quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

MINHA RETROSPECTIVA DE 2025

Ao final de todo ano, desde bem nova, eu listava em um caderninho  tudo que havia acontecido comigo ao longo do ano e o que eu gostaria que acontecesse no ano novo. Coisa boba de adolescente. Mas tarde, comecei postar no Blog algumas considerações e fazia até uma relação das postagens mais lidas durante ano que estava encerrando. Não sei quando, mas parei de escrever sobre isso. 

Na verdade, parei de fazer muitas coisas. Constatar isso me fez pensar sobre muitas coisas e escrever me ajuda a aprofundar essa autorreflexão. Por isso resolvi retomar o hábito de fazer um balanço do ano, na véspera do ano novo, e listar minhas memórias de 2025. Aliás, fiquei até surpresa com a quantidade de coisas que aconteceram, e muitas eu já tinha até esquecido.

Para recuperar essa memória, eu recorri às redes sociais, onde eu registrei ao longo do ano de 2025 uma série de atividades e fui rememorando pouco a pouco. Montei uma linha do tempo, que começa em janeiro de 2025 e vai até dezembro de 2025.

JANEIRO - Passei férias na Europa com um grupo de amigos. Organizei toda a viagem ao longo do ano de 2024. Éramos oito, saindo do Brasil, e encontramos um amigo em Lisboa, que se uniu ao grupo. Partimos de São Paulo dia 13 de janeiro e retornamos 3 de fevereiro. Fomos a Portugal e França, com uma programação intensa de 20 dias. Em Portugal, eu destacaria nossa ida a Beja, para participar de um encontro na Bedeteca, organizado por mim em parceria com Paulo Monteiro, no dia 18 de janeiro. Foi o primeiro evento da ASPAS, associação de pesquisadores da qual faço parte, fora do Brasil.

Beja - Portugal, 18 de janeiro de 2025.

Fomos para a França no dia 20 de janeiro, para fazer um tour pela Normandia. Alugamos três automóveis no aeroporto e começamos a aventura. O ponto final era Monte Saint-Michel, lugar que eu tinha vontade de visitar já há algum tempo. Retornamos a Paris no dia 24 de janeiro, onde passamos alguns dias e, de lá, em 28 de janeiro, fomos para Congnac, cidade do interior da França que foi nossa base para o Festival Internacional de Bande Dessinée de Angoulême. No dia 29 de janeiro participamos do dia dos profissionais, com acesso exclusivo a todas as principais exposições antes da abertura oficial. Em Angoulême tivemos mais uma atividade acadêmica, no dia 30 de janeiro. uma apresentação com a participação de pesquisadores e gestores dia EUA, Espanha, Suécia, Portugal e Brasil, na Cité de la BD.

Monte Sant-Michel, França, 23 de janeiro de 2025.

FEVEREIRO - Eu concluí o meu pós doutorado em Letras pela UEMS, que havia iniciado há um pouco mais e um ano, sob supervisão do professor Nataniel Gomes.

MARÇO - Em março, comecei meu pós doutorado em história, sob supervisão da professora Manuela Areias, na UEMS. Ainda em março tive uma aventura em família com a minha mãe, Cristiane Magalhães e sua mãe Regina, um passeio de fim de semana em Guapimirim e em Teresópolis, com direito a visitar minha ex-orientadora, Mary Del Priori.

ABRIL - Fui a um mega show de K-Pop no Morumbi a convite da amiga Fani, Show do Stray Kids, dia 7 de abril. Uma baita experiência, em um estádio com mais de 60.000 pessoas. De brinde, viajei na ida no avião da Gol do "Chico Bento". Ainda em abril, eu saiu minha primeira publicação do ano, um capítulo no livro História e Linguagens: pesquisas em quadrinhos e cinema. Fui também, à Feira Literária Internacional de Tiradentes, FLITI, dia 12 de abril e aproveitei para conhecer Bichinho, dia 13 de abril.

Morumbi, 6 de abril, Show do grupo Stray Kids.


MAIO - No dia 3 de maio eu parti para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para participar de atividades do meu pós-doutorado durante uma semana. Lá encontrei com a amiga Valéria Bari, que estava começando seu pós-doutorado em Letras. Realizamos, inclusive, algumas atividades juntas. Depois participei da Semana dos Museus, no dia 16 de maio, em uma palestra sobre bibliotecas e arquivos digitais. No dia 25 de maio, recebi uma revistas suíça, em esperando, na qual eu publiquei um texto juntamente com o amigo Nataniel Gomes, em esperanto (minha segunda publicação do ano). No no dia 29 de maio, tomei posso como membro da Academia Feminina Sul-Mineira de Letras (Afesmil). Fechei o mês com a festa de 80 anos da minha tia, Marly Nogueira.

JUNHO - Em 11 de junho teve início o VII Entre ASPAS, encontro da Associação de Pesquisadores em Arte sequencial, em Leopoldina (MG), cidade onde a associação foi fundada em 2012. Eu fui uma das organizadoras do encontro. Deste encontro participaram pessoas do MS, RJ, SP, PE, SE, AP, DF e até da Argentina. Um dos pontos altos foi um almoço organizado pela amiga Claudia Mendes, no CEM Maria Luiza Junqueira Ferraz, para os participantes do encontro. No dia 16 de junho lançamos o livro "Super-Heróis, política e identidades", do qual sou uma das organizadoras. Ao final do VII Entre ASPAS, eu entregue a Coordenação Geral da associação à Nataniel Gomes. Na semana seguinte, no dia 18 de junho eu participei como convidada em um dos painéis da Prefeitura do Rio de Janeiro, na Bienal Internacional do Rio de Janeiro, no dia 18 de junho, juntamente com Sidney Gusman e Jal. No dia 19 de junho aproveitei para passear antes de ir embora. Fui almoçar com a amiga Luisa Peres no Forte de Copacabana.

