domingo, 12 de abril de 2015

ENTREVISTA COM TRINA ROBBINS

Para os que ainda não sabem, eu conclui meu mestrado esta semana, no dia 08 de abril. Uma etapa vencida, que venham outros desafios. 

Uma das fontes que eu usei na minha pesquisa foi a obra de Trina Robbins, quadrinista e historiadora dos quadrinhos. Já fiz uma postagem sobre ela aqui no blog (clique aqui para conferir). Além dos livros que eu li pude contar ainda com a colaboração direta da autora. Ela me concedeu, inclusive, uma entrevista, no dia 07 de setembro de 2014. Irei disponibilizar aqui alguns trechos da entrevista, onde a autora fala sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na indústria dos quadrinhos norte-americana.

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N. N - Sra Robbins, como a senhora tornou-se uma cartunista? Como surgiu o desejo de ser uma cartunista?

T.R - Minha mãe, que era professora do 2º ano primário/fundamental, ensinou-me a ler com a idade de 4 anos e logo eu estava lendo tudo o que havia em casa e na biblioteca, inclusive os gibis. Junto com a leitura veio a escrita. Na verdade eu escrevi meu primeiro poema aos 3 anos, antes mesmo de saber ler ou escrever. Eu sempre desenhei, então era natural que eu viesse a combinar a contação de histórias com os desenhos, e isso é o que as revistas em quadrinhos são. Lá pelos 11 anos eu pegava uma folha de papel ofício, dobrava ao meio, e fazia 4 páginas, o que é perfeito para os quadrinhos.

N. N - Durante a sua carreira a Sra. encontrou algum tipo de obstáculo que um homem não teria enfrentado na mesma profissão? Qual?

T.R - Ah! O maior obstáculo que eu enfrentei foram os homens que trabalham com quadrinhos, tanto os profissionais mais convencionais quanto os alternativos. Eu não era convidada aos seus grupos e também não me sentia bem vinda. Tinha que fazer tudo sozinha, sem nenhuma ajuda, enquanto os rapazes estavam se convidando para participar dos seus trabalhos e oferecendo, uns aos outros, dicas em como desenhar e colorir.

N. N - Na sua carreira a Sra. Sempre apoiou outras cartunistas mulheres, encorajando-as e colaborando na divulgação dos seus trabalhos. A Sra. acha que hoje em dia as cartunistas mulheres, e seus trabalhos, têm maior visibilidade que nos anos 1960 e 1970? Nos dias atuais ainda há obstáculos para as mulheres na indústria dos quadrinhos? Quais são as perspectivas para uma cartunista nos USA?

T.R - Atualmente as perspectivas para as cartunistas são mais favoráveis que nunca! Devido ao sucesso dos quadrinhos (graphic novels), as mulheres podem desenhar e escrevê-los. Há muito mais mulheres desenhando super-heróis, e desenhando-os bem, que antigamente. Mais mulheres estão nessa indústria e não há outra possibilidade senão ganharem mais e mais projeção.

N. N - Em 1989 a Sra. tornou-se uma historiadora dos quadrinhos. Como entrou nessa área? Quais os motivos para essa mudança?

T.R - Alguém tinha de fazê-lo! Se você ficasse só na história (dos quadrinhos) escrita por homens (e elas eram todas escritas por homens), você nunca saberia que as mulheres desenharam quadrinhos também. (Estes são os mesmos caras que diziam que garotas não liam quadrinhos, e eu sabia que isso era BOBAGEM!)

N. N - Quais são as maiores dificuldades que a Sra encontra quando pesquisa a história das cartunistas mulheres e da presença feminina nos quadrinhos?

T.R- Foi mais difícil na minha primeira história, escrita em parceria com Catherine Yronwode. Isso foi muito antes da internet e nós garimpamos no escuro. Muito da nossa pesquisa apresentava erros porque as fontes continham erros. A cada nova história eu pude corrigir a informação anterior truncada e fazer novas descobertas excitantes (pelo menos para mim!).


SEMANA DA ALLA - CONVITE/PROGRAMAÇÃO


A Academia Lepoldinense de Letras e Artes (ALLA), no seu compromisso com a arte, cultura e educação em  Leopoldina (MG), convida toda a comunidade a participar, entre os dias 22 e 24 de abril de 2015 da Semana da ALLA. 

