terça-feira, 3 de junho de 2008

Ginásio Leopoldinense: 102 anos

Hoje a Escola Estadual Professor Botelho Reis, antigo Ginásio Leopoldinense, completa 102 anos. Fundado em 03 de junho do ano de 1906 pelo Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Ginásio Leopoldinense inaugurou um novo período de desenvolvimento em Leopoldina. Ele assumiu espaço dentro do sistema escolar de forma centralizadora, atraindo para si uma clientela seleta, em busca de formação.

Ele eclipsou os demais estabelecimentos locais, de forma que, a partir do final da década de 1910, a expansão do ensino particular em Leopoldina sofreu uma brusca desaceleração. O Ginásio estabeleceu um verdadeiro monopólio sobre o ensino particular em Leopoldina, pois passou a oferecer todos os tipos de cursos, desde o primário ao ensino superior, atendendo a ambos os sexos.

Por outro lado, apesar do aparente êxito, a escola iria encontrar dificuldades em manter o nível do ensino. A falta de professores, o custo com a manutenção da escola, assim como a concorrência por parte de escolas tradicionais, de outras regiões e da própria Zona da Mata concorreriam para o fechamento de alguns de seus cursos e, mais tarde, a venda do estabelecimento, em 1946, para o Bispo Diocesano D. Delfim Ribeiro Guedes. Por outro lado, enquanto funcionou em sua capacidade máxima, a escola serviu a muitos propósitos, alguns deles ultrapassando os limites meramente pedagógicos.

O Ginásio Leopoldinense atuou como organizador de uma sociedade, onde os valores de elite precisavam ser adaptados a um novo mundo. O mito no qual se origina - na medida em que foi concebido como símbolo sobre o qual este mesmo mito político teria uma de suas bases de sustentação - apresenta-se como um paradoxo político dentro de um Brasil que em si estava recheado de contradições.

Com base em um ideário ao mesmo tempo liberal e conservador, Ribeiro Junqueira construiu, junto com o Ginásio, uma possibilidade de agir sobre o pensamento imaginário regional a ponto de criar um símbolo que, talvez, tenha superado todas as suas expectativas. Ao mesmo tempo em que foi criado para atender às elites ele também atendeu às necessidades da cidade, dando-lhe a impressão de progresso e de prosperidade que tanto temia perder.

Na década de 30, ele já não possuía a mesma diversidade e o mesmo teor que lhe foi marcante até 1926. A Escola Normal e a Faculdade de Farmácia e Odontologia, assim como o Ensino Agrícola não mais existiam. No entanto, O Ginásio Leopoldinense foi referência regional ainda por muitas décadas, mesmo quando encontrava-se em período de decadência. O símbolo resistia enquanto preenchia um espaço dentro do imaginário regional.

Sobre o Ginásio, a Gazeta de Leopoldina escreveu:


“De parceria com o seu illustre irmão Dr. Custódio Junqueira, fundou o Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, em 3 de junho de 1906, o Gymnasio Leopoldinense, do qual é, ainda hoje, um dos directores geraes.

Ao tempo dessa grande iniciativa, recebida entre aplausos entusiasticos da população de Leopoldina, prever não se podiam vantagens pecunianas decorrestes do exito da mesma. Ao contrario, o Gymnasio Leopoldinense, por occasião da sua instalação, já em predio proprio, adquirido e adaptdo para tal fim, representava tão sómente uma obra de pura benemerencia.

O benemerito leopoldinense Dr. José Monteiro Ribeiro Junqueira, cujo real interesse pela grandeza e progresso da terra que lhe foi berço havia se affirmado já por elevantados commettimentos, levados a effeito com ingente esforço, realizou mais essa estapa brillantissima, impulsionando por sadio patriotismo, visando, principalmente facilitar a educação da mocidade, esse magnifico viveiro de futuros cidadãos, aos quaes, por uma successão logica e natural das cousas, serão confiados, amanhã, os destinos gloriosos da Patria.

Residia em Leopoldina, então, bom nucleo de homens intelligntes e de solido preparo. Ser-lhe-ia facil congreal-os sob a égide do mandamento de Christo - ite et docete omnes gentes -, interessando-os na grande obra projetada.

(...)

Propulsor maximo do desenvolvimento desse pedaço do torrão mineiro, que muito o quer, que muito o estremece, o dr. Ribeiro Junqueira tornou-se, de há muito, uma individualidade de destacado relevoentre os grandes brasileiros e os maiores servidores da Patria. E melhor estalão não podiamos ter para cortejar o seu extraordinario valor moral, do que esse monumento do saber, que é o Gymnasio Leopoldinense, sua creação, producto do seu amor á santa causa do ensino.”[1]


[1] REIS, José Botelho (dir.) Ementário do Ginásio Leopoldinense. Leopoldina, 1925, p. IV-V.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

DEZ MIL ACESSOS!!!

Estou comemorando mais de 10 mil acessos neste blog, que não é tão visitado nem tem tantas postagens como o blog da Gibiteca, onde eu estou sempre atualizando, afinal, é um projeto que está ativo e que não pode parar. Aqui é mais um lugar onde eu coloco meus textos, minhas idéias sobre ensino, minhas pequenas pesquisas sobre história, que me fazem lembrar que ser professor não é apenas se esconder atrás de um livro didático e de pilhas de provas. Este espaço é o meu xodó, meu cantinho onde eu entro quando quero e não faço apenas porque tenho que fazer, mas porque gosto de fazer. Não é um compromisso, é um lazer.