Com Sidney Gusman e Jal, no dia 18 de junho de 2025.

JULHO - Foi um mês menos intenso, participei do 33º Simpósio Nacional de Historia da ANPUH, em Belo Horizonte, na UFMG, levando a experiência de trabalhar com História Local e Educação Patrimonial na formação de professores em Leopoldina (MG). Minha apresentação no ST sobre educação patrimonial foi no dia 16 de julho. Reencontrei amigas queridas que não via há tempos, como Luciana e Martinha e fiz novas amizades, mas fiquei apenas dois dias, pois ainda não estava de férias. No dia 22 de julho, lançamento do meu segundo livro este ano Lançamento, "Quadrinhos, pesquisa e educação".

AGOSTO - No dia 9 de agosto eu participei de uma visita guiada ao Museu da Caricatura, no Rio de Janeiro, organizada pela professora Cláudia Mesquita, acompanhada das amigas Conceição Pires e Eva Aparecida e depois encontrei com o querido Caetano. Foi um bate-volta muito divertido. Dia 16 de agosto participei da Jornada do Patrimônio, em Leopoldina (MG). Dia 19 de agosto eu já estava participando das Jornadas Internacionais de quadrinhos da USP. Dia 20 de agosto fiz minha a apresentação e dia 21 de agosto participei do lançamento de livros da ASPAS. No dia 24 de agosto fui ao encontro sobre quadrinhos e mulheres organizado pela Conceição Pires, na UGRA, na Consolação, junto com o amigo Caetano. Ao longo da semana aproveitei o tempo livre pela manhã para ir a várias exposições, como do Ziraldo, no CCBB, do Raul Seixas, no MIS, e uma exposição maravilhosa de Hip Hop, Sesc 24 de Maio. No dia 28 e agosto Recebi semana passada a publicação da Antologia da Academia Lavrense de letras com 2 textos meus: "Moneypenny e a representação das mulheres no universo de James Bond" e "O rapto como estratégia amorosa nas Minas Gerais do século XIX".

Saindo da USP, a noite, com os amigos.

SETEMBRO - Dia 9 de setembro foi o lançamento do álbum "Curiosidade" de Cecília Capuana, em São Paulo. Fiz a introdução e participei do processo de produção. Infelizmente não pude ir, pois estava ainda me recuperando de uma infecção respiratória que contraí durante as Jornadas Internacionais de Quadrinhos. Participei juntamente com Amanda Almeida, 10 de setembro, de uma atividade 10ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, realizada no Museu Espaço dos Anjos, em Leopoldina, com a presença dos estudantes que fazem parte do projeto Parlamento Jovem. O tema foi “Paisagem Cultural e Patrimônio Toponímico”, convidando a comunidade a refletir sobre como os nomes das ruas e lugares guardam memórias, fortalecem identidades e conectam patrimônio cultural e natural. Organizei e participei como apresentadora do Encontro Internacional "Patrimônio Documental e Cultura Visual", 15 a 19 de setembro, um evento realizado pela Pós-graduação em Letras e História da UEMS e da ASPAS, que fez parte da Jornada Estadual do Patrimônio Cultural do Mato Grosso do Sul (2025) - Caminhos De Memória: Territórios, Saberes e Resistências. O encontro teve a participação de pesquisadores do Brasil, da Espanha, de Portugal e da Suécia.

OUTUBRO - No dia 4 de outubro foi o lançamento do livro "Quadrinhos, conceitos e linguagens", do qual sou organizadora e autora e que conta com textos de colegas da Argentina e da Suécia. No dia 15 de outubro, foi publicado o meu trabalho sobre Educação Patrimonial, nos anais do 33º Simpósio Nacional de História da ANPUH. No dia 25 de outubro eu participei da FLILavras, com palestrante e aproveitei para dar uma esticada no dia 26 de outubro em São João Del Rei. Fui junto com as amigas Eva Aparecida, Cristiane Magalhães e Maiara Alvim.

Declamando poesias no encerramento da FLILavras, dia 25 de outubro

NOVEMBRO - Seis de novembro eu apresentei um trabalho durante o 2º Quatrital, evento online realizado pela UnB e organizado pela maravilhosa Alessandra Querido. No feriado de 15 de novembro fui ao espetáculo "Guibli in Concert", com a amiga Débora e ainda aproveitei as comemorações dos 200 anos do Parque da Luz. No fia 27 de novembro eu e Amanda Almeida participamos hoje da gravação de um programa da Rede Minas, em Providência, distrito de Leopoldina (MG), sobre ferrovias.

