sábado, 29 de março de 2014

LEOPOLDINA 160 ANOS - ABERTURA DO CICLO DE PALESTRAS


Ontem fizemos a abertura do Ciclo de Palestras, promovido pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em comemoração aos 160 anos de Leopoldina. Na apresentação, Nilza Cantoni falou sobre a formação de Leopoldina e eu sobre a Princesa Leopoldina (baseada em um post que eu fiz aqui, anteriormente), enriquecido com mais fotos e com trechos de correspondências. 


Agradecemos imensamente a presença do público, que lotou o auditório da Casa de Leitura Lya Botelho e convido a todos para nosso próximo evento, que será na quarta, dia 02 de abril às 19:30.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL X COLONIZAÇÃO DA MEMÓRIA

Na quinta passada eu participei de uma mesa redonda sobre educação patrimonial, com Yussef Campos e Nilza Catoni. Preparei uma apresentação e estou disponibilizando a quem interessar.



Esta apresentação tem elementos que eu trabalhei em dois texto, publicados no História Hoje, que podem ser acessados clicando aqui e  aqui.

quarta-feira, 26 de março de 2014

PALESTRA: UM POUCO DA HISTÓRIA DE LEOPOLDINA

Começa nesta sexta, 28 de março, a programação cultural promovida pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes em comemoração aos 160 anos da emancipação do município de Leopoldina. Leia o convite, divulgue e participe!

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CONVITE: MESA REDONDA - EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM LEOPOLDINA

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SITE DE HISTÓRIA DO BRASIL: HISTÓRIA HOJE


Para quem não sabe, estou contribuindo semanalmente para o site da minha orientadora do mestrado, a Prof. Dra. Mary Del Priore, História Hoje.  O site (um blog) é relativamente novo e tem atualizações diárias com textos muito interessantes sobre História do Brasil, História das Mulheres, História da Intimidade, enfim, vários assuntos que ela aborda ou já abordou em seus livros. Vale a pela a leitura. Nas sextas, tem publicações minhas, também. 

Convido todos a visitarem.
http://historiahoje.com

segunda-feira, 24 de março de 2014

II FÓRUM DE PESQUISADORES EM ARTE SEQUENCIAL

O II Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial (II FNPAS), promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) acontecerá dentro do âmbito do II Congresso Internacional da Faculdades EST, na forma de um dos Simpósios Temáticos (é o ST02) dentro do Congresso, que terá como tema “Religião, Mídia e Cultura”. 

O Congresso Internacional da Faculdades EST se realizará entre os dias 8 a 12 de setembro de 2014. O FNPAS concentrará suas atividades entre os dias 10 e 12 de setembro. O FNPAS terá mesas redondas e sessões de apresentações orais. Por estar inserido dentro do Congresso Internacional, o/a inscrito/a poderá participar de toda a programação do congresso. A inscrição no FNPAS se dá mediante a inscrição no II Congresso Internacional da Faculdades EST. Para ler a circular, com todas as informações sobre o II FNPAS, clique aqui!

Sobre a ASPAS

Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) com sede na cidade de Leopoldina, Minas Gerais, é uma associação de pesquisadores que ensejam a pesquisa e o desenvolvimento científico e pedagógico acerca da arte sequencial, com ênfase nas histórias em quadrinhos. Por estar localizada no Estado de Minas Gerais, a sede torna-se um ponto de encontro estratégico para a reunião de pesquisadores e pesquisadoras de todo o país.
A ASPAS entende a arte sequencial como uma produção artístico-cultural que envolve uma narrativa própria da cultura contemporânea, traduzida descrita aqui como arte narrativa. Assim sendo, produções audiovisuais, televisivas, cinematográficas e literárias, bem como seus derivados (mitologias e miscelâneas diversas), tornam-se objeto de interesse de pesquisa em seu sentido lato, isto é, dentro do espectro da chamada “cultura pop” ou “cultura de massas” tais como charges, cartuns, caricaturas e outras formas de expressão gráfica que venham a se originar ou mantenham uma relação proximal com as histórias em quadrinhos (cinema, desenhos animados, fotonovelas, etc.).

domingo, 23 de março de 2014

Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) comemora os 160 anos de Leopoldina com programação cultural e concurso

Este ano o município de Leopoldina comemora 160 anos de emancipação política. Para comemorar esta data, a Academia Leopoldinense de Letras e Artes (ALLA) lançou este mês seu I Concurso Literário, cujo tema é Leopoldina. São várias categorias, que envolvem desde alunos das rede municipal de ensino (pública e privada) até membros da nossa comunidade, de forma geral, que gostem de escrever e que desejem escrever sobre nossa cidade. 

