação do congresso. A inscrição no FNPAS se dá mediante a inscrição no II Congresso Internacional da Faculdades EST. Para ler a circular, com todas as informações sobre o II FNPAS, clique aqui!

Sobre a ASPAS

Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) com sede na cidade de Leopoldina, Minas Gerais, é uma associação de pesquisadores que ensejam a pesquisa e o desenvolvimento científico e pedagógico acerca da arte sequencial, com ênfase nas histórias em quadrinhos. Por estar localizada no Estado de Minas Gerais, a sede torna-se um ponto de encontro estratégico para a reunião de pesquisadores e pesquisadoras de todo o país.
A ASPAS entende a arte sequencial como uma produção artístico-cultural que envolve uma narrativa própria da cultura contemporânea, traduzida descrita aqui como arte narrativa. Assim sendo, produções audiovisuais, televisivas, cinematográficas e literárias, bem como seus derivados (mitologias e miscelâneas diversas), tornam-se objeto de interesse de pesquisa em seu sentido lato, isto é, dentro do espectro da chamada “cultura pop” ou “cultura de massas” tais como charges, cartuns, caricaturas e outras formas de expressão gráfica que venham a se originar ou mantenham uma relação proximal com as histórias em quadrinhos (cinema, desenhos animados, fotonovelas, etc.).

domingo, 23 de março de 2014

Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) comemora os 160 anos de Leopoldina com programação cultural e concurso

Este ano o município de Leopoldina comemora 160 anos de emancipação política. Para comemorar esta data, a Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) lançou este mês seu I Concurso Literário, cujo tema é Leopoldina. São várias categorias, que envolvem desde alunos das rede municipal de ensino (pública e privada) até membros da nossa comunidade, de forma geral, que gostem de escrever e que desejem escrever sobre nossa cidade. 

As produções de texto deverão ser enviadas até dia 15 de abril. E, atenção, serão rigidamente cobradas as normas de formatação, sendo que textos fora dessas normas serão eliminados antes mesmo de serem lidos. Leopoldinenses que não residem mais na nossa cidade também podem participar.

Teremos também uma programação cultural especial, com palestras e apresentações de dança e música, começando agora, dia 28 de março. Contamos com a presença de todos.

Leia o regulamento na íntegra e confira nossa programação cultural.




domingo, 16 de março de 2014

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA LEOPOLDINENSE: ROMANCE NA SENZALA

Diferente de outros anúncios que fala da fuga de escravos na região,  publicados no jornal Leopoldinense, o anúncio abaixo chama a atenção, pois revela a existência de um relacionamento amoroso escrava e feitor. 

A notícia envolve um caso ocorrido em Mar de Espanha mas, dada a proximidade de Leopoldina, poderia ser possível que os fugitivos aqui se escondessem, ocultando de alguma forma sua identidade. Por isso, além da descrição detalhada da escrava consta também uma descrição do feitor. Alguns detalhes chamam atenção. Reparem que a escrava é identificada pelo nome, enquanto que o feitor apenas pelas suas iniciais e o fazendeiro descreve até trejeitos do feitor.


O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n. 11, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)


A fuga de dois amantes, por mais romântica que pareça, pode ter feito parte de toda uma estratégia para a conquista da liberdade. Imaginem o poder dessa mulher, que convence seu amante branco a fugir, largar a estabilidade do emprego, a casa e se aventurar numa empreitada que poderia terminar em prisão ou morte.

Caminhando por essa lógica  podemos deduzir que possivelmente havia entre escrava e feitor, além de uma relação amorosa, uma relação de poder exercida pela escrava sobre o feitor "onde a mesma utiliza-se do poder do seu corpo e da sua inteligência para submeter o feitor as suas vontades ou pelo menos escapar de situações impetuosas" (SANTOS, 2008:05).


Para as mulheres escravas no Brasil seduzir um homem livre poderia significar uma certa melhoria na qualidade de vida e até mesmo, a liberdade. Chica da Silva é um dos mais célebres exemplos disso, embora um caso excepcional.  Mas há outros. Algumas escravas que tiveram filhos com seus senhores conquistaram sua liberdade por meio desses filhos, que quando reconhecidos e libertos poderiam receber a mãe por meio de testamento. 

"Apesar de consideradas indignas de casas de papel passado, laços de convívio diários com escravas acabavam por tornar-se tão respeitados como em qualquer país da Europa e elas assumiam, sem maiores obstáculos, a honrosa posição de esposas. No caso  em que tais relações se prologassem, adentrando a velhice do parceiro, este não se decidindo por providenciar um casamento com uma mulher branca, acabava por fazer de seus filhos mulatos os únicos herdeiros de seus bens " (DEL PRIORE, 2005: 185)

Existindo ou não uma relação verdadeiramente afetiva, esta era um estratégia de sobrevivência da qual as mulheres escravas poderiam utilizar caso surgisse oportunidade. Embora um homem tivesse que ter uma mulher branca como esposa para apresentar à sociedade, as uniões com negras e mulatas eram comuns.

Qual foi o desfecho do caso entre o feitor português e a escrava Joanna? Difícil saber. Mas podemos ter certeza de que este tipo de relação (que podia resultar numa fuga ou até em um casamento) não foi um caso isolado durante o período em que o Brasil manteve o trabalho escravo.