Bom para comemorar, vou colar aqui o selinho que a minha colega blogueira, Daise, me ofereceu outro dia, e gostaria de oferecê-lo às amigas Valéria, Claudia Conte, Fátima Franco, Marli e Jenny!

sábado, 17 de maio de 2008

Seminário Nacional de Ensino de História: Memória e Historiografia

O Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, a través do Núcleo de Culturas Políticas e usos do Passado irá oferecer aos interessados o Semináro Nacional de Ensino de História, Memória e Historiografia que será realizado entre os dias 02 e 04 de junho de 2008, no auditório do ICHF, Campus do Gragoatá, bloco O, 2º andar.

O seminário irá discutir temas como o ensino da história da África, biografias, identidade e história política. Os debates contarão com a presença de Alessandra Martinez de Schueler (UERJ), Márcia de Almeida Gonçalves (PUC-RJ/UERJ) e Paulo Knauss (UFF), entre outros historiadores de renome.

O evento está sob a coordenação geral do professor Daniel Aarão Reis e as inscrições serão realizadas até o dia 20 de maio. Para participar é necessário preencher a ficha de inscrição e enviar em anexo para o e-mail: pronexculturaspoliticas@gmail.com

Para ter acesso à programação completa, é só clicar aqui

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Comemorações do Aniversário de Leopoldina

O aniversário da cidade foi no dia 27 de Abril, mas no dia 30, véspera do feriado, a cidade parou para uma série de eventos, em comemoração aos 154 anos da cidade. Em meio a barracas com artesanato, atendimento médico e brincadeiras para as crianças, tivemos um desfile com várias escolas da cidade. Vejam algumas fotos de alunos e professores da escola onde eu trabalho a E. M. Judith Lintz Guedes Machado.


sábado, 3 de maio de 2008

José Monteiro Ribeiro Junqueira: a tradição política de Leopoldina

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi um dos maiores lideres políticos da Zona da Mata, na primeira metade do século XX. Deputado e Senador, ele foi figura influente, também, no cenário nacional. Vejam, abaixo, sua breve bibliografia e seu currículo político.[1]

- Nascimento: 27/8/1871
-
Natural de: Santa Isabel (Leopoldina) - MG
- Filiação: José Ribeiro Junqueira e Antonia Augusta Lobato M. Junqueira

-
Falecimento: 14/5/1946

Histórico Acadêmico

- Primário: Professor Inácio
- Secundário: Colégio Abílio
-
Direito: Faculdade de Direito de São Paulo

Cargos Públicos
- Promotor Público em Leopoldina
- Secretário de Viação e Obras Públicas do Governo Olegário Maciel

Profissões: Magistrado; banqueiro; empresário; advogado; agropecuarista

Mandatos
- Presidente do Conselho Distrital - 1895 a 1895
- Deputado Estadual - 1895 a 1897
- Deputado Estadual - 1898 a 1900
- Deputado Federal - 1903 a 1905
- Deputado Federal - 1906 a 1908
- Deputado Federal - 1909 a 1911
- Deputado Federal - 1912 a 1914
- Deputado Federal - 1915 a 1917
- Deputado Federal - 1918 a 1920
- Deputado Federal - 1921 a 1923
- Deputado Federal - 1924 a 1926
- Deputado Federal - 1927 a 1929
- Deputado Federal - 1930 a 1930
- Constituinte - 1933 a 1934
- Senador - 1935 a 1937

José Monteiro Ribeiro Junqueira foi figura presente em vários momentos da vida política e econômica de Minas e do Brasil. Participo, entre outras coisas das reuniões do Convênio de Taubaté (1906), como podemos conferir no documento abaixo.

“Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de mil novecentos e seis, reunidos, no Paço Municipal, os Vereadores Dr. Bento Enéas, José Cyrillo Lobato, Alfredo Cândido, Moreira de Mattos e Lobato de Moura, sob a presidência do Sr. Dr. Rebouças de Carvalho, o Senhor Presidente abriu a sessão e disse que era ela convocada extraordinariamente para a recepção dos Presidentes de São Paulo, Minas e Rio, e respectivos Secretários, Delegados desses Estados e Delegados da lavoura e representantes de outros Municípios vindos a esta cidade, para a assinatura do convênio sobre a valorização do café. Em seguida, por proposta de todos os vereadores ficou resolvido que se cedesse a sala de sessões da Câmara para assinatura do respectivo convênio. Para constar lavrei a presente ata que vai assinada por todos os Vereadores, Presidentes dos Estados, Secretários, Delegados e pessoas presentes.

Assinam:

José Rebouças de Carvalho

Bento Enéas de Souza e Castro

José Cyrillo Lobato

Lobato de Moura

Alfredo Cândido Vieira

Francisco Moreira de Mattos

Jorge Tibiriçá

Francisco Salles

Nilo Peçanha

Albuquerque Lins

...Egídio de...

José Monteiro Ribeiro Junqueira

João Augusto Rodrigues Caldas

A. Cândido

José de Barros Franco Junior

Augusto Ramos

Dr. Francisco Marcondes Romeiro

Cônego Valois de Castro, deputado

José Benedito M. de Mattos

Annibal Machado – do São Paulo

J. Braga Penna – Correio Paulistano

Licínio Machado

José Antonio de Barros

Continentino Guimarães – Delegado de Estatística

Affonso Moreira da Silva – Delegado de Polícia, e outros.” [2]

Não podemos deixar de acrescentar , a tudo isto o fato de que, ao lado de Bias Fortes, Antônio Carlos Venceslau Brás, José Monteiro Ribeiro Junqueira, Gustavo Capanema e Virgílio de Melo Franco, organizou e ajudou a fundar o Partido Progressista (PP) de Minas Gerais, 1933.