As produções de texto deverão ser enviadas até dia 15 de abril. E, atenção, serão rigidamente cobradas as normas de formatação, sendo que textos fora dessas normas serão eliminados antes mesmo de serem lidos. Leopoldinenses que não residem mais na nossa cidade também podem participar.

Teremos também uma programação cultural especial, com palestras e apresentações de dança e música, começando agora, dia 28 de março. Contamos com a presença de todos.

Leia o regulamento na íntegra e confira nossa programação cultural.




domingo, 16 de março de 2014

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA LEOPOLDINENSE: ROMANCE NA SENZALA

Diferente de outros anúncios que fala da fuga de escravos na região,  publicados no jornal Leopoldinense, o anúncio abaixo chama a atenção, pois revela a existência de um relacionamento amoroso escrava e feitor. 

A notícia envolve um caso ocorrido em Mar de Espanha mas, dada a proximidade de Leopoldina, poderia ser possível que os fugitivos aqui se escondessem, ocultando de alguma forma sua identidade. Por isso, além da descrição detalhada da escrava consta também uma descrição do feitor. Alguns detalhes chamam atenção. Reparem que a escrava é identificada pelo nome, enquanto que o feitor apenas pelas suas iniciais e o fazendeiro descreve até trejeitos do feitor.


O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n. 11, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)


A fuga de dois amantes, por mais romântica que pareça, pode ter feito parte de toda uma estratégia para a conquista da liberdade. Imaginem o poder dessa mulher, que convence seu amante branco a fugir, largar a estabilidade do emprego, a casa e se aventurar numa empreitada que poderia terminar em prisão ou morte.

Caminhando por essa lógica  podemos deduzir que possivelmente havia entre escrava e feitor, além de uma relação amorosa, uma relação de poder exercida pela escrava sobre o feitor "onde a mesma utiliza-se do poder do seu corpo e da sua inteligência para submeter o feitor as suas vontades ou pelo menos escapar de situações impetuosas" (SANTOS, 2008:05).


Para as mulheres escravas no Brasil seduzir um homem livre poderia significar uma certa melhoria na qualidade de vida e até mesmo, a liberdade. Chica da Silva é um dos mais célebres exemplos disso, embora um caso excepcional.  Mas há outros. Algumas escravas que tiveram filhos com seus senhores conquistaram sua liberdade por meio desses filhos, que quando reconhecidos e libertos poderiam receber a mãe por meio de testamento. 

"Apesar de consideradas indignas de casas de papel passado, laços de convívio diários com escravas acabavam por tornar-se tão respeitados como em qualquer país da Europa e elas assumiam, sem maiores obstáculos, a honrosa posição de esposas. No caso  em que tais relações se prologassem, adentrando a velhice do parceiro, este não se decidindo por providenciar um casamento com uma mulher branca, acabava por fazer de seus filhos mulatos os únicos herdeiros de seus bens " (DEL PRIORE, 2005: 185)

Existindo ou não uma relação verdadeiramente afetiva, esta era um estratégia de sobrevivência da qual as mulheres escravas poderiam utilizar caso surgisse oportunidade. Embora um homem tivesse que ter uma mulher branca como esposa para apresentar à sociedade, as uniões com negras e mulatas eram comuns.

Qual foi o desfecho do caso entre o feitor português e a escrava Joanna? Difícil saber. Mas podemos ter certeza de que este tipo de relação (que podia resultar numa fuga ou até em um casamento) não foi um caso isolado durante o período em que o Brasil manteve o trabalho escravo.


REFERÊNCIAS

DEL PRIORE, Mary. História do Amor no Brasil. São Paulo: Contexto, 2005.

SANTOS, Harriet Karolina Galdino dos. O arquétipo feminino negro nos trópicos da sensualidade: um olhar literário e historiográfico acerca das relações de poder  no cotidiano brasileiro-colonizado. Anais do II Encontro Internacional de História Colonial.  Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. Disponível em: www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais, acesso em 16/03/2014.


sábado, 8 de março de 2014

A HISTÓRIA, OS QUADRINHOS E AS MULHERES

Retirado do site Lad's Comics

No dia internacional da mulher, seja por tradição ou por convenção, acabamos sempre enviando uma mensagem de felicitação ou fazendo uma postagem falando sobre o dia, sua origem, coisas do tipo.