DEZEMBRO - No dia 2 de dezembro eu realizei a conferência a de abertura do X Fórum Discente e VI Fórum e Egressos do PPGH- UNIVERSO. Dia 19 de dezembro foi lançamento do livro "Pensamentos Poéticos" do ex-aluno Lucas Dierverson, que eu ajudei a produzir. E para fechar o ano, eu recebi uma Menção Honrosa do Projeto Boas Práticas 2025, projeto que que desenvolvi juntamente com a professora Eva Aparecida da Silva . Ficamos em primeiro lugar com um trabalho que realizado no primeiro semestre, com  alunos do 6º ano do Ensino Fundamental II, do CEM Maria Luiza Junqueira Ferraz, em Leopoldina (MG)

domingo, 21 de dezembro de 2025

LANÇAMENTO DE LIVRO: PENSAMENTOS POÉTICOS


Nesta quinta-feira, dia 18 de dezembro de 2025, ocorreu o lançamento do livro de poemas "Pensamentos poéticos", de Lucas Dierverson.  O evento foi realizado no CEM Maria Luiza Junqueira Ferraz, onde o jovem escritor estuda. Pois é, Lucas é aluno do Ensino fundamental e tem 14 anos de idade. 

Em tão pouco tempo de  vida, este jovem que veio criança do Ceará para Minas Gerais, tem a capacidade de expressar suas ideias, sentimentos e valores por meio da poesia como eu nunca vi em alguém de tão pouca idade. Não são poemas rasos de amor, mas visões de mundo, crítica social e reflexões filosóficas que demonstra a capacidade apurada que Lucas tem de fazer uma leitura apurada da realidade. 

É um trabalho autobiográfico e memorialístico, uma vez que o autor fala de si e de situações que viveu. Ao mesmo tempo, dialoga com o todo e se alimenta da memória coletiva. Fluidez e sensatez estão presentes na sua poesia, que fala de família, de preconceito e até critica padrões e normas sociais.

O livro, com 130 páginas foi publicado com o selo da Marsupial Editora, e acreditem, já esgotou. 

Leia um trecho do prefácio do prefácio

Nesta obra, o leitor encontrará uma ampla gama de temas, tratados com uma honestidade por vezes desconcertante. Lucas fala do amor em suas múltiplas facetas: o amor familiar, terno e acolhedor; o amor romântico, cheio de encantamento e dor; o amor pela arte, salvador e inspirador; e o amor a Deus, que perpassa discretamente alguns de seus versos, refletindo sua fé católica e sua busca por conciliar criação artística e espiritualidade.

Mas este não é apenas um livro sobre o amor. É também um diário de angústias, um grito de revolta contra a injustiça, um lamento sobre a solidão e um manifesto contra os padrões opressores da sociedade. Em poemas como “Tentei me encaixar nos padrões, mas só me machucaram” e “O preconceito é desprezível”, o jovem poeta demonstra uma consciência social aguçada, denunciando o racismo, a hipocrisia e a exclusão. Seu olhar critica um mundo que frequentemente despreza o que é diferente, e sua voz ecoa o anseio por um futuro mais inclusivo e humano.

Há, ainda, uma reflexão profunda sobre a própria existência. Em “Agora um questionamento”, Lucas se lança em interrogações filosóficas que ultrapassam sua idade: “Qual é o propósito da nossa existência em um universo tão bonito e perfeito?”. É a voz de uma geração que, cada vez mais cedo, se depara com as grandes inquietações da vida, da morte, do tempo e do sentido da jornada terrena.

Nataniel dos Santos Gomes é pós-doutor em língua portuguesa (UERJ), doutor em linguística (UFRJ), professor da UEMS 

Sobre o autor

Lucas Dierverson, nasceu em Fortaleza, Ceará, no dia 26 de dezembro de 2010. No ano seguinte,  mudou-se para Leopoldina, cidade da Zona da Mata de Minas Gerais,  juntamente com sua Mãe.  Desde pequeno, desenvolveu uma paixão intensa pela arte, explorando diversas formas de expressão: desenho, piano, violão, composição musical, escrita de poemas e contos, além de cantar. Um menino católico, que procura conciliar arte e fé. Atualmente, cursa o 9º ano do Ensino Fundamental II no Centro Educacional Maria Luiza Junqueira Ferraz, Bairro Bela Vista, em Leopoldina, MG. Por esta escola conquistou em 2025 dois prêmios no Concurso Literário da Academia Leopoldinense de Letras de Artes (ALLA), nas categorias desenho e conto.

Fotos do lançamento:

 













sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

PROJETO MUSEU COM POESIA


O projeto "Museu com Poesia", que desenvolvi juntamente com a professora  Eva Aparecida da Silva, professora de língua portuguesa, recebeu uma Menção Honrosa do Projeto Boas Práticas 2025. Ficamos em primeiro lugar com um trabalho que realizado no primeiro semestre, com  alunos do 6º ano do Ensino Fundamental II, do CEM Maria Luiza Junqueira Ferraz, em Leopoldina MG.

O projeto trabalha a questão do Patrimônio Cultural através do museu e da poesia, no caso, da poesia de Augusto dos Anjos. Enquanto os alunos tinha aulas de educação patrimonial, aprendendo o qual a função dos museus, em língua portuguesa, eles trabalharam o gênero poesia e a biografia do poeta Augusto dos Anjos.

Para quem tiver interesse, o projeto completo pode ser acessado clicando aqui!

domingo, 14 de dezembro de 2025

GHIBLI IN CONCERT - RELATANDO A EXPERIÊNCIA

No feriado de 15 de novembro de 2025 eu me presenteei com um ingresso para o Ghibli in Concert, um espetáculo musical com trilhas sonoras de animes produzidos pelo do Studio Ghibli. O Studio Ghibli é um estúdio japonês de animação, fundado em 1985 por Hayao Miyazaki e Isao Takahata, conhecido por sua estética artesanal, narrativas profundas e cativantes. Eu sempre gostei de animes, embora eu não seja exatamente uma entusiasta ou especialista no tema. No entanto, confesso que algumas animações do Studio Ghibli me deixaram boas memórias. Por isso, eu acabei comprando ingressos para a turnê. E não me arrependo.