José Monteiro Ribeiro Junqueira – O grande líder político de Leopoldina

Em 1997 eu apresentei à Universidade Federal de Juiz de Fora minha monografia de conclusão do curso de especialização em História do Brasil, onde eu analisava a formação das elites políticas em Leopoldina, através do Ginásio Leopoldinense.

Durante dois anos, pesquisei dados não apenas deste estabelecimento de ensino mas, principalmente, de seu fundador, José Monteiro Ribeiro Junqueira. Não me considero uma grande conhecedora da vida e da obra deste leopoldinense, mas a partir dos dados recolhidos e de leituras complementares pude chegar a algumas conclusões a seu respeito e reconstruir uma parte da história de Leopoldina, entre os anos de 1896 – 1930.

“Para mais de treis decadas chefia o dr. Ribeiro Junqueira a política do município, e, dia a dia, vem ele conquistando para o seu nome uma aureola cada vez mais brilhante. A sua ascensão não foi rápida. Elle ganhou o terreno palmo a palmo, em pelejas memoriáveis”[3]

Político característico de seu tempo, acumulando as funções de empresário, banqueiro e proprietário, José Monteiro Ribeiro Junqueira assumiu o lugar de guia e o fez com apoio de coronéis locais. Os Monteiro Ribeiro Junqueira, que desde a fundação de Leopoldina em 1854 eram tidos como o clã mais importante[4], institucionalizaram seu poder em 1907, quando Ribeiro Junqueira ganhou as eleições para Agente Executivo Municipal, criando e ao mesmo tempo preenchendo o vácuo político em Leopoldina, fruto da própria necessidade de renovação política que vivia o Estado. Até aquele ano, a disputa política em Leopoldina era acirrada entre os Ribeiro Junqueira e os Dutra, que por décadas controlaram os votos e a política em Leopoldina. Com a adesão ao PRM e o apoio de Francisco Sales, Ribeiro Junqueira criou condições para assumir o poder local e, a partir de então impor-se como líder.

Para tanto foi preciso criar todo um ambiente favorável, construindo-se uma imagem política que seduzisse os leopoldinenses - não que nas eleições isso fosse necessário, visto que, como sabemos, elas eram fraudulentas e comandadas pelos coronéis -, a fim de atrair simpatias. Alguns instrumentos importantes merecem destaque: 1) A Gazeta de Leopoldina, órgão de impressa que circulava diariamente pelo município, dirigido pelos Junqueira e usado como forte arma para cooptação de lavradores e comerciantes; 2) A Cia. Força e Luz Cataguases/Leopoldina, um investimento notável, promessa de progresso, teve um grande impacto entre a população urbana, formada principalmente pelas camadas médias; 3) A Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, sob controle dos Ribeiro Junqueira praticamente durante quase toda a primeira metade do século XX; 4) A Santa Casa de Misericórdia, onde Dr. Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira foi diretor durante muitos anos; 5) O Ginásio Leopoldinense, cuja construção e fundação extrapolou as perspectivas dos leopoldinenses com relação ao ensino particular.

Ribeiro Junqueira foi aclamado como guia, considerado para o leopoldinense como o maior dos beneméritos, cuja imagem foi habilmente construída através do apelo ao regionalismo. Exaltava as potencialidades da terra, de sua gente e prometia um futuro de glórias, à imagem da Idade do Ouro há pouco perdida - mas cuja esperança de retorno figurava nos discursos da época.

Seu poder tem por fundamento a força do grupo que ele mobiliza por sua aptidão para simbolizar em uma conduta exemplar e/ou em um discurso sistemático diversos interesses.[5] Sobre esse pilar, Ribeiro Junqueira teve a oportunidade de criar toda uma ideologia que possibilitou manter seu poder durante muitas décadas. O Ginásio, fundado em 1906, acabaria por se tornar um verdadeiro símbolo onde se depositavam as esperanças das oligarquias e das camadas médias locais como relação ao futuro da cidade.

Minas Gerais era uma força política de grandes proporções no cenário nacional - tendo sua hegemonia sustentada na ação dos coronéis junto às comunidades, garantindo a manipulação das eleições e fortalecendo o Estado, desfrutando assim de considerável estabilidade política, que só viria a ser quebrada em 1929[6].

As lideranças da Zona da Mata buscavam soluções para os problemas econômicos que a região, a exemplo do Estado, estavam passando. Dentro desse espírito foram realizados fóruns e debates. Leopoldina, sob liderança de Ribeiro Junqueira foi em 1907 sede do 3o Congresso das Municipalidades da Zona da Mata, que teve em sua pauta dois temas polêmicos: a defesa da lavoura e a autonomia dos municípios. Participaram do Congresso figuras eminentes como: Francisco Bernadino, João Pinheiro, Francisco Salles, Wenceslau Braz, Bueno Brandão, entre outros.[7]

As Origens Familiares

Os Monteiros Ribeiro Junqueira são descendentes dos Monteiro de Barros, grupo importante da nobreza e da política do império. Recorro a Marcelo Martins da Costa Araújo para cunhar mais informações sobre os Monteiro de Barros:

“Dão duas gerações de barões e viscondes, além de um sem número de senadores e deputados, aparecendo na alta direção administrativa antes mesmo da Independência. Seus descendentes se formam entre as famílias políticas de São Paulo, ligam-se aos Guinle, aos Silveira e aos Amoroso Lima, do alto capitalismo carioca, assim como também se entrelaçam com a nobreza européia, sendo Monteiro de Barros a célebre condessa de Barral, cuja correspondência com Pedro II foi agora há pouco publicada. O comendador Manuel José Monteiro de Barros, irmão do 1º Visconde de Congonhas do Campo, transferiu-se, em princípios do século passado, com todos os seus filhos, genros e alguns sobrinhos, para vastas sermarias que adquirira no arraial do Feijão Cru, tornando-se um dos primeiros povoadores do atual município de Leopoldina, cuja chefia política jamais deixou de ser de sua família. Ligam-se os Monteiro de Barros, na Zona da Mata, aos Junqueira, aos Rezende, aos Vidal Barbosa Lage, aos Manso Ribeiro, aos Leite de Magalhães Pinto. No Império, a chefia política de Leopoldina e a representação na Assembléia Provincial, na Câmara Geral e no Senado, pertencem sempre aos Monteiro de Barros. O primeiro deputado republicano de Minas é de Leopoldina: chamou-se Monteiro Manso. Na 1ª República, na chefia local, temos o deputado e senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, juntamente com o seu parente senador Francisco Andrade Junqueira Botelho e o seu irmão Custódio Monteiro Junqueira. Desde 1932, a liderança política passou ás mãos do atual deputado Carlos Coimbra da Luz, descendente de família de grandes tradições políticas no Sul de Minas, e genro de Custódio Junqueira

No centro de Minas, os descendentes de dois Monteiro de Barros, o 2º Visconde de Congonhas, Lucas Antônio Monteiro de Castro e do Barão de Paraopeba, Romualdo José Monteiro de Barros ( membro da 2ª Junta Governativa e presidente da Província ), continuaram, também até os nossos dias na cena política. São os Monteiro de Castro da atualidade, os Monteiro Machado, um dos quais, Cristiano Machado ( José Monteiro de Castro, secretário da presidência Café Filho ), foi um dos chefes da Revolução de 30 em Minas e candidato à presidência da República no pleito de 1950.

Casados na família Monteiro de Barros encontramos muitos outros políticos de evidência no Estado, entre os quais Augusto de Lima, poeta, governador e deputado na Velha República, o deputado Francisco Campos Valadares, o antigo presidente da Corte Suprema, Edmundo Lins.” [8]



[1] http://www.senado.gov.br/sf/SENADORES/senadores_biografia.asp?codparl=1962&li=37&lcab=1934-1937&lf=37
[2]
http://www.camarataubate.sp.gov.br/noticias/noticia308.htm
[3]
O RECREIO, Recreio, 01 de dezembro de 1929, n. 15, p. 01
[4]
Sobre a formação de Leopoldina e outras cidades da Mata ver CARRARA, Ângelo Alves. A Zona da Mata: diversidade econômica e continuismo, Dissertação de Mestrado. 1993.
[5]
Bourdieu refere-se ao profeta no campo religioso, mas como uma arquétipo mítico, pode ser aplicado no nosso estudo de caso a nível comparativo. BOURDIEU, Pierre. Op. cit., 1992, p. LVI.
[6]
Sobre as elites políticas mineiras na Primeira República ver: VISCARDI, Cláudia Ribeiro. Elites políticas em Minas Gerais na Primeira República. 1995
[7]
Jornal do Commercio, Juiz de Fora, 15 de out., de 1907, p. 01, n. 3436
[8]
ARAÚJO, Marcelo Martins da Costa. Disponível em http://br.geocities.com/novaeramg/monteirodebarros.htm

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escravos em Leopoldina

Hoje eu, Lucilene e Igor fomos à rádio dar uma entrevista sobre o livro Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades. Mais tarde, recebi um e-mail do jornalista Luis Otávio Meneghite dizendo que muitas pessoas gostaram de alguns comentários que nós fizemos sobre a escravidão em Leopoldina. Por esta razão vamos disponibilizar alguns trechos do capítulo que trata do assunto, embora, é bom lembrar, que o livro aborda muitos outros aspectos da nossa história em todos eles, sem exceção, são importantes para se conhecer um pouco mais sobre a nossa herança. É importante lembrar, também, que o que estamos oferecendo é uma parte pequenina das grandes possibilidades de pesquisa que Leopoldina oferece. Espero que gostem.

"Leopoldina teve muitos escravos, que trabalhavam nas lavouras de café. Em 1872, a população do nosso município era de 41.886 habitantes, dos quais 15.253 eram escravos e 26.633 livres. Os municípios que possuíam mais escravos eram Juiz de Fora e Leopoldina. Em 1883, Leopoldina já era a segunda cidade com maior número de escravos de Minas Gerais, com 16.001.

Em 1876 nossa cidade possuía 15.253 escravos, passando para 16.001 em 1883. O aumento do número de escravos mostra o tamanho da riqueza produzida pelo café no município, pois o escravo era uma mão-de-obra muito cara. Por essa razão, os nossos senhores de escravos lutaram contra a sua libertação.

Quando não trabalhavam direito, podiam ser castigados de forma cruel, com chicotadas e surras. Muitos de nossos fazendeiros lutaram contra o fim da escravidão, através de nossos representantes políticos na Corte.