Felizmente, eu não preciso esperar o dia 08 de março para isso. Ao longo do ano sempre que posso escrevo algum pequeno texto sobre mulheres e sua participação na história. Não por obrigação (e quem iria me obrigar?), mas pela satisfação de poder falar um pouco sobre essas personagens batalhadoras, famosas ou anônimas que desempenharam em seu tempo papeis diversos e deram sua contribuição, grande ou pequena, para a formação da nossa sociedade.

Acho isso ótimo! Quando pesquiso e escrevo estou reforçando minha identidade feminina, valorizando a minha capacidade produtiva. Que eu atinja duas, duzentas ou duas mil pessoas, isso não importa. Feminista? Não me classifico assim. No entanto, se valorizar o papel da mulher na sociedade e enxergar para todas nós mais do que aquilo que os outros dizem (e aqui nesses outros incluo homens e mulheres) que podemos ter e ser me faz feminista, talvez eu seja então.

Imagem retirado do http://pt.forwallpaper.com/wallpaper/x-men-storm-243115.html

Minha especialidade nos últimos anos, como muitos sabem, tem sido a pesquisa envolvendo quadrinhos (em história e educação). Ultimamente, tenho me dedicado à história das mulheres nos quadrinhos norte-americanos. Minhas leituras já eram direcionadas a esse tema, mesmo antes do mestrado. Por essa razão resolvi tirar alguns minutos (e do tempo do leitor deste blog) para falar um pouco de História, Quadrinhos e Mulheres.

De alguns anos para cá a historiografia dos quadrinhos vem dando crédito e redescobrindo uma legião de mulheres que atuaram - e muitas ainda atuam - na indústria dos quadrinhos pelo mundo.  Nomes antes por mim desconhecidos como o Rose O’Neill, Wilde Weber, June Tarpé Mills, Dale Messick, Nair de Teffé e tantas outras se revelaram verdadeiras heroínas e carne osso, mulheres que triunfaram em um campo onde os homens se dizem hegemônicos.

Criadoras e criaturas, empresárias ou editoras, mulheres que ficaram conhecidas pelo (as) personagens que criaram; personagens femininas que marcaram época e que ainda sobrevivem na imaginação de jovens e adultos, de leitores de todas as idades. Todo um universo cultural vem sendo redescoberto por meio de uma historiografia dos quadrinhos que tem à sua frente pesquisadores e pesquisadores que atravessam fronteiras e nos trazem informações preciosas acerca da história dos meios de comunicação e da história das próprias mulheres.

Imagem retirada do Cocota Net
E não vamos esquecer personagens queridas e imitadas como Mônica, Luluzinha, Mulher Maravilha, Tempestade, Super Girl e Mafalda, nossas garotas fortes, inteligentes, ardilosas, carinhosas e, também elas, muitas vezes injustiçadas. Heroínas ou vilãs, elas representam um pouquinho de cada mulher, seus defeitos, suas qualidades, seus desejos e suas aspirações. 

Que o dia Internacional da Mulher seja um momento de convidar todos àqueles que querem saber um pouco mais da história das mulheres e da história dos quadrinhos a mergulharem nesse mundo de fantasia salpicado com uma boa dose de realidade. E a fantasia, muitas vezes inspirada na realidade, possa fornecer aos leitores a possibilidade de repensar nossa dinâmica social. A responsabilidade de construir uma sociedade realmente igualitária e fraterna é de todos nós, homens e mulheres, partes integrantes de todo um universo onde as relações sociais influenciam as ações humanas, para o bem ou para o mal. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

MEMÓRIA DOS QUADRINHOS EM LEOPOLDINA

Embora seja difícil precisar com exatidão quem publicou as primeiras tiras cômicas em jornais leopoldinenses (com autoria de cartunistas locais), a produção de tiras e charges em Leopoldina teve seu boom nas décadas de 1980 e 1990, com jovens talentos locais. 

Personagens como Vamp Doidão, Rainha, Malucão e Zeca Pedra circularam em jornais como o Equipe e a Tribuna do Povo.  E quando digo jovens talentos, não estou exagerando: Cristiano Fófano publicava suas tirinhas aos 15 anos de idade. 