Confira a programação!

Mais informações, clicando aqui!

sexta-feira, 27 de março de 2015

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O II ENTRE ASPAS

O Entre ASPAS é um encontro promovido pela Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) com o objetivo de reunir seus associados e associadas, a cada dois anos, na cidade de Leopoldina, sede física da ASPAS.

A ASPAS surgiu devido ao grande número de pesquisadores e pesquisadoras envolvidos com o universo da Arte Sequencial e a realização de estudos em diversas áreas do conhecimento que utilizaram, em especial, as histórias em quadrinhos como objetos de suas análises.

Entre os dias 28 e 30 de maio estará sendo realizado o II Entre ASPAS, na cidade de Leopoldina (MG).O tema escolhido para o encontro foi “Metodologia da Pesquisa sobre Quadrinhos”. Serão realizados Grupos de Trabalho (GTs), divididos por áreas de interesse, onde o tema geral será debatido, experiências serão apresentadas e relatórios de pesquisa produzidos.


INSCRIÇÕES
Poderão participar do II Entre ASPAS associados e associadas da ASPAS e demais profissionais que desenvolvam atividades ou tenham interesse em as desenvolver, relacionadas ao estudo ou à pesquisa envolvendo artes sequenciais (quadrinhos, animação, cinema). Será cobrada uma taxa única de inscrição, para não associados, no valor de R$70,00.

As inscrições serão realizadas por meio do e-mail aspascontato@gmail.com a partir do envio dos seguintes dados:

Nome:
Associado(a) da ASPAS? (   ) sim (  ) não
Vínculo institucional:
Profissão:
Deseja apresentar comunicação? (   ) sim (  ) não
Se sim, indique abaixo:
Título da comunicação:
Resumo (parágrafo único com até 250 palavras):
Palavras-chave (até cinco):

Se não é associado, favor responder às seguintes perguntas:
1. Como teve conhecimento da ASPAS? 
2. Tem intenção sem se associar? Por que?


Saiba mais sobre a ASPAS, clicando aqui!

quarta-feira, 11 de março de 2015

XXVIII Simpósio Nacional de História - Simpósio Termárico

Entre 27 e 31 de julho, na cidade de Florianópolis, e com organização da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) , conjuntamente com a diretoria da ANPUH, será realizado o XXVIII Simpósio Nacional de História. 

Dentro da programação estão os Simpósios Temáticos (ST). Pela terceira vez consecutiva estará sendo oferecido o ST -História e Quadrinhos: pesquisa e ensino em História e as interações com a nona arte. Inscrições para comunicação até dia 31 de março. Para mais informações, clique aqui!

Segue o resumo do ST, que tem como coordenadora a Dra. Geisa Fernandes, do Observatório de Histórias em Quadrinhos/USP)

Visando dar continuidade ao trabalho realizado nas XXVI e XXVII edições do Simpósio Nacional de História, o ST História e Quadrinhos se propõe a discutir as relações entre História e Histórias em Quadrinhos, enfocando aspectos como: teoria e metodologia das Histórias em Quadrinhos; relações entre cultura, política e ensino; fidelidade histórica, tensão entre ficção e realidade; registro histórico e registro ficcional, entre outros. A proposta compreende os seguintes subtemas:

• Tudo é História (em quadrinhos)? - Registro histórico e ficção
• Documentação em quadrinhos: HQs, fidelidade histórica e memória. Teoria e metodologia para o uso das HQs como fonte primária em História
• História, HQs e Estudos Culturais
• A nova História (em quadrinhos) - HQs e práticas sociais
• HQs e o ensino de História: propostas, usos, experiências
• Os donos da História: HQs e seu papel na história das mídias
• História das Histórias em Quadrinhos: novas abordagens
• “Quem conta um quadro...”: HQs e os novos recursos didáticos para o ensino de História
 
Justificativa
Por quantas histórias em quadrinhos passamos ao longo do dia? Reproduzidas em jornais, revistas, redes sociais, exames vestibulares, manuais de prevenção de acidentes ou elegantes edições de capa dura, os quadrinhos utilizam variados suportes e contextos para falar sobre diversos assuntos a um número cada vez maior de pessoas. A abertura que a academia tem proporcionado à linguagem dos quadrinhos (VERGUEIRO e SANTOS, 2006) trouxe à tona questões para a nova geração de pesquisadores e a necessidade de sobrepor a análise científica à preferência de leitor. A colaboração entre os grupos, porém, ainda é tímida, tornando mais lenta a divulgação de resultados.