Mas nem todos os donos de escravos eram cruéis e nem todos os leopoldinenses defendiam a escravidão. A historiadora Nilza Cantoni nos conta que em Leopoldina havia pessoas que eram contra a escravidão. Um desses casos foi o do José Jeronymo de Mesquita, o Barão do Bonfim, proprietário da Fazenda do Paraíso que, em 15 de abril de 1888, alforriou 182 escravos e os levou para a cidade onde assistiram juntos a uma missa, como homens livres.

Segundo sua biografia, o Barão do Bonfim teria recebido a fazenda Paraíso como presente de casamento de seu avô. A fazenda de café possuía 300 escravos, que eram bem tratados e cujos filhos, inclusive, recebiam aulas. Ele chegou a construir uma sala de música para os escravos aprenderem a tocar instrumentos musicais.

Um dos grandes abolicionistas brasileiros, que morou e trabalhou em Leopoldina, foi o Dr. Antônio Augusto de Lima (1859-1934), jornalista, poeta, magistrado, jurista, professor e político. Nasceu em Congonhas de Sabará (hoje Nova Lima), MG. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 5 de fevereiro de 1903. Foi nomeado promotor do Termo de Leopoldina, e, em 1885, era juiz municipal. Chegou a ser governador de Minas Gerais, em 1895 (na época título de governador correspondia a “presidente do Estado”)."

quinta-feira, 1 de maio de 2008

História de Piacatuba em cordel

Esta semana eu recebi da professora Andréa, de português, um livrinho feito por alunos da Escola Estadual Pompílio Guimarães, do distrito de Piacatuba, que conta, em forma de verso, a história da cidade. O livrinho foi escrito ilustrado e impresso pelos alunos da escola. É simples, criativo e instrutivo. Os ilustrações são simples, mas em perfeita harmonia com o texto, todo em versos como na literatura de cordel. A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal. O povo se refere à literatura de cordel apenas como folheto.

São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. A tradição dessas publicações populares, geralmente em versos, vem da Europa. No século XVIII, já era comum entre os portugueses a expressão literatura de cego, por causa da lei promulgada por Dom João V, em 1789, permitindo à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar com esse tipo de publicação.

Seguem alguns versos do livrinho:

No ano de 1823,
Dois fazendeiras e escravos
Vieram para este lado de cá
Para tomar posse
Desta terra que aqui está.

Tudo isso era só mato,
Com animal feroz, tiveram que lutar.
Dizem que até assombração
Eles tiveram que enfrentar.

Mas os homens eram valentes,
Nada eles temiam não.
Tinham tanta ambição,
Que começou a confusão.

Muito briga nesta terra
Pela qual demarcação.
Houve mortem muita dor
E muito sangue neste chão.

Só que um dos fazendeiros,
Já cansado de lutar,
Doou esta terra tão linda
Para este arraial formar.

Tudo isso vos falo.
É a mais pura verdade.
Sabe para quem doou as terras?
Para Nossa Senhora da Piedade.

Eis uma exceletente idéia que pode servir para professores que trabalham no ensino fundamental e mesmo no ensino médio. Uma forma lúdica de contar a história, ensinar e aprender História. A professora, Maria José Furtado e os alunos estão de parabéns.

Para conhecer mais sobre a literatura de cordel vá no site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel ou visite o site Teatro de Cordel.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades

Uma viagem no tempo - Leopoldina: povoamento, café e atualidades é nome do livro que eu e a prof. Ms. Lucilene Nunes da Silva escrevemos, no finalzinho do ano de 2007, para ser utilizado no 4º ano (antiga 3ª série) do ensino fundamental. O livro vem a atender as exigências da Lei 3.657/2005, que dispõe sobre a inserção da disciplina “História do Município” na grade curricular das escolas públicas municipais.

Nele fazemos uma introdução à História de Leopoldina, começando com a ocupação original do território, por povos indígenas e esticando até a década de 1930, com a crise do café. O livro é uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Leopoldina, que irá oferecê-lo aos alunos a partir do próximo ano. Ainda não há uma data certa para o lançamento.

Para compor o livro nós contamos com a ajuda do jovem desenhista leopoldinense Igor Bastos, que criou três personagens inéditos para o livro: João Feijão, Feijó e Princesa Leopoldina. O livro, além de ilustrações histórias em quadrinhos e atividades, conta também com fotos antigas da cidade e com capítulos a parte que falam sobre a nossa cultura popular e nossos símbolos (bandeira, escudo, hino).

A linguagem é bem simples e o texto está leve. A revisão do texto foi feita pela professora Ana Cristina Fajardo. Os professores do 4º ano irão receber instruções de como usar o livro e terão liberdade para criar novas atividades a partir dele.

Todo o trabalho foi voluntário e, dado ao limite de tempo e ausências de mais fontes pedimos desculpas antecipadamente pelo limite das informações disponibilizadas. No entanto, pretendemos futuramente – se criadas as devidas condições para um trabalho de pesquisa mais completo - estender este trabalho para os alunos de outras séries, podendo cobrir todo o período de 154 anos de história do município.