Para regatar um pouco da memória dos quadrinhos em Leopoldina, estaremos publicando algumas tirinhas e saíram durante esse período, uma forma de divulgar os nossos talentos do passado e, quem sabe, incentivar os do presente.

Hoje começaremos com uma charge e uma tirinha. 

Charge publicada no Jornal Equipe, em 1990.
Tirinha publicada na década de 1990 (s/d)

FRAGMENTOS DA MEMÓRIA LEOPOLDINENSE: O CARNAVAL

Pesquisando alguns exemplares do O Leopoldinnense encontrei algumas chamadas para o carnaval, na década de 1880. Algumas bem curiosas envolvendo grupos carnavalescos. O primeiro, data de 17 de fevereiro de 1881 e traz um programa detalhado do Distrito de Piedade (atualmente Piacatuba), que envolve até troca de flores e passeio a cavalo.

O Leopoldinense. Leopoldina, 17 de fevereiro de 1881, n. 11, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

No segundo, temos uma chamada para o carnaval de Cataguases, em 1882, também com a descrição do programa, com direito desfile com fantasia e carros alegóricos.

O Leopoldinenese. Leopoldina, 19 de fevereiro,  de 1882, n, 14, p. 04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional).

Uma curiosidade: os organizadores entram no espírito da festa e assinam com pseudônimos como "Valete de Copas",  "Lorde Grão de Bico" e " Lord Parafuso".

Tirinhas do Pacífico, no jornal Ilustração

Não é comum encontrar tirinhas em jornais Leopoldinenses mas, folheando exemplares do Jornal ILUSTRAÇÃO: idealismo e trabalho pelo engrandecimento de Leopoldina, periódico dirigido por Joaquim C. Guimarães, que circulou na cidade entre nas décadas de 1940 e 1950, encontrei algumas tiras cômicas de um personagem chamado Pacífico. 

O Jornal o apresenta como uma exclusividade. São poucas tiras, mas não deixa de ser um registro do uso da arte sequencial em publicações locais. Ainda não encontrei informações sobre a tira ou o autor. 

Leopoldina, 02 de abril de 1950.
Leopoldina, 19 de março de 1950
Leopoldina, 19 de março de 1950
Para ver a imagem em tamanho original, clique com o botão direito em cima dela e abra em outra guia.

Agradecimentos à Casa de Leitura Lya Müller Botelho, que autorizou a pesquisa em seu acervo de periódicos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA LEOPOLDINENSE: ELEIÇÕES NO SÉCULO XIX

Se hoje em dia uma eleição movimenta todo país, mobilizando milhares de pessoas que irão trabalhar fiscalizando e dando suporte a todo o processo, no século XIX as coisas eram bem mais simples, embora não necessariamente mais fáceis. 

O voto censitário, adotado pela Constituição do Império, de 1824, limitava a participação popular aos homens adultos, alfabetizados e com renda especificada. Eram excluídos os pobres, os soldados, os índios, as mulheres e os escravos. O número de votantes, dessa forma, era bem pequeno. Em 1876 apenas 0.25% da população tinha direito ao voto (CANTONI, 1998).

Nilza Cantoni (1998) encontrou uma referência a eleições no povoado do Feijão Cru  (possivelmente a mais antiga) em 1842,no Mapa de Votantes de Minas Gerais. Nessas eleições participaram eleitores com renda  renda anual superior a 100 mil réis. O Feijão Cru pertencia à Comarca de  São João Nepomuceno, assim como : Cágado (Mar de Espanha), São João Nepomuceno, Espírito Santo (Guarará), Conceição da Boa Vista (Recreio) e São José do Paraíba (Além Paraíba). 

Tanto as Comarcas, quanto à freguesias a elas pertencentes e distritos eleitorais foram sofrendo mudanças nos anos e décadas seguintes, com a criação de vilas, desmembramento e emancipação de territórios, poder político local etc. 

Veja, abaixo, como eram os publicados os relatório de apuração, tendo como exemplo um dos distritos da vila, em 1857.

Correio Official de Minas. Ouro Preto, 26 de janeiro de 1857, n. 06, p. 02 (Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional).

Uma curiosidade é que as votações, a princípio, eram realizadas em quatro graus: os cidadãos da província votavam escolher outros eleitores; estes por sua vez elegiam os eleitores de paróquia; esses últimos elegiam os eleitores de comarca; os leitores da comarca, por fim, iriam eleger os deputados.  