A orquestra foi regida pelo Maestro Eliseu Barros, celebrando a obra de Joe Hisaishi, compositor e diretor musical responsável pela trilha sonora de animes como “O Serviço de Entregas da Kiki” (1989), “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992), “Princesa Mononoke” (1997), “A Viagem de Chihiro” (2001) e “O Castelo Animado” (2004), citando alguns dos animes que eu já assisti e cuja trilha sonora eu conheço.

Lamento ter demorado um pouco para fazer o relato, mas no final do ano as coisas se atropelam. Passa um dia, uma semana e um mês sem a gente perceber. Mas a turnê está fazendo tanto sucesso que há shows marcados até janeiro de 2026, então, acho que ainda está em tempo de escrever algumas coisa.

Viajei para São Paulo, na sexta-feira, 14 de novembro, onde encontrei a amiga Déborah, minha colega nesta aventura. Depois de instaladas e de cumprir alguns compromissos de trabalho online, fomos dar uma volta na Rua Augusta, e jantar em um restaurante. Eu gosto de ir para a região da Consolação. Há muitas opções de bares e restaurantes, espaços alternativos, sem falar que é uma região muito animada. Foi muito tranquilo para ir, pois pegamos o metrô de Santa Cecília e, para a volta, optamos por um UBER, pois já estava um pouco tarde. 

Ficamos hospedadas em Santa Cecília, em um hotel bem aconchegante, o Hotel Centro 433, que aliás, foi uma ótima escolha. Os quartos são ótimos, o ambiente agradável, com espaços comuns e um café da manhã bem caprichado. Vai ficar, inclusive, na minha lista para quando eu precisar me hospedar novamente em São Paulo por poucos dias. Tipo, as fotos condizem com o que hospede encontra, o que nem sempre acontece. Neste caso foi acima das nossas expectativas iniciais.

No sábado, fomos para  bairro do Bom Retiro, pela manhã, para almoçar e aproveitamos para passar no Parque da Luz, que estava completando 200 anos, com uma programação especial. O Parque Jardim da Luz, é o mais antigo de São Paulo, Inaugurado em 19 de novembro de 1825 como Jardim Botânico, ele foi o primeiro espaço verde de lazer público de São Paulo. com estruturas como coreto, casa de chá e lagos. Havia até um aquário subterrâneo construído no final do século XIX ou início do século XX, e redescoberto durante reformas em 2000, revelando passagens e janelas de observação lacradas. Dá para imaginar como o espaço era moderno para o século XIX.

Aliás, uma das coisas que eu gosto em São Paulo é que sempre tem uma boa programação cultural e, geralmente, grátis. No caso da comemoração dos 200 anos do Parque da Luz, havia uma programação para o dia todos, atores com roupas de época, além de pontos de cultura, que falavam da história do Parque da Luz e de São Paulo. 

Depois do almoço, fomos para o show, marcado para 14h no Teatro APCD, literalmente do ladinho da estação de metrô Tietê. A espera não foi longa e foi bem animada, com jovens e adultos bem entusiasmados, famílias inteiras bem empolgadas.  Tudo muito organizado e sem confusão. Inclusive, com medo da chuva, a organização abriu os portões mais cedo, para que o público fosse para a parte externa coberta.

A entrada também foi muito organizada. O problema foi encontrar nosso lugar, porque a numeração era muito complicada, e olha que tinha uma pessoa do staff nos ajudando. Mas no final deu tudo certo. Cenário no palco era simples, mas muito bonito e alguns dos músicos e cantores estavam vestidos como personagens do Studio Ghibli. Foram cerca de duas horas de apresentação, com trilhas sonoras lindas, cantores fantásticos e público emocionado. Tanto a parte instrumental quanto vocal estavam lindíssimas. 



Um dos pontos altos do espetáculo foi a entrada do Sem-Rosto (No Face). Sem-Rosto é um personagem da A Viagem de Chihiro, que sem identidade própria é uma representação dos indivíduos em nossa sociedade. O personagem surge na história como uma figura espectral com uma máscara branca. Ele é um personagem que, pelo menos para mim, passa uma certa tristeza, pois não pertence a lugar algum. O sentimento de pertencimento surge à medida que se cria uma identidade, coisa que ele não tem, mas que deseja ter quando se apega a Chihiro.

Embora o show fosse a parte principal da viagem, e o motivo dela, conseguimos incluir várias outras coisas o que compensou, e muito, o tempo e o investimos que foi feito. Um bate-volta do interior de Minas Gerais a São Paulo, que foi o meu caso, pode ser cansativo, mas quando a gente consegue usufruir de momentos como estes, ao lado dos amigos, vale a pena.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES


Em julho apresentei um trabalho sobre Educação Patrimonial no 33º Simpósio Nacional de História da ANPUH, realizado na UFMG, em Belo Horizonte, usando Leopoldina como estudo de caso. O texto foi publicado nos anais e esta disponível para download.  Confira o o resumo:

A Educação patrimonial na formação de professores

Questões relacionadas ao Ensino de História e à Educação Patrimonial têm ganhado relevância nas escolas de ensino básico e universidades. No campo do Ensino de História destaca-se a importância de trabalhar o patrimônio cultural, tanto enquanto teoria como enquanto prática. Partindo deste pressuposto, propõe-se um trabalho que reúna a teoria e prática, dando ênfase à formação docente. O contato com estratégias de ensino, criadas a partir de materiais diversos, fornece uma base sólida para que o/a futuro docente possa, a partir daí, adaptar e/ou criar suas próprias estratégias. A educação patrimonial é um caminho para se trabalhar as questões relacionadas ao Patrimônio cultural, seja em âmbito local ou nacional, já a partir dos primeiros anos da educação básica. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), insere a educação patrimonial no currículo dos anos iniciais do ensino fundamental, no componente curricular História. Dada a base inicial de introdução do tema pelos docentes dos anos iniciais, cabe ao professor de história, a partir dos anos finais, reforçar conceitos, instigar o debate e promover estimular não apenas a preservação, mas a valorização das manifestações culturais como parte da identidade individual e coletiva. No processo de reconhecimento do Patrimônio Cultural, o/a professor/a é um dos agentes culturais responsáveis pela sensibilização da sociedade acerca da importância da preservação do patrimônio. Ele(a) possuí um papel fundamental no que diz respeito à preservação e do patrimônio cultural e da memória, dois importantes alicerces para a construção de uma identidade social e para a criação e o fortalecimento de um sentimento de pertencimento, principalmente entre os jovens. Vem daí a importância em na formação docente, que começa nos cursos de graduação e se estende aos professores e professoras que estão em exercício da função. Esta formação elemento essencial para questões relacionadas principalmente ao ensino de história local e da educação patrimonial. Entende-se que o ensino de história dever ir além do fato e debruçar-se sobre problematizações, volta-se para a realidade do estudante e das necessidades da sociedade, dentre elas a afirmação de uma identidade local e nacional, o que possibilita o melhor uso e entendimento da cidadania como prática. É preciso também pensar na formação de professores em exercício. É necessário e urgente proporcionar que professores, não apenas de História, mas, principalmente, dos primeiros anos do Ensino Fundamental possam ter acesso a este material e orientação adequada para trabalhar estes temas em sala de aula, criando a base para uma formação mais ampla do estudante, e fortalecendo o sentimento de pertencimento.

Para ler o texto completo, clique aqui ou aqui!

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

4ª FEIRA LITERÁRIA DE LAVRAS - FLILAVRAS

Nos dias 24 e 25 de outubro de 2025 está ocorrendo a 4ª  Feira Literária de Lavras, a  FLILAVRAS, organizada pela Academia Lavrense de Letras. Este ano a homenageada é um dos grande nomes da poesia brasileira, Cecília Meireles. O evento na sexta-feira, dia 24 de outubro a noite e segue no dia 25 de outubro, com palestras, lançamento de livros e momentos lúdicos. O evento é gratuito.

Confira a programação:


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

VIADUTO, HQ DE ANA LUISA KOEHLER

 

Pensem em um quadrinho que reúne uma história interessante e uma arte quase etérea. É assim que eu vejo as obras de Ana Luísa Koehler, desde que li pela primeira vez "Beco do Rosário". Viaduto é uma sequência dessa primeira obra, ambientada na cidade de Porto Alegre, na década de 1930, e que traz como protagonistas Vitória, uma jovem negra, idealista e jornalista, e Frederica, uma mulher branca de elite que, depois de um divórcio escandaloso, foi afastada pela família e agora se dedica à música e à boemia, trabalhando como pianista em um clube.

Imaginem uma mulher, negra e jornalista, no início do século XX, justamente em Porto Alegre, uma cidade com forte influência da imigração europeia, notadamente alemã. Imagine uma mulher branca de elite que quer viver uma vida sem regras e que coloca sua música e liberdade em primeiro lugar. Este contraste e a amizade que nasce da vontade dessas mulheres de quebrarem paradigmas, enfrentando o sexismo e o machismo da época, já é suficiente para tornar enredo atraente.

Em "Viaduto", temos como pano de fundo a obra de construção do viaduto Otávio Rocha, marcada por problema de cunho econômico, como a falta de recursos. O ano de 1930 é um momento de mudança política, com a acessão de Vargas, e econômica, com os primeiros efeitos da crise de 1929. Vitória está cobrindo matérias sobre a obra do viaduto. Ela agora já e uma jornalista estabelecida e com uma reputação construída. Ela leva para a comunidade, por meio da mídia, os problemas que são trazidos pela obra.

Outros personagens que marcaram "Beco do Rosário" vão sendo introduzidos, como Téo e Fabrício. O leitor vai adentrando em suas vidas, descobrindo o que eles se tornaram, já passados mais de 15 anos dos acontecimentos que marcaram “Beco do Rosário”.  Porto Alegre, como cidade, mudou. Agora vê-se ao horizonte arranha-céus e as avenidas largas tomaram conta dos antigos becos. A vida dos personagens também está diferente. Eles agora estão em caminhos distintos, embora venham a se cruzar em "Viaduto".

Tanto “Beco do Rosário” quanto “Viaduto” foram trabalhos que resultaram de uma exaustiva pesquisa de campo na qual a autora, a partir e um trabalho de memória urbana, pesquisou em jornais de época e outas fontes, como documentos oficiais, para poder reconstituir a cidade de Porto Alegre antes e durante a reforma urbana, iniciada em 1914, dentro do Plano Geral de Melhoramentos, elaborado pelo arquiteto João Moreira Maciel.