REFERÊNCIAS

DEL PRIORE, Mary. História do Amor no Brasil. São Paulo: Contexto, 2005.

SANTOS, Harriet Karolina Galdino dos. O arquétipo feminino negro nos trópicos da sensualidade: um olhar literário e historiográfico acerca das relações de poder  no cotidiano brasileiro-colonizado. Anais do II Encontro Internacional de História Colonial.  Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. Disponível em: www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais, acesso em 16/03/2014.


sábado, 8 de março de 2014

A HISTÓRIA, OS QUADRINHOS E AS MULHERES

Retirado do site Lad's Comics

No dia internacional da mulher, seja por tradição ou por convenção, acabamos sempre enviando uma mensagem de felicitação ou fazendo uma postagem falando sobre o dia, sua origem, coisas do tipo.

Felizmente, eu não preciso esperar o dia 08 de março para isso. Ao longo do ano sempre que posso escrevo algum pequeno texto sobre mulheres e sua participação na história. Não por obrigação (e quem iria me obrigar?), mas pela satisfação de poder falar um pouco sobre essas personagens batalhadoras, famosas ou anônimas que desempenharam em seu tempo papeis diversos e deram sua contribuição, grande ou pequena, para a formação da nossa sociedade.

Acho isso ótimo! Quando pesquiso e escrevo estou reforçando minha identidade feminina, valorizando a minha capacidade produtiva. Que eu atinja duas, duzentas ou duas mil pessoas, isso não importa. Feminista? Não me classifico assim. No entanto, se valorizar o papel da mulher na sociedade e enxergar para todas nós mais do que aquilo que os outros dizem (e aqui nesses outros incluo homens e mulheres) que podemos ter e ser me faz feminista, talvez eu seja então.

Imagem retirado do http://pt.forwallpaper.com/wallpaper/x-men-storm-243115.html

Minha especialidade nos últimos anos, como muitos sabem, tem sido a pesquisa envolvendo quadrinhos (em história e educação). Ultimamente, tenho me dedicado à história das mulheres nos quadrinhos norte-americanos. Minhas leituras já eram direcionadas a esse tema, mesmo antes do mestrado. Por essa razão resolvi tirar alguns minutos (e do tempo do leitor deste blog) para falar um pouco de História, Quadrinhos e Mulheres.

De alguns anos para cá a historiografia dos quadrinhos vem dando crédito e redescobrindo uma legião de mulheres que atuaram - e muitas ainda atuam - na indústria dos quadrinhos pelo mundo.  Nomes antes por mim desconhecidos como o Rose O’Neill, Wilde Weber, June Tarpé Mills, Dale Messick, Nair de Teffé e tantas outras se revelaram verdadeiras heroínas e carne osso, mulheres que triunfaram em um campo onde os homens se dizem hegemônicos.

Criadoras e criaturas, empresárias ou editoras, mulheres que ficaram conhecidas pelo (as) personagens que criaram; personagens femininas que marcaram época e que ainda sobrevivem na imaginação de jovens e adultos, de leitores de todas as idades. Todo um universo cultural vem sendo redescoberto por meio de uma historiografia dos quadrinhos que tem à sua frente pesquisadores e pesquisadores que atravessam fronteiras e nos trazem informações preciosas acerca da história dos meios de comunicação e da história das próprias mulheres.

Imagem retirada do Cocota Net
E não vamos esquecer personagens queridas e imitadas como Mônica, Luluzinha, Mulher Maravilha, Tempestade, Super Girl e Mafalda, nossas garotas fortes, inteligentes, ardilosas, carinhosas e, também elas, muitas vezes injustiçadas. Heroínas ou vilãs, elas representam um pouquinho de cada mulher, seus defeitos, suas qualidades, seus desejos e suas aspirações. 

Que o dia Internacional da Mulher seja um momento de convidar todos àqueles que querem saber um pouco mais da história das mulheres e da história dos quadrinhos a mergulharem nesse mundo de fantasia salpicado com uma boa dose de realidade. E a fantasia, muitas vezes inspirada na realidade, possa fornecer aos leitores a possibilidade de repensar nossa dinâmica social. A responsabilidade de construir uma sociedade realmente igualitária e fraterna é de todos nós, homens e mulheres, partes integrantes de todo um universo onde as relações sociais influenciam as ações humanas, para o bem ou para o mal. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

MEMÓRIA DOS QUADRINHOS EM LEOPOLDINA

Embora seja difícil precisar com exatidão quem publicou as primeiras tiras cômicas em jornais leopoldinenses (com autoria de cartunistas locais), a produção de tiras e charges em Leopoldina teve seu boom nas décadas de 1980 e 1990, com jovens talentos locais. 

Personagens como Vamp Doidão, Rainha, Malucão e Zeca Pedra circularam em jornais como o Equipe e a Tribuna do Povo.  E quando digo jovens talentos, não estou exagerando: Cristiano Fófano publicava suas tirinhas aos 15 anos de idade. 

Para regatar um pouco da memória dos quadrinhos em Leopoldina, estaremos publicando algumas tirinhas e saíram durante esse período, uma forma de divulgar os nossos talentos do passado e, quem sabe, incentivar os do presente.

Hoje começaremos com uma charge e uma tirinha. 

Charge publicada no Jornal Equipe, em 1990.
Tirinha publicada na década de 1990 (s/d)