O processo eleitoral era realizado em dois turnos. Haviam as eleições primárias, para a formação de um colégio eleitoral e as eleições secundárias, elegeria os senadores, deputados e membros do Conselho da Província (CANTONI, 1998). 

Os jornais participavam ao leitor sobre o processo eleitoral. Além de informar o público sobre o resultado do pleito, à medida em que as informações iam sendo liberadas, do, os jornais locais  também publicavam as normas e regras que deveriam ser obedecidas durante o pleito durante as eleições municipais.
 

Vejam, por exemplo, as orientações para a eleição de vereador e juiz de paz, em 1882. 


O Leopoldinense. Leopoldina, 20 de junho de 1882, n.50, p.03 (Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

As eleições tinham uma outra característica, também: eram marcadas pela violência e pela fraude. Em carta ao Imperador, A Princesa Izabel critica e lamenta a violência que domina as eleições brasileiras, que considera uma vergonha (DEL PRIORE, 2013).  Os jornais denunciavam o clima de tensão que marcava as eleições. 

Angelo Agostini, em sua Revista Illustrada, fez várias críticas à violência eleitoral. Destacamos uma, na forma de forma de quadrinhos. Nele temos desde as conspirações que antecedem as eleições até a violência. Detalhe no último quadro: eleitores tendo que usar armaduras improvisadas para exercer seu direito ao voto e manter sua integridade física. Clique na imagem para ler.

Revista Illustrada, Rio de Janeiro, 08 de janeiro de 1786, p 09 
(Acervo pessoal).

Em Leopoldina as coisas não eram diferentes. Havia uma disputa ferrenha entre Liberais e Conservadores. Basta lembrar que, em 1842, Leopoldina esteve envolvida nas Revoltas Liberais, que marcaram o início do Governo de Dom Pedro I.

Talvez por pressões internas e externas, o Imperador acabou por sancionar, em 1881, a Lei Saraiva, que reorganizava o processo eleitoral com a criação do título de eleitor, que possuída todos os dados do eleitor, inclusive sua profissão, mas que ainda não possuía foto. A mesma reforma implantou eleições diretas e a elegibilidade para os não católicos e escravos libertos, mas ainda era mantida a renda mínima de 200 mil réis anuais para a qualificação de eleitores (CANTONI, 1998), o que ainda excluía uma boa parte da população. Em 1882 Leopoldina possuía o número de 754 eleitores registrados.

BIBLIOGRAFIA CITADA:
Cantoni, Nilza.  Os primeiros 90 anos da câmara municipal de Leopoldina (1998) Disponível em: http://goo.gl/jr1uHx, acesso em 27/02/2014.

DEL PRIORE, Mary. O Castelo de Papel. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A nossa Princesa Leopoldina


Princesa Leopoldina (SCHWARCZ, 1998: 443)
Para quem mora no município de Leopoldina é muito comum se repetir que o nome da cidade é uma homenagem à princesa Leopoldina. Mas quem é essa princesa?

Muita gente confunde a nossa princesa Leopoldina com a Dona Maria Leopoldina de Habsburgo, arquiduquesa da Áustria, filha do Imperador Francisco I, que ao se casar com o Imperador do Brasil, Dom Pedro I, foi nossa primeira Imperatriz.

A Princesa Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, foi, na verdade, a filha caçula do Imperador Dom Pedro II, nascida em 13 de julho 1847. No dia 07 de setembro de 1847, uma parada militar comemorou o batizado da princesinha. Ainda em início do ano de 1848 o Imperador ainda recebia felicitações pelo nascimento da filha, publicadas em jornais.

Correio Mercantil e Instructivo, Político, Universal. Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1848, n. 10, ano V, p. 03 (Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)
Apesar de ser uma personagem pouco citada nos livros didáticos de história, Dona Leopoldina foi uma figura chave na trajetória da família Imperial. Seu filho mais velho, Pedro Augusto, chegou a ser cotado como possível sucessor de Dom Pedro II. Criada e educada no Brasil, teve como preceptora a Condessa de Barral, Luísa Margarida de Barros Portugal, oriunda de uma tradicional família de senhores de engenho do Recôncavo Baiano.