Algumas pessoas devem se perguntar porque eu demoramos tanto para dar a notícia. Achamos melhor aguardar uma posição oficial da Secretaria de Educação da publicação do material . A confirmação veio através de uma matéria publicada pelo Jornal Equipe, em sua última edição. Espero poder dar mais notícias, em breve.

domingo, 27 de abril de 2008

Leopoldina, 154 anos

Hoje Leopoldina faz 154 anos. São 154 anos de uma cidade/município dos quais se sabe muito pouco, infelizmente. Somos fruto de um longo processo histórico, feito de trabalho, sacrifício, de momentos bons e ruins, mas pouco se sabe sobre estes momentos. Resgatar um pouco da memória e da história da nossa cidade é um dever quase cívico, que não deve ser lembrado a cada aniversário e esquecido no resto do ano.

Nestes 154 anos da cidade irei escrever algumas linhas sobre aquela a quem devemos nosso nome: a Princesa Leopoldina. Um das coisas que mais confunde os Leopoldinenses é a o próprio nome da cidade. Afinal, a que Leopoldina estamos homenageando?

Eu mesma já cheguei a fazer confusão. A cidade de Leopoldina e o município devem o nome à segunda filha de D. Pedro II, Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. Nascida em 13 de julho de 1847 na cidade do Rio de janeiro passou parte da vida em Petrópolis com a irmã mais velha, Isabel. Recebeu uma educação refinada e erudita, tendo tipo vários preceptores, como era do gosto de D. Pedro II, homem culto e amante das ciências. Abaixo, um trecho em que o próprio Imperador relata a rotina de suas filhas:

“Assisto às lições de Sapucaí, de inglês e de alemão, dadas às minhas filhas. Nas segundas-feiras lerei a elas Barros, das 7h30 às 8 da noite; terças, Lusíadas, das 10h 30 às 11 da manhã; das 3 às 4, dar-lhes-ei lições de matemática, e latim das 7h30 às 8 das noite. Domingos e dias santos, leitura de Lucena durante uma hora, e meia hora de leitura do Jardim das Raízes Gregas, à noite.”1

Dona Leopoldina casou-se 1864, com Príncipe Luís Augusto Maria Eudes de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe (ou na Saxônia). Ela viria a falecer bem jovem, aos 23 anos, de tifo. Morreu em Viena e seu corpo foi sepultado em Coburgo, Alemanha.

Tendo morrido jovem esta princesa se tornou uma personagem pouco conhecida da história do Brasil. Ao contrário da irmã mais velha e herdeira do trono , Isabel, Leopoldina deixou o Brasil ainda moça para viver em outro país e pouco se sabe sobre ela. Nem mesmo seu corpo foi enterrado no Brasil. As poucas fotos que conseguimos, mostram a Princesa, o marido, os pais e a irmã.

Leopoldina (a cidade) tem o dever de manter viva a memória desta personagem, a quem lhe deve o nome. No entanto, não temos tido sucesso em manter viva a nossa própria memória. Tal como a princesa, Leopoldina tem sido apenas uma figurante dentro do Estado de Minas Gerais. Mas podemos ser muito mais. Como? Através do esforço conjunto entre sociedade civil e municipalidade, em torno de um projeto maior de construção da nossa identidade histórica e cultural; do estímulo ao trabalho e ao trabalhador.

Crescer juntos e colher juntos os frutos do nosso esforço, como fizeram os pioneiros que aqui chegaram no início do século XIX, como fizeram nossos antepassados, que transformaram esta cidade em um exemplo para toda a região: a Atenas da Zona da Mata. O passado não volta, mas podemos nos mirar nele para construir uma cidade melhor para as novas gerações.

Fontes:
http://www.portugalnoticias.com/arquivo.php?m=4&ano=2007
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopoldina_de_Bragan%C3%A7a_e_Bourbon

sábado, 26 de abril de 2008

Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910)

Saiu um artigo meu sobre história e quadrinhos na Revista História, Imagem e Narrativa, edição 06. O título do artigo é Do Império à República: o carnaval visto por meio dos quadrinhos (1869 – 1910). Para dar uma conferida no meu trabalho e na revista, que tem excelentes artigos de outros autores, é só clicar aqui.

Segue, abaixo, o editorial da revista.


Um diálogo com o passado através das mídias contemporâneas
por Carlos Hollanda

Mesmo no mundo acadêmico, onde projetamos expectativas acerca da abertura ao conhecimento e a visões críticas sobre os diversos preconceitos em sociedade, podemos, vez por outra, ouvir a indagação: "para quê estudar Antigüidade ou Idade Média? O Brasil não teve Idade Média...". Soa estranho ouvir tal pronunciamento vindo dos lábios de alguns professores cujos trabalhos e histórico nos inspira admiração e respeito. De fato, o problema não se restringe a esses campos do conhecimento. O preconceito parece ser uma característica inerentemente humana, uma via de mão dupla que ora é perpetrada ora é sofrida pelos mesmos agentes. Em certos casos as resistências de certos pesquisadores a determinados temas ocultam visões estereotipadas e a recusa em admitir a possibilidade de não dominarem esse ou aquele assunto. Embora estejamos falando de pessoas com um altíssimo grau de instrução, com produção científica considerável, não raro nos deparamos com os referidos preconceitos, alicerçados por justificativas de quase impecável racionalidade para rejeitar um ou outro ponto de vista. Não há como estabelecer uma medida entre o "melhor" ou o "pior" preconceito, mas impressiona o fato de que justamente cientistas das áreas de humanas, tão empenhados em analisar criticamente as facetas do comportamento, podem vir a desenvolvê-lo de maneira ainda mais rígida do que a das pessoas que não têm tanta formação.