O Plano Geral de Melhoramentos foi uma versão da reforma urbanos do Rio de Janeiro, capitaneada por Pereira Passos, entre os ano de 1902 e 1906, também, marcada pelo higienismo social (doutrina do século XIX que ligava a saúde e o bem-estar de uma nação ao comportamento individual e às condições urbanas), por uma visão preconceituosa da população de baixa renda, que vivia nos becos da cidade. 

Koehler traz uma história que envolve tanto famílias afetadas pela reforma quando pessoas da elite, que exaltam a chagada do “progresso” e da “civilização”. Por isso, apensar dos personagens centrais da trama sejam ficcionais, há “participações especiais” de personagens que realmente existiram, e que estivem envolvidos nas mudanças urbanas da cidade. Uma história em quadrinhos com personagens forte e envolventes e que é resultado de um exaustivo trabalho de pesquisa e de execução.

sábado, 4 de outubro de 2025

LANÇAMENTO DO LIVRO "QUADRINHOS, CONCEITOS E LINGUAGENS"


Saiu esta semana o último livro da trilogia que ajudei a organizar de textos resultantes do I Encontro Internacional da ASPAS e do VII Fórum de Pesquisadores em Arte Sequencial, realizado entre 5 e 8 de novembro de 2024. 

Foi o fim de um ciclo de trabalhos que durou quase dois anos e que envolveu toda a preparação para o evento, o evento em si e, posteriormente a organização de três volumes de livros, a partir dos texto enviados e aprovados para publicação. Aproveito para agradecer aos colegas Nataniel dos Santos Gomes, Guilherme Sfredo Miorando, Lucio Luiz Corrêa da Silva, Sebastian Gago, Joyce Mirella dos Anjos Viana e  Luísa Arantes Bahia que participaram e colaboraram com todo esse processo.

O prefácio deste livro foi gentilmente escrito pela professora doutora Valéria Fernandes da Silva.

Confira os capítulos:

1. A teoria funcionalista e a tradução de HQs - Deborah Covre Simão Martim, Nataniel dos Santos Gomes. 

2. Clube de Conversação em Português utilizando quadrinhos: uma experiência de intercâmbio na Universidade de Buenos Aires (Argentina) - Eduarda Fernandes da Rosa, Angélica Rosa de Matos, Vanessa Maciel Franco Magalhães.

3. Carlos Trillo como agente de consagração dos Quadrinhos Argentinos (1970-1980) - Sebastian Horacio Gago.

4. Histórias quadrinizadas: algumas considerações sobre biografias em quadrinhos - Natania A. da Silva Nogueira.

5. Mulheres quadrinistas na Suécia – de quadrinhos infantis ao feminismo - Fredrik Strömberg.

6. Entre a madeira e o concreto: a poética da memória entre os espaços de Eisner e Chabouté Alessandra Matias Querido, William Farago da Maia.

7. Histórias em quadrinhos: preferências de leitura em papel e tela - Leticia Gomes Oliveira Seiboth Nataniel dos Santos Gomes.

8. As fanzinotecas como manutenção solidária e coletiva sócio-político-paratópica - Gazy Andraus.

9. Os quadrinhos, a translinguagem e as conexões presentes - João Soares Rampi.
 
10. Quadrinhos, redes sociais e autoria coletiva: analisando o caso da série de tirinhas Cuscuz Surpresa, de Helô D’Angelo e Daniel Cesart - Maiara Alvim de Almeida.

11. Representatividade regional no Prêmio Angelo Agostini - Ivan Carlo Andrade de Oliveira.

Este  livro e os outros dois (Super-heróis, política e identidades e Quadrinhos, pesquisa e educação), podem ser ser acessados aqui!

terça-feira, 30 de setembro de 2025

FREDRIC, WILLIAM E A AMAZONA. PERSEGUIÇÃO E CENSURA AOS QUADRINHOS

 


Fredric, Willian e a Amazona: perseguição aos quadrinhos, traz a biografia conjunta do psiquiatra Dr. Fredric Wertham e do psicólogo  William Moulton Marston. O primeiro, autor do livro Sedução do Inocente,  ficou conhecido por ser protagonista da famigerada companha de perseguição aos quadrinhos, que na década de 1950 representou um duro golpe à indústria dos quadrinhos nos Estados Unidos e que teve reflexos diversos países do ocidente. O segundo, ficou conhecido como criador da Mulher Maravilha, a primeira grande heroína surgida na égide da segunda onda do feminismo, durante a Segunda Guerra Mundial.

O quadrinhos nos traz uma história que busca reproduzir o contexto de criação da Mulher Maravilha e, ao mesmo tempo, o surgimento das teorias de Wertham, que condenava a leitura dos quadrinhos. Os autores buscam reconstituir os bastidores desse processo, colocando na mesa as influências que este dois homens tiveram para construírem seu legado. 

Wertham, mergulhado no mundo do crime, analisando perfis de psicopatas, imerso numa visão mais pessimista e traumatizante da realidade, perpassada  pela violência em seu estado mais perverso. Ao mesmo tempo, o psiquiatra tenta contrabalancear esta negatividade promovendo auxilio psiquiátrico a comunidades negras nos Estados Unidos. No entanto, de acordo com a narrativa da obra, ele não consegue se distanciar do fato de estar imerso na violência, e assume uma postura rígida com relação principalmente a quadrinhos de crime e de terror.