Condessa de Barral, aos 49 anos de idade (Fonte: DEL PRIORI. A Condessa de Barral: a paixão do Imperador. Rio de Janeiro, Objetiva, 2008)
Casada com Eugène de Barral, Conde de Barral e 4.° Marquês de Montferrat, a Condessa de Barral foi educada e morou por muitos anos na Europa, onde era dama prestigiada na corte do rei Luiz Filipe I. Inteligente, instruída e muito culta, preparou Leopoldina para se tornar enfrentar as cortes europeias, por onde circulou depois de seu casamento. A Condessa foi, também, uma das mulheres mais influentes do II Reinado, tendo ficado famosa pelo seu relacionamento amoroso com o Imperador, Dom Pedro II.
Dona Leopoldina, aos seis anos, por época da emancipação do nosso município e elevação do arraial do Feijão Cru à vila de Leopoldina (Fonte: Wikipédia).

As princesas eram joguetes políticos, destinadas a serem enviadas a países distantes para se casarem com príncipes ou reis os quais nem conheciam. Histórias de princesas que sofreram abusos em casamentos sem afeto ou amor pipocam aos montes quando se estuda biografias de famílias nobres. A própria Imperatriz Dona Leopoldina e a Imperatriz Dona Thereza Cristina, são exemplos disso.

Dona Leopoldina e Luis Augusto, 1865 (Fonte: Wikipédia)
Dona Leopoldina casou-se no dia 15 de dezembro de 1864 com o Luís Augusto, Duque de Saxe e Coburgo, tendo partido do Brasil para viver com o marido na Áustria.  A união de Leopoldina e Luís Augusto foi acertada através de uma convenção matrimonial. O contrato previa que, enquanto Dom Pedro II não considerasse assegurada a sucessão da princesa Isabel, o casal deveria, entre outras coisas, residir parte do ano no Brasil e ter seus filhos em território brasileiro Foi assim com dom Augusto Leopoldo e dom José Fernando - nascidos em 1867 e 1869. Ao contrário do que acontecia com outras princesas, Leopoldina parece ter encontrado o seu “príncipe encantado”.


Família Imperial: (em pé) dona IsabelConde d'Eu, dona Leopoldina e dom Luís Augusto; (sentados) dom Pedro II e dona Teresa Cristina (Fonte: Wikipédia)
Dona Leopoldina teve uma vida muito diferente da irmã. Morou na Europa e frequentava ambientes restritos e refinados. Em suas correspondências, relatou o dia a dia de sua família, o desenvolvimento dos filhos e uma felicidade conjugal incomum para a época (DEL PRIORE, 2007). Era muito amada e querida pela família do marido.


Minha querida Isabel

Como vai passando com seu maridinho? Eu estou em perfeita saúde assim como o meu. Eu vivo muito feliz com meu Caro; Gusty é excelente para mim. Eu faço tudo o que quero, ele quer, bem entendido, porque a vontade dele é a minha... Mon bien  assorti époux – meu marido cheio de qualidades – tem feito lindas caças de pássaros... O tempo que passei sem Gusy pareceu-me compridíssimo.

Adeus... Saudades a D. Gaston e meus cumprimentos mais afetuosos aos outros.


Sua mana muito do coração e madrinha. (DEL PRIORE, Mary. O príncipe maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 31).

Mas este conto de fadas não teve um final feliz. A princesa Leopoldina contraiu febre tifoide no início de 1871, possivelmente resultado de ingestão da água contaminada que estava sendo consumida em Viena naquela época. A princesa morreu na tarde de 7 de fevereiro de 1871, aos 23 anos de idade. O caso de Leopoldina não foi isolado. A cidade já havia passado anteriormente, durante a invasão de Napoleão, em 1808, por uma  epidemia de febre tifoide alastrou-se pela Europa central. No ano de 1812, aliada à fome, ao frio e à disenteria, a febre matou 570 mil soldados franceses durante a invasão na Rússia. Naquela época, a falta de saneamento básico e o desconhecimento de métodos eficazes para o tratamento de doenças, as epidemias não distinguiam camponeses da realeza.

"Escrevendo estas linhas, nos achamos sob pressão na Augusta Família Imperial um nome caro a todos os Brasileiros - pairou o anjo da morte, que não poupa palácios nem cabanas, sobre o tecto da habitação de um par afotunado e com suas azas negras tocou a excelsa Princeza D. Leopoldina, cobrindo de luto seu inconsolável esposo, a Augusta Família Imperial e todo o Brasil!" (HARING, 1871: 37)

Seus dois filhos mais velhos foram enviados para serem criados pelos avós, no Brasil. Seu marido permaneceu em luto, não tendo se casado novamente. Em carta à princesa Francisca, sua sogra, Clementina, descreveu o lamentável estado do filho, viúvo.