Um passo fundamental na trajetória do estudioso das ciências humanas é o de relativizar os próprios conhecimentos e convicções oriundos do saber no qual cada um é especialista. É procurar não ser escravo do especialismo. É não acreditar-se num patamar superior e intocável, cujas verdades são inquestionáveis e sempre capazes de decifrar o outro, não possuidor de sua "luz" científica ou, ao menos, não possuidor dos mesmos conhecimentos enunciados exatamente da mesma forma. Toda essa reflexão suscita o desejo de reler os escritos de Paul Veyne e de José Carlos Rodrigues, a propósito.

Nossa presente edição transita entre a Antigüidade e a Contemporaneidade, fazendo uma breve passagem na educação medieval e nas crenças e conhecimentos populares da modernidade. Aqui temos a impressão de que aqueles que vêm produzindo conhecimento nos últimos anos estão relativizando com mais ênfase seus próprios enfoques. Não se pode pensar em mundo contemporâneo sem pensar e compreender cada vez mais apuradamente as heranças da Antigüidade, da Idade Média, da Idade Moderna. É preciso conversar com elas como se fossem pessoas que estamos constantemente passando a conhecer e reconhecer.

Aquilo que as mídias atuais veiculam, seja no cinema, na TV, no rádio, nas publicações impressas (quadrinhos, livros, jornais) e na Internet, nos têm trazido com muita freqüência um olhar histórico ou pretensamente histórico. Mais do que uma simples preocupação em engordar contas bancárias de cineastas e outros produtores midiáticos, esse fenômeno responde a uma necessidade sociocultural de nosso tempo de dialogar com aquilo que fomos e, por conseqüência, o que nos tornamos. De nada adianta julgar uma obra literária (roteiros em geral, livros e demais narrativas) em busca de nela encontrar uma precisão absoluta em termos históricos. Toda obra é filha de seu tempo e lugar e a eles se curva. Mais vale, então, entender o que traz à visão de hoje aquilo que tentamos desenterrar do passado, ainda que eivado de elementos que nos são familiares porque atuais e não da época de que falam.

A cada volume de conhecimento adquirido as supracitadas heranças vão ganhando contornos mais interessantes e maior profundidade. Tudo isso é extremamente útil, pois conhecer aquilo que é anterior a nós é como conhecer um outro. Conhecer o outro, com todas as suas contradições, é conhecer a nós mesmos e isso não é pouca coisa num mundo cada vez mais complexo como este em que vivemos.

Carlos Hollanda
Mestre em História Comparada (PPGHC-UFRJ)
Prof. Subst. do Departamento de Teoria e História da Arte (BAH) - UFRJ

Prof. Subst. do Departamento de Análise e Representação da Forma (BAF) - UFRJ
26/04/2008

sábado, 12 de abril de 2008

VIII Seminário Internacional Fazendo Gênero

O Seminário Internacional Fazendo Gênero: Corpo, Violência e Poder irá ser realizado entre os dias 25 e 28 de agosto de 2008 , na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Ele é a seqüência ao projeto de encontros bianuais que se realizam tradicionalmente na UFSC há mais de uma década e que teve sua gênese em 1994, no Fazendo Gênero — Seminário de Estudos sobre a Mulher, ligado às áreas de Literatura. Com feição interdisciplinar e envolvendo, a partir daí, vários Centros, Departamentos, Programas de Pós-graduação, Núcleos de Pesquisa da UFSC e de outras universidades regionais e nacionais, ganhou dimensão internacional em 2000 e vem se consolidando como importante evento na área de estudos de gênero, tanto na academia quanto em relação a outras organizações e movimentos feministas.

A retomada dos temas corpo, violência e poder, que não são novos nos estudos feministas e de gênero, deve-se à especificidade das conjunturas nacional e internacional acerca das lutas a favor da descriminalização do aborto (no Brasil, no Uruguai, na Argentina, em Portugal); à politização do tema da violência conjugal, no caso do Brasil propiciada pela Lei Maria da Penha; aos processos de reconhecimento judicial de parcerias homossexuais; ao acirramento ou maior visibilidade da homofobia; aos dilemas éticos envolvidos nas decisões médicas e judiciais relacionadas às novas tecnologias de reprodução; aos paradoxos das atuais diásporas internacionais envolvendo as questões de gênero; e à feminização da pobreza, entre tantos outros aspectos que estas questões têm suscitado na atualidade.

Ainda que o Seminário tenha estas temáticas norteadoras, a estrutura de Simpósios Temáticos permite que outros temas tenham seu espaço garantido, como ocorreu nos encontros anteriores.

Para saber como participar e ter mais informações é só ir ao site oficial clicando aqui.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Piacatuba: um pedacinho do município de Leopoldina

Piacatuba é um pequeno distrito de Leopoldina que de alguns anos para cá tem se tornado uma atração turística local, seja pelos seus restaurantes, pela sua beleza rústica, pela natureza encantadora ou pela história preservada através de suas casas e ruas. Eu vou pouco a Piacatuba, mas a cada vez que tenho oportunidade de visitar o distrito fico mais encantada com sua beleza simples e com o valor que seu povo dá a sua história. Uma das histórias locais mais contadas e recontadas é a da lenda da Cruz Queimada, que envolve, entre outras coisas uma disputa de terras entre fazendeiros, na segunda metade do século XIX. Sobre a história da Cruz queirmada, clique aqui, outras informações sobre Piacatuba e sua história é só clicar aqui

sábado, 5 de abril de 2008

Dicas para dinamizar as aulas de história

Este ano eu descobri uma publicação mensal que tem me ajudado a ter muitas idéias boas para minhas aulas de história. Trata-se do Guia Prático para professores do Ensino Fundamental. Eu comprei a edição de março e abril e encomendei a de fevereiro. A indicação veio de um colega de São Paulo, por conta de uma oficina de quadrinhos que tinha saído na edição de março.

Para quem não sabe, eu tenho um projeto que gira em torno de uma gibiteca, que eu criei na escola onde trabalho (quem quiser saber mais é só clicar aqui). A oficina é ótima, mas o melhor foi descobrir que a revista oferece sugestões de atividades que eu posso usar nas aulas de historia. Não sou exatamente uma pessoa muito chegada a trabalhos manuais, por falta de habilidade mesmo.

A revista traz dicas fáceis, moldes em tamanho natural, sugestões excelentes de se trabalhar os mais diversos temas. Ela é realmente prática, como diz seu nome. Este mês irei experimentar uma das dicas que ela dá que é a produção de uma múmia de brinquedo. Vou usar a atividade para motivar meus alunos da quinta série (sexto ano) que devem, já esta semana, começar a estudar as civilizações antigas.

Na revista e Abril, que eu comprei hoje, vem atividades como fazer uma caravela (a atividade foi tirada do site Recorte Cole e lá há também um modelo para construir o 14 Bis), um jornal sobre o descobrimento, além de outras sugestões de trabalho para outros conteúdos que podem ser adaptadas para a História. Não costumo fazer propaganda, mas acho um pecado deixar de passar esta dica, ainda mais porque sempre queremos melhorar nossas aulas, e nem sempre temos idéias. É tudo muito lúdico e muito criativo, vale a pena conferir. Para ir no site da editora é só clicar aqui


sábado, 29 de março de 2008

Cartilha de história para a 5ª série (sexto ano)

Como professora venho enfrentando há muitos anos um problema muito sério: como ensinar história sem que isto seja um sacrifico para meus alunos. Um dos maiores obstáculos diz respeito ao livro didático. O Estado nos fornece livros didáticos, não estou sendo mal-agradecida, mas os livros que temos no mercado atualmente são livros destinados a um tipo de aluno que é difícil de ser encontrado: um aluno com bom vocabulário e domínio da leitura – entendida como uma boa interpretação do texto.

Oras, eu tenho alunos que vêm de situações sociais e econômicas difíceis, que tiveram muitas dificuldades na alfabetização, que não possuem hábito da leitura fora da escola, que não dominam ainda habilidades como a de interpretar um texto, de fazer relações, de teorizar. Meus alunos, muitos vêm da zona rural – não que isto seja um defeito, pois eu mesma fui criada na zona rural até os cinco anos de idade -, e nas escolas rurais, todos sabemos que os recursos são poucos e que muitas escolas contam mesmo é com a boa vontade das professoras.

O fato é que eu enfrento o dilema de ensinar História Antiga para meninos que nem ao menos tem formada a idéia de história enquanto ciência. Complica ainda o fato de que os livros trabalham com conteúdos padronizados nacionalmente e, no caso de MG, temos um currículo que possui peculiaridades, como por exemplo, a exigência de se ensinar história local na quinta série. Temos que adaptar nosso currículo aos PCNs, ao CBC e temos que fazer tudo isto com um livro didático que geralmente não atende a todas as nossas necessidades.

Por esta razão resolvi desenvolver um trabalho diferenciado este ano. Optei por criar uma cartilha para a quinta série (atual sexto ano), com linguagem mais simples, letras maiores e muitas imagens, ilustrações e quadrinhos que chamem mais atenção das crianças e que deixe a leitura mais prazerosa. As atividades, além de incluírem questões de interpretação e análise do texto, terão jogos, produções de texto e outros recursos que estimule os alunos a pensar, analisar, refletir sobre o conteúdo apreendido.

Vou adotar a seguinte estratégia: tenho três turmas de quinta série. Em duas eu irei utilizar a cartilha completa. Todas as atividades serão feitas na cartilha e eu irei corrigi-las separadamente (irei reservar um terço da nota de cada bimestre para estas atividades, no lugar de uma avaliação formal). As cartilhas têm no nome do aluno e são de responsabilidade dele. O livro didático Será utilizado para leitura ocasional de textos como forma de enriquecimento do vocabulário e do conteúdo. O custo é bem baixo, e eu consegui que ela fosse imprimida pela Secretaria de Educação.

Na terceira turma eu usarei o livro normalmente, mas irei introduzir alguns textos da cartilha e manterei o mesmo ritmo de avaliações bimestrais. Não irei introduzir muitas mudanças.

Durante este primeiro semestre eu irei observar o rendimento das turmas e, se for o caso, adotarei na segunda parte da apostila – que irá versar sobre a ocupação da América, colonização do Brasil e história local. É uma mudança um tanto radical, vai me dar um pouco mais de trabalho, mas estou confiante nos resultados. Eu sou muito a favor da elaboração do material didático pelo próprio professor. Quem mais adequado do que o professor, que conhece o perfil do seu aluno, suas dificuldades, suas demandas, para saber qual a melhor forma de atingir os alunos e conseguir com que eles possam desenvolver melhor suas habilidades e adquirir as competências necessárias para concluir com êxito o ano escolar?

Comecei a trabalhar com a cartilha esta semana, e as primeiras impressões que tenho dos alunos são animadoras, diria até que eles se sentiram entusiasmados.