Marston, é sempre apresentado de forma otimista, um idealista que tem uma vida excêntrica com suas duas esposas (ele era adepto do poliamor). Ele encontra nos quadrinhos uma forma de popularizar suas ideias acerca das relações de gênero e do feminismo e de sua invenção, o polígrafo, comumente chamado de detector de mentiras. Suas relações familiares fazem parte do enredo, destacando sua relação com sua esposa e sua amante. 

Não acho que o termo “amante” seja correto para descrever a relação dele com Olive Byrne mas não me veio em mente outra palavra, visto que, levando em conta os paradigmas sociais da época, ela se encaixava dentro desta categoria, embora sua relação com Marston não fosse clandestina (inclusive, se alguém tiver um termo melhor que eu possa usar, aceito sugestões). Há de se destacar a forte presença de sua  esposa, Elizabeth Holloway Marston, e sua importância tanto no que tocante ao bom andamento das relações familiares quanto ao seu trabalho de Marston e à própria criação da Mulher Maravilha.

Esta HQ, de autoria dos franceses Jean-Marc Lainé (roteiro) e Thierry Olivier (arte). O roteirista, Lainé, criou a narrativa deste quadrinho a parte do seu conhecimento sobre a história dos quadrinhos estadunidenses, tendo experiências tanto como editor quanto como pesquisador de quadrinhos. A obra, apesar de possuir muitos elementos ficcionais, até porque não há como escapar deles quando se constrói uma narrativa biográfica em quadrinhos, é bem factualmente bem embasada, inclusive com  textos complementares, ao final da obra que valem a pena ser lidos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

CHÃO ANCESTRAL - LIVRO DE POESIAS

 

A poesia teve um papel importante na minha adolescência. No Ensino Médio eu escrevia cadernos e mais cadernos de poemas. Isto foi incentivado pela minha professora de português e literatura da época, Terezinha Meneghitti. Ela chegou até a organizar um grande sarau com os alunos quando eu estava no segundo ano. Mas o tempo da poesia acabou ficando no passado. Por décadas, sem exagero, eu não tive contato mais intenso com a poesia nem como leitora, e muito menos escrevi uma simples estrofe.

Isso mudou com a minha entrada para a Academia Leopoldinense de Letras e Artes - ALLA. Participando sempre do sarau da ALLA,  que ocorre mensalmente aos sábados no Museu Espaço dos Anjos, de Leopoldina (MG). Não voltei a escrever, mas a ler e ouvir atentamente declamação de poesias. Por isso tirei alguns minutos para escrever e recomentar este livro de poesias "Chão Ancestral" (2023), que também traz a fotografia como parte da narrativa. Este livro tem como autora Margarida Montejano. 


Conheci Margarida Montejano, e na época adquiri o livro, durante a 3ª Feira Literária da Academia Lavrense de Letras, de 2024, promovida pela Academia Lavrense de Letras - ALL. Seus poemas têm como tema principal as mulheres: mulheres simples, que lutam para sobreviver no dia a dia, mulheres que são condenadas por suas ações apenas por serem mulheres. Traz ainda, em seus versos a simbologia da bruxa e a ancestralidade da "deusa".

Eu particularmente gostei bastante deste livro que fui lendo a conta-gotas e revisitando algumas partes. Selecionei uma para finalizar esta postagem.

Maria

tarde da noite Maria sai
enfrenta as ruas
os olhares de esgueio
o julgamento alheio
Maria sabe que a caminhada é longa
que há perigos à espreita
e, mesmo temendo, confia
endireita o tronco, respira fundo
floreia e segue
espanta o medo, segura a fé,
enfrenta o mundo
sente na pele o preconceito,
o machismo, a ignorância
sente no corpo a sede,
a fome e o cansaço
Maria segue
Maria resiste

Maria vence

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

ALGUMAS NOTAS SOBRE O LIVRO KIM JIYOUNG, NASCIDA EM 1982


Tenho lido poucas obras que não são relacionadas ao trabalho, principalmente ficção. Uma boa ficção ajuda muito no trabalho intelectual pois estimula a criatividade. Ficar presa apenas a textos acadêmicos pode fazer com que um(a) pesquisador(a) reduza consideravelmente seu repertório prejudicando, inclusive sua escrita. 

Sendo assim, eu resolvi separar algumas obras que estão se empilhando nas prateleiras das minhas estantes para ler, nem que fosse apenas algumas páginas diárias. Livros de poesia, romances de ficção e muitas histórias em quadrinhos, que eu comprei e ainda nem folhei. Decidi, também, colocar como meta toda semana tentar tirar um tempo para fazer um pequeno texto sobre das obras cuja leitura encerrei.

Vou começar com o livro “Kim Jiyoung, nascida em 1982”, que eu terminei de ler na semana passada. Este livro foi publicado originalmente na Coreia do Sul em 2016 e se tornou um fenômeno internacional. Foi recomendação da amiga Fabiana Rubira. A autora do livro é Cho Nam-Joo, uma ex-roteirista de televisão. Na época da publicação de seu livro, na Coreia do Sul, estava emergindo o movimento #MeToo no país. Foi uma coincidência feliz para a autora, que viu seu livro ganhando visibilidade graças ao amplo debate sobre o papel da mulher na sociedade sul-coreana, fortemente marcada pela desigualdade de gênero.

Neste livro ela narra a vida de Kim Jiyoung uma jovem sul-coreana que pode representar qualquer uma jovem comum, na faixa dos 30 anos de idade. Vinda de uma família simples, Kim Jiyoung encontrou-se sob uma grande pressão para atender as expectativas do mercado de trabalho e ao mesmo tempo da sociedade. Ela quer investir em uma carreira, conseguir um bom casamento e construir uma família.

Parece tudo muito engessado, e realmente é. Kim Jiyoung é uma das milhões de mulheres que andam na corda-bamba na Coreia do Sul. Ela tem ambições, mas vê pouco a pouco seus sonhos escapando entre seus dedos quando opta por ter o primeiro filho. Por detrás disso há uma forte pressão social. A moça o engravida e é obrigada a abrir mão da sua carreira e dos seus sonhos para viver como esposa e mãe.  

O livro vai e volta no tempo, trazendo a jovem Kim Jiyoung, suas experiências na infância e na juventude, assim como os obstáculos que teve que enfrentar em uma sociedade que ainda valoriza mais os homens, seja como filhos ou como trabalhares. Na Coreia do Sul, muito mais do que no Brasil, e aí podemos destacar a influência do confucionismo naquele país, os homens ainda são acima das mulheres, até na própria família. Era muito comum, por exemplo, as irmãs começarem a trabalhar cedo para pagar os estudos dos irmãos. Em tempos mais antigos, as mulheres nem mesmo podiam comer na mesma mesa que os homens e nem mesmo partilhar da mesma comida.

Uma coisa que me chamou atenção neste livro, é que a autora teve a preocupação de inserir dados retirados de artigos científicos, de matérias jornalistas e indicadores estatísticos. É uma forma de embasar a história de vida da protagonista e chamar atenção para os obstáculos que as mulheres têm que enfrentar, da infância à vida adulta.  Entre estes dados estão aqueles relacionados à questão de desigualdade de gênero e sobre o mercado de trabalho.

A saúde mental é outra questão que o livro aborda, resultado de todos esta pressão social que se coloca sobre as mulheres. Kim Jiyoung passa a  frequentar um psiquiatra após ter sua criança, sentindo-se perdida e sem perspectivas de futuro. A maternidade é apresentada como sendo o fim  da possibilidade de acessão profissional pois, apesar de existir licença maternidade, as mulheres são levada a desistir de seus empregos e voltar para sua posição original, após alguns anos, é muito raro. 

Muitas mulheres que têm filhos optam por empregos de meio período, descartando sua formação universitária e sua experiência profissional. Aí alguém pode dizer: "Ah, mas ela não precisa fazer isso!". Talvez para quem viva no Brasil e em outros países ocidentais isso possa ser uma possibilidade, e temos muitos exemplo no nosso dia a dia, mas lá na Coreia do Sul a coisa não é bem assim. Não são todas que conseguem permanecer em seus empregos após ter filhos e mesmo aquelas que retornam podem ainda abandonar o trabalho devido ao acumulo de responsabilidades profissionais e domésticas.

Um drama recente, "A cidade e lei" (2025), traz uma situação semelhante quando uma advogada, Bae Mun Jeong, interpretada pela atriz Ryu Hye Young,  engravida e procura se informar sobre sua licença maternidade (ou licença parental). Ela ouve do chefe que, nestes casos, o normal é se demitir. Ela não aceita a situação e busca manter seu direito adquirido por lei: de afastar, ter seu(ua) filho(a) e retomar às suas atividades profissionais ao fim da licença. Mesmo sendo advogada ela tem muita dificuldade para conseguir, reproduzindo uma situação que afeta ainda em 2025 muitas mulheres naquele país. Aliás, a roteirista do drama tem formação em advocacia, o que dá uma certa profundidade à experiência desta personagem em particular.

Tanto o livro quanto nesta série  podemos perceber que mulheres que se casam são vistas como um problema, pois eventualmente podem engravidar e interromper suas tarefas. O retorno é visto como inviável, e muito disso se deve à grande competitividade. Um dos dados que a autora apresenta é justamente sobre essa questão, em 2009 "quatro em cada dez mulheres trabalham sem a garantia de licença maternidade"(p. 93). 

A mesma sociedade, que atualmente vive uma crise séria de crescimento demográfico, quer que as mulheres casem e tenham filhos, mas acabam obrigando-as a escolher entre família e profissão, como se não houvesse um meio termo (aquele encontrado pela advogada da série que eu citei). Como a autora gosta de inserir dados estatísticos e informações retiradas de fontes científicas, vou finalizar o texto com alguns dados atuais com relação às mulheres na Coreia do Sul.

"A partir da década de 2010, mais mulheres optaram por permanecer solteiras ou casadas e sem filhos. Políticas familiares como creche e licença parental não foram suficientes para tornar o trabalho e a criação dos filhos compatíveis em geral e, portanto, não tiveram os efeitos desejados sobre a fertilidade e o emprego feminino. Os efeitos das intervenções políticas variam com base em fatores como a posição das mulheres no mercado de trabalho e o acesso a programas de apoio, como creches de qualidade. A análise indica que, até que o emprego e a maternidade possam ser combinados de forma razoável para a maioria das mulheres, o custo alternativo da maternidade permanecerá alto e a fecundidade permanecerá baixa ou cairá ainda mais" 

(Women’s employment and fertility in Korea. OECD. 18 October 2024. Disponível em: https://www.oecd.org/en/publications/women-s-employment-and-fertility-in-korea_ac53879e-en.html Acesso em 25 set. 2025).