Que a vontade de Deus seja feita, minha boa Chica, mas o golpe é duro e nós estamos infelizes. O estado de meu pobre Gusty me corta o coração, soluça cada instante, não come, nem dorme, e é uma terrível mudança. Ela o amava tanto! E eram tão perfeitamente felizes juntos! Ver tanta felicidade destruída aos 24 anos é horrível!!  (DEL PRIORE, Mary. O príncipe maldito.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 60)


Ao contrário do que muitos pensam, Dona Leopoldina nunca esteve em nossa região. Dom Pedro II só faria uma breve passagem aqui dez anos após a morte da filha, em 1881. O nome dado a nosso município foi uma das homenagens que ela recebeu ainda menina, e cuja lembrança, certamente, carregou consigo até sua morte prematura, em 1871. 

Fontes consultadas:

Correio Mercantil e Instructivo, Político, Universal. Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1848,  n. 10, ano V (Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional).

DEL PRIORE, Mary. O príncipe maldito. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

-------------------------. A Condessa de Barral: a paixão do Imperador. Rio de Janeiro, Objetiva, 2008.

Empire of Brazil Império do Brasil House of Orleans-Braganza. Disponível em: http://www.almanachdegotha.org/id8.html, acesso em 28/03/2014.

HARING, Almanack Adminitrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: E. & H. Laemmert, 1871.


Leopoldina de Bragança e Bourbon. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldina_de_Bragan%C3%A7a_e_Bourbon, acesso em: 19/02/2014. 

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do Imperador : D. Pedro II, um monarca
nos trópicos . — São Paulo : Companhia das Letras, 1998.




domingo, 16 de fevereiro de 2014

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA LEOPOLDINENSE: MICHAEL JACKSON EM LEOPOLDINA

Parece brincadeira, mas não é. Em 1856 um norte americano de nome Michael Jackson esteve por essas bandas e, pasmem, foi assassinado. 

Ele era um comerciante que vendia escravos e foi morto por eles. Em resumo, se alguém afirmar que Michael Jackson morreu em Leopoldina, vai estar falando a verdade.

Leiam a notícia!


Correio Official de Minas. Ouro Preto, 04 de maio de 1857, n. 33, p. 02
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

Os pesquisadores José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni fala sobre o ocorrido em sei livro (2004:10). Segundo ela, os escravos Davi, Américo, Vicente, Joaquim, Antônio e Miguel foram presos e encaminhados à cadeia pública de Leopoldina, sendo que Davi, Américo, Joaquim e Vicente foram condenados à morte. A pena de morte por enforcamento é um mistério. Segundo Nilza Cantoni e José Luiz, ela foi aplicada no dia 15 de novembro de 1857, no chamado morro da forca, onde hoje fica o bairro Pirineus.

No entanto, uma nota publicada no Correio Official de Minas, em janeiro de 1858, indica que a execução ocorreu no dia 11 de dezembro.


Correio Official de Minas. Ouro Preto, 28 de janeiro de 1858, n. 107, p.04
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

No entanto, numa edição seguinte, a data é retificada para 24 de dezembro (o expediente do jornal data do dia 19 de janeiro, portanto, supõe-se que execução tenha sido no dia 24 de dezembro). Ao que parece, nosso Michael Jackson não fica atrás em matéria de polêmica.


Correio Official de Minas. Ouro Preto, 08 de fevereiro de 1858, n. 110, p.01
(Arquivo da Hemeroteca Digital Brasileira - Fundação Biblioteca Nacional)

A pena de morte era usual no Brasil, principalmente em casos de revolta ou rebelião. Veja por exemplo, a Recolta dos Malês, a Revolta de Filipe dos Santo e a Conjuração Baiana e Mineiro. 

No caso do assassinato de brancos por escravos ela estaria possivelmente relacionada ao medo gerado no Brasil pela Revolta do Haiti, quando os escravos assumiram o comando, fizeram a independência, mataram muitos brancos e expulsaram os sobreviventes. O medo de revoltas similares no Brasil, aliado a outros fatores,  gerava penas mais severas pra os escravos.

FONTES: 

RODRIGUES, José Luiz Machado, CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina, 2004. Disponível em http://www.cantoni.pro.br/ruas/Logradouros_Atuais_B_C.pdf, acesso em 05/02/2014.