As Histórias em Quadrinhos são um bom exemplo da influência das linguagens na formação de saberes históricos. Estes, por sua vez, se dispersam em programas de cultura (SCHMIDT, 2000) diversos que muitas vezes reforçam a separação entre saberes dominantes e saberes periféricos, discursos competentes e linguagens desqualificadas. 

Os saberes dominados (FOUCAULT, 2004) podem ser definidos como: 1) conteúdos históricos que passam despercebidos em coerências funcionais ou em sistematizações formais e 2) série de saberes, previamente “desqualificados como não competentes ou insuficientemente elaborados: saberes ingênuos, hierarquicamente inferiores, saberes abaixo do nível requerido de conhecimento ou de cientificidade.” (FOUCAULT, 2004, p.170).

A expansão e diferenciação dos suportes trazem, por sua vez, novos problemas ao ensino e à pesquisa em História. O uso de Histórias em Quadrinhos em livros didáticos, ou como fonte primária em dissertações ou teses são exemplos das mudanças ocorridas no discurso científico.

Os objetos de análise histórica mudaram, bem como a relação que se pode estabelecer com eles, a ponto de podermos encará-los, se assim o desejarmos, ora com o distanciamento indispensável à crítica, ora com a aproximação necessária para a fruição. 

A boa acolhida ao Simpósio Temático em sua primeira e segunda edições gerou frutos, como a formação de novas parcerias entre pesquisadores, provando a necessidade de espaços de discussão e reflexão sobre o tema. A inclusão das Histórias em Quadrinhos como documentação válida para o entendimento de questões pertinentes à pesquisa e ao ensino de História renova o diálogo entre linguagens e disciplinas acadêmicas, para proveito de ambas.

A proposta se justifica ainda pela necessidade de estabelecer pontes que possibilitem uma maior e mais fecunda troca de informações entre as diversas linhas de pesquisa que existem sobre o tema. Representa, além disso, a oportunidade de vivenciar distintas condições de produção de conhecimento teórico a respeito dos quadrinhos, próprios da metodologia de pesquisa em História. 

domingo, 8 de março de 2015

PÃO E ROSAS

Especialmente para as mulheres que lutam, a cada dia, por reconhecimento no trabalho, por respeito e dignidade.


Pão e Rosas ( James Oppenheim)

Enquanto vamos marchando, avançando através do belo dia,
um milhão de cozinhas escuras e milhares de fábricas cinzentas
são tocadas por um sol radioso que subitamente abre,
e o povo ouve-nos cantar: Pão e rosas! Pão e rosas!

Enquanto vamos marchando, avançando,
Lutamos também pelos homens
pois eles são filhos de mulheres,
e como mães os protegemos.

Não mais seremos exploradas desde o nascimento até à morte
os corações mirram de fome, assim como os corpos.
Dai-nos pão, mas dai-nos rosas também !

Enquanto vamos marchando, avançando,
milhares de mulheres mortas
gritam através do nosso canto o seu antigo pedido de pão;
exaustas pelo trabalho, não conheceram a arte, nem o amor, nem a beleza.
Sim, é pelo pão que lutamos, mas também lutamos por rosas!

À medida que vamos marchando, avançando
trazemos conosco dias melhores.
Erguem-se as mulheres e isso significa
Que se ergue a humanidade.

Basta de agonia para o trabalhador e de ócio para o malandro:
o suor de dez que trabalham para um que nada faz.
Queremos compartilhar as glórias da vida: pão e rosas, pão e rosas!

Não permitiremos a exploração desde o nascimento até à morte;
os corações morrem de fome, assim como os corpos :
Pão e rosas, pão e